Empreendimento Riviera Santa Maria marcará a Itapoá do futuro

Influente na história de Itapoá, a família Gunther sempre acreditou no futuro promissor do município. Além das contribuições passadas, os Gunther buscam, também, marcar a Itapoá do futuro. Estamos falando do empreendimento Riviera Santa Maria, um projeto da família, junto de outras empresas e empreendedores.
Em entrevista à revista Giropop, os irmãos Pedro Silvano Gunther e Rubens Geraldo Gunther falam sobre a história de sua família, suas contribuições e, é claro, sobre este projeto inovador, moderno e sustentável, que promete grande impacto no município.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Irmãos Gunther em recente encontro familiar.

Qual a relação da família Gunther com a história de Itapoá?
Nosso patriarca, Geraldo Mariano Gunther, foi um homem à frente do seu tempo. Advogado militante, político atuante (vereador, prefeito, deputado estadual), jornalista, proprietário do jornal “O Democrata”, de Concórdia (SC), e empresário visionário, sempre acreditou no futuro promissor do município. Costumava dizer que essa era a praia mais bonita do “sul do mundo”. Em 1956, sugeriu a Dórico Paese que investisse em Joinville (SC). Dórico liderava os empreendimentos da família Paese na criação de loteamentos urbanos e vinha de uma bem sucedida experiência em Concórdia. Acreditando no potencial de Joinville, juntaram-se a outros empreendedores e fundaram, em janeiro de 1957, a SIAP – Sociedade Imobiliária Agrícola e Pastoril Ltda. Logo em seguida, Adalcino Rosa comentou com Dórico sobre a existência da praia de Itapoá, a qual só era acessada por barcos, a partir de São Francisco do Sul (SC).
A “descoberta” de Itapoá animou o grupo a focar esforços nesse projeto e, como primeira tarefa, abriram os 8 km de estrada que faltavam para ligar a colônia Saí Mirim à praia. Os detalhes desse início de colonização de Itapoá estão muito bem descritos no livro “Memórias Históricas de Itapoá e Garuva”, de Vitorino Luiz Paese.

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Ida Ormeneza Gunther e Geraldo Mariano Gunther,  os fundadores da IGG.

Há quanto tempo frequentam o município?
A partir de 1964 passamos a veranear todos os anos em Itapoá. O mês de janeiro era, exclusivamente, dedicado à praia. Morávamos em Concórdia e a viagem levava o dia inteiro, saindo de madrugada, em estradas precárias e, em certas épocas do ano, intransitáveis. A luz era a do sol e a água a da chuva. Somente anos depois vieram os fornecimentos de energia elétrica, água, telefone, asfalto, etc.

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Família Gunther em 1957, ano em que Geraldo e demais sócios da SIAP iniciaram o desenvolvimento de Itapoá.

Vocês participaram ativamente da transformação política, social e econômica de Itapoá?
Pedro Silvano e Rubens Gunther: Em 1964, nossa família apoiou a transferência do município de São Francisco do Sul para Garuva, em 1989, acompanhou a criação do município de Itapoá e, em 2003, a instalação da Comarca. Também, cedeu áreas para a construção dos Condomínios Solar do Atlântico, Vivenda das Palmeiras, Portal dos Mares e Cancun. Construiu espaços de lazer e convívio, como o Camping D’Itapoá (hoje, administrado pela Associação dos Funcionários da Prefeitura Municipal de Itapoá) e a casa de espetáculos Maresia (hoje, Italama). Doou uma quadra para a Fundação Hermon, colaborou na viabilização do CTG Fronteira do Litoral e do Campo de Futebol. Apoiou o desenvolvimento urbano, cedendo área para a primeira estação de captação e tratamento de água e doando 60.000 m² para a instalação da nova Estação de Tratamento de Águas (ETA) e da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Em 2000, pagamos o asfaltamento da Avenida Brasil, no trecho compreendido entre o Tikay e o Condomínio Vivendas das Palmeiras. Já em 2011, assumimos o asfaltamento do Caminho da Onça, no trecho que corta a área, enquanto o Porto arcou com o custo do asfalto no resto da cidade.

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Veraneio da família em Itapoá, em 1964.

E quanto ao projeto do empreendimento Riviera Santa Maria? Quando começou? Quais as dificuldades iniciais?
Em 1959, a família adquiriu duas glebas para desenvolver empreendimentos imobiliários. Dez anos depois, foi registrado o Loteamento Santa Maria e entregue sua abertura para a empresa Moreira Bastos, de Lages (SC), que não conseguiu completar o serviço. Pelas incertezas e dificuldades da época, o empreendimento não prosperou. As dificuldades associadas às demarcações e sobreposições de áreas inviabilizaram o loteamento e foi necessário um processo judicial de retificação e ratificação de divisas, que só foi concluído em 1999. Já entre 1995 e 2005, antevendo uma forma de urbanização mais própria para residências de veraneio, a família promoveu a implantação dos Condomínios Vivenda das Palmeiras, Solar do Atlântico, Portal dos Mares e Cancun, em regime de permuta por área construída. Contudo, apesar dos cuidados tomados para que as construções atendessem a todos os critérios técnicos e legais, a partir de 2003, o MPF (Ministério Público Federal) ingressou com Ações Civis Públicas (ACP) contra os Condomínios, contra a FATMA (Fundamentação do Meio Ambiente) e contra a Prefeitura de Itapoá, pedindo a anulação das licenças concedidas, com a argumentação, que até hoje não está superada, de que as construções se encontravam em Terras de Marinha e em Áreas de Proteção Permanente (APP), coberta de vegetação de restinga.

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Primeira tentativa de lançar o loteamento Santa Maria, em 1969.

Como se encontra a situação dessas Ações Civis Públicas?
Estamos contestando judicialmente a demarcação da linha de preamar média de 1831 (LPM1831) por entender que ela foi realizada de forma ilegal, e contestando a classificação de proteção de vegetação de restinga por entendermos que a lei protege a vegetação associada ao acidente geográfico restinga e não genericamente a vegetação de restinga. Das quatro ACP’s, duas foram solucionadas através de acordo e outras duas continuam sem decisão até o momento.

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Pedro Silvano Gunther, Vice-Presidente da IGG e Rubens Geraldo Gunther, Presidente.

Desde a iniciativa de implantar o loteamento, nos anos 70, ao imbróglio jurídico ambiental originado na construção dos condomínios, o que vem sendo estudado?
Fomos estudando alternativas e avaliando riscos. A família desenhou muitos projetos para a área, que sempre esbarraram na insegurança jurídica que entendíamos que só seria superada por um projeto transformador e que atendesse a todas as exigências legais, ambientais e fosse economicamente viável. Tivemos a felicidade de encontrar um grupo empreendedor e visionário, composto por engenheiros, administradores e advogados que se dispuseram a assumir o risco, em conjunto com a família, de implantar em Itapoá um projeto inovador, ambientalmente e socialmente responsável e economicamente viável, evitando “fazer mais do mesmo”. O grupo de desenvolvedores – formado por executivos que implantaram o Porto Itapoá, um conceituado empreendedor imobiliário de Curitiba, um arquiteto e um escritório de advocacia – assinou em 2011, com a IGG, empresa da família, um “Protocolo de Intenções” para o desenvolvimento e implantação do projeto Riviera Santa Maria, baseado no “Estudo Conceitual da Gleba”, elaborado pelo escritório de arquitetura do urbanista Jaime Lerner.

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60.000 m² doados pela família para a construção da
Estação de Tratamento de Água de Itapoá.

Desde então, o trabalho tem sido desenvolvido junto dos empreendedores?
Estamos em intenso trabalho, contratando empresas de elevada capacidade técnica, como a AQUAPLAN, para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), a VECTOR, para os projetos de infraestrutura, a IOCH, para o projeto elétrico, além do indispensável e qualificado suporte jurídico do escritório BRÜMMER ADVOCACIA.
Todo o esforço está sedo feito para que quando obtivermos a Licença Ambiental de Instalação (LAI) não haja interrupção no desenvolvimento do projeto, que só se transformará em realidade quando tivermos a segurança jurídica necessária.

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Ilustração da concepção da Praia de Bambu.

Há bastante informação no site rivierasantamaria.com.br a respeito do empreendimento. Mas gostaríamos que vocês falassem sobre os conceitos do mesmo.
O projeto do Riviera é algo que só poderia sair da cabeça de um urbanista experiente como Jaime Lerner, com uma vida dedicada à administração de Curitiba (PR), além de trabalhos no planejamento de outras cidades. O que ele nos ensina é que devemos priorizar o deslocamento a pé ou de bicicleta e, consequentemente, diminuir o tráfego de veículos. Desenhou, então, um bairro, onde as pessoas possam morar, trabalhar, fazer compras, divertirem-se, sem grandes deslocamentos. O projeto abriga os conceitos de diversidade de usos e de renda, que servirá tanto para moradores quanto veranistas. E a Praia de Bambu – espaço de uso público onde ficarão lojas, restaurantes, uma alameda para pedestres e áreas de descanso e lazer – deve prover lazer e gastronomia para os moradores de outros bairros da cidade. As construções e o passeio terão cobertura de bambu, criando, assim, uma identidade própria, que servirá de ponto turístico para Itapoá.

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Área sobre a qual foi projetado o Riviera Santa Maria.
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Masterplan que está sendo objeto  de licenciamento ambiental.

Além da Praia de Bambu, quais as outras inovações do projeto?
Haverá um eixo comercial e de serviços públicos no Caminho da Onça para servir toda a cidade. Serão criadas duas pistas largas, com bastante área de estacionamento e ali se dará o trânsito entre os bairros vizinhos. Ligando o Caminho da Onça à Avenida Brasil, no centro do empreendimento, haverá uma rambla, que é uma avenida bem larga, com lojas, restaurantes e bares. Serão 12 km de ciclovias e muitas ruas exclusivas para pedestres. Os prédios residenciais serão menores na frente, para a Avenida Brasil, e maiores à medida que se distanciam do mar. Estão previstos apartamentos de 70 m² a 350 m², para acomodar a necessidade de diversos interesses e rendas. Há também um espaço previsto para lagoas cristalinas, cuja ideia é usar uma tecnologia chilena de tratamento de água, o que geraria um outro ponto de atração, com operação o ano todo, dentro do Riviera.

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Pedro e Rubens visitam Crystal Lagoon no Chile.

Muito do que está no planejamento do empreendimento é resultado da experiência obtida pelos integrantes do projeto em viagens. Quais foram as suas principais inspirações?
Em viagem ao Chile, conhecemos a já mencionada tecnologia de tratamento de água. São lagos que parecem verdadeiras piscinas, ideais tanto para banho quanto para prática de esportes aquáticos, a custo razoáveis. Em Cartagena de Índias, na Colômbia, pudemos ver formas eficazes de combate à erosão marinha. Estivemos também em Portugal, França e Mônaco, onde pudemos conhecer, além dos trabalhos de proteção da orla, a forma de ocupação das cidades. Já em Abu Dabhi, conhecemos a cidade sustentável de Masdar, com muitos conceitos interessantes de uso de energia e coexistência de moradias e escritórios. Por Cingapura, vimos o resultado do esforço de uma linha de governo que transformou um porto sujo em uma cidade de primeiro mundo. Os integrantes do grupo desenvolvedor, por seu turno, também conhecem diversos países e, a cada viagem, trazem importantes subsídios para o aperfeiçoamento do projeto do Riviera.

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Rubens visita ponte de bambu em Bogotá, Colômbia.

Há muitas empresas e profissionais envolvidos no projeto?
É um projeto complexo, que exige alta especialização e envolve alto risco. Atualmente, entre as empresas contratadas, os empreendedores e a família, temos cerca de 20 profissionais trabalhando no projeto. Na implantação, será dada preferência para empresas e profissionais de Itapoá, desde que atendam as pré-qualificações técnicas e os altos padrões de qualidade que o projeto exige. Além disso, estamos prevendo apoio na formação e qualificação de mão-de-obra para as necessidades futuras.

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Pedro visita Jardim Botânico no Havaí.

E o empreendimento tem ano previsto para lançamento?
Todas as nossas previsões foram adiadas, pois não contávamos com a extrema burocracia envolvida no processo. Além das licenças municipais e estaduais, temos o acompanhamento do Ministério Público Federal que, apesar de não ser órgão licenciador, tem a prerrogativa de solicitar o embargo judicial de qualquer obra que supostamente agrida o meio ambiente. Então, estamos dando todos os passos necessários para prosseguir com segurança. De qualquer forma, nossa expectativa é que obtenhamos as licenças que faltam e o “sinal verde” do Ministério Público Federal ainda este ano.

Vocês estão trabalhando para proporcionar um novo destino para o município. Em comemoração aos 29 anos de Itapoá, qual a mensagem final a todos os munícipes?
Participamos da história de Itapoá há seis décadas. Somos testemunhas do progresso deste pedaço do paraíso e não temos dúvida que o município crescerá de forma ainda mais acelerada. A nossa maior realização, que vem somar com o trabalho de tantas outras famílias pioneiras, será a viabilização do Riviera Santa Maria, que vai contribuir para a grandeza de Itapoá. Estamos otimistas e acreditamos que a população vai orgulhar-se deste empreendimento.

 

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2 comentários em “Empreendimento Riviera Santa Maria marcará a Itapoá do futuro”

  1. Boa tarde, acompanho este projeto a anos, quando me cadastrei para receber informações a respeito, acredito no projeto e na sua implementação, gostaria de saber se nós que já estamos cadastrados teremos preferência nas escolhas e compras. Por ser formado em geografia com enfase em meio ambiente e Técnico Imobiliário gostaria de participar de possíveis capacitações.
    agradeço a atenção, abço.

  2. Parabéns a matéria, ela vem de encontro aos ansejos das famílias dos desbravadores e empreendedores em ver uma Itapoá grande e forte.
    Aos idealizadores do Riviera, sempre preocupados com o desenvolvimento sem deixar de observar a sustentabilidade no projeto e qualidade de vida daqueles que irão usufruí-lo.
    Sonhadores, visionários, destemidos, arrojados, são alguns preceitos de grandes líderes que fizeram história em nossa Pátria.
    Desejo sucesso ao magnífico projeto e agradeço a família Gunther por continuar acreditando em Itapoá.

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