Atitudes e Doação

Voluntárias doam corações e ajudam mulheres com câncer de mama

Lidar com a perda do seio para o câncer de mama é algo extremamente difícil para muitas mulheres que, após a mastectomia, sentem dor física e psicológica. Mas, simples almofadas em formato de coração foram desenvolvidas exclusivamente para ajudá-las a ter mais conforto e a se sentirem mais acolhidas nessa fase delicada.
Pensando nelas, um grupo de voluntárias do município de Itapoá (SC), se uniu para doar amor e lindos corações de tecido às mulheres que lutam contra o câncer de mama. Alvina Vieira, Marli Colin, Sueli Carijo, Suely Magalhães e Maria Batista, mais conhecida como Ica, são parte do grupo “As Amorosas de Itapoá”.

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Da esquerda para a direita, Marli Colin, Sueli Carvalho,
Maria Batista Dias (a Ica), Alvina Vieira e Suely Magalhãs –
parte do grupo As Amorosas de Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

No ano de 2009, dona Alvina foi diagnosticada com câncer de mama. Após a mastectomia (cirurgia de retirada da mama), um detalhe, em especial, chamou-lhe a atenção: “Na cidade de Joinville (SC), onde realizei o tratamento, ganhei uma almofada em formato de coração, que me ajudou a apoiar o braço, aliviar as dores e a dormência do pós-cirúrgico, reduzir o inchaço linfático provocado pela cirurgia, diminuir a tensão nos ombros e, quando usada debaixo do cinto de segurança do carro, proteger de eventuais golpes”. Os anos passaram-se, dona Alvina foi curada e pôde devolver sua almofada para que outras pacientes fizessem uso da mesma, mas aquele simples gesto a marcou para sempre.
Já participando das aulas de yoga do programa SCFC (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo), ofertado pelo CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) de Itapoá, dona Alvina fez amizade com Marli, Suely, Ica, Sueli e outras tantas. “Ela contou-nos sua luta contra o câncer de mama e sugeriu que nós participássemos desse projeto, que acontece em todo o Brasil, e ajudássemos mulheres diagnosticadas com câncer de mama em nosso município. Imediatamente, abraçamos a ideia e passamos a estudar sobre o tema”, recorda Ica.

Dona Alvina, que já venceu a batalha contra o câncer de mama,
posa com a Almofada do Coração.

Folheto explicativo sobre o uso da almofada.

Almofada de amor
Em contato com voluntários de Joinville, Alvina teve acesso ao projeto das almofadas, que são confeccionadas com cuidado. “Para ser ergonômica, a almofada tem medidas certas e a quantidade de enchimento certo – por isso, é pesada em uma balança de precisão. A costura deve ser específica porque senão fica desconfortável”, explica. O tecido também deve ser 100% algodão e o enchimento deve ser com fibra antialérgica.
O trabalho voluntário iniciou em maio de 2017 e contou com a ajuda de cerca de 20 mulheres, em sua maioria aposentadas e com aptidão para artesanato. Valores simbólicos, tecidos, fibras e outros materiais foram doados por empresas e comerciantes de Itapoá. O ponto de encontro para guardar o material arrecadado e confeccionar as almofadas tornou-se a residência de Suely Magalhães. “Descobrimos qual era o forte de cada uma do grupo e definimos as funções: algumas cortam o tecido, outras preenchem a almofada, umas costuram e por aí vai”, explica a anfitriã.
Tudo é pensado nos mínimos detalhes: as voluntárias também criaram embalagens e folhetos explicativos sobre o uso da almofada, que foi batizada de “Almofada de Amor”. Marli, uma das voluntárias, explica a origem do nome: “É muito mais que algo material. Ela proporciona apoio físico e psicológico, já que traz à paciente lago para abraçar como um símbolo de solidariedade”.

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Semanalmente, as voluntárias reúnem-se para confeccionar almofadas que ajudam no tratamento contra o câncer de mama.

Doações
Em apenas seis meses, o grupo confeccionou 103 almofadas. Para realizar a doação das mesmas, escolheu o mês de outubro, que lembra o câncer de mama com a campanha Outubro Rosa. Para isso, as voluntárias atuaram em parceria com a Secretaria de Saúde de Itapoá, que realizou o levantamento de mulheres diagnosticadas com câncer de mama no município. Os dados surpreenderam: em outubro de 2017, havia 32 pacientes em Itapoá. “Mas queríamos mais que simplesmente fazer a doação das almofadas. Queríamos conhecer essas mulheres, ouvir suas histórias e oferecer carinho a elas”, fala Sueli Carijo.
E assim aconteceu: por intermédio da Secretaria de Saúde, as amigas organizaram, em cada unidade do PSF (Posto de Saúde da Família) de Itapoá, rodas de conversa com as pacientes. Suely Magalhães recorda: “Em cada bairro, vivemos diferentes emoções. Choramos, sorrimos, nos entristecemos e comemoramos. Mas estávamos todas lá, sempre juntas. Simbolizando apoio e fortalecimento àquelas mulheres”.
Através de amigas que intermediaram doações, as Almofadas do Coração também chegaram a pacientes de outros lugares, como Joinville (SC), Guaratuba (PR), Florianópolis (SC), Blumenau (SC) e Rolândia (PR). Suely Magalhães, que já tinha conhecimento de uma ONG em Londrina (PR), fez sua entrega pessoalmente, onde o grupo de voluntárias recebeu uma música em sua homenagem; bem como a colega Sueli Carijo, que visitou a Santa Casa de Ponta Grossa (PR), onde doou almofadas e emocionou-se com a história dessas guerreiras.

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Para realizar as doações das 103 almofadas confeccionadas, As Amorosas realizaram rodas de conversa.

Projetos futuros
Após muito trabalho e fortes emoções, o grupo de amigas intitulou-se “As Amorosas de Itapoá”, uma vez que a palavra é dividida por “amor” e “rosa” – cor que simboliza a luta contra o câncer de mama. As Amorosas receberam doações de camisetas que, em breve, serão estampadas com o logotipo do projeto.
O grupo, que participou de um passeio ciclístico promovido pelo PSF de Itapoá, tem em vista outros projetos. “Vamos organizar pontos de coleta de lenços, gorros, chapéus e bonés – acessórios que fazem a diferença na vida de pacientes com câncer. Também buscamos o apoio de uma advogada que possa levar informação às pacientes, pois, apesar do crescimento do número das acometidas pela doença, a falta de informação faz com que não tenham conhecimento dos direitos especiais citados na legislação”, conta dona Alvina, que já esteve desse mesmo lado.
Além das cinco entrevistadas, as voluntárias Adelina, Angélica, Elizabete, Eliete, Eusa, Marisa, Odete, Oliria, Marlene e Eliana, e as apoiadoras Silvia, Janaína, Licélia e Flávia também formam o grupo As Amorosas. Chá beneficente, Dia da Beleza, Desfile de Moda e palestras de prevenção são outras ações que planejam para o decorrer do ano. “Acreditamos que o câncer de mama merece visibilidade o ano todo, não somente durante o mês de outubro, pois dados comprovam que, se detectado na fase inicial, as chances de cura podem chegar até a 100% dos casos (Fonte: Instituto Brasileiro de Controle do Câncer)”, explica a amorosa Ica.

Trabalho voluntário
Nas reuniões semanais na casa de Suely Magalhães, As Amorosas trabalham, tomam café e divertem-se com as amigas. Exercer essa atividade tem, para elas, bons significados tanto para quem recebe quanto para quem doa. A amorosa Marli acredita que a ação beneficente é uma forma de crescimento pessoal e espiritual, enquanto a amorosa Sueli Carijo afirma que ajudar o próximo é gratificante e gera motivação, e complementa: “enquanto ajudamos o outro, ajudamos a nós mesmos”.
A luta contra o câncer não é fácil, portanto, as Almofadas do Coração representam autoestima, força e amor – intenções que As Amorosas sempre mentalizam em cada doação. Por fim, a amorosa dona Alvina conclui: “Queremos que as mulheres que recebam nossos corações sejam felizes e tenham fé. Isso foi a melhor coisa para mim”.

Deseja tornar-se uma voluntária ou contribuir com doações de lenços, chapéus, tecidos ou outros materiais? Entre em contato com a amorosa Marli através do WhatsApp
47 99930-0837 ou da amorosa Suely Magalhães através do WhatsApp 43 98406-8035.