Histórias com Vitorino Paese

Itapoá nas palavras da história

     Augusta Gern

          Vitorino Luiz Paese escreveu o maior registro histórico da cidade, o livro “Memórias históricas de Itapoá e Garuva”. Antes com uma memória gravada em pequenos relatos ou nas boas e interessantes conversas dos antigos moradores que aqui escolheram viver, o livro trouxe um documento de registros. Com uma história que começa junto aos índios carijós, a obra apresenta pontos que impulsionaram o crescimento e desenvolvimento da cidade.

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22042014-1957 - primeira placa de itapoá - ambrósio paese

1957 – Primeira placa de Itapoá.
Ambrósio Paese com um amigo.

22042014-1958 - 1ª pedra - vila dos pescadores

1958 – 1ª pedra – vila dos pescadores

22042014-1958 - Dórico Paese - escritorio joinville

1958 – Dórico Paese em seu escritório em Joinville.

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Veículo suporte base para a construção da estrada.

22042014-acampamento suporte da estrada - 1957

1957 – Acampamento suporte da estrada.

 

22042014-refeição ao ar livre

Refeição ao ar livre.

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Famoso táxi, Pontal – Itapoá.

22042014-pioneiros de itapoa - 1958

1958 – Pioneiros de Itapoá

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Primeira hospedaria de Itapoá.

22042014-1959 - planta do primeiro loteamento registrado de itapoa - planta b1 - baln itapoa

1959 – Planta do primeiro loteamento
registrado de Itapoá – planta b1 – Baln Itapoá.

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Inauguração da estrada Itapoá – Barra do Saí.

22042014-primeiro hotel de itapoa - proximidades do corpo de bombeiros

Primeiro Hotel de Itapoá,
próximo ao Corpo de Bombeiros.

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1963 – Arrastão em Itapoá.

22042014-1963 - arrastao em itapoa

Imagens Vitorino Paese

           De forma cativante, através das páginas Vitorino conta a história dos municípios de Itapoá e Garuva, enfatizando principalmente “a primeira comunicação regular de Itapoá com o mundo”, a abertura da estrada Serrinha e toda a sua importância. A conclusão dessa primeira estrada também é apresentada por imagens em um documentário inédito em DVD, gravado em 1958.

            Para Vitorino, professor, economista e historiador, tudo começou com a sua proximidade com os acontecimentos. Seu irmão Dórico Paese fez parte da Sociedade Imobiliária Agrícola e Pastoril Ltda – S.I.A.P, conforme o livro a responsável pela abertura da estrada e o “despertar de Itapoá”. “Eles descobriram que Itapoá tinha todos os ingredientes para se tornar um grande balneário”, conta Vitorino.

            Sempre interessado nos fatos, o autor esteve na cidade pela primeira vez em 1955, aos oito anos de idade. Talvez por curiosidade de criança, aliada ao seu gosto pela história e pesquisa, começou a guardar e registrar todos os fatos, como panfletos e documentos. “Estava sempre atento com tudo que acontecia e admirava a coragem deles em abrir a estrada em uma cidade ainda carente de qualquer infraestrutura”, lembra.

            Segundo ele, este “gosto por loucura” para abrir a estrada só pode estar no sangue da família. Seu farol de bons exemplos, o Nôno Giácomo, também citado no livro, era detentor de conhecimentos sobre engenharia de estradas e foi chamado pelo governo gaúcho para opinar sobre a abertura de uma via. “Impressionado com a formação técnica, o mandatário aproveitou-o de imediato, incubindo-o da abertura de um dos trechos. Muito dinâmico e motivado pela distinção recebida, rapidamente arregimentou o pessoal e concluiu em tempo recorde a etapa a ele destinada”, cita na página 51 do livro. Conforme Vitorino, muitas foram as dificuldades enfrentadas pelo Nôno, mas que não desistiu.

            A mesma persistência ele conta que o irmão e seus sócios tiveram em Itapoá. Em 1957 houve o maior volume pluviométrico registrado, e as fortes chuvas atrasaram o cronograma das obras da estrada, causando problemas orçamentários e outros imprevistos. “Mas entre as duas opções que tinham, continuar e ver a estrada pronta ou parar e deixar todos os investimentos para trás, decidiram seguir em frente”, conta Vitorino.

            Conforme o historiador, momentos como esse lembram as pessoas que aqui moravam de forma heroicamente e que mostraram um desprendimento que emociona, ajudando efetivamente na abertura da estrada. Assim, o livro detalha o ano de 1958, quando Itapoá saiu do anonimato: “… Com grande alegria, os pescadores, agricultores e demais habitantes dessas localidades viam chegar à porta de suas casas o primeiro veículo e com ele a certeza de que estavam definitivamente interligados, regularmente, aos demais pontos do país. Houve muita festa, pois o grande sonho, de tanto acalentado e quase desacreditado, finalmente… graças a Deus, estava concretizado”, trecho da página 65.

            Assim, com muitos documentos em mãos e uma memória invejável, Vitorino seguiu por muitos anos colecionando tudo como algo precioso, mas não pensava em escrever um livro. O impurrão final foi quando o amigo Padre Tarcísio de Garuva o entregou um envelope com novos documentos. “Sempre o visitava e naquele dia ele estava com problemas de saúde. Me entregou um envelope e assim segui viagem, sem abri-lo. Até que me dei conta que aquilo era um presente e que deveria ver”, recorda. No envelope havia documentos sobre as duas experiências francesas na região, também citadas no livro.

            Com todos os momentos registrados, o professor se deu conta de que precisava partilhar esta história, que não era justo guardá-la apenas na memória e em documentos engavetados, e então resolveu escrevê-la. Para garantir a veracidade dos fatos, Vitorino foi até a Câmara de São Francisco do Sul, cidade mãe de Garuva e Itapoá, e buscou as atas de criação dos distritos e depois municípios. Também fez um “pente-fino” com as notícias publicadas na época e conversou com pessoas que aqui moravam. Depois de tudo comprovado, juntou o material com o inédito documentário de 1958, que guardou em rolo, transformou em fita e depois em DVD.

            Para ele, sua convivência com os fatos facilitou muito o trabalho. Uma lembrança interessante é ter conhecido pessoalmente Tereza Rosa do Nascimento, senhora que viveu a abolição da escravatura e o presentou com uma caneca gigante usada no café matinal dos escravos.

De todos os registros, a maior dificuldade foi conseguir o significado do nome Itapoá. Como os índios carijós foram os primeiros habitantes da região, além da pesquisa em livros e dicionários, foi através de reuniões com paraguaios que falam guarani que chegou ao significado: “a pedra que ressurge”. Conforme ele, os índios costumavam dar o nome do local fundamentados no acidente geográfico ou ponto notável que mais chamasse a sua atenção e não dissociavam o místico do real. Assim, impressionados com a pedra que desaparece com a preamar e reaparece com a baixa-mar, surgiu o nome Itapoá.

            E entre memória, pesquisa e dificuldades, nasceu um trabalho de 25 anos. “Nunca houve preocupação em terminá-lo na outra semana”, afirma Vitorino. Assim, em 2012 o livro foi lançado para autoridades dos dois municípios contemplados. De acordo com o autor, o momento de lançamento também foi muito propício, pois a obra não tem nenhum vínculo político (nenhum dos prefeitos da época concorreram à reeleição). Ele ressalta o agradecimento a todos que acreditaram no seu trabalho e o apoiaram no momento do lançamento.

            Hoje o livro está presente em muitas residências de Itapoá, Garuva e tantas outras cidades, pela distribuição gratuita. Também está em bibliotecas públicas e logo será lançada a segunda edição. Com o término desse trabalho, Vitorino incentiva a publicação de mais registros históricos, mas ressalta o cuidado com datas equivocadas.

            O livro “Memórias Históricas de Itapoá e Garuva” apresenta então uma das grandes paixões de Vitorino: o município que reserva grandes momentos históricos, belas paisagens naturais e um desenvolvimento promissor. Para ele, Itapoá tem muitas pessoas e energias boas: “A história conta que os carijós sempre foram muito carismáticos e um povo de palavra, devem ter deixado suas vibrações positivas por aqui”, arrisca Vitorino.

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