Neusa Lopes: Uma vida pela arte, cultura e história

Arte, cultura e história são palavras intrínsecas à história de Neusa Maria Gomes Lopes. Para ela, um povo sem cultura, não expande seus horizontes.
Dona de um currículo notável, Neusa muito fez pela cultura no extremo sudoeste do Paraná e, hoje, contribui com sua bagagem no município de Itapoá-SC – local que serve de inspiração para suas pinturas, fotografias, pesquisas, poemas, trabalho e vida.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Neusa Maria Gomes Lopes tem um vasto currículo no campo das artes e da cultura.

A história de amor com a arte nasceu em uma fazenda, no interior de Capanema-PR. Foi lá que Neusa cresceu, próxima a um sítio cerâmico indígena, onde sofreu influência da cultura tupi-guarani, teve seu primeiro contato com os livros de arte, com as esculturas em argila e, ainda, foi lá que aprendeu com a avó a confeccionar peças em palha de milho. Não custou para que tornasse a produzir obras exclusivas em fibras naturais e vasos em cerâmica.
Ainda em Capanema, conheceu seu amado, um músico considerado, na época, o melhor baterista do Sul do Brasil, com quem casou-se, viveu uma linda história de amor e teve três filhos: Clóvis, Miryan e Meuryan. Ao lado do esposo, Neusa participou ativamente de shows, exposições, festivais, entre outras atividades culturais que lhe aguçaram o fascínio pelo universo artístico.

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Pela trajetória, Neusa conheceu artistas,
influentes do mundo da arte e celebridades.

No município de Pranchita-PR, trabalhou no Centro de Aprendizagem Social da Prefeitura Municipal de Pranchita, o que lhe permitiu organizar oficinas e disseminar arte e artesanato entre crianças da periferia. “Foi uma experiência que me marcou muito, pois as oficinas capacitaram toda a comunidade, geraram renda para o município e mudaram a vida de centenas de jovens. Os resultados foram fantásticos”, recorda.
No ano seguinte, foi convidada a atuar como Secretária da Cultura da Prefeitura Municipal de Pranchita. Durante 25 anos de trabalho no poder público dos municípios paranaenses de Capanema, Pranchita e Santo Antônio do Sudoeste, Neusa ganhou capacitação com nomes renomados do meio artístico, estudou Cinema, formou-se em Gestão Cultural pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ganhou cinco concursos internacionais, produziu documentários, contribuiu com oficinas, projetos sociais, inventários artísticos e pesquisas históricas. Também, ganhou o título de Comendadora Amiga da Cultura, no Paraná, e prêmios renomados por seus tradicionais presépios natalinos feitos em fibras naturais.

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Nas habilidades manuais, apaixonou-se pela cultura tupi-guarani, pelas esculturas em argila e peças em palha de milho.

Aficionada por cerâmica, pela cultura tupi-guarani, pesquisa e resgate histórico, arqueologia, fotografia, música e pela arte nas suas variadas formas, depois que seu marido veio a falecer, foi que passou a dedicar-se a pintura óleo sobre tela, participando de salões de artes.
Neusa, que sempre frequentou as praias de Itapoá, tornou-se residente do município no ano de 2008. Junto dela, um extenso currículo frente à cultura e a insaciável sede de aprender mais.

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Já em terras itapoaenses, Neusa criou o hábito de caminhar pelas praias com câmera em mãos, a fim de admirar a paisagem e capturar o clique perfeito. Suas fotografias favoritas são, posteriormente, retratadas em suas pinturas. Ainda, o município serviu de inspiração para que a artista pintasse cerca de quarenta telas de natureza morta – expostas no Museu Maurício Penha, na Vila Real, em Portugal.

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Renomada no meio artístico, com obras expostas até mesmo em Portugal, Neusa deu muitas entrevistas a jornais e emissoras de televisão.

Trabalhando durante cinco anos como assessora parlamentar da Câmara Municipal de Itapoá, aos poucos, passou a fazer parte do cenário artístico-cultural da cidade. Para compartilhar suas descobertas com as pesquisas sobre a cultura do município e do estado de Santa Catarina, fundou e foi locutora do programa de rádio “Itapoá Cultural”, o que rendeu-lhe premiação em Florianópolis-SC. A artista trouxe grandes contribuições divulgando facetas da cultura local. “Quando cheguei a Itapoá desejei conhecer a identidade cultural, a arte, o povo, seus antepassados e costumes, mas encontrei poucas fontes”, conta. Assim, através de inúmeras pesquisas com antigos moradores, Neusa escreveu “Uma história desenhada por muitas mãos”, o Primeiro Guia Histórico, Turístico e Cultural de Itapoá, publicado pela Unilistas, de Curitiba, que tem por objetivo transmitir história às futuras gerações.

Hoje, vivendo em Itapoá, uma de suas atividades favoritas é fotografar
a praia e, em seguida, retratar a paisagem através de suas pinceladas.

A artista acredita que a cultura é vital para o desenvolvimento, ou seja, para expandir os horizontes de um povo, o que reflete em uma série de projetos, ações e exposições organizadas por Neusa em Itapoá. Hoje, como Diretora da Cultura, busca valorizar artistas e artesãos locais, explorar suas potencialidades, promover a integração e resgatar a história da cidade. “Preservar as raízes e lembrar o passado é de extrema importância, pois somente ao saber de onde veio é que o homem sabe para onde vai”, diz.

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Neusa Lopes com a artista Adriana Schultz, cujas telas são inspiradas nas fotografias de Neusa.

Entre amores e cores, cliques e pinceladas, histórias e lugares, Neusa tem a pretensão de publicar um livro completo com o resultado da pesquisa e coleta de informações, que realizou de 2011 a 2017. Entre seus projetos pessoais, estão lançar o segundo livro de fotografias “Tons de Itapoá” e realizar uma exposição de pinturas contando a história e retratando as belezas do local.
Atualmente, Neusa vive em um cenário litorâneo inspirador e afirma estar vivendo os melhores dias de sua vida. “Estou em uma fase tranquila e serena. Fiz muitos amizades aqui e estou perto de meus filhos e neta, a maior razão da minha vida”, diz. Para Neusa, o prazer da vida está nas pequenas coisas, desde uma caminhada à beira-mar, passando pelas pinceladas até um domingo em família.

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