O poder da arte, cultura e educação

A artesã Neusa Cardoso Lopes Montoya, moradora de Itapoá (SC), se realiza no trabalho manual. Mais que amor ao ofício, suas bolsas artesanais e exclusivas traduzem 73 anos de histórias e de uma educação que valorizava a arte e a cultura.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Para a artesã Neusa Cardoso Lopes Montoya, que confecciona bolsas artesanais, todo trabalho feito à mão carrega muito amor e história.

Filha de imigrantes espanhóis, que chegaram ao Brasil para fugir da miséria que assolou a Europa após duas grandes guerras, Neusa nasceu em Santa Mariana (PR). “Minha família veio de Andalucía, ao Sul da Espanha, uma região bastante voltada à arte, dança e música, o que influenciou em minha educação”, conta Neusa, “oriunda de uma família de imigrantes, não tínhamos muito dinheiro, então, estudei por toda a infância em escolas públicas – mas, naquele tempo, o ensino público era de primeiríssima qualidade, com muito incentivo à arte e cultura”, comenta. Na escola do interior do Paraná, especialmente nas aulas de educação artística, se aprendia tricô, crochê, bordado, costura e outras técnicas manuais. As aulas de música eram ensinadas por uma professora formada em música, que lecionava as aulas ao piano.
Em casa, Neusa teve influência da mãe, que confeccionava as roupas da filha com bordados, crochês e rendas. “Sempre tive muita curiosidade e habilidade para trabalhos manuais. Tudo aquilo que é feito à mão me encanta, pois tem amor e história”, diz. O tempo passou, Neusa formou-se em Letras e trabalhou por muitos anos como professora. Casou-se com um artista plástico e, acompanhando o amado, ela manipulou tintas, organizou vernissages (evento cultural, onde pintores, escultores e fotógrafos expõem seus trabalhos), viajou para o exterior para participar de exposições e atravessou muitas fronteiras no campo da arte.
Sua relação com o município de Itapoá começou na década de 70, onde Neusa e seu esposo, falecido há onze anos, colecionaram uma infinidade de bons momentos e amigos. “Depois que perdi meu marido, passei uma temporada em Itapoá para ocupar a cabeça e, como já estava aposentada e tenho muito afeto por este lugar, acabei ficando por aqui”, conta a professora aposentada, que reside no município litorâneo há dois anos.

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Bolsas artesanais
Ela, que despertou para o artesanato logo na infância, conta que muitos aprendizados ficaram armazenados em sua memória. Depois de dedicar-se a diferentes técnicas manuais, hoje, Neusa confecciona belíssimas bolsas artesanais, feitas em tecido, macramê, couro sintético, entre outros materiais. “Minhas peças são feitas para mulheres que gostam de bolsas práticas, para o dia a dia, com um conceito mais informal, descolado e, claro, exclusivo, uma vez que nenhuma bolsa é feita igual a outra”, explica.
Para Neusa, o momento de criação é como uma terapia, onde ela extravasa sua ansiedade, suas angústias e a saudade do amado marido. “O artesanato é vocação, é terapia, é lazer, é tudo. Produzo com muito amor e, obviamente, gosto quando me traz resultados positivos, seja uma venda ou um elogio. É gratificante para um artesão saber que seu trabalho pode agradar as pessoas”, conta. Em sua opinião, quando algum ofício é feito com amor, é porque faz parte de você, está intrínseco em sua personalidade desde seu nascimento.

Neusa confecciona uma infinidade de bolsas artesanais,
práticas, informais e exclusivas.

Poder transformador
Enquanto artesã, Neusa sonha que o artesanato seja mais valorizado. “Em Itapoá, a Secretaria de Cultura se esforça muito em prol dos artesãos. Contudo, sonho que o artesanato tenha cada vez mais lugar de destaque. Sonho com um lugar onde os turistas possam chegar, conhecer tudo aquilo que é produzido em Itapoá e levar para as suas cidades”, comenta. Ainda, a professora aposentada ressalta a importância do artesanato para a cultura, o turismo e a economia do município.
“Acredito que a arte e o artesanato têm poder transformador e são representatividades culturais de um povo. O Brasil é muito diversificado, rico em culturas, povos, raças, credos, costumes e cada região possui sua representação. Tudo isso, resulta em uma linda miscelânea, que é o artesanato brasileiro”, diz.
Além das habilidades manuais, Neusa tem outras grandes paixões: a família, a música e a dança flamenca. Hoje, aos 73 anos de idade, ela curte seus filhos, netos e bisnetos, confecciona suas bolsas, desfruta da qualidade de vida no litoral e sonha com um futuro com mais arte, cultura e educação.
Neusa Cardoso Lopes Montoya é uma das artesãs cadastradas junto ao Departamento de Cultura, da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura.

Se você deseja conhecer melhor a história da artesã ou adquirir uma bolsa artesanal e exclusiva, entre em contato com Neusa através do número 47 99793-2494.