Quem é?

Conheça Zeca e Zia, os irmãos gêmeos mais populares de Itapoá

Quem mora em Itapoá-SC ou até mesmo frequenta suas praias durante as férias, já deve ter cruzado com estas duas figuras marcantes pelas ruas de Itapema do Norte: eles são Zeca e Zia, uns dos primeiros irmãos gêmeos nascidos no município. Muito populares e queridos entre os itapoaenses, além da própria aparência, os irmãos têm em comum a simpatia, o amor por Itapoá e, é claro, boas histórias para contar.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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À esquerda, José Bento Alves de Souza, o Zeca ou Zequinha,
já à direta, seu irmão gêmeo Josias Bento Alves de Souza, o Zia.

Essa história começa através dos falecidos Bento Alves de Souza, que veio da Bahia, e Ambrosina da Silva, que veio do Vale de Itapocu, em Santa Catarina. Juntos, eles tiveram onze filhos – quase todos batizados com nomes bíblicos –, entre eles, estão os gêmeos José Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zeca ou Zequinha, e Josias Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zia, nascidos dentro de casa, com a ajuda de uma parteira, em Itapoá, no ano de 1966.

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Baseado nos relatos de sua mãe Ambrosina, Zeca e Zia contam que nasceram com míngua (uma doença que afeta o desenvolvimento do bebê) e que a parteira lhes segurava com uma mão, enquanto lhes dava banho com a outra mão. Para curar os filhos, seu pai Bento fez a seguinte simpatia: entrou no mar e buscou água de sete ondas de um navio para banhá-los. Quando bebês, os gêmeos foram batizados na igreja católica, mas, quando cresceram, foram batizados novamente na igreja adventista, no Rio Mendanha, em Itapoá. Criados no município litorâneo, Zequinha e Zia sempre moraram próximo à praia, no bairro Itapema do Norte e, antigamente, para se comunicarem um com o outro da Primeira à Terceira Pedra, eles criaram seu próprio assovio.
Desde seu nascimento, a ligação dos gêmeos vai muito além da aparência. Eles contam que, por diversas vezes, sentiram as dores e alegrias um do outro à distância, tiveram os mesmos pensamentos e sonhos e, até mesmo, adoeceram na mesma época. Eles também relatam que dona Ambrosina tinha o costume de vestir os gêmeos com roupas iguais: “não porque era moda, como é nos dias atuais, mas, sim, porque usávamos as roupas com o tecido que tinha”, conta Zequinha.

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Por conta da semelhança física, Zequinha e Zia já foram confundidos por amigos, professores e, inclusive, pelos próprios pais. “Quando eu aprontava e notava que meus pais estavam me procurando, para me safar, dizia a eles que eu era o Zeca e, então, era ele (o Zeca) quem acabava apanhando”, recorda Zia, que se intitula como o mais peralta dos gêmeos. Até hoje, quando é confundido com o irmão, Zia fala que não desmente no momento, e que os irmãos se divertem com a situação: “já peguei carona de Itapoá até outra cidade e, somente quando cheguei ao destino final, contei que sou, na verdade, o Zia, e não o Zeca”.
Desde os tempos da infância a maior diversão dos irmãos é a praia: “éramos uns dos primeiros a chegar à praia, pela manhã, e uns dos últimos a deixa-la, quando já era noite”. Nas areias, suas individualidades começaram a se destacar nos esportes: Zia criou gosto pelo futebol, enquanto Zequinha se apaixonou pelo vôlei. Eles contam que aprenderam a pescar com seu pai, mas que não criaram muito gosto pela atividade. Anos depois, a escolha pelas profissões e estilos de vida também diferenciou os dois irmãos.
Em Itapoá, Zia trabalhou com construção e, principalmente, como garçom dos principais restaurantes e hotéis do município. “Sempre gostei de viajar e conhecer novos lugares, o que me motivou a deixar o município para tentar a vida em Curitiba-PR e no Rio de Janeiro-RJ, por alguns anos”, conta. Ele também lembra que, ao longo de sua vida, chegou a ser internado por problemas relacionados ao alcoolismo: “mas, felizmente, encontrei fé e cura na religião umbandista”, fala Zia, que, hoje, trabalha como vendedor no tradicional Mercado do Peixe de Itapoá e é pai de um menino de nove anos de idade, também morador do município.
Já Zequinha, autor dos típicos cumprimentos “oi, querida” e “fala, garoto”, conta que morou apenas cinco meses de sua vida fora do município litorâneo, em Curitiba, mas não se adaptou ao frio da capital paranaense. Assim como seu irmão, ele também trabalhou como garçom em Itapoá, além de atuar durante anos como zelador da Escola Estadual Nereu Ramos, como professor de Educação Física em diversas escolas do município e no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar, além de ter obtido o certificado técnico e básico de massoterapia e trabalhar como massoterapeuta.
No entanto, a fama de Zequinha se deve, principalmente, por, em 1991, começar a treinar seus colegas de classe no voleibol e, mais tarde, de 2002 a 2004, criar a primeira escolinha de treinamento de voleibol na rede escolar municipal e estadual de Itapoá, além de, gentilmente, montar suas próprias redes na praia para a diversão dos turistas – o que lhe rendeu o apelido de Zequinha do Vôlei. Para ele, o esporte é sinônimo de disciplina, responsabilidade, respeito e a melhor opção para a saúde e prevenção às drogas e, por isso, merece atenção: “existem grandes talentos no município, nas mais diversas modalidades; o que falta é incentivo”, diz Zequinha, que, em 2016 chegou a se candidatar a vereador nas eleições municipais, realizou o sonho de concluir a faculdade de educação física e que, recentemente, recebeu o diploma de massoterapeuta. “Por tudo aquilo que conquistei, agradeço imensamente ao ex-prefeito Ervino Sperandio, aos professores do curso de Educação Física da Univille, e aos meus amigos Rafaela, Sérgio Cavalo, Júlio César Abreu e Manassés Nogueira”, fala Zequinha.
Recentemente, no dia 15 de junho, os gêmeos completaram 51 anos de idade, mas, até hoje, são confundidos um com o outro. Atualmente, Zequinha e Zia residem juntos, em Itapema do Norte, mas têm rotinas e horários diferentes: enquanto o primeiro tem a massagem como fonte de renda e divide o tempo livre com o voleibol, o segundo trabalha durante o dia no Mercado do Peixe e passa as horas vagas curtindo seu filho e se dedicando à religião. Mesmo trabalhando em diferentes lugares, Zequinha e Zia garantem que conhecem quase todas as pessoas por onde andam, cada qual com sua fiel companheira, a bicicleta. E, assim, os gêmeos desejam continuar escrevendo a sua história, cercado de amigos, boas lembranças e no lugar que mais amam: Itapoá.

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