Arte e Cultura

Arte plástica: forma de se expressar, repensar valores e quebrar padrões

Assim como a educação, o esporte e a cultura, a arte também se mostra como um caminho de infinitas possibilidades e de um mundo melhor. Em Itapoá não é diferente: Aos 25 anos, o artista plástico Juan Angelo Antunes é um ícone para a pintura do município. A ampla gama de interesses percorridos pelo artista, como ciência, filosofia, religião e outros assuntos relacionados à sociedade, pode ser percebida através de suas telas, que preenchem os olhos e a mente do público.

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Juan no teatro Juarez Machado em um evento cultural realizado pelo Conservatório de Belas Artes de Joinville, na ocasião ele pintou uma
tela ao vivo.

Ana Beatriz Machado

Nascido em Campo Grande – MS e filho de artista plástico, Juan teve contato com a arte desde pequeno. Durante muito tempo, ele e três de seus irmãos resolveram acompanhar as viagens do pai artista para correrem atrás do sonho de jogar futebol. Juan chegou a jogar, junto com seus irmãos, em vários times, mas hoje estacionou no campo das artes.
Além de seu pai, os cinco irmãos e a mãe de Juan também pintam. Apesar de crescer no meio artístico, ele começou a pintar efetivamente em fevereiro de 2009, quando tinha 18 anos. Hoje, aos 25, Juan conta que recebe influências de diversos artistas e de vários estilos. “A influência de meu pai é inevitável, mas é difícil fixar algum artista em particular. Grandes críticos do mercado de arte definiram meu trabalhocomo arte abstrata”, diz. Aos poucos, ele desenvolveu sua próprialinguagem, mas diz estar em constante processo de evolução.
Até desenvolver uma identidade própria, Juan conta que já experimentou diversos estilos, conceitos e materiais, como café, papelão e madeira, por exemplo. Atualmente, ele desenvolve pinturas com tintaacrílica sobre algodão cru, além de utilizar outras superfícies, como o linho e a juta.
Com alguns anos de experiência na arte, ele afirma que sua principal evolução se deu na temática e no conceito de suas obras. Através delas, Juan pretende ser cada vez mais atuante na sociedade. Para ele, a coisa mais valiosa na humanidade é a capacidade de se expressar: “É também a forma mais valiosa para você alcançar seus objetivos, por isso estou em contato com as pessoas através da arte”. Produzir uma tela é, para Juan, garantir um futuro não só para ele, mas para todos. “Desejo que minha arte sirva de estudo e reflexão para as pessoas, porque se eu pintar e não servir para ninguém, então não adianta nada”, diz.
No processo de criação, a escolha de um tema surge de forma inesperada. Segundo Juan, novas ideias surgem em um piscar de olhos, em um capítulo de um livro, em uma nova descoberta da ciência ou em uma conversa com alguém; mas suas obras sempre têm um significado. A partir de pesquisas sobre um determinado tema, as obras são pintadas e formam uma série. O jovem fala que procura expressar suas pesquisas nas telas e, como não consegue transmitir todas as ideias em uma única obra, inicia uma série e, dentro dela, busca as melhores formas de expressar seus estudos.
Até hoje, o artista plástico produziu cinco séries, todas com certa ligação ao município de Itapoá, caracterizadas com cores fortes, linhas e formas. “As primeiras serviram mais como pesquisa de técnicas a serem exploradas”, diz. Paralelamente às séries, ele também pinta quadros separados e encomendas.
A série “Padrões Caóticos” já dura algum tempo e, através das telas, o artista faz da arte uma quebra de padrões – padrões estes que vêm do caos, do nada. “A partir da pergunta ‘Quem é Deus?’, por exemplo, busquei desafiar a nova física, trabalhando questões como consciência e realidade”, conta. Juan, que já teve como inspiração a matemática, conta que, nesta série, as pesquisas estão mais centradas na área da ciência, religião e no método científico.

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Série Natureza Viva.

Diferente do que muitos pensam, o artista não está fazendo arte somente no momento de produção, na companhia de tintas e pincéis. Para Juan, o processo artístico é constante, pois, quando não está pintando, está pesquisando, à procura de novos conceitos que sirvam de inspiração. De acordo com o artista, os livros – outra de suas paixões – são extremamente necessários para a expressão. “Preciso entender determinado assunto para depois fazer dele uma reflexão através da arte e, então, levar para o público”, explica.
A arte também atua como exercício para a consciência. Acreditando nisso, Juan já realizou alguns trabalhos em escolas do município, em batepapos sobre arte com crianças e adolescentes. “Experiências como esta são muito bacanas, pois as crianças interagem, indagam e fazem perguntas pertinentes, e o que era para ser uma aula sobre as minhas obras, acaba sendo uma troca de saberes”, diz o artista. Para ele, esta aproximação entre as crianças e o mundo das artes é muito importante, pois leva o aluno a se interessar pelas produções que são realizadas por ele mesmo e por seus colegas, bem como por diversas obras consideradas artísticas a nível regional, nacional e internacional.
Como reconhecimento de seu trabalho, o artista já realizou diversas exposições Brasil afora, sendo as mais renomadas no espaço cultural da TV Guarani, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, no Museu de Artes de Joinville (MAJ) e na Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIMS). O público apreciador da arte de Juan também está por toda a parte.
Ele conta que muitas de suas obras estão por Curitiba, São Paulo e, inclusive, no exterior, como Espanha, Portugal e Estados Unidos.
Atualmente, o artista está desenvolvendo uma série em homenagem a Itapoá, com elementos característicos do município, como o porto, as três edras, o farol e a banca de pescadores. “Itapoá possui cenários inspiradores e cada um deles é capaz de transmitir uma ideia diferente.
Costumo andar por aí e ir captando estas ideias”, diz Juan. Para esta nova série, ele pretende misturar dois ou mais elementos em uma única pintura.
O resultado será conferido em maio, em uma exposição aberta à comunidade, na Sorveteria Pura Gula.
Em breve, ele pretende desenvolver mais uma série com o tema “Padrões Caóticos” e, desta vez, entrar em um estilo figurativo. “Hoje, possuo liberdade para me expressar através da pintura. É claro que cada pessoa interpreta a obra de acordo com sua própria linguagem, que é resultante do seu repertório e de sua bagagem. Mas gosto da discussão e do estudo que a arte proporciona às pessoas”, diz Juan. Em seus projetos, consta aproximar, cada vez mais, a comunidade itapoaense do meio artístico, como forma de se expressar, repensar os valores e quebrar os padrões.

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