Escola Gees apresentou mais uma edição da Feciarte

Com os temas “De onde vem? e Como se faz?”, a Escola Gees apresentou no sábado (21) uma diversidade de exposições. Mais uma vez, a Feira de Ciências, Artes e Tecnologia foi um grande sucesso, marcada, principalmente, por muita criatividade e conhecimento. A feira envolveu toda a escola e todas as turmas abrilhantaram o dia com suas apresentações.
As turmas da educação infantil fizeram uma exposição de todos os trabalhos realizados durante o ano e, cada turma do ensino fundamental, apresentou um tema diferente, o qual foi tema de muita pesquisa e debate de forma interdisciplinar.

Anúncios

Saiba mais sobre o curso de Nutrição e as futuras nutricionistas

Diferente do que muitos imaginam, o curso de Nutrição vai além dos estudos de ingestão, absorção e transporte de nutrientes, e envolve também a análise dos hábitos humanos e sua relação com os alimentos.
Para saber mais sobre este curso, que é do tipo bacharelado e tem duração média de quatro anos, conversamos com Crislaine da Rosa, de 22 anos, de Itapoá-SC. Ela cursa o quarto e último ano de Nutrição no Centro Universitário Católica de Santa Catarina, em Joinville-SC, e nos fala sobre a rotina de uma estudante de Nutrição, possibilidades do mercado de trabalho, perfil do estudante, principais disciplinas e áreas de atuação, entre outras curiosidades.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

São vários os motivos que levaram Crislaine a optar pelo curso de Nutrição: “Meus pais tiveram um restaurante durante vinte anos e, então, cresci observando meu pai administrar e minha mãe cozinhar com amor. Gostava muito de conviver naquele meio. Além disso, sempre fui muito agitada e ansiosa e, por diversas vezes, descontava este sentimento ingerindo alimentos calóricos, e desejava entender o porquê dessa atitude. Optei por esta área para melhorar não somente a minha vida, mas, também, a vida das pessoas, já que a nutrição tem esse poder”, conta.

crislaine1
Crislaine da Rosa, estudante de Nutrição, fala sobre as possibilidades do mercado de trabalho,
principais disciplinas e áreas de atuação, entre outras curiosidades do curso.

De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas, o bacharel em Nutrição pode atuar nas seguintes áreas: Alimentação Coletiva (com gestão do processo produtivo de refeições em empresas fornecedoras de serviços de alimentação); Indústria de Alimentos (desenvolvendo produtos relacionados à alimentação e à nutrição); Nutrição em Esportes (com atividades relacionadas à alimentação e nutrição em academias e clubes esportivos); Marketing e Publicidade Científica (com atividades relacionadas à alimentação e nutrição, bem como assessoria e consultorias alimentar e nutricional); Docência (atividades de ensino, extensão, pesquisa e coordenação relacionada à alimentação e à nutrição); Saúde Coletiva (realizando atividades de alimentação e nutrição relacionadas com políticas e programas institucionais de atenção básica) e, por fim, Nutrição Clínica (com atividades de alimentação e nutrição realizada em clínicas e hospitais, instituições de longa permanência para idosos, ambulatórios, bancos de leite humano, lactários, centrais de terapia nutricional, SPAS e com atendimento domiciliar) – estas duas últimas, as favoritas de Crislaine. “Pretendo atuar na área de saúde coletiva ou nutrição clínica, pois tenho um enorme desejo de ajudar as pessoas a obter saúde e bem-estar”, diz a estudante.

crislaine2
Durante uma palestra sobre alimentação saudável, em
uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em Joinville.

Segundo Crislaine, boa parte do curso é teórico e, normalmente, os alunos estudam os conteúdos para, depois, aplicarem os conhecimentos na prática. Entre as principais disciplinas do curso de Nutrição, ela destaca a Fisiopatologia e a Dietoterapia, ambas voltadas para a área de nutrição clínica. “Na primeira, estudamos a fisiopatologia das doenças, como, por exemplo, diabete, hipertensão, obesidade e câncer. Já na disciplina de Dietoterapia, aprendemos como aplicar os conhecimentos na prática, como, por exemplo, qual conduta seguir, quais alimentos permitidos e proibidos para cada doença, cálculos específicos para cada paciente, etc.”, explica Crislaine.
Estudo, dedicação e tempo são fundamentais na rotina do estudante de Nutrição. “Já deixei de viajar ou curtir o final de semana para me dedicar aos estudos, pois sempre levamos alguma tarefa para casa. O ideal não é estudar para, simplesmente, passar de ano, mas, sim, para ser um bom profissional, pois, futuramente, cuidaremos da saúde das pessoas e devemos estar preparados para desempenhar tal papel com muita responsabilidade”, diz Crislaine. Para ela, os estudantes de Nutrição devem ter alguns pré-requisitos, como: gostar de estudar; estar atento às novidades, uma vez que esta área está em constante evolução; gostar de trabalhar em equipe e respeitar as opiniões dos demais, pois isso é muito frequente no mercado de trabalho e, também, gostar de fazer contas, já que, diferente do que muitos pensam, o curso de Nutrição envolve muita matemática.
Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Crislaine abordou a relação entre a alteração do sono e a obesidade. Até o presente momento, ela também concluiu o estágio de saúde coletiva em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Joinville, e, a partir deste segundo semestre, irá realizar o estágio de nutrição clínica em um hospital, bem como o estágio de nutrição em alimentação coletiva em uma cozinha. Segundo a aluna, os estágios proporcionam desenvolvimento pessoal, conhecimentos práticos, contato com o público e outros profissionais, e são essenciais para o estudante identificar qual área deseja seguir. Além disso, ela participa constantemente de eventos voltados ao curso, já que todos os dias surgem novas dúvidas e novos estudos acerca dos alimentos.

Aos futuros estudantes de Nutrição, a veterana conta que o curso custa um pouco caro, pois envolve disciplinas práticas e estágios, e que, ao longo do mesmo, o estudante deverá investir em um jaleco, livros e muitas impressões.

“Ademais, é um curso apaixonante, que superou minhas expectativas, pois engloba diversos conhecimentos, muita prática, responsabilidade e sensibilidade”, fala Crislaine, que teve seus hábitos mudados desde que iniciou o curso. “Na faculdade, aprendi a criar gosto pelos estudos e, hoje, sou menos ansiosa, tenho mais responsabilidades, sou consciente de que tudo está intimamente ligado aos nossos hábitos alimentares e, dentro de minha casa, a alimentação mudou muito. Agora, sempre optamos por uma alimentação mais natural”, conta.
A todas as pessoas, que se interessam ou não pela área, Crislaine alerta sobre os perigos das “dietas da moda”, disponibilizadas na internet e popularizadas por artistas, blogueiras e, até mesmo, por pessoas próximas: “É preciso ter bom senso e o entendimento de que cada ser é único. Muitas vezes o tipo de alimentação que deu certo para uma pessoa pode não dar certo para outra. Devemos, sim, buscar mais qualidade de vida, mas qualquer mudança alimentar deve ser acompanhada por um bom profissional. Só assim seremos mais felizes e saudáveis”, conclui a estudante, que em 2018 se tornará, enfim, uma nutricionista.

Futuras nutricionistas

gabriela1
Gabriela Souza Speck

Em Itapoá, outras meninas pretendem seguir os passos de Crislaine e fazer a faculdade de Nutrição, como Gabriela Souza Speck, de 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Nereu Ramos. “Pesquisei muito a respeito do curso e da profissão de nutricionista, e foi aí que me identifiquei, especialmente, pela área de nutrição clínica”, conta Gabriela que, além de Nutrição, também cogita cursar Odontologia.

Wesdra
Wesdra Cordeiro Gonçalves.

Já Wesdra Cordeiro Gonçalves, de 17 anos, também é estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Nereu Ramos, e planeja cursar Nutrição, Biologia, Educação Física ou, então, Fotografia. “Sempre cuidei da minha saúde e alimentação, e este é um assunto que me interessa bastante. Caso eu siga pelo caminho da Nutrição, tenho a pretensão de atuar na área de nutrição esportiva”, conta Wesdra.

anahi1
Anahi Riego é formada em Educação Física e trabalha como personal trainer em academias. Para ampliar os seus serviços e aprimorar seus conhecimentos sobre a saúde, ela também deseja fazer o curso de Nutrição.

Para algumas pessoas, a Nutrição também pode servir como um curso complementar, como é o caso de Anahi Riego, de 23 anos, formada em licenciatura em Educação Física e aluna do último ano de bacharel em Educação Física. Ela, que trabalha como personal trainer, deseja cursar Nutrição para ampliar os seus serviços e aprimorar seus conhecimentos sobre a saúde.
“Nas academias onde trabalho, meus alunos costumam me pedir dicas de cardápios, dietas e alimentos saudáveis, no entanto, segundo a lei, apenas um profissional formado em Nutrição pode fazer esta avaliação e prescrição. Portanto, pretendo fazer este curso e continuar trabalhando com musculação, oferecendo, assim, um serviço mais completo”, fala a personal Anahi, que salienta que – seja por objetivos estéticos, competitivos ou para obter mais qualidade de vida – os resultados satisfatórios só aparecem quando o exercício físico for aliado a uma alimentação adequada.

Férias escolares de julho: Dos papéis às dobraduras

Concluindo a nossa série de entrevistas com a criançada, está Jhoe Cubas Pereira, de oito anos de idade, estudante do 2º ano D da Escola Municipal Ayrton Senna. Desde criança, ele tem sua criatividade estimulada dentro de casa, por seus pais Simone Cristine Cubas e André Luiz Pereira, e, hoje, é apaixonado por esportes e atividades manuais.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

28062017-jhoe
Uma das principais diversões de Jhoe Cubas Pereira é criar diversos origamis (dobraduras de papel).

28062017-3
Jhoe gosta de desenhar, utilizando diferentes tipos de canetas, tintas e molduras, e criar esculturas com argila. Mais que fazer manobras de skate – esporte que aprendeu a dominar apenas observando os mais velhos, ele gosta de montar seu próprio skate, assim como o fez com a pipa e com o hand spinner (peça que, quando impulsionada, começa a girar constantemente na ponta dos dedos), brinquedos que Jhoe aprendeu a fazer para, depois, é claro, brincar. Ele conta que as suas ideias e inspirações vêm do ato de observar seus pais trabalhando ou sua irmã mais nova brincando, de assistir aos programas de televisão e acessar aos sites voltados ao “faça você mesmo”.
Recentemente, a mais nova paixão de Jhoe tem sido os origamis – a arte de dobraduras de papel, uma técnica japonesa que existe há mais de um século. “Eu estava assistindo ao filme ‘Kubo e as Cordas Mágicas’ e o personagem principal criava origamis que ganham vida a partir das fábulas que inventa. Gostei muito dos origamis do filme e, com a ajuda da minha família, pesquisei na internet como eles eram feitos e, assim, consegui criar meus próprios origamis”, conta Jhoe. Vale destacar que a técnica de origami contribui para o aumento da capacidade da concentração, desenvolvimento da coordenação motora, paciência, memória e imaginação das crianças que o praticam.

17022017-2-2
Além dos origamis, Jhoe também adora pintar.
Na foto, uma das telas para a decoração do
Carnaval de Itapoá de 2017, pintada por ele.

“Criar um brinquedo com as próprias mãos é muito mais legal do que comprar um brinquedo já pronto, pois, assim, a criança pode se divertir enquanto cria”, fala o pequeno Jhoe, que nos conta que, quando for maior, deseja continuar andando de skate, desenhando, sendo bom em fazer origamis e em soltar pipa.

Férias escolares de julho: Inventando moda

Olhar de estilista é assim: onde você vê um pedaço de pano, ela enxerga uma saia ou um vestido. Foi desse jeito que Serena Cubas Pereira, de sete anos de idade, começou a inventar roupinhas para suas bonecas. “Normalmente, elas vêm com apenas uma roupa, e eu queria ter outros modelos, cores e estampas como opções”, conta. Foi de um pequeno pedaço de tecido que ela criou o primeiro vestido para sua boneca. Olhar de estilista é assim: onde você vê um pedaço de pano, ela enxerga uma saia ou um vestido.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

28062017-1
A pequena Serena Cubas Pereira utiliza tecidos e outros materiais para criar modelitos para as suas bonecas.

26062017-3

Foi desse jeito que Serena Cubas Pereira, de sete anos de idade, começou a inventar roupinhas para suas bonecas. “Normalmente, elas vêm com apenas uma roupa, e eu queria ter outros modelos, cores e estampas como opções”, conta. Foi de um pequeno pedaço de tecido que ela criou o primeiro vestido para sua boneca. Desde então, os pais de Serena, Simone Cristine Cubas e André Luiz Pereira, incentivaram-na nas criações. “Como o André é tatuador e gosta de desenhar e pintar, minha mãe faz tricô e crochê, e eu gosto muito de trabalhos manuais, ela cresceu sendo estimulada e tendo liberdade para criar e fazer novos experimentos”, conta Simone que, recentemente, costurou à mão uma roupa da personagem Lady Bug para Serena fazer uma apresentação para toda a família.

Abraçando a ideia da filha, Simone comprou uma caixa de tecidos para que ela experimentasse, testasse e criasse novos modelos – quem escolheu os tecidos foi, é claro, a pequena estilista. “Meus tecidos preferidos são os estampados de cores claras”, diz Serena, que estuda no 1º ano C da Escola Municipal Ayrton Senna. Sem fazer uso de agulha ou máquina de costura, ela utiliza apenas pedaços de tecidos e uma tesoura e, assim, trabalha com amarrações, laços, elásticos ou fitas adesivas para fixar a roupa na boneca.

26062017-2
 Serena e sua mãe, Simone Cristine Cubas, dando vida à criação.

Além dos tecidos, a pequena também já criou roupas para suas bonecas recortando bexigas, modelando massinhas, utilizando lenços umedecidos e reaproveitando suas próprias roupas: “recortei as mangas de uma blusa que não servia mais em mim e usei o tecido para fazer vestidos e saias para as bonecas”. Já os detalhes são feitos com tinta, esmalte, pedrinhas, prendedores de cabelo, entre outros materiais.

As inspirações para os modelos das bonecas de Serena vêm de sua cabeça, da internet, de programas de televisão, do guarda-roupa e da loja de sua mãe. E suas peças são variadas e modernas: ela faz vestidos, saias, capas, bolsas, lenços e, até mesmo, tops no estilo cropped para o estilo de suas modelos de brinquedo. “O mais legal é que comprar o tecido não é tão caro quanto comprar uma roupinha já pronta, e que as peças não enjoam nunca, porque uma saia pode virar um vestido, se você quiser”, explica Serena, que também ensinou suas amigas a fazerem o mesmo.

Além das peças de moda, a pequena nos conta que também gosta de fazer outras coisas, como: “desenhar, fazer Yoga, assistir desenhos e brincar com meu irmão, que me ensina muitas coisas legais”. Como mérito de suas criações para as bonecas, Serena ganhará de seus pais, em breve, a sua primeira máquina de costura. “Acho que vou gostar, porque não consigo fazer calças para as bonecas só amarrando os tecidos e, com a máquina, vou conseguir”, diz Serena, que está cogitando a ideia de se tornar uma estilista quando crescer: “mas não tenho certeza, porque ainda vou demorar para crescer”.

Férias escolares de julho: Toda criança tem uma história especial

Uma boa sugestão para inspirar a criançada nas férias escolares é criar uma história e (por que não?) escrever um livro – como fez Pedro Lucas Melin Dunzer, de dez anos de idade.

Ele conta que adora ler, criar histórias de aventuras, acampar na praia, pescar, participar do Coral Sementes do Amanhã, fazer
piqueniques, experiências científicas e observar com o microscópio as micropartículas e misturas que ele mesmo faz, mas, o que mais gosta são os animais, como cães, peixes, moluscos do mar, pássaros, coelhos, insetos que adora observar e os seus preferidos: os gatos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

14062017-1 5
Pedro Lucas Melin Dunzer e a capa do livro
“O Gato Astronauta”,
de Pedro e Mari.

A mãe de Pedro, Maria Inês Vargem Yalçinkaya, mais conhecida como Mari, conta que, de todos os bichinhos de estimação que o filho já teve, um deles lhe chamou atenção: “Certo dia, um gato foi abandonado dentro do nosso quintal e decidimos ficar com ele. Pedro deu a ele o nome de ‘Kuçuçuko’ e os dois se tornaram inseparáveis. Onde Pedro estava, o gato estava, também”. Mas, infelizmente, chegou o dia em que Kuçuçuko desapareceu e, mais tarde, foi encontrado morto. Mari recorda que Pedro sofreu por muito tempo com a ausência do bichano. “Eu gostava muito dele e tinha projetos de viajarmos eu, minha mãe e ele para a Lua em um foguete imaginário e, lá, fazermos um piquenique”, conta Pedro, que estuda no 5º ano da Escola Municipal Ayrton Senna.
A história criada pelo menino, de fazer um piquenique na Lua com o gato Kuçuçuko, foi criada quando Pedro tinha oito anos de idade, e despertou o interesse de sua mãe, que sempre desejou escrever um livro infantil. “Sugeri a ele que transformássemos aquela aventura em um livro e ele adorou a ideia e, então, começamos a escrever e desenhar juntos”, fala Mari.
Assim, nasceu o livro o “O Gato Astronauta”, dedicado às crianças (e adultos, também) que perderam seus bichos de estimação e desejam superar essa dor, com textos e ilustrações de Pedro e Mari.

03072017-1 3
O menino e o gato Kuçuçuko, amizade que deu origem ao livro.

Para materializar essa história, a mãe de Pedro imprimiu cem exemplares do livro, para vender aos familiares e amigos mais próximos. De acordo com Mari, as impressões não são muito baratas e o processo de registro na biblioteca nacional leva tempo, mas vale a pena. A história de Pedro foi lida, inclusive, nas salas de aula da sua escola, inspirando e mostrando a todos os seus colegas que é possível transformar um episódio triste em uma leitura prazerosa, e que escrever um livro não é algo tão distante como parece. Outro fato que também deixou mãe e filho muito felizes é que o livro já foi encomendado, inclusive, por pessoas que moram fora do Brasil, como Suíça, Portugal, Holanda e Turquia.

03072017-1 1
Além de criar histórias, Pedro também gosta muito de pescar.

Além de “O Gato Astronauta”, Pedro e Mari também criaram outras histórias de aventura que virarão livros: “Não Era uma Vez”, que conta a história de um menino e seu peixe de estimação, e “O Coelho Mágico”, que fala sobre um coelho mágico e a família que o amou – sempre trazendo mensagens de amor, amizade, respeito aos animais e perseverança. “Gosto muito de curtir o Pedro e ouvir suas ideias, histórias, teorias e sonhos. E, se pararmos para escutar, toda criança já criou, pelo menos, uma história especial para contar. O que falta é nós, adultos, darmos atenção e valor a isso”, fala Mari.
Entre tantas coisas que Pedro pensa em ser quando crescer, uma delas é cientista químico ou “cientista de misturas”, como ele mesmo diz. Hoje, o menino compreende melhor a ausência de seu companheiro, o gato Kuçuçuko, pois, como está escrito na nota dos autores de “O Gato Astronauta”: “a vida nos traz e nos leva o que é preciso aprender e, mesmo na dor, devemos ser gratos pelos momentos de grande valor que passamos juntos”.

Férias escolares de julho: É praticando que se aprende

Para que sejam proveitosas, as férias escolares de julho da criançada não precisam envolver, necessariamente, uma grande viagem, uma extensa programação e muitos gastos. Pelo contrário: é nas atividades simples que pode estar o maior barato. Afinal de contas, tempo de férias é tempo de criar, produzir, inventar, explorar, imaginar e, é claro, brincar muito.
E, para convidar outras crianças a deixarem sua imaginação fluir, conversamos com quatro especialistas no assunto: as próprias crianças! Com muita criatividade e força de vontade, nosso time de pequenos de Itapoá-SC prova que toda criança tem algum talento e que boas ideias merecem ser compartilhadas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

13062017-4
De Itapoá, Allef Vinicius de Melo pinta belas paisagens em lajotas.

Filho de Elaine de Mello e Marcos de Mello, Allef Vinicius de MeLlo, de 14 anos de idade, é um menino com capacidade autodidata e multitarefas. “Todas as coisas que ele deseja aprender, ele para, observa e aprende”, conta sua mãe, “acredito que ele tenha um dom para isso, mas muito vai da sua força de vontade, pois ele tenta inúmeras vezes até conseguir”. Foi observando e praticando que Allef aprendeu a surfar, andar de skate, de slackline, cantar, jogar futebol, tocar violão e guitarra, fazer malabarismos e realizar belíssimas pinturas em lajotas – e é sobre esta última atividade, em especial, que iremos falar.
Sempre interessado em trabalhos manuais, há três anos, Allef teve a ideia de começar a realizar pinturas com tinta guache em lajotas. Ele conta que pintava mais por diversão, sem técnica alguma. Até que, no último verão de 2016/17, conheceu um artista que ficava pelas ruas de Itapoá realizando pinturas e lajotas e as vendendo para moradores e turistas. Como Allef ajuda muito sua família – especialmente no Trenzinho da Alegria de seus pais, onde o menino se fantasia de Pato Donald –, pediu aos pais que pagassem um pequeno curso para o artista, para que este lhe ensinasse algumas técnicas de pintura em lajotas. E, assim, o artista ensinou ao menino qual o tipo de lajota e o tipo de tinta que devem ser utilizadas, como ele poderia realizar os acabamentos, entre outras técnicas.
Desde então, Allef vem pesquisando outras dicas na internet e realizando belíssimas pinturas de paisagens em lajotas, que levam apenas de dois a cinco minutinhos para ficarem prontas. “Os materiais utilizados são: uma lajota lisa, tinta a óleo, querosene, solvente, um pano, um pouco de água e palitinhos. O desenho é feito na lajota utilizando a mão e os dedos, já os acabamentos podem ser feitos com as unhas, o pano e os palitos. São materiais que custam pouco, mas, quando tenho apenas uma lajota, eu pinto, apago tudo e pinto novamente na mesma lajota, para treinar”, explica Allef, que estuda no 9º ano da Escola Municipal Monteiro Lobato. Mais que tranquilidade e coordenação motora, esta atividade artística também permite ao praticante as noções de tons de cores, luz e sombra, perspectiva e reflexo.

13062017-2
De Itapoá, Allef Vinicius de Melo pinta belas paisagens em lajotas.
13062017-1
Entre outros esportes que pratica, o jovem se destaca no slackline, tendo ganhado dois campeonatos no esporte.

Hoje, Allef coleciona algumas medalhas do Festival da Canção de Itapoá e de campeonatos de slackline e de skate, canta e toca guitarra na CEU (Comunidade Evangélica Unida), estuda e ainda arruma tempo para praticar suas pinturas, que já serviram de presente para toda a família. Acompanhando o ritmo de Allef está seu irmão mais novo, Allex Vinicius de Mello, de seis anos de idade. Mas exige muita força de vontade: “Gosto de estar sempre pesquisando e observando as pessoas para aprender novas coisas.
No começo, pode parecer difícil, mas se você tentar outras vezes, vai conseguir e vai fazer cada vez melhor”, diz Allef, que gosta muito da frase bíblica “tudo posso naquele que me fortalece” e que, entre tantas realizações e aprendizados, sonha em, um dia, ser professor de Educação Física ou policial.

Férias: É hora de satisfazer, estimular e animar a criançada

É tempo de brincar, passear, visitar os familiares e amigos, fazer atividades diferentes para repor as energias e sair da rotina. É um período para acordar mais tarde, tomar um café da manhã mais demorado, ter horários menos rígidos para as refeições, ficar mais perto da família, curtir a preguiça e brincar à vontade. Mas, e os papais, mamães e demais responsáveis, o que devem fazer para satisfazer, estimular e animar a criançada com a chegada das férias escolares?
Para discutir este tema, conversamos com a mãe e professora Patrícia Machado Pereira, formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia Institucional e Clínica. Com mais de 25 anos de contribuição para a educação da rede escolar de Itapoá-SC, ela fala que, antes de tudo, as férias escolares devem ser vistas como um momento essencial para que as crianças e adolescentes descansem e, na volta às aulas, estejam preparadas para adquirir novos conhecimentos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

03072017-2 1
Com mais de 25 anos de contribuição para a educação de Itapoá, a professora Patrícia fala sobre férias, educação e estímulos para as crianças.

Normalmente, a rotina escolar das crianças e adolescentes é cansativa e exigente. “É chegada uma hora que o corpo e a mente cansam. Então, entra a necessidade do descanso e da brincadeira que as férias proporcionam”, fala Patrícia. O período de férias, além de ser um período de descanso ou diversão, é também um período benéfico para preparar a criança para novos conteúdos, deixando-a mais disposta para o aprendizado na volta às aulas, e contribuindo para seu amadurecimento.
Ela conta que alguns pais só sabem conversar com os filhos assuntos referentes à escola, inclusive, existem autores em psicologia, que consideram estas famílias como famílias ‘colegiocêntricas’, isto é, onde a criança/adolescente é tratada pelos pais, mais como aluno do que como filho, e toda a relação estabelecida com a criança/adolescente gira em torno da escola: “não quero negar a importância dos pais acompanharem as atividades escolares dos filhos, mas sim refletir que o conceito da palavra ‘filho’ extrapola e não coincide com o papel de aluno”.
“Filho passeia, se diverte, tem amigos, tem tarefas em casa (responsabilidades), pratica esportes ou outras atividades paralelas, enfim, não se reduz a um ser que frequenta a escola. A escola é um dos aspectos de sua vida e, aluno, é um dos papeis que desempenha na vida”, explica Patrícia.

03072017-2 3
Francisco Machado Pereira Costa Oliveira e seu pai Francisco Eduardo Costa Oliveira,
o Baiano, na confecção de uma pipa, momentos antes de soltá-la na praia.

As férias, para ela, podem ser vistas como um momento em família, em que se conversa o que poderia e o que se gostaria de fazer. Pode ser atividades bem simples, como convidar os amigos de seu filho para irem a sua casa ou fazer um programa ao ar livre. A professora ainda diz que não é preciso inventar atividades a todo o momento – para ela, o mais importante é que os pais ofereçam espaço e segurança para que a criança crie o que tem vontade de fazer. Esta é, inclusive, uma forma de desenvolver a autonomia das crianças e adolescentes.
Combinar férias revezadas com amigos ou familiares que também têm filhos pode ser bacana para o entretenimento não parar. Mas, ficar em casa e também pode ser uma opção. “O tempo no computador e televisão deve ser negociado entre pais e filhos, pois eles irão aprender muito mais brincando. O ideal é que seu filho diversifique as atividades, que podem ser a leitura de um livro, um filme em família, um passeio na praia, uma caminhada, empinar pipa, jogar bola, deixar que ele seja seu ajudante em alguma receita culinária, visitar espaços públicos da cidade, pescar e tantas outras atividades. São singelos programas que podem ser feitos em família, pois, as crianças adoram e contribuem para o aprendizado e o bem-estar delas”, fala Patrícia.
Brincar, passear, viajar pode ser também uma forma gostosa de adquirir conhecimentos através do diálogo. Segundo a professora, conhecer a opinião da criança ou adolescente sobre diversos assuntos, desde música até política pode ser uma experiência interessante de troca de informações e de fortalecimento do respeito mútuo. Com ou sem dinheiro sobrando para um passeio ou uma viagem, Patrícia ressalta que as melhores férias para as crianças sempre são aquelas nas quais seus familiares se fazem presentes.
Se tratando de Itapoá, um lugar com tantas belezas naturais, ela aconselha que uma boa pedida para as férias escolares é fazer um passeio pela praia ou explorar pontos turísticos com seu filho, como o Farol, as Três Pedras ou a Reserva Volta Velha, atividades prazerosas que não exigem tanto tempo e dinheiro. “O importante, mesmo, é que esse contato seja prazeroso”, diz.
Para ela, o ideal é que os pais ouçam as crianças, para saber o que elas querem para este momento, e que tenham poder de negociação. “Às vezes, é preciso dizer ‘não’ ou ‘isso não vai dar’, mas é bom lembrar que, assim como nós, adultos, as crianças também precisam de liberdade para fugir da rotina”, conclui a professora Patrícia, “é o momento para poder ficar um dia de pijama, sem preocupações com horários e lições de casa. Deixar dormir, fazer aquilo que não dá para fazer quando não tem férias”.

 

03072017-2 2
Deixar a imaginação fluir nos desenhos, jogar futebol na areia da praia, assistir a um filme com pipoca e brincar são boas pedidas para entreter seu filho e seus amigos.

Todo talento deve ser estimulado
Descobrir aquilo que se faz bem costuma ser fruto de um longo processo de autoconhecimento. Para a professora Patrícia, todo mundo (inclusive, os adultos) abriga um notável potencial dentro de si, e é possível descobrir isso através das experimentações.
“A criança ou adolescente só descobrirá suas aptidões se for estimulada. Por exemplo, ela nunca saberá que tem talento para pintura se nunca teve contato com telas e pincéis, assim como acontecerá com a criança que tem talento para escrever, mas seus pais nunca a deram livros ou leram histórias com ela. Os talentos estão ali, mas precisam ser incentivados e valorizados pelos pais”, diz a professora.
Para exemplificar, Patrícia, que é mãe de Ana Beatriz Machado Pereira da Costa, de 22 anos, e Francisco Machado Pereira Costa Oliveira, de 10 anos, conta: “Quando minha filha era criança, notei que ela gostava muito de vestir suas bonecas, fazer desfiles com elas e desenhar mulheres com diferentes modelos e estampas de roupas. Comecei a sentar com ela para vê-la brincar e desenhar, e eu colava cada um de seus desenhos nas paredes de seu quarto, para que ela compreendesse que eram muito bonitos e especiais. Naquela época ainda não sabíamos, mas, ali, estava nascendo seu gosto por Design de Moda, curso no qual ela se formou anos mais tarde”, diz. “Também quando criança, minha filha Ana Beatriz aprendeu a ler com gibis da Turma da Mônica, ganhava livros de presente e, todos os dias, antes de dormir, líamos uma história juntas. Quando ela passou a concluir a leitura de seus próprios livros sozinha, eu costumava pedir para que ela contasse aquela história, de forma resumida, para mim. Hoje, ela gosta muito de ler e escrever e, inclusive, trabalha com isso”, fala Patrícia.

24012017-2 4
Patrícia com os filhos Ana Beatriz e Francisco.

Já Francisco, filho da professora com seu esposo, o músico Francisco Eduardo Costa Oliveira, mais conhecido como Baiano, convive desde cedo com diversos instrumentos, como bongô, atabaque, pandeiro, berimbau, entre outros. “Apenas observando seu pai tocar e assistindo aos DVD’s de grandes artistas repetidas vezes, ele aprendeu a tocar percussão e iniciou seus primeiros acordes no violão. Como vimos que ele tinha habilidade, o matriculamos em uma aula de violão. Mas, se ele nunca tivesse contato com a música, por exemplo, não seria possível identificar estas suas habilidades”, diz Patrícia. Além disso, Francisco também participa do grupo de Capoeira Angola na Escola (da Associação Lenço de Seda) e da escolinha de surfe Primeiras Ondas – projetos gratuitos, disponibilizados às crianças de Itapoá.

 

02072017-2 5
Francisco é filho de pai músico, convive desde cedo com diversos instrumentos e, hoje, domina muitos deles.

Para quem deseja estimular a criança gastando pouco ou quase nada, Patrícia conta que são possíveis criar instrumentos com latas preenchidas de areia ou pedras, ou fazer uso de panelas e outros utensílios domésticos. Utilizar caixas de papelão com canetinhas coloridas para estimular a imaginação, reaproveitar embalagens de produtos para criar um pequeno mercadinho e trabalhar alguns conceitos matemáticos, construir uma horta com materiais recicláveis para vivenciar experiências de planto, colheita e o contato com a natureza também são sugestões válidas.
Aproveite este período de férias, portanto, para conhecer e participar mais dos interesses e atividades do seu filho, se divertindo com ele, conhecendo suas novas facetas, e dando a ele a oportunidade de experimentar novas atividades, seja na arte, na música, na dança, na criação de novas histórias ou em algum esporte. Pois, como disse Pablo Picasso: “Todas as crianças nascem artistas. O desafio é que continuem a ser artistas depois que crescem”.

 

O olhar de uma psicopedagoga para as crianças

Formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Mahara Hermógenes já trabalhou como professora em projetos sociais e na rede escolar de Itapoá-SC. Buscando disseminar a aprendizagem para diferentes crianças e, consequentemente, diferentes saberes, há dois anos, ela atua como psicopedagoga no “Cantinho das Possibilidades” – um espaço lúdico e educativo, que visa estimular as crianças de forma mais viva, participativa e vivenciada.
Com base em sua experiência profissional e enquanto mãe de Ademar Ribas do Valle Neto, o Ademarzinho, de quatro anos de idade, Mahara fala sobre a importância da psicopedagogia, destaca temas que merecem atenção especial das famílias das crianças e dá algumas dicas para agitar as férias escolares dos pequenos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

29062017-mahara1
Mahara Hermógenes destaca temas que
merecem atenção especial das famílias.

Cantinho das Possibilidades
Segundo Mahara, a psicopedagogia busca decifrar como ocorre o processo de construção do conhecimento em cada indivíduo. “A psicopedagogia se propõe a identificar os pontos que possam estar travando essa aprendizagem, atuar de maneira preventiva para evita-los e, ainda propiciar estratégias e ferramentas que possibilitem facilitar esse aprendizado”, explica. Muito além da fusão da pedagogia com a psicologia, o psicopedagogo busca na psicanálise, psicolinguística, neurologia, fonoaudiologia, psicomotricidade, entre outros, o conhecimento necessário para entender o processo de aprendizagem de cada um.
No “Cantinho das Possibilidades”, a psicopedagoga estuda e auxilia, em sua maioria, portadores de necessidades especiais, como deficiências múltiplas, dislexia, TDAH, deficiência intelectual, altas habilidades, entre outras, ou, até mesmo, pessoas com dificuldades de aprendizagem. “Este trabalho é feito partindo da demanda do paciente, com o auxílio de jogos de sequência lógica, dinâmicas, brincadeiras lúdicas, leituras, trabalhando o raciocínio lógico, a produção de texto, a percepção visual, a resolução de problemas e conversas. É importante também frisar questões como autoestima, autonomia e oralidade, e trabalhar as habilidades e capacidades da criança”, explica Mahara. Vale ressaltar que a intervenção psicopedagógica também é endereçada aos adultos, uma vez que oferece benefícios como autoconhecimento, melhora do desempenho profissional e acadêmico, superação das dificuldades de aprendizagem e correção das falhas da escolarização inicial.
O “Cantinho das Possibilidades – Psicopedagogia Clínica e Educação Especial” fica no bairro Itapoá, na Avenida Brasil, número 2402, na sala aos fundos. Para maiores esclarecimentos, o telefone para contato da psicopedagoga Mahara é: (47) 99672-4773.

Crianças devem ser crianças
Crianças merecem atenção. É fundamental que seus responsáveis lutem pelos seus direitos, integridade física, tenham lazer, cuidados e proteção, mas, acima de tudo, que elas sejam respeitadas como, nada a mais nada a menos: crianças.
Vivemos na era digital e, cada vez mais cedo, as crianças precisam se adequar à modernidade e agir como pequenos adultos, lidando com aparelhos eletrônicos e uma rotina bastante atarefada. A psicopedagoga Mahara reflexiona: “Muitos pais querem que seus filhos estudem, aprendam outro idioma, aprendam algum instrumento, se dediquem a algum esporte, mas, em muitos casos, se esquecem de reservar um horário para que eles façam o mais importante: brincar”.
De acordo com a psicopedagoga, é preciso lembrar que a infância ainda é simples, como brincar de desenhar, se sujar de barro, cair depois de correr no esconde-esconde, é rir de si mesmo, é ser criança. Em suas palavras: “a infância precisa ser livre”.

Quanto aos pais, mães e responsáveis, ela aconselha que disponham algum tempo às crianças, por menor que seja, para as ouvirem, olharem em seus olhos e realizarem alguma atividade em conjunto. “Mas é preciso estar 100% presente nesse momento, não brincando com a criança e de olho no celular ou preocupado com questões profissionais. O ‘pouco’ que nós, pais, fazemos, pode ser o ‘muito’ que nossos filhos precisarão mais tarde, na fase adulta”, diz.

“Se os pais não tiverem vontade de dedicar um tempo aos seus filhos, neste contexto, é muito provável que eles cresçam e também não tenham interesse em dedicar um tempo aos seus pais”, ressalta Mahara.

Para ela, desde as brincadeiras às tarefas, tudo tem o seu tempo, e a intensidade da infância deve ser aproveitada, pois passa muito depressa. A profissional ainda explica que, muitos dos problemas psicológicos que surgem na fase adulta decorrem da ausência da base familiar na infância, ou seja, carinho, amor e atenção. Com seu filho Ademarzinho, por exemplo, Mahara gosta de fazer sessões de cinema com pipoca em casa, caverninha com edredons e lanterna, desenhar e pintar, passear de bicicleta na areia da praia, brincar de massinha de modelar, praticar esportes, entre outros.
E até um simples momento, como a refeição, pode se tornar alegre e educativo. Juntos, Mahara e Ademarzinho costumam fazer lindas esculturas com alimentos saudáveis, como, por exemplo, um polvo feito de sagu, um cavalo feito com arroz integral e feijão, ou um surfista com a cabeça de um morango, o cabelo de kiwi, o corpo de uma banana e a prancha de manga – momento que apelidaram de “Bistrô do Ademarzinho”. “Transformando a comida saudável em algo divertido, a criança pode adquirir novos e bons hábitos. Vale destacar que uma alimentação saudável traz inúmeros benefícios às crianças, facilitando ainda mais seu aprendizado, capacidade física, atenção, memória, concentração e energia necessária para trabalhar o cérebro”.

03072017-3 4
O “Bistrô do Ademarzinho”: momento em que mãe e filho brincam e se divertem criando
lindas esculturas de alimentos, compartilhando, assim, de uma alimentação mais saudável.

“Nós, adultos, nos preocupamos em darmos os melhores presentes, mas o que vale, mesmo, é sermos presentes. Ao invés de dar um brinquedo pronto ao seu filho, por que não criar um brinquedo junto com ele? Isso fará com que ele estimule sua criatividade, valorize muito mais o brinquedo e a própria relação entre pais e filho”, questiona a psicopedagoga.
Antes de cobrar bons resultados, é preciso que os pais deem bons exemplos, seja na alimentação, na organização da rotina ou na atenção. Mahara também incentiva os pais a deixarem seus filhos livres e à vontade para “se encontrarem” quanto aos seus gostos, talentos e personalidades. Para exemplificar esta situação, ela utiliza os livros: “Costumamos cobrar das crianças que elas tenham gosto por leitura, saibam ler e escrever, mas poucos adultos deixam livros ao seu alcance para toquem, folheiem e sintam aqueles livros, temendo que elas rasguem, rabisquem ou arranquem as páginas. Mas, mais uma vez, é importante lembrar que se trata de crianças e, somente conhecendo bem o que aquele objeto representa ela passará a valorizá-lo”.

03072017-3 3
Desde cedo, seu filho Ademarzinho é estimulado a se divertir com coisas simples,
como um avião feito de caixa de papelão ou uma cabaninha.

03072017-3 2

Seja como mãe ou profissional, a psicopedagoga faz uso frequente de brinquedos lúdicos e educativos, que estimulam a concentração e a memória da criança, e assume posição contrária ao estereótipo de “brinquedos de meninas” e “brinquedos de meninos”: “todos os brinquedos e brincadeiras devem ser para todas as crianças, afinal, todos os meninos um dia terão as suas casinhas de verdade, e as meninas terão os seus carrinhos de verdade”.

03072017-3 1
Junto das crianças, a psicopedagoga Mahara gosta de voltar a ser criança, e criar momentos lúdicos e divertidos.

Assumida como “uma eterna criança”, Mahara fala que brincar com as crianças não beneficia somente as crianças, mas também os adultos. “Costumamos viver no modo automático e rodeados de novos acontecimentos e informações que surgem em frações de segundo. Portanto, reservar um tempo para brincar e dar gargalhadas com os pequenos é muito saudável”, diz. E, é bom lembrar que, para tal, as férias escolares são o momento mais do que propício.

A importância dos brinquedos educativos

03072017-3 14
Inúmeras descobertas do mundo de Olavo. Para conferir mais, acesse “Mão na Roda”, no Face

“Aprender brincando é mais divertido”, assim diz Juliana dos Santos Matias – mãe do Olavo dos Santos Matias, de dois anos de idade, doula, consultora em amamentação, consultora em introdução alimentar e empreendedora materna, de Itapoá.
“Desde o nascimento do nosso filho, nosso mundo mudou. Adquirimos novos conceitos para velhos assuntos. E foi dessa forma, que começamos a empreender com os brinquedos educativos. Primeiramente, é mais fácil você comprar os brinquedos convencionais, pois já vêm prontos, sem dar muito trabalho ao cuidador. Mas, por outro lado, nossos pequenos enjoam muito rápido deles, até mesmo esquecem. Isso não acontece com os brinquedos educativos. Existem diversas maneiras de brincar com o mesmo brinquedo, você consegue utilizá-lo em diferentes etapas do desenvolvimento do seu pequeno e ainda eles podem fazer outra criança feliz por gerações”, explica Juliana.
Para encontrar diversas dicas para ensinar seu filho brincando e, também, ficar por dentro de todos os brinquedos que Juliana tem em estoque, basta acessar sua página “Mão na Roda” na rede social Facebook, através do link: http://www.facebook.com/maonarodapropapaiepramamae.

Ighor Zakaluk: A paixão e a importância de lecionar biologia

No dia 3 de setembro é comemorado o Dia do Biólogo. A área de atuação deste profissional é bem ampla, podendo atuar dentro de empresas com laudos ambientais, pesquisas para indústrias, análises, parques ecológicos, preservação de animais, projetos ambientais, na educação, como professor, entre outras ramificações. Contemplando os profissionais desta área, entrevistamos Ighor Zakaluk, professor de biologia na Escola Estadual Nereu Ramos, em Itapoá. Para ele, o importante é ter consciência que, assim como toda profissão, é necessário muita dedicação.

Ana Beatriz

igor2

Ighor nasceu em Campo Mourão, no Paraná, mas cresceu em Palmital, região centro-oeste do estado. Desde criança, ele conta que sempre teve interesse na área de ciências, se empolgava com reações químicas, físicas e em conhecer os seres vivos. “Alguns colegas de séries mais avançadas sempre tentavam inventar alguma coisa, e minha curiosidade aumentava. Além, é claro, da feira de ciências que a escola promovia, ficava muito empolgado”, recorda. Isso o motivou a cursar a faculdade de Ciências Biológicas, em Ivaiporã-PR. Em 1999, ainda frequentando o último ano de faculdade, Ighor se mudou para Itapoá e viajava até Ivaiporã para completar os estudos.
Já no município litorâneo, o professor começou lecionando na Escola Municipal João Monteiro Cabral, onde trabalhou em 1999 e 2000. Também em 1999, trabalhou no supletivo, na época na Escola Municipal Frei Valentim. Ele começou na Escola Estadual Nereu Ramos em 2000 e, dois anos depois, se tornou efetivo. Atualmente, leciona apenas ao Ensino Médio, mas já trabalhou com turmas de ciências. Junto com alguns professores, neste ano iniciou um cursinho pré-vestibular e para o ENEM, o “Super Ação”.

igor
Ighor costuma dizer a seus alunos que a biologia significa o estudo da vida, ou seja, que ela explica muito do dia a dia e da vida de cada pessoa.
“É através deste estudo que entendemos o motivo e a importância de alimentos específicos, o que é alimentação saudável, como certos medicamentos agem em nosso corpo, entre outros. Também conhecemos a vida que nos cerca, nas diferentes formas, tanto animais e vegetais, quanto outros grupos como os fungos, bactérias e vírus, os quais muitas vezes pensamos que só existem para causar problemas, mas, sem eles o planeta como conhecemos não seria possível”, explica. Ainda de acordo com o processor, é com este conhecimento que entendemos a necessidade de respeitar o ambiente e as formas de vida que interagem com a sociedade.
Para compreensão desses conhecimentos, Ighor utiliza métodos práticos, como projetos, maquetes, experimentos e pesquisas, a fim de deixar a aula de biologia mais dinâmica e interessante.
“É uma disciplina que contém vários ‘nomes complicados’, como dizem alguns alunos, portanto, ficar apenas na teoria, cansaria muito. Também em conversa com alguns ex-alunos, soube que alguns desses trabalhos foram úteis na faculdade, pois também foram cursar biologia, e outros concordaram que algumas das técnicas vistas em sala os ajudaram nas pesquisas da faculdade ou de cursos técnicos”, conta.
Os projetos e pesquisas desenvolvidos pelo professor Ighor também têm como base outras especializações que ele fez: Ecoturismo e Mídias na Educação.
Nesta era tecnológica, ele afirma que é preciso saber usar diferentes ferramentas, e que a biologia permite isso. “Como, por exemplo, imagens melhores de parte da célula ou do corpo que antes não eram possíveis; trabalhos e pesquisas com recursos tecnológicos, como produção de filmes, áudios, slides, etc.”, diz. Para o professor, a facilidade de acesso à informação também contribui.
“Quando o aluno encontra alguma reportagem e traz para discutir na aula, ajuda no melhor entendimento do conteúdo. Mas é preciso ficar alerta, pois muitas informações são incorretas, sendo preciso ensina-los a interpretar e reconhecer”, explica.
Hoje, aos 38 anos, casado, Ighor se define como um profissional que está para fazer a diferença, tanto na área da educação quanto na área da biologia. “Através da educação, a biologia pode ajudar as pessoas a serem melhores na vida e ver o ambiente que vivem como parte integrante da sociedade”, afirma. À medida que começou a lecionar, vendo o resultado dos trabalhos, o empenho de muitos alunos e suas conquistas no ENEM e no vestibular, ele conta que seu interesse pela profissão se reforçou.
“Hoje, cada vez que encontro um ex-aluno e ainda sou chamado de professor, é um incentivo a mais, pois sei que em algum momento pude fazer a diferença, em sua vida profissional, acadêmica ou também social”, conclui. Para o professor Ighor, isso tudo é o que deixa a paixão pela profissão continuar acesa.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 44 – Setembro/2016