Estilo de Vida

Tradições gaúchas: Apaixonados por rodeios

Um grande evento onde as diferentes manifestações culturais da tradição gaúcha se unem, talvez assim possa ser definido o rodeio crioulo, muito cobiçado por quem mantém a tradição nas cidades de Itapoá e Guaratuba.

Quem gosta geralmente é assíduo: marca presença em pelo menos um rodeio por mês. Assim, fazem um verdadeiro acampamento: com um trailer, caminhão ou barracas organizam o espaço para dormir, levam todos os utensílios, uma boa carne, chimarrão e claro, os cavalos. O espaço do rodeio torna-se uma cidade crioula: os representantes de cada município formam uma família e a festa é garantida.
Conforme a Cartilha para a Realização de Rodeios Crioulos organizada pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, a palavra rodeio surgiu com os rodeios country, que iniciaram nos Estados Unidos em meados de 1800. No Brasil esta forma de rodeio surgiu em 1956, na cidade paulista de Barretos, onde a principal atração era a disputa entre o homem e o animal. Diferente do estilo country, o Rodeio Crioulo surgiu no Rio Grande do Sul na década de 50 a partir dos torneios de tiro de laço competitivos, com o objetivo de resgatar manifestações das tradições do campo. O primeiro rodeio crioulo foi em Vacaria (RS), e a partir de então se proliferou e motivou mais pessoas a poder vivenciar os costumes tradicionais gaúchos.
Nos rodeios é possível vivenciar diferentes manifestações culturais: a dança, a chula (sapateio característico e exclusivo de peões), a declamação, a trova (criação e improviso de versos cantados), as vestimentas típicas, exposição de animais como gado campeiro e cavalos crioulos e o esporte, como competições de laço, gineteadas e rédea.
A prova de laço é a preferida da maioria: realizada em uma cancha onde o laçador, montado a cavalo, busca laçar o boi conforme os limites de tempo e espaço estipulados. A gineteada consiste em conseguir ficar o máximo de tempo montado em um cavalo mal domado ou xucro (ainda não domesticado). Já na prova de rédea deve-se fazer o percurso e obstáculos estipulados em menor tempo possível.
A maioria dos gaúchos de Itapoá e Guaratuba praticam a prova de laço. Alguns participam de rodeios apenas entre amigos, outros organizam toda uma estrutura para carregar a família inteira.

Programa de família

rodeio3

Inácio Braz Smanioto com o filho Inácio Braz Smanioto Jr,
a nora Edinéia Nascimento Rosa Smanioto
e as netas Graziela e Gabriela.

rodeio2

Inácio Braz Smanioto Jr.

A possibilidade de unir toda a família é o que motiva os cunhados Jairo Aparecido de Souza e Inácio Braz Smanioto Jr., de Guaratuba, à tradição gaúcha. Nos rodeios todos estão presentes: pais, mães, filhos, sobrinhos e até quem ainda está por vir.
Nesta família a cultura gaúcha não veio do berço, mas é mantida e admirada como se fosse. Tudo começou com o pai de Edinéia Nascimento Rosa Smanioto, mulher de Inácio. “Como meu tio morava em Joinville e participava de rodeios, meu pai começou a se interessar e trouxe a cultura para Guaratuba”, conta Edinéia. Quando o pai faleceu, Inácio seguiu em frente. O veterinário já havia laçado quando criança, mas conheceu a cultura melhor realmente com o sogro.

 

jairo1

Jairo Aparecido de Souza.

rodeio1
Com o tempo incentivou também o cunhado Jairo, empresário, e não teve outro jeito: virou paixão de família. Os dois laçam e participam de pelo menos um rodeio por mês. “Quando você vai vivenciando, toma gosto pela cultura”, afirma Jairo que, para participar das provas de laço, teve que antes que aprender a andar a cavalo. Com tudo isso, absorveu também o gosto pelo chimarrão, vestimentas e contagiou esposa e filha.
Para Inácio não é diferente: além da esposa, as filhas de nove e dez anos e o pequeno que deve chegar ao mundo pelos próximos meses também não ficam de fora. Nas fotos da gravidez, por exemplo, uma bombachinha não ficará fora do cenário. “Ao absorver esta tradição conseguimos unir o esporte com a família, envolvendo diferentes gerações”, afirma Jairo. Inácio complementa que “para quem gosta, não há nada melhor”.
Conforme os laçadores, os rodeios na região acontecem mais fortemente entre os meses de abril e agosto, em virtude do clima. E, além de propiciar bons momentos de família reunida e prática de esporte, Jairo afirma que o rodeio fomenta muitas outras atividades: “Muita coisa está envolvida, não apenas a tradição. Tem os cavalos, o transporte, a estrutura do espaço… uma cadeia de exigências”.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 20 – Agosto 2014

 

 

Categorias:Estilo de Vida, Tradicionalismo

Marcado como:,