Davi: Motorista de ônibus é sinônimo de realização profissional

Muitos leitores pediram e no “Quem é?” desta edição contamos a história de Davi Porfírio da Costa, um motorista de ônibus muito querido pela população itapoaense e sinônimo de realização profissional.

davi1Em Itapoá-SC, o motorista Davi Porfírio da Costa é referência
de simpatia para seus passageiros.

davi2Além da porta do ônibus, a pescaria é uma das grandes paixões de Davi.

Filho de Maria Porfírio da Costa e Alírio Félix da Costa, Davi é o terceiro mais velho entre seis irmãos. Nascido em Itapoá, boa parte das suas lembranças de infância estão na região da Barra do Saí, mais precisamente no Rio Saí Mirim, onde Davi costumava tomar banho junto dos irmãos e aprendeu a pescar com seu pai. Sua primeira profissão foi, inclusive, pescador. Porém, ele tinha outro desejo: “Sempre gostei de me comunicar e servir as pessoas e, por isso, sonhava em ser motorista de ônibus”. Ainda jovem, seu pai o levou para realizar o teste em uma empresa de transporte coletivo urbano de Itapoá, mas Davi não obteve sucesso.
Em busca de novas oportunidades, ele se mudou para Curitiba-PR com sua esposa Rosenilce Rosa dos Santos da Costa. Lá, Davi conseguiu um emprego de motorista de caminhão, mas ainda não estava totalmente satisfeito. “Eu queria transportar passageiros, e não cargas. Além disso, sentia falta da vida simples que tinha em Itapoá”, conta. Enfim, em 2012, depois de vinte anos morando na capital paranaense, Davi, Rosenilce e Renata Santos da Costa, filha do casal, retornaram ao município litorâneo. “Soube de uma vaga de motorista do transporte coletivo urbano de Itapoá na empresa Transita, então, realizei o teste e fui chamado para trabalhar”, conta Davi, “fiquei muito feliz, pois almejava este emprego há tempos”.
A partir de então, ele, que já era conhecido no município por conta de sua família – uma das famílias mais antigas da Barra do Saí, ficou ainda mais popular. No entanto, Davi se tornou muito mais que um motorista de ônibus. Graças à sua simpatia, foi ganhando a consideração de seus passageiros. “Sempre tratei todos com muito carinho, educação e respeito, e eles sempre me trataram assim, também, desde as crianças até os idosos”, conta Davi. Para ele, pequenas atitudes como um “bom dia” ou um sorriso são poderosas e podem melhorar o dia de alguém.
Todo esse carisma atingiu não somente os moradores de Itapoá, mas também os turistas, que costumavam andar de ônibus até o ponto final, para conhecer todo o município, enquanto Davi se divertia como guia turístico. “Já ouvi de muitos turistas que na cidade grande é diferente, pois é raro alguém surpreender com um sorriso ou uma frase positiva”, conta.
De seus passageiros, Davi já ganhou presentes, bombons e até um vídeo nas redes sociais, que mostra o motorista dirigindo o ônibus e esbanjando simpatia. Este vídeo foi gravado e publicado por uma moradora de Itapoá que estava como passageira do ônibus, e, atualmente, possui mais de quatro mil visualizações, mais de cem compartilhamentos e inúmeros elogios ao bom humor do motorista.
Davi também se preocupa bastante com a segurança de seus passageiros e já chegou até a evitar que uma passageira descesse no mesmo ponto que um passageiro que lhe parecia suspeito e, no dia seguinte, descobriu que ele se tratava de um fugitivo da polícia.
“Muitas pessoas pensam que é um trabalho simples, mas dirigir o ônibus, cobrar os passageiros e ainda manter a harmonia dentro do transporte requer atenção e cuidados. Gosto de dirigir com paciência e esperar as pessoas subirem para o ônibus com calma, pois acredito que a pressa é a inimiga da perfeição”, fala. A única coisa que entristece Davi são os motoristas que deixam seus carros estacionados próximos aos pontos de ônibus, atrapalhando a logística de embarque e desembarque dos passageiros do transporte coletivo.
Ele, que já se candidatou a vereador, fala que, atualmente, prefere continuar trabalhando como motorista e ser amigo de todos. Além da porta do ônibus, Davi gosta de curtir a família, tocar violão, pescar no rio e no mar, além de confeccionar barco de garrafas pet e tarrafas. Apesar de transitar diariamente por toda a Itapoá, o seu grande “xodó” é a região da Barra do Saí: “Quando estou dirigindo o ônibus e percebo que já estou na Barra, começo a cantar e fico ainda mais feliz, pois é o lugar onde nasci, cresci e construí minha vida”, diz.
Hoje, aos 49 anos de idade, Davi é casado e pai de duas filhas, Renata e Mariana Bueno. Recentemente, o motorista de ônibus trocou de horário e se tornou responsável pelo transporte escolar dos alunos do município, no período da manhã, mas a alegria de receber os passageiros continua a mesma. Na opinião de Davi, esse seu jeito é característico dos itapoaenses. “A maioria dos moradores daqui tem disso: são humildes, carismáticos e conversadores”, diz. Há cinco anos exercendo esta profissão, ele afirma: “Amar o que se faz é fundamental para trabalhar feliz”.

“Sou professora e pegava o transporte escolar com o Davi todos os dias, para ir trabalhar. Lembro que sempre que alguém entrava no ônibus ele abria um sorrisão de ‘bom dia’ ou ‘boa tarde’. Nunca esquecerei o dia que esqueci o guarda-chuva no ônibus e ele guardou-o para mim. Gosto muito dele, pois é uma pessoa simpática e gentil.”
(Cíntia Beatriz Machado Pereira, moradora de Itapoá)

“Eu estava em um dia bem difícil, até que entrei no ônibus e fui contagiada pela alegria do Davi. Ele é um motorista que trata todos com muito carinho, que sabe o nome de cada passageiro, que tem uma energia muito boa e que nunca perde o bom humor. Existem pessoas que realmente fazem a diferença e o Davi é uma delas.”
(Elaine Cristina Nemoto, moradora de Itapoá e responsável pela gravação e divulgação do vídeo de Davi nas redes sociais)

“Tenho muito orgulho de fazer parte da família de alguém tão educado, positivo e humano. Para todas as pessoas que são incapazes de oferecer uma palavra de carinho ou um simples ‘bom dia’, o Davi é um grande exemplo de ser humano e profissional.”
(Ana Beatriz Machado Pereira da Costa, moradora de Itapoá, sobrinha do Davi e, coincidentemente ou não, autora deste texto)

Ana Beatriz Machado

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