Tradicionalismo

Cavalos: Estímulo para a tradição

Presentes na vida dos homens há muitos e muitos anos, os cavalos sem dúvida são grandes companheiros. Às vezes ganham a função e adjetivo de transporte, outras vezes auxiliam nos trabalhos agrícolas e há ainda os para a prática de esportes. Na cultura gaúcha, este é o animal símbolo, principalmente o cavalo crioulo, de raça crioula, chamado até de “orgulho do Rio Grande”.

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Augusta Gern

Independente da raça, os cavalos ganham um espaço especial na vida da maioria dos gaúchos, até porque, muitas vezes foram eles que estimularam a pessoa à tradição. Este foi o caso de César Cotia, empresário de Itapoá. Desde pequeno na cidade litorânea, ele afirma que sempre gostou de cavalo e quando tinha oito anos de idade começou a ir para a escola com o animal, da Barra do Saí até Itapema do Norte, na Escola Nereu Ramos.
“Eu e meu amigos íamos pela praia e, quando ventava muito, amarrava uma corda na bicicleta deles e todos iam ao embalo do cavalo”, lembra.

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César Cotia e a família toda vive a cultura gaúcha.

Aos 16 anos até frequentou alguns rodeios, mas nada ali o interessava além do cavalo. Porém, por tanto amor e interesse aos animais, começou a conhecer um pouco mais da cultura gaúcha com os amigos e, quando viu, estava vestindo a bombacha pela primeira vez. “Me senti um pouco estranho pela primeira vez que coloquei a roupa, até então eu era surfista, ganhei campeonatos de futebol, mas nada relacionado à tradição”, conta.
O que era estranho logo acostumou e hoje se tornou paixão. Além de César, a família toda vive a cultura gaúcha: “Eu comecei a admirar a cultura ainda mais com a criação das minhas filhas, pois há um respeito muito grande”, afirma.
E o cavalo continua ao seu lado: além de passeios pela cidade, para relembrar fatos da infância, também o acompanha em rodeios e provas de laço.
Dessa mesma forma foi que Ricardo Ribas do Vale conheceu a tradição. O cavalo sempre foi uma paixão de criança: lembra-se de ter dez anos e já estar andando a cavalo pelas ruas de Itapoá. Seu avô foi tropeiro, mas a família não seguiu a tradição, então o gosto por cavalo seguiu o rumo do hipismo, que começou a praticar aos 12 anos.Porém, como o cavalo traz muitos amigos, não foi difícil se aproximar da tradição. Ao conviver com alguns gaúchos da cidade, o hipismo logo passou para as provas de laço e Ricardo tornou-se um típico tradicionalista.

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Ricardo Ribas do Vale é apaixonado por cavalo desde criança.

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“Comecei a gostar da música, tomar chimarrão e quando vi já estava até usando bombacha”, conta. Ele participou de muitos rodeios, mas hoje está um pouco afastado, pois o esporte demanda muito tempo e estrutura.
De qualquer forma, o cavalo continua sendo uma companhia diária: com horário marcado para trata-lo e tudo mais. Desde sua infância, Ricardo já teve seis cavalos diferentes, o atual, chamado Tordilho, está com ele há seis anos, é craque em seus cuidados e manias. “Com a convivência a gente vai aprendendo a cuidar do cavalo do jeito que ele gosta, tanto na ração, como o cuidado com casco… e tudo precisa de uma rotina, ele se acostuma com horários”, conta. Conforme Ricardo, um dos passeios preferidos de seu cavalo é um banho de mar. “Ele adora nadar, vai até sozinho, mas só vou quando a praia está vazia”, afirma.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 20 – Agosto/2014

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