Transformando discos de vinil em relógios e quadros decorativos

Foi em um armário que Alessander Ramos, morador de Itapoá-SC, encontrou os primeiros discos de vinil abandonados. Com muita criatividade, ele passou a reutilizar e personalizar os objetos, transformando-os em belos relógios de parede e quadros decorativos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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De Itapoá, Alessander Ramos reutiliza os clássicos
discos de vinil para criar peças decorativas.

Desde pequeno, Alessander gosta de desenhar e, ao longo de sua vida, aprendeu a personalizar rodas de veículos, capacetes, capinhas de celular, entre outros objetos, com pintura hidrográfica. Sempre interessado por trabalhos manuais, certo dia, ele decidiu criar um relógio de parede utilizando um cano de PVC. “Com um soprador térmico, desentortei um cano de PVC de esgoto, deixando-o como uma folha de papel. Em seguida, cortei-o em formato redondo e fiz o meu primeiro relógio de parede. No entanto, eu procurava por outro material, que fosse mais flexível para o corte”, conta Alessander.
Foi aí que, há cerca de três meses, na festa de casamento de um primo, ele encontrou discos de vinil abandonados dentro de um armário, e resolveu dar cara nova aos objetos, criando relógios de parede decorativos e personalizados. A experiência deu certo, uma vez que o vinil é um tipo de plástico muito delicado e maleável, e o artista deu continuidade ao trabalho. “Particularmente, gosto muito dos discos de vinil (que eram a principal forma de se ouvir música no século XX), mas, infelizmente, a importância deste objeto vem sendo esquecida com o passar do tempo”, fala Alessander, “acredito que os relógios e quadros decorativos que crio, tendo como matéria-prima o vinil, sejam também uma forma de resgatar este objeto tão nostálgico para os mais velhos e tão novo para os mais jovens”.

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Em prol de suas criações, Alessander compra discos de vinil de sebos e de pessoas que não fazem mais uso dos mesmos. No momento de dar vida à peça, ele utiliza fita branca, para envelopar o disco e desenhar em cima, e micro retífica, para dar forma, através do corte e acabamento. O trabalho, que começou a ser valorizado pela família e amigos mais próximos de Alessander, hoje, é feito por encomendas para outras cidades e, até mesmo, estados do Brasil. As inspirações para suas criações vêm de bandas, filmes e séries, como Beatles, Batman e The Walking Dead.

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Para o artista, a atividade com os discos de vinil é como uma terapia. Além dos relógios e quadros decorativos feito com os discos de vinil, ele também cria quebra-cabeças em 3D e luminárias feitas com canos de PVC. Atualmente, ele trabalha em uma empresa de transporte e tem o artesanato como hobby e fonte de renda extra. “Eu amo fazer arte e, ao criar minhas peças, me sinto calmo e relaxado. Deposito todo o meu amor nelas”, diz Alessander, que ainda deseja aprender corte e costura, e aprimorar cada vez mais suas peças de vinil – sinônimo de estilo e história.

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Para o artista, a atividade com os discos de vinil é como uma terapia.

Deseja entrar em contato com o artista Alessander Ramos, que cria relógios e quadros decorativos feitos com disco de vinil? Envie uma mensagem para ele: (47) 99668-2099.

 

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Peixe sai da água e entra na moda

Fazer arte, amizade e bem ao meio ambiente. É assim que o diferente conquistou lugar na vida de várias mulheres e está ganhando espaço na moda. Afinal, quem um dia imaginou que a pele do peixe poderia virar arte? Sim, depois que o peixe foi pescado, vendido, limpo e transformado em alimento, ainda pode ser base para exclusivos objetos, como bijuterias, carteiras, bolsas, sapatos e até roupas.

Augusta Gern

14042014-8 - fatima
Ela já fez sete vestidos de noiva e hoje se sente realizada com seu artesanato. “Não tenho nem o que dizer, é uma realização muito grande”, afirma Fátima da Graça Vianna de Oliveira.
14042014-6 - malzira
Malzira Kuliack Cândido também era professora. No começo, ela conta que ficava só olhando, nunca tinha mexido com artesanato. “É incrível”, afirma.
14042014-3 - maria elena nascimento
Carteiras são a especialidade de Maria Elena Nascimento. Antes trabalhava com peixe, fazia rede artesanal. “Nunca pensei que era possível fazer isso com a pele do peixe”, conta.
14042014-4 - ingrid
“Nunca passou na minha cabeça fazer isso. No começo eu não sabia nem como pegar”, conta Ingrid Maier. A artesã antes era costureira e hoje sente-se realizada com o novo ofício.
14042014-5 - maria lucia
Para Maria Lucia Alves da Silva, professora aposentada do Paraná, este projeto é uma das coisas mais bonitas que já viu, aliando o lado ecológico, à criatividade e geração de renda. Suas especialidades são marca páginas e tererê para o cabelo.
14042014-10 - maria alzira
Maria Alzira Coneglian Viana é professora aposentada e, quando parou de lecionar, buscou cursos de artesanato. Hoje sente-se feliz e realizada com o trabalho de todo o grupo: “A nossa equipe é maravilhosa, colaboradora e criativa”.
14042014-1 - Mariette
Mariette Bark sempre trabalhou com peixe em restaurantes. “Sempre procurava alguma coisa para fazer com a pele, pois é tão linda. E ficava me perguntando, mas nunca imaginei uma coisa dessas”. Sua especialidade são carteiras e flores.
14042014-2 - janete
“Não dava um centavo para essa pele, é fascinante”, afirma Janete Nunes de Jesus. A artesã era pescadora e costurava um pouco, hoje sua especialidade são chaveiros, mas gosta de aprender um pouco de tudo.
14042014-7 - marli
“É novo e maravilhoso. O que hoje é arte antes era lixo”, fala a artesã Marli Peres. Antes trabalhava com pesca e nunca tinha mexido com artesanato. O que mais gosta de fazer são os brincos com escamas de peixe.
14042014-9 - lourdes
Lourdes Paixão já trabalha com artesanato há anos, mas sempre com raízes encontradas na praia. Estava presente quando o projeto iniciou, saiu e hoje está retornando. Para ela, mexer com peixe é uma novidade muito grande.

Este é o trabalho com o couro de peixe, desenvolvido pela ACAPPI – Associação das Curtidoras da Pele de Peixe de Itapoá, do balneário Pontal. Há sete anos, professoras aposentadas, costureiras e pescadoras ganharam um novo aprendizado e ofício, e com isso estão fazendo a diferença. Além do conhecimento e muita amizade – o grupo se reúne dois dias na semana para produzir as peças – o artesanato também está colaborando na renda familiar. As artesãs participam das feiras municipais, já estiveram em outras cidades e também aceitam encomendas.
Tudo começou com a bióloga Sara Pontes, afirma a presidente da Associação, Maria Alzira Coneglian Viana. Sara era voluntária da ONG Bridge International (Instituto para promoção da vida), que tinha parceria com a igreja Metodista do município. Desde 2008 esta ONG estava trabalhando em Itapoá, no projeto Estação Samambaial.
Conforme Sara, uma das voluntárias desse projeto realizado no balneário Samambaial fez um curso de produção artesanal de couro de peixe na Barra do Saí, ofertado por alguma entidade local. “Na época a ideia não foi para frente, mas apontou uma possibilidade de desenvolver um projeto de geração de renda com este material”, conta Sara.
Assim, a bióloga se propôs a procurar informações sobre o processo, estuda-lo e escrever um projeto para aplicação. Com tudo em mãos, em 2010 a ONG conseguiu o apoio de parceiros para a implantação da atividade no Samambaial e iniciou o projeto ICHTUS. Conforme Maria Alzira, ICHTUS significa peixe em grego.
“Entretanto, observando o potencial das outras comunidades de Itapoá, principalmente o Pontal que possuía um grupo de mulheres bastante forte e uma boa tradição com a atividade pesqueira, foi submetido à Fundação do Banco do Brasil um projeto para ampliação das atividades no Pontal e na Barra do Saí”, recorda Sara. Deu certo e entre 2011 e 2012 foram realizadas as atividades para implantação de pequenos curtumes artesanais de couro de peixe.
Em todas as três localidades o projeto proporcionou um curso de processamento da pele de peixe, acompanhamento para realização e consolidação do aprendizado, capacitação para produção das peças e para o trabalho associado, parceria para a venda e divulgação do material, criação de identidade visual e preparação para a autonomia, conta Sara.
Porém, com o término do financiamento do projeto em 2012, apenas o grupo de artesãs do balneário Pontal permaneceu. Hoje já são dois anos trabalhando somente através da associação. “Mesmo com algumas dificuldades burocráticas e financeiras elas têm acreditado no trabalho em grupo e na capacidade de se renovar, foram em busca de novas parcerias e hoje contam com o apoio de outros grupos”, fala Sara. De acordo com Maria Alzira, hoje o Porto de Itapoá apoia a associação. Recentemente, essa parceria proporcionou um curso de curtimento de pele de peixe com produtos naturais, o que possibilitará ainda mais sustentabilidade.
Segundo as artesãs, para a transformação da pele do peixe em couro são necessários 13 processos químicos. Depois que a pele chega à associação, através de pescadores e restaurantes da região, o material é congelado até ocorrer a primeira etapa da transformação, onde é feita a raspagem de gordura, vísceras e escamas. Aí já inicia a “pegada ecológica”.
Conforme Maria Alzira, ao invés dos restos do peixe estar apodrecendo nas lixeiras e sujando ruas, viraram arte. “Depois da primeira etapa de raspagem, o que não é utilizado é levado até as gaivotas, como um grande banquete”, afirma. As escamas geralmente são aproveitadas para a confecção de brincos ou detalhes como flores em alguns objetos.
Todos os passos são rigorosamente realizados de acordo com os cursos e acompanhados de apostilas. “Tudo tem uma medida certa, se não podemos estragar a pele”, conta a presidente da associação.

26112012-primeira etapa do processo - raspagem da gordura e escamas
Primeira etapa do processo,
raspagem da gordura e escamas
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Sistema artesanal de tratamento de efluentes de cortume de peixe
14042014-secagem - última etapa da transformação da pele em couro
Secagem, última etapa da
transformação da pele em couro
14042014-coletes feitos com couro de peixe
Secagem, última etapa da
transformação da pele em couro

Além de trabalharem com um material natural, tudo é realizado para evitar impactos ambientais. Após todos os processos, o material químico é destinado até o sistema artesanal de tratamento de efluentes de curtume de pele de peixe, localizado na própria sede da associação. Todo o efluente é tratado e a água sai limpa, regando as plantas do jardim. O resíduo de produtos é recolhido pelo Porto que, de acordo com a associação, o destina a um aterro industrial.
Assim, cuidando do meio ambiente e fazendo arte, as mulheres da localidade do pontal levam uma rotina que nunca imaginaram. Ao perguntar sobre o potencial da pele do peixe, nenhuma das associadas já havia pensado em uma alternativa artística. Hoje, os sonhos navegam longe, como os navios por ali passam. “Um dia queremos exportar nossas peças”, brincam.
Uma brincadeira que pode dar certo. Conforme Sara, apesar desse ser o único projeto de cunho sustentabilidade ambiental e geração de renda apoiado pela ONG, outras iniciativas com o couro de peixe existem em todo o Brasil. No litoral paranaense, por exemplo, existe um grupo em Guaratuba e outro na Praia de Leste.
Para a bióloga, o projeto no Pontal é motivo de muito orgulho. “Das várias iniciativas com couro de peixe que conheço essa é a mais sólida no que diz respeito a uma organização de trabalho associado, além de evoluir absurdamente no design e qualidade das peças, sem perder o toque artesanal do material”, afirma.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 16 – Abril/2014