Arquivo da categoria: Esporte

Iniciativa voluntária oportuniza a prática do surfe para crianças do município

Mesmo com a extinção do projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE), o professor David Lass, ao lado de Washington Oliveira Santos e Rodrigo Fernandes, desejou fazer mais pelo esporte em Itapoá. Hoje, voluntariamente, o trio ministra aulas de surfe e, superando inúmeros obstáculos, dá continuidade e incentivo ao sonho de crianças e adolescentes do município.

surf1
Professores, alunos e pais do projeto de surfe “Primeiras Ondas”,
uma iniciativa de David Lass, Washington Oliveira e Rodrigo Fernandes.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O ano era 2010 quando David iniciou a faculdade de Educação Física e começou a trabalhar na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para todas as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá, onde, durante cinco anos, ministrou aulas de surfe – esporte que domina desde os 13 anos de idade, por influência do irmão mais velho. Contudo, o mesmo foi encerrado ao final de 2015, para corte de gastos, fato que o levou à depressão.
Ele recorda: “Mais que um emprego, o projeto era a minha alegria. Através dele, muitos alunos descobriram o mar, superaram traumas, evoluíram suas técnicas e manobras e, até mesmo, se revelaram grandes talentos do surfe itapoaense, como aconteceu com os atletas Ryan Cordeiro, Hedieferson Junior e Julie Arissa. Quando isso acabou, fiquei profundamente triste, não somente por mim, mas pelos outros professores, que também amavam o que faziam, e pelas crianças e jovens, que estavam descobrindo outros caminhos dentro do esporte e tiveram seus sonhos interrompidos”.

IMG-20170930-WA0006
 Através deste esporte, muitas crianças de Itapoá se desenvolvem,
se superam e até mesmo se revelam grandes talentos.

Primeiras ondas
Após um longo período em depressão, David diz ter fortalecido sua fé e recebido apoio de sua família, que o inspirou a criar um projeto social para dar continuidade às aulas de surfe. Para isso, ele contou com as Secretarias de Esporte e Educação do município, que disponibilizaram o empréstimo de pranchas de surfe e lycras (camisetas utilizadas para o surfe) que eram usadas na AJE. Nesta iniciativa, o professor de Educação Física também firmou parceria com os amigos Rodrigo Fernandes e com Washington Oliveira, um de seus ex-alunos da Ampliação de Jornada Escolar que, hoje, participa de competições de bodyboard. “É uma honra ter sido aluno do David e, anos depois, trabalhar com ele neste projeto, contribuindo com minha experiência no surfe e noções de salvamento e segurança, que pude adquirir através do curso de guarda-vidas”, diz Washington.
Desde o mês de junho, eles iniciaram, voluntariamente, o projeto “Primeiras Ondas”, cujo objetivo é oportunizar a prática do surfe e promover um momento de lazer diferenciado aos praticantes desta modalidade. Assim sendo, foram disponibilizadas e preenchidas vinte vagas gratuitas para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade.
Mesmo sendo um trabalho voluntário, os professores se preocuparam em fazê-lo com muita seriedade, organização e responsabilidade, uma vez que, ao contrário do que acontecia no antigo projeto AJE, o projeto “Primeiras Ondas” conta com apenas três professores, acontece aos finais de semana, não possui sede própria para depósito dos materiais nem transporte público para deslocamento dos alunos. Por isso, David redigiu um projeto contendo objetivos, regras e requisitos, sendo um deles a obrigatoriedade da presença de um adulto responsável pelo aluno durante as aulas, para contribuir com sua segurança.

IMG-20170930-WA0014IMG-20170930-WA0012IMG-20170930-WA0007Untitled-2Untitled-2a

Os pequenos surfistas
Dentre as vinte crianças, algumas estão começando no esporte graças à iniciativa de David, Washington e Rodrigo, enquanto outras já participavam das aulas de surfe na AJE, como é o caso da aluna Maria Julia Teixeira Vicentin, de 10 anos, que frequentava o extinto projeto e está bastante animada com a oportunidade de voltar às ondas. “Estou achando as aulas muito legais, porque brinco na água, adoro os professores e porque o surfe traz diversão para todo mundo”, conta Maria Julia.
Já o aluno Rafael Pedrozo Paz, de 11 anos, está tendo, agora, seu primeiro contato com o surfe. “Para mim, ele (o surfe) representa um sonho que estou realizando, pois, sem o projeto, não sei se conseguiria surfar”, comenta Rafael, que se diz mais disposto, feliz e confiante desde as primeiras ondas.
As irmãs Laura Francini Baldo Lopes, de 11 anos, e Paula Baldo Lopes, de 9 anos, também já faziam aulas de surfe na AJE e comentam como está sendo a experiência no projeto “Primeiras Ondas”: “Os professores são legais e nós gostamos muito das aulas. O surfe é uma atividade física que também serve de diversão e é muito legal porque passamos uma manhã diferente e estamos no mar, lugar que amamos”.
Além da alegria e entusiasmo das crianças, seus pais também reconhecem a importância da iniciativa, como Irene Pedrozo Paz, mãe de Rafael, que afirma que “os professores são muito profissionais, cuidadosos e compromissados com o trabalho”, e Claudia Solange Teixeira Vicentin, mãe de Maria Julia, que ressalta: “todas as crianças adoram as aulas e os professores do projeto, é uma pena que este tenha que ser voluntário”.
Carla Francini Baldo, mãe de Laura e Paula, acredita que as aulas de surfe permitam que as crianças saiam da zona de conforto e estejam preparadas para lidar com situações adversas. Ela também agradece aos professores e comenta: “Em um país onde quase nada se faz sem retorno financeiro, esta iniciativa é admirável e merece todo o respeito”.

surf2
Na Terceira Pedra, as aulas são a alegria de muitas crianças nas manhãs de domingo.

Saiba como ajudar
Àqueles que desejam colaborar com o trabalho voluntário, são muitas as dificuldades: “Nosso apoio vem das Secretarias de Esporte e Educação que, vale frisar, colaboram apenas com o empréstimo de materiais. Como somos inteiramente responsáveis por eles (os materiais) e não temos onde guarda-los nem como transportá-los a pé até a praia, emprestamos apenas duas pranchas e poucas lycras e, por isso, algumas crianças ficaram isentas”. Desse modo, a ajuda pode ser feita através de caronas para o transporte do material ou das crianças, do apadrinhamento de um aluno que não tenha condições financeiras de adquirir uma lycra, de doação de frutas e alimentos para o momento de recreação ou, ainda, de prestígio e apoio à iniciativa.
Oportunizando a prática do surfe às crianças e adolescentes do município, evitando o sedentarismo e o contato com as drogas, e promovendo o trabalho em grupo, o projeto “Primeiras Ondas” vem sendo um sucesso e ressalta a importância de políticas públicas comprometidas com o esporte. Apesar dos obstáculos, David, Rodrigo e Washington afirmam que vale a pena abdicar o tempo livre para se dedicar ao ensinamento do esporte pelo qual se dizem apaixonados: “os abraços e sorrisos das crianças, depois de superarem o medo da água, ficarem em pé na prancha ou arriscarem uma manobra, é o que faz toda a diferença”.

Untitled-2b

“Primeiras Ondas” As aulas acontecem aos domingos, das 8h30 às 10h (primeira turma) e das 10h às 11h30 (segunda turma), na região da Terceira Pedra, em Itapema do Norte.
Para inscrever seu filho na lista de espera basta comparecer à sede da Secretaria de Esportes ou, então, contribuir com o projeto, entre em contato com o professor David através do número (47) 9 9634-8533.

 

Anúncios

Málaga / Lucas Guimarães: uma nova proposta para o futebol municipal

Há muito que os campos de futebol são palco de brigas, intrigas e inimizades. Pensando nisso, o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães vem trabalhando em uma nova proposta: formar novos jogadores e resgatar a verdadeira essência do futebol em Itapoá. Em entrevista, os amigos Joarí Soares e Michel Nunes falam sobre os novos rumos do projeto e afirmam que, no esporte, o que vale é se divertir, formar caráter e cultivar amizades.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

1b
Meninos do time Málaga / Lucas Guimarães. Em pé: Haimon (técnico), Luiz, Jackson, Jean, Wilian, Pedro, Raul, Bruno, João Ernesto, Gabriel Augusto, Matheus e Fabrício. Agachados: Kaio, Emanoel, Veiga, Conrado, Mateus Nogarotto, Eduardo, Joarí (presidente) e Michel (atleta e vice-presidente)

Em Itapoá, Joarí treinava o Málaga Futebol Clube, um time de futsal de alto rendimento, que participava de competições regionais. Já Michel, idealizou o projeto social Lucas Guimarães (que recebeu este nome em homenagem ao seu falecido amigo, companheiro de time e ex-aluno), cujo objetivo era compartilhar os aprendizados de sua carreira futebolística com crianças carentes do município. Por amor ao esporte e ao voluntariado, a dupla uniu forças e integrou ambas as propostas. Assim sendo, o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães ganhou comissão técnica, composta por Haimon Henrique (técnico) e Jackson Batista (auxiliar técnico), e diretoria, composta por Joarí (presidente), Michel (vice-presidente) e Laís Bernardi (tesoureira).

x1
O patrocinador Jerry Luis Sperandio (Sperandio Imóveis e Arquitetura), Joarí Soares (presidente do time), Haimon Henrique (técnico), Michel Nunes (atleta e vice-presidente) e, por fim, o patrocinador Jean Pablo Correa Rosa (Jean Ril Veículos de Itapoá).

Democrática, a união dos dois projetos abrange um grupo de mais de trinta alunos, na faixa etária de 14 a 17 anos idade, de todas as classes sociais, moradores de diversas regiões de Itapoá e com diferentes níveis no futebol. Em comum, estes jovens dividem a paixão pelo esporte e a amizade, uma vez que muitos deles cresceram juntos.

Contudo, a convivência entre os alunos passou a se tornar um desafio para Joarí e Michel. “Infelizmente, eles começaram a adquirir um vício muito recorrente no futebol, desrespeitando uns aos outros dentro de campo. Sabemos que isto é cultural no esporte, mas estávamos ficando desmotivados com o projeto e, então, buscamos formas de melhorar isso”, contam.

x2
O casal José e Dirce, pais do falecido Lucas Guimarães, que tem seu rosto estampado na bandeira. O jovem era apaixonado por futebol e foi homenageado por Michel com a criação do projeto social.

 

“O sopro”

         Certo dia, despretensiosamente, Michel enviou uma mensagem para uma das redes sociais de Bruno Xavier, renomado atleta brasileiro de futebol de areia, cujos títulos mais recentes são: Campeão da Taça Europeia de Clubes de Futebol de Praia e Campeão do Mundialito de Futebol de Praia (2017). “Na mensagem, falei sobre o projeto, contei que estávamos desmotivados e pedi a ele que fizesse um vídeo incentivando os nossos alunos. Mas, por conta de seu sucesso, títulos, rotina de competições e viagens, imaginei que ele nem chegasse a ler”, recorda Michel.  Para sua surpresa, Bruno Xavier não somente visualizou, como enviou um vídeo transmitindo uma mensagem para os alunos do Málaga / Lucas Guimarães, deu uma ‘aula’ de motivação para Michel e tornou-se seu amigo.

         Para o fã, a humildade do ídolo foi o que mais lhe chamou a atenção. “Ele chegou onde muitos almejam e, ainda assim, é humilde, educado e temente a Deus. Passamos a conversar com frequência e, a cada conselho, foi como um sopro divino, pois pude me sentir mais motivado para dar continuidade ao projeto e aos sonhos dos meninos”, fala Michel.

1c

1d
Michel Nunes com seus alunos do Projeto Lucas Guimarães.

 

Resultados positivos

         Em menos de um ano, toda a equipe mudou a maneira de conduzir o projeto e, consequentemente, os resultados foram positivos. “Nós, que já fomos professores e estudamos para isso, compreendemos que ser professor é muito mais que transmitir conteúdos, mas, também, servir de espelho para o aluno em todos os âmbitos”, fala Joarí. E foi servindo de espelho, que ele e Michel trouxeram uma nova proposta para o futebol de Itapoá.

         “Notamos que, muitas vezes, quem assistia a uma partida acabava observando mais discussões dentro de campo do que o próprio futebol, e desejamos mudar isso, educando os meninos para o esporte e para a vida”, conta Michel. Visto que os jovens ainda não têm o vício de ofender, criticar, discutir ou agir com maldade, os professores do Málaga / Lucas Guimarães ensinaram aos seus alunos que, independente de vitória ou derrota, o futebol deve ser algo sadio e divertido. Para eles, o que verdadeiramente importa são os valores e as amizades cultivadas a cada partida, pois, como costumam dizer “troféus e medalhas se empoeiram, mas o caráter não”.

         Desde então, as mudanças vêm impactando a vida de cada um dos alunos, como William Wallace Scott, de 16 anos, cujo pai também é grande incentivador do futebol no município. “Além dos valores que aprendi com meu pai e minha família, a experiência neste projeto também foi essencial para que eu me tornasse uma pessoa melhor e mais humildade”, fala William. Os treinos também trouxeram inúmeros benefícios físicos e mentais para Jackson Pedroso Sprycigo, de 15 anos, e ajudaram Raul Olímpio Martini, de 16 anos, a fazer novas amizades e aperfeiçoar suas técnicas.

         Com a equipe motivada e unida, o time do Málaga / Lucas Guimarães passou a participar de jogos amistosos no campeonato municipal e vem sendo convidado para jogar com diversos times. Em seis partidas, os meninos de apenas 14 a 17 anos mostraram a que vieram e colheram bons resultados diante de adultos que disputam os jogos há anos – outro fato que comprova que este é um projeto que deu certo.

2

1e
Na primeira foto, o time do Málaga no futsal. Ao lado, o time do Málaga junto com
o time do Lucas Guimarães em uma semifinal de um torneio de futsal em Itapoá.

O verdadeiro futebol

         Abdicando o tempo livre para, voluntariamente, apoiar o sonho destes jovens, Michel e Joarí afirmam que todo o trabalho vale a pena, visto os resultados dentro de campo e os relatos dos pais a respeito da conduta dos alunos em casa e na escola.  “Quando iniciei no futebol, gostaria de ter tido alguém para me instruir e me orientar para o caminho mais correto e, hoje, é o que procuro fazer com estes meninos”, diz Michel, que acredita no poder da educação, inclusive, dentro do esporte.

         Em nome de todo o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães, Michel e Joarí agradecem aos apoiadores Sperandio Imóveis & Arquitetura, Jean Ril Veículos, Farmácia Confiança, Conveniência Parati, Tuti Seguros, Tom Brasil e Pizzaria Estrela do Mar, e afirmam: “mesmo que estes jovens não sigam carreira no futebol, terão suas vidas impactadas para sempre”.

Mais que um time ou projeto, a comissão técnica, a diretoria e os alunos se descrevem como uma família e, seja dentro ou fora de campo, estão sempre juntos. Por fim, convidam toda a população itapoaense a apoiar, respeitar, abraçar a causa e conhecer a essência do verdadeiro futebol, pautado na ética, disciplina, organização e responsabilidade.

21462652_692310934300643_3050637344762657873_n
O Projeto Lucas Guimarães/Málaga, no futebol de campo:
união, amizade e missão no esporte.

 

Ozires Gava Neto: Jovem de Itapoá é revelação das artes marciais

Cada vez mais as pessoas estão descobrindo o prazer da vida saudável. O resultado desta tendência é o elevado índice de crescimento de praticantes de diversos esportes, entre eles, as artes marciais. No município de Itapoá-SC, as artes marciais vêm se popularizando e revelando grandes talentos, como o atleta Ozires Gava Neto. Com menos de um ano de carreira no jiu-jitsu, muay thai e nas Artes Marciais Mistas (MMA), Ozires já conquistou dezessete títulos em campeonatos. Hoje, é inspiração para aqueles que desejam iniciar nas artes marciais e carrega o nome de Itapoá Brasil afora.

atleta1
O atleta de artes marciais Ozires Gava Neto, de Itapoá-SC. Na foto, comemorando o título de campeão paranaense de jiu-jitsu, em 2016.

Ana Beatriz Machado

A paixão por esportes vem de berço. João Gava, pai de Ozires, já foi lutador de karatê, judô, boxe e campeão brasileiro de queda de braço. No entanto, seu filho seguiu um caminho diferente: jogador de futebol do Clube Atlético Paranaense (CAP), onde treinou na base do sub-17. Quando encerrou a carreira futebolística, Ozires mudou-se para Itapoá, onde, há aproximadamente um ano e meio, começou a fazer musculação para manter a saúde. “Vi que na academia onde eu treinava, a Pride Center Gym, também ofereciam aulas de jiu-jitsu e muay thai, e como já sabia dos benefícios, decidi fazer também”, conta. De imediato, se identificou com as artes marciais e, com apenas cinco meses de treinos, resolveu participar de um campeonato.

Foto-2
Algumas das principais medalhas
obtidas pelo atleta em 2016.

Logo em sua estreia, em uma etapa do campeonato paranaense de jiu-jitsu, Ozires ganhou a medalha de ouro. A partir de então, aprimorou suas técnicas, reforçou os treinos e obteve diversos títulos, dentre eles: campeão catarinense de muay thai tradicional, campeão brasileiro de muay thai tradicional, campeão paranaense de No Gi (treino sem quimono), campeão paranaense de jiu-jitsu, campeão da Copa Sul-Brasileira de Jiu-Jitsu, vencedor de todas as etapas em que participou do Campeonato Catarinense de Jiu-Jitsu, vencedor de todas as etapas paranaenses e catarinenses do Circuito Stance de Jiu-Jitsu, medalha de bronze na seletiva de jiu-jitsu dos Emirados Árabes, contando também com um cartel de três lutas de MMA – tudo isso, apenas em 2016.

Foto-3
Apesar de ter apenas 18 anos, ele já compete com lutadores de diversas faixas e categorias, e é conhecido como um grande finalizador.

Apesar dos bons resultados, o atleta deixou de participar de algumas etapas de campeonatos por carência de patrocínios. Ozires é treinado e recebe orientação dos seus treinadores Felipe Siqueira (muay thai) e Michael Souza (jiu-jitsu), que lhes acompanham nos campeonatos, no entanto, todos os gastos com inscrições, viagens, suplementos nutricionais e equipamentos são custeados por seus pais. Assim como João, a mãe de Ozires, Janaína Gava, o acompanha em todos os campeonatos e vibra com as conquistas do filho. “Como ele mora sozinho, nos falamos por telefone com frequência. Enquanto o seu pai faz o papel de empresário, ajudando financeiramente e correndo atrás de patrocínios, eu cobro muito a parte da alimentação”, conta Janaína.
Com 18 anos de idade, apenas doze meses de jiu-jitsu e dez meses de muay thai, Ozires já compete com lutadores de diversas faixas e categorias, e é conhecido como um grande finalizador. Por trás deste reconhecimento, há uma intensa rotina, com condutas, dietas e treinos diários. Para o atleta, sua disciplina e o bom psicológico são méritos de seus pais. “Sempre transmitimos confiança a ele, pois acreditamos que autoconfiança é tudo para um atleta. Hoje, nosso filho é um atleta focado e sabe o que quer”, falam João e Janaína. Foram, inclusive, a determinação de Ozires dentro dos tatames e sua frieza nos campeonatos que lhe renderam o apelido de “Ice Man” (homem de gelo).

Foto-5
Ozires e seus pais João e Janaína Gava,
em sua primeira luta de MMA, em 2017.

Ele, que é um dos atletas de Itapoá incentivadores à prática de campeonatos, hoje serve de inspiração para jovens itapoaenses que iniciam nas artes marciais. “Essas modalidades estão cada vez mais populares entre crianças, jovens e adultos, de ambos os sexos, em Itapoá. Eu acho isso muito bom, pois as artes marciais, além de proporcionar um bom condicionamento físico e noções de defesa pessoal, oferecem controle emocional, valores, paciência, equilíbrio, flexibilidade e agilidade”, diz.
Se nos tatames Ozires costuma finalizar o oponente em pouco tempo, na vida, ele fala que ainda há muitos movimentos a serem feitos até que a “luta” acabe. “Estamos em busca de patrocinadores e apoiadores locais que acreditem no seu potencial e no poder do esporte”, fala João, pai de Ozires. Para o futuro, o atleta conta que deseja fazer carreira no MMA e conquistar o tão sonhado título mundial. Ainda para este ano de 2017, ele planeja abrir um espaço junto à academia Pride Center Gym para dar aulas de artes marciais, formando novos lutadores no município de Itapoá. Para Ozires, tão importante quanto sonhar, é acreditar no sonho de alguém.

Foto-6

Para patrocinar ou apoiar o atleta Ozires, entre em contato através do número (WhatsApp): (47) 99199-7636.

Paulo Henrique Gonçalves: de Itapoá para o mundo

Conheça a história do atleta paraolímpico de
tênis de mesa que trouxe ouro para o Brasil

pp2
O atleta Paulo Henrique Gonçalves Fonseca, o PH, na companhia de sua mãe (à esquerda) Daniela Gonçalves, e seu amigo e treinador (à direita) Alan Rezende da Silva.

Diferente do que muitos imaginam, o tênis de mesa é um esporte bastante complexo e benéfico a seus praticantes. Porém, para as pessoas com deficiência, ele simboliza muito mais que saúde, mas também superação. De Itapoá-SC, o atleta paraolímpico de tênis de mesa Paulo Henrique Gonçalves Fonseca, mais conhecido como PH, comprova a grandiosidade e representatividade deste esporte: com apenas 16 anos, já possui bons resultados a nível nacional, sendo, inclusive, convidado para integrar a Seleção Brasileira de Tênis de Mesa em uma grande disputa, em março deste ano, onde obteve medalha de ouro para o Brasil, tornando-se grande motivo de orgulho para o município de Itapoá.

Em março deste ano, PH foi convocado pela Seleção Brasileira de Tênis de Mesa Paraolímpica para defender o Brasil nos Jogos-Parapan Americanos de Jovens.

Momentos marcantes de Paulo Henrique ao longo de sua carreira no tênis de mesa.

Natural de Londrina-PR, a história do nascimento de Paulo Henrique envolve um milagre. Sua mãe, Daniela Gonçalves, conta que, até o oitavo mês de gestação, o filho não apresentava os dois braços através do ultrassom. Depois de Daniela fazer uma promessa para Nossa Senhora Aparecida, quinze dias antes do nascimento de Paulo Henrique, sem qualquer explicação, ele apresentou desenvolvimento na formação nos braços. Ele nasceu, então, com mão torta ulnar, uma má formação dos cotovelos para baixo, mas com os dois braços – contrariando até mesmo a medicina.
Desde pequeno, PH, como é carinhosamente chamado, realiza consultas em fisioterapeuta, médicos e recebe, também, acompanhamento ortopédico. Durante sua infância, por conta de sua deficiência física, foi vítima de preconceito algumas vezes. Filho de professora, felizmente, Paulo sempre recebeu instrução e educação da família para lidar com as críticas e sentir-se bem-resolvido. No ano de 2006, passou a residir no município litorâneo do norte catarinense, onde, assim como tantas outras grandes revelações do esporte itapoaense, Paulo Henrique desenvolveu sua paixão por esportes através do Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE) – um projeto gratuito para as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá, que foi encerrado em novembro de 2015, para corte de gastos – onde fazia aulas regulares de surfe.
Já aos 11 anos de idade, Paulo Henrique, mesmo com a má formação de seus braços, realizava diversas atividades que exigiam esforço dos mesmos: surfava, tocava guitarra e violão. Mas, sua verdadeira paixão era o tênis de mesa, esporte que praticava em cada minuto livre na escola. Em 2013, impressionado com o desempenho do aluno no tênis de mesa, seu atual professor de Educação Física, Alan Rezende da Silva, passou a ajuda-lo a participar de competições locais, já sonhando em, um dia, criar uma associação para revelar e treinar talentos locais. “Minha intenção, na época, era mostrar a ele o mundo mágico do paradesporto e todas as modalidades que ele poderia praticar”, conta Alan, que, tempos depois, fundou a Associação Esportiva e Paradesportiva de Itapoá (ASEPI).
Com apenas três meses de treinamento na ASEPI, Paulo Henrique participou de sua primeira disputa, os Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina (PARAJESC), onde participou de competições no atletismo e tênis de mesa, obtendo, logo de início, medalhas de prata para o município de Itapoá. “Quando isso ocorreu, alguns de meus amigos vislumbraram atuar como técnicos do Paulo”, recorda Alan, “chegamos a ser muito assediados para que ele fosse parar no atletismo, mas, devido às possibilidades e afinidade com o esporte, sua palavra final foi seguir carreira do tênis de mesa”. Desde então, o menino vem incansavelmente participando de competições regionais, estaduais e nacionais, representando clubes como a ASEPI e a Seleção Catarinense de Tênis de Mesa, na categoria individual, por dupla e por equipes.
Além do professor Alan, responsável por revelar o talento do jovem, outra pessoa crucial para a carreira de PH é Daniela, sua mãe. Nas horas vagas, além do portão da escola, a professora exerce outras funções: “sou um pouco de tudo: empresária, divulgadora, psicóloga, motorista, assessora de imprensa e, principalmente, fã dele”. Durante dois anos, Daniela encarou a rotina semanal de levar o filho para treinar tênis de mesa em Joinville. Junto de toda a família, ela também já organizou eventos e rifas para ajudar o filho a realizar seu sonho. “As competições, que acontecem, no mínimo, uma vez ao mês, envolvem gastos com transporte, hospedagem, alimentação, materiais importados (pois estes influenciam na agilidade e movimento das jogadas) e afins”, explica a mãe. Para tentar reverter parte desta situação, PH concorre anualmente ao Bolsa Atleta – um programa que patrocina atletas e para-atletas que mantêm o alto rendimento nas competições de sua modalidade.
Para manter o bom desempenho, Paulo Henrique é treinado e recebe patrocínio do Estúdio Inspira de Pilates e Treinamento Funcional, da academia Pride Center Gym e do Espaço Zen, onde realiza acupuntura e massoterapia. Além das atividades físicas e do calendário de competições, ele possui uma rotina de treinos e vai à escola regularmente. Sendo o mais jovem atleta paraolímpico de tênis de mesa do campeonato brasileiro, Paulo Henrique, que tem como inspiração o mesa-tenista paraolímpico Hugo Calderano, do Brasil, e o mesa-tenista olímpico Dimitrj Ovtcharov, da Alemanha, descreve a sensação: “viver isso tudo com apenas 16 anos é assustador e, ao mesmo tempo, empolgante”. Por todo este frenesi de emoções, o jovem também recebe apoio de um psicólogo, que estimula sua confiança e concentração para conciliar todas as tarefas e alcançar o pódio.
Alan, que hoje é treinador de Paulo Henrique, fala que o menino possui perfil de um verdadeiro atleta. “O Paulo não sabe e não consegue se doar aos treinos pela metade, ele se entrega verdadeiramente em todos os momentos. Age sempre com respeito e atenção a todas as instruções de seus técnicos, sempre disposto a executar e repetir os exercícios quantas vezes for necessário, para chegar o mais próximo da perfeição”, diz Alan, “se existe outro atleta tão disciplinado em qualquer outra modalidade dentro de nosso município, eu não conheço”.
O apoio da família, dos parceiros, profissionais e amigos, somados à dedicação e disciplina de PH têm resultado em grandes e significativas conquistas. Entre as principais estão: 1º lugar na categoria individual no PARAJESC de 2014; 3º lugar em duplas no 47º Campeonato Brasileiro de 2014; 3º lugar nas seleções no 47º Campeonato Brasileiro de 2014; 1º lugar no PARAJESC de 2015; 1º lugar na categoria individual, 1º lugar na categoria por duplas e 1º lugar na categoria por equipes nas Paralimpíadas Escolares de 2015; 3º lugar na categoria individual do Circuito Catarinense de Tênis de Mesa, no Open Paralímpico, em 2016; 3º lugar em duplas no 49º Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa de 2016; 1º lugar na categoria individual no PARAJESC de 2016; 1º lugar por equipes no 50º Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa de 2016; 2º lugar na categoria individual, 3º lugar por duplas e 1º lugar por equipes nas Paralimpíadas Escolares de 2016.
Mas, até o presente momento, o marco histórico da carreira de PH foi a convocação para integrar a Seleção Brasileira de Tênis de Mesa Paraolímpica, para defender o Brasil nos Jogos-Parapan Americanos de Jovens – evento que envolveu 800 atletas de 19 países, entre os dias 15 e 26 de março, em São Paulo-SP. No seu primeiro campeonato a nível internacional, Paulo Henrique ficou em 5º lugar na categoria individual e, na categoria por equipes, foi decisivo para trazer a medalha de ouro para o Brasil. “Quando vi que o resultado estava em minhas mãos, fiquei muito ansioso, pois não estava acostumado com isso. Mas, felizmente, consegui me concentrar e colocar todos os pensamentos a meu favor”, conta o atleta, “no momento em que fechei o último ponto, foi uma sensação de alívio e alegria. Dei o meu melhor e tive a sensação de que fiz história, não por ser o primeiro atleta a ser convocado, mas por ter sido o principal responsável pelo resultado do jogo, que acabou com o Brasil em 1º lugar”. Após a competição, de volta à Itapoá, o atleta foi ovacionado por uma carreata de amigos e familiares, todo com o semblante de orgulho e felicidade.
Com apenas 16 anos e tantos pódios alcançados, a história de PH influencia jovens a batalharem pelos seus sonhos e é sinônimo de orgulho para todo o município. E ele tem planos de alcançar voos ainda mais altos: se tornar um atleta efetivo da Seleção Brasileira de Tênis de Mesa Paraolímpica e participar dos Jogos Paraolímpicos – quem sabe, em Tóquio, em 2020. Considerado um atleta bastante autocrítico, persistente, disciplinado, sonhador e cheio de fé, Paulo Henrique tem uma frase favorita que gosta de compartilhar com aqueles que torcem por ele ou inspiram-se nele: “Treine, esforce-se ao máximo, lute, dê sempre o seu melhor e jamais desista daquilo que te faz feliz. O resto é apenas consequência”.

Deseja apoiar ou patrocinar o atleta
paraolímpico de tênis de mesa
Paulo Henrique? Entre em contato
com sua mãe, Daniela, através do e-mail:
dcmgoncalves@hotmail.com
whats app 47 9 9668-5630

Ana Beatria Machado

Matéria publicada na Revista Gi

Unidos pelo esporte e para o esporte

voleiSilas Schafhauser e Fabíola Tanaka, um casal que
dissemina o voleibol em Itapoá.

A paixão pelo esporte também está presente neste Dia dos Namorados. Segundo os apaixonados, praticar exercício físico em conjunto resulta em incentivo e motivação extra. Quem tem vivido esta experiência é o casal de professores Silas Schafhauser e Fabíola Tanaka, de Itapoá. Apaixonados por voleibol, eles treinam, competem e assistem jogos juntos. Além disso, são grandes incentivadores do esporte e desejam popularizar o mesmo no município, através de um projeto realizado por Silas.

Tudo começou em Rio Negro – PR. Na infância, Silas e Fabíola competiam pelos times escolares, ela praticava handebol e ele voleibol. Tempo depois, os dois descobriram que até chegaram a estudar na mesma escola e a viajar juntos para competir, mas só se conheceram em 2002. Foram unidos pela academia, onde ele trabalhava e ela era aluna e, depois de um mês, já estavam morando juntos.
Em 2007, Fabíola passou no concurso público em Itapoá para assumir o cargo de professora de inglês e português, e o casal se mudou para o município litorâneo, como sempre desejou. Junto com as malas e o gosto pela nova cidade, o esporte os acompanhou.
Durante um período, Silas se dedicou ao trabalho na academia, deixando o voleibol de lado, mas não por muito tempo. Certo dia de praia, Fabíola desafiou o parceiro: “Ele sempre comentou sobre sua trajetória no esporte. Algumas pessoas estavam jogando vôlei no projeto que acontece na praia de Itapoá e então disse que se ele realmente jogasse bem, deveria provar”. Silas aceitou o desafio e, a partir daí, retomou sua paixão. Mais que isso: fez com que a amada também se apaixonasse pelo voleibol.
Assim, em todos os finais de tarde de verão a programação era a mesma: ir à praia para jogar vôlei. Aos poucos, ele ensinou à Fabíola as regras e os benefícios do esporte e, muito além de uma paixão pessoal, a dupla também desejou difundir o voleibol no município de Itapoá.
Silas é professor de educação física e dá aulas em uma escola do município. Anteriormente, trabalhou na Secretaria de Esportes e na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá. Neste projeto, Silas trabalhou no núcleo de voleibol, treinando os times infantis (feminino e masculino) do município de 2010 a 2015, quando o mesmo foi encerrado para corte de gastos. Ele recorda que muitas crianças se revelaram como atletas de voleibol e passaram em testes de outras cidades, como é o caso de uma aluna que chegou a entrar para a seleção paranaense de voleibol de areia.
Com o encerramento do projeto AJE, os alunos passaram a cobrar a necessidade e a importância de retomar os treinos. Para encontrar uma solução e dar continuidade a estes sonhos, o professor, com a ajuda da esposa, passou a realizar os treinos duas vezes por semana, como trabalho voluntário, após o expediente. “Muitos dos meus ex-alunos já estão crescidos. Então, criamos times juvenis (feminino e masculino), reunindo estes ex-alunos a nós, adultos, que também desejávamos praticar uma atividade física”, explica o professor. Os treinos são gratuitos, abertos ao público e acontecem nas quartas-feiras, no ginásio da escola Ayrton Senna, e nas sextas-feiras, no ginásio da escola Frei Valentim, das 19h às 21h (treino feminino), e das 21h às 23h (treino masculino).
O que começou como atividade de lazer virou coisa séria. “Hoje, o nível de rendimento é alto e jogamos com muito mais técnica”, diz Fabíola. Sem qualquer patrocínio ou ajuda de custo, os times de jovens e adultos se reúnem para competir em outras cidades, participam de torneios amadores e, muitas vezes, retornam com troféus. “Recebemos muitos convites para participar de competições, mas pela escassez de recursos, temos que selecionar os torneios mais próximos, mais curtos ou mais baratos”, conta Silas. O casal ressalta que os familiares das crianças são muito participativos e grandes incentivadores da causa.
Para Fabíola, ter um parceiro como treinador é ainda mais difícil. “Ele é exigente e muito profissional, eu já sou mais competitiva”, conta. Quando o assunto é voleibol, eles têm suas preferências: Fabíola gosta mais do vôlei de praia, e Silas prefere o vôlei praticado em quadra.
Embora muitos lhe digam que é perda de tempo, Silas acredita e abraça os sonhos das crianças. Para o treinador, todo professor também é um pouco sonhador. “Acreditamos que não só o voleibol, mas todo esporte deve ser incentivado e ofertado às crianças. Se elas não se tornarem atletas, ainda assim se tornarão pessoas melhores, pensadoras e de bom caráter”, fala o casal. O desejo de Silas, assim como o de Fabíola, é difundir o vôlei no Município de Itapoá, de modo a abrir novas portas para as crianças e adolescentes. É um trabalho a longo prazo, mas assim como no voleibol, só se acerta com um bom treinamento, união e muita garra.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Junho – Ed 41