Uma biblioteca de raridades

Augusta Gern

Entre livros atuais e raridades, Werney Serafini preenche a casa e a mente com muitas histórias e conhecimento. São cerca de três mil títulos diferentes que retratam uma paixão que vem de família: a leitura.
Werney começou a frequentar Itapoá desde pequeno e, aos 58 anos, quando se aposentou, escolheu a cidade como lar. “Não gosto muito do clima de Curitiba e sempre adorei o mar, então resolvi vir para este paraíso perdido”, brinca. Em Itapoá, o aposentado sempre esteve ligado a questões ambientais e foi presidente da ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental por 10 anos.
Filho de grande leitor, Werney recorda as primeiras leituras antes mesmo dos oito anos. “Quando se aposentou meu pai lia o dia inteiro, era de manhã, à tarde e à noite”, conta. No escritório da casa, a maior lembrança é seu pai concentrado em uma boa história na poltrona, com grandes prateleiras de livros no pano de fundo. Ali, o admirava e imitava seu gosto.
Além do bom exemplo, seu pai lia todos os dias para Werney e seus irmãos pelo menos um capítulo das histórias de Monteiro Lobato antes de dormir. Quando seu pai não estava, a mãe assumia o posto e a rotina se tornou diária. “Monteiro Lobato universalizava o mundo em histórias e isso me encantava”, lembra.
Assim, aliada ao incentivo, a genética não poderia ser diferente: os livros se tornaram uma grande paixão para Werney. Hoje em todos os cômodos da sua casa há livros. Além dos que comprou e ganhou, herdou uma coleção de seu pai, com raridades que invejam. Alguns livros e enciclopédias foram doados para bibliotecas, mas a maioria está sendo restaurado e continuará na história da família.
Entre as raridades, estão clássicos que datam a década de 30, 40 e 50. Mas o destaque é para a bíblia sagrada editada em 1881. Em dois volumes, o peso e as páginas amareladas mostram os anos passados.
Com tantos livros, neste ano Werney começou a catalogá-los. Em um arquivo digital, as principais informações das obras são registradas, enquanto fisicamente exibem conhecimento nas prateleiras. Até o momento o número de livros catalogados já passou de 900, mas o leitor estima ter cerca de 3 mil.
O estilo de livro preferido depende muito da fase em que se encontra. Conforme ele, quando começou a militar ambientalmente devorou livros sobre o meio ambiente, mas gosta muito de história interpretativa, sociologia poética, economia, biografias e, atualmente, está muito voltado à filosofia. José Ortega y Gasset, filósofo espanhol, é uma de suas grandes referências. Werney conta que já leu uma de suas obras mais de três vezes e o entendimento às colocações crescem com a vida.
Mas não são todos os livros que o agradam, seu sistema de leitura vai até a quadragésima página: se até lá ele não se encantar, devolve para a prateleira; caso contrário devora com entusiasmo. Em média Werney lê cinco livros por mês.
Outro sistema de leitura que o acompanha desde os exemplos de seu pai é grifar as frases que mais o chamam a atenção. Pequenas anotações e riscos de lápis são marcas registradas em boa parte de suas obras. E assim, entre rabiscos, raridades e muita novidade, sua biblioteca encanta os olhos de todos os leitores com uma diversidade para todos os gostos.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 15 – Março/2013

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