Não tenha medo da mamografia

O outubro se vestiu de rosa e a Revista Giropop também. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil. Até o presente momento, neste ano de 2018, a estimativa é de 59.700 novos casos (Fonte: INCA). A fim de expandir o conhecimento sobre as medidas preventivas contra o câncer de mama, trazemos à tona este assunto de extrema importância, começando pela maneira mais avançada, eficaz e precisa para detectar este câncer em um estágio inicial: a mamografia.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

mamografia
Vera Lucia Dorneles Malaquias é técnica em Raios-X e especialista em mamografia
do Laboratório de Diagnóstico por Imagem (LAD), de Guaratuba-PR.

Fundamental e insubstituível, a mamografia pode detectar nódulos da mama em seu estágio inicial, quando ainda não são apalpados no autoexame feito pela mulher ou pelo profissional da saúde. Por serem pequenos, esses nódulos têm menor probabilidade de disseminação e mais chances de cura. Entretanto, para efetivar o atendimento e prevenir cada vez mais o câncer de mama, é preciso desfazer alguns mitos que afastam os pacientes da mamografia.
Para tirar algumas dúvidas sobre a doença e desmistificar o exame, conversamos com Vera Lucia Dorneles Malaquias, profissional que possui mais de trinta anos de expertise, é técnica em Raios-X e especialista em mamografia do Laboratório de Diagnóstico por Imagem (LAD), em Guaratuba-PR.
A vontade de seguir carreira nasceu de uma experiência pessoal de Vera, que trabalhou em Curitiba como secretária de um radiologista e se encantou pela área. “Realizei, então, minha primeira mamografia”, conta, “mas as técnicas da época não tinham conhecimento do quanto comprimir a mama, fazendo da mamografia algo doloroso e traumatizante”. Muitos relatos confirmam que, antigamente, as pacientes chegavam a desmaiar durante o exame, por conta da dor.
Felizmente, Vera tirou proveito da situação e decidiu ajudar aqueles que, assim como ela, pretendiam um exame sem dor. No ano de 1974, iniciou seu trabalho com Raios-X e, em 1984, especializou-se na área de mamografia. “Decidi desmistificar a história de que a mamografia é algo dramático e adequei uma compressão a cada tipo de mama”, explica. Afinal, cada ser humano possui seu grau de sensibilidade.
Desde o início da carreira, a profissional observa que os equipamentos para a mamografia evoluíram, dando rapidez e agilidade ao exame. Mas, apesar de todo o avanço tecnológico, Vera acredita que o câncer de mama ainda é tabu na sociedade. “Muitas mulheres não conversam a respeito e não mostram as mamas umas às outras, nem mesmo mães e filhas”, conta.
Ela lembra, ainda, que para efetivar o atendimento e prevenir o câncer de mama, as mulheres precisam desfazer estes mitos que as afastam da mamografia, como, por exemplo, o medo de encarar um possível diagnóstico, a ideia de que o exame é doloroso e até questões culturais, como vergonha do médico ou ciúme do marido.
A mamografia é um exame de diagnóstico por imagem, que tem como finalidade estudar a glândula mamária. “Esse tipo de exame pode detectar um nódulo, mesmo que este ainda não seja palpável”, explica Vera. São os chamados nódulos impalpáveis, geralmente menos agressivos e com chances de cura quando diagnosticados e tratados de forma adequada.
Este exame deve ser realizado anualmente a partir dos 40 anos e não há idade limite para parar. Ou seja, se uma mulher de 80 anos está apta a ir ao consultório médico e realizar exames de rotina, a mamografia deve estar entre eles. “Dependendo de seus fatores de risco, como por exemplo, antecedentes com câncer de mama, a programação quanto aos exames pode ser diferente”, diz Vera.
Vale frisar que a mamografia é a maneira mais avançada, eficaz e precisa para detectar o câncer de mama em um estágio inicial. Como resultado, ela salva vidas. Entretanto, como uma pequena porcentagem do câncer não pode ser identificada com a mamografia, podem ser realizados exames complementares, como a ecografia. “Também é aconselhável a realização do autoexame das mamas mensalmente”, lembra.
A profissional de mamografia conta que, normalmente, as pessoas chegam para estes exames fragilizadas e temerosas. “Para que o exame seja realizado com eficiência, procuro ser gentil e amorosa”, conta. O procedimento é realizado com um equipamento especialmente projetado para isso, que produzirá uma compressão, por alguns segundos, em cada mama, em algumas posições diferentes. O exame completo leva geralmente de cinco a dez minutos. Durante a mamografia, Vera posiciona sua mão sobre as costas do paciente e olha em seus olhos, oferecendo carinho e conforto.
O exame não tem contraindicações e pode ser feito mesmo em mulheres com prótese de silicone. “A prótese pode dificultar a visualização de tumores, mas existem manobras que aumentam o campo de visão na mamografia”, conta a especialista. Neste caso, a primeira parte do exame é igual e, na segunda, a técnica empurra a prótese e comprime apenas o tecido mamário.
Quando se fala em câncer de mama, a doença não se restringe às mulheres. Vera lembra que os homens também podem ter câncer de mama, mas que, por uma questão hormonal, os casos no sexo masculino são raros. Para eles, a indicação de necessidade do exame de mamografia é a existência de nódulos que podem ser sentidos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a proporção de câncer de mama em homens e mulheres é de 1:100, ou seja, a cada cem mulheres diagnosticas com câncer de mama, um homem terá a doença.
Todos os anos trabalhando com a mamografia são, para Vera, engrandecedores não só como profissional, mas também como ser humano. “Aprendo muito com a troca de experiências, pois cada paciente traz consigo uma bagagem que agrego em minha vida”, conta. Os relatos podem ser tristes ou felizes, porém todos são, para Vera, marcantes. O apelo desta profissional com mais de trinta anos de experiência é que as pessoas não tenham medo e façam a mamografia. Afinal de contas, o Outubro Rosa está aí e, juntos, somos mais fortes.

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