Casal alimenta, castra e resgata cachorros de rua em Itapoá

Apaixonado por cães “desde que se conhece por gente”, o casal Simone Abud e Paulo Sergio Fcachenco já alimentou, castrou e resgatou inúmeros cachorros
de rua na Argentina, nos Estados Unidos da América e no Brasil, mais
precisamente no município de Itapoá-SC – tudo isso, voluntariamente, pelo simples fato de amar os animais.
Em entrevista à Revista Giropop, eles
falam sobre a necessidade de uma política pública voltada ao cuidado dos animais, a importância da adoção em relação à compra dos mesmos, e o papel de cada munícipe na causa contra o abandono dos bichinhos – um problema cada vez mais recorrente em Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Casal Paulo Sergio Fcachenco e Simone Abud

Em entrevista à Revista Giropop, eles falam sobre a necessidade de uma política pública voltada ao cuidado dos animais, a importância da adoção em relação à compra dos mesmos, e o papel de cada munícipe na causa contra o abandono dos bichinhos – um problema cada vez mais recorrente em Itapoá.
Durante muitos anos, Paulo e Simone moraram na Argentina, onde afirmam que a situação dos cachorros de rua é ainda mais crítica. “Vivíamos em um haras de cavalos de polo, com mais de quarenta acres. Resgatamos dezenas de cachorros que viveram lá, até que saímos, definitivamente, da Argentina. Então, conseguimos adoção e transportamos vários deles para os EUA, enquanto alguns foram adotados no Brasil por amigos e o restante deles veio para Itapoá”, conta Paulo, que divide seu tempo entre o município litorâneo do norte catarinense, onde trabalha e se envolve em causas voluntárias em prol dos animais, e Miami, nos EUA – onde Simone se estabeleceu há mais de vinte anos e, com o esposo, já resgatou centenas de cães e gatos.

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Tanto em Miami quanto em Itapoá, Simone e Paulo têm muitos cachorros de estimação, todos adotados. São eles: Gracie, Amélia, Jake, Maggie, Lylah, Skye, Storm, Helena, George, Alex, Lola, James, Eros, Abu, Sin, Boba, Chica, Morocha, Ratito, Georgia, Picky, Leo, Bianca, Charlie e Ty. Sobre a compra de cães e gatos de raça, o casal se posiciona absolutamente contra. “Com a quantidade de animais dóceis nas ruas, que só querem amar, ser amados e ter um lugar quentinho para dormir, deixá-los sofrendo e morrendo nas ruas e comprar um, só porque é dessa ou daquela raça, é inadmissível. Acreditamos que animais não são bolsas ou sapatos de marca, para serem comprados, exibidos, usados e jogados fora. São seres com sentimentos, dores, medos e amor, como todos nós”, afirmam.
Todo o seu envolvimento com a adoção e a castração começou, simplesmente, por amor aos animais. “No Brasil, consideramos a questão de abandono e maus-tratos aos animais um absoluto desrespeito à vida, pois o poder público nada faz por eles e as pessoas parecem não se importar e, em Itapoá não é diferente: a maioria da população parece não enxergar estes animais indefesos e, os que enxergam, acreditam não ser problema deles”, fala Paulo, “felizmente, em Itapoá, tivemos o prazer de conhecer algumas poucas pessoas que compartilham do mesmo amor e respeito que temos por eles”.
Juntos, Simone e Paulo castram, alimentam diariamente e buscam lares onde os cachorros de rua sejam amados e cuidados, além disso, cuidam dos cães que estão doentes ou machucados. Para isso, contam com a ajuda de alguns poucos comércios de Itapoá, como a Panificadora e Confeitaria Maykon e o petshop Animal House, que contribuem com ração e castração, além de outros comerciantes que ajudam com o simples ato de colocar um pote com água e ração na porta de seus estabelecimentos, como os comerciantes do Maldaner Vidros e Alumínio, da A4 Papelaria, entre outros. Para eles, esta pequena atitude deveria se tornar comum no município, como encontraram em várias outras cidades tanto no Brasil como nos EUA.
Somente em Itapoá, o casal alimenta diversos cachorros que necessitam de ajuda diariamente: são, em média, trinta quilos de ração por semana. Além disso, eles também fornecem ração para algumas pessoas que adotaram os cãezinhos, mas não têm condições financeiras de alimentá-los. Atualmente, Simone e Paulo castram ou colaboram com a castração de oito a dez animais por mês, em parceria com a Dra. Angela Gomes, da Veterinária Itapoá.
Além das parcerias com os comerciantes e profissionais já mencionados, Paulo e Simone solucionam boa parte deste problema com recursos próprios. “Apesar das parcerias já estabelecidas, gostaríamos que todo comércio em Itapoá doasse, no mínimo, uma castração por mês. E, acima de tudo, que a prefeitura não somente apoiasse, mas também participasse ativamente para solucionar este problema, que é de interesse público”, dizem.
Para combater este problema no município de Itapoá, eles acreditam que é necessário educar a população sobre a importância da castração e vacinação, através de campanhas “que podem ser parcialmente financiadas com a criação de um imposto de 1% cobrado somente na alta temporada”, sugerem. Na opinião dos apaixonados por animais Paulo e Simone, o primeiro passo para solucionar o problema de abandono e maus-tratos a essas criaturas inocentes e sem voz é levar conhecimento e informação à população itapoaense, especialmente às pessoas de baixa renda.
Para os itapoaenses que desejam adotar um cãozinho de rua, basta entrar em contato com o casal através do WhatsApp +1 305 970 6514, do e-mail paulo.fcachenco@gmail.com, ou de seus perfis “Paulo Sérgio Fcachenco” e “Simone Abud” no Facebook.
Vale frisar que, em breve, Paulo e Simone também lançarão a campanha “SOS Castração”, oferecendo castrações para cães e gatos por apenas R$ 150,00.

 

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Onde o amor e a disposição sobram

O que para muitos é visto como loucura, para ela é amor. Aos 78 anos de idade Elvira Maria Schaldach dá uma aula de disposição em Itapoá: cuida da mãe de 97 anos que sofre de alzheimer, de um grande jardim com plantas das mais variadas espécies e de 31 cachorros. Sim, são mais de três dezenas de cães em uma só casa, todos bem tratados.

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Dona Elvira com sua mãe e dois de seus 31 ‘netos’.
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Dona Elvira divide o seu com os animais, a mãe e o seu jardim.

Augusta Gern

Ao chegar ao portão o alarme é certeiro: uma variedade de ritmos e tons de latidos recepcionam todas as pessoas. Pelo chão não é visto sujeira e, na mão de Elvira, o pacote de bolacha retrata o mimo para seus queridos netos, como chama seus cães: “Tenho que comprar outra bolacha porque alguns não gostam muito dessa”. Ao fundo do terreno canis abrigam a maioria dos cães, mas nove deles tem entrada livre na casa: dormem pela sala e até nos quartos.
Conforme Elvira, todos os cães são vacinados, castrados e tem acompanhamento veterinário. Sem doações, ela gasta cerca de 200 kgs de ração por mês. Todos foram adotados: alguns vieram de Curitiba, onde também cuidava de cães, outros foram acolhidos em Itapoá. “Uma vez já deixaram três filhotes em frente a minha casa e tive que cuidar”, conta.
Porém, Elvira lamenta não ter mais espaço hoje: “não posso mais adotar, porque o espaço e os recursos não permitem”. Desde que chegou a Itapoá, há quatro anos (veio pela saúde de sua mãe), doou apenas um cachorro. “Só vou doar para alguém que eu confio muito, pois não quero vê-los presos em correntes”, afirma.
E com tantos moradores, não há como a casa não ficar movimentada. Muita correria e brincadeira fazem o tempo dos caninos passarem. Segundo Elvira, todos os cães a respeitam e não são de latir muito. “Até hoje nenhum vizinho reclamou e quando eles começam eu já peço para eles pararem”, conta. Recentemente o departamento de vigilância sanitária a visitou, mas não recebeu nenhuma notificação ou reclamação.
Assim, mesmo com sérios problemas de coluna, Elvira segue uma rotina de extrema dedicação: limpar os canis todos os dias, dar comida e carinho aos cães e cuidar de todos os passos de sua mãe, que há seis anos não consegue fazer nenhuma atividade sozinha. Uma rotina que começou alguns anos atrás, já em outras cidades.
Como sempre gostou de cachorros, a sua dedicação começou em Joinville (SC) quando seu filho trazia pequenos cães machucados para casa. Depois, em Curitiba, optou por morar em uma chácara e lá realizou o seu sonho: cuidava de 80 cachorros abandonados, doentes ou feridos. Com apoio de clínicas veterinárias e amigos, conseguiu salvar a vida de muitos animais e até fez campanhas de doação. Então, quando veio para Itapoá, a rotina não poderia ser diferente.
Com tanta experiência, aprende muitos cuidados: “hoje eu só não faço operação neles, o resto cuido de tudo”. E o amor é tanto que um álbum de fotos registra momentos marcantes dos cães e em um caderno anota o nome de todos para não se esquecer. “Eles precisam de amor e nós precisamos do carinho deles”, afirma.
Além dos cães, da mãe e do jardim, Elvira conta que também está sempre à disposição para ajudar os amigos. Como possui carro, sempre se dispõe a levar quem precisa ao médico ou até ao mercado. “São coisas que não nos custam nada e um dia também podemos precisar”, fala.
Com tantas atividades, é difícil encontrar um tempinho livre. Quando conta o seu passatempo, uma surpresa: como Elvira não foi à escola quando criança e adora histórias, dedica seu pouco tempo livre a reescrever todas as histórias contadas pela revista. Em um caderninho, ela prova que copiou muitas matérias e se orgulha ao perceber como a caligrafia tem melhorado a cada edição.

Matéria publicada na Revista Giropop Edição 19 – Julho 2014

Animais também curam

Nesta edição, descobrimos com esta série que o amor por animais pode proporcionar mais do que alegria, amizade e boas histórias, também auxilia na cura e na vontade de seguir em frente.

Augusta Gern

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Beatriz Peres de Oliveira: os livros e os animais.

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Esta história não poderia começar de forma diferente, unindo as grandes engrenagens da vida de Beatriz Peres de Oliveira: os livros e os animais.
Com 11 anos de idade, a moradora de São Francisco do Sul mostra como não podemos desistir de nossos sonhos, nossos objetivos, em qualquer obstáculo, principalmente quando são movidos com tanto amor. Há cerca de dois anos recebeu a notícia que estava com um tumor no cerebelo, mas está dando a volta por cima.
A leitura é uma paixão que vem de berço e a motivou a começar a escrever. Com a paixão por animais, principalmente cachorros, tomou a iniciativa e escreveu o Tob, um livro infantil.
“Ela fez tudo sozinha, toda a história é fruto da imaginação dela. Me lembro dela sentada no sofá escrevendo com atenção e me perguntando: Se eu escrever um livro vocês publicam? E nós sempre dizendo que sim, que em breve o faríamos”, conta Fabiane Peres, mãe de Beatriz.
A única exigência dela é que o dinheiro arrecadado com o livro fosse revertido aos animais da rua, queria ajuda-los.
“Como sempre foi apaixonadas por animais, não gosta de vê-los sofrer. Antes de ser alfabetizada, e até hoje, pede para vendermos a nossa casa e comprar um terreno grande para poder cuidar dos animais”, conta a mãe. Desde pequena ela quer ser veterinária e bióloga, inclusive Fabiane conta que ela até já desenha a planta de seu futuro pet shop.
No aniversário de dez anos ela teve a grande surpresa: ganhou sua cachorrinha Minnie, mas nem conseguiu curti-la direito. Dez dias depois descobriram o tumor e, por passar muito tempo no hospital, deixou a companheira nos cuidados de sua avó.
“Ela não viu a Minnie crescer e isso mexeu muito com ela, a fez sofrer demais durante o tratamento”, lembra Fabiane.
Foram 15 meses de tratamento intensivo: dez cirurgias, quimioterapia, radioterapia, medicamentos para combater a doença, passagens pela UTI e constantes internações.
Durante todo esse período, mesmo longe, a mãe afirma que a cachorrinha Minnie deu muita força: “Ter um cachorro era um grande desejo de Bia e quando aconteceu de o destino as separarem, Bia sofreu muito”.
Fabiane lembra que quando Beatriz esperava para fazer a cirurgia, chorava muito pedindo para ver a Minnie. Depois da cirurgia ficou quase dois meses sem conseguir falar, e logo quando voltou pedia constantemente para o médico deixar Minnie visita-la.

“O reencontro das duas foi lindo, quase dois meses
depois a Minnie a reconheceu na hora”, lembra.
Porém, como o tratamento era Blumenau, a cachorrinha
precisou ficar mais um tempo com a avó.

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Durante este período no hospital, o sonho de publicar o livro saiu da gaveta e tornou-se realidade. Conforme Fabiane, a publicação foi feita com a ajuda de voluntários sonhadores de Blumenau.
No hospital onde Bia fez o tratamento tem pedagogia hospitalar e, na véspera de uma internação para quimioterapia, ela pediu que a mãe pegasse o livro, pois tentariam publicá-lo. Isso foi em novembro de 2013 e ali o assunto parecia ter acabado. “Bia continuou o tratamento e em abril de 2014 as coisas pioraram, fazendo com que ela entrasse em coma devido a uma infecção generalizada, permanecendo assim por cerca de 50 dias, 30 desses na UTI”, conta a mãe.
Dois meses depois, em junho, veio a notícia de que o Tob seria publicado com a ajuda dos voluntários e mais do que isso, também virou pelúcia.

O primeiro lançamento foi dia 25 de setembro, em Blumenau. “Chegando a São Francisco do Sul, nossa cidade, a Bia pediu que nós não deixássemos o seu sonho morrer, que ela precisava ajudar os animais de rua, e assim aqui, com a ajuda de mais sonhadores, conseguimos fazer um lançamento no dia 17 de novembro”, conta.
Com essa surpresa que a vida lhe deu e como precisa se reabilitar, a mãe conta que mudaram um pouco o destino da renda dos livros: parte vai para a reabilitação da Bia, parte para continuarem publicando o seu livro e parte para os animais de rua, seu principal sonho.
Os livros também não param: Bia já tem outros dois livros prontos, está trabalhando em mais um e já tem ideia para outro. “A continuação do Tob vem aí, além dele tem o Wendy na Selva e outro que ainda é segredo”, fala Fabiane.
Junto à produção de livros, hoje Bia está lutando para sua reabilitação motora voltar ao normal e fisioterapia e equoterapia fazem parte da sua rotina. “A equoterapia, inclusive, volta ao ponto da ligação da Bia com os animais, ela adora os cavalos”, afirma a mãe. A Minnie também a ajuda, sempre a faz companhia e sabe dos cuidados que Bia precisa: “ela sabe que a Bia está fraquinha e que não pode pular nela, é incrível a conexão”. Assim, junto com o sonho de ajudar os animais, seu grande desejo é melhorar e voltar a andar.

O livro Tob custa R$ 15, mais o valor do Correio, e pode ser adquirido pela página dela no facebook: /beatrizperesescritora. Para aquisição é só mandar uma mensagem e você pode acompanhar os relatos curtindo a página.

Gatos portadores de doenças raras ganham cuidados especiais

Em comemoração ao mês dos namorados, contamos a história de Helena Steinhaus e seu marido Rauel Moraes Silva Neto, de Itapoá-SC, que vivem com seus dois felinos Zeppelin e Ted, ambos portadores da FeLV, o vírus da leucemia felina, e não medem esforços e carinhos aos gatos. Para a dona, oferecer um bom tratamento e dedicar parte de seu tempo aos gatos é um meio de retribuir todo o bem que eles lhe fazem.

A paixão pelos bichanos sempre esteve junto de Helena, que chegou a ter mais de dez gatos ao longo da vida. “Gosto muito de cães, mas sempre preferi ter gatos. São animais mais independentes, limpos e organizados”, diz. No ano de 2011, depois de passar um bom tempo sem ter bichos de estimação, ela ganhou um gatinho com apenas quarenta dias de vida – doação de uma amiga. Seu nome, Zeppelin, foi escolhido em homenagem à banda Led Zeppelin, a favorita de Helena. No ano seguinte, ela pegou Ted de uma cria, quando o felino tinha cinquenta dias de vida.
Em comum, os dois gatos de Helena e Rauel não têm raça definida, são castrados e amigos, mas as diferenças entre eles também são muitas. Quando se trata de aparência, Zeppelin é claro, de pelos amarelos, já Ted tem pelos pretos. Na parte comportamental, o primeiro adora estar na companhia de pessoas e crianças, já o segundo, prefere se isolar na presença de algum estranho. Zeppelin também costuma dar mais trabalho do que Ted. Segundo Helena, ele passou por diversas complicações de saúde – umas mais graves, outras menos graves – e hoje é considerado um gato sobrevivente.
Tudo começou em 2013, quando Zeppelin ficou ictérico, ou seja, sua pele ficou amarelada, devido a uma lipidose hepática que, posteriormente, foi curada. Somado a isso, a dona notou que o gato não se alimentava há dois dias. “Levei-o para minha veterinária de confiança em Itapoá, que fez o que pôde, até que me orientou a leva-lo a uma clínica veterinária de Joinville. Lá, descobrimos que ele estava com anemia profunda, uma doença transmitida pela pulga infectada e a FeLV, uma doença crônica”, recorda Helena. O gato ficou internado na clínica durante dois dias e, a partir daí, o casal de donos passou a tratar as doenças em casa.
A FeLV, por se tratar de um vírus que ataca e enfraquece o sistema imunológico dos bichanos que, sem proteção, acabam infectados por outros diversos problemas que podem leva-los à morte, merece atenção. Vale ressaltar que a FeLV ainda não tem cura e o que se pode fazer nos casos de gatos acometidos pela doença é simplesmente tratar os sintomas e as principais complicações decorrentes da doença, visando amenizar o sofrimento do gato e prolongar sua vida com a maior qualidade possível.
Uma vez que a doença é viral, além do gato Zeppelin, Ted também foi infectado. Para evitar que se espalhe, seguindo orientações, Helena medica os felinos, lhes oferece ração de boa qualidade e com controle de calorias, e evita que eles fiquem estressados. “De acordo com os veterinários, quando apresenta manifestação da FeLV o gato tem, em média, mais três anos de vida, mas Zeppelin já está entrando no quarto ano de vida após a infecção”, conta a dona. Tudo isso, é claro, graças aos cuidados de Helena, Rauel e dos médicos veterinários.
Tempos depois, em setembro de 2016, Zeppelin também desenvolveu outra doença rara chamada colangite, que se trata de uma infecção nas vias biliares. “Ele começou a vomitar e emagrecer muito e também por indicação da veterinária que me ajuda em Itapoá, levei-o para fazer uma cirurgia em Joinville, na tentativa de desobstruir suas vias biliares. Chegando lá, o veterinário realizou um tratamento de sucesso, fazendo com que a cirurgia não fosse necessária”, explica Helena. Além da FeLV e da colangite, o gato Zeppelin também já passou por outras doenças e infecções – essas, um pouco menos graves.
Mesmo com todo o amor e carinho que tem pelos seus pets, Helena afirma que, depois de Zeppelin e Ted, não deseja ter outro bicho de estimação. “É muito triste se apegar a eles e vê-los sofrendo ou perde-los por conta de alguma doença, especialmente quando temos consciência de que não podemos fazer mais nada, pois ela (a doença) é crônica”, diz. Atualmente, Helena e Rauel vivem com seus dois gatos, Zeppelin, que tem hoje seis anos e cinco meses, e Ted, que está com quatro anos e seis meses. De oito em oito meses, o casal realiza hemogramas para checar a saúde dos bichanos. Além de todas essas vivências, a internet também é uma boa aliada de Helena, que se tornou uma grande conhecedora da saúde de gatos.
Com base nas experiências adquiridas, eles finalizam: “Ter gatos portadores de doenças raras e crônicas é viver dias complicados e imprevisíveis. Mas eles são nossos companheiros, como uma terapia para nós. Portanto, todos os cuidados especiais são uma forma de agradecimento ao bem que eles nos fazem”.

 

Paixão em casa e na profissão

ivanilze2O casal Ivanilze Mesquita e Rodrigo Dossi, Toca do Cão.

Conhecida pelo grande amor e trabalho aos animais, Ivanilze Mesquita é um bom exemplo quando o assunto é a harmonia de uma casa com animais de estimação. São seis gatos, seis cachorros e um casal, todos dividindo o mesmo lar. A movimentação pelos cômodos é grande e os cuidados são vários, mas ali o amor sobressai.
Há oito anos em Itapoá, Ivanilze é veterinária, defensora e amante dos animais, então seus companheiros chamados filhos não poderiam ser mais bem tratados. Cada um tem uma história de adoção ou até resgate, características diferentes, nomes e apelidos. Fred, Pimpo, Diego, Zuke, Retinha e Dudu são os gatos; Jolie, Nica, Bibi, Stevie, Ricardo e Neguinha são os cães que completam a família.
Além dos 12 que vivem em casa, outros 12 estão atualmente morando em sua clínica. “Se eu pudesse tiraria todos os animais da rua, mas como é algo sonhador, fazemos o possível”, fala Ivanilze. Como este sonho não pode ser realizado, ela é umas das grandes incentivadoras da adoção dessas fontes de alegria.
Em casa tudo é muito bem arquitetado para o conforto da família inteira: ao lado da porta de entrada os gatos ganharam passagem exclusiva; na sala, grandes almofadas e colchas acomodam os animais; no cantinho da casa a refeição é servida e, um dos quartos se tornou suíte dos felinos. Ivanilze afirma que o trabalho é grande para manter tudo em ordem, mas tudo é recompensado. O olhar de gratidão, as folias para receber carinho e a companhia em todas as horas pagam qualquer trabalho.
Os principais cuidados são com os gatos, a sua grande paixão. Apesar de amar todos de forma inexplicável, a veterinária confessa que a paixão pelos felinos foi o motivo da profissão. Esta é uma paixão herdada de família, sua avó e sua mãe sempre gostaram também.
Ao todo Ivanilze já teve mais de 30 gatos, sendo que por alguns anos foram 17 de uma única vez. “Gato é vício, é como tatuagem: cada vez você quer mais”, afirma.
Conforme ela, os gatos são muito mais independentes do que os cachorros e, diferente do mito que corre por anos, são também muito carinhosos. Porém, diferente dos cães, necessitam de mais cuidados, principalmente por caminharem em todos os cantinhos da casa. Diferente do que muitos falam, ela explica que a toxoplasmose só é transmitida por gatos quando há pouca higiene, assim, uma boa dica é o uso de caixinhas de areia: se acostumados quando crianças, eles usarão sempre.
E mesmo com uma rotina regrada de cuidados, ela afirma que é possível sim viver em harmonia com tantos animais em casa. A fórmula é simples: amá-los. Os alertas são apenas quanto à higiene, o bem estar do animal e o acúmulo deles. “Mesmo com amor de sobra, não é bom ter mais animais do que você pode cuidar, afinal eles precisam de boas condições para viver feliz, como espaço, higiene e, principalmente, carinho”, fala.

Augusta Gern

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 22 – Outubro