Estilo de Vida

Entre o amor e o gol: Do Brasil para Itapoá

Aquela discussão sobre os jogos de futebol no final de semana ou a briga pelo controle da televisão quando novela e futebol disputam o mesmo horário são comuns para muitos casais. Para muitos namorados isso pode ser um problema, mas para outros é uma dupla comemoração, afinal foi o futebol que os uniu.

Augusta Gern

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Amarildo e Marcia Partala trocaram olhares pela
primeira vez em um ginásio na cidade de Mafra (SC).

Amarildo Partala durante toda a carreira passou por dez times.

Ele é ex-jogador da seleção brasileira sub-20, ela é professora de língua portuguesa na rede municipal e estadual de ensino; são 31 anos de casado e tudo começou em 1978.
Foi em um ginásio na cidade de Mafra (SC) que Marcia (49) e Amarildo Partala (51) trocaram os primeiros olhares. Na época Amarildo jogava handebol, onde já participou da seleção catarinense da categoria e jogou no campeonato escolar brasileiro. Adolescentes, paqueraram até que Amarildo entrou para o mundo do futebol. “Fiz um teste e comecei a jogar no time Operário de Mafra”, lembra Amarildo. Mas logo depois já foi convidado a jogar profissionalmente na Sociedade Esportiva Matsubara, clube da cidade de Cambará (PR), onde ficou por alguns anos.
Foi em 1981, em um jogo do time paranaense na cidade de Mafra que o casal se reencontrou. “Começamos a namorar a distância, mas não havia celular ou telefone direito, aí trocávamos cartas”, conta Marcia. E entre cartas de amor, acompanhadas por vizinhos e o próprio carteiro, o namoro acompanhou a carreira de Amarildo no futebol.
Em 1981, quando disputava o campeonato paranaense, o jogador foi convocado para disputar o mundial na Austrália pela seleção de juniores, hoje sub-20, da seleção brasileira. Fotos com a camisa amarela ao lado de grandes nomes do futebol demonstram a emoção de representar o país. Alto, galego e com 19 anos, Amarildo fez parte da história do esporte brasileiro.
Para ele, futebol sempre foi um sonho de criança, “mas quando se chega lá é bem diferente”. Segundo ele, as coisas eram muito diferentes naqueles tempos: “Não existiam essas escolinhas preparatórias, empresários e tanta mídia, ou o jogador era bom e entrava ou não”, conta. Também, segundo ele, na época não se dava muito valor para as categorias de base. “Foi uma época muito boa, mas uma aventura. Era mais por amor à camisa mesmo”, conta a esposa Marcia.
Apesar de não ter conquistado o título na Austrália, foi uma emoção e tanto. Quando voltou continuou jogando para o time paranaense, mas durante toda a carreira passou por dez times, desde os estados catarinense e paranaense, até mais longe, como São Paulo e Goiás, na cidade de Goiânia.
E durante todos esses times o amor permaneceu. Em 1983 Amarildo e Marcia se casaram e ela, apaixonada por futebol, o acompanhou em diferentes cidades até que o filho chegou à idade escolar. “Combinamos que quando William tivesse idade para estudar não viajaria mais, e assim voltamos a morar em Mafra”, conta Marcia.
A carreira de Amarildo acabou aos 26 anos, quando teve que fazer uma cirurgia nos dois joelhos. “Foram seis meses de gesso, naquela época não havia as tecnologias de hoje”, lembra Amarildo.
Porém os joguinhos no final de semana e os encontros de ex-jogadores estão sempre garantidos: “Está no meu sangue e o futebol é a minha cachaça”. Além disso, naquela casa, o futebol é sempre bem-vindo. “Eu sempre gostei mais de futebol do que novela. Chorei muito quando o Brasil perdeu a Copa de 82 para a Itália”, lembra Marcia. Além disso, a discussão sobre futebol nunca aconteceu: os dois são fluminenses e torcem juntos.
Para a Copa os preparativos já começaram: “a nossa casa vira uma festa”, afirmam. Para o ex-jogador, por ser conhecido como o país do futebol e ser a sede, o Brasil é mais do que favorito, porém o futebol é imprevisível. E apesar das discussões políticas que estão envolvendo o futebol neste ano, Marcia afirma que a torcida é muito grande: “Se a Copa não fosse aqui o país continuaria com os mesmos problemas, os jogadores não são culpados”.
Assim, com muito gosto pelo futebol, ou melhor, por todos os esportes, o casal vive em total harmonia entre os gols e amor. Desde 1998 em Itapoá, apoiam e incentivam a prática de qualquer esporte: “não consigo ver nada de ruim nos esportes, só trazem coisas boas”, afirma Marcia.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 17 – Maio/2014

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1 resposta »

  1. Este casal é exemplo a ser seguido. Do atleta sempre fui fã nº 1 um dos melhores zagueiros que já vi jogar e, como irmão as melhores lembranças e a amizade verdadeira desde o tempo de infância. Seu caráter acima de tudo reflete a admirável pessoa que é. O velho ditado: por traz de um grande homem há sempre uma grande mulher, neste caso, a Márcia que o acompanha formando um casal admirável que hoje já saboreia a vida com um filho, nora e a netinha que renova a vida com sua alegria. Abraço fraterno.