Relação entre pais e filhos também tem amizade e sintonia

Você já reparou como a relação entre pais e filhos tem mudado no decorrer dos anos? Antigamente, falar sobre determinados assuntos com os pais era um tabu que nenhum filho tinha coragem de quebrar, bem diferente do que contemplamos nos dias atuais.
Conhecemos três pais, de Itapoá-SC, que curtem baladas com os filhos, confidenciam segredos, praticam esportes, trocam experiências e, obviamente, tornam-se o melhor amigo um do outro. As histórias foram contadas pelos próprios filhos e provam que os pais podem ser bem mais que pais, mas, também, amigos e parceiros para todas as horas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Dividindo o amor e as ondas

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O surfe é uma das paixões do pai Leonardo Lawson e sua filha Lisia Lawson.

A primeira história a ser contada é de Lisia Lawson, de 18 anos, e seu pai Leonardo Lawson, de 39 anos. Ela conta que aprendeu a surfar com seu pai, quando tinha apenas quatro anos.
“Nós costumávamos pegar ondas com a mesma prancha e, inclusive, ele comprou uma longboard (também conhecida como ‘pranchão’) só para podermos surfar juntos. Sem dúvidas, meu pai me apresentou o mar e fez com que essa paixão crescesse dentro de mim”, fala Lisia sobre Leonardo, que também é pai de Yasmim Lawson, de 11 anos.
Entre todas as ondas compartilhadas entre pai e filha, Lisia recorda uma história que lhe marcou:
“Todos os momentos que vivi no mar com meu pai foram marcantes, mas, uma vez, em uma praia do Uruguai, o mar estava grande e foi muito difícil varar a arrebentação. Vendo que eu tinha dificuldade, ele me acompanhou o tempo todo e fez com que eu superasse meus medos – lição que levo para a vida toda”.
Como Leonardo trabalha no Porto Itapoá, na escala de 4×4, o surfe em família costuma acontecer durante quatro dias sim, quatro dias não. Além das ondas, Lisia conta que tem o hábito de caminhar na praia com seu pai, sua mãe Miriam Ramos, sua irmã Yasmim e seus dois cachorros Love e Rex. “Sempre que possível, estamos na praia”, diz. Sobre a relação com seu pai, ela fala que é de muita parceria e confiança: “Poder surfar com meu pai é incrível, arrisco a dizer que o surfe sem ele não é o mesmo. Meu pai é, com certeza, meu melhor amigo, e acredito que a nossa convivência em todas as horas, inclusive no lazer, é o que nos torna tão amigos”.

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Da esquerda para a direita: Lisia, a irmã Yasmim e o pai Leonardo, segurando o Rex, cachorro da família

Seguindo seus passos

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O filho Mateus Alves da Silva Gomes e o pai Givanildo do Rosário Gomes (Giva) trabalham juntos, como guarda-vidas,  há quatro temporadas.

Givanildo do Rosário Gomes, mais conhecido como Giva, de 41 anos, é pai de Mateus Alves da Silva Gomes, de 22 anos, e de Matias Alves do Rosário, de 17 anos. Desde sempre, o futebol e a pesca são presentes nesta família, uma vez que Giva é pescador e dono de embarcação. No inverno, pai e filhos costumam pescar juntos, especialmente na safra da tainha.
Durante os verões itapoaenses, Mateus e Giva trabalham juntos como guarda-vidas.
“Trabalho com ele há quatro temporadas. É um grande orgulho cumprir essa nobre missão ao lado do meu ‘velho’ e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade em dobro, pois busco ser tão profissional quanto ele e fazemos muitos resgastes juntos.
Mas, o nosso verdadeiro lazer é o futebol”, diz Mateus, que joga o campeonato municipal de futebol em Itapoá desde os 14 anos, idade que, coincidentemente, seu pai Giva também iniciou no esporte.

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Giva é pescador e dono de embarcação. No inverno, pai e filhos costumam pescar juntos, especialmente na safra da tainha.

Desde então, Mateus procura sempre jogar pelo mesmo time que seu pai. Juntos, eles já defenderam o time do Marumbi, Acoin, Barra e Figueira. Foi, inclusive, em um jogo por este último time, que Mateus relembra um episódio marcante: “neste jogo, tive a honra de jogar ao lado do meu pai e do meu irmão e, como se não bastasse, meu avô foi o técnico”. Jogar ao lado do pai é, para Mateus, um grande privilégio e realização. “Atualmente, formamos a dupla de zaga do time da Barra do Saí. Ao mesmo tempo, que fico feliz por ter meu próprio pai como dupla, tenho receio de fazer alguma jogada errada e decepcioná-lo. Por isso, estou sempre muito focado e me dedicando ao máximo para fazer grandes jogos ao seu lado”, diz Mateus, que deseja transmitir todos os conhecimentos aprendidos com o pai acerca do futebol para Marianna Alves Kerscher, sua filha, de apenas um ano e oito meses.
Mateus também conta que, antes, ele e seu pai não tinham uma relação muito próxima, porém, sempre teve muita admiração e respeito pelo pai, que, segundo ele, é guerreiro, batalhador e profissional em tudo o que faz. “De uns tempos para cá, depois que ele e minha mãe se separaram, nossa amizade cresceu muito. Hoje, ele é mais que meu pai, mas também meu melhor amigo e grande ídolo. Ter a figura dele dentro e fora de campo é excepcional, pois corro com ele e por ele”, diz Mateus. Neste ano, Matias também pretende se formar como guarda-vidas e, no ano que vem, acompanhará o pai e o irmão nos salvamentos mar adentro. Cada dia mais próximos de Giva, Mateus e Matias sentem muito orgulho do pai que têm e buscam, sempre, seguir os seus passos.

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Na foto, os apaixonados por futebol Matias Alves do Rosário (à esquerda), o pai Giva (ao meio) e Mateus (à direita).

Ser presente é o maior presente

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Nei Eli Filla é pai, amigo e parceiro de Vitória  Marchetti Filla.
Eles compartilham diversos momentos e, inclusive, festam juntos.

 

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Diversão em família: Nei com os filhos Vitória e Lucas.

Outro “paizão” desta edição é Nei Eli Filla, de 49 anos, pai de Lucas Marchetti Filla, de 21 anos, e de Vitória Marchetti Filla, de 19 anos. Os filhos contam que têm uma relação muito boa com o pai, repleta de confiança, parceria e risadas, e que, juntos, costumam fazer inúmeras atividades, inclusive, ir a festas e shows. Com o filho, Nei costuma jogar bola toda semana, enquanto com a filha, joga diversos jogos de cartas, como, por exemplo, truco – onde formam uma bela dupla.
De acordo com Lucas e Vitória, sempre que pensam em fazer algo na companhia do pai é uma diversão.
“Quando eu era menor de idade e queria ir a festas e shows, ele sempre me acompanhava. De alguns shows ele não gostou, pois não gosta muito de sertanejo, mas, em outros, me agradeceu muito pela experiência. Desde então, sempre que pinta um show bacana, uma ‘aventura’ ou, ainda, algum esporte, ele topa em nos acompanhar, o que deixa tudo ainda melhor, pois ele nos acompanha para curtir conosco, e não para nos fiscalizar. A companhia dele nos deixa super à vontade e nos diverte muito”, conta Vitória.
Para ela, dividir os momentos de lazer, atividades e assuntos com o pai é saber que nunca faltará uma companhia para qualquer coisa que queira fazer.
Entre tantas histórias marcantes vividas com Nei, Vitória relembra uma delas: “Lembro que, quando eu tinha cerca de cinco anos, vivíamos uma época difícil, financeiramente falando. Havia chovido muito e a rua estava alagada e, naquela época, eu tinha medo disso, mas, nesse dia, meu pai fez barquinhos de papel comigo e com o meu irmão, para nos divertirmos na água. Pode parecer bobagem, mas, desde então, perdi o medo dos dias de chuva forte. Hoje, ao me lembrar disso, entendo que não preciso de muito para ser feliz e que, naquele dia, com apenas um pouco de água, algumas folhas de papel sulfite e minha família, eu me sentia completa. Isso não significa que não aprendemos a lutar pelos nossos sonhos, mas que nos foi ensinado que, no fim das contas, as melhores partes da vida são sempre as mais simples”. Este episódio vivido por Vitória e sua família também comprova que muito mais importante que dar um presente é estar presente.
Assim como Vitória, Lucas também diz receber de Nei bons conselhos, ensinamentos e apoio em todas as decisões tomadas ao longo da vida, e que ter um pai tão presente e amigo fortalece a relação. Por fim, Vitória conclui: “Sou muito grata por tudo o que ele fez e ainda faz por nós, buscando sempre o melhor para todos. Nós o amamos muito”.

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