O Opala que ocupa muito mais do que uma garagem

Jeanni Caroline Trevisan Doubek e Renato Doubek com sua filha Amanda.

O que é melhor para um casal: que eles sejam iguais ou diferentes? Cada casal tem sua fórmula para dar certo, mas há quem diga que afinidades em comum fazem uma boa diferença.
Em Itapoá, Jeanni Caroline Trevisan Doubek e Renato Doubek formam um casal apaixonado: tanto um pelo outro, pela filha e também por Opalas. Essa última paixão, que nasceu mesmo antes de se conhecerem, move boa parte do lazer comum e tornou a família conhecida pelo veículo que é sucesso de vendas e atrai milhares de fãs.
O casal, natural de Curitiba – PR, conta que o amor por Opalas já é herança de outras gerações. Jeanni, por exemplo, passou boa parte da infância entregando a seu pai ferramentas dos Opalas que ele teve. “Meu pai costumava apelidar carinhosamente todos os carros”, lembra. Não muito diferente do pai de Renato, que também teve alguns Opalas durante sua vida, passando o último, cuja placa era o mesmo número que o ano do modelo – 1972 – para o filho.
Assim, da herança da família veio o primeiro Opala na garagem. Com o passar do tempo foi vendido e, mesmo sendo um fascinado por Opalas, daqueles que já conhece o ano do modelo apenas ao olhar a parte dianteira do carro, Renato lamenta que ficou 20 anos sem o veículo dos sonhos.
Porém, o sol voltou a brilhar nesta história em janeiro desse ano, quando um amigo soube da venda de um Opala de ano 1974 no Paraná. “Assim que soube, viajei para garimpar”, e já que quando é para dar certo tudo conspira a favor, “o carro veio rodando e tudo” e é hoje, o xodó da família.
Além da garagem e do coração, o Opala também ocupa outros espaços e atividades da família. Uma camiseta personalizada indica a paixão por todos, até pela pequena Amanda Trevisan Doubek, hoje com nove anos. Integrante da terceira geração de aficionados por Opala, ela também admira e se empolga com o veículo. “É a nossa companheira nos encontros”, conta Jeanni.
Junto com a camiseta, o acervo do casal opaleiro também conta com fotos antigas, certificados de participação e inúmeros folders dos encontros de Opalas frequentados pelo casal no estado de Santa Catarina e região. Nesses encontros – além de conhecimentos acerca de carros antigos, trocas de experiências e muita diversão – há grandes chances de contatos para trocas e compras das peças do Opala, o que, segundo o casal, é uma tarefa difícil. Renato e Jeanni aprenderam com experiências alheias a evitar a realização de compra destas peças através da internet, e só a fazem pessoalmente. “Como prevenção, possuímos peças em estoque”, afirmam.
Outro material presente no acervo é o livro “Clássicos do Brasil – Opala”, que conta a origem do carro, sua chegada ao Brasil, explica a evolução de seus modelos e dados técnicos. Sua vida longa – a maior entre os carros nacionais – e o sucesso de vendas ilustram o fenômeno mundial que o Opala se tornou.
Para Renato, o que mais lhe encanta no Opala é a maneira com que o carro se adequa esteticamente ao seu motorista: “Se uma mulher o dirige, fica elegante. Se um jovem o dirige, fica esportivo. Já se um senhor o dirige, fica clássico”, explica. Além, é claro, de outras vantagens apontadas, como a concepção da marca, o design do veículo, e o fato de o Opala ser muito potente, forte e macio. “Todas estas qualidades reunidas em um só veículo, obviamente, despertam nas pessoas interesse e curiosidade”, conta o casal que já foi parado algumas vezes por admiradores.
Conforme Jeanni, frequentemente pessoas pedem para tirar fotos com o carro, fotografam quando estão parados e até em sinaleiros. “Certo dia um carro nos acompanhou em uma rua porque estava filmando”, conta. Alguns amigos foram, inclusive, influenciados pelo casal a adquirir um modelo clássico, também. “Muitos amigos nossos têm ou passaram a ter um Opala”, afirma Renato, afinal, o casal prova que a afinidade em comum agrega e pode fortalecer ainda mais uma relação.
Porém, Renato explica que “opaleiro” não é aquele que apenas tem o carro, mas o que pratica a “opaloterapia”, que vive com amor pelo veículo.
E quando o assunto é carro, ele afirma: “Opaleiros são chatos, ciumentos e críticos”. O casal, por exemplo, enxerga beleza no antigo, prazer na restauração e adota a filosofia do “cuidado”: o segredo para manter ou melhorar o que já é bom. “Nosso Opala é integrante da família”, conta Renato. E certamente que, se o Opala falasse, estaria feliz por ser bem tratado e viver num ambiente familiar cuja raiz é o amor.
Justamente por já ser integrante é que o carro promete permanecer mais algumas gerações na família: “a tendência é cuidar para deixarmos para os futuros netos”, contam. Para agregar ainda mais relação com o veículo, o casal está prestes a emplacar o Opala 74 com “placa preta”, ou seja, como veículo de coleção, já que o xodó da família possui 85 a 90% de originalidade.
Se você notar o Opalão e sua família desfilando pelas ruas de Itapoá e região vai, sem querer, entender o porquê do sucesso e da febre nacional e, principalmente, o porquê ele ocupa mais espaço do que a garagem: também os corações, memórias e planos futuros.

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Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 29 – Junho

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