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Otti MC: Entre métricas, melodias, flows e levadas

A expressão “RAP” provém da língua inglesa, com o sentido de Rhythm And Poetry – traduzindo, Ritmo e Poesia. Este estilo é assim denominado porque mescla um ritmo intenso com rimas poéticas, integrando o cenário cultural conhecido como hip hop. No Brasil, este gênero vem se difundindo cada vez mais e lançando novos MC’s (os chamados mestres de cerimônia, que versam e rimam). Em Itapoá-SC, o estudante Jadiel Miotti do Nascimento, de 21 anos, vem batalhando por amor à música, letra e poesia no rap e, hoje, se tornou o Otti MC.

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De Itapoá-SC, Jadiel Miotti do Nascimento se tornou o Otti MC.

 

Ana Beatriz Machado

Seu primeiro contato musical começou em família, especialmente com sua mãe, que canta desde cedo na igreja e sempre lhe incentivou a cantar. Já o contato com o rap veio um pouco mais tarde, através de seus irmãos mais velhos, que escutavam músicas do gênero. Durante o ensino médio, Jadiel conta que descobriu seu talento com as palavras nas aulas de português, onde falavam sobre poesia. “Assim como aconteceu com muitos outros, a arte me surgiu como refúgio, alcova particular que me auxiliava a vivenciar meus próprios dilemas”, diz. Jadiel, que é aluno do curso de Direito, recorda que no início da faculdade conheceu Daniel, um amigo que compunha rap com muito talento e lhe incentivou a criar seus próprios versos.
A partir de então, ele passou a participar de batalhas de rimas na região, onde chegou a se consagrar campeão, e produziu e lançou duas músicas às mídias: “Chocolate e Avelã” e “Remanescente”. Com músicas de teor lírico e conteúdo poético, ele deseja levar amor e reflexão aos ouvintes. “Visualizou a minha evolução muito mais em meu trabalho e em mim, enquanto ser humano, do que propriamente com as conquistas obtidas por intermédio do rap, pois amadureci muito nos dois sentidos”, diz. Fã de rappers como Sabotage, Mano Brown, 2Pac e Eminem, Otti MC conta que, atualmente, músicas dos rappers Russ e Coruja BC1 não saem de sua playlist e estão lhe inspirando bastante.

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Otti MC quando foi campeão da
8ª Edição da Central das Rimas – Joinville.

Conciliar os estudos com a música não tem sido fácil. De acordo com o estudante, isso se deve ao fato de que seu processo criativo nas composições está cada vez maior. “Isso me faz, em grande parte do tempo, deixar os estudos em segundo plano. Obviamente, minha mãe não gosta muito disso (risos)”, conta. Sobre o preconceito com o rap, Jadiel fala que já notou olhares ou comentários, mas, felizmente, nada mais que isso. “Por levantar bandeiras pouco questionadas, de uma minoria que sofre, o rap ainda carrega muito estigma por pessoas que não conhecem o ritmo e aplicam a ele um julgamento premeditado”, explica.
Porém, para Jadiel, a maior dificuldade do cenário do rap é a falta de apoio, seja ele financeiro, para promoção e divulgação dos trabalhos, ou na questão de oportunidades. Ele explica que, como o cenário do rap no Brasil vem crescendo de maneira estrondosa, a visibilidade de um MC no início da carreira é muito baixa, e em um cenário bastante concorrido. “Na questão financeira, sempre que possível, meu pai me ajuda, o que é de grande valia. Mas, na maioria das vezes, eu escrevo minhas letras, crio minhas melodias, e ainda pago meus beats (batidas), e as produções de áudio e visuais”, fala. Apesar das dificuldades, ele afirma que algumas portas já lhes foram abertas, e que continuará trabalhando para que portas ainda maiores se abram.

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Otti MC quando foi campeão da
8ª Edição da Central das Rimas – Joinville.

Para aqueles que desejam entrar para o mundo do rap, Jadiel aconselha: “Não será um caminho fácil. Mas persista nos seus sonhos, afinal de contas, você é o único representante deles”. Estudar e praticar os elementos que compõe o rap, como métrica, levada, melodia e flow, também é uma dica para se tornar um rimador melhor. Mas, apesar do longo caminho, ele se diz satisfeito. “É muito bom ouvir elogios, críticas e sugestões de pessoas próximas ou, até mesmo, de outros estados. Através das rimas, pude ser gratificado com relatos de pessoas que disseram que minha música lhes motiva, lhes inspira ou embala seus relacionamentos amorosos”, conta.
Jadiel, que nunca pensou em viver da música, conta que, ultimamente, esta ideia vem sendo cogitada. Para esse ano de 2017, Otti MC possui cinco projetos musicais e videoclipes, e nos adianta que em março lançará uma nova música com a participação de seu amigo Patrick Hdk. Ele também pretende continuar participando de batalhas de MC’s para, quem sabe, garantir uma vaga para o Duelo Nacional de MC’s. Aos que acompanham o seu trabalho, Jadiel agradece e oferece a certeza de que sempre estará buscando evoluir em suas músicas. Para conhecer mais sobre seu trabalho, basta acessar a página Otti MC, no Facebook. “E se você não conhece muito o rap nacional, procure pesquisar”, fala o rimador, “pois existem várias vertentes dentro do rap e talvez alguma delas lhe agrade ou, melhor, mude a sua vida, assim como mudou a minha”.

 

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