Atitudes e Doação

Instituto Atitude na Cabeça transformando doação de cabelos em sorrisos e bem-estar

Criado há quatro anos, sendo há dois anos juridicamente constituído, o Instituto Atitude na Cabeça (IAC) surgiu da necessidade de um local em Curitiba que fabricasse e doasse perucas para pacientes com qualquer tipo de patologia que venha a ocorrer a perda dos cabelos, total ou parcial, temporária ou definitiva, (como cânceres, lúpus, tiroides, cirurgias pós-bariátrica, diabetes, acidentes, alopecia e escalpe lamentos). “Como as perucas são muito caras – chegando até a serem consideradas artigos de luxo – e muitas pacientes não têm condições financeiras de adquirir uma, criamos um grupo de voluntários para receber doações de cabelos cortados corretamente e confeccionar perucas e doá-las aos pacientes de baixa renda”, conta Suely Maria Baldan, presidente do Instituto.

2-1Parte da equipe do Instituto Atitude na Cabeça. Da esquerda para direita:
Neto, Maria, Sandra, Tyane, Suely (presidente do instituto),
Raphael, Caxambu e Fabio.

Esta atitude foi ganhando cada vez mais visibilidade, já que perder os cabelos por causa de doenças autoimunes, de efeitos colaterais no tratamento contra o câncer ou, até mesmo, por acidentes mexe muito com a autoestima das pessoas. “O cabelo faz parte do sistema tegumentar, que carrega o DNA de cada pessoa. Além da própria luta contra a doença, que é um processo muito difícil, a perda dos fios afeta o lado psicológico, que também é muito importante e faz a diferença no processo de cura”, explica Suely, “por isso, muitas vezes o uso de uma peruca pode fazer a diferença, fazendo com que esses pacientes se sintam mais bonitos e confiantes, passem despercebidos, não sofrendo preconceitos por um visual fora do que a sociedade entende como normal e, assim, enfrentem melhor o tratamento”.

Confeccionando e doando as perucas

3-2Voluntária do IAC na confecção de perucas.

Com as mechas de cabelos doadas, a maioria das perucas é confeccionada por voluntárias do Instituto Atitude na Cabeça, mas também são feita parcerias com outras fábricas. A confecção funciona da seguinte forma: as mechas são costuradas em um tipo de rede resistente e, assim, a peruca é entregue ao paciente. “Do mesmo jeito que as mechas de cabelo vão para a fábrica, elas voltam, só que costuradas na rede. O corte da peruca é feito por profissionais voluntários, de acordo com o tipo de rosto do paciente, etc., fazendo com que cada peruca seja personalizada”, explica Suely.

O paciente também deve enviar uma fotografia de como era o seu cabelo e de como ele está sem cabelo, para que seja feita uma peruca próxima àquela cor ou textura de como ele era.De acordo com a presidente, para confeccionar uma única peruca são necessárias, no mínimo, 250 gramas de cabelo doado (equivalente a de três a cinco doares). Lembrando que quanto maior o comprimento do cabelo, mais pesagem necessita.Para receber a doação de uma peruca, o Instituto realiza uma análise social, para se certificar de que o paciente não possui recursos financeiros para comprar o produto – que custa, no mínimo, R$ 1.500,00 (se tratando de um modelo de cabelo curto, o cabelo comprido é ainda mais caro).

As doações aos pacientes são realizadas independentemente de hospitais ou regiões. “As perucas podem ser entregues em mãos ou via correio, como já o fizemos para diversos estados do Brasil”, conta Suely. Atualmente, o IAC é reconhecido por diversos hospitais, que lhe indicam aos pacientes.

Os relatos de quem recebe a doação

Dayane Cristiana Alves Burbela foi diagnosticada com lúpus há cinco anos. 

Diagnosticada com câncer de mama, Lucinéia Martins
utilizava lenços antes de receber a doação da peruca.

8-7Marinês Ribeiro, diagnosticada com câncer de mama,
utilizando a peruca. Essa foto, inclusive, vai para o livro que Marinês está escrevendo sobre essa experiência.

Dentre os mais de quinhentos pacientes beneficiados com uma peruca, está Dayane Cristiana Alves Burbela, de 27 anos, diagnosticada com lúpus há cerca de cinco anos. “Quando a queda do meu cabelo veio a acontecer foi um período difícil, pois, além disso, surgiram manchas em meu rosto”, conta Dayane, que se sentia intimidada ao sair nas ruas por conta dos olhares das pessoas, e passou a utilizar lenços. Antes de conhecer a equipe do Instituto Atitude na Cabeça, ela enviou fotos de como era seu cabelo e, então, a equipe providenciou alguns modelos de peruca fiéis ao seu cabelo original, no entanto, Dayane acabou optando por um modelo diferente do que era antes. “Depois que recebi a doação da peruca me senti mais viva, pois tinha muita saudade de pentear meus cabelos e pude voltar a fazê-lo”, diz.
Outra beneficiada foi Lucinéia Martins, de 53 anos, diagnosticada com câncer de mama em 2014. “O médico alertou que meu cabelo cairia por causa da quimioterapia, mas me desesperei quando isso começou a acontecer e, então, pedi a meus filhos que raspassem todo o meu cabelo”, conta. Neste momento, ela ressalta que recebeu muito apoio da família. Alex José Martins, filho de Lucinéia, comprou alguns lenços para a mãe usar: “ela ficou maravilhosa com os lenços e isso ajudou muito para que ela saísse na rua tranquila, sem receber olhares das pessoas”. Foi através de uma paciente do hospital que já havia recebido a doação de uma peruca que Lucinéia soube do Instituto. “Quando estive lá, fui muito bem recebida. A equipe me mostrou opções próximas ao meu cabelo natural para que eu me sentisse melhor e me ensinou a vestir a peruca”, diz. Para Lucinéia, a peruca trouxe bem-estar, autoestima e fez com que ela se sentisse mulher novamente.
Assim como Lucinéia, Marinês Ribeiro, de 56 anos, também foi diagnosticada com câncer de mama. Isso aconteceu em novembro de 2016 e, desde então, Marinês vem realizando o tratamento. “Para mim, a parte mais difícil até então foi a queda de cabelo, pois, diferente dos outros sintomas, este você percebe todas as vezes que se olha no espelho”, diz. Ela conheceu o IAC por acaso, enquanto passava pela rua, e conta que foi acolhida com muito amor e carinho. “A equipe me forneceu uma peruca igual ao meu cabelo de quando eu tinha quinze anos. Gosto muito de usá-la, pois melhora minha autoestima e me faz sentir bem”, fala Marinês, que está escrevendo um livro sobre essa fase de sua vida.
Hoje, os cabelos de Dayane voltaram a crescer, mas seu tratamento ainda não terminou, pois ela ainda terá de realizar quimioterapia para controle do lúpus. O cabelo de Lucinéia também cresceu, ela já fez a devolução da peruca para o IAC, foi curada do câncer de mama e, atualmente, está na fila de espera para reconstrução da mama. Já Marinês, terminou a quimioterapia e está se preparando para fazer a cirurgia da retirada da mama no início deste mês de junho.
Àqueles que pensam em doar suas mechas de cabelo para o Instituto Atitude na Cabeça, Marinês dá o recado: “não pensem duas vezes, pois é uma instituição séria, com voluntários que realizam um trabalho muito bonito e que, com uma peruca, ajudam muitas pessoas a encararem a doença de forma mais positiva, assim como está acontecendo comigo”.

e4193eed-3d75-455c-a03e-564Anna Beatriz

Saiba como ajudar
Todo o trabalho realizado no Instituto Atitude na Cabeça é baseado no voluntariado. Além de recolher doações de cabelos cortados corretamente, o Instituto também faz doações de prótese de silicone externa para as mulheres que ainda não fizeram a reconstrução da mama, e de almofadas “Atitude do Coração”, que ajudam na drenagem e circulação do sague na região da mama recém-operada e trazem segurança e conforto ao utilizar o cinto de segurança em cima da mama retirada, além de lenços, turbantes, bonés para os homens, boinas e demais acessórios para a cabeça.
Vale frisar que o IAC aceita doações de quantias em dinheiro, e busca novos voluntários e novas parcerias com empresas e profissionais das áreas de micro pigmentação – que podem realizar a reconstrução das auréolas dos seios (para pacientes com câncer de mama) e das sobrancelhas (para pacientes com alopecia).

f23ee032-05e3-411d-8500-650Ana é muito feliz mesmo sabendo que não tem cílios, sobrancelhas ou cabelos, e muito amada por todos.

Para doar o cabelo corretamente
É preciso estar atento aos critérios do corte, para que o mesmo seja 100% reaproveitado. A presidente Suely explica: “O tamanho mínimo para a doação de cabelo são vinte centímetros. No momento do corte, o cabelo deve estar limpo e seco, nunca molhado, pois assim cria fungos e apodrece. Cabelos crespos, com tinturas, mechas ou progressiva também são bem-vindos. Para cortá-los, separe-os em pequenas mechas e amarre-as com elásticos bem firmes. O corte deve ser realizado acima dos elásticos”.
Pessoas do mundo todo podem enviar suas mechas cortadas para o Instituto Atitude na Cabeça através do correio. Cada doador recebe um certificado e tem sua fotografia com a mecha em mãos divulgada na página do IAC no Facebook (se desejar a imagem exposta), inspirando assim outras pessoas.

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Deseja fazer uma visita ao Instituto Atitude na Cabeça ou enviar a sua doação? O IAC fica localizado na Rua Francisco Rocha, número 1544, no bairro Bigorrilho, em Curitiba-PR, CEP 80730-390. O atendimento é realizado de segunda a sexta-feira, das
9h às 17h. Para saber mais sobre o
Instituto, acesse a página http://www.facebook.com/atitudenacabeca
ou ligue para (41) 3015-0768.

Ana Beatriz Machado