Educação

Férias escolares de julho: Toda criança tem uma história especial

Uma boa sugestão para inspirar a criançada nas férias escolares é criar uma história e (por que não?) escrever um livro – como fez Pedro Lucas Melin Dunzer, de dez anos de idade.

Ele conta que adora ler, criar histórias de aventuras, acampar na praia, pescar, participar do Coral Sementes do Amanhã, fazer
piqueniques, experiências científicas e observar com o microscópio as micropartículas e misturas que ele mesmo faz, mas, o que mais gosta são os animais, como cães, peixes, moluscos do mar, pássaros, coelhos, insetos que adora observar e os seus preferidos: os gatos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Pedro Lucas Melin Dunzer e a capa do livro
“O Gato Astronauta”,
de Pedro e Mari.

A mãe de Pedro, Maria Inês Vargem Yalçinkaya, mais conhecida como Mari, conta que, de todos os bichinhos de estimação que o filho já teve, um deles lhe chamou atenção: “Certo dia, um gato foi abandonado dentro do nosso quintal e decidimos ficar com ele. Pedro deu a ele o nome de ‘Kuçuçuko’ e os dois se tornaram inseparáveis. Onde Pedro estava, o gato estava, também”. Mas, infelizmente, chegou o dia em que Kuçuçuko desapareceu e, mais tarde, foi encontrado morto. Mari recorda que Pedro sofreu por muito tempo com a ausência do bichano. “Eu gostava muito dele e tinha projetos de viajarmos eu, minha mãe e ele para a Lua em um foguete imaginário e, lá, fazermos um piquenique”, conta Pedro, que estuda no 5º ano da Escola Municipal Ayrton Senna.
A história criada pelo menino, de fazer um piquenique na Lua com o gato Kuçuçuko, foi criada quando Pedro tinha oito anos de idade, e despertou o interesse de sua mãe, que sempre desejou escrever um livro infantil. “Sugeri a ele que transformássemos aquela aventura em um livro e ele adorou a ideia e, então, começamos a escrever e desenhar juntos”, fala Mari.
Assim, nasceu o livro o “O Gato Astronauta”, dedicado às crianças (e adultos, também) que perderam seus bichos de estimação e desejam superar essa dor, com textos e ilustrações de Pedro e Mari.

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O menino e o gato Kuçuçuko, amizade que deu origem ao livro.

Para materializar essa história, a mãe de Pedro imprimiu cem exemplares do livro, para vender aos familiares e amigos mais próximos. De acordo com Mari, as impressões não são muito baratas e o processo de registro na biblioteca nacional leva tempo, mas vale a pena. A história de Pedro foi lida, inclusive, nas salas de aula da sua escola, inspirando e mostrando a todos os seus colegas que é possível transformar um episódio triste em uma leitura prazerosa, e que escrever um livro não é algo tão distante como parece. Outro fato que também deixou mãe e filho muito felizes é que o livro já foi encomendado, inclusive, por pessoas que moram fora do Brasil, como Suíça, Portugal, Holanda e Turquia.

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Além de criar histórias, Pedro também gosta muito de pescar.

Além de “O Gato Astronauta”, Pedro e Mari também criaram outras histórias de aventura que virarão livros: “Não Era uma Vez”, que conta a história de um menino e seu peixe de estimação, e “O Coelho Mágico”, que fala sobre um coelho mágico e a família que o amou – sempre trazendo mensagens de amor, amizade, respeito aos animais e perseverança. “Gosto muito de curtir o Pedro e ouvir suas ideias, histórias, teorias e sonhos. E, se pararmos para escutar, toda criança já criou, pelo menos, uma história especial para contar. O que falta é nós, adultos, darmos atenção e valor a isso”, fala Mari.
Entre tantas coisas que Pedro pensa em ser quando crescer, uma delas é cientista químico ou “cientista de misturas”, como ele mesmo diz. Hoje, o menino compreende melhor a ausência de seu companheiro, o gato Kuçuçuko, pois, como está escrito na nota dos autores de “O Gato Astronauta”: “a vida nos traz e nos leva o que é preciso aprender e, mesmo na dor, devemos ser gratos pelos momentos de grande valor que passamos juntos”.

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