Estilo de Vida

Famílias de veranistas realizam juntos o sonho da casa na praia

Para alguns, comprar um terreno em sociedade com os amigos pode parecer loucura, já para outros, um sonho ou, até mesmo, “coisa de filme” – mas foi o que fizeram Lucilei Veronez de Souza e Luciano Santos de Souza, de Curitiba-PR.
Turistas de Itapoá de longa data, eles e outros casais de familiares e amigos compartilhavam do mesmo sonho: ter uma casa de veraneio na praia. Assim sendo, se uniram para comprar um terreno em sociedade e, cada um deles, ter o seu próprio canto.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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A família da Regina, do Marcelo, da Andressa e do Diogo. Ao lado, a família da Luana , da Lucilei, da Lucilei e do Luciano. Em seguida, a família de Thais, Dulcinéia, Jandir e Allan. E, mais à direita, a família de Matheus, Laura, Enzo, Silvane e Aneri.

 Há cerca de quinze anos, Lucilei, professora e proprietária de uma escola particular, e Luciano, que trabalha como representante de vendas, passam suas férias de final de ano em Itapoá, mais precisamente na região do Pontal. “Meu primo é policial militar do Paraná e, quando vínhamos para Itapoá, costumávamos passar o dia na Associação de Subtenentes e Sargentos da PMPR, com ele, sua esposa e outros casais”, recorda Lucilei. Durante os verões no município, eles aproveitavam o tempo para desfrutar da praia e pescar. “Sempre cogitamos comprar um terreno juntos, onde cada um pudesse construir a sua casa de veraneio, mas não passava de uma brincadeira entre os casais”, falam.

Certo dia, o primo, em questão, encontrou um terreno de esquina próximo à praia, na região do Pontal, e mostrou para Lucilei e Luciano. No dia seguinte, os dois casais foram a Itapoá para conhecer o terreno de perto e, no mesmo dia, fecharam negócio com o proprietário. A sugestão, de comprar um terreno em sociedade para construir suas casas de veraneio, foi passada a outros dois casais: dois amigos de longa data, e a irmã de Lucilei e seu esposo. O primeiro desenho da planta das casas foi feito por Lucilei no chão de uma rua, e todos abraçaram a ideia. Assim, iniciaram-se os trâmites para organizar como seria dividido o terreno e a construção das casas.

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De Curitiba, Lucilei Veronez de Souza e Luciano Santos de Souza são um dos casais que investiram em um terreno em Itapoá para construir suas casas de veraneio.

Por indicação, Lucilei e Luciano souberam do trabalho do engenheiro Marcelo Renisz dos Santos, da MR Santos Engenharia e Construção, em Itapoá. “Tínhamos o pensamento de que contratar um engenheiro era algo muito inacessível e fora do nosso orçamento, mas decidimos conhecer o profissional e seu trabalho”, contam. Na primeira conversa, o engenheiro pôde unir seus conhecimentos técnicos às ideias e necessidades do casal. “Nossa maior preocupação era o valor que seria gasto com um engenheiro, mas, ao colocarmos na ponta do lápis, percebemos que contratar um pedreiro e toda a equipe, comprar materiais, investir nos acabamentos, além de ter que vir a Itapoá com frequência para fiscalizar a obra, resultaria em um valor próximo ao orçamento do engenheiro e o cansaço seria muito maior”, diz o casal que, em agosto de 2016, fechou negócio com Marcelo.

Especificações do projeto

 O terreno em sociedade foi dividido em quatro partes igualitárias, ficando cada casal com sua fração individual do terreno, e construíram cada um a seu modo. Primeiramente, a irmã de Lucilei e seu esposo construíram uma casa de madeira temporária, para que pudessem utilizar no final de ano. Em seguida, Lucilei e Luciano iniciaram o projeto de sua casa, sob o comando do engenheiro Marcelo. No projeto, o casal priorizou espaço.

“Não tínhamos orçamento suficiente para construir um sobrado, mas precisávamos de espaço, pois temos três filhas e uma neta, que também vêm à praia. Na época, o casal de amigos que ficou com o terreno ao lado estava sem dinheiro para construir, então, decidimos construir a nossa casa e a metade da casa dele, onde a cozinha e a sala de jantar pudessem ser comunitárias, ou seja, pertencer às duas casas. Desse modo, eles puderam economizar dinheiro e nós ganhamos espaço”, explica Luciano. Além da cozinha e da sala em conjunto, cada uma das duas casas foi projetada com dois quartos, um banheiro, uma lavanderia e uma escada que sobe para o terraço – com a intenção de, futuramente, construir o segundo andar.

Da obra à primeira temporada

Em setembro de 2016, iniciou-se a obra da casa de Lucilei e Luciano, sob comando do engenheiro Marcelo. “Ele nos deu prazo, todas as especificações detalhadas e cuidou de tudo, sem que nos preocupássemos. Desde o início da construção até a entrega da obra, viemos para Itapoá apenas três vezes. O restante do contato foi feito através de telefonemas e mensagem”, contam.

Em dezembro, quando a obra foi entregue, o casal recebeu mais de vinte pessoas em sua primeira temporada na casa de veraneio, que dormiram pela casa e, até mesmo, de barracas no quintal e terraço. “Gostamos muito de estar na companhia de nossos amigos e familiares e, durante as férias, a alegria é ainda maior, pois fazemos nossas refeições, as crianças brincam e os homens pescam, todos juntos”, dizem Lucilei e Luciano, que são pais de Lucieny (22 anos), Luana (9 anos) e Luiza (4 anos), e avós de Ana Clara (2 anos).

Pensando no futuro

 Vale frisar que todo o projeto foi pensado no futuro, ou seja, nos filhos e netos dos casais. Para evitar transtornos que possam vir a existir, eles realizaram um contrato de gaveta, firmando que, se algum deles desejar vender sua casa ou parte do terreno, terá de vender para algum dos outros três, para que haja sempre harmonia e segurança entre as famílias. Até mesmo o projeto de Lucilei e Luciano, com cozinha e sala compartilhada com o casal de amigos, foi elaborado de modo que, um dia, possa ser construída uma parede dividindo as duas casas.

No entanto, o casal acredita que nada disso será necessário: “todos nós crescemos juntos, temos gostos parecidos, confiamos uns nos outros e cultivamos uma boa amizade”. Além disso, eles falam que o fato de cada um ter a sua própria casa, com independência e privacidade, deixa tudo ainda melhor: “comprar um terreno em sociedade é um investimento sério, é uma coisa que deve ser feita ‘em conjunto, porém separado’”.

A importância de um bom profissional

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Marcelo Santos e Michel Lima, profissionais da MR Santos Engenharia e Construção.

Mais que tranquilidade quanto ao gerenciamento da obra, a contratação de um profissional da região, conhecedor de suas características, também oferece segurança, garantia e qualidade, pontos que devem ser priorizados em um investimento deste porte.

Segundo o engenheiro Marcelo, da MR Santos Engenharia e Construção, toda construção realizada em Itapoá deve obedecer ao Código de Obras do município. Em seus projetos, ele tem como principais características a iluminação natural e o conforto ambiental. “O caso de Lucilei e Luciano e dos demais casais foi uma novidade para mim, mas, funciona como qualquer outra construção, basta enquadrarmos a obra às leis vigentes, respeitar o código de obras do município e fundamentalmente deixar tudo bem claro aos proprietários antes da construção. Construções dessa natureza implicam em mais burocracias e os proprietários devem ficar sabendo, de antemão, como é a questão da instituição de condomínio, que neste caso é aplicável, uma vez que se constituem vários donos de toda a área comum do terreno, porém cada qual é dono de sua fração dentro do terreno”, explica Marcelo.

A experiência tida pelo casal, de construir à distância com o engenheiro, deu tão certo que o primo de Lucilei e sua esposa também contrataram Marcelo para administrar a sua obra, localizada na esquina do terreno.

Hoje, os quatro casais comprovam que é possível, sim, manter os laços afetivos entre familiares e amigos depois da vida adulta, passando os finais de semana e as férias mais próximos uns dos outros no município litorâneo que adoram. Sempre juntos, mas em casas separadas.

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