Castelo dos Bugres: ideal para esportes de aventura

O Castelo dos Bugres é assim chamado devido às tribos indígenas que existiam na época da colonização de Joinville
pelos alemães, que chamam os índios de “bugres”. Com a construção da estrada Dona Francisca, os exploradores da época tinham que passar por esta região e muitas histórias relatam que existia uma tribo indígena que vivia lá, próximo deste aglomerado de pedras, conhecido hoje como Castelo dos Bugres.

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A trilha para o Castelo dos Bugres cruza várias vezes o rio e passa no seu leito em determinados trechos.

Ana Beatriz Machado

Para Alan Jacob da Rosa, diretor técnico e um dos fundadores do Grupo de Resgate em Montanha, de Joinville-SC, esta montanha atrai muitas pessoas por diversos motivos: “Por sua facilidade, boa sinalização, belas vistas e por atrair praticantes de vários esportes de aventura”.
Alan conta que escalou o Castelo dos Bugres pela primeira vez em 2001, logo que chegou para morar em Joinville. “Achei uma montanha fantástica e, de lá para cá, já perdi as contas de quantas vezes voltei a este lugar”, fala. Por se tratar de uma montanha relativamente fácil e muito bonita, foi lá que Alan e sua esposa Karin Galkoski da Rosa escolheram para iniciar sua filha Luna no montanhismo, quando ela tinha pouco mais de um aninho. “Ela nos acompanhou nesta montanha carregada em nossas costas, em uma mochila especial para carregar crianças. Adorou esta aventura e, em determinados pontos da trilha, quando parávamos para descansar e a retirávamos da mochila, ela queria ir caminhando na trilha”, recorda Alan.

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Por se tratar de uma montanha relativamente fácil e muito bonita, foi no Castelo dos Bugres que Alan Jacob da Rosa e sua esposa Karin Galkoski da Rosa escolheram
para iniciar sua filha Luna no
montanhismo, quando ela tinha pouco mais de um aninho.

De acordo com o montanhista, o Castelo dos Bugres é uma montanha relativamente fácil para quem já é montanhista ou para quem pratica atividade física regularmente, porém, pode ser considerada difícil para uma pessoa sedentária ou que não tenha a mínima noção do que é fazer uma trilha na mata, com subidas íngremes, barro, lama, atoleiros, etc. Ele também conta que uma das trilhas – conhecida como trilha do container, trilha nova ou trilha de cima – é considerada autoguiada, está bem aberta e sinalizada. “Nesta trilha, é praticamente impossível alguém se perder, até mesmo os mais leigos que estão indo pela primeira vez”, diz Alan.
Já a trilha de baixo, também conhecida como trilha velha, é mais complicada para os iniciantes, sendo mais fechada, com alguns pontos confusos e, por cruzar várias vezes o rio e passar no seu leito em determinados trechos, acaba fazendo com que os visitantes se percam.
Neste local, Alan conta que existem dois mirantes de rocha, que são dois aglomerados com grandes rochas sobrepostas, onde algumas pessoas que conseguem escalar estes obstáculos podem ter uma melhor visão da cidade de Joinville, do Morro Pelado e do Pico Jurapê. Em dias de céu limpo é possível até mesmo ver o mar, mas aqueles que não escalarem estes mirantes também podem ter uma visão parecida.

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O Castelo dos Bugres é uma montanha relativamente fácil para quem já é montanhista ou para quem pratica atividade física regularmente, porém, pode ser
considerada difícil para uma pessoa sedentária.

“Estes mirantes só devem ser escalados por pessoas com experiência e com uso de equipamentos de segurança, como cordas, cadeirinhas de escalada ou rapel e freios”, ressalta Alan. Além de montanhistas e escaladores, os aglomerados de rocha do Castelo dos Bugres também atraem os praticantes de rapel e highline (esporte derivado do slackline, que consiste em andar em uma vida sobre penhascos).
Mais que as riquezas naturais, existem algumas histórias e lendas acerca do Castelo dos Bugres. “Os mais antigos contam que a tribo que lá vivia era muito valente e que, por várias vezes, houve confrontos entre ‘bugres’ e ‘homens brancos’. Eles falam que um dos grandes guerreiros dessa tribo, montado em seu cavalo, adentrou as fendas deste Castelo e seu espírito está até hoje eternizado lá dentro”, conta Alan.

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A trilha para o Castelo dos Bugres cruza várias vezes o rio e passa no seu leito em determinados trechos.

Para aqueles que desejam conhecer este local, por mais que seja uma trilha considerada tranquila, o montanhista recomenda que tomem os cuidados como qualquer outra trilha ou montanha, pois os riscos são praticamente os mesmos. “É bom lembrar que mudanças climáticas repentinas podem trazer tempestades e, com isso, existe o risco de hipotermia ou até mesmo de as pessoas se machucarem na trilha e não conseguirem mais caminhar”, diz Alan. Ele também aconselha as pessoas a evitarem visitar o local com grupos muito numerosos, pois se trata de uma região com trilhas bastante sensíveis e a degradação por excesso de pessoas vem aumentando todos os anos. Para preservação ambiental do Castelo dos Bugres, as pessoas devem recolher seu lixo, não fazer fogueiras ou cortar árvores.

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Mais informações sobre Castelo dos Bugres

Onde fica: Serra Dona Francisca, em Joinville – SC
Primeira ascensão: Não há registro (provavelmente os índios)
Altitude: 998 m
Desnível: 148 m
Comprimento da trilha: 4 km
Duração: De 45m a 2h30m

Temporada ideal: Entre maio e agosto, mas costuma receber visitação o ano todo.

Como chegar: O acesso pode ser feito através de duas trilhas: uma nova, bem aberta, e outra mais antiga (original).
A trilha nova se inicia entre os km 36 e 38 da SC-301, que passa em frente a um bar, onde existe uma borracharia e local para estacionamento dos carros. Já a trilha antiga tem seu início na SC-301, km 36, em frente ao traçado antigo da Estrada Dona Francisca, onde existe a borracharia, do outro lado do asfalto.

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