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André Vinicius, força e superação na batalha contra o câncer

Conhecido e querido por munícipes de toda a Itapoá, há oito anos o professor André Vinicius Araújo trava uma batalha contra um tumor no cérebro.
Hoje, sente-se confiante e seguro para falar sobre a doença que sempre esteve no anonimato e agradecer o carinho que tem recebido de todas as partes: “o apoio de amigos e familiares me encheu de amor, força e esperança”.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

 

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André Vinicius Araújo, professor em Itapoá, responsável pela locução de diversos eventos
significativos para o município.

 

 

De Nova Esperança-PR, André Vinicius é formado em Educação Física e há dezesseis anos reside em Itapoá. No município, ministrou aulas nas escolas municipais Frei Valentim, Alberto Speck e João Monteiro Cabral, atuou na Secretaria Municipal de Educação e nos último ano trabalhou como diretor na Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo. Também, foi responsável pela locução de inúmeros eventos significativos para o município, como inaugurações de escolas, postos de saúde, asfalto, homenagens na Câmara Municipal de Vereadores, PROERD da Polícia Militar, eventos escolares e comunitários, entre outros. Há 12 anos, casou-se com Noemi Araújo, também professora da rede escolar municipal e, juntos, tiveram dois filhos: Yuri (8) e Marcos Vinicius (4).
Recordando o passado, André lembra que desde 2002 sentia fortes dores de cabeça. “Procurei um oculista, pois acreditava tratar-se de algum problema de visão, mas não. Fui protelando e até aprendi a conviver com aquela dor no dia a dia. Mas os anos passaram-se as dores foram aumentando gradativamente”, conta. Já em 2009, além de as crises tornarem-se mais frequentes e intensas, André passou a ter episódios de convulsão – preocupações que levaram-no a procurar um médico.
Após realizar ressonâncias, mapeamento cerebral e uma série de exames, em janeiro de 2010 – no dia do nascimento de seu primeiro filho –, André, que não possuía histórico de câncer na família, recebeu o diagnóstico constatando um tumor de 1,4 centímetros, situado no terceiro ventrículo do cérebro.

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André apresentando a inauguração do novo prédio da Prefeitura Municipal de Itapoá

Primeiros anos
Como o local onde o tumor encontrava-se era de difícil acesso, os médicos não podiam sequer realizar biópsias para descobrir seu grau – a não ser que realizassem uma cirurgia. Em consulta com duas equipes médicas em Curitiba-PR, André foi aconselhado a passar por uma cirurgia de urgência. Insatisfeito, ainda buscou a opinião de um terceiro médico, em Joinville-SC, que apresentou-lhe duas opções: submeter-se à cirurgia ou acompanhar, ao longo do tempo, o desenvolvimento do tumor através de exames periódicos. Após muitas pesquisas, André tomou conhecimento de que esta cirurgia oferecia muitos riscos (de sequelas e até morte) e, portanto, optou por realizar o acompanhamento.

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Ao lado de Cleniudo, seu amigo e compadre.

De 2010 em diante, viveu dias de dor de cabeça intermitente e náuseas, tendo sido internado diversas vezes, sempre recebendo o apoio de dois grandes amigos: Professor Eduardo e seu compadre Cleniudo, que sempre estiveram presentes e eram os únicos a saber o que realmente acontecia. “Onde quer que fosse, carregava cartelas de codeína, para mastigar sempre que a dor surgisse ou normalmente era atendido no pronto-atendimento para receber morfina”, recorda.
Naquele tempo, o professor fez um acordo consigo mesmo, de que quando passasse por algum episódio crítico, seria o momento de realizar a cirurgia. O marco aconteceu em março deste ano de 2018, quando André chegou a ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

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Tomando lugar na Academia de Letras de Itapoá

 

A cirurgia
Sabendo que durante o tratamento o cabelo iria cair, André forjou uma aposta aos seus filhos, a fim de que perdesse propositalmente e tivesse de raspar os cabelos. “Sempre deixamos nossos filhos a par de tudo, em uma linguagem mais simples, para que pudessem entender. Mas a brincadeira da aposta foi essencial para que o momento de raspar a cabeça se tornasse mais uma diversão do que um choque para eles”, comenta.
Durante os preparativos para a cirurgia, André Vinicius recorda uma intuição que dizia que ele não voltaria para casa: “Eu havia pesquisado muito sobre essa cirurgia e na grande maioria dos casos os pacientes vinham a óbito. Portanto, organizei documentos, deixei arquivos com todos os meus dados e senhas, revisei o seguro de vida e orientei um irmão para que na minha falta a família pudesse se organizar sem mim”. Em contrapartida, a esposa Noemi dava-lhe forças e insistia que tudo daria certo.

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Família reunida: André e a esposa Noemi, junto dos filhos Yuri (8) e Marcos Vinicius (4).

A cirurgia aconteceu em julho de 2018, totalizando aproximadamente doze horas de duração. Uma equipe de três neurocirurgiões e um neurofisiologista retirou boa parte do tumor que havia crescido para 2,8 centímetros – exatamente o dobro do tamanho de quando foi encontrado, em 2010.
Apenas um pedaço de cinco milímetros do tumor, situado dentro de um forame do cérebro, teve de ser mantido, já que, segundo os médicos, sua remoção total iria comprometer os movimentos das pernas.
Após o procedimento, André passou cinco dias internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sentindo fortes dores e náuseas, tendo emagrecido quinze quilos em menos de uma semana, e mais três dias no quarto do hospital. No oitavo dia, antes de receber alta, as palavras de uma médica da UTI ficaram gravadas para sempre em sua memória: “Nem todas as pessoas que chegam aqui nesse estado, voltam para suas casas. Por isso, comemore esse dia como se fosse seu aniversário”.

 

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André com seu irmão Arthur, que esteve o tempo todo ao seu lado

De volta para casa
Conforme André Vinicius, pisar em casa e estar junto da família novamente foi uma emoção inenarrável. Ele, que saiu do hospital praticamente sem andar e com a visão turva, superou as expectativas da equipe médica e teve boa recuperação. “Tivemos de adaptar a casa, tirando tapetes do caminho e colocando barras de apoio. Com muita persistência, alongamento e exercícios para fortalecimento de perna, dentro de dez dias já voltei a caminhar sozinho, com a ajuda de uma bengala”, fala André.

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Com o irmão Ricardo, seus filhos e sobrinhos

O procedimento cirúrgico desencadeou alguns problemas de saúde, como diabetes, labirintite, náusea e problemas na tireoide. Dias depois, André ficou internado durante três dias, por motivos de fraqueza, tontura e náusea. Em setembro de 2018, submeteu-se à uma segunda cirurgia e quinze dias de internação, por conta de uma infecção causada por uma superbactéria e rejeição, momento este que foram removidas placas, parafusos e a tampa óssea que havia sido recolocada. Em compensação, desde a cirurgia de retirada do tumor as dores de cabeça cessaram de vez.

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registro no hospital com seu pai Alvacir.

Graças ao local onde o tumor está situado, a equipe médica descartou a possibilidade de quimioterapia. Neste mês de novembro, André Vinicius está prestes a realizar sua primeira sessão de radioterapia, a fim de conter os cinco milímetros que ainda restam no cérebro e tentar inibir a volta do tumor.
O caso de André foi mencionado por um dos médicos devido à rápida recuperação em relação ao tamanho do tumor removido, um dos maiores já retirados desta região. Três meses após a cirurgia, André Vinicius leva uma vida quase normal, exceto pela tontura e enjoos que aparecem de vez em quando.

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André com seu filho Marcos e com sua mãe Rosângela.

Durante os anos que antecederam a cirurgia, uma coincidência chamou a atenção de da equipe médica: foi um “achado” em seu filho menor, uma mancha no mesmo local do pai, encontrada através de exames, que vem sendo monitorada através de ressonância. O caso foi levado à estudos em uma conferência em São Paulo no ano passado.
“Agradecemos imensamente à equipe de enfermeiros e médicos, tanto de Itapoá quanto de Joinville, especialmente aos doutores Michael, Júlio, André e Marcos Vinicius, responsáveis pelo sucesso da cirurgia de retirada do tumor. Estes profissionais tiveram cautela ao nos transmitir segurança e confiança, sanando todas as nossas dúvidas em uma linguagem de fácil entendimento”, contam André e Noemi.

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André Vinicius e Noemi, casados há doze anos.

Ainda, o casal agradece o apoio de seus familiares e dos muitos amigos, que contribuíram das mais diversas formas: com dicas, indicações de remédios naturais, cirurgias espirituais, igrejas, conselhos, deram apoio quando as forças quase acabaram, fizeram promessas, ligações, orações, visitas, enviaram mensagens e boas energias. Nas palavras de André: “Nós temos o hábito de pensar que estamos sozinhos, mas nessas horas difíceis descobrimos o quanto somos queridos. Amigos e irmãos chegaram a raspar a cabeça em meu apoio. Recebi muito carinho e amor de pessoas próximas e até de quem eu não conhecia. Isso, com certeza, fez com que atravessássemos os períodos difíceis com força, esperança e fé em Deus”.

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Com os colegas de trabalho da Esc. Mun. João Monteiro Cabral.

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Um registro com os amigos Lala, Mirlei e Neri (ao fundo), Anderson, João Roberto e Yasmin.

O que fica
Segundo a equipe médica, o caso de André apresenta sobrevida de, em média, dez anos. No entanto, o professor prefere não dar atenção a isso e viver um dia de cada vez. Em seus planos futuros estão as viagens para Aparecida do Norte-SP e para uma igreja em Portugal, com o objetivo de pagar promessas, além de voltar aos palcos para fazer a locução de eventos – atividade que sempre desempenhou com muito prazer.
Hoje, aos 40 anos de idade, André Vinicius dá ainda mais valor aos seus pais, irmãos e amigos que acompanharam cada dia de dor, sofrimento e alegria. “Minha esposa e meus filhos são tudo para mim. Passei a apreciar ainda mais os momentos em que estamos juntos”, diz.
O professor, muito querido por munícipes de toda a Itapoá, conta que não costumava tornar a público os detalhes de sua luta contra o câncer, mas, hoje, sente-se livre e seguro para falar sobre a doença com os demais. Emocionados, André e a esposa Noemi se olham e concluem: “nós vencemos”.

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Lutando contra o câncer, amor e união fazem a diferença

Nas mídias sociais, a hashtag #DinnoJuntosVenceremos prova o quanto o professor de Educação Física Claudinei Ferreira Mendes – mais conhecido como Dinno, serve de inspiração para muitos munícipes de Itapoá.
Há seis meses, ele luta diariamente contra o câncer. Ainda com um pouco de cansaço para falar, devido ao tratamento intensivo, Dinno conta com a ajuda da esposa, Vanilda de Souza – mais conhecida como Preta, para agradecer todo o carinho que vem recebendo e contar sua história, sinônimo de força e superação.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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O casal Preta e Dinno, e a psicopedagoga e atleta Mahara Hermógenes, amiga do casal e uma das
responsáveis pela campanha #DinnoJuntosVenceremos, que lhe deu apoio nas redes sociais.

Natural de Ponta Grossa-PR, Dinno escolheu o município de Itapoá para viver. Na cidade litorânea, construiu carreira como professor de Educação Física da Escola Municipal Frei Valentim, conheceu Preta, com quem é casado há dezesseis anos, e também seu enteado, Jonatha Aguiar, considerado por ele como filho do coração.
Certa vez, Dinno e Preta passaram por uma mudança radical no estilo de vida. O casal tornou a cultivar hábitos mais saudáveis, praticar regularmente atividades físicas e seguir uma dieta com base na orientação de uma nutricionista. Juntos, também abriram a Academia DPJ Fitness.
Há aproximadamente três anos, o professor desenvolveu uma curiosa alergia a diversos medicamentos. À medida em que Dinno era medicado, crescia a lista de remédios que lhe causavam reações alérgicas, como inchaço na face.
Em maio deste ano de 2018, começou a sentir dores entre a perna esquerda e o quadril. Depois de duas semanas convivendo com a dor, foi a Joinville-SC para consultar-se no pronto-atendimento. “Temíamos que ele recebesse algum medicamento desconhecido que lhe causasse reação alérgica. Paramos, então, em uma clínica para marcarmos um horário com um ortopedista e especialista em quadril. Acreditamos muito que Deus sabe de todas as coisas, pois havia um horário vago para aquela mesma tarde”, recorda Preta.
Conforme o ortopedista, a dor que incomodava somente a perna esquerda podia significar muitas coisas, daí a importância de um exame de ressonância magnética, realizado na semana seguinte. Feito o exame, Dinno recebeu o diagnóstico de que estava com um pequeno problema na cartilagem na perna esquerda, que não justificava sua dor. Porém, o exame acusou também um tumor já bem desenvolvido, com nove centímetros, ao lado direito do glúteo. Frente ao médico, Preta e Dinno receberam a inesperada notícia, e com fé em Deus descobriram forças para enfrentar os próximos dias.

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O casal Preta e Dinno, e a psicopedagoga e atleta Mahara Hermógenes, amiga do casal e uma das
responsáveis pela campanha #DinnoJuntosVenceremos, que lhe deu apoio nas redes sociais.

Mais notícias
O casal foi encaminhado para tratar do problema com outro médico, Dr. André, ortopedista, cirurgião e especialista em coluna, que pediu mais uma série de exames. Antes que retornassem ao hospital, o médico telefonou para Dinno e informou que o mesmo tumor encontrado no glúteo havia sido encontrado na coluna vertebral, na região da lombar, além de outros dois pontos menores encontrados na bacia – por isso, a dor no lado esquerdo da perna, que passou a pressionar e se expandir para a coluna.
Do mês de maio a outubro, em praticamente todos os consultórios médicos por onde Dinno, Preta e Jonatha passaram, as notícias ficavam ainda mais difíceis.
Com fortes dores na coluna e o movimento da perna esquerda já comprometido, Dinno realizou a biópsia, a fim de descobrir qual o tipo do tumor. Preta recorda o dia em que recebeu o resultado: “O médico nos telefonou dizendo que o resultado da biópsia era nada favorável, pois tratava-se de um lipossarcoma maligno. Em seguida, tive de dar a notícia ao Dinno. Foi muito difícil, pois o termo ‘tumor maligno’ está comumente associado a morte. Felizmente, ele foi forte ao receber a notícia, já eu, que sempre fui mais sensível, caí em desespero”.

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Família que é unida, permanece unida nos momentos bons ou difíceis. No registro: Dinno (na maca), sua esposa Preta e o filho Jonatha (ao fundo).

O caso
Imediatamente, a família procurou um oncologista clínico para dar início ao tratamento. Este, por sua vez, descartou a possibilidade de realizar uma cirurgia, reiterando que a única saída seria o tratamento com radiografia. Contudo, a intuição de Preta dizia para não se contentar com apenas uma opinião médica. “Aprendemos que os familiares devem, sim, pesquisar sobre a enfermidade em fontes confiáveis. Ter certo conhecimento sobre o assunto nos ajuda a questionar e não nos conformar com a primeira resposta que recebermos”, diz a esposa de Dinno. Felizmente, o segundo oncologista a ser consultado, Dr. Jackson, foi bastante otimista ao dizer que Dinno era jovem e era preciso apostar em sua cirurgia.
Mas, antes, o professor de Educação Física foi internado imediatamente para que os exames de mapeamento geral fossem feitos mais depressa. A internação durou sessenta dias e foi supervisionada pelos doutores Jackson e André, que passaram a trabalhar juntos no caso de Dino, e por doutor Álvaro, oncologista e cirurgião especialista em tumor de partes moles (tecidos como músculos, ossos e gordura).
O caso de Dinno, com metástase (formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra) em osso, na coluna vertebral, contrariou as estatísticas e chamou a atenção dos médicos, uma vez que o tumor do tipo lipossarcoma costuma apresentar metástase no intestino e principalmente no pulmão. Conforme os médicos, o estilo saudável que mantinha regularmente foi crucial para sua rápida recuperação e para impedir a metástase no pulmão.

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Um registro de Preta e Dinno, um casal companheiro, unido e forte.

Cirurgia e tratamento
Por ser o tumor que mais se desenvolveu e que estava ocasionando dor, a cirurgia consistiu na retirada do tumor da lombar. Felizmente, a equipe de médicos, que trabalhou em conjunto, realizou a cirurgia com sucesso, retirando 100% o tumor da lombar. Superando expectativas médicas, o paciente recuperou-se rapidamente da cirurgia.
Conforme os profissionais da saúde, uma vez que existiam três tumores pelo corpo (no glúteo e dois pontos menores na bacia, já que o da lombar havia sido removido), Dinno teria de fazer tratamento com quimioterapia. O primeiro ciclo das sessões de quimioterapia aconteceu no início de agosto de 2018 e foi bastante delicado, pois os médicos não sabiam se os medicamentos do tratamento causariam reações alérgicas.
Quatro dias depois de voltar para casa, Dinno apresentou indícios de febre. Voltou a Joinville e foi encaminhado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital, com uma infecção pulmonar. Passou a respirar com a ajuda de aparelhos e de uma máscara de oxigênio. “Os medicamentos indicados para febre estavam em sua lista de medicamentos que lhe causam alergia. Portanto, para baixar sua temperatura, os médicos colocaram cubos de gelo nas partes quentes. Foi um episódio muito difícil, ele gritava de dor”, lembra a esposa. Mais tarde, Dinno voltou a ter febre e Preta e Jonatha revezaram-se durante trinta e quatro horas a fio fazendo compressa com uma toalha umedecida, já que o gelo o machucava muito.
Por felicidade, após cinco dias na UTI, Dinno melhorou e recebeu alta para voltar a Itapoá. O médico lhe deu um tempo para recuperar-se, até que retomasse as sessões de quimioterapia. Apesar das reações comuns à quimioterapia, como náusea e queda de cabelo, o segundo ciclo do tratamento foi melhor, pois, dessa vez, a equipe médica já tinha conhecimento de que os medicamentos não apresentavam reação alérgica, e Dinno pôde tomar uma injeção que auxilia na imunidade.
O tratamento do paciente é intensivo: cada ciclo acontece de segunda a sexta-feira, com duas semanas de intervalo – período em que Dinno pode fazer atividades físicas moderadas e descansar, até que se inicie um novo ciclo. Atualmente, o professor de Educação Física completou seu quarto ciclo do tratamento. Na noite em que antecedeu o fechamento desta matéria, recebemos boas novas de Preta, que estava emocionada: Dinno realizou a cirurgia que retirou 100% do tumor do glúteo. Os dois tumores menores, situados na bacia, estão controlados, e seus órgãos estão todos limpos e preservados.

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Dinno, juntos venceremos
Familiares, amigos, conhecidos, alunos da Escola Municipal Frei Valentim e da academia DPJ Fitness mobilizaram uma campanha nas mídias sociais. Utilizando a hashtag #DinnoJuntosVenceremos, criaram camisetas, prestaram homenagens, lembranças, palavras de apoio e otimismo a Claudinei, o Dinno.
Sua batalha contra o câncer serviu de inspiração para muitos que nele se inspiram para superarem seus desafios, o que rendeu a Dinno medalhas de amigos que correram maratonas, troféu dos alunos que participaram do campeonato Moleque Bom de Bola, camiseta autografada pelos jogadores do Operário Ferroviário Esporte Clube, de Ponta Grossa-PR, entre outros tantos presentes que lhe encheram os olhos.
Hoje, Dinno valoriza ainda mais os momentos com os amigos e familiares, especialmente junto da esposa, do filho, da nora e do neto, Bernardo, de apenas um ano, por quem se declara um “avô coruja”.

Avô coruja assumido, Dinno aprecia os momentos junto ao neto Bernardo.

Sua história é sinônimo de força, superação e a prova de que um estilo de vida saudável pode ser crucial para a saúde. O professor de Educação Física ressalta: “cuidar da saúde é a melhor forma de prevenção, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação saudável e realizar exames de rotina”.
Emocionado ao recordar cada capítulo da luta que trava desde o mês de maio, Dinno deixa sua mensagem: “Essa doença apareceu de uma forma repentina em nossas vidas. Agradeço sempre a Deus pela família que me presenteou. Ao meu filho, Jonatha, que desde o primeiro diagnóstico está sempre ao meu lado, é meu parceiro, companheirão de todas as horas, e não mede esforços para me tranquilizar. À minha esposa, Preta, que não tenho palavras para descrever o que tem feito por mim neste momento tão difícil. Ela está 24 horas ao meu lado e mesmo que não contenha suas lágrimas em alguns momentos, continua firme diante das dificuldades. Sou grato pelos excelentes médicos, André Demo Boss (Clínica Athenas), Jackson Teixeira Martins (CHO) e Álvaro Rogério Novaes Carneiro (IOT), e enfermeiros que cuidaram tão bem de meu caso, e por cada mensagem de apoio, oração, conselho, ligação e homenagem que recebi de amigos e alunos. É isso que me mantém forte. Sempre falo que este é só período ruim que vai passar, pois acredito muito em Deus e na minha cura”.

Projeto social promove conhecimento e cultura através da leitura

Em um momento de dor e angústia, a professora Mariza Aparecida de Souza Schiochet, de Joinville (SC), buscou forças para levar esperança onde não há. Assim, nasceu o projeto social “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”, que espalha caixas de leitura em instituições sociais, comunidades carentes e hospitais de Joinville e região.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Mariza conta que seus pais sempre foram envolvidos com atividades religiosas e, também, que os livros sempre fizeram parte de sua vida. Foi, inclusive, o amor aos livros e às crianças que levou Mariza a formar-se em Letras e fazer pós-graduação em “Gestão Escolar” e “Inclusão e Teoria em Libras”. “Sempre acreditei que as crianças são bons motivos para exercitarmos o convívio humano, uma vez que elas não têm preconceito. E, caso tenham, temos o dever de direcioná-las ao caminho para o bom convívio em sociedade”, comenta a professora.
Certas vez, enquanto Mariza levava sua mãe, diagnosticada com câncer, para o tratamento de quimioterapia, no Hospital Municipal São José, observou a ociosidade de pacientes e acompanhantes nos momentos de espera das consultas. Ela, então, encontrou a solução ideal em uma de suas paixões: os livros. No setor de Oncologia do hospital, disponibizou algumas obras literárias, a fim de entreter e enriquecer os pacientes e acompanhantes. Também, seus alunos levaram muita esperança e carinho aos pacientes do hospital escrevendo a eles cartinhas amorosas. A iniciativa deu tão certo que a apaixonada por leitura resolveu espalhar mais caixas em outros lugares. E foi assim que, há aproximadamente sete anos, nasceu o projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”, da professora Mariza.

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As crianças do Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz vestiram a camisa (literalmente).

Ler é Viajar Sem Sair do Lugar
Com o objetivo de promover conhecimento e cultura através da leitura, o projeto (sem fins lucrativos) recebe as chamadas “Caixas de Leitura” do Movimento de Pessoas Melhores (www.pessoasmelhores.com) e tem apoio do Tio Cid, pub de um ex-aluno de Mariza, que sempre que possível realiza a compra do material solicitado.
“Tenho muitos anjos que, direta ou indiretamente, contribuem com o projeto. Sou muito grata a eles”, diz a professora. As Caixas de Leitura são especialmente decoradas por Mariza, com a ajuda de alunos e de seu marido. Então, as mesmas são abastecidas com livros doados por amigos, escritores, livrarias e simpatizantes do projeto. Entre os exemplares, estão romances, contos, gibis e histórias prazerosas que possam ser lidas em curto tempo. Em seguida, as caixas são espalhadas em instituições sociais, comunidades carentes e hospitais de Joinville e região.
De acordo com Mariza, a ideia é distribuir livros onde não há, especialmente nos bairros mais carentes, criar ambientes convidativos para despertar o interesse de crianças e, ainda, realizar contação de histórias. “Buscamos envolver cada vez mais leitores no universo prazeroso e lúdico da leitura e, assim, construir uma sociedade mais justa e humana, além de contribuir na formação de valores e cidadania”, acrescenta a idealizadora do projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”.

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O IGP – Instituto Geral de Perícia também ganhou cantinho especial dedicado à leitura.

Depoimentos
Conforme Giane Costa, recepcionista do CENEF – Centro de Estudos e Orientação da Família, o projeto permite que aqueles que estão na sala de espera desfrutem de uma boa leitura. Ela ainda conta que aqueles mais absortos na leitura levam o exemplar para casa, a fim de ‘devorar’ o livro. Para Maria Eduarda, recepcionista do LABCenter – Laboratório de Análises Clínicas, o projeto é um bom incentivo para que as pessoas substituam os celulares por livros. “Muitos de nossos pacientes, que ficam em curva de lactose por duas horas a fio, aproveitam este tempo para ler”, fala Maria Eduarda.
Já no IGP (Instituto Geral de Perícia), uma pessoa pôde conhecer o projeto enquanto seu filho brincava no cantinho organizado com brinquedos e livros: “Atitudes como essa nos dão esperança de que o mundo pode ser melhor. Em uma Era Digital, onde muitos princípios estão se perdendo, é através do nosso exemplo que podemos ensinar nossas crianças que a leitura é, sim, muito importante”.

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Registro do Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz.

Poder transformador
O projeto, que nasceu da vontade de compartilhar com outras pessoas o poder transformador da leitura, acabou transformando a vida da própria idealizadora. Dentre tantas pessoas e histórias que lhe marcaram, Mariza fala sobre o “Espaço da Leitura”: “Certo dia, a convite de uma amiga, fui fazer uma contação de histórias em uma comunidade carente. Após a contação, veio o convite de colocar uma Caixa de Leitura ali. Relutei, pois o local era muito distante, não tínhamos apoio e gastaríamos com gasolina. Mas o apelo das crianças falou mais alto. A proprietária da casa, Miriam Padilha, conhece a realidade de cada uma daquelas crianças, que começaram a ler, emprestar e interessar-se por livros. Então, em sua garagem, iniciaram-se encontros semanais, com atividades lúdicas e de leitura. Sempre entusiasmada, Miriam foi recebendo cada vez mais crianças. Contudo, no inverno, o frio e a chuva atrapalhavam esses encontros. Portanto, eu e meu marido resolvemos unir nossas finanças para fechar uma parte da garagem. E o resultado foi uma alegria! O Espaço ficou muito aconchegante e uma vez ao mês levamos um escritor, um artista ou quem quer que possa contribuir com uma palavra de esperança, amor e cultura para as crianças da comunidade”.

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Pintura do artista plástico Luiz Arão, livros e uma brinquedoteca na delegacia que pode, também, ser um espaço cultural àqueles que estão na sala de espera.

Além das páginas e da sala de aula, Mariza adora caminhar e pedalar na boa companhia de seu marido, seus filhos e de Debby, sua cachorrinha – daí a logomarca do projeto, criada pelo artista plástico Humberto Soares.
O projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar” nasceu de um momento de sofrimento, mas a mãe de Mariza, felizmente, foi curada e, hoje, aos 90 anos de idade, ajuda a filha a carimbar os livros que serão dispostos nas Caixas de Leitura.
Por sua vez, professora Mariza, transformadora e transformada, conclui: “Costumo falar que passei do cálvario até a ressureição, pois aprendi a colocar-me na dor do outro. Cada dia naquele setor de Oncologia com minha mãe foi sinônimo de aprendizagem e enriquecimento. Ali, aprendi a aceitar, conviver e buscar sempre motivos para levar um pouco de esperança ao próximo, seja através de uma cartinha (que seus alunos escrevem até hoje para os pacientes diagnosticados com câncer), uma leitura ou um sorriso”.

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Além da leitura, Mariza, a idealizadora do projeto, adora caminhar e pedalar na boa companhia de seu marido, seus filhos e de Debby, sua cachorrinha.

Fique atento aos pontos de distribuição de livros do projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”:
• Joinville (SC): Setor de Oncologia do Hospital Municipal São José; HEMOSC – Hemocentro de Santa Catarina; Casa Padre Pio; Hospital Regional Hans Dieter Schmidt; CENEF – Centro de Estudos e Orientação da Família; Mercado Municipal – voluntária Stella Maris de Carvalho; Maternidade Darcy Vargas; LABCenter – Laboratório de Análises Clínicas; Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso; IGP – Instituto Geral de Perícia; Casa de Acolhimento São Lázaro; Igreja Católica, no bairro Itinga – voluntária Cláudia Cidral; CIRETRAN Joinville; Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz.
• São Francisco do Sul (SC): Posto de Saúde, na Praia da Enseada – voluntária Cláudia Cidral.
• Piçarras (SC): RECREA – Atividades de Lazer e Esportivas.

Amigos, parceiros e amantes da leitura, entrem em contato com Mariza através do e-mail izaschiochet@gmail.com ou telefone (47) 99651-7701. Com a compra de uma camiseta do projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”, no valor de R$ 30,00, você apoia essa iniciativa. Saiba mais em facebook.com/livroparatodos

 

Projeto empodera e incentiva mulheres a empreenderem

Cansada dos machismos diários e lembrando seu esforço para conquistar espaço na profissão, a designer de moda e empreendedora Mara Novaes Lanave, de Itapoá (SC), criou o projeto “Dela pra Elas” – que tem como propósito criar logotipos para ajudar mulheres a serem mais independentes em seus negócios.

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Mara Novaes Lanave é designer de moda, empreendedora e feminista. Na imagem, uma de suas estampas para pano de prato.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Ao longo de sua vida, Mara ouviu por diversas vezes que não conseguiria ser uma mulher bem-sucedida. “Ouvia absurdos que eram proferidos, inclusive, por outras mulheres. Coisas do tipo ‘você não é capaz nem de comprar um pão com seu próprio dinheiro’ me deixavam tristes e faziam com que me sentisse burra”, recorda. Mas o tempo passou e ela formou-se em Design de Moda, tornou-se estilista e ilustradora de estampas, trabalhou para grandes marcas, como Zara, Renner, C&A, Levi’s e Brooksfield, criou a marca Pássaro Digital (com ilustrações digitais, artes para estampas, identidade visual e papelaria personalizada), o Studio Personaliza (com foco em produtos personalizados para festas) e, há pouco tempo, tornou-se empresária, com a Lanave Embalagens.
Ainda assim, sofria certos machismos diários. “Uma mulher empreendedora enfrenta situações que um homem empreendedor desconhece. Muitas vezes chegam à loja e me perguntam ‘onde está o dono?’, descartando a possibilidade de que eu também seja a dona”, fala. Empática com outras do mesmo gênero, tem apenas funcionárias mulheres. “Exceto na força, a capacidade intelectual e a dedicação de uma mulher em seu trabalho são iguais ou até melhores que de um homem”, diz. Contudo, Mara desejou fazer ainda mais pelas mulheres.

Dela pra elas

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Lembrando seu esforço para conquistar espaço e obter sucesso na profissão, a designer desejava criar um projeto onde pudesse ajudar, de alguma maneira, outras mulheres a serem mais independentes em seus negócios. Mas as questões eram muitas: como poderia ajudar, incentivar, dar ânimo, algo que faça essa mulher sonhar, empreender e realizar? “Então, notei que muitas de minhas clientes eram artesãs, confeiteiras e outras tantas profissionais excelentes, mas seus trabalhos não apresentavam identidade visual”, lembra Mara, que encontrou a solução: desenhar os logotipos que usariam em seus negócios. Em outras palavras, transformar o que estava em seus pensamentos em algo real, mais concreto e afetivo.
Assim, nasceu há cerca de um ano o projeto voluntário “Dela pra Elas”, com o intuito de empoderar mulheres empreendedoras, garantindo a decisão sobre seus negócios e suas vidas. Após a criação dos primeiros logotipos, a iniciativa fez sucesso entre as empreendedoras do município de Itapoá. A criadora explica: “Parece um simples desenho, mas gera motivação para que a mulher continue a batalhar pelo seu espaço. Além disso, o projeto tem um pilar afetivo, pois desejo, de todo o coração, que essas mulheres apresentem um trabalho mais bonito e se deem bem”.

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Resultados positivos
Entre as inúmeras profissionais de Itapoá beneficiadas com o projeto, ou seja, que ganharam logotipos para seus negócios, estão Julyana Satie da Silva, da “Julyana Satie Brigadeiros”, Jamille Franco, das “Delícias da Jama Diet”, e Wal Garcia, do “Wal Garcia Atelier”.
Julyana conta que sempre teve receio de tentar algo, por medo de falhar. “Dede que comecei a fazer doces com o dom que Deus me deu, a Mara sempre acreditou em mim e nunca me deixou desistir. O que deixou minha logo ainda mais especial foram o carinho e o amor que ela depositou em sua criação”, fala. Para Julyana, Mara é exemplo de força e determinação, e realiza um trabalho muito importante ao encorajar mulheres de Itapoá.
Já Wal, conta que o momento em que o projeto “Dela pra Elas” apareceu foi bastante oportuno, pois se encontrava desanimada com suas vendas no município. “Quando ela disse que faria minha logo, foi como tomar um ‘chá de ânimo’. Desde que ganhei uma arte para meu negócio, fiquei com um sentimento bom e, consequentemente, transferi isso para meu trabalho”, conta. Pelo simples fato de ganhar uma “cara nova” em sua página, Wal aumentou sua rede de clientes e contatos.
Não diferente das outras profissionais, Jamille também se diz incentivada por Mara, desde quando cogitou a montar um negócio até a criação de sua logo e seu cardápio. E complementa: “Mais do que uma designer, ela é o incentivo em pessoa. É um ser humano ‘mara’, como o próprio nome já diz”.

Vínculo
Por realizar esse trabalho de forma gratuita, Mara confessa que já ouviu críticas de profissionais que têm como ganha-pão a criação de logotipos e artes em geral. “Àqueles que se chateiam com as criações, tento explicar que essa ação acontece como a ponta de um sonho que se inicia. Mesmo que eu me dedique para cada logotipo, tenho qualidades e intenções diferentes daqueles que vivem desta atividade”, explica.
Mais do que conhecer seu trabalho, saber dos seus sonhos e gostos e desenvolver um desenho, Mara criou vínculo com todas as mulheres do projeto “Dela pra Elas”. Assim como a doceira Julyana, muitas procuram a designer até hoje para pedir opinião ou dar um conselho a respeito do trabalho. Para Mara, fortalecer estes laços é multo importante: “As mulheres precisam ser mais unidas, solidárias e empáticas umas com as outras. É essa a mensagem que pretendo passar com o projeto. Uma mensagem ‘dela pra elas’”.

É mulher, tem o sonho de empreender e precisa de um logotipo para seu negócio? Entre em contato com Mara através do perfil “Mara Novaes Lanave”, no Facebook.

Voluntárias doam corações e ajudam mulheres com câncer de mama

Lidar com a perda do seio para o câncer de mama é algo extremamente difícil para muitas mulheres que, após a mastectomia, sentem dor física e psicológica. Mas, simples almofadas em formato de coração foram desenvolvidas exclusivamente para ajudá-las a ter mais conforto e a se sentirem mais acolhidas nessa fase delicada.
Pensando nelas, um grupo de voluntárias do município de Itapoá (SC), se uniu para doar amor e lindos corações de tecido às mulheres que lutam contra o câncer de mama. Alvina Vieira, Marli Colin, Sueli Carijo, Suely Magalhães e Maria Batista, mais conhecida como Ica, são parte do grupo “As Amorosas de Itapoá”.

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Da esquerda para a direita, Marli Colin, Sueli Carvalho,
Maria Batista Dias (a Ica), Alvina Vieira e Suely Magalhãs –
parte do grupo As Amorosas de Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

No ano de 2009, dona Alvina foi diagnosticada com câncer de mama. Após a mastectomia (cirurgia de retirada da mama), um detalhe, em especial, chamou-lhe a atenção: “Na cidade de Joinville (SC), onde realizei o tratamento, ganhei uma almofada em formato de coração, que me ajudou a apoiar o braço, aliviar as dores e a dormência do pós-cirúrgico, reduzir o inchaço linfático provocado pela cirurgia, diminuir a tensão nos ombros e, quando usada debaixo do cinto de segurança do carro, proteger de eventuais golpes”. Os anos passaram-se, dona Alvina foi curada e pôde devolver sua almofada para que outras pacientes fizessem uso da mesma, mas aquele simples gesto a marcou para sempre.
Já participando das aulas de yoga do programa SCFC (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo), ofertado pelo CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) de Itapoá, dona Alvina fez amizade com Marli, Suely, Ica, Sueli e outras tantas. “Ela contou-nos sua luta contra o câncer de mama e sugeriu que nós participássemos desse projeto, que acontece em todo o Brasil, e ajudássemos mulheres diagnosticadas com câncer de mama em nosso município. Imediatamente, abraçamos a ideia e passamos a estudar sobre o tema”, recorda Ica.

Dona Alvina, que já venceu a batalha contra o câncer de mama,
posa com a Almofada do Coração.

Folheto explicativo sobre o uso da almofada.

Almofada de amor
Em contato com voluntários de Joinville, Alvina teve acesso ao projeto das almofadas, que são confeccionadas com cuidado. “Para ser ergonômica, a almofada tem medidas certas e a quantidade de enchimento certo – por isso, é pesada em uma balança de precisão. A costura deve ser específica porque senão fica desconfortável”, explica. O tecido também deve ser 100% algodão e o enchimento deve ser com fibra antialérgica.
O trabalho voluntário iniciou em maio de 2017 e contou com a ajuda de cerca de 20 mulheres, em sua maioria aposentadas e com aptidão para artesanato. Valores simbólicos, tecidos, fibras e outros materiais foram doados por empresas e comerciantes de Itapoá. O ponto de encontro para guardar o material arrecadado e confeccionar as almofadas tornou-se a residência de Suely Magalhães. “Descobrimos qual era o forte de cada uma do grupo e definimos as funções: algumas cortam o tecido, outras preenchem a almofada, umas costuram e por aí vai”, explica a anfitriã.
Tudo é pensado nos mínimos detalhes: as voluntárias também criaram embalagens e folhetos explicativos sobre o uso da almofada, que foi batizada de “Almofada de Amor”. Marli, uma das voluntárias, explica a origem do nome: “É muito mais que algo material. Ela proporciona apoio físico e psicológico, já que traz à paciente lago para abraçar como um símbolo de solidariedade”.

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Semanalmente, as voluntárias reúnem-se para confeccionar almofadas que ajudam no tratamento contra o câncer de mama.

Doações
Em apenas seis meses, o grupo confeccionou 103 almofadas. Para realizar a doação das mesmas, escolheu o mês de outubro, que lembra o câncer de mama com a campanha Outubro Rosa. Para isso, as voluntárias atuaram em parceria com a Secretaria de Saúde de Itapoá, que realizou o levantamento de mulheres diagnosticadas com câncer de mama no município. Os dados surpreenderam: em outubro de 2017, havia 32 pacientes em Itapoá. “Mas queríamos mais que simplesmente fazer a doação das almofadas. Queríamos conhecer essas mulheres, ouvir suas histórias e oferecer carinho a elas”, fala Sueli Carijo.
E assim aconteceu: por intermédio da Secretaria de Saúde, as amigas organizaram, em cada unidade do PSF (Posto de Saúde da Família) de Itapoá, rodas de conversa com as pacientes. Suely Magalhães recorda: “Em cada bairro, vivemos diferentes emoções. Choramos, sorrimos, nos entristecemos e comemoramos. Mas estávamos todas lá, sempre juntas. Simbolizando apoio e fortalecimento àquelas mulheres”.
Através de amigas que intermediaram doações, as Almofadas do Coração também chegaram a pacientes de outros lugares, como Joinville (SC), Guaratuba (PR), Florianópolis (SC), Blumenau (SC) e Rolândia (PR). Suely Magalhães, que já tinha conhecimento de uma ONG em Londrina (PR), fez sua entrega pessoalmente, onde o grupo de voluntárias recebeu uma música em sua homenagem; bem como a colega Sueli Carijo, que visitou a Santa Casa de Ponta Grossa (PR), onde doou almofadas e emocionou-se com a história dessas guerreiras.

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Para realizar as doações das 103 almofadas confeccionadas, As Amorosas realizaram rodas de conversa.

Projetos futuros
Após muito trabalho e fortes emoções, o grupo de amigas intitulou-se “As Amorosas de Itapoá”, uma vez que a palavra é dividida por “amor” e “rosa” – cor que simboliza a luta contra o câncer de mama. As Amorosas receberam doações de camisetas que, em breve, serão estampadas com o logotipo do projeto.
O grupo, que participou de um passeio ciclístico promovido pelo PSF de Itapoá, tem em vista outros projetos. “Vamos organizar pontos de coleta de lenços, gorros, chapéus e bonés – acessórios que fazem a diferença na vida de pacientes com câncer. Também buscamos o apoio de uma advogada que possa levar informação às pacientes, pois, apesar do crescimento do número das acometidas pela doença, a falta de informação faz com que não tenham conhecimento dos direitos especiais citados na legislação”, conta dona Alvina, que já esteve desse mesmo lado.
Além das cinco entrevistadas, as voluntárias Adelina, Angélica, Elizabete, Eliete, Eusa, Marisa, Odete, Oliria, Marlene e Eliana, e as apoiadoras Silvia, Janaína, Licélia e Flávia também formam o grupo As Amorosas. Chá beneficente, Dia da Beleza, Desfile de Moda e palestras de prevenção são outras ações que planejam para o decorrer do ano. “Acreditamos que o câncer de mama merece visibilidade o ano todo, não somente durante o mês de outubro, pois dados comprovam que, se detectado na fase inicial, as chances de cura podem chegar até a 100% dos casos (Fonte: Instituto Brasileiro de Controle do Câncer)”, explica a amorosa Ica.

Trabalho voluntário
Nas reuniões semanais na casa de Suely Magalhães, As Amorosas trabalham, tomam café e divertem-se com as amigas. Exercer essa atividade tem, para elas, bons significados tanto para quem recebe quanto para quem doa. A amorosa Marli acredita que a ação beneficente é uma forma de crescimento pessoal e espiritual, enquanto a amorosa Sueli Carijo afirma que ajudar o próximo é gratificante e gera motivação, e complementa: “enquanto ajudamos o outro, ajudamos a nós mesmos”.
A luta contra o câncer não é fácil, portanto, as Almofadas do Coração representam autoestima, força e amor – intenções que As Amorosas sempre mentalizam em cada doação. Por fim, a amorosa dona Alvina conclui: “Queremos que as mulheres que recebam nossos corações sejam felizes e tenham fé. Isso foi a melhor coisa para mim”.

Deseja tornar-se uma voluntária ou contribuir com doações de lenços, chapéus, tecidos ou outros materiais? Entre em contato com a amorosa Marli através do WhatsApp
47 99930-0837 ou da amorosa Suely Magalhães através do WhatsApp 43 98406-8035.

O sopão da solidariedade

Criar 40 filhos adotivos, fazer sopa para dezenas de crianças carentes toda semana e viver a partir do lixo reciclado até parece história de novela, mas não é. Essa pessoa existe e seu nome é Tereza Aparecida Domingues, mais conhecida como Tereza do Sopão. Durante a semana ela trabalha catando lixo reciclado, cuida das duas únicas filhas adotivas que ainda estão em casa e separa os ingredientes para o famoso e tão esperado sopão de sábado: a refeição é feita em uma panela de 50 litros e serve em média 180 crianças.

Augusta Gern

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Dona Tereza Aparecida Domingues com o neto Eduardo e
as filhas adotivas Patrícia e Andressa.
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Casa de Dona Tereza, decorada com
objetos que achou no lixo.

Desde pequena Tereza gostava de cuidar de crianças e assim, observando a necessidade da comunidade que vivia em Curitiba, criou 40. “Antes não existia toda essa burocracia de juizado de menores, então criei, dei carinho, ensinei a estudar e alguns até tirei das drogas”, conta. Depois dos filhos de criação vieram os netos e até bisnetos, que também passaram por sua casa. Além da adoção, a catadora teve três filhos biológicos, mas uma faleceu com câncer. O resultado disso tudo é comprovado no Dia das Mães, segundo Tereza a casa vira uma grande festa. E toda essa família foi sustentada pelo lixo reciclado: além de vender para poder comprar os mantimentos, Tereza também decorou toda a sua casa com objetos encontrados no lixo.
Há 16 anos a catadora deixou a capital paranaense pela saúde de seu marido e, junto com seus filhos, escolheu Guaratuba como novo lar. O sopão começou no litoral: um dia Tereza encontrou vários quilos de frango congelado e resolveu fazer uma sopa, mas só na sua casa já eram mais dez bocas para alimentar. As crianças da vizinhança foram chegando e ao final 46 foram alimentadas em potinhos de margarina.
Na mesma época uma de suas netas de criação estava com câncer e, segundo ela, o médico encaminhou para sua casa, pois já não havia mais salvação: “então eu fiz uma promessa e, se ela se curasse, faria sopa para o resto de minha vida”. Dito e feito, enquanto sua neta hoje é mãe e vive com saúde, Tereza não deixa de fazer a famosa sopa.
Antes a sopa era feita com alimentos que pegava do mercado, que já não estavam mais para a venda, hoje todos os ingredientes vem de doação e o cardápio varia com o que tem, mas a verdura é indispensável: “A verdura não pode faltar, porque é o que nos traz saúde”. Para que todas as crianças tomem a sopa sem reclamar, Tereza tem até o cuidado de desmanchar a verdura, assim, segundo ela, ninguém tem desculpas para não ser saudável. Além da sopa, Tereza também promove eventos para a criançada como o Dia das Crianças, onde ganham bolo e cachorro quente, e Natal, onde o almoço é risoto, salada e refrigerante. A catadora também intermedia a doação de roupas: “A minha casa parece um trânsito, é gente que vem doar, é gente que vem pegar”.
Hoje, aos 57 anos de idade, seu desejo não é apenas continuar com a sopa, mas ir além: “meu sonho é ter uma casa de passagem para idosos carentes e poder levar sopa aos mais necessitados”. Tereza conta que já teve uma Kombi e gostaria de levar a sopa aos andarilhos da praça, mas a maresia acabou com o carro. “Algumas pessoas até escreveram para o quadro “Lata Velha”, mas até agora ninguém me procurou”, brinca.
E assim, com o desejo de ajudar cada vez mais, agradece a todos que apoiam com doações e afirma: “Você precisa fazer para poder ganhar”. Uma frase que parece com a sua vida: é simples, mas traz grandes ensinamentos, faz toda a diferença.

Os interessados em conhecer
o projeto ou fazer doações de
alimentos podem entrar em
contato pelo (41) 3442-2839.

Matéria publicada na Revista Giropop, Edição 19, Julho/2014

Edson Ricardo Reis: Um navio de superações

Augusta Gern

Um acidente de trabalho e uma grave lesão na coluna mudaram a história de Edson Ricardo Reis em 2010. Fortes dores na coluna e a dependência para realizar as atividades rotineiras desencadearam uma depressão profunda, que abalou seus desejos e sonhos.

De São Bento do Sul, a família deixou o frio e optou pela cidade de férias para colaborar na recuperação das dores de Edson. Mas além do clima, outros fatores foram fundamentais para sua recuperação.“Antes tudo precisava de um incentivo, para se cuidar, para se arrumar”, conta a esposa Cristiane.

As coisas começaram a mudar com o trabalho escolar de seu filho Natanael (6). Edson o ajudou a construir três réplicas em material reciclado: um navio, um avião e o Farol do Pontal. “Ali comecei a ver que ele estava melhorando, estava começando a sorrir”, lembra Cristiane. Para comprovar a evolução, sua esposa fotografou todas as fases do trabalho, que provam a mudança ao longo do dia.

Ao final do trabalho, quando as obras foram entregues, foi como se a alegria também estivesse ido embora. Mas não foi por muito tempo: quando soube do projeto Recicloterapia, do Posto de Saúde do Balneário Pontal, Cristiane lembra que fez questão de conversar diretamente com a médica responsável e contar da experiência de seu marido. “Falei que acreditava e apoiava muito este trabalho”, afirma.

O projeto Recicloterapia surgiu a partir do 1º Concurso de Experiências Exitosas da cidade, que motivou as unidades de saúde a criarem novas formas de integração com os pacientes. Conforme a médica responsável, Talita Recheleto Strano, o objetivo foi integrar os pacientes depressivos com a unidade e a comunidade. Para isso, foram realizadas oficinas quinzenais de artesanato com materiais reciclados, um projeto idealizado e organizado por todos os profissionais da unidade.

Ao todo foram 20 pacientes que participaram dos seis meses de oficinas. Este projeto venceu o Concurso Municipal de Experiências Exitosas e ficou entre os 100 melhores projetos apresentados na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica / Saúda da Família, em Brasília.

Porém, os principais resultados foram com os próprios pacientes. “Alguns nem conversavam no início, depois já estavam trocando até dicas de receitas”, conta Talita. Edson foi um dos pacientes que surpreendeu, tanto pela criatividade, como pelo modo que começou a levar a vida.

“Participei do projeto para me ajudar e ajudar o Posto de Saúde”, afirma Edson.

 Durante as oficinas, construiu um legítimo navio de papelão e outros materiais reciclados, de 1m de altura por 2,70m de comprimento, com todos os detalhes e acabamentos que se tem direito.

Conforme Cristiane, foram meses de trabalho muito positivos. Da mesma forma do trabalho de seu filho, fotografou todas as etapas e observou a melhora no quadro de seu marido. “Ele começou a rir novamente. Todos os pacientes que participaram melhoraram”, conta Cristiane.

A ideia de construir um navio surgiu pelo simples fato de sempre apreciá-los de longe. Morador do Pontal, todo o dia Edson observa os diferentes navios que passam no quintal da comunidade. O detalhe é que a admiração é feita de longe, Edson nunca chegou muito perto de um navio. Isso surpreendeu visitantes da cidade que trabalhavam embarcados: “perguntaram se ele era engenheiro ou trabalhava em navios, porque todos os detalhes eram legítimos, estavam iguais aos originais”, lembra Cristiane.

E assim, mais do que interação e gosto pela vida, o projeto instigou o talento de Edson. Ao tirar o navio de casa por alguns minutos, olhos curiosos e admirados já chegam perto para conhecer e elogiar o trabalho. Momentos de sorrisos para Edson e muito orgulho para sua família.

Em relação ao projeto, a equipe do posto de saúde afirma que é emocionante ver os resultados obtidos e, em breve, novos projetos devem surgir na comunidade. Sobre a premiação nacional, Talita afirma que é um reconhecimento de um trabalho realizado por toda a equipe. Agora, além do troféu, terão direito de conhecer um dos outros 99 projetos premiados, em um intercâmbio de muita cultura, criatividade e superação.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 15 – Março/2013