“A casa do morro”: modernidade e estilo em meio à natureza

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Em Itapoá-SC, o casal Marco Melo e Ivo Salvador mora em uma casa situada em cima do morro, o que atrai a curiosidade de muitos itapoaenses.

Todo mundo deseja ter a “casa dos sonhos”. E, ainda que este conceito varie de pessoa para pessoa, uma coisa é certa: toda casa diz muito sobre as pessoas que nela residem, seus gostos e estilos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Na residência, todo amanhecer e entardecer são espetáculos à parte.

Tudo começou em Londrina-PR, nos tempos da faculdade, quando Marco, que cursava Marketing e Propaganda, e Ivo, que cursava Farmácia, se conheceram através de amigos em comum. Quando começaram a namorar, alugaram uma pequena casa de madeira. “Apesar de ser relativamente simples, adorávamos decorá-la e deixa-la aconchegante para receber nossos amigos”, recordam. Durante anos, o casal também gerenciou um bar, em São Simão-SP, cujo slogan era “o bar feito à mão”, uma vez que também gostavam de decorar, pintar e criar objetos para o ambiente. Já com planos de se mudar para uma cidade litorânea, decidiram passar as férias na casa de veraneio da família de Marco, em Itapoá – lugar que frequentavam há anos.

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Piscina infinita: uma grande inovação para o projeto feito nos anos 2000.

A casa, em questão, foi construída em 2002 pelo pai de Marco (hoje, já falecido), em um terreno de 37 alqueires, sob um morro, em Itapoá, com o objetivo de que toda a família pudesse usufruir do espaço durante as férias. Para o projeto, ele contratou o renomado arquiteto londrinense Álvaro Côrtes, cujos trabalhos são caracterizados pelo conforto estético, que traduzem contemporaneidade (para conhecer melhor, visite o Instagram do arquiteto: @cortes.arquitetura). Na elaboração do projeto da casa, Marco pediu poucas paredes e contribuiu para a escolha dos móveis.

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Para o projeto, ele contratou o renomado arquiteto londrinense Álvaro Côrtes
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Na companhia dos seus cães Baco, Alecrim, Jobim e Toruk

Aliado aos desejos de Marco, seus pais e irmãos, Álvaro Côrtes projetou um sobrado com pé-direito alto, onde os quartos dos familiares ficassem no piso superior, e os quartos dos visitantes no piso inferior, entre outras especificações, como sauna, sala de jogos, mirante, piscina infinita, lareira, fogão à lenha, churrasqueira integrada à cozinha, piso de cimento que imita pedra (uma das inovações da época), entre outros – um projeto bastante moderno, especialmente porque foi elaborado por volta dos anos 2000 e executado em 2002.

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No entanto, quando Marco e Ivo decidiram passar as férias na casa, em 2010, a mesma estava abandonada e o mato havia tomado conta de boa parte do terreno. “A situação era crítica e, então, começamos a cortar a grama, fazer um jardim, limpar e lavar a casa”, lembram. Eles ainda não sabiam, mas estavam começando a dar vida ao lugar que, mais tarde, chamariam de lar.

Transformando a casa em lar

         Desde sempre, o pai de Marco desejou que aquela propriedade fosse otimizada para gerar renda. Já familiarizados com o município de Itapoá, Marco e Ivo decidiram ali morar. Como se tratava de uma casa de veraneio, anteriormente, a família não costumava sentir as reais necessidades reais de um morador. “Aos poucos, fomos percebendo pequenas coisas e alterando tecidos, móveis e até salas de lugar. Também, a casa foi ficando mais limpa e bonita, pois estávamos nela dia após dia, cuidando como se fosse nossa”, diz Ivo. A organização e decoração também recebeu influência de conceitos energéticos, como o Feng Shui.        

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Adepto à prática do “faça você mesmo”, cada cantinho passou a ter o toque do casal: a área verde ficou ainda mais preservada e ganhou jardim, horta, gazebo para as plantas, orquidário e pomares. No quintal, Marco e Ivo plantaram carambolas, pêssegos, jabuticabas, acerolas, kiwis, lichias, abacaxis, ameixas, diversos tipos de limão e de laranja, entre outras frutas. Já para as plantas, deram preferência às de corte ornamental, para colher e decorar a residência. Toda a água utilizada na casa é reaproveitada de um poço, que fica localizado dentro do terreno. Simpatizantes do conceito de autossuficiência, o casal também passou a cultivar abelhas e colher seu próprio mel.

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Marco, que é designer de joias possui um ateliê em casa, onde encontra a própria inspiração.

Contudo, apesar do espaço amplo, arquitetura e decoração moderna, e jardim exuberante, o que mais cativa o casal e, também, os visitantes da casa, é o fato de estar localizada em cima de um morro, em um terreno rico em área verde. “Aproveitamos a energia revigorante do lugar para criar um oratório de meditação e oração”, conta Marco, que é designer de joias e possui um ateliê em casa, onde encontra a própria inspiração. Do mirante, tem-se uma vista privilegiada do município de Itapoá, praias e montanhas. Segundo os dois, cada amanhecer e entardecer na casa são espetáculos à parte – tudo, ao som dos pássaros e das árvores.

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Cozinhar: uma das atividades favoritas do casal. 

     Além de meditar, contemplar a paisagem, cultivar plantas e o mel das abelhas, na residência, Marco e Ivo gostam de cozinhar, curtir seus cães Toruk, Jobim, Baco e Alecrim, fazer festas e jantas para receber os amigos, e aprender coisas novas, seja uma nova meditação, um novo método para cultivar as plantas ou uma nova receita de cozinha.

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Vale ressaltar que o casal de caseiros Flávio e Ana também é fundamental para a organização e limpeza da casa. “Eles são nosso braço direito e nós os consideramos como membros da família, prezando muito por sua qualidade de vida”, contam Marco e Ivo, que também já realizaram benfeitorias na casa dos caseiros. Eles acreditam que a gratidão e o amor são capazes de transformar tudo, e foi assim que transformam a casa em lar.

A verdadeira “casa dos sonhos”

         Apesar de residir em uma casa que é o sonho de muitas pessoas, o casal ainda planeja construir a sua própria casa, dentro do mesmo terreno. “Somos muito felizes em morar aqui, mas entendemos que essa é a casa de toda a família, que costuma vir para cá toda temporada. Não que isso seja ruim, mas tudo que aqui está foi sonhado por meu pai, e desejamos ter uma casa onde os nossos sonhos estejam projetados em cada detalhe”, explica Marco.

         Eles pretendem construir uma casa parecida com a residência onde moram, só que um pouco menor, também com o arquiteto Álvaro Côrtes. Detalham: “Sonhamos com um loft e um pé-direito alto; muitas plantas no interior da casa e uma área externa com muito jardim; alguns chalés na área externa, para que as visitas fiquem hospedadas com privacidade; uma cozinha que comece dentro da casa e termine na área externa, próxima à piscina, para que as visitas também possam compartilhar dela; um espaço semelhante a um pet shop, para que possamos higienizar os cães; também queremos que a casa seja autossuficiente em termos de energia e água, ente outros. Mas, nosso principal desejo é que seja um lugar acolhedor, onde possamos receber nossos amigos com frequência e todos se sintam bem. Porém, este é um projeto para ser executado ao longo prazo”.

         Enquanto ele não se concretiza, Marco e Ivo, casados há mais de dez anos, discutem ideias, executam outros planos, como, por exemplo, cultivar cogumelos comestíveis – algo que vêm buscando viabilizar –, e vivem bons momentos na popular “casa do morro”, que desperta a curiosidade de tantos itapoaenses, sempre aprendendo e desfrutando de bons momentos na companhia dos amigos, dos cães e da natureza.

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Natureza, rusticidade, família e memórias

Falar da casa de Ilva Poitevin de Aguiar é falar de sonhos e memórias. O lugar, chamado “Rancho Crioulo”, conta a história de Ilva e José Luiz Vizcaychipi de Aguiar, o Zeca, seu falecido esposo, que adorava dar vida a peças de engenho, tudo “à base da machadada”.
Hoje, com o crescimento do município de Itapoá, o terreno está cercado de empresas portuárias, containers e caminhões, mas, ainda assim, a localização é privilegiada pela imensidão verde da natureza e o canto dos pássaros – o que faz da casa de Ilva uma verdadeira “casa dos sonhos”.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Em cada detalhe, as peças de engenho compõe a rusticidade do ambiente. Ilva e presa de farinha de mandioca, outra peça que carrega memórias.

Ilva, de Curitiba-PR, e José, de Itaqui-RS, se conheceram quando ela tinha 13 anos de idade e, ele, 16. Quatro anos depois, noivaram e, passados dois anos, se casaram. Já vivendo no município litorâneo do norte catarinense, moravam em uma casa próximo à praia, na região do Continental. “Mas o Zeca não gostava muito do mar. Como um bom gaúcho, ele adorava cavalos e seu desejo era morar num lugar onde pudesse estar junto dos animais”, recorda Ilva. Certo dia, ela o flagrou fazendo o desenho de uma casa, o que seriam os primeiros esboços do chamado Rancho Crioulo, projetado e tão sonhado por José.

Há cerca de quarenta anos, o casal comprou um terreno amplo, localizado na região da Jaca, em Itapoá e, lá, construiu o rancho. Apenas uma pequena parte da área verde foi desmatada, para que José criasse seus cavalos. No início de tudo, Ilva lembra que a casa era pequena e que chegaram a manter até oitenta cavalos. “Como era uma época tranquila, não precisávamos de portão, alarmes ou caseiros. Tínhamos apenas cercas, por causa dos animais”, diz.

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Acima, quando a casa ficou coberta pelas plantas e, abaixo, os cavalos no rancho de antigamente.

Mas as peculiaridades do rancho vão muito além da área externa, passando pela decoração da casa. Segundo Ilva, é possível contar nos dedos de uma mão quantos móveis foram comprados, pois a maioria deles era criada por José “à base da machadada”. Ela recorda que, em suas andanças, ele costumava visitar engenhos de farinha e garimpar peças de madeira. Em seguida, projetava as ideias e, com a ajuda dos peões, executava bancos, janelas, mesas e afins. Em uma tela, Ilva, que é artista plástica, pintou um antigo engenho, localizado no Saí Mirim, e explica a história por trás da pintura: “Este engenho estava desativado e o Zeca comprou a maioria de suas peças. Ele e os peões tiveram de passar por um rio de pedras, enquanto os bois traziam as peças e, depois, as colocaram em um caminhão para, enfim, trazê-las para casa”.

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Ilva Poitevin de Aguiar e uma de suas pinturas que conta a história de sua casa, o “Rancho Crioulo”.

Por todo o lugar, há criações de José: de uma árvore foi feito o sofá, de outra foram criados os bancos, de um tronco nasceu a mesa, e o mesmo aconteceu com a prensa de farinha de mandioca, a cabeceira da cama, a moldura do espelho do banheiro, o lustre, as fechaduras das portas e janelas, entre outros – tudo, criado manualmente com madeira de peças de engenho, de cerca de quarenta anos há atrás e que, hoje, permanece intacta. A casa também conta com algumas antiguidades, como o relógio da avó de Ilva e a radiola da mãe de José que, depois de cem anos, ainda funciona.

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A casa do rancho foi criada, projetada e sonhada pelo falecido José Luiz Vizcaychipi de Aguiar.

Com o crescimento do município, parte do terreno da família foi vendida para o Porto Itapoá e a APM Terminals. Mas Ilva garante que, mesmo com avanços, como as ruas pavimentadas, o rancho ainda preserva suas principais características: a paz e o contato com a natureza. Hoje, no terreno, está a casa de Ilva, seu ateliê, garagem, área de lazer, a casa de um de seus filhos e, também, a casa do caseiro.

O lugar também serve de lar para onze cavalos, cachorros, gralhas, garças e pássaros, como tiê-sangue e sabiá. Ela também conta que, todo verão, as andorinhas migram para a lareira de sua casa, onde criam seus filhotes. “Neste inverno, que não fez tanto frio, elas ainda não foram embora. Todo final de tarde, fazem uma revoada e se revezam para fazer os ninhos. É muito bonito de se ver”, diz Ilva, que abdicou gentilmente de sua lareira para as andorinhas.

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Todo verão, as andorinhas migram para
a lareira da casa, onde criam seus filhotes.

Juntos, ela e José tiveram três filhos e quatro netos que, hoje, dão continuidade aos bons momentos vividos no Rancho Crioulo. “Procuramos manter a tradição dos almoços em família. Meus netos amam os animais e acho importante que eles valorizem o contato com a natureza e preservem isso em sua essência”, fala Ilva. Com 76 anos de idade e muitas histórias para contar, ela está escrevendo dois livros: o primeiro, sobre sua trajetória artística, que será lançado em breve e, o segundo, sobre sua história com José e a construção da família, para servir de legado às futuras gerações. Para ela, o conceito de “casa dos sonhos” está ligado à rusticidade, ao cheiro do verde da natureza, às raízes e, é claro, à família.

À beira-mar, casa reúne cultura, decoração e amor

A casa da Grazzi (Grazziella Debbané) e do Álvaro (José Álvaro de Aguiar), na Figueira do Pontal, é o sonho de qualquer um apaixonado por mar. Nela, o quintal é a praia.Transformando um sobrado simples em um recanto adorável, cercado de amor e objetos trazidos de suas viagens, a casa ajardinada marrom, debruçada na praia, mistura com graça sotaques de muitos lugares.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Ainda morava em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quando conheceu Álvaro, no iate clube de Vitória-ES, há 16 anos. “Foi amor à primeira vista e, desde então, nunca mais nos separamos”. O ano era 2001 e, por conta do trabalho de Álvaro, o casal veio residir no sul do Brasil. “Chegamos a pensar em morar em Curitiba, onde o pai de Álvaro (hoje, falecido) tinha uma grande casa”. Mas, após conhecer essa pequena casinha plantada na areia da praia, na frente de uma enorme figueira (que deu nome ao bairro) centenária, também da família, Grazzi não pensou duas vezes: “A localização é fantástica, cheia de verde, barcos, pescadores e pássaros. Com um pouco de trabalho e carinho, posso transformar esse lugar num palácio!”, lembra.

Em cada canto, há uma composição que surpreende e objetos trazidos de diferentes lugares do mundo, como Indonésia, África China e Egito. Tapeçaria, velas, telas e almofadas são algumas das paixões de Grazzi.

Construída há quarenta anos para ser alugada durante as temporadas, a pequena casa, aos poucos, foi ganhando vida nova, com varandas envidraçadas generosas abertas para decks de madeira espalhados, simpáticas cerquinhas de eucalipto autoclavado e jardins que misturam bromélias, pitas, orquídeas a aroeiras, abacateiros, limoeiros, pitangueiras e bananeiras.

Desbravadores natos, Álvaro e Grazziella são viciados em viagem e não se cansam de descobrir encantos espalhados mundo afora. Arquitetura, culinária, artesanato: tudo é motivo para novos roteiros, o que acabou virando trabalho, já que Grazzi se especializou em trazer objetos de decoração expostos e vendidos em bazares anuais em diversas cidades. “Guardei para mim um pouquinho de cada lugar e simplesmente uso tudo sem medo, tecidos da Indonésia, máscaras e cestas da África, tapetes do Oriente Médio, laca da China, toalhas do Egito (…) tudo junto e misturado na hora de enfeitar a casa!”, confessa.

         O sobrado, que possui 70 m² de área, é bastante compacto e o andar de cima, onde ficam a suíte e o quarto do casal, possui uma vista incrível para o mar. Porém, o canto favorito do casal é a cozinha, americana, aberta para a pequena sala e varanda, onde testam receitas trazidas do mundo todo. Além das viagens e receitas culinárias, também adoram receber os amigos em casa. “Em poucos minutos, acendo velas, espalho almofadas e tapetes pelo deck, e o lugar se transforma, vira palco, festa”, conta ela.

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O cantinho preferido de Grazzi e Álvaro é a cozinha, onde testam receitas culinárias do mundo todo e preparam almoços e jantares para os amigos.

Na área externa, Grazzi também tem uma horta. Devido às ressacas, seu jardim pede manutenção constante, pois, volta e meia, o mar sobe e destrói tudo: “vou lá e refaço de novo e de novo, com amor e prazer”. Na parte de trás, onde fica um quintal enorme, cheio de fruteiras, a grande figueira, e até um galinheiro, está a casinha também marrom de hóspedes que, apesar de estar separada da casa da frente por uma rua, mantém o mesmo clima e é devorada com os mesmos objetos trazidos de viagens.

         Para Álvaro, a esposa tem o dom de transformar os espaços. “Nossa casa é um lugar incrível, de onde observamos o nascer e o pôr do sol, o reflexo da lua no mar, as garças e o ‘entra e sai’ dos barcos. Mas ela consegue deixar tudo melhor, com sua sensibilidade e talento”, fala. Gastando quase nada, a simples “casa à beira-mar” se tornou uma “casa à beira-mar, com plantas, cores, animais, cômodos práticos e compactos, e decoração calcada em cultura”.

         Hoje, quando está em terra firme, o casal vive na companhia dos seus cães Pretinho Aguiar e Meg Ryan Debbané, suas dez galinhas e afirma: “mesmo sendo uma casa relativamente pequena, não a trocamos por nenhuma outra no mundo”. De acordo com eles, o único lugar que se compara e divide seus corações é o seu “Caracol”, onde costumam passar meses e meses velejando. Mas, obviamente, sendo seu, reflete também sua paixão por decoração: compram objetos em todos os cantos por onde passam. “Nosso barco não é um barco comum e é decorado exatamente como nossa casa”, terminam.

Famílias de veranistas realizam juntos o sonho da casa na praia

Para alguns, comprar um terreno em sociedade com os amigos pode parecer loucura, já para outros, um sonho ou, até mesmo, “coisa de filme” – mas foi o que fizeram Lucilei Veronez de Souza e Luciano Santos de Souza, de Curitiba-PR.
Turistas de Itapoá de longa data, eles e outros casais de familiares e amigos compartilhavam do mesmo sonho: ter uma casa de veraneio na praia. Assim sendo, se uniram para comprar um terreno em sociedade e, cada um deles, ter o seu próprio canto.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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A família da Regina, do Marcelo, da Andressa e do Diogo. Ao lado, a família da Luana , da Lucilei, da Lucilei e do Luciano. Em seguida, a família de Thais, Dulcinéia, Jandir e Allan. E, mais à direita, a família de Matheus, Laura, Enzo, Silvane e Aneri.

 Há cerca de quinze anos, Lucilei, professora e proprietária de uma escola particular, e Luciano, que trabalha como representante de vendas, passam suas férias de final de ano em Itapoá, mais precisamente na região do Pontal. “Meu primo é policial militar do Paraná e, quando vínhamos para Itapoá, costumávamos passar o dia na Associação de Subtenentes e Sargentos da PMPR, com ele, sua esposa e outros casais”, recorda Lucilei. Durante os verões no município, eles aproveitavam o tempo para desfrutar da praia e pescar. “Sempre cogitamos comprar um terreno juntos, onde cada um pudesse construir a sua casa de veraneio, mas não passava de uma brincadeira entre os casais”, falam.

Certo dia, o primo, em questão, encontrou um terreno de esquina próximo à praia, na região do Pontal, e mostrou para Lucilei e Luciano. No dia seguinte, os dois casais foram a Itapoá para conhecer o terreno de perto e, no mesmo dia, fecharam negócio com o proprietário. A sugestão, de comprar um terreno em sociedade para construir suas casas de veraneio, foi passada a outros dois casais: dois amigos de longa data, e a irmã de Lucilei e seu esposo. O primeiro desenho da planta das casas foi feito por Lucilei no chão de uma rua, e todos abraçaram a ideia. Assim, iniciaram-se os trâmites para organizar como seria dividido o terreno e a construção das casas.

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De Curitiba, Lucilei Veronez de Souza e Luciano Santos de Souza são um dos casais que investiram em um terreno em Itapoá para construir suas casas de veraneio.

Por indicação, Lucilei e Luciano souberam do trabalho do engenheiro Marcelo Renisz dos Santos, da MR Santos Engenharia e Construção, em Itapoá. “Tínhamos o pensamento de que contratar um engenheiro era algo muito inacessível e fora do nosso orçamento, mas decidimos conhecer o profissional e seu trabalho”, contam. Na primeira conversa, o engenheiro pôde unir seus conhecimentos técnicos às ideias e necessidades do casal. “Nossa maior preocupação era o valor que seria gasto com um engenheiro, mas, ao colocarmos na ponta do lápis, percebemos que contratar um pedreiro e toda a equipe, comprar materiais, investir nos acabamentos, além de ter que vir a Itapoá com frequência para fiscalizar a obra, resultaria em um valor próximo ao orçamento do engenheiro e o cansaço seria muito maior”, diz o casal que, em agosto de 2016, fechou negócio com Marcelo.

Especificações do projeto

 O terreno em sociedade foi dividido em quatro partes igualitárias, ficando cada casal com sua fração individual do terreno, e construíram cada um a seu modo. Primeiramente, a irmã de Lucilei e seu esposo construíram uma casa de madeira temporária, para que pudessem utilizar no final de ano. Em seguida, Lucilei e Luciano iniciaram o projeto de sua casa, sob o comando do engenheiro Marcelo. No projeto, o casal priorizou espaço.

“Não tínhamos orçamento suficiente para construir um sobrado, mas precisávamos de espaço, pois temos três filhas e uma neta, que também vêm à praia. Na época, o casal de amigos que ficou com o terreno ao lado estava sem dinheiro para construir, então, decidimos construir a nossa casa e a metade da casa dele, onde a cozinha e a sala de jantar pudessem ser comunitárias, ou seja, pertencer às duas casas. Desse modo, eles puderam economizar dinheiro e nós ganhamos espaço”, explica Luciano. Além da cozinha e da sala em conjunto, cada uma das duas casas foi projetada com dois quartos, um banheiro, uma lavanderia e uma escada que sobe para o terraço – com a intenção de, futuramente, construir o segundo andar.

Da obra à primeira temporada

Em setembro de 2016, iniciou-se a obra da casa de Lucilei e Luciano, sob comando do engenheiro Marcelo. “Ele nos deu prazo, todas as especificações detalhadas e cuidou de tudo, sem que nos preocupássemos. Desde o início da construção até a entrega da obra, viemos para Itapoá apenas três vezes. O restante do contato foi feito através de telefonemas e mensagem”, contam.

Em dezembro, quando a obra foi entregue, o casal recebeu mais de vinte pessoas em sua primeira temporada na casa de veraneio, que dormiram pela casa e, até mesmo, de barracas no quintal e terraço. “Gostamos muito de estar na companhia de nossos amigos e familiares e, durante as férias, a alegria é ainda maior, pois fazemos nossas refeições, as crianças brincam e os homens pescam, todos juntos”, dizem Lucilei e Luciano, que são pais de Lucieny (22 anos), Luana (9 anos) e Luiza (4 anos), e avós de Ana Clara (2 anos).

Pensando no futuro

 Vale frisar que todo o projeto foi pensado no futuro, ou seja, nos filhos e netos dos casais. Para evitar transtornos que possam vir a existir, eles realizaram um contrato de gaveta, firmando que, se algum deles desejar vender sua casa ou parte do terreno, terá de vender para algum dos outros três, para que haja sempre harmonia e segurança entre as famílias. Até mesmo o projeto de Lucilei e Luciano, com cozinha e sala compartilhada com o casal de amigos, foi elaborado de modo que, um dia, possa ser construída uma parede dividindo as duas casas.

No entanto, o casal acredita que nada disso será necessário: “todos nós crescemos juntos, temos gostos parecidos, confiamos uns nos outros e cultivamos uma boa amizade”. Além disso, eles falam que o fato de cada um ter a sua própria casa, com independência e privacidade, deixa tudo ainda melhor: “comprar um terreno em sociedade é um investimento sério, é uma coisa que deve ser feita ‘em conjunto, porém separado’”.

A importância de um bom profissional

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Marcelo Santos e Michel Lima, profissionais da MR Santos Engenharia e Construção.

Mais que tranquilidade quanto ao gerenciamento da obra, a contratação de um profissional da região, conhecedor de suas características, também oferece segurança, garantia e qualidade, pontos que devem ser priorizados em um investimento deste porte.

Segundo o engenheiro Marcelo, da MR Santos Engenharia e Construção, toda construção realizada em Itapoá deve obedecer ao Código de Obras do município. Em seus projetos, ele tem como principais características a iluminação natural e o conforto ambiental. “O caso de Lucilei e Luciano e dos demais casais foi uma novidade para mim, mas, funciona como qualquer outra construção, basta enquadrarmos a obra às leis vigentes, respeitar o código de obras do município e fundamentalmente deixar tudo bem claro aos proprietários antes da construção. Construções dessa natureza implicam em mais burocracias e os proprietários devem ficar sabendo, de antemão, como é a questão da instituição de condomínio, que neste caso é aplicável, uma vez que se constituem vários donos de toda a área comum do terreno, porém cada qual é dono de sua fração dentro do terreno”, explica Marcelo.

A experiência tida pelo casal, de construir à distância com o engenheiro, deu tão certo que o primo de Lucilei e sua esposa também contrataram Marcelo para administrar a sua obra, localizada na esquina do terreno.

Hoje, os quatro casais comprovam que é possível, sim, manter os laços afetivos entre familiares e amigos depois da vida adulta, passando os finais de semana e as férias mais próximos uns dos outros no município litorâneo que adoram. Sempre juntos, mas em casas separadas.

Relação entre pais e filhos também tem amizade e sintonia

Você já reparou como a relação entre pais e filhos tem mudado no decorrer dos anos? Antigamente, falar sobre determinados assuntos com os pais era um tabu que nenhum filho tinha coragem de quebrar, bem diferente do que contemplamos nos dias atuais.
Conhecemos três pais, de Itapoá-SC, que curtem baladas com os filhos, confidenciam segredos, praticam esportes, trocam experiências e, obviamente, tornam-se o melhor amigo um do outro. As histórias foram contadas pelos próprios filhos e provam que os pais podem ser bem mais que pais, mas, também, amigos e parceiros para todas as horas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Dividindo o amor e as ondas

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O surfe é uma das paixões do pai Leonardo Lawson e sua filha Lisia Lawson.

A primeira história a ser contada é de Lisia Lawson, de 18 anos, e seu pai Leonardo Lawson, de 39 anos. Ela conta que aprendeu a surfar com seu pai, quando tinha apenas quatro anos.
“Nós costumávamos pegar ondas com a mesma prancha e, inclusive, ele comprou uma longboard (também conhecida como ‘pranchão’) só para podermos surfar juntos. Sem dúvidas, meu pai me apresentou o mar e fez com que essa paixão crescesse dentro de mim”, fala Lisia sobre Leonardo, que também é pai de Yasmim Lawson, de 11 anos.
Entre todas as ondas compartilhadas entre pai e filha, Lisia recorda uma história que lhe marcou:
“Todos os momentos que vivi no mar com meu pai foram marcantes, mas, uma vez, em uma praia do Uruguai, o mar estava grande e foi muito difícil varar a arrebentação. Vendo que eu tinha dificuldade, ele me acompanhou o tempo todo e fez com que eu superasse meus medos – lição que levo para a vida toda”.
Como Leonardo trabalha no Porto Itapoá, na escala de 4×4, o surfe em família costuma acontecer durante quatro dias sim, quatro dias não. Além das ondas, Lisia conta que tem o hábito de caminhar na praia com seu pai, sua mãe Miriam Ramos, sua irmã Yasmim e seus dois cachorros Love e Rex. “Sempre que possível, estamos na praia”, diz. Sobre a relação com seu pai, ela fala que é de muita parceria e confiança: “Poder surfar com meu pai é incrível, arrisco a dizer que o surfe sem ele não é o mesmo. Meu pai é, com certeza, meu melhor amigo, e acredito que a nossa convivência em todas as horas, inclusive no lazer, é o que nos torna tão amigos”.

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Da esquerda para a direita: Lisia, a irmã Yasmim e o pai Leonardo, segurando o Rex, cachorro da família

Seguindo seus passos

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O filho Mateus Alves da Silva Gomes e o pai Givanildo do Rosário Gomes (Giva) trabalham juntos, como guarda-vidas,  há quatro temporadas.

Givanildo do Rosário Gomes, mais conhecido como Giva, de 41 anos, é pai de Mateus Alves da Silva Gomes, de 22 anos, e de Matias Alves do Rosário, de 17 anos. Desde sempre, o futebol e a pesca são presentes nesta família, uma vez que Giva é pescador e dono de embarcação. No inverno, pai e filhos costumam pescar juntos, especialmente na safra da tainha.
Durante os verões itapoaenses, Mateus e Giva trabalham juntos como guarda-vidas.
“Trabalho com ele há quatro temporadas. É um grande orgulho cumprir essa nobre missão ao lado do meu ‘velho’ e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade em dobro, pois busco ser tão profissional quanto ele e fazemos muitos resgastes juntos.
Mas, o nosso verdadeiro lazer é o futebol”, diz Mateus, que joga o campeonato municipal de futebol em Itapoá desde os 14 anos, idade que, coincidentemente, seu pai Giva também iniciou no esporte.

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Giva é pescador e dono de embarcação. No inverno, pai e filhos costumam pescar juntos, especialmente na safra da tainha.

Desde então, Mateus procura sempre jogar pelo mesmo time que seu pai. Juntos, eles já defenderam o time do Marumbi, Acoin, Barra e Figueira. Foi, inclusive, em um jogo por este último time, que Mateus relembra um episódio marcante: “neste jogo, tive a honra de jogar ao lado do meu pai e do meu irmão e, como se não bastasse, meu avô foi o técnico”. Jogar ao lado do pai é, para Mateus, um grande privilégio e realização. “Atualmente, formamos a dupla de zaga do time da Barra do Saí. Ao mesmo tempo, que fico feliz por ter meu próprio pai como dupla, tenho receio de fazer alguma jogada errada e decepcioná-lo. Por isso, estou sempre muito focado e me dedicando ao máximo para fazer grandes jogos ao seu lado”, diz Mateus, que deseja transmitir todos os conhecimentos aprendidos com o pai acerca do futebol para Marianna Alves Kerscher, sua filha, de apenas um ano e oito meses.
Mateus também conta que, antes, ele e seu pai não tinham uma relação muito próxima, porém, sempre teve muita admiração e respeito pelo pai, que, segundo ele, é guerreiro, batalhador e profissional em tudo o que faz. “De uns tempos para cá, depois que ele e minha mãe se separaram, nossa amizade cresceu muito. Hoje, ele é mais que meu pai, mas também meu melhor amigo e grande ídolo. Ter a figura dele dentro e fora de campo é excepcional, pois corro com ele e por ele”, diz Mateus. Neste ano, Matias também pretende se formar como guarda-vidas e, no ano que vem, acompanhará o pai e o irmão nos salvamentos mar adentro. Cada dia mais próximos de Giva, Mateus e Matias sentem muito orgulho do pai que têm e buscam, sempre, seguir os seus passos.

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Na foto, os apaixonados por futebol Matias Alves do Rosário (à esquerda), o pai Giva (ao meio) e Mateus (à direita).

Ser presente é o maior presente

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Nei Eli Filla é pai, amigo e parceiro de Vitória  Marchetti Filla.
Eles compartilham diversos momentos e, inclusive, festam juntos.

 

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Diversão em família: Nei com os filhos Vitória e Lucas.

Outro “paizão” desta edição é Nei Eli Filla, de 49 anos, pai de Lucas Marchetti Filla, de 21 anos, e de Vitória Marchetti Filla, de 19 anos. Os filhos contam que têm uma relação muito boa com o pai, repleta de confiança, parceria e risadas, e que, juntos, costumam fazer inúmeras atividades, inclusive, ir a festas e shows. Com o filho, Nei costuma jogar bola toda semana, enquanto com a filha, joga diversos jogos de cartas, como, por exemplo, truco – onde formam uma bela dupla.
De acordo com Lucas e Vitória, sempre que pensam em fazer algo na companhia do pai é uma diversão.
“Quando eu era menor de idade e queria ir a festas e shows, ele sempre me acompanhava. De alguns shows ele não gostou, pois não gosta muito de sertanejo, mas, em outros, me agradeceu muito pela experiência. Desde então, sempre que pinta um show bacana, uma ‘aventura’ ou, ainda, algum esporte, ele topa em nos acompanhar, o que deixa tudo ainda melhor, pois ele nos acompanha para curtir conosco, e não para nos fiscalizar. A companhia dele nos deixa super à vontade e nos diverte muito”, conta Vitória.
Para ela, dividir os momentos de lazer, atividades e assuntos com o pai é saber que nunca faltará uma companhia para qualquer coisa que queira fazer.
Entre tantas histórias marcantes vividas com Nei, Vitória relembra uma delas: “Lembro que, quando eu tinha cerca de cinco anos, vivíamos uma época difícil, financeiramente falando. Havia chovido muito e a rua estava alagada e, naquela época, eu tinha medo disso, mas, nesse dia, meu pai fez barquinhos de papel comigo e com o meu irmão, para nos divertirmos na água. Pode parecer bobagem, mas, desde então, perdi o medo dos dias de chuva forte. Hoje, ao me lembrar disso, entendo que não preciso de muito para ser feliz e que, naquele dia, com apenas um pouco de água, algumas folhas de papel sulfite e minha família, eu me sentia completa. Isso não significa que não aprendemos a lutar pelos nossos sonhos, mas que nos foi ensinado que, no fim das contas, as melhores partes da vida são sempre as mais simples”. Este episódio vivido por Vitória e sua família também comprova que muito mais importante que dar um presente é estar presente.
Assim como Vitória, Lucas também diz receber de Nei bons conselhos, ensinamentos e apoio em todas as decisões tomadas ao longo da vida, e que ter um pai tão presente e amigo fortalece a relação. Por fim, Vitória conclui: “Sou muito grata por tudo o que ele fez e ainda faz por nós, buscando sempre o melhor para todos. Nós o amamos muito”.

Casal de “Harleyros” compartilha experiências na vida e na estrada

O Dia Nacional do Motociclista é comemorado em 27 de julho. A data celebra todos os que, seja profissionalmente ou por hobbie, pilotam motocicletas. Para comemorar, conhecemos a história do casal Mayara Marturelli e Osvaldo Carneiro Junior, de Itapoá. Eles são apaixonados por motocicletas, especialmente os modelos da marca Harley-Davidson, e nos falam que os motociclistas não apenas pilotam motos, mas também vivenciam o que é conhecido como “cultura da motocicleta”.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Casal Osvaldo Carneiro Junior e Mayara Marturelli, de Itapoá.

Naturais de Curitiba-PR, Mayara e Osvaldo sempre gostaram de motocicletas. Ela recorda que fazia trilhas com sua motocicleta do modelo XTZ 125, na época da adolescência, enquanto ele conta que tinha uma motocicleta esportiva do modelo Bandit 1200, mas que teve por pouco tempo, pois não era bem o seu estilo. Mayara e Osvaldo se conheceram em Itapoá, em 2006. Ele relembra: “Morávamos bem próximo um do outro, então, eu sempre a via andando de moto e achava muito bacana, especialmente por ser mulher”. Quando começaram a namorar, em 2009, os dois haviam vendido suas motocicletas e ficaram um bom tempo sem elas. Segundo Osvaldo, este foi um período difícil, pois ele sentia muita falta de pilotar.
Em 2013, já casados, eles foram a uma loja da Harley-Davidson e, por incentivo de Mayara, Osvaldo comprou uma motocicleta Harley-Davidson do modelo Fat Boy. “Sempre sonhei em ter uma moto da linha da Harley-Davidson, pois esta marca centenária se transformou em uma lenda do motociclismo e sinônimo de estilo de vida, personalidade, conforto e experiência”, conta Osvaldo. Porém, Mayara não o acompanhava nos passeios e viagens de motocicleta, pois tinha insegurança de andar na garupa, uma vez que sempre pilotou a sua própria motocicleta. “Quando viajávamos para participar de eventos, eu ia de motocicleta e, ela, de avião. Era um pouco chato, pois desejava ter minha parceira ao lado, na estrada, e, além disso, ela também sentia falta de pilotar. Então, dentro de um ano e meio, me senti na obrigação de presenteá-la com uma motocicleta”, fala Osvaldo.

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Foi em São Paulo, em um evento da Harley-Davidson, que Mayara se apaixonou por um modelo que estava sendo lançado no evento, a Harley-Davidson Breakout Softail. “Gosto muito deste modelo, pois foi a minha primeira motocicleta de porte grande, é muito confortável e esbanja estilo”, diz Mayara. Recentemente, há cerca de um ano, devido às frequentes viagens a trabalho, Osvaldo trocou sua Fat Boy por um modelo mais confortável, uma Street Glide, também da marca Harley-Davidson.
Mayara e Osvaldo são bons exemplos de “Harlystas” ou “Harleyros” – como são chamados os motociclistas apaixonados por modelos da marca Harley-Davidson. Eles colecionam diversos objetos da marca, vão a eventos específicos da marca e, sempre que viajam a outros estados ou países, as lojas da Harley-Davidson são sinônimos de parada obrigatória. “Diferente do que muitos pensam, estes são ambientes tranquilos e frequentados por muitas famílias e pessoas de todas as idades. Nos eventos da Harley, há sempre bandas de rock, lojas, barbearias, concursos de Pinups, lançamentos de novos modelos de motocicletas, exposição de carros e motocicletas antigas, opções para personalizar a motocicleta, além de ações beneficentes, como a campanha do Outubro Rosa, para ajudar mulheres com câncer de mama, por exemplo”, conta Mayara.
No entanto, o foco do casal não são os eventos de motociclismo, mas as viagens realizadas, cada qual com sua Harley. “Na estrada, ficamos impressionados com o respeito que alguns caminhoneiros têm pelos motociclistas”, ressalta Mayara, que trabalha aos fins de semana, mas acompanha o amado nos passeios, sempre que possível. Para Osvaldo, ter uma mulher que goste tanto do universo do motociclismo quanto ele é sinônimo de realização: “depois que cada um passou a ter a sua própria motocicleta e realizar os passeios juntos, nossa relação se fortaleceu ainda mais”.

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Para aqueles que desejam adquirir uma motocicleta da marca Harley-Davidson, Mayara e Osvaldo garantem que o investimento vale a pena, mas opinam: “a motocicleta tem de ser funcional, não adianta ter uma e não usá-la”. Ela se diz se diz satisfeita com a sua Breakout Softail, já ele, fala que não se vê pilotando outra motocicleta que não seja Harley Davidson.
Segundo o casal – que tem amigos motociclistas espalhados por Itapoá, Curitiba e por todo o mundo, o presente que este estilo de vida proporciona são as experiências e os amigos. “Hoje, além de andar de moto e gostar de Harley, encontramos outras afinidades que nos completam, como o gosto por viagens e o crescimento profissional”, conta o casal, que ainda planeja cruzar a famosa Rota 66, nos Estados Unidos da América – símbolo e sonho de motociclistas do mundo todo. Mas, o que existe por trás de todo esse amor pelo veículo automotor de duas rodas? Os “Harleyros” Mayara e Osvaldo explicam em poucas palavras: “pilotando uma motocicleta, o foco nunca é chegar ao destino, mas apreciar a jornada”.

Viajante a bordo: as dificuldades, lições e recompensas do trabalho em navio

“Sempre gostei de viajar, louco é quem não gosta”, diz Pedro Wielewicki, de 22 anos, morador de Itapoá-SC. Adepto à filosofia de que devemos fazer nossas vidas valer a pena, após se formar na faculdade, Pedro encontrou no trabalho em cruzeiro a resposta para todos os seus desejos: obter experiência profissional, ganhar dinheiro, aperfeiçoar o inglês e, principalmente, explorar novos lugares. Para ele, ingressar na vida a bordo mistura vivências, culturas, dificuldades e, claro, muitos aprendizados.

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Pedro Wielewick (à esquerda), de Itapoá, e seu amigo Jones Wolker (à direita) trabalhando na cozinha, a bordo do Costa Fascinosa.

Ana Beatriz Machado

Aos 12 anos Pedro já viajava sozinho para visitar seus tios, viajantes desse mundo afora, em Porto Alegre – RS. “Quando estava no Ensino Médio, costumava ouvir de meu pai que eu deveria dar uma chance para a vida a bordo, mas nunca parei para pensar seriamente no assunto”, recorda. Depois que se formou em Gastronomia, deixou Itapoá e foi buscar experiência em São Paulo, onde se concentram os melhores restaurantes do país e do mundo, e onde trabalhou, por quatro meses, em um restaurante japonês. Até que, certo dia, sua mãe compartilhou um link em uma de suas redes sociais dizendo que haviam sido disponibilizadas 500 vagas de emprego em navios, e escreveu a seguinte frase: “Se eu fosse você, arriscaria. Não custa tentar”. E assim ele o fez.

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Praça Plebiscito em Nápoles, na Itália.

Para ingressar no trabalho a bordo, Pedro narra o processo de etapas e gastos: “Primeiro, é preciso se cadastrar em uma ou mais agências responsáveis pelo recrutamento de tripulantes. Eu fiz todo o processo pela agência ISMBR, mas há outras agências muito boas, também. Fiz duas entrevistas em inglês por Skype e, em seguida, realizei um curso chamado STCW, que basicamente são os primeiros socorros para a vida no mar. Este curso dura cinco dias e custa entre R$900,00 e R$1300,00, dependendo do local. Há também os exames médicos que variam entre R$400,00 e R$600,00, mas a companhia de cruzeiro faz o reembolso desses exames. Fiz o novo passaporte brasileiro, com validade de dez anos, que custa cerca de R$250,00. Por fim, os custos com passagens aéreas e hotel que antecedem o embarque ficam por conta da companhia”.

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Marseille, na riviera francesa.

Três anos de curso em Gastronomia, um ano e meio de curso de inglês e alguns trabalhos na área era o que Pedro tinha quando fez o seu cadastro para trabalhar na cozinha de um navio. “Quando me selecionaram, fiquei bastante assustado. Eu nunca tinha estado sequer dentro de um navio e mal tinha experiência em cozinha. Não sabia o que esperar, se iria conseguir e se realmente valeria a pena” conta. No entanto, apesar de que saber inglês e ter experiência de trabalho contribui muito, Pedro afirma que não é o essencial. “Ter foco, objetividade, força física e mental é a chave para se trabalhar a bordo de navios de cruzeiro”, diz.

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Funchal, Ilha da Madeira, em Portugal.

De acordo com Pedro, variando de uma companhia para outra, os contratos para brasileiros em navios vão de seis a oito ou nove meses. Em seu primeiro contrato, ele trabalhou oito meses em três semanas como 3rd Cook (terceiro cozinheiro). Já os itinerários mudam de navio para navio, assim como os cruzeiros em si. Ele explica que no Brasil eles duram nove dias, mas há os que durem sete, onze ou até mesmo quase vinte dias, que são os cruzeiros de travessia (o cruzeiro que faz Buenos Aires, na Argentina, até Savona, na Itália, dura dezenove dias, por exemplo).

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Pedro e seus colegas de trabalho, na cozinha do navio.

Pedro considera as primeiras semanas como as mais difíceis, especialmente para quem nunca trabalhou a bordo. “Diferente do que muitos imaginam, trabalhar em cruzeiro não é glamoroso, começando pela língua. Você pode ser o maior expert em inglês que, mesmo assim, vai encontrar dificuldade ao embarcar. Viver em um local que mistura trinta nacionalidades diferentes significa muitos sotaques a bordo, uns deles mais difíceis de compreender, como o inglês falado pelos indianos e jamaicanos”, explica Pedro. A escala de trabalho é outro desafio, pois não há nenhum dia de folga. A bordo se trabalha todos os dias do contrato, no mínimo, de onze a doze horas por dia. Tudo isso, fora o fato do fuso horário. “Toda semana, trabalhando na temporada brasileira, tínhamos que nos adequar ao horário argentino”, recorda Pedro, “então, se você é do tipo que reclama muito do horário de verão, vai gostar muito menos de avançar e voltar uma hora toda semana, pior ainda na travessia do Brasil para a Europa, na qual avançamos cinco vezes o relógio, dia sim, dia não”.

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A bordo, na temporada brasileira, ele conheceu a
Praia de Búzios, no Rio de Janeiro.

Mas, apesar do tempo para se adaptar ao ambiente, à língua e à rotina exaustiva, o viajante ressalta que há muitas vantagens ao trabalhar a bordo. A primeira delas é ter o salário “limpo”. Brasileiros, em sua maioria, recebem em dólar. Não há gastos para acomodação, alimentação ou uniforme de trabalho (inclusive, a lavagem desses uniformes fica por conta da companhia de cruzeiro). Já nas horas de folga, é possível descer do navio e conhecer os lugares pelos quais ele (o navio) passa. “Foi a bordo que conheci lugares que jamais imaginei que conheceria tão cedo, desde Montevidéu, no Uruguai, até a Ilha da Madeira, em Portugal, e Ibiza, na Espanha. Isso, sem mencionar as várias festas que acontecem a bordo, com pessoas de diversos lugares do mundo, com costumes, hábitos e culturas diferentes”, conta. Entre todos os lugares visitados até o momento, os favoritos de Pedro foram Buenos Aires, na Argentina, e Barcelona, na Espanha, “não ter criado expectativas ajudou muito, pois me surpreendi”, diz. Já no Brasil, a Ilha Grande e Búzios, no Rio de Janeiro, fizeram sua alegria.

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Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, Espanha,
um dos lugares explorados por Pedro.

Para Pedro, a grande lição de trabalhar a bordo é a humildade. Ele conta que, com a experiência, aprendeu coisas novas, conheceu lugares e pessoas em diferentes circunstâncias, e aprendeu a dar ainda mais valor às pessoas que o cercavam em terra e, também, em mar. “Dentro do navio tudo fica mais intenso pelo fato de estarmos trabalhando sob pressão, longe de casa e das pessoas que amamos”, fala, “por isso, não espere viajar para fora do país para ver o quanto são maravilhosas as belezas que possuímos a nossa volta, sejam elas as belezas naturais ou das pessoas”. Hoje, ele enxerga que nada foi em vão e que todo seu esforço e dedicação aos estudos valeram a pena: “Sou grato a minha família e a todos os professores que me ensinaram grande parte do meu saber”.

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O navio Costa Fascinosa, onde Pedro trabalhou.

A história de Pedro é baseada em sua experiência de um contrato como cozinheiro na Costa Crociere. Ele ressalta que, muito provavelmente, tripulantes de outras agências, companhias e nacionalidades possuem outra visão da vida a bordo. Para aqueles que têm a pretensão de se aventurar no trabalho em navio, Pedro deseja coragem e força. Ele também recomenda um grupo no Facebook chamado Crew Life, que reúne tripulantes, ex-tripulantes e futuros tripulantes – um bom começo para fazer amizades e tirar dúvidas. E aconselha: “A vida não é nada fácil, mas não é tão difícil quanto parece. Vejo que muitas pessoas não possuem fé nelas mesmas e na própria capacidade, por isso, acredite em você”.
Seja trabalhando a bordo ou em sua cidade, sempre que possível, Pedro explora novos lugares. Para o futuro, ele revela que não tem a pretensão de “fazer carreira” a bordo, mas deseja continuar a trabalhar em navios. Seu próximo objetivo é migrar para o Canadá. Para acompanhar suas aventuras, basta segui-lo no Facebook (Pedro Wielewicki) e Instagram (@w_pedro_w). “Torço para encontrar mais tripulantes de Itapoá e região nesse mundão afora, para que também vivam essa experiência única e tenham suas vidas mudadas”, conclui Pedro, de Itapoá para o mundo.

 

Família Silveira e o amor pela tradição gaúcha

Para Rogério da Costa Silveira, o rodeio é programação para pelo menos um final de semana por mês. Natural de Itapoá, tudo começou pelo amor por animais na infância: como se criou na roça, sempre quis um cavalo. Em 1999, por influência de amigos foi ao primeiro Rodeio, começou a laçar e de lá pra cá não parou mais.

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Rogério com a esposa Edilene e os filhos Milena e Ramon em sua chácara
no Saí Mirim.

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Em sua chácara, seu refúgio, construiu uma cancha, passou a treinar com mais frequência e já conquistou vários troféus. “É muito emocionante você representar a sua cidade em um evento desses”, afirma. “A adrenalina é muito grande e sempre dá um frio na barriga”.
O gosto pelo esporte se uniu à afinidade que já tinha à cultura gaúcha: sempre gostou muito de bailes e da música tradicionalista; durante um tempo até fez aulas de gaita. “Sou apaixonado pela tradição gaúcha”, afirma.
E toda essa paixão também contagiou outras gerações da família. O sobrinho Robson e o filho Ramon também laçam, já a filha Milena, não vê a hora de aprender. “Ela gosta muito de cavalos e tem até um vestido de prenda, mas ela ainda é muito novinha para participar de competições de laço”, fala o pai.
Com tanto amor, Rogério hoje é patrão do CTG Herdeiros da Tradição.

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Rogério e Ramon na prova de laço, na categoria pai e filho.
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O filho Ramon Silveira.
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Sobrinho, Robson Ruan Silveira

Desde a infância

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O amor do pai pela tradição também incentivou a pequena Milena Batista Silveira, 10 anos. Filha de Rogério, a pequena sempre teve contato com animais, ama cavalos e sonha em ser veterinária. Segundo ela, tudo começou há quatro anos quando estava em um rodeio, acabou dormindo em cima de um cavalo e o animal disparou assustado. Mesmo com todo o susto, ela tomou gosto.
O melhor programa de família é quando visitam os cavalos aos domingos. Ela adora passear com o seu cavalo e, segundo o pai, tem um ciúmes danado do animal. “Eu ainda não consigo colocar a cela nele, mas sempre o escovo, gosto muito dele”, afirma. Seu sonho é aprender a laçar e poder participar de competições.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 20 – Agosto 2014

 

Tradições gaúchas: Apaixonados por rodeios

Um grande evento onde as diferentes manifestações culturais da tradição gaúcha se unem, talvez assim possa ser definido o rodeio crioulo, muito cobiçado por quem mantém a tradição nas cidades de Itapoá e Guaratuba.

Quem gosta geralmente é assíduo: marca presença em pelo menos um rodeio por mês. Assim, fazem um verdadeiro acampamento: com um trailer, caminhão ou barracas organizam o espaço para dormir, levam todos os utensílios, uma boa carne, chimarrão e claro, os cavalos. O espaço do rodeio torna-se uma cidade crioula: os representantes de cada município formam uma família e a festa é garantida.
Conforme a Cartilha para a Realização de Rodeios Crioulos organizada pelo Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, a palavra rodeio surgiu com os rodeios country, que iniciaram nos Estados Unidos em meados de 1800. No Brasil esta forma de rodeio surgiu em 1956, na cidade paulista de Barretos, onde a principal atração era a disputa entre o homem e o animal. Diferente do estilo country, o Rodeio Crioulo surgiu no Rio Grande do Sul na década de 50 a partir dos torneios de tiro de laço competitivos, com o objetivo de resgatar manifestações das tradições do campo. O primeiro rodeio crioulo foi em Vacaria (RS), e a partir de então se proliferou e motivou mais pessoas a poder vivenciar os costumes tradicionais gaúchos.
Nos rodeios é possível vivenciar diferentes manifestações culturais: a dança, a chula (sapateio característico e exclusivo de peões), a declamação, a trova (criação e improviso de versos cantados), as vestimentas típicas, exposição de animais como gado campeiro e cavalos crioulos e o esporte, como competições de laço, gineteadas e rédea.
A prova de laço é a preferida da maioria: realizada em uma cancha onde o laçador, montado a cavalo, busca laçar o boi conforme os limites de tempo e espaço estipulados. A gineteada consiste em conseguir ficar o máximo de tempo montado em um cavalo mal domado ou xucro (ainda não domesticado). Já na prova de rédea deve-se fazer o percurso e obstáculos estipulados em menor tempo possível.
A maioria dos gaúchos de Itapoá e Guaratuba praticam a prova de laço. Alguns participam de rodeios apenas entre amigos, outros organizam toda uma estrutura para carregar a família inteira.

Programa de família

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Inácio Braz Smanioto com o filho Inácio Braz Smanioto Jr,
a nora Edinéia Nascimento Rosa Smanioto
e as netas Graziela e Gabriela.

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Inácio Braz Smanioto Jr.

A possibilidade de unir toda a família é o que motiva os cunhados Jairo Aparecido de Souza e Inácio Braz Smanioto Jr., de Guaratuba, à tradição gaúcha. Nos rodeios todos estão presentes: pais, mães, filhos, sobrinhos e até quem ainda está por vir.
Nesta família a cultura gaúcha não veio do berço, mas é mantida e admirada como se fosse. Tudo começou com o pai de Edinéia Nascimento Rosa Smanioto, mulher de Inácio. “Como meu tio morava em Joinville e participava de rodeios, meu pai começou a se interessar e trouxe a cultura para Guaratuba”, conta Edinéia. Quando o pai faleceu, Inácio seguiu em frente. O veterinário já havia laçado quando criança, mas conheceu a cultura melhor realmente com o sogro.

 

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Jairo Aparecido de Souza.

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Com o tempo incentivou também o cunhado Jairo, empresário, e não teve outro jeito: virou paixão de família. Os dois laçam e participam de pelo menos um rodeio por mês. “Quando você vai vivenciando, toma gosto pela cultura”, afirma Jairo que, para participar das provas de laço, teve que antes que aprender a andar a cavalo. Com tudo isso, absorveu também o gosto pelo chimarrão, vestimentas e contagiou esposa e filha.
Para Inácio não é diferente: além da esposa, as filhas de nove e dez anos e o pequeno que deve chegar ao mundo pelos próximos meses também não ficam de fora. Nas fotos da gravidez, por exemplo, uma bombachinha não ficará fora do cenário. “Ao absorver esta tradição conseguimos unir o esporte com a família, envolvendo diferentes gerações”, afirma Jairo. Inácio complementa que “para quem gosta, não há nada melhor”.
Conforme os laçadores, os rodeios na região acontecem mais fortemente entre os meses de abril e agosto, em virtude do clima. E, além de propiciar bons momentos de família reunida e prática de esporte, Jairo afirma que o rodeio fomenta muitas outras atividades: “Muita coisa está envolvida, não apenas a tradição. Tem os cavalos, o transporte, a estrutura do espaço… uma cadeia de exigências”.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 20 – Agosto 2014