Ciranda de Gaia – uma jornada de cura para mulheres

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“Nós, mulheres, guardamos marcas emocionais profundas por ficarmos expostas a diferentes tipos de violência e torturas psicológicas por conta do sistema patriarcal que favorece o imperativo masculino. Quando uma mulher recupera seu Sagrado Feminino, recupera sua potência e está pronta para dar voz ao sentido real de sua vida.”
Assim propõe a Ciranda de Gaia – uma jornada de empoderamento feminino, um processo de psicoterapia de grupo criado e conduzido há sete anos por Andréa Sumé e Janete Aurea Duprat.
Para saber mais sobre esta jornada de autoconhecimento e cura, conversamos com Andréa Sumé, psicóloga sistêmica, atuante há 22 anos na prática clínica com casais, famílias, psicoterapia individual e Constelação Familiar, psicoterapeuta de grupo com foco em Ritos Xamânicos e Sagrado Feminino, escritora, compositora e tamboreira.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Revista Giropop: A Ciranda de Gaia foi idealizada por você e Janete Aurea Duprat. Quando e por que surgiu este trabalho?
Andréa Sumé: A Ciranda de Gaia surgiu para que as mulheres expandam as visões sobre si mesmas, ressignifiquem sua história e resgatem o Selvagem e o Sagrado que ancestralmente habita em nós. A Ciranda nasceu em 2012. São sete anos tecendo esse elo sagrado em imersões transformadoras para as metamorfoses urgentes do feminino.

Revista Giropop: Por que a vivência leva este nome?
Andréa Sumé: Existe um movimento mundial que foi crescendo ao longo dos anos para o estudo dos saberes femininos, que são os Círculos de Mulheres. Na década de 80, os círculos se espalharam por todo o Brasil.
A partir de uma profunda amizade vivenciada nos processos de autoconhecimento, eu e Janete Áurea Duprat decidimos, juntas, organizar nosso círculo que leva o nome Ciranda de Gaia. Esse nome traz a lembrança ancestral da dança cíclica da vida onde todos nós fazemos parte.

Revista Giropop: Podemos afirmar que a Ciranda é um caminho de autoconhecimento feminino?
Andréa Sumé: Não somente de autoconhecimento, mas, também, de reconhecimento. Nos reconhecermos como mulheres e sabermos do que se trata a condição feminina: subjetiva, intuitiva , emotiva, afetiva e protetiva – são algumas de nossas características.

Revista Giropop: Para quem a Ciranda é feita?
Andréa Sumé: Para todas as mulheres que sentem a necessidade de se despir das máscaras, sair dos afogamentos emocionais típicos do feminino ferido e encontrar sua autenticidade. A idade mínima sugerida é 16 anos.

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Revista Giropop: Por que é tão essencial a mulher se reconectar com sua autenticidade e ancestralidade?
Andréa Sumé: A essência do movimento Sagrado Feminino se trata em resgatar o arquétipo da Mulher Selvagem: é a mulher que não foi domesticada e que não se tornou submissa aos padrões socioculturais vigentes. Que não se esqueceu de sua natureza cíclica e dos saberes passados de geração para geração. Essa Mulher Selvagem conhece seu desejo, sua sexualidade e seus direitos. Está livre da culpa e busca formas de ser ela mesma enfrentando seus medos. Hoje, as opressões históricas que guardam a trajetória do feminino na nossa sociedade é um tema de pauta para o mundo moderno. As mulheres estão se despedindo do vitimismo e assumindo o protagonismo.

Revista Giropop: Movimentos sociais e políticos, como o feminismo, por exemplo, ajudam ou atrapalham nesse processo de cura?
Andréa Sumé: O feminismo é essencial para a construção de um feminino saudável. Estamos rompendo com padrões opressores, sejam religiosos, morais, sexuais, políticos ou sociais. O lugar da mulher na sociedade passa por esse despertar. Houve um esquecimento da condição real do feminino por conta do sistema patriarcal que impera nos tempos que vivemos, onde o homem tem a autoridade sobre a mulher. Não se trata de acusar os homens pela imposição dessa cultura, até porque os homens também sofrem com isso. Os homens precisam se curar tanto quanto as mulheres e refazer seu código moral e ético, numa sociedade que o privilegiou por tanto tempo. A mulher ficou submetida às duras amarras desse sistema impositivo e castrador, onde sua natureza original foi praticamente domesticada. Esse distanciamento da nossa real natureza vem nos causando consequências gravíssimas.

Revista Giropop: Que magia há intrínseca no útero, no coração e no corpo de uma mulher?
Andréa Sumé: Existe uma cicatriz muito antiga que está guardada no útero de todas nós. Essa cicatriz é como uma memória transgeracional que nos conta as dores e alegrias, lutas e glórias das mulheres de nossa família. Nossa mãe, avó, bisavó, tataravó, as mais antigas mulheres de nossa linguagem transferem histórias e dramas no que se refere ao tema do feminino. As mulheres guardam marcas emocionais profundas por ficarem expostas a diferentes tipos de violência e torturas psicológicas por conta do sistema patriarcal que favorece o imperativo masculino. E quando as mulheres recuperam seu Sagrado Feminino, recuperam sua potência. Resgatam seus saberes e estão prontas para se posicionar e dar voz ao sentido real de suas vidas. É aqui que elas se tornam autoras de sua própria história.

Revista Giropop: Você acredita que todas as mulheres guardam dentro de si esses saberes, basta despertá-los?
Andréa Sumé: Sim. O convite é despertar desse esquecimento regido por um sistema de crenças opressor. Integrar todas as faces do feminino em nós é a própria experiência do Sagrado. Não é místico, nem fantasioso. É real, autêntico e natural. É o convite que faço a todas as mulheres que desejam crescer em consciência. Aqui, aprendemos o que não nos foi ensinado.

Revista Giropop: A Ciranda de Gaia é uma jornada de quantos ciclos?
Andréa Sumé: É uma jornada de Três Ciclos, três encontros anuais que seguem uma ordem afetiva e emocional: o nascimento, a infância, a cura da criança interior, a adolescência, a maturidade, e todos os ritos femininos esquecidos com a chegada da menstruação e sexualidade. Todos os Ciclos incluem Ritos de Passagem, que são vivências fortes, desenvolvidas para consolidar mudanças através da mente, corpo e coração. Essas vivências são cuidadosamente estudadas e aplicadas, gerando a oportunidade de transformação real que acontece de dentro para fora.

Revista Giropop: Às mulheres que desejam viver esta imersão de autoconhecimento e reconhecimento, quais as próximas datas?
Andréa Sumé: O Primeiro Ciclo da Ciranda de Gaia acontecerá do dia 30 de abril ao dia 03 de maio, o Segundo Ciclo entre os dias 24 e 27 de setembro e, por fim, o Terceiro Ciclo acontecerá de 27 a 29 de novembro. Todos os Ciclos acontecerão no Espaço de Vivência Pousada Monte Crista, em Garuva (SC). Para maiores informações, é só acessar o site http://www.cirandadegaia.com.br. Este é um chamado para a cura, onde mulheres estão convidadas a expandir a visão sobre si mesma, compreender melhor sua própria história e viver de forma mais integrada e harmoniosa os seus relacionamentos.

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