Lições de amor, respeito e convívio ensinadas pela natureza

Pedaladas, trilhas e cicloviagens são algumas das atividades favoritas do casal Meriele Abreu da Rocha e Bruno Comelatto Frizzarin.

Se relacionar consigo, com os outros e com o planeta de forma mais harmônica e saudável – este é o estilo de vida adotado por Meriele Abreu da Rocha e Bruno Comelatto Frizzarin, um casal apaixonado pela natureza. Juntos há mais de dez anos, eles compartilham muito mais do que amor, mas também viagens, aventuras e hábitos mais conscientes. Para eles, a natureza é mestra e, se escutada e respeitada, ensina suas lições em cada detalhe.

Ela nasceu na pequena cidade de Canta Galo – PR, mas passou a infância e maior parte da adolescência em Itapoá; enquanto ele nasceu e cresceu em Americana – SP, onde o casal reside atualmente. Meriele e Bruno se conheceram durante o período da faculdade, na cidade de Irati – PR. Ela estava cursando Psicologia, ele Engenharia Florestal. O casal recorda que o primeiro beijo aconteceu em uma festa da faculdade. Na semana seguinte, eles já estavam namorando e fazendo as coisas juntos. “O encanto veio com o tempo. Começamos a conviver muito rapidamente e ficamos amigos e namorados ao mesmo tempo”, conta Bruno.
Mas, antes mesmo de se apaixonarem um pelo outro, Meriele e Bruno já eram apaixonados pela natureza. “Cresci aprendendo a respeitar a praia e o mar, e usufruindo dele de forma consciente”, afirma Meriele. Para ela, perceber cada detalhe de um passarinho ou o formato de uma concha da praia é como se o mundo parasse para tal contemplação.
Bruno também sempre gostou de estar na natureza. “Durante minha infância, meus pais compraram uma chácara na zona rural e isso mudou minha vida. Tive diversas oportunidades de nadar em riozinhos limpos, ver o sol se pôr e a lua nascer”, recorda.
Para eles, encontrar um parceiro que também goste de se aventurar é sinônimo de realizações e aprendizados a dois. Quando vão para uma
empreitada na natureza, planejam cada detalhe: O que vão comer, beber, os equipamentos, o roteiro e até mesmo as coisas que podem dar errado. “Fazer este planejamento e executá-lo juntos também é um exercício de convivência. Nem sempre as coisas saem do modo que planejamos e nem por isso dá errado ou é impossível consertar”, afirmam.
Juntos, Meriele e Bruno pedalam, fazem cicloviagens, trilhas, visitam cavernas, sobem montanhas (trekking), velejam no mar e procuram viver a vida da forma mais simples possível. Nos lugares que visitam, levam o mínimo de lixo e o recolhem, respeitam as demarcações das trilhas, não fazem fogueiras, não usam produtos químicos nos rios, entre outros, de modo a causar o menor impacto possível na natureza.
Dentro de casa, o casal procura economizar o máximo de energia e água possível, reutiliza a água da lavagem de roupa para lavar a casa, separa e destina o lixo reciclável corretamente. Meriele e Bruno também têm uma pequena horta, onde produzem algumas verduras e legumes. “Sempre que podemos, também fazemos uma horta no quintal dos parentes e deixamos para eles cuidarem”, contam.
Mesmo adotando um estilo de vida com menos consumismo, menos determinismos culturais e tentando se desvencilhar dos padrões impostos pela sociedade, o casal acredita que está longe de ter uma vida sustentável. “Geramos bastante lixo, comemos carne e adoramos tomar uma cervejinha. Ainda assim, buscamos desenhar uma transição onde possamos viabilizar uma vida mais harmoniosa conosco e com o planeta”, falam.
Encontrar um parceiro que goste das mesmas aventuras faz toda a diferença e, para eles, traz magia e energia para o relacionamento. “Todo e qualquer plano que temos, seja de pequeno, médio ou longo prazo, sempre o outro está incluído”, diz Meriele.
Devido às cobranças que fazem pelo planeta, os dois contam que, muitas vezes, são vistos pelos outros como um casal chato. “Precisamos da natureza para viver. Como as pessoas pensam em ter filhos, se não conseguem se relacionar com seu próprio lixo? Qual futuro elas desejam ao seu filho?”, questionam. Meriele e Bruno acreditam que, infelizmente, o mundo está tomado pelo “ter”, dando menos importância ao “ser”, que cada um precisa fazer a sua parte e a parte do outro também.
Cada dificuldade que passam nas aventuras em uma montanha, por exemplo, são lições de amor, respeito e convívio ensinadas pela natureza e carregadas para a vida a dois. O momento no final do dia de trilha, quando a água está acabando e eles não veem a hora de chegar ao local de acampamento – se é que ele existe – lhes ensina muito. Dessa forma, Meriele e Bruno mudam alguns hábitos diários e, consequentemente, compartilham dos mesmos valores com a pessoa amada. Não por acaso, eles gostam muito de uma frase de Raul Seixas que diz: “Sonho que se sonha junto é realidade”.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop Ed 41 | Junho

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