Unidos pelo esporte e para o esporte

voleiSilas Schafhauser e Fabíola Tanaka, um casal que
dissemina o voleibol em Itapoá.

A paixão pelo esporte também está presente neste Dia dos Namorados. Segundo os apaixonados, praticar exercício físico em conjunto resulta em incentivo e motivação extra. Quem tem vivido esta experiência é o casal de professores Silas Schafhauser e Fabíola Tanaka, de Itapoá. Apaixonados por voleibol, eles treinam, competem e assistem jogos juntos. Além disso, são grandes incentivadores do esporte e desejam popularizar o mesmo no município, através de um projeto realizado por Silas.

Tudo começou em Rio Negro – PR. Na infância, Silas e Fabíola competiam pelos times escolares, ela praticava handebol e ele voleibol. Tempo depois, os dois descobriram que até chegaram a estudar na mesma escola e a viajar juntos para competir, mas só se conheceram em 2002. Foram unidos pela academia, onde ele trabalhava e ela era aluna e, depois de um mês, já estavam morando juntos.
Em 2007, Fabíola passou no concurso público em Itapoá para assumir o cargo de professora de inglês e português, e o casal se mudou para o município litorâneo, como sempre desejou. Junto com as malas e o gosto pela nova cidade, o esporte os acompanhou.
Durante um período, Silas se dedicou ao trabalho na academia, deixando o voleibol de lado, mas não por muito tempo. Certo dia de praia, Fabíola desafiou o parceiro: “Ele sempre comentou sobre sua trajetória no esporte. Algumas pessoas estavam jogando vôlei no projeto que acontece na praia de Itapoá e então disse que se ele realmente jogasse bem, deveria provar”. Silas aceitou o desafio e, a partir daí, retomou sua paixão. Mais que isso: fez com que a amada também se apaixonasse pelo voleibol.
Assim, em todos os finais de tarde de verão a programação era a mesma: ir à praia para jogar vôlei. Aos poucos, ele ensinou à Fabíola as regras e os benefícios do esporte e, muito além de uma paixão pessoal, a dupla também desejou difundir o voleibol no município de Itapoá.
Silas é professor de educação física e dá aulas em uma escola do município. Anteriormente, trabalhou na Secretaria de Esportes e na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá. Neste projeto, Silas trabalhou no núcleo de voleibol, treinando os times infantis (feminino e masculino) do município de 2010 a 2015, quando o mesmo foi encerrado para corte de gastos. Ele recorda que muitas crianças se revelaram como atletas de voleibol e passaram em testes de outras cidades, como é o caso de uma aluna que chegou a entrar para a seleção paranaense de voleibol de areia.
Com o encerramento do projeto AJE, os alunos passaram a cobrar a necessidade e a importância de retomar os treinos. Para encontrar uma solução e dar continuidade a estes sonhos, o professor, com a ajuda da esposa, passou a realizar os treinos duas vezes por semana, como trabalho voluntário, após o expediente. “Muitos dos meus ex-alunos já estão crescidos. Então, criamos times juvenis (feminino e masculino), reunindo estes ex-alunos a nós, adultos, que também desejávamos praticar uma atividade física”, explica o professor. Os treinos são gratuitos, abertos ao público e acontecem nas quartas-feiras, no ginásio da escola Ayrton Senna, e nas sextas-feiras, no ginásio da escola Frei Valentim, das 19h às 21h (treino feminino), e das 21h às 23h (treino masculino).
O que começou como atividade de lazer virou coisa séria. “Hoje, o nível de rendimento é alto e jogamos com muito mais técnica”, diz Fabíola. Sem qualquer patrocínio ou ajuda de custo, os times de jovens e adultos se reúnem para competir em outras cidades, participam de torneios amadores e, muitas vezes, retornam com troféus. “Recebemos muitos convites para participar de competições, mas pela escassez de recursos, temos que selecionar os torneios mais próximos, mais curtos ou mais baratos”, conta Silas. O casal ressalta que os familiares das crianças são muito participativos e grandes incentivadores da causa.
Para Fabíola, ter um parceiro como treinador é ainda mais difícil. “Ele é exigente e muito profissional, eu já sou mais competitiva”, conta. Quando o assunto é voleibol, eles têm suas preferências: Fabíola gosta mais do vôlei de praia, e Silas prefere o vôlei praticado em quadra.
Embora muitos lhe digam que é perda de tempo, Silas acredita e abraça os sonhos das crianças. Para o treinador, todo professor também é um pouco sonhador. “Acreditamos que não só o voleibol, mas todo esporte deve ser incentivado e ofertado às crianças. Se elas não se tornarem atletas, ainda assim se tornarão pessoas melhores, pensadoras e de bom caráter”, fala o casal. O desejo de Silas, assim como o de Fabíola, é difundir o vôlei no Município de Itapoá, de modo a abrir novas portas para as crianças e adolescentes. É um trabalho a longo prazo, mas assim como no voleibol, só se acerta com um bom treinamento, união e muita garra.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Junho – Ed 41

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