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A história “de amor” do Restaurante Bom Sucesso

De melhores amigos, Analú Melcheretto e Jairo Ernani de Araújo passaram a ser um casal. Eles são proprietários do Restaurante Bom Sucesso, no município de Itapoá (SC). Companheiros de vida, de trabalho e de família, a história de amor desse casal é, também, a história do Restaurante Bom Sucesso.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Frente ao Restaurante Bom Sucesso, em Itapoá, o casal Analú Melchioretto
e Jairo Ernani de Araújo, acompanhados da filha Natália Araújo.

A história de amor de Analú e Jairo é daquelas que daria um bom enredo para um filme ou uma novela. Eles se conheceram na escola, na cidade de Guaratuba (PR) e, quando estudavam na 7ª série, viveram um romance. “Era um namorico de escola, mas durou sete meses, foi ali que tudo começou”, recordam.
Os pais de Analú e Jairo eram amigos, as famílias moravam próximas e, com o passar dos anos, eles se tornaram grandes amigos. Eram parceiros, tinham uma turma grande de amigos e trocavam confidências – mas tudo não passava de amizade.
Quando Jairo casou-se, convidou Analú para ser uma de suas madrinhas de casamento, que prontamente aceitou o convite, tamanho era o apreço que sentiam um pelo outro. “Assisti ao seu casamento e torcia muito pela sua felicidade, assim como torcemos por qualquer amigo”, ela conta.
O tempo passou e as responsabilidades da vida adulta fizeram com que Analú e Jairo se distanciassem. Até que, certa vez, ele e sua então esposa se divorciaram. Nesse período, Analú costumava sair com a mesma turma de amigos e, certa vez, convidaram Jairo para juntar-se a eles.
A reaproximação entre os amigos aconteceu e eles saíram muitas vezes juntos acompanhado dos amigos. Certo dia, em um pagode, para a surpresa dos dois e de todos os seus amigos, aconteceu o inesperado: Analú e Jairo se beijaram. Ela recorda: “Lembro-me que fiquei apavorada e fui correndo contar tudo para minha irmã (Janete Melchioretto Silva, da Beira Rio Esquadrias). Estava confusa por sentir aquilo, afinal de contas, éramos grandes amigos e eu havia sido sua madrinha de casamento”.
Felizmente, a ex-mulher de Jairo fora bem-resolvida com a situação e tudo fluiu perfeitamente. Em pouquíssimo tempo, Jairo e Analú passaram a namorar e, em 1997, foram morar junto. “Nosso sentimento, até o dia em que nos beijamos, era somente de amizade. Mas, hoje, pensando melhor, talvez tivéssemos um amor adormecido, lá dentro do peito, desde a infância”, comentam.

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Bom Sucesso
Analú e Jairo passaram bons anos da vida a dois curtindo e aproveitando os bons momentos. “Nossos pais sempre foram muito festeiros e pegamos isso deles. Gostamos muito de festas e tivemos bons momentos juntos”, recordam. Foram oito anos de curtição, até que nasceu a filha do casal, Natália Araújo (hoje, aos 13 anos de idade), e os momentos de curtição a dois se transformaram em curtição em família.
Na época, ela trabalhava como funcionária pública e ele como bancário, mas se encontravam insatisfeitos no trabalho. “Conhecíamos Itapoá, pois já tínhamos familiares que aqui residiam há muito tempo. Sempre tivemos o sonho de ter nosso próprio negócio, e, com a chegada do Porto Itapoá, decidimos que este seria o lugar ideal para abrir um comércio e para prosperar junto à cidade”, falam.
Em busca de novos horizontes, o casal optou por abrir um restaurante no município de Itapoá. O nome escolhido pelos guaratubanos foi para homenagear a padroeira de Guaratuba, Padroeira Nossa Sra. do Bom Sucesso. No ano de 2013, Analú e Jairo – acompanhados da filha Natália, se mudaram para Itapoá, onde abriram o Restaurante Bom Sucesso.
Há cinco anos eles batalham diariamente para que o restaurante seja reconhecido no município pela deliciosa comida caseira, à la carte e pelo atendimento receptivo que dedicam com muito amor aos clientes amigos.
Especialmente há nove meses o restaurante mudou de endereço – agora, situado na Avenida Celso Ramos. “Para nós, esse tem sido um recomeço. Não é fácil, mas é gratificante a luta diária para nos mantermos firme”, comentam Analú e Jairo.
Com muita fé e dedicação, o casal vence cada uma das batalhas e provações que lhes são impostas. A receita da deliciosa comidinha caseira do Restaurante Bom Sucesso é segredo, mas a receita de empreender em casal eles contam: paciência, companheirismo e equilíbrio.

 

Don Rodolpho: Pães, confeitos e receitas de família

Por trás das delícias encontradas na Panificadora Don Rodolpho, em Itapoá-SC,
estão as receitas e o amor pelo ofício que o proprietário Edson Luís Tavares herdou de seu pai. Com quase 30 anos de história no município, a panificadora lança, agora,
sua linha de produtos: os biscoitos Don Rodolpho.

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Da esquerda para a direita: Kristian (masseiro da Don Rodolpho), João Saidel (gerente da fábrica de biscoitos), Anderson (gerente do Sicredi e parceiro no projeto da fábrica), Mário (também parceiro no projeto), e o casal Edson e Márcia (proprietários da Panificadora Don Rodolpho).

Na cidade de Curitiba-PR, Rodolpho, pai de Edson, era proprietário de uma panificadora. “Meu pai amava colocar a mão na massa, literalmente. Ele tinha receitas próprias e ensinou todas elas para mim e meus irmãos”, recorda Edson, que aos 15 anos de idade já ensinava as demais pessoas a fazerem pães.
Os anos se passaram e Edson decidiu seguir os passos do pai, abrir sua panificadora e manter a tradição do sabor em família. No ano de 1990, passou a residir no município de Itapoá junto da esposa, Márcia Maria de França Tavares, e dos três filhos, Patrícia, Rodolpho e Raphael. Ainda nos anos 90, o casal abriu as portas da Panificadora Don Rodolpho para a freguesia itapoaense. A empresa, que carrega o nome do falecido pai de Edson, é uma homenagem àquele que lhe ensinou a arte de pães e confeitos.
As receitas de pai para filho caíram na boca – ou melhor, no paladar – do povo, e os pães, doces, bolos, salgados, lanches e demais produtos da Panificadora Don Rodolpho ficaram conhecidos por moradores da Barra do Saí ao Pontal. Conforme Edson, muitos turistas também já criaram o hábito de visitar o município litorâneo e passar em sua panificadora para comprar as delícias artesanais e fresquinhas. Além de produtos de qualidade, o grande diferencial da Don Rodolpho está no atendimento oferecido à clientela fidedigna.
“Nossa missão é que o cliente sinta-se em casa. Acreditamos que o cliente não é apenas mais um que vem parar comprar conosco, mas, sim, parte de nossa história”, comenta Edson.
Com 29 anos de atuação, a Panificadora Don Rodolpho cresceu junto do município de Itapoá. O sonho da panificadora que começou à dois, com Márcia e Edson administrando poucos produtos e funcionários, hoje conta com uma equipe de dez funcionários que trabalham há anos na panificadora e fazem parte da ‘família’ Don Rodolpho. O espaço também cresceu e, para melhor atender às necessidades da população, desde 2013, a panificadora está situada na Rua 860, número 893, em Itapema do Norte.
Recentemente, Edson pôde realizar um desejo antigo: montar uma fábrica de biscoitos em Itapoá e lançar uma linha de produtos da Panificadora Don Rodolpho.
Biscoitos Don Rodolpho
Na cozinha da panificadora, Edson habitualmente assava biscoitos de polvilho e oferecia aos clientes e funcionários – que, por sua vez, adoravam o produto. “As pessoas davam um feedback muito positivo sobre os biscoitos, diziam que eles eram deliciosos, crocantes e fresquinhos. Então, no ano passado, buscamos maquinários para modernizar a fabricação e registrar este produto”, explica.
No mês de setembro de 2018 o projeto da fábrica foi concluído com sucesso. Agora, a panificadora oferece doze produtos da marca registrada Panificadora Don Rodolpho, entre eles: joelhinhos, biscoitos amanteigados, palitos salgados, biscoitos de polvilho em bolinhas e biscoitos de polvilho em rosquinhas (com adicionais de queijo ou orégano). Vale ressaltar que as delícias da marca Don Rodolpho também são vendidas em bancas, conveniências e mercados de toda a Itapoá, e possuem representantes nas cidades de Guaratuba-PR, Joinville-SC e Araquari-SC.

Maior realização
Para o futuro da empresa, Edson tem a pretensão de manter o padrão de qualidade e continuar satisfazendo as necessidades da população itapoaense. Em nome de toda a equipe, o proprietário agradece aos clientes, funcionários e parceiros que deixaram sua contribuição nestes quase 30 anos de Panificadora Don Rodolpho.
Seja no atendimento ou na cozinha, batendo os pães, Edson sente-se realizado: “A nossa maior satisfação é, sem dúvida, deixar nossos clientes satisfeitos. Isso aqui é a minha vida, eu me realizo fazendo pães”.

Empreendimento Riviera Santa Maria marcará a Itapoá do futuro

Influente na história de Itapoá, a família Gunther sempre acreditou no futuro promissor do município. Além das contribuições passadas, os Gunther buscam, também, marcar a Itapoá do futuro. Estamos falando do empreendimento Riviera Santa Maria, um projeto da família, junto de outras empresas e empreendedores.
Em entrevista à revista Giropop, os irmãos Pedro Silvano Gunther e Rubens Geraldo Gunther falam sobre a história de sua família, suas contribuições e, é claro, sobre este projeto inovador, moderno e sustentável, que promete grande impacto no município.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Irmãos Gunther em recente encontro familiar.

Qual a relação da família Gunther com a história de Itapoá?
Nosso patriarca, Geraldo Mariano Gunther, foi um homem à frente do seu tempo. Advogado militante, político atuante (vereador, prefeito, deputado estadual), jornalista, proprietário do jornal “O Democrata”, de Concórdia (SC), e empresário visionário, sempre acreditou no futuro promissor do município. Costumava dizer que essa era a praia mais bonita do “sul do mundo”. Em 1956, sugeriu a Dórico Paese que investisse em Joinville (SC). Dórico liderava os empreendimentos da família Paese na criação de loteamentos urbanos e vinha de uma bem sucedida experiência em Concórdia. Acreditando no potencial de Joinville, juntaram-se a outros empreendedores e fundaram, em janeiro de 1957, a SIAP – Sociedade Imobiliária Agrícola e Pastoril Ltda. Logo em seguida, Adalcino Rosa comentou com Dórico sobre a existência da praia de Itapoá, a qual só era acessada por barcos, a partir de São Francisco do Sul (SC).
A “descoberta” de Itapoá animou o grupo a focar esforços nesse projeto e, como primeira tarefa, abriram os 8 km de estrada que faltavam para ligar a colônia Saí Mirim à praia. Os detalhes desse início de colonização de Itapoá estão muito bem descritos no livro “Memórias Históricas de Itapoá e Garuva”, de Vitorino Luiz Paese.

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Ida Ormeneza Gunther e Geraldo Mariano Gunther,  os fundadores da IGG.

Há quanto tempo frequentam o município?
A partir de 1964 passamos a veranear todos os anos em Itapoá. O mês de janeiro era, exclusivamente, dedicado à praia. Morávamos em Concórdia e a viagem levava o dia inteiro, saindo de madrugada, em estradas precárias e, em certas épocas do ano, intransitáveis. A luz era a do sol e a água a da chuva. Somente anos depois vieram os fornecimentos de energia elétrica, água, telefone, asfalto, etc.

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Família Gunther em 1957, ano em que Geraldo e demais sócios da SIAP iniciaram o desenvolvimento de Itapoá.

Vocês participaram ativamente da transformação política, social e econômica de Itapoá?
Pedro Silvano e Rubens Gunther: Em 1964, nossa família apoiou a transferência do município de São Francisco do Sul para Garuva, em 1989, acompanhou a criação do município de Itapoá e, em 2003, a instalação da Comarca. Também, cedeu áreas para a construção dos Condomínios Solar do Atlântico, Vivenda das Palmeiras, Portal dos Mares e Cancun. Construiu espaços de lazer e convívio, como o Camping D’Itapoá (hoje, administrado pela Associação dos Funcionários da Prefeitura Municipal de Itapoá) e a casa de espetáculos Maresia (hoje, Italama). Doou uma quadra para a Fundação Hermon, colaborou na viabilização do CTG Fronteira do Litoral e do Campo de Futebol. Apoiou o desenvolvimento urbano, cedendo área para a primeira estação de captação e tratamento de água e doando 60.000 m² para a instalação da nova Estação de Tratamento de Águas (ETA) e da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Em 2000, pagamos o asfaltamento da Avenida Brasil, no trecho compreendido entre o Tikay e o Condomínio Vivendas das Palmeiras. Já em 2011, assumimos o asfaltamento do Caminho da Onça, no trecho que corta a área, enquanto o Porto arcou com o custo do asfalto no resto da cidade.

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Veraneio da família em Itapoá, em 1964.

E quanto ao projeto do empreendimento Riviera Santa Maria? Quando começou? Quais as dificuldades iniciais?
Em 1959, a família adquiriu duas glebas para desenvolver empreendimentos imobiliários. Dez anos depois, foi registrado o Loteamento Santa Maria e entregue sua abertura para a empresa Moreira Bastos, de Lages (SC), que não conseguiu completar o serviço. Pelas incertezas e dificuldades da época, o empreendimento não prosperou. As dificuldades associadas às demarcações e sobreposições de áreas inviabilizaram o loteamento e foi necessário um processo judicial de retificação e ratificação de divisas, que só foi concluído em 1999. Já entre 1995 e 2005, antevendo uma forma de urbanização mais própria para residências de veraneio, a família promoveu a implantação dos Condomínios Vivenda das Palmeiras, Solar do Atlântico, Portal dos Mares e Cancun, em regime de permuta por área construída. Contudo, apesar dos cuidados tomados para que as construções atendessem a todos os critérios técnicos e legais, a partir de 2003, o MPF (Ministério Público Federal) ingressou com Ações Civis Públicas (ACP) contra os Condomínios, contra a FATMA (Fundamentação do Meio Ambiente) e contra a Prefeitura de Itapoá, pedindo a anulação das licenças concedidas, com a argumentação, que até hoje não está superada, de que as construções se encontravam em Terras de Marinha e em Áreas de Proteção Permanente (APP), coberta de vegetação de restinga.

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Primeira tentativa de lançar o loteamento Santa Maria, em 1969.

Como se encontra a situação dessas Ações Civis Públicas?
Estamos contestando judicialmente a demarcação da linha de preamar média de 1831 (LPM1831) por entender que ela foi realizada de forma ilegal, e contestando a classificação de proteção de vegetação de restinga por entendermos que a lei protege a vegetação associada ao acidente geográfico restinga e não genericamente a vegetação de restinga. Das quatro ACP’s, duas foram solucionadas através de acordo e outras duas continuam sem decisão até o momento.

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Pedro Silvano Gunther, Vice-Presidente da IGG e Rubens Geraldo Gunther, Presidente.

Desde a iniciativa de implantar o loteamento, nos anos 70, ao imbróglio jurídico ambiental originado na construção dos condomínios, o que vem sendo estudado?
Fomos estudando alternativas e avaliando riscos. A família desenhou muitos projetos para a área, que sempre esbarraram na insegurança jurídica que entendíamos que só seria superada por um projeto transformador e que atendesse a todas as exigências legais, ambientais e fosse economicamente viável. Tivemos a felicidade de encontrar um grupo empreendedor e visionário, composto por engenheiros, administradores e advogados que se dispuseram a assumir o risco, em conjunto com a família, de implantar em Itapoá um projeto inovador, ambientalmente e socialmente responsável e economicamente viável, evitando “fazer mais do mesmo”. O grupo de desenvolvedores – formado por executivos que implantaram o Porto Itapoá, um conceituado empreendedor imobiliário de Curitiba, um arquiteto e um escritório de advocacia – assinou em 2011, com a IGG, empresa da família, um “Protocolo de Intenções” para o desenvolvimento e implantação do projeto Riviera Santa Maria, baseado no “Estudo Conceitual da Gleba”, elaborado pelo escritório de arquitetura do urbanista Jaime Lerner.

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60.000 m² doados pela família para a construção da
Estação de Tratamento de Água de Itapoá.

Desde então, o trabalho tem sido desenvolvido junto dos empreendedores?
Estamos em intenso trabalho, contratando empresas de elevada capacidade técnica, como a AQUAPLAN, para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), a VECTOR, para os projetos de infraestrutura, a IOCH, para o projeto elétrico, além do indispensável e qualificado suporte jurídico do escritório BRÜMMER ADVOCACIA.
Todo o esforço está sedo feito para que quando obtivermos a Licença Ambiental de Instalação (LAI) não haja interrupção no desenvolvimento do projeto, que só se transformará em realidade quando tivermos a segurança jurídica necessária.

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Ilustração da concepção da Praia de Bambu.

Há bastante informação no site rivierasantamaria.com.br a respeito do empreendimento. Mas gostaríamos que vocês falassem sobre os conceitos do mesmo.
O projeto do Riviera é algo que só poderia sair da cabeça de um urbanista experiente como Jaime Lerner, com uma vida dedicada à administração de Curitiba (PR), além de trabalhos no planejamento de outras cidades. O que ele nos ensina é que devemos priorizar o deslocamento a pé ou de bicicleta e, consequentemente, diminuir o tráfego de veículos. Desenhou, então, um bairro, onde as pessoas possam morar, trabalhar, fazer compras, divertirem-se, sem grandes deslocamentos. O projeto abriga os conceitos de diversidade de usos e de renda, que servirá tanto para moradores quanto veranistas. E a Praia de Bambu – espaço de uso público onde ficarão lojas, restaurantes, uma alameda para pedestres e áreas de descanso e lazer – deve prover lazer e gastronomia para os moradores de outros bairros da cidade. As construções e o passeio terão cobertura de bambu, criando, assim, uma identidade própria, que servirá de ponto turístico para Itapoá.

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Área sobre a qual foi projetado o Riviera Santa Maria.
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Masterplan que está sendo objeto  de licenciamento ambiental.

Além da Praia de Bambu, quais as outras inovações do projeto?
Haverá um eixo comercial e de serviços públicos no Caminho da Onça para servir toda a cidade. Serão criadas duas pistas largas, com bastante área de estacionamento e ali se dará o trânsito entre os bairros vizinhos. Ligando o Caminho da Onça à Avenida Brasil, no centro do empreendimento, haverá uma rambla, que é uma avenida bem larga, com lojas, restaurantes e bares. Serão 12 km de ciclovias e muitas ruas exclusivas para pedestres. Os prédios residenciais serão menores na frente, para a Avenida Brasil, e maiores à medida que se distanciam do mar. Estão previstos apartamentos de 70 m² a 350 m², para acomodar a necessidade de diversos interesses e rendas. Há também um espaço previsto para lagoas cristalinas, cuja ideia é usar uma tecnologia chilena de tratamento de água, o que geraria um outro ponto de atração, com operação o ano todo, dentro do Riviera.

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Pedro e Rubens visitam Crystal Lagoon no Chile.

Muito do que está no planejamento do empreendimento é resultado da experiência obtida pelos integrantes do projeto em viagens. Quais foram as suas principais inspirações?
Em viagem ao Chile, conhecemos a já mencionada tecnologia de tratamento de água. São lagos que parecem verdadeiras piscinas, ideais tanto para banho quanto para prática de esportes aquáticos, a custo razoáveis. Em Cartagena de Índias, na Colômbia, pudemos ver formas eficazes de combate à erosão marinha. Estivemos também em Portugal, França e Mônaco, onde pudemos conhecer, além dos trabalhos de proteção da orla, a forma de ocupação das cidades. Já em Abu Dabhi, conhecemos a cidade sustentável de Masdar, com muitos conceitos interessantes de uso de energia e coexistência de moradias e escritórios. Por Cingapura, vimos o resultado do esforço de uma linha de governo que transformou um porto sujo em uma cidade de primeiro mundo. Os integrantes do grupo desenvolvedor, por seu turno, também conhecem diversos países e, a cada viagem, trazem importantes subsídios para o aperfeiçoamento do projeto do Riviera.

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Rubens visita ponte de bambu em Bogotá, Colômbia.

Há muitas empresas e profissionais envolvidos no projeto?
É um projeto complexo, que exige alta especialização e envolve alto risco. Atualmente, entre as empresas contratadas, os empreendedores e a família, temos cerca de 20 profissionais trabalhando no projeto. Na implantação, será dada preferência para empresas e profissionais de Itapoá, desde que atendam as pré-qualificações técnicas e os altos padrões de qualidade que o projeto exige. Além disso, estamos prevendo apoio na formação e qualificação de mão-de-obra para as necessidades futuras.

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Pedro visita Jardim Botânico no Havaí.

E o empreendimento tem ano previsto para lançamento?
Todas as nossas previsões foram adiadas, pois não contávamos com a extrema burocracia envolvida no processo. Além das licenças municipais e estaduais, temos o acompanhamento do Ministério Público Federal que, apesar de não ser órgão licenciador, tem a prerrogativa de solicitar o embargo judicial de qualquer obra que supostamente agrida o meio ambiente. Então, estamos dando todos os passos necessários para prosseguir com segurança. De qualquer forma, nossa expectativa é que obtenhamos as licenças que faltam e o “sinal verde” do Ministério Público Federal ainda este ano.

Vocês estão trabalhando para proporcionar um novo destino para o município. Em comemoração aos 29 anos de Itapoá, qual a mensagem final a todos os munícipes?
Participamos da história de Itapoá há seis décadas. Somos testemunhas do progresso deste pedaço do paraíso e não temos dúvida que o município crescerá de forma ainda mais acelerada. A nossa maior realização, que vem somar com o trabalho de tantas outras famílias pioneiras, será a viabilização do Riviera Santa Maria, que vai contribuir para a grandeza de Itapoá. Estamos otimistas e acreditamos que a população vai orgulhar-se deste empreendimento.

 

Projeto empodera e incentiva mulheres a empreenderem

Cansada dos machismos diários e lembrando seu esforço para conquistar espaço na profissão, a designer de moda e empreendedora Mara Novaes Lanave, de Itapoá (SC), criou o projeto “Dela pra Elas” – que tem como propósito criar logotipos para ajudar mulheres a serem mais independentes em seus negócios.

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Mara Novaes Lanave é designer de moda, empreendedora e feminista. Na imagem, uma de suas estampas para pano de prato.

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Ao longo de sua vida, Mara ouviu por diversas vezes que não conseguiria ser uma mulher bem-sucedida. “Ouvia absurdos que eram proferidos, inclusive, por outras mulheres. Coisas do tipo ‘você não é capaz nem de comprar um pão com seu próprio dinheiro’ me deixavam tristes e faziam com que me sentisse burra”, recorda. Mas o tempo passou e ela formou-se em Design de Moda, tornou-se estilista e ilustradora de estampas, trabalhou para grandes marcas, como Zara, Renner, C&A, Levi’s e Brooksfield, criou a marca Pássaro Digital (com ilustrações digitais, artes para estampas, identidade visual e papelaria personalizada), o Studio Personaliza (com foco em produtos personalizados para festas) e, há pouco tempo, tornou-se empresária, com a Lanave Embalagens.
Ainda assim, sofria certos machismos diários. “Uma mulher empreendedora enfrenta situações que um homem empreendedor desconhece. Muitas vezes chegam à loja e me perguntam ‘onde está o dono?’, descartando a possibilidade de que eu também seja a dona”, fala. Empática com outras do mesmo gênero, tem apenas funcionárias mulheres. “Exceto na força, a capacidade intelectual e a dedicação de uma mulher em seu trabalho são iguais ou até melhores que de um homem”, diz. Contudo, Mara desejou fazer ainda mais pelas mulheres.

Dela pra elas

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Lembrando seu esforço para conquistar espaço e obter sucesso na profissão, a designer desejava criar um projeto onde pudesse ajudar, de alguma maneira, outras mulheres a serem mais independentes em seus negócios. Mas as questões eram muitas: como poderia ajudar, incentivar, dar ânimo, algo que faça essa mulher sonhar, empreender e realizar? “Então, notei que muitas de minhas clientes eram artesãs, confeiteiras e outras tantas profissionais excelentes, mas seus trabalhos não apresentavam identidade visual”, lembra Mara, que encontrou a solução: desenhar os logotipos que usariam em seus negócios. Em outras palavras, transformar o que estava em seus pensamentos em algo real, mais concreto e afetivo.
Assim, nasceu há cerca de um ano o projeto voluntário “Dela pra Elas”, com o intuito de empoderar mulheres empreendedoras, garantindo a decisão sobre seus negócios e suas vidas. Após a criação dos primeiros logotipos, a iniciativa fez sucesso entre as empreendedoras do município de Itapoá. A criadora explica: “Parece um simples desenho, mas gera motivação para que a mulher continue a batalhar pelo seu espaço. Além disso, o projeto tem um pilar afetivo, pois desejo, de todo o coração, que essas mulheres apresentem um trabalho mais bonito e se deem bem”.

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Resultados positivos
Entre as inúmeras profissionais de Itapoá beneficiadas com o projeto, ou seja, que ganharam logotipos para seus negócios, estão Julyana Satie da Silva, da “Julyana Satie Brigadeiros”, Jamille Franco, das “Delícias da Jama Diet”, e Wal Garcia, do “Wal Garcia Atelier”.
Julyana conta que sempre teve receio de tentar algo, por medo de falhar. “Dede que comecei a fazer doces com o dom que Deus me deu, a Mara sempre acreditou em mim e nunca me deixou desistir. O que deixou minha logo ainda mais especial foram o carinho e o amor que ela depositou em sua criação”, fala. Para Julyana, Mara é exemplo de força e determinação, e realiza um trabalho muito importante ao encorajar mulheres de Itapoá.
Já Wal, conta que o momento em que o projeto “Dela pra Elas” apareceu foi bastante oportuno, pois se encontrava desanimada com suas vendas no município. “Quando ela disse que faria minha logo, foi como tomar um ‘chá de ânimo’. Desde que ganhei uma arte para meu negócio, fiquei com um sentimento bom e, consequentemente, transferi isso para meu trabalho”, conta. Pelo simples fato de ganhar uma “cara nova” em sua página, Wal aumentou sua rede de clientes e contatos.
Não diferente das outras profissionais, Jamille também se diz incentivada por Mara, desde quando cogitou a montar um negócio até a criação de sua logo e seu cardápio. E complementa: “Mais do que uma designer, ela é o incentivo em pessoa. É um ser humano ‘mara’, como o próprio nome já diz”.

Vínculo
Por realizar esse trabalho de forma gratuita, Mara confessa que já ouviu críticas de profissionais que têm como ganha-pão a criação de logotipos e artes em geral. “Àqueles que se chateiam com as criações, tento explicar que essa ação acontece como a ponta de um sonho que se inicia. Mesmo que eu me dedique para cada logotipo, tenho qualidades e intenções diferentes daqueles que vivem desta atividade”, explica.
Mais do que conhecer seu trabalho, saber dos seus sonhos e gostos e desenvolver um desenho, Mara criou vínculo com todas as mulheres do projeto “Dela pra Elas”. Assim como a doceira Julyana, muitas procuram a designer até hoje para pedir opinião ou dar um conselho a respeito do trabalho. Para Mara, fortalecer estes laços é multo importante: “As mulheres precisam ser mais unidas, solidárias e empáticas umas com as outras. É essa a mensagem que pretendo passar com o projeto. Uma mensagem ‘dela pra elas’”.

É mulher, tem o sonho de empreender e precisa de um logotipo para seu negócio? Entre em contato com Mara através do perfil “Mara Novaes Lanave”, no Facebook.

Laurita da Silva, uma empreendedora de sucesso

Como sugere o significado de seu nome (“loureiro símbolo de honra e vitória”), a trajetória de Laurita da Silva (63) também é marcada por vitória.
Depois de passar por dificuldades, deu a volta por cima e abriu seu próprio negócio. Hoje, a Laurita Center Mega Store possui nove unidades pelos
estados do Paraná e Santa Catarina e, acompanhada dos filhos, Laurita tornou-se
referência enquanto mulher empreendedora.

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Laurita da Silva é criadora da rede de lojas Laurita Center Mega Store, espalhadas pelos estados do Paraná e parte de Santa Catarina.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Nascida em Campo Mourão (PR), passou a residir na capital paranaense em 1983, já casada e mãe de quatro meninos. Nos fundos de seu quintal mantinha uma pequena empresa de confecção de roupas para academias e lojas de shopping. No ano de 1990, ela divorciou-se – um ato de coragem para a época. “Quando isso aconteceu, fiquei com os quatro filhos e uma maquininha de costura que não tinha sequer motor. Depois de quitar um consórcio, optei por comprar uma máquina de costura overloque ao invés de uma motocicleta, para poder continuar trabalhando”, recorda. Já em 1991, seu filho mais velho foi diagnosticado com leucemia e, depois de contrair meningite, veio a falecer no ano seguinte.
“Foi uma fase sofrida, pois em um curto período de tempo me divorciei, perdi um filho e, com a chegada do plano real, a demanda na confecção diminuiu consideravelmente”, conta. Em busca de novas oportunidades, mudou-se com os três filhos para Matinhos (PR), onde moravam alguns familiares, com a pretensão de praticar o que aprendeu em um curso de confeitaria.

Novos ares
Chegando ao litoral, junto do filho mais novo, iniciou uma pequena fábrica de gesso, que não deu certo. Ainda assim, não desistiu: “Desejava abrir uma loja de ‘tudo um pouco’, pois a cidade necessitava de produtos variados, mas não tinha capital inicial para tal.
Então, um de meus filhos contou desse meu sonho para um distribuidor. Felizmente, ele fez uma proposta muito boa: forneceu a mercadoria para eu quitá-la conforme as vendas”, recorda.
Assim, em 1998, com uma pequena quantidade de mercadoria consignada, nasceu a primeira loja Laurita Center Mega Store – um ponto comercial de 30 m², que vendia artigos de 1,99 e peças de gesso

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A primeira loja inaugurada por Laurita,
em Matinhos, no ano de 1998.

Família
De lá para cá, Laurita realizou o sonho da casa própria e o negócio cresceu com a ajuda dos filhos – Gabriel Fernando, Alexandre Cristiano e Paulo Henrique – que, nas palavras da mãe, “tomaram gosto pela coisa”.
Com o casamento dos rapazes, cada um deles passou a ser dono de uma filial em determinada região.
Além dos filhos, a matriarca da família também vem expandindo as lojas que estão sob sua responsabilidade. Atualmente, são nove unidades da Laurita Center Mega Store espalhadas pela região do litoral paranaense, como Matinhos, Guaratuba, Pontal do Paraná e Paranaguá, além de duas lojas no município litorâneo de Itapoá, norte de Santa Catarina.
Muito bem abastecidas com “um pouco de tudo”, o conceito da rede de lojas é que o cliente possa sair delas com tudo o que precisa, desde itens infantis até artigos para cama, mesa e banho.
Para ampliar o mix de produtos e buscar o que há de novidade no mercado, a família da Silva visita feiras e realiza diversos cursos no Sebrae.
Contudo, creditam boa parte do sucesso da rede de lojas aos mais de 300 fornecedores, cerca de 160 funcionários – muitos deles, presentes desde o início dessa trajetória – e inúmeros clientes.

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Hoje, a família aumentou e também faz parte dos negócios.
Laurita e seus netos e ao lado de um casal de amigos e seus filhos e noras.

Triunfo
As conquistas não param por aí: depois de ganhar elevador de acesso para pessoas da terceira idade, uma das lojas Laurita Center Mega Store de Itapoá será ampliada em breve.
Hoje, Laurita se declara satisfeita com os frutos de seu trabalho e apaixonada pelo que faz: “Adoro escolher as mercadorias, fazer as compras, expor os produtos, decorar as lojas, atender os clientes e gerenciar a equipe. Acredito que o visual e até mesmo o cheiro da loja são essenciais para que os clientes sintam-se bem dentro dela”.
Além de trabalhar, a empresária gosta de curtir os filhos e netos, praticar exercícios físicos e viajar – inclusive, nos roteiros dentro e fora do Brasil encontra inspiração, como, por exemplo, para as vitrinas ou iluminação das lojas.
Em setembro deste ano, a Laurita Center Mega Store completa 20 anos de muito suor e trabalho. “Creio intensamente no poder de Deus e, antes de qualquer passo, oro e peço a Ele. Sempre fui uma mulher de palavra e de honrar meus compromissos”, conta Laurita, uma referência enquanto empreendedora, mãe e mulher.

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Laurita e o gerente da loja na Avenida Celso Ramos em Itapoá, Ronaldo Camargo.