Quem é?

Mestre Piazetta: entre caixas, pratos, surdos e bumbos

Se os instrumentos do título acima recebessem um nome, este seria Luiz Antonio Piazzetta ou, simplesmente, Piazzetta.
Conhecido no município de Itapoá (SC) por fundar e reger a Fanfarra Municipal, o Mestre detém um currículo extenso, que passa por escolas de samba, bandas, orquestra, artistas renomados, entre outros projetos, que fazem dele um verdadeiro amante da música.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Luiz Antonio Piazetta com sua esposa Mirlete Muller Piazzetta.

Nascido em 14 de novembro de 1938, na cidade de Curitiba (PR), Piazzetta não conheceu o avô, pianista, mas acredita que herdou dele o gosto por música. Sua carreira musical iniciou aos 9 anos, tocando caixa em escolas de samba de Curitiba. Ele recorda um episódio que marcou sua infância: “Meu tio, José Santiago de Oliveira, era diretor da Caprichosos de Pilares, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, fui ao Rio com meus pais e tive o prazer de tocar repinique no ensaio da escola de samba. Meu tio desejou que eu morasse por lá, para estudar música, mas eu era filho único, muito apegado à mãe, e não quis”. Com 14 anos de idade, o jovem Luiz Antonio começou a tocar bateria e, até mesmo, tocou em boates, acompanhando o cantor Miltinho, autor do sucesso “Palhaçada”, de 1961.
Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército. Em seguida, se casou com Mirlete Muller Piazzetta: “com uma mulher bonita como aquela, foi impossível não me apaixonar”. Logo, aos 21 anos de idade, entrou para a Polícia Militar do Paraná (PMPR) e, inevitavelmente, para a Banda de Música da PMPR, onde tocou tímpano, caixa clara e prato bongo, e dedicou boa parte de sua trajetória. Nesse período, estudou música na Academia de Belas Artes, para se formar como Cabo Músico.

O apaixonado por música destaca suas principais contribuições durante os 30 anos à frente da Banda de Música da PMPR: “participei da gravação de oito discos; vencemos o concurso nacional de bandas, em 1964; tocamos ao lado do rei Roberto Carlos, na época da Jovem Guarda e, por fim, atuei como Sargenteante da banda”. Concluindo uma trajetória de muitas histórias e melodias, aos 50 anos de idade, Piazzetta se aposentou como Sargento da Polícia Militar do Paraná. Segundo Mirtes: “ele (Piazzetta) sempre foi muito trabalhador e, mesmo depois de aposentado, continuou se envolvendo com projetos musicais”.

Ainda em Curitiba, iniciou mais de 50 fanfarras escolares e atuou como professor de percussão musical na Escolinha de Arte do Colégio Estadual do Paraná. Posteriormente, trabalhou como empresário musical nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, gerenciando o início da carreira de grandes nomes do cenário musical, como a dupla Gyan & Giovani, Martinho da Vila, Gretchen e o falecido Cauby Peixoto.
Contudo, acredita que seu maior legado à capital paranaense foi enquanto maestro e fundador de uma orquestra, a Status Band Musical Show: “Nós tocávamos em bailes, boates, eventos militares, festas particulares e nos clubes mais renomados do país. Para dimensionar a qualidade de meus músicos, gosto de citar Dironil (hoje, já falecido) que, mais tarde, se tornou saxofonista do rei Roberto. Infelizmente, os melhores integrantes vieram a falecer o projeto foi interrompido. Mas a orquestra sempre foi e sempre será, para mim, sinônimo de muito orgulho”.

Trajetória em Itapoá

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Centenas de alunos da rede municipal fizeram parte da história da
Fanfarra Municipal de Itapoá, sob regência do Mestre Piazzetta.

Por conta da Associação de Subtenentes e Sargentos da PMPR, localizada na região do Pontal, Piazzetta já frequentava as praias itapoaenses desde 1959. Mas foi em meados dos anos 2000 que encontrou a oportunidade ideal para residir no município litorâneo junto à família.
Em um primeiro momento, ministrou aulas de dança na Associação dos Idosos Maria Izabel. Já em 2001, foi convidado para criar a famosa Fanfarra Municipal de Itapoá. “Naquele tempo, Ervino Sperandio e Márcia Regina Eggert Soares (prefeito e secretária de educação da época), a quem agradeço até hoje, souberam que eu tocava em uma igreja e desejaram conhecer minha trajetória musical. No início da fanfarra, foram comprados alguns instrumentos musicais, outros foram doados de Curitiba”, recorda o Mestre.

 

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Alunos das Escolas João Monteiro Cabral e Alberto Speck juntamente com um grupo de alunos
participantes da Fanfara, prestaram homenagem em 2016 ao mestre, em sua residência.

Sob sua regência, a fanfarra fez a alegria de centenas de alunos da rede municipal, ensinando cerca de 40 instrumentos e trabalhando ritmos, como samba, olodum, timbalada e anos 60. Saudoso, lembra: “A Fanfarra Municipal de Itapoá foi muito aplaudida na cidade de Itapema (SC) e ficou entre as 33 melhores no V Festival Nacional de Verão de Bandas e Fanfarras”. Anos mais tarde, a banda passou a integrar uma das disciplinas do extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE). Ao todo, foram 15 anos de grandes feitos pela Fanfarra Municipal de Itapoá.
Também no município, Piazzetta organizou Carnavais de Rua, fundou o Bloco das Baianas (do Clube Céu Azul da Terceira Idade, do Pontal) e foi campeão como Mestre do Bloco do Brasão por dois anos consecutivos.

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Um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova
versão do Hino de Itapoá, com banda e coral.

Mas um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova versão do Hino de Itapoá, com banda e coral: “Foi um projeto trabalhoso, mas o resultado me rendeu muitas alegrias. Quando assisti à apresentação do hino, com a banda do 62º Batalhão de Infantaria do Exército, em Joinville (SC), não contive a emoção”. Segundo o Mestre, esse é um legado que pretende deixar para todos os seus familiares e munícipes. Porém, Piazzetta lamenta: “muitos lugares ainda não se atualizaram e apresentam a antiga versão do Hino de Itapoá como oficial”.

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Piazetta recebeu medalha de honra ao mérito pelos serviços prestados à comunidade no ano de 2015. (Foto arquivo)

O sonho continua
Há 61 anos casado com Mirlete, é pai de quatro filhos: Ogimar Natal Piazzetta, Margareth de Fátima Piazzetta Antunes, Sirlete do Rocio Piazzetta e Paulo Roberto Piazzetta – este último, segue seus passos, está estudando para cursar Música e se tornar Mestre. De geração em geração, os netos e bisnetos também têm afinidade com os ritmos e as notas musicais.
Recentemente, nas festividades de Natal de 2017, Piazzetta e o filho Paulo reviveram a Fanfarra Municipal de Itapoá por alguns meses, o que rendeu, inclusive, uma homenagem da banda do 62º Batalhão de Infantaria. “Foi uma alegria viver isso novamente. Desde que a fanfarra acabou, tive depressão e adoeci. Se Deus quiser, esse projeto voltará à ativa e terei a honra de retomá-lo, dessa vez, na companhia de meu filho Paulo”, fala. Além da fanfarra, Piazzetta também sonha em fundar uma Banda Marcial de Itapoá, apenas com metais.
Aos 79 anos de idade e dono de um extenso currículo no meio musical, depois de algum tempo de conversa, tentamos questionar Piazzetta sobre sua vida pessoal, algo que não fosse relacionado à música, mas não teve jeito. Como ele mesmo diz: “A música é minha verdadeira paixão. Eu vivo a percussão musical”.

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