Estilo de Vida

À beira-mar, casa reúne cultura, decoração e amor

A casa da Grazzi (Grazziella Debbané) e do Álvaro (José Álvaro de Aguiar), na Figueira do Pontal, é o sonho de qualquer um apaixonado por mar. Nela, o quintal é a praia.Transformando um sobrado simples em um recanto adorável, cercado de amor e objetos trazidos de suas viagens, a casa ajardinada marrom, debruçada na praia, mistura com graça sotaques de muitos lugares.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Ainda morava em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quando conheceu Álvaro, no iate clube de Vitória-ES, há 16 anos. “Foi amor à primeira vista e, desde então, nunca mais nos separamos”. O ano era 2001 e, por conta do trabalho de Álvaro, o casal veio residir no sul do Brasil. “Chegamos a pensar em morar em Curitiba, onde o pai de Álvaro (hoje, falecido) tinha uma grande casa”. Mas, após conhecer essa pequena casinha plantada na areia da praia, na frente de uma enorme figueira (que deu nome ao bairro) centenária, também da família, Grazzi não pensou duas vezes: “A localização é fantástica, cheia de verde, barcos, pescadores e pássaros. Com um pouco de trabalho e carinho, posso transformar esse lugar num palácio!”, lembra.

Em cada canto, há uma composição que surpreende e objetos trazidos de diferentes lugares do mundo, como Indonésia, África China e Egito. Tapeçaria, velas, telas e almofadas são algumas das paixões de Grazzi.

Construída há quarenta anos para ser alugada durante as temporadas, a pequena casa, aos poucos, foi ganhando vida nova, com varandas envidraçadas generosas abertas para decks de madeira espalhados, simpáticas cerquinhas de eucalipto autoclavado e jardins que misturam bromélias, pitas, orquídeas a aroeiras, abacateiros, limoeiros, pitangueiras e bananeiras.

Desbravadores natos, Álvaro e Grazziella são viciados em viagem e não se cansam de descobrir encantos espalhados mundo afora. Arquitetura, culinária, artesanato: tudo é motivo para novos roteiros, o que acabou virando trabalho, já que Grazzi se especializou em trazer objetos de decoração expostos e vendidos em bazares anuais em diversas cidades. “Guardei para mim um pouquinho de cada lugar e simplesmente uso tudo sem medo, tecidos da Indonésia, máscaras e cestas da África, tapetes do Oriente Médio, laca da China, toalhas do Egito (…) tudo junto e misturado na hora de enfeitar a casa!”, confessa.

         O sobrado, que possui 70 m² de área, é bastante compacto e o andar de cima, onde ficam a suíte e o quarto do casal, possui uma vista incrível para o mar. Porém, o canto favorito do casal é a cozinha, americana, aberta para a pequena sala e varanda, onde testam receitas trazidas do mundo todo. Além das viagens e receitas culinárias, também adoram receber os amigos em casa. “Em poucos minutos, acendo velas, espalho almofadas e tapetes pelo deck, e o lugar se transforma, vira palco, festa”, conta ela.

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O cantinho preferido de Grazzi e Álvaro é a cozinha, onde testam receitas culinárias do mundo todo e preparam almoços e jantares para os amigos.

Na área externa, Grazzi também tem uma horta. Devido às ressacas, seu jardim pede manutenção constante, pois, volta e meia, o mar sobe e destrói tudo: “vou lá e refaço de novo e de novo, com amor e prazer”. Na parte de trás, onde fica um quintal enorme, cheio de fruteiras, a grande figueira, e até um galinheiro, está a casinha também marrom de hóspedes que, apesar de estar separada da casa da frente por uma rua, mantém o mesmo clima e é devorada com os mesmos objetos trazidos de viagens.

         Para Álvaro, a esposa tem o dom de transformar os espaços. “Nossa casa é um lugar incrível, de onde observamos o nascer e o pôr do sol, o reflexo da lua no mar, as garças e o ‘entra e sai’ dos barcos. Mas ela consegue deixar tudo melhor, com sua sensibilidade e talento”, fala. Gastando quase nada, a simples “casa à beira-mar” se tornou uma “casa à beira-mar, com plantas, cores, animais, cômodos práticos e compactos, e decoração calcada em cultura”.

         Hoje, quando está em terra firme, o casal vive na companhia dos seus cães Pretinho Aguiar e Meg Ryan Debbané, suas dez galinhas e afirma: “mesmo sendo uma casa relativamente pequena, não a trocamos por nenhuma outra no mundo”. De acordo com eles, o único lugar que se compara e divide seus corações é o seu “Caracol”, onde costumam passar meses e meses velejando. Mas, obviamente, sendo seu, reflete também sua paixão por decoração: compram objetos em todos os cantos por onde passam. “Nosso barco não é um barco comum e é decorado exatamente como nossa casa”, terminam.

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