Saúde e Bem Estar

Que tal salvar uma vida?

Como você se sentiria se pudesse salvar uma vida? Com esta pergunta você deve ter imaginado diferentes situações e momentos, onde você veste o papel de herói e acaba com os vilões, momentos de aventura e até com riscos. Mas tudo pode ser mais simples, rápido e eficaz: só é preciso ter a iniciativa para doar sangue.

Augusta Gern

Todos os dias acontecem centenas de acidentes, cirurgias e até queimaduras violentas que exigem a transfusão de sangue, além dos portadores de hemofilia, leucemia e anemias; ou seja, centenas de pessoas necessitam desse tecido que circula pelo nosso corpo e é essencial à vida. Por isso, conforme o Hemosc – Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina, a doação espontânea e periódica é fundamental: uma única doação de sangue pode salvar várias vidas.
Como não se pode fabricar sangue artificialmente, diferentes campanhas buscam incentivar a doação, porém o número de doadores ainda é baixo. Conforme Marlene A. Andrade Tiltey do setor de captação de doadores do Hemocentro Regional de Joinville, a cada dia aumenta o número de pessoas que necessitam de transfusão, mas o número de doadores ainda é muito baixo para suprir as necessidades. “Diante disto a nossa busca contínua de doadores de sangue: o Hemosc desenvolve projetos para divulgação e conscientização sobre a importância da doação, entre eles o Projeto Escola e o Projeto Empresa Solidária, nos quais levamos através de palestras gratuitas informações sobre a doação de sangue e o cadastro como doador voluntário de medula óssea”, conta. Com esses projetos, as instituições se cadastram como empresas voluntárias e auxiliam no encaminhamento de doadores.
O Hemocentro Regional de Joinville presta atendimento com hemocomponentes para clínicas e hospitais de 27 municípios da região do Planalto Norte Catarinense, incluindo Itapoá. Conforme Marlene, o relatório apresenta que desde 2003 o número de doadores com endereço itapoaense é de apenas 228. Mesmo sem a informação se os doadores são periódicos ou não, é um número baixo para mais de 10 anos.
O número se torna ainda mais agravante pelas facilidades de se doar. Apesar de ser em outra cidade, não há motivos para desculpas. De acordo com a Sec. Municipal de Saúde de Itapoá, o doador pode agendar o uso do transporte oferecido diariamente e gratuitamente pelo Poder Público para as unidades de saúde de Joinville, deve apenas respeitar a demanda e lugares do veículo. Além disso, a doação pode ser feita em qualquer horário: o doador não deve estar em jejum, é necessário apenas evitar alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação.

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Alguns requisitos são necessários para se doar sangue
Como ter idade entre 18 e 69 anos, estar em boas condições de saúde (sem feridas ou machucados no corpo), pesar acima de 50 kg, ter repousado bem na noite antes da adoção, evitar o uso de bebidas alcoólicas nas últimas 12 horas e apresentar documento de identidade com foto.
Todos esses pontos são verificados nas etapas do processo de doação. Primeiramente é realizado o cadastro com informações (endereço, telefone) do doador, depois a pré-triagem, onde é verificada a pressão arterial, pulso, temperatura corporal, peso, altura e teste para verificação de anemia. Em seguida o doador passa pela triagem clínica, onde é feita uma entrevista sobre a saúde e hábitos cotidianos, e o mesmo assina um termo de consentimento autorizando a doação, garantindo que todas as informações são verdadeiras. Só depois dessas etapas é que é realizada a coleta de sangue: onde são doados cerca de 450 ml de sangue, mais 50 ml para a realização de exames. Após a doação é fornecido um lanche e tudo isso não passa de 1 hora de duração. O Hemocentro orienta que no dia da coleta o doador evite esforços físicos, que se alimente bem e ingira bastante líquido.
Depois da doação o sangue e suas amostras são encaminhados para laboratórios: a bolsa de sangue é divida por componentes e fica aguardando o resultado dos exames das amostras, os quais verificam a tipagem sanguínea, pesquisas de anticorpos irregulares e testes de doenças como HIV, hepatite, chagas e sífilis; com tudo certo o sangue é encaminhado para hospitais e clínicas para a transfusão. É importante ressaltar que cada componente do sangue tem uma finalidade e até três vidas podem ser salvas com apenas uma doação: os glóbulos vermelhos servem para tratar anemias, o plasma (parte líquida do sangue) serve para tratar hemorragias e as plaquetas servem para tratar ou evitar sangramentos e para pessoas que fazem quimioterapia.
Junto com a doação de sangue, a pessoa também pode se cadastrar como doador de medula óssea, onde são retirados 5 ml de sangue para identificação de suas características genéticas e inseridas no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Caso algum paciente precise de transplante e as características sejam compatíveis, a pessoa é convidada a fazer a doação.
Conforme informações do Hemosc, “o transplante de medula óssea é a única esperança que cura milhares de portadores de leucemia e algumas outras doenças do sangue”, o problema é que a chance de se encontrar uma medula compatível pode chegar a uma em um milhão.
E é esta possibilidade de poder ajudar a salvar vidas com um ato tão simples é que motiva Karine Aguiar de Oliveira Pereira (37), moradora de Itapoá, a doar sangue e se cadastrar como doadora de medula óssea. Como é terapeuta ocupacional e trabalha em um hospital, doou pela primeira vez para ajudar a repor o banco de sangue do hospital em dezembro de 2012, mas de lá para cá não parou: doa a cada três meses, que é o intervalo exigido para mulheres. Segundo ela, nunca sentiu nada fisicamente após a doação, mas é importante estar bem alimentado para não sentir nenhum mal estar. “Doar sangue é um ato simples, eficiente de salvar vidas, sem risco e com total segurança; fora a possibilidade de estar fazendo os exames de rotina de forma gratuita também”, afirma.
O mesmo desejo de ajudar é que incentiva Franciele Gravena (26), moradora de Guaratuba, a doar. Já foram cinco doações: duas em campanhas realizadas na própria cidade e três vezes em um hemocentro de Paranaguá. Segundo Franciele, Guaratuba também não possui um hemocentro próprio, mas as pessoas podem fazer doações em cidades vizinhas, geralmente em Paranaguá ou Curitiba. Além disso, Guaratuba já contou com algumas campanhas de incentivo a doção.

Doação de órgãos

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Além da doação de sangue, a doação de órgãos também pode salvar vidas. Conforme a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, de cada oito potenciais doadores, apenas um é notificado. Em alguns casos a doação pode ser feita em vida, outras apenas após a morte.
A doação em vida pode ser de um órgão ou tecido que não comprometa a saúde ou aptidões vitais. O doador deve ter condições adequadas de saúde e ser avaliado para afastar doenças que possam comprometer a sua saúde durante ou após a doação. Segundo o Ministério de Saúde, por lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores, não parentes somente podem doar com autorização judicial. Com vida é possível doar: um dos rins, medula óssea, parte do fígado e, em situações excepcionais, parte do pulmão e parte do pâncreas.
Para a doação após a morte o doador não precisa deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar o desejo à família. É considerado como potencial doador todo paciente em morte encefálica, ou seja, que demonstra ausência dos reflexos do tronco cerebral. Neste caso podem ser doados: córneas, coração, pulmão, rins, fígado, pâncreas e ossos.

Doação de leite materno

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Outra possibilidade é dar saúde a um bebê. Algumas mulheres não conseguem produzir leite suficiente após o parto, outras, por sua vez, produzem um volume de leite além da necessidade do filho, o que possibilita que sejam doadoras de um Banco de Leite Humano. Para a doação, além apresentar excesso de leite, a doadora deve ser saudável, não usar medicamentos que impeçam a doação e se dispor a ordenhar e doar o excedente. A doação é realizada em bancos de leite, disponíveis nas próprias maternidades.
O leite humano é a alimentação ideal para todas as crianças, por sua composição de nutrientes é considerado um alimento completo e suficiente para garantir o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê durante os dois primeiros anos de vida.

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