Esporte

Iniciativa voluntária oportuniza a prática do surfe para crianças do município

Mesmo com a extinção do projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE), o professor David Lass, ao lado de Washington Oliveira Santos e Rodrigo Fernandes, desejou fazer mais pelo esporte em Itapoá. Hoje, voluntariamente, o trio ministra aulas de surfe e, superando inúmeros obstáculos, dá continuidade e incentivo ao sonho de crianças e adolescentes do município.

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Professores, alunos e pais do projeto de surfe “Primeiras Ondas”,
uma iniciativa de David Lass, Washington Oliveira e Rodrigo Fernandes.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O ano era 2010 quando David iniciou a faculdade de Educação Física e começou a trabalhar na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para todas as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá, onde, durante cinco anos, ministrou aulas de surfe – esporte que domina desde os 13 anos de idade, por influência do irmão mais velho. Contudo, o mesmo foi encerrado ao final de 2015, para corte de gastos, fato que o levou à depressão.
Ele recorda: “Mais que um emprego, o projeto era a minha alegria. Através dele, muitos alunos descobriram o mar, superaram traumas, evoluíram suas técnicas e manobras e, até mesmo, se revelaram grandes talentos do surfe itapoaense, como aconteceu com os atletas Ryan Cordeiro, Hedieferson Junior e Julie Arissa. Quando isso acabou, fiquei profundamente triste, não somente por mim, mas pelos outros professores, que também amavam o que faziam, e pelas crianças e jovens, que estavam descobrindo outros caminhos dentro do esporte e tiveram seus sonhos interrompidos”.

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 Através deste esporte, muitas crianças de Itapoá se desenvolvem,
se superam e até mesmo se revelam grandes talentos.

Primeiras ondas
Após um longo período em depressão, David diz ter fortalecido sua fé e recebido apoio de sua família, que o inspirou a criar um projeto social para dar continuidade às aulas de surfe. Para isso, ele contou com as Secretarias de Esporte e Educação do município, que disponibilizaram o empréstimo de pranchas de surfe e lycras (camisetas utilizadas para o surfe) que eram usadas na AJE. Nesta iniciativa, o professor de Educação Física também firmou parceria com os amigos Rodrigo Fernandes e com Washington Oliveira, um de seus ex-alunos da Ampliação de Jornada Escolar que, hoje, participa de competições de bodyboard. “É uma honra ter sido aluno do David e, anos depois, trabalhar com ele neste projeto, contribuindo com minha experiência no surfe e noções de salvamento e segurança, que pude adquirir através do curso de guarda-vidas”, diz Washington.
Desde o mês de junho, eles iniciaram, voluntariamente, o projeto “Primeiras Ondas”, cujo objetivo é oportunizar a prática do surfe e promover um momento de lazer diferenciado aos praticantes desta modalidade. Assim sendo, foram disponibilizadas e preenchidas vinte vagas gratuitas para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade.
Mesmo sendo um trabalho voluntário, os professores se preocuparam em fazê-lo com muita seriedade, organização e responsabilidade, uma vez que, ao contrário do que acontecia no antigo projeto AJE, o projeto “Primeiras Ondas” conta com apenas três professores, acontece aos finais de semana, não possui sede própria para depósito dos materiais nem transporte público para deslocamento dos alunos. Por isso, David redigiu um projeto contendo objetivos, regras e requisitos, sendo um deles a obrigatoriedade da presença de um adulto responsável pelo aluno durante as aulas, para contribuir com sua segurança.

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Os pequenos surfistas
Dentre as vinte crianças, algumas estão começando no esporte graças à iniciativa de David, Washington e Rodrigo, enquanto outras já participavam das aulas de surfe na AJE, como é o caso da aluna Maria Julia Teixeira Vicentin, de 10 anos, que frequentava o extinto projeto e está bastante animada com a oportunidade de voltar às ondas. “Estou achando as aulas muito legais, porque brinco na água, adoro os professores e porque o surfe traz diversão para todo mundo”, conta Maria Julia.
Já o aluno Rafael Pedrozo Paz, de 11 anos, está tendo, agora, seu primeiro contato com o surfe. “Para mim, ele (o surfe) representa um sonho que estou realizando, pois, sem o projeto, não sei se conseguiria surfar”, comenta Rafael, que se diz mais disposto, feliz e confiante desde as primeiras ondas.
As irmãs Laura Francini Baldo Lopes, de 11 anos, e Paula Baldo Lopes, de 9 anos, também já faziam aulas de surfe na AJE e comentam como está sendo a experiência no projeto “Primeiras Ondas”: “Os professores são legais e nós gostamos muito das aulas. O surfe é uma atividade física que também serve de diversão e é muito legal porque passamos uma manhã diferente e estamos no mar, lugar que amamos”.
Além da alegria e entusiasmo das crianças, seus pais também reconhecem a importância da iniciativa, como Irene Pedrozo Paz, mãe de Rafael, que afirma que “os professores são muito profissionais, cuidadosos e compromissados com o trabalho”, e Claudia Solange Teixeira Vicentin, mãe de Maria Julia, que ressalta: “todas as crianças adoram as aulas e os professores do projeto, é uma pena que este tenha que ser voluntário”.
Carla Francini Baldo, mãe de Laura e Paula, acredita que as aulas de surfe permitam que as crianças saiam da zona de conforto e estejam preparadas para lidar com situações adversas. Ela também agradece aos professores e comenta: “Em um país onde quase nada se faz sem retorno financeiro, esta iniciativa é admirável e merece todo o respeito”.

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Na Terceira Pedra, as aulas são a alegria de muitas crianças nas manhãs de domingo.

Saiba como ajudar
Àqueles que desejam colaborar com o trabalho voluntário, são muitas as dificuldades: “Nosso apoio vem das Secretarias de Esporte e Educação que, vale frisar, colaboram apenas com o empréstimo de materiais. Como somos inteiramente responsáveis por eles (os materiais) e não temos onde guarda-los nem como transportá-los a pé até a praia, emprestamos apenas duas pranchas e poucas lycras e, por isso, algumas crianças ficaram isentas”. Desse modo, a ajuda pode ser feita através de caronas para o transporte do material ou das crianças, do apadrinhamento de um aluno que não tenha condições financeiras de adquirir uma lycra, de doação de frutas e alimentos para o momento de recreação ou, ainda, de prestígio e apoio à iniciativa.
Oportunizando a prática do surfe às crianças e adolescentes do município, evitando o sedentarismo e o contato com as drogas, e promovendo o trabalho em grupo, o projeto “Primeiras Ondas” vem sendo um sucesso e ressalta a importância de políticas públicas comprometidas com o esporte. Apesar dos obstáculos, David, Rodrigo e Washington afirmam que vale a pena abdicar o tempo livre para se dedicar ao ensinamento do esporte pelo qual se dizem apaixonados: “os abraços e sorrisos das crianças, depois de superarem o medo da água, ficarem em pé na prancha ou arriscarem uma manobra, é o que faz toda a diferença”.

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“Primeiras Ondas” As aulas acontecem aos domingos, das 8h30 às 10h (primeira turma) e das 10h às 11h30 (segunda turma), na região da Terceira Pedra, em Itapema do Norte.
Para inscrever seu filho na lista de espera basta comparecer à sede da Secretaria de Esportes ou, então, contribuir com o projeto, entre em contato com o professor David através do número (47) 9 9634-8533.

 

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