Lutando contra o câncer, amor e união fazem a diferença

Nas mídias sociais, a hashtag #DinnoJuntosVenceremos prova o quanto o professor de Educação Física Claudinei Ferreira Mendes – mais conhecido como Dinno, serve de inspiração para muitos munícipes de Itapoá.
Há seis meses, ele luta diariamente contra o câncer. Ainda com um pouco de cansaço para falar, devido ao tratamento intensivo, Dinno conta com a ajuda da esposa, Vanilda de Souza – mais conhecida como Preta, para agradecer todo o carinho que vem recebendo e contar sua história, sinônimo de força e superação.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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O casal Preta e Dinno, e a psicopedagoga e atleta Mahara Hermógenes, amiga do casal e uma das
responsáveis pela campanha #DinnoJuntosVenceremos, que lhe deu apoio nas redes sociais.

Natural de Ponta Grossa-PR, Dinno escolheu o município de Itapoá para viver. Na cidade litorânea, construiu carreira como professor de Educação Física da Escola Municipal Frei Valentim, conheceu Preta, com quem é casado há dezesseis anos, e também seu enteado, Jonatha Aguiar, considerado por ele como filho do coração.
Certa vez, Dinno e Preta passaram por uma mudança radical no estilo de vida. O casal tornou a cultivar hábitos mais saudáveis, praticar regularmente atividades físicas e seguir uma dieta com base na orientação de uma nutricionista. Juntos, também abriram a Academia DPJ Fitness.
Há aproximadamente três anos, o professor desenvolveu uma curiosa alergia a diversos medicamentos. À medida em que Dinno era medicado, crescia a lista de remédios que lhe causavam reações alérgicas, como inchaço na face.
Em maio deste ano de 2018, começou a sentir dores entre a perna esquerda e o quadril. Depois de duas semanas convivendo com a dor, foi a Joinville-SC para consultar-se no pronto-atendimento. “Temíamos que ele recebesse algum medicamento desconhecido que lhe causasse reação alérgica. Paramos, então, em uma clínica para marcarmos um horário com um ortopedista e especialista em quadril. Acreditamos muito que Deus sabe de todas as coisas, pois havia um horário vago para aquela mesma tarde”, recorda Preta.
Conforme o ortopedista, a dor que incomodava somente a perna esquerda podia significar muitas coisas, daí a importância de um exame de ressonância magnética, realizado na semana seguinte. Feito o exame, Dinno recebeu o diagnóstico de que estava com um pequeno problema na cartilagem na perna esquerda, que não justificava sua dor. Porém, o exame acusou também um tumor já bem desenvolvido, com nove centímetros, ao lado direito do glúteo. Frente ao médico, Preta e Dinno receberam a inesperada notícia, e com fé em Deus descobriram forças para enfrentar os próximos dias.

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O casal Preta e Dinno, e a psicopedagoga e atleta Mahara Hermógenes, amiga do casal e uma das
responsáveis pela campanha #DinnoJuntosVenceremos, que lhe deu apoio nas redes sociais.

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O casal foi encaminhado para tratar do problema com outro médico, Dr. André, ortopedista, cirurgião e especialista em coluna, que pediu mais uma série de exames. Antes que retornassem ao hospital, o médico telefonou para Dinno e informou que o mesmo tumor encontrado no glúteo havia sido encontrado na coluna vertebral, na região da lombar, além de outros dois pontos menores encontrados na bacia – por isso, a dor no lado esquerdo da perna, que passou a pressionar e se expandir para a coluna.
Do mês de maio a outubro, em praticamente todos os consultórios médicos por onde Dinno, Preta e Jonatha passaram, as notícias ficavam ainda mais difíceis.
Com fortes dores na coluna e o movimento da perna esquerda já comprometido, Dinno realizou a biópsia, a fim de descobrir qual o tipo do tumor. Preta recorda o dia em que recebeu o resultado: “O médico nos telefonou dizendo que o resultado da biópsia era nada favorável, pois tratava-se de um lipossarcoma maligno. Em seguida, tive de dar a notícia ao Dinno. Foi muito difícil, pois o termo ‘tumor maligno’ está comumente associado a morte. Felizmente, ele foi forte ao receber a notícia, já eu, que sempre fui mais sensível, caí em desespero”.

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Família que é unida, permanece unida nos momentos bons ou difíceis. No registro: Dinno (na maca), sua esposa Preta e o filho Jonatha (ao fundo).

O caso
Imediatamente, a família procurou um oncologista clínico para dar início ao tratamento. Este, por sua vez, descartou a possibilidade de realizar uma cirurgia, reiterando que a única saída seria o tratamento com radiografia. Contudo, a intuição de Preta dizia para não se contentar com apenas uma opinião médica. “Aprendemos que os familiares devem, sim, pesquisar sobre a enfermidade em fontes confiáveis. Ter certo conhecimento sobre o assunto nos ajuda a questionar e não nos conformar com a primeira resposta que recebermos”, diz a esposa de Dinno. Felizmente, o segundo oncologista a ser consultado, Dr. Jackson, foi bastante otimista ao dizer que Dinno era jovem e era preciso apostar em sua cirurgia.
Mas, antes, o professor de Educação Física foi internado imediatamente para que os exames de mapeamento geral fossem feitos mais depressa. A internação durou sessenta dias e foi supervisionada pelos doutores Jackson e André, que passaram a trabalhar juntos no caso de Dino, e por doutor Álvaro, oncologista e cirurgião especialista em tumor de partes moles (tecidos como músculos, ossos e gordura).
O caso de Dinno, com metástase (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra) em osso, na coluna vertebral, contrariou as estatísticas e chamou a atenção dos médicos, uma vez que o tumor do tipo lipossarcoma costuma apresentar metástase no intestino e principalmente no pulmão. Conforme os médicos, o estilo saudável que mantinha regularmente foi crucial para sua rápida recuperação e para impedir a metástase no pulmão.

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Um registro de Preta e Dinno, um casal companheiro, unido e forte.

Cirurgia e tratamento
Por ser o tumor que mais se desenvolveu e que estava ocasionando dor, a cirurgia consistiu na retirada do tumor da lombar. Felizmente, a equipe de médicos, que trabalhou em conjunto, realizou a cirurgia com sucesso, retirando 100% o tumor da lombar. Superando expectativas médicas, o paciente recuperou-se rapidamente da cirurgia.
Conforme os profissionais da saúde, uma vez que existiam três tumores pelo corpo (no glúteo e dois pontos menores na bacia, já que o da lombar havia sido removido), Dinno teria de fazer tratamento com quimioterapia. O primeiro ciclo das sessões de quimioterapia aconteceu no início de agosto de 2018 e foi bastante delicado, pois os médicos não sabiam se os medicamentos do tratamento causariam reações alérgicas.
Quatro dias depois de voltar para casa, Dinno apresentou indícios de febre. Voltou a Joinville e foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital, com uma infecção pulmonar. Passou a respirar com a ajuda de aparelhos e de uma máscara de oxigênio. “Os medicamentos indicados para febre estavam em sua lista de medicamentos que lhe causam alergia. Portanto, para baixar sua temperatura, os médicos colocaram cubos de gelo nas partes quentes. Foi um episódio muito difícil, ele gritava de dor”, lembra a esposa. Mais tarde, Dinno voltou a ter febre e Preta e Jonatha revezaram-se durante trinta e quatro horas a fio fazendo compressa com uma toalha umedecida, já que o gelo o machucava muito.
Por felicidade, após cinco dias na UTI, Dinno melhorou e recebeu alta para voltar a Itapoá. O médico lhe deu um tempo para recuperar-se, até que retomasse as sessões de quimioterapia. Apesar das reações comuns à quimioterapia, como náusea e queda de cabelo, o segundo ciclo do tratamento foi melhor, pois, dessa vez, a equipe médica já tinha conhecimento de que os medicamentos não apresentavam reação alérgica, e Dinno pôde tomar uma injeção que auxilia na imunidade.
O tratamento do paciente é intensivo: cada ciclo acontece de segunda a sexta-feira, com duas semanas de intervalo – período em que Dinno pode fazer atividades físicas moderadas e descansar, até que se inicie um novo ciclo. Atualmente, o professor de Educação Física completou seu quarto ciclo do tratamento. Na noite em que antecedeu o fechamento desta matéria, recebemos boas novas de Preta, que estava emocionada: Dinno realizou a cirurgia que retirou 100% do tumor do glúteo. Os dois tumores menores, situados na bacia, estão controlados, e seus órgãos estão todos limpos e preservados.

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Dinno, juntos venceremos
Familiares, amigos, conhecidos, alunos da Escola Municipal Frei Valentim e da academia DPJ Fitness mobilizaram uma campanha nas mídias sociais. Utilizando a hashtag #DinnoJuntosVenceremos, criaram camisetas, prestaram homenagens, lembranças, palavras de apoio e otimismo a Claudinei, o Dinno.
Sua batalha contra o câncer serviu de inspiração para muitos que nele se inspiram para superarem seus desafios, o que rendeu a Dinno medalhas de amigos que correram maratonas, troféu dos alunos que participaram do campeonato Moleque Bom de Bola, camiseta autografada pelos jogadores do Operário Ferroviário Esporte Clube, de Ponta Grossa-PR, entre outros tantos presentes que lhe encheram os olhos.
Hoje, Dinno valoriza ainda mais os momentos com os amigos e familiares, especialmente junto da esposa, do filho, da nora e do neto, Bernardo, de apenas um ano, por quem se declara um “avô coruja”.

Avô coruja assumido, Dinno aprecia os momentos junto ao neto Bernardo.

Sua história é sinônimo de força, superação e a prova de que um estilo de vida saudável pode ser crucial para a saúde. O professor de Educação Física ressalta: “cuidar da saúde é a melhor forma de prevenção, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação saudável e realizar exames de rotina”.
Emocionado ao recordar cada capítulo da luta que trava desde o mês de maio, Dinno deixa sua mensagem: “Essa doença apareceu de uma forma repentina em nossas vidas. Agradeço sempre a Deus pela família que me presenteou. Ao meu filho, Jonatha, que desde o primeiro diagnóstico está sempre ao meu lado, é meu parceiro, companheirão de todas as horas, e não mede esforços para me tranquilizar. À minha esposa, Preta, que não tenho palavras para descrever o que tem feito por mim neste momento tão difícil. Ela está 24 horas ao meu lado e mesmo que não contenha suas lágrimas em alguns momentos, continua firme diante das dificuldades. Sou grato pelos excelentes médicos, André Demo Boss (Clínica Athenas), Jackson Teixeira Martins (CHO) e Álvaro Rogério Novaes Carneiro (IOT), e enfermeiros que cuidaram tão bem de meu caso, e por cada mensagem de apoio, oração, conselho, ligação e homenagem que recebi de amigos e alunos. É isso que me mantém forte. Sempre falo que este é só período ruim que vai passar, pois acredito muito em Deus e na minha cura”.

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