Educação

Saiba mais sobre o curso de Nutrição e as futuras nutricionistas

Diferente do que muitos imaginam, o curso de Nutrição vai além dos estudos de ingestão, absorção e transporte de nutrientes, e envolve também a análise dos hábitos humanos e sua relação com os alimentos.
Para saber mais sobre este curso, que é do tipo bacharelado e tem duração média de quatro anos, conversamos com Crislaine da Rosa, de 22 anos, de Itapoá-SC. Ela cursa o quarto e último ano de Nutrição no Centro Universitário Católica de Santa Catarina, em Joinville-SC, e nos fala sobre a rotina de uma estudante de Nutrição, possibilidades do mercado de trabalho, perfil do estudante, principais disciplinas e áreas de atuação, entre outras curiosidades.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

São vários os motivos que levaram Crislaine a optar pelo curso de Nutrição: “Meus pais tiveram um restaurante durante vinte anos e, então, cresci observando meu pai administrar e minha mãe cozinhar com amor. Gostava muito de conviver naquele meio. Além disso, sempre fui muito agitada e ansiosa e, por diversas vezes, descontava este sentimento ingerindo alimentos calóricos, e desejava entender o porquê dessa atitude. Optei por esta área para melhorar não somente a minha vida, mas, também, a vida das pessoas, já que a nutrição tem esse poder”, conta.

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Crislaine da Rosa, estudante de Nutrição, fala sobre as possibilidades do mercado de trabalho,
principais disciplinas e áreas de atuação, entre outras curiosidades do curso.

De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas, o bacharel em Nutrição pode atuar nas seguintes áreas: Alimentação Coletiva (com gestão do processo produtivo de refeições em empresas fornecedoras de serviços de alimentação); Indústria de Alimentos (desenvolvendo produtos relacionados à alimentação e à nutrição); Nutrição em Esportes (com atividades relacionadas à alimentação e nutrição em academias e clubes esportivos); Marketing e Publicidade Científica (com atividades relacionadas à alimentação e nutrição, bem como assessoria e consultorias alimentar e nutricional); Docência (atividades de ensino, extensão, pesquisa e coordenação relacionada à alimentação e à nutrição); Saúde Coletiva (realizando atividades de alimentação e nutrição relacionadas com políticas e programas institucionais de atenção básica) e, por fim, Nutrição Clínica (com atividades de alimentação e nutrição realizada em clínicas e hospitais, instituições de longa permanência para idosos, ambulatórios, bancos de leite humano, lactários, centrais de terapia nutricional, SPAS e com atendimento domiciliar) – estas duas últimas, as favoritas de Crislaine. “Pretendo atuar na área de saúde coletiva ou nutrição clínica, pois tenho um enorme desejo de ajudar as pessoas a obter saúde e bem-estar”, diz a estudante.

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Durante uma palestra sobre alimentação saudável, em
uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em Joinville.

Segundo Crislaine, boa parte do curso é teórico e, normalmente, os alunos estudam os conteúdos para, depois, aplicarem os conhecimentos na prática. Entre as principais disciplinas do curso de Nutrição, ela destaca a Fisiopatologia e a Dietoterapia, ambas voltadas para a área de nutrição clínica. “Na primeira, estudamos a fisiopatologia das doenças, como, por exemplo, diabete, hipertensão, obesidade e câncer. Já na disciplina de Dietoterapia, aprendemos como aplicar os conhecimentos na prática, como, por exemplo, qual conduta seguir, quais alimentos permitidos e proibidos para cada doença, cálculos específicos para cada paciente, etc.”, explica Crislaine.
Estudo, dedicação e tempo são fundamentais na rotina do estudante de Nutrição. “Já deixei de viajar ou curtir o final de semana para me dedicar aos estudos, pois sempre levamos alguma tarefa para casa. O ideal não é estudar para, simplesmente, passar de ano, mas, sim, para ser um bom profissional, pois, futuramente, cuidaremos da saúde das pessoas e devemos estar preparados para desempenhar tal papel com muita responsabilidade”, diz Crislaine. Para ela, os estudantes de Nutrição devem ter alguns pré-requisitos, como: gostar de estudar; estar atento às novidades, uma vez que esta área está em constante evolução; gostar de trabalhar em equipe e respeitar as opiniões dos demais, pois isso é muito frequente no mercado de trabalho e, também, gostar de fazer contas, já que, diferente do que muitos pensam, o curso de Nutrição envolve muita matemática.
Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Crislaine abordou a relação entre a alteração do sono e a obesidade. Até o presente momento, ela também concluiu o estágio de saúde coletiva em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Joinville, e, a partir deste segundo semestre, irá realizar o estágio de nutrição clínica em um hospital, bem como o estágio de nutrição em alimentação coletiva em uma cozinha. Segundo a aluna, os estágios proporcionam desenvolvimento pessoal, conhecimentos práticos, contato com o público e outros profissionais, e são essenciais para o estudante identificar qual área deseja seguir. Além disso, ela participa constantemente de eventos voltados ao curso, já que todos os dias surgem novas dúvidas e novos estudos acerca dos alimentos.

Aos futuros estudantes de Nutrição, a veterana conta que o curso custa um pouco caro, pois envolve disciplinas práticas e estágios, e que, ao longo do mesmo, o estudante deverá investir em um jaleco, livros e muitas impressões.

“Ademais, é um curso apaixonante, que superou minhas expectativas, pois engloba diversos conhecimentos, muita prática, responsabilidade e sensibilidade”, fala Crislaine, que teve seus hábitos mudados desde que iniciou o curso. “Na faculdade, aprendi a criar gosto pelos estudos e, hoje, sou menos ansiosa, tenho mais responsabilidades, sou consciente de que tudo está intimamente ligado aos nossos hábitos alimentares e, dentro de minha casa, a alimentação mudou muito. Agora, sempre optamos por uma alimentação mais natural”, conta.
A todas as pessoas, que se interessam ou não pela área, Crislaine alerta sobre os perigos das “dietas da moda”, disponibilizadas na internet e popularizadas por artistas, blogueiras e, até mesmo, por pessoas próximas: “É preciso ter bom senso e o entendimento de que cada ser é único. Muitas vezes o tipo de alimentação que deu certo para uma pessoa pode não dar certo para outra. Devemos, sim, buscar mais qualidade de vida, mas qualquer mudança alimentar deve ser acompanhada por um bom profissional. Só assim seremos mais felizes e saudáveis”, conclui a estudante, que em 2018 se tornará, enfim, uma nutricionista.

Futuras nutricionistas

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Gabriela Souza Speck

Em Itapoá, outras meninas pretendem seguir os passos de Crislaine e fazer a faculdade de Nutrição, como Gabriela Souza Speck, de 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Nereu Ramos. “Pesquisei muito a respeito do curso e da profissão de nutricionista, e foi aí que me identifiquei, especialmente, pela área de nutrição clínica”, conta Gabriela que, além de Nutrição, também cogita cursar Odontologia.

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Wesdra Cordeiro Gonçalves.

Já Wesdra Cordeiro Gonçalves, de 17 anos, também é estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Nereu Ramos, e planeja cursar Nutrição, Biologia, Educação Física ou, então, Fotografia. “Sempre cuidei da minha saúde e alimentação, e este é um assunto que me interessa bastante. Caso eu siga pelo caminho da Nutrição, tenho a pretensão de atuar na área de nutrição esportiva”, conta Wesdra.

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Anahi Riego é formada em Educação Física e trabalha como personal trainer em academias. Para ampliar os seus serviços e aprimorar seus conhecimentos sobre a saúde, ela também deseja fazer o curso de Nutrição.

Para algumas pessoas, a Nutrição também pode servir como um curso complementar, como é o caso de Anahi Riego, de 23 anos, formada em licenciatura em Educação Física e aluna do último ano de bacharel em Educação Física. Ela, que trabalha como personal trainer, deseja cursar Nutrição para ampliar os seus serviços e aprimorar seus conhecimentos sobre a saúde.
“Nas academias onde trabalho, meus alunos costumam me pedir dicas de cardápios, dietas e alimentos saudáveis, no entanto, segundo a lei, apenas um profissional formado em Nutrição pode fazer esta avaliação e prescrição. Portanto, pretendo fazer este curso e continuar trabalhando com musculação, oferecendo, assim, um serviço mais completo”, fala a personal Anahi, que salienta que – seja por objetivos estéticos, competitivos ou para obter mais qualidade de vida – os resultados satisfatórios só aparecem quando o exercício físico for aliado a uma alimentação adequada.