Rede Feminina de Combate ao Câncer chega a Itapoá

Presente em 63 municípios do estado de Santa Catarina, a Rede Feminina de Combate ao Câncer tem como intuito proteger a mulher, prevenir o câncer de colo de útero e de mama. Recentemente, a Rede chegou ao município de Itapoá (SC), e promete realizar ações, encontros e palestras de conscientização para grupos de mulheres e para toda a população itapoaense.

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

A Rede Feminina de Combate ao Câncer chegou ao município de Itapoá por intermédio de Solismar Antônio Potulski, proprietário da loja Manu Beauty, de Itapoá. Certa vez, em sua loja, Solismar recebeu a visita de uma cliente diagnosticada com câncer de mama que, em conversa, comentou das dificuldades e da falta de apoio para o tratamento no município. “Como eu havia morado em Joinville (SC) e São Francisco do Sul (SC), já conhecia o trabalho da Rede Feminina de Combate ao Câncer, que atuava nestas cidades. Sempre tive carinho e respeito pelo trabalho que a Rede realiza, pois vai além da orientação das doenças, incentiva os exames preventivos e orienta toda a comunidade”, conta Solismar, que pensou consigo: ‘por que não fundar uma Rede Feminina em Itapoá?’.
Em contato com a presidente do estado de Santa Catarina, Sônia Rieg Fischer, Solismar, junto de um grupo de mulheres que vivem em Itapoá, buscou informação, orientação e apoio para fundar a Rede na cidade. Sendo assim, em agosto de 2019, a diretoria foi apresentada aos munícipes e a Rede Feminina de Combate ao Câncer foi, finalmente, implantada em Itapoá.

 

A Rede
A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Santa Catarina, foi criada em 6 de maio de 1961, na capital catarinense, Florianópolis (SC). Inicialmente, as voluntárias atendiam as mulheres acometidas de câncer nos hospitais. Após 12 anos de existência na capital, foi criada a primeira Rede no interior do estado, na cidade de Blumenau (SC).
Com a demanda apresentada, outras Redes foram sendo criadas, sempre fiéis ao propósito de proteger a mulher, orientando-a no sentido de prevenir o câncer. O alerta à prevenção do câncer de colo de útero e de mama é feito através de palestras, ações, projetos e eventos de conscientização para grupos de mulheres e população em geral.
No estado de Santa Catarina, atualmente, 63 municípios contam com as Redes Femininas. As mulheres são atendidas por voluntárias, atuando principalmente na prevenção do câncer de mama, com encaminhamento para mamografia e colo uterino com coleta do exame preventivo (Papanicolau). Proporcionam às usuárias terapias complementares ao tratamento e qualidade de vida, principalmente às mulheres mastectomizadas, e realizam palestras e ações educativas de conscientização, quanto à importância da prevenção e o diagnóstico precoce do câncer.

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A missão
Natural de Tramandaí (RS), Ameris Hablich é cabeleireira aposentada e mudou-se para Itapoá em 2017, por influência de sua irmã, que tem casa no município há vinte anos. “Quando conheci Itapoá, me apaixonei e mentalizei ‘um dia ainda vou morar aqui’, e anos depois isso aconteceu”, conta.
Ainda no Rio Grande de Sul, ficou viúva, entrou em depressão e acabou conhecendo a pintura. “Comecei a pintar aos 50 anos de idade, para preencher o vazio, e descobri um grande talento e uma grande paixão”, fala. Tempos depois, entrou para o Clube de Mães, onde atuava como voluntariada, ministrando aulas de pintura e ajudando outras mulheres a encontrar na arte a cura para atravessar momentos difíceis.
Em Itapoá, Ameris fez amizade com Solismar e foi convidada a compor a diretoria da Rede Feminina. “Já que me encontrava aposentada, tinha tempo hábil e gostava de voluntariado, Solismar sugeriu que eu fosse presidente da Rede de Itapoá. Agradeci o convite, mas acabei o recusando, pois não queria ter uma responsabilidade àquela altura”, recorda.
Certa vez, Ameris teve de acompanhar Solismar em uma convenção da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Florianópolis. O evento, que reuniu cerca de 300 mulheres de todo o estado, contou com palestrantes estudiosas da área e relatos inspiradores. Ameris lembra: “Me senti tocada neste evento. Lembro-me que voltei para casa maravilhada com o trabalho da Rede e a importância de cada uma daquelas voluntárias na vida das mulheres diagnosticadas com câncer”.
Pensando na possibilidade de ajudar e mudar a vida de pessoas, Ameris aceitou, então, o convite e, através de votação, foi eleita presidente da Rede Feminina de Itapoá, assumindo a função em fevereiro de 2020.
“Quando cheguei a Itapoá, já aposentada, pensei que fosse sossegar e desapegar de qualquer trabalho remunerado ou voluntário. Hoje, vejo que os caminhos não me trouxeram aqui por acaso. Assumo a Rede Feminina de Combate ao Câncer como uma missão e um propósito que tenho com o município”, afirma a voluntária, que planeja promover o tema pela cidade organizando encontros, palestras, atendimentos e atuando em parceria com As Amorosas de Itapoá – grupo de voluntárias que confecciona almofadas em formato de coração, que ajudam a minimizar as dores e oferecem apoio no tratamento contra o câncer.

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Homens também podem abraçar a causa
Nas palavras de Solismar, “você não precisa ter câncer de mama ou no colo do útero ou ter algum diagnosticado na família para lutar por esta causa, pois quando amamos verdadeiramente o próximo devemos estar sempre à disposição para fazer o bem”.
Segundo Ameris, por ser homem e idealizador da Rede em Itapoá, Solismar é muito respeitado pela diretoria do estado de Santa Catarina. Graças ao seu ativismo e sua iniciativa, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Itapoá tornou-se a primeira do estado a ter homens no conselho fiscal e voluntariado.
“Acredito ser muito importante a presença de homens neste projeto. Primeiro, porque o câncer não é exclusividade da mulher e, segundo, porque é imprescindível que, nós, homens, possamos esclarecer nossas dúvidas, para servirmos de apoio em nossos lares, nossas famílias ou até mesmo na comunidade”, explica Solismar.

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Faça parte
Ao público itapoaense, Ameris explica que a Rede de Itapoá é como todas as outras já espalhadas pelo estado: uma instituição regulamentada sem fins lucrativos, que atua com credibilidade, transparência e como uma rede de apoio a mulheres, onde sintam-se amadas, acolhidas, informadas, tratadas e protegidas. Para um atendimento de qualidade, a Rede de Itapoá está em busca de uma sede própria – assim como tem a grande maioria das Redes do estado – para contar com o atendimento de enfermeiras, médicos, terapeutas, palestrantes, etc.
Atualmente, a Rede conta com dez pessoas voluntárias, que vêm estruturando os projetos e as atividades desempenhadas no decorrer do ano. “Procuramos pessoas que queiram apoiar a causa do câncer de mama e no útero, seja através de: divulgação; doações de perucas, próteses ou turbantes; da participação de bazares e brechós que serão realizados para arrecadar fundos; de profissionais artesãos que queiram ministrar aulas voluntárias de pintura, crochê e outras artes, como geração de renda para pacientes diagnosticadas; além de profissionais como ginecologista, psicóloga, enfermeira, advogada, nutricionista e fisioterapeuta, que possam prestar atendimento ou palestras educativas e informativas”, explica a presidente.
Para tornar-se voluntário (a) na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Itapoá, basta entrar em contato com Ameris através do número (51) 99942-0735 e, posteriormente, preencher uma ficha de cadastro. Mas vale ressaltar: a pessoa voluntária terá de passar por um tempo de experiência e assumir algumas responsabilidades com a Rede.
Segundo Ameris Hablich, é gratificante poder fazer algo pela cidade, pelos pacientes e suas respectivas famílias, “porque muitas vezes as famílias sofrem tanto quanto ou até mais que a própria diagnosticada”, lembra. Agora, com a chegada da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Itapoá, muitas mulheres serão acolhidas, abraçadas e confortadas, e muitas histórias serão ouvidas, contadas e servirão de inspiração.

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