Empreendedores

Geva: O dom das mãos para os cabelos

Augusta Gern

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Agenda cheia, muito trabalho e reconhecimento. É assim que Gevanildo Martins, conhecido por todos como Geva, leva sua rotina atualmente em Itapoá. Com o salão “G Cabelo Arte Studio”, ele tem aquele dom que toda a mulher adora: deixa-la cada vez mais bonita.
O trabalho inicia logo cedo e vai até o início da noite, de terça-feira a sábado. Uma rotina que abrange cortes, penteados, tintura, escovas, hidratação, manicure, maquiagem, sobrancelha e todos outros cuidados referentes ao cabelo. Uma rotina fruto de muito trabalho e dedicação.
Tudo começou quando criança. Com quatro irmãs, um irmão e duas sobrinhas, cresceu brincando de boneca. “Todos os dias as meninas iam com um penteado diferente para a escola”, conta. Porém nada era pensado, procurado ou visto em revistas, intuitivamente ele as arrumava. Também cortava o cabelo sem nem mesmo saber se estava certo ou errado, corte que virou moda alguns anos depois e voltou com toda a força agora.
E mesmo com todo esse dom, nunca pensou em ser cabelereiro. Geva nasceu em Itapoá e há 32 anos as oportunidades não eram muitas. Com o pai pescador e a mãe do lar, ele sempre ajudou em casa, mas seu sonho era ser um grande executivo ou jogador de vôlei.
Aos 15 anos de idade foi morar em Florianópolis com a irmã e, da mesma forma que aqui, continuou arrumando meninas sem ter uma explicação. “Morava em um prédio que tinham muitas meninas, aí acabava arrumando elas”, lembra.
Aos 16 ou 17 anos voltou para Itapoá e começou a trabalhar em um salão de beleza. Foi a sua primeira experiência profissional na área. No início apenas lavava e fazia sobrancelha, dois meses depois já estava cortando e fazendo escova.
Mas sua experiência ganhou auge a partir dos 21 anos, quando decidiu morar em Curitiba. Não sabia o que iria fazer e lá nada conhecia, mas uma amiga disse que iria o ajudar. Numa segunda-feira viu no jornal uma vaga de trabalho em um bom salão de beleza e na quinta-feira já começou a trabalhar. Lá ficou por quatro anos e percebeu o amor que tinha pela profissão.

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Durante esse período Geva conheceu diferentes técnicas, fez muitos cursos e viajou para diferentes locais. Foi um dos maquiadores do Cristal Fashion, desfile de Curitiba, e até saiu em revistas. Tinha uma vida invejável.
Ao fim de quatro anos em Curitiba voltou para Itapoá para ajudar a família. Foi na época que ocorreu uma grande enchente e acabou ficando por aqui. Começou a trabalhar em um salão de beleza e depois de três anos sua mãe perguntou: “Por que você não abre um salão?”.
A ideia foi boa. Geva chamou sua irmã Jaqueline e juntos resolveram concretizá-la. Mas no início não foi fácil, as economias eram poucas e todo o salão foi financiado. “Com o que tínhamos de dinheiro fomos para São Paulo comprar escovas e outras coisas miúdas”, conta Jaqueline Martins. O restante foi pago com muito trabalho, mas em um ano estavam com todo o investimento quitado.
Jaqueline conta que no primeiro dia de trabalho a agenda do Geva já estava cheia e ela, como sócia, mostrou toda a sua experiência administrativa. Também fez alguns cursos de cabelo, mas seus olhos sempre brilharam mais para móveis projetados, que também trabalha atualmente. Mesmo assim, pelas mãos de Jaque as sobrancelhas são perfeitas e é especialista em micropigmentação.
No início o salão era formado apenas pelos sócios e uma manicure, mas com o tempo a equipe foi crescendo. Hoje são quatro pessoas trabalhando com cabelo e duas manicures. Toda a equipe mostra muito talento e contagia a todos pela união no trabalho. Segundo Geva, já houve períodos da temporada que trabalharam com 12 funcionários.
E as cadeiras são sempre cheias. Se tiver mais gente trabalhando, com certeza o número de clientes também só aumenta. Só neste ano já arrumaram mais de 15 noivas, por exemplo. Uma agenda disputada pelo talento.
Talento colaborado por toda a técnica. Gevanildo não consegue recordar o número de cursos que já participou, mas são dois ou três por ano. Os maiores destaques são para a Academia International Llongueras Center, de Buenos Aires, e o segundo lugar no concurso do Fashion Hair On Board em 2012, onde participou com cerca de 600 profissionais. Seu sonho é passar por mais duas academias, pois nunca para de investir.
Assim, é difícil quem resista às suas mãos. Mãos que começaram a trabalhar na infância e sonham em um dia ter uma rede de salões.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 16 – Abril/2014

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