O olhar de uma psicopedagoga para as crianças

Formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Mahara Hermógenes já trabalhou como professora em projetos sociais e na rede escolar de Itapoá-SC. Buscando disseminar a aprendizagem para diferentes crianças e, consequentemente, diferentes saberes, há dois anos, ela atua como psicopedagoga no “Cantinho das Possibilidades” – um espaço lúdico e educativo, que visa estimular as crianças de forma mais viva, participativa e vivenciada.
Com base em sua experiência profissional e enquanto mãe de Ademar Ribas do Valle Neto, o Ademarzinho, de quatro anos de idade, Mahara fala sobre a importância da psicopedagogia, destaca temas que merecem atenção especial das famílias das crianças e dá algumas dicas para agitar as férias escolares dos pequenos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Mahara Hermógenes destaca temas que
merecem atenção especial das famílias.

Cantinho das Possibilidades
Segundo Mahara, a psicopedagogia busca decifrar como ocorre o processo de construção do conhecimento em cada indivíduo. “A psicopedagogia se propõe a identificar os pontos que possam estar travando essa aprendizagem, atuar de maneira preventiva para evita-los e, ainda propiciar estratégias e ferramentas que possibilitem facilitar esse aprendizado”, explica. Muito além da fusão da pedagogia com a psicologia, o psicopedagogo busca na psicanálise, psicolinguística, neurologia, fonoaudiologia, psicomotricidade, entre outros, o conhecimento necessário para entender o processo de aprendizagem de cada um.
No “Cantinho das Possibilidades”, a psicopedagoga estuda e auxilia, em sua maioria, portadores de necessidades especiais, como deficiências múltiplas, dislexia, TDAH, deficiência intelectual, altas habilidades, entre outras, ou, até mesmo, pessoas com dificuldades de aprendizagem. “Este trabalho é feito partindo da demanda do paciente, com o auxílio de jogos de sequência lógica, dinâmicas, brincadeiras lúdicas, leituras, trabalhando o raciocínio lógico, a produção de texto, a percepção visual, a resolução de problemas e conversas. É importante também frisar questões como autoestima, autonomia e oralidade, e trabalhar as habilidades e capacidades da criança”, explica Mahara. Vale ressaltar que a intervenção psicopedagógica também é endereçada aos adultos, uma vez que oferece benefícios como autoconhecimento, melhora do desempenho profissional e acadêmico, superação das dificuldades de aprendizagem e correção das falhas da escolarização inicial.
O “Cantinho das Possibilidades – Psicopedagogia Clínica e Educação Especial” fica no bairro Itapoá, na Avenida Brasil, número 2402, na sala aos fundos. Para maiores esclarecimentos, o telefone para contato da psicopedagoga Mahara é: (47) 99672-4773.

Crianças devem ser crianças
Crianças merecem atenção. É fundamental que seus responsáveis lutem pelos seus direitos, integridade física, tenham lazer, cuidados e proteção, mas, acima de tudo, que elas sejam respeitadas como, nada a mais nada a menos: crianças.
Vivemos na era digital e, cada vez mais cedo, as crianças precisam se adequar à modernidade e agir como pequenos adultos, lidando com aparelhos eletrônicos e uma rotina bastante atarefada. A psicopedagoga Mahara reflexiona: “Muitos pais querem que seus filhos estudem, aprendam outro idioma, aprendam algum instrumento, se dediquem a algum esporte, mas, em muitos casos, se esquecem de reservar um horário para que eles façam o mais importante: brincar”.
De acordo com a psicopedagoga, é preciso lembrar que a infância ainda é simples, como brincar de desenhar, se sujar de barro, cair depois de correr no esconde-esconde, é rir de si mesmo, é ser criança. Em suas palavras: “a infância precisa ser livre”.

Quanto aos pais, mães e responsáveis, ela aconselha que disponham algum tempo às crianças, por menor que seja, para as ouvirem, olharem em seus olhos e realizarem alguma atividade em conjunto. “Mas é preciso estar 100% presente nesse momento, não brincando com a criança e de olho no celular ou preocupado com questões profissionais. O ‘pouco’ que nós, pais, fazemos, pode ser o ‘muito’ que nossos filhos precisarão mais tarde, na fase adulta”, diz.

“Se os pais não tiverem vontade de dedicar um tempo aos seus filhos, neste contexto, é muito provável que eles cresçam e também não tenham interesse em dedicar um tempo aos seus pais”, ressalta Mahara.

Para ela, desde as brincadeiras às tarefas, tudo tem o seu tempo, e a intensidade da infância deve ser aproveitada, pois passa muito depressa. A profissional ainda explica que, muitos dos problemas psicológicos que surgem na fase adulta decorrem da ausência da base familiar na infância, ou seja, carinho, amor e atenção. Com seu filho Ademarzinho, por exemplo, Mahara gosta de fazer sessões de cinema com pipoca em casa, caverninha com edredons e lanterna, desenhar e pintar, passear de bicicleta na areia da praia, brincar de massinha de modelar, praticar esportes, entre outros.
E até um simples momento, como a refeição, pode se tornar alegre e educativo. Juntos, Mahara e Ademarzinho costumam fazer lindas esculturas com alimentos saudáveis, como, por exemplo, um polvo feito de sagu, um cavalo feito com arroz integral e feijão, ou um surfista com a cabeça de um morango, o cabelo de kiwi, o corpo de uma banana e a prancha de manga – momento que apelidaram de “Bistrô do Ademarzinho”. “Transformando a comida saudável em algo divertido, a criança pode adquirir novos e bons hábitos. Vale destacar que uma alimentação saudável traz inúmeros benefícios às crianças, facilitando ainda mais seu aprendizado, capacidade física, atenção, memória, concentração e energia necessária para trabalhar o cérebro”.

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O “Bistrô do Ademarzinho”: momento em que mãe e filho brincam e se divertem criando
lindas esculturas de alimentos, compartilhando, assim, de uma alimentação mais saudável.

“Nós, adultos, nos preocupamos em darmos os melhores presentes, mas o que vale, mesmo, é sermos presentes. Ao invés de dar um brinquedo pronto ao seu filho, por que não criar um brinquedo junto com ele? Isso fará com que ele estimule sua criatividade, valorize muito mais o brinquedo e a própria relação entre pais e filho”, questiona a psicopedagoga.
Antes de cobrar bons resultados, é preciso que os pais deem bons exemplos, seja na alimentação, na organização da rotina ou na atenção. Mahara também incentiva os pais a deixarem seus filhos livres e à vontade para “se encontrarem” quanto aos seus gostos, talentos e personalidades. Para exemplificar esta situação, ela utiliza os livros: “Costumamos cobrar das crianças que elas tenham gosto por leitura, saibam ler e escrever, mas poucos adultos deixam livros ao seu alcance para toquem, folheiem e sintam aqueles livros, temendo que elas rasguem, rabisquem ou arranquem as páginas. Mas, mais uma vez, é importante lembrar que se trata de crianças e, somente conhecendo bem o que aquele objeto representa ela passará a valorizá-lo”.

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Desde cedo, seu filho Ademarzinho é estimulado a se divertir com coisas simples,
como um avião feito de caixa de papelão ou uma cabaninha.

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Seja como mãe ou profissional, a psicopedagoga faz uso frequente de brinquedos lúdicos e educativos, que estimulam a concentração e a memória da criança, e assume posição contrária ao estereótipo de “brinquedos de meninas” e “brinquedos de meninos”: “todos os brinquedos e brincadeiras devem ser para todas as crianças, afinal, todos os meninos um dia terão as suas casinhas de verdade, e as meninas terão os seus carrinhos de verdade”.

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Junto das crianças, a psicopedagoga Mahara gosta de voltar a ser criança, e criar momentos lúdicos e divertidos.

Assumida como “uma eterna criança”, Mahara fala que brincar com as crianças não beneficia somente as crianças, mas também os adultos. “Costumamos viver no modo automático e rodeados de novos acontecimentos e informações que surgem em frações de segundo. Portanto, reservar um tempo para brincar e dar gargalhadas com os pequenos é muito saudável”, diz. E, é bom lembrar que, para tal, as férias escolares são o momento mais do que propício.

A importância dos brinquedos educativos

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Inúmeras descobertas do mundo de Olavo. Para conferir mais, acesse “Mão na Roda”, no Face

“Aprender brincando é mais divertido”, assim diz Juliana dos Santos Matias – mãe do Olavo dos Santos Matias, de dois anos de idade, doula, consultora em amamentação, consultora em introdução alimentar e empreendedora materna, de Itapoá.
“Desde o nascimento do nosso filho, nosso mundo mudou. Adquirimos novos conceitos para velhos assuntos. E foi dessa forma, que começamos a empreender com os brinquedos educativos. Primeiramente, é mais fácil você comprar os brinquedos convencionais, pois já vêm prontos, sem dar muito trabalho ao cuidador. Mas, por outro lado, nossos pequenos enjoam muito rápido deles, até mesmo esquecem. Isso não acontece com os brinquedos educativos. Existem diversas maneiras de brincar com o mesmo brinquedo, você consegue utilizá-lo em diferentes etapas do desenvolvimento do seu pequeno e ainda eles podem fazer outra criança feliz por gerações”, explica Juliana.
Para encontrar diversas dicas para ensinar seu filho brincando e, também, ficar por dentro de todos os brinquedos que Juliana tem em estoque, basta acessar sua página “Mão na Roda” na rede social Facebook, através do link: http://www.facebook.com/maonarodapropapaiepramamae.

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