Rusticidade, personalidade e muito, muito amor

Estreamos o ‘Quem Casa, Quer Casa’ de 2018 com um casal muito querido por nós, da revista Giropop. Depois de compartilharmos a história do grande dia, o casamento, de Augusta Fehrmann Gern e Lucas Henk, de Itapoá (SC), marcamos presença em outro momento importante da vida a dois: o sonho realizado da casa própria. 

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Essa história começou no ano de 2006, quando Augusta e Lucas trocaram suas primeiras palavras através da rede social Orkut. Depois de se tornarem grandes amigos, daqueles que trocam confidências, o primeiro beijo veio em 2008 e, seguido dele, o pedido de namoro. Juntos, eles cresceram, dividiram momentos e sonhos.
Quando o namoro completou quatro anos, compraram um terreno no final da rua, no bairro Itapoá. Apreciadores da natureza, a escolha pelo terreno se deu por sua localização privilegiada, ao lado de um morro e muitas árvores. “Compramos, limpamos e aterramos o terreno. A partir de então, começamos a planejar como seria a nossa casa”, conta o casal.

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O tempo passou, Augusta se formou em Jornalismo e Lucas em Engenharia Civil. Após o noivado em 2016, eles se casaram em abril de 2017. Depois disso, optaram por morar em uma casa alugada. “Gastamos nossas economias com o casamento, então, decidimos morar de aluguel até que pudéssemos economizar para o início da obra”, falam. Marido e mulher não tinham pressa para realizar o sonho da casa própria, até que o destino colocou em suas vidas Violeta e Teobaldo – dois cãezinhos de rua que Augusta e Lucas adotaram e chamam carinhosamente de ‘filhos’.
Na casa onde moravam de aluguel não havia quintal para os cachorros (ainda bebês) brincarem, o que sempre acabava em bagunça. “Além do sonho que compartilhávamos de ter o nosso próprio cantinho, nossos ‘filhos’ estavam aprontando e crescendo muito rápido. Por isso, decidimos antecipar a construção no terreno que já tínhamos”, lembram.

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Os primeiros esboços
Para Augusta e Lucas, o período em que viveram na casa alugada foi uma experiência enriquecedora, que os preparou para o projeto da casa dos sonhos. “Uma casa para nós dois e nossos dois cachorros, onde pudéssemos receber amigos e familiares, coubesse todos os móveis que já tínhamos e pudéssemos ampliar futuramente – esse era o nosso desejo”, conta Augusta. Ela, que estava bastante ansiosa e sempre gostou de desenhar projetos de casas à mão, costumava fazer diferentes esboços de plantas para apresentar ao esposo que, então, desenvolvia o desenho arquitetônico no AutoCAD – software utilizado por projetistas, arquitetos e engenheiros civis para a elaboração de projetos, junto com a equipe da HLH Engenharia & Construção, empresa da família.
Neste mesmo período, Augusta, em seu trabalho na ADEA (Associação de Defesa e Educação Ambiental), conheceu os irmãos construtores João Francisco Klodzinski e Luiz Antônio Klodzinski, responsáveis pela construção do Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras (CREF) da RPPN Fazenda Palmital – Reserva Volta Velha. “Acompanhamos a construção do Centro e ficamos muito animados com a estrutura, feita em madeira de Pinus autoclavado”, lembram Lucas e Augusta. Por conta da rapidez, procedência ambiental e rusticidade, a matéria-prima escolhida foi a madeira de Pinus autoclavado e, assim, os irmãos João e Luiz assumiram a obra, que iniciou em janeiro de 2018.

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Mãos à obra
Após a fundação da casa, em janeiro, o casal levou tempo para decidir se iria construir a casa aos poucos, economizando a cada etapa, ou de uma só vez. Já que conseguiram fazer um empréstimo e conter gastos, decidiram construir a casa de uma só vez, retomando a obra após o Carnaval.
O projeto da moradia da jornalista e do engenheiro foi inspirado em um loft, tendo como principais características: pé-direito alto com escada e mezanino; aberturas amplas e altas; tubulações elétricas e estrutura aparente; ambientes integrados, sem muitas divisões, mantendo a sensação de amplitude e liberdade. “Tivemos sorte, pois o forte de João é a madeira, enquanto Luiz é muito caprichoso e atento ao acabamento. Além da funcionalidade da casa, eles tiveram a sensibilidade de pensar na parte estética”, conta o casal. A casa foi, então, resultado de sonhos esboçados por Augusta e refinados por Lucas, aliados às habilidades e conhecimentos dos talentosos irmãos construtores.

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Falando do sistema construtivo em si, as vigas que compõem as paredes da casa de madeira foram feitas com encaixe macho-fêmea, ou seja, sem pregos, e pintadas com óleo mineral. Para a função estrutural, foram utilizados parafusos galvanizados. E, na obra, tudo foi reaproveitado: os construtores tiveram a cautela de utilizar as sobras da madeira para criar rodapés e pequenos detalhes de acabamento. Somente áreas úmidas – como banheiro, lavabo, cozinha e lavanderia – foram feitas em alvenaria.

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Lucas, que acompanhou a obra diariamente, conta que a parte mais difícil foi pensar na inclinação do telhado e explica que foram tomados alguns cuidados para que o isolamento térmico fosse eficaz: “No telhado, feito com telhas cerâmicas, há uma manta térmica que não deixa com que frio e calor sejam absorvidos”. Também, a casa foi construída 50 centímetros acima do chão para garantir ventilação e evitar a umidade.
Com base em sua experiência, o casal afirma que a madeira é, sim, um material barato se comparado à alvenaria, mas que foram surpreendidos com os gastos na parte do acabamento. “Não imaginávamos que fôssemos gastar tanto com os pormenores. As opções para acabamento são muitas, tem para todos os gostos e bolsos”, falam. Para economizar, aproveitaram para comprar materiais, como os azulejos do lavabo, do banheiro e da cozinha, em promoções.
Assim como no seu casamento, na construção de sua casa Augusta e Lucas também priorizaram empresas locais. Com exceção da parte elétrica e dos azulejos, todos os fornecedores escolhidos foram de Itapoá, como forma de agilizar o processo, promover o desenvolvimento do município e valorizar o mercado local. Beira Rio – Esquadrias Madeiras e Portões, Mendonça Material de Construção e Cia Vidros foram alguns dos comércios que tiveram participação no sonho de Lucas e Augusta.

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Cores e histórias
Augusta planejava mudar-se para a casa própria antes de seu aniversário, mas, por conta da greve dos caminhoneiros houve atraso na entrega de materiais. A tão esperada mudança aconteceu no início do mês de junho de 2018, quando os construtores ainda estavam nos retoques finais. “Foi muito bom que nos mudássemos enquanto a casa não estivesse finalizada, pois no dia a dia fomos percebendo algumas coisas que puderam ser ajustadas, como a disposição das tomadas, por exemplo”, conta o casal.
No interior da casa, muitas histórias: o piso foi presente do pai de Lucas; os quadros da parede foram pintados pelo avô de Augusta; a mesinha da sala foi presente de um casal de amigos; a cadeira antiga foi garimpada de uma casa que seria demolida de uma tia de Lucas; os porta-toalhas e porta-papel do lavabo são estilo vintage e pertenceram à avó de Augusta; um lavatório antigo da tataravó de Augusta também compõe a decoração do lavabo; o interior da escada abriga o ‘cantinho da bagunça’, que funciona como depósito; o nicho de parede ganhou rodinhas e transformou-se em uma estante. Ainda, há muitas cores e plantas que contrastam entre si e transmitem alegria e personalidade ao ambiente, pois, como menciona Augusta, “já que decidimos construir a nossa casa, que ela seja a nossa cara”.

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Morando há apenas três meses na casa, Augusta e Lucas ainda têm pretensão de fazer muros, ampliar a varanda, decorar com mais plantas, construir uma chaminé, fazer um jardim (se Violeta e Teobaldo permitirem, é claro) e, um dia, quando chegarem os filhos humanos, fazer uma garagem fechada para construir quartos no piso de cima, uma vez que a casa foi projetada com sustentação considerando essa ampliação.
Até lá, Augusta e Lucas curtem a experiência de morar em uma casa própria, viva (já que a madeira é uma matéria-prima natural) e cheia de amor, onde namoram, têm inspiração, recebem a visita de amigos e familiares, brincam com os filhos de quatro patas e gostam de ficar deitados na rede, ao som dos pássaros e observando os macacos que de vez em quando aparecem no morro ao lado.