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Campanha alerta munícipes sobre o descarte adequado de pilhas e baterias

As pilhas e baterias de uso doméstico apresentam um grande perigo à saúde humana quando descartadas incorretamente, ou seja, no lixo comum. Nesse sentido, a ASPLAMB, com apoio da Revista Giropop e de outras empresas, apresenta o projeto “Descarte Adequado de Pilhas e Baterias”. A campanha de educação ambiental visa sensibilizar a comunidade de Itapoá (SC) sobre a necessidade de dar destinação correta às pilhas e baterias usadas, reduzindo a quantidade de artefatos lançados no meio ambiente.

 

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O município de Itapoá atrai cada vez mais moradores e turistas. Consequentemente, aumenta também a preocupação com relação aos resíduos perigosos, uma vez que muitos desconhecem os riscos oferecidos pelo descarte inadequado das pilhas e baterias ou, ainda, não sabem onde e como descartar tal material. No município, embora existam alguns pontos de coleta, nota-se que o descarte destes artefatos é muito inferior quando comparado àquilo que é consumido. Diante disso, a equipe da ASPLAMB preocupou-se em realizar uma campanha ambiental.

Riscos à saúde
Conforme Jéssica Holz, bióloga e responsável técnica pela ASPLAMB, “na composição desses artefatos são encontrados metais pesados, como, por exemplo, chumbo, mercúrio, cobre níquel e zinco, substâncias extremamente perigosas à saúde humana”. Dentre os males provocados pela contaminação com metais pesados está o câncer e mutações genéticas.
A título de esclarecimento, a bióloga ressalta que as pilhas e baterias novas ou usadas e em funcionamento não oferecem riscos, uma vez que o perigo está contido em seu interior. “O problema é quando elas são descartadas no lixo comum e as cápsulas que as envolvem passam por deformações, amassando, estourando e deixando vazar o líquido tóxico de seu interior. Esse líquido representa o lixo não biodegradável, ou seja, não é degradado com o passar dos anos e se acumula na natureza”, explica Jéssica. Tal lixo contamina o solo e o lençol freático e, consequentemente, os córregos, rios, lagunas e o mar, prejudicando a agricultura e a hidrografia.
E é justamente por serem biocumulativos, ou seja, acumularem-se no meio ambiente poluindo-o, que não devemos descartar esses materiais no lixo comum.

Sobre a campanha
A campanha, destinada a todos os munícipes de Itapoá, é um projeto piloto elaborado pela iniciativa privada, executada através da ASPLAMB em parceria com outras empresas – entre elas, a Revista Giropop, que será responsável por todo o material visual.
Com lançamento previsto para o dia 10 de julho, o projeto “Descarte Adequado de Pilhas e Baterias” terá duração de 30 dias, encerrando-se no dia 10 de agosto. Durante esse período, serão deixados pontos de coleta identificados em locais estratégicos do município, onde as pessoas poderão levar o material gratuitamente nos devidos horários de atendimento.
Em paralelo, serão realizadas palestras nas escolas e distribuídos folhetos informativos. Ao final da campanha, todo o material será levado para a ASPLAMB, onde será recolhido por empresa autorizada para o transporte de resíduos perigosos e, então, depositado em empresa autorizada para o tratamento e destinação adequada dos mesmos.
Com essa iniciativa, a ASPLAMB, Revista Giropop, Imobiliária Besen, Fabianno Lima Arquitetura, Horizon Topografia, LMC Terraplenagem e Transportes Ltda, South Beach Loteamentos Ecológicos, JR Pavan Administradora de Bens Próprios, objetivam sensibilizar a comunidade local sobre a necessidade de dar destinação correta às pilhas e baterias usadas; promover cidadania e bem-estar social; destinar adequadamente pilhas e baterias e, posteriormente, apresentar relatório posterior à campanha com a quantidade recolhida e seu destino. Esse feedback você poderá conferir na próxima edição da Revista Giropop.

Expectativas
A ASPLAMB sabe que todos têm direito ao ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida (Art. 225 da CF). Pensando nisso, preocupa-se em manter um meio adequado para o povo itapoaense. Jéssica ainda salienta que todos os colaboradores da ASPLAMB residem no município, além disso, buscam parceiros que atuam principalmente dentro de Itapoá. Garantindo, assim, qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.
Para a bióloga, pequenas ações mudam o mundo. Ela conclui: “Esperamos envolver um grande número de pessoas e temos certeza de que a campanha será muito positiva. Temos convicção de que esse material é jogado por muitas pessoas no lixo comum, então, se souberem que isso é inadequado e não o fizerem mais, já será um bom avanço”.

Seja um parceiro
Além dos munícipes, a campanha trará benefícios, também, aos seus colaboradores, que terão visibilidade e oportunidade de mostrar à comunidade que preocupam-se com o meio ambiente e com as questões socioambientais. Portanto, se você possui interesse em ajudar a realizar essa campanha, basta entrar em contato com a ASPLAMB e tornar-se um parceiro.

Para maiores esclarecimentos, a ASPLAMB está situada na rua Caracaxá, número 194, no Jardim Pérola do Atlântico. Você também pode entrar em contato através do e-mail contato@asplambambiental.com.br ou telefone
47 3443-2905.

Queimadas em quintais e terrenos baldios afetam o meio ambiente e são tipificadas como crime ambiental

O mês de agosto é considerado o auge da seca do inverno no Brasil. Falta de chuva, baixa umidade e fumaça no ar, por conta do aumento das queimadas, são problemas comuns em muitas regiões do país, inclusive, no município de Itapoá. Para alertar sobre este problema ambiental, entramos em contato com o Corpo de Bombeiros Militar de Itapoá, além de empresas do município que realizam a destinação correta de materiais e resíduos e, ainda, conhecemos as leis ambientais.
É bom lembrar: a prática da queimada prejudica o meio ambiente, causa transtornos aos moradores, é considerada crime ambiental e deve ser  fiscalizada e denunciada por todos os munícipes.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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As queimadas, tão maléficas ao meio ambiente e à população, são ainda mais comuns nos meses de estiagem.

Se sobrevoarmos os bairros de nosso município, especialmente no final da tarde, veremos algumas nuvens de fumaça e focos de incêndio, provenientes da queima de lixo, de folhas e galhos de árvores, de restos de móveis, entre outros materiais. Não é novidade que, há gerações, a prática da queimada é tradicional em Itapoá, mas os tempos mudaram: a população cresceu e, consequentemente, o lixo e os problemas ambientais, também.
As queimadas no perímetro urbano são bastante prejudiciais à biodiversidade local, pois poluem o ar e acabam matando pequenos animais e plantas, além de comprometer a fertilidade dos solos. O fogo no quintal ou terreno baldio também acaba levando para dentro das residências cobras, aranhas, ratos, entre outras espécies que, fora do seu habitat natural, buscam lugares seguros e podem causar acidentes aos seres humanos.
Além disso, as queimadas afetam também a saúde da população. De acordo com os médicos, a fumaça e a fuligem diminuem a qualidade do ar e provocam doenças respiratórias, como asma, bronquite e rinite alérgica, atingindo, principalmente, crianças e idosos.
Também é importante salientar a diferença entre incêndios e queimadas: os primeiros (os incêndios) se tratam de proporções perigosas, onde não haja alguém controlando o fogo, podendo ser provocado de forma natural ou antropológica; enquanto as queimadas se tratam de incêndios intencionais em menores proporções, realizados em quintais ou lotes baldios para a queimada de materiais ou resíduos. Mas, vale lembrar que, assim como nos é transmitido através de noticiários, muitos incêndios se iniciam com uma simples queimada em um terreno baldio ou no quintal de casa.
O Corpo de Bombeiros Militar de Itapoá vem constantemente orientando as pessoas sobre os perigos e transtornos que as queimadas provocam e orienta os moradores a evitarem esta prática. De acordo com Sub Tenente Luz, “a incidência de queimadas, geralmente, é maior ao final do mês de agosto e pode persistir até o final de outubro, se a estiagem for prolongada em nossa região”. Ele também informa que, somente no ano de 2016, foram contabilizados 20 incêndios relacionados à limpeza ou materiais para descarte.
E não para por aí: a prática de botar fogo em materiais domiciliares é tipificada como crime ambiental e o responsável pode ser punido.

O que diz a Lei
Segundo a Lei n. 9.605/98, Art. 41, provocar incêndio em mata ou floresta é crime ambiental, sob pena de dois a quatro anos de reclusão e multa, se houver flagrante. Também na Lei n. 12.305/2010, Art. 47, é proibido destinar resíduos sólidos ou rejeitos para a queima a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade. Já a Lei Complementar Municipal n. 050/2016, que institui o Código de Obras e Posturas do Município de Itapoá, Art. 183, proíbe a queima de resíduos sólidos ou líquidos a céu aberto, bem como sua deposição em cursos d’água. Por fim, vale ressaltar, também, que segundo a Lei 4.657/1942, Art. 3, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Destinando seu lixo
Entendido que, de acordo com a Lei, a prática da queimada é terminantemente proibida, é bom lembrar que existem outros meios de destinação para o lixo, materiais ou resíduos – meios estes, legais, apropriados, recicláveis e que podem ajudar muitas pessoas.
Em Itapoá, a Surbi é a empresa responsável pela coleta de lixo domiciliar, que passa, de segunda-feira a sábado, em todas as localidades do município, e destina o material para a Associação de Catadores e Carroceiros de Itapoá. Segundo Maria Aparecida Maçaneiro, coordenadora geral da associação, lá, todo o lixo é separado e categorizado de acordo com o tipo de material (garrafa pet, vidro, plástico, papelão, isopor, ferro e afins) e vendido para empresas de reciclagem. “Também recebemos aparelhos eletrônicos e móveis em bom estado ou que possam ser restaurados, para doar às famílias de baixa renda”, conta.
Há também o Aterro de Resíduos da Construção Civil e Inertes que, através da empresa Disk Entulhos, pode providenciar a recolha dos materiais em questão, onde o proprietário (gerador) paga uma taxa conforme o volume e as características do resíduo. Em um pátio devidamente legalizado, a empresa recebe os resíduos da construção civil (entulhos), tais como alvenaria, demolição, concreto, tijolos, telhas, pisos, solos, madeira de caixaria, cepos, raizeiros e podas de árvores – muitos deles destinados à geração de energia, sendo picados e utilizados em caldeiras, na produção de carvão, ou como material de enriquecimento de solo agrícola.
Com os resíduos úmidos – restos de cozinha e jardins, especialmente folhas de árvores, que são os principais motivos das queimadas –, Maria sugestiona que sejam utilizados como adubo orgânico para uma horta. “Se você não tem condições ou, então, não deseja ter uma horta em casa, algum vizinho ou, até mesmo, alguma escola pode querer. Também penso que seria legal se fosse criado um projeto para transformar terrenos baldios em hortas comunitárias”, fala Maria.
Para entrar em contato com a empresa Disk Entulhos Itapema, basta ligar para (47) 99901-9555 (Alceu) ou (47) 99686-0322 (Dyoni). Já para saber mais sobre o trabalho da Associação de Catadores e Carroceiros de Itapoá, basta falar com Maria, através do número (47) 99920-5592. Além desses meios de destinação dos resíduos, vale lembrar que dezenas de carroceiros garantem o prato de comida junto à limpeza do município, recolhendo recicláveis das ruas, das lixeiras e até da praia.

Saiba como denunciar
Nas situações de incêndios criminosos, em proporções perigosas, onde não haja alguém controlando o fogo, a comunidade deve acionar o Corpo de Bombeiros Militar de Itapoá, através do número 193. Neste caso, é fundamental que sejam passadas todas as informações como, por exemplo, localização, posição do incêndio e gravidade da situação.
Entretanto, incêndios intencionais em quintais ou terrenos baldios para a queimada de materiais e resíduos, em menores proporções, devem ser denunciados para a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Itapoá, através do telefone 3443-0244. No caso de propriedades particulares, além da localização, o denunciante deve informar, se possível, a identidade do proprietário, que será punido quando pego em flagrante. Vale ressaltar que a identidade do denunciante será mantida sob sigilo.
E, agora que o assunto já foi esclarecido, basta cada munícipe fazer a sua parte: não praticar esse crime, passar as informações para amigos e familiares, e, se possível, denunciar, pois o tempo seco somado às pequenas queimadas pode resultar em misturas explosivas e danosas ao nosso corpo e ao nosso planeta.

 

Guará: O belo voo vermelho sobre as águas calmas

Com sua exuberante plumagem vermelha e considerada uma das aves brasileiras mais belas, o Guará marca presença nas Baías da Babitonga e de Guaratuba. Típico de manguezais, ele é um grande representante da diversidade de aves na região e tem grande importância à preservação, assim, tornou-se alvo de pesquisas e monitoramentos nas duas baías. Porém, este é um fato recente: o Guará ficou desaparecido durante décadas e há poucos anos foi avistado novamente.

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Foto de Alexandre Grose

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Conforme o livro “Guará: ambiente, fauna e flora dos manguezais de Santos – Cubatão”, de Fábio Olmos e Robson Silva e Silva (2003), uma das primeiras referências às aves vermelhas ocorreu em 1556, com a clássica obra de Hans Staden. O Alemão que foi aprisionado por índios Tupinambás avistou a ave em uma pequena ilha situada ao norte de Guarujá (SP), que até hoje é conhecida como Ilha dos Guarás.

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Foto de Alexandre Grose

A partir de então outros relatos também descrevem hábitos da ave no país, mas só foram assinaladas nos estados do Paraná e Santa Catarina muito mais tarde, na década de 1820, quando a vinda da família imperial permitiu o acesso de expedições científicas.
Conforme Marcos Wasilewski, observador de aves de Guaratuba, havia uma boa população de guarás na Baía do município, porém foi alvo de caça: suas penas eram muito utilizadas para a confecção de roupas e chapéus da corte. Segundo ele, esta ação só diminuiu a partir de uma legislação que proibiu a caça de guarás, por volta de 1885. “Talvez esta foi a primeira legislação para a conservação da ave”, sugere.

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Foto de Zig Koch

Porém, mesmo com a legislação e por Guaratuba escolhê-lo como ave símbolo, durante muitos anos o guará ficou desaparecido na cidade. Marcos lembra que na comemoração ao Dia do Meio Ambiente em 2008 conseguiram emprestar um guará vivo do zoológico de Pomerode para as crianças conhecerem e, a partir de então, ele voltou a dar o ar de sua graça na cidade. “Foi neste mesmo ano que registramos o primeiro guará do estado do Paraná na Baía de Guaratuba”, lembra.

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Foto de Zig Koch

Com isso, a ave começou a ser monitorada por amantes da natureza e participantes do Instituto Guaju. A partir de conversas com pescadores e moradores das regiões mais retiradas da Baía, o grupo começou a encontra-la e fazer os registros.
No ano passado foram vistos mais de 300 guarás juntos e, em outro dia, cerca de 350 filhotes. “Podemos afirmar que a população da Baía de Guaratuba deve ultrapassar 600 guarás”, ressalta Marcos.
Segundo Clécio João Tkachechen, também observador de aves em Guaratuba, os guarás preferem habitar o fundo da Baía porque a água é menos salgada e assim, os crustáceos que se alimenta também. Porém, como são aves muito migratórias, ainda não encontraram nenhum de seus ninhos.

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Foto de Zig Koch

Da mesma forma a ave reapareceu na Baía da Babitonga. Conforme Alexandre Grose, biólogo e pesquisador da Univille, o estado catarinense ficou 150 anos sem registros das aves, que voltou apenas em 2011.
O pesquisador explica que a primeira presença foi identificada em Santos na década de 90, as aves então começaram a se reproduzir e descer para o sul do país. A expectativa agora é que ela continue se reproduzindo, crescendo e habitando mais regiões do estado.
O primeiro registro na Baía da Babitonga, em 2011, foi de 20 indivíduos. Neste ano, o número já chega a 250. Porém, segundo Alexandre, que monitora as aves há três anos, este ainda é um número pequeno, por isso é muito importante a preservação da ave e, principalmente de seu habitat, o mangue.

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Foto de Zig Koch

Na Babitonga os principais registros são na Lagoa de Saguaçu, no Canal do Linguado e no Palmital. Em Itapoá, ainda não houve registros. Além dessa região das Baías da Babitonga e de Guaratuba, há relatos da presença dos guarás também em regiões de São Paulo e da Bahia.
Além do Brasil, a ave também está presente em Trinidad e Tobago (onde é a ave nacional), na Colômbia, na Venezuela e nas Guianas.

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Foto de Zig Koch

Características do Guará
O guará (Eudocimus ruber) é uma ave da família Threskiornithidae, que lembra as garças. Mede entre 50 e 60 cm, possui bico fino, longo e levemente curvado para baixo. Sua plumagem é inconfundível: um colorido vermelho muito forte.
Esta coloração está muito ligada à sua alimentação, que prioriza os caranguejos. Conforme o livro de Olmos e Silva e Silva (2003), “o vermelho das penas dos guarás se deve a um pigmento chamado cataxantina, que é um derivado do caroteno. O caroteno é o responsável pela cor da cenoura e da casca dos caranguejos e camarões, evidenciada quando são cozidos”. Segundo o livro, os guarás são capazes de absorver o pigmento de suas presas e acumulá-lo em suas penas, tornando-as assim vermelhas.
Sua reprodução é feita em colônias. Os ninhos são feitos no alto das árvores à beira dos mangues e lamaçais litorâneos.

SAIBA MAIS
Confira mais informações sobre as aves no site http://www.wikiaves.com.br e no livro “Guará: ambiente, flora e fauna dos manguezais de Santos-Cubatão” de Fábio Olmos e Robson Silva e Silva.

Itapoá ganhará um espaço de referência em Estudos de Florestas Costeiras

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Àqueles que ainda imaginam que Itapoá se resume às suas praias, vem aí, mais uma boa notícia para ressaltar o potencial socioambiental do município: o Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras. O projeto, que já está em sua fase final de execução, foi desenvolvido pela Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA) e busca valorizar e estimular a pesquisa científica e a educação ambiental na região.

Esta iniciativa faz parte do projeto “Implantação do Plano de Manejo: estruturação e desenvolvimento da Reserva Particular de Patrimônio Natural, RPPN Fazenda Palmital -Reserva Volta Velha”, contemplado pelo MPF (Ministério Público Federal) no edital sobre a indenização depositada pela empresa Norsul – em virtude do naufrágio de uma barcaça na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul-SC, em 2008. Vale ressaltar que este é um dos nove projetos aprovados para a região.Esta iniciativa faz parte do projeto “Implantação do Plano de Manejo: estruturação e desenvolvimento da Reserva Particular de Patrimônio Natural, RPPN Fazenda Palmital -Reserva Volta Velha”, contemplado pelo MPF (Ministério Público Federal) no edital sobre a indenização depositada pela empresa Norsul – em virtude do naufrágio de uma barcaça na Baía da Babitonga, em São Francisco do Sul-SC, em 2008. Vale ressaltar que este é um dos nove projetos aprovados para a região.

O Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras faz parte da implantação do Plano de Manejo da RPPN Fazenda Palmital – Reserva Volta, que foi aprovado em 2012 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. “Entre as ideias propostas para utilizar o recurso, os idealizadores julgaram o Centro a mais eficaz para o momento, uma vez que abrange diferentes aspectos para a implantação do Plano”, explica o administrador Werney Serafini, da ADEA.

A estrutura está sendo construída na área de uso da RPPN Fazenda Palmital – Reserva Volta Velha, em local permitido para implantação de infraestrutura de acordo com o zoneamento definido no Plano de Manejo. Em meio à Mata Atlântica, o Centro fica a 2.700m da atual sede da Fazenda Santa Clara, que juntamente com a RPPN Fazenda Palmital, compõe a conhecida Reserva Volta Velha.

3-15Em frente ao Centro, o administrador Werney Serafini e o empresário e biólogo Lúcio Machado, parte da equipe técnica da ADEA encarregada pelo projeto.

Projetando o espaço

Os responsáveis pela execução do projeto do Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras foram o arquiteto Carlos Henrique Nóbrega, autor do projeto arquitetônico, e o engenheiro João Gabriel Gonzatto Araldi, responsável técnico pela execução da obra e pelos projetos estrutural, hidráulico, elétrico e de prevenção de incêndios.

Apesar de ter direcionado sua vida profissional para a área de urbanismo e meio ambiente, o arquiteto Carlos Henrique fala que gosta muito de projetar, especialmente fazendo uso da madeira. “O Centro foi projetado nos mínimos detalhes e as especificações deste projeto foram bem desafiantes. A obra deveria ser de baixo custo, em função das limitações orçamentárias do projeto; tinha de ser considerada toda a questão logística na metodologia construtiva, afinal, durante a construção, a área ainda não estaria dotada de energia elétrica e o acesso era precário; os materiais deveriam ser de qualidade, para evitar futuros problemas de manutenção; além disso, a obra deveria utilizar materiais com procedência ambiental, contemplar as questões de acessibilidade, utilizar a ventilação cruzada e técnicas de conforto térmico sem a utilização de ar condicionado, e prever um sistema de tratamento de esgoto eficiente sem a necessidade de energia elétrica”, explica Carlos Henrique. Além de todas estas especificações, o projeto do Centro ainda deveria ficar harmonioso e transmitir o conceito de natureza.

Pensando nisso, foram projetados, ao todo, 443m², que englobam secretaria, laboratório, auditório, refeitório, cozinha, dispensa, banheiros e dormitórios. “Este foi um trabalho que fiz com muito prazer. Sou suspeito para falar, mas acredito que atingimos nosso objetivo”, conclui o arquiteto Carlos Henrique, “sempre comento que os fatores mais importantes no sucesso desta obra foram o planejamento, os cuidados em desenvolver todos os projetos complementares e a sorte em contar com uma equipe de profissionais comprometidos com o projeto e muito eficientes”.

6-11A Jibata, principal meio de transporte para chegar até a obra.

Mãos à obra
No comando da construção, estão os irmãos construtores João Francisco Klodzinski e Luiz Antônio Klodzinski. Iniciada em novembro de 2015, durante a construção ocorreram fortes períodos de chuva, além disso, os profissionais realizaram todo o trabalho sem energia elétrica, apenas com um pequeno gerador. Eles utilizavam uma Jibata para chegar até a obra, mas o percurso também poderia ser feito de canoa pelo rio ou a pé. “Desde o início sabíamos o desafio dessa construção, mas conhecíamos muito bem o território, pois há muitos anos vivemos na região da Reserva Volta Velha, além disso, tivemos apoio de toda a equipe da ADEA”, contam. Com os irmãos, os filhos Gabriel Alexandre Dias Klodzinski (filho de João Francisco) e Pedro Francisco da Veiga Klodzinski (filho de Luiz Antônio) formaram a equipe de trabalho.

Além dos quatro profissionais, há o acompanhamento permanente da equipe técnica da ADEA encarregada pelo projeto: o biólogo e presidente da ADEA Celso Darci Seger, a graduanda em biologia Carolina Guedes, o administrador Werney Serafini, o guia de turismo Yawaritsawa Trumai Waurá e o empresário e biólogo Lúcio Machado. As paredes erguidas são resultado do trabalho em equipe. O material é de primeira, desde as ferragens até a madeira. A matéria-prima utilizada foi madeira de pinus auto clavado. Além da própria estrutura do Centro, os construtores contam que as sobras de madeira foram reutilizadas para a construção de móveis, como camas, mesas, bancos, armários e prateleiras. Hoje, com parte dos recursos disponibilizados ao projeto, o caminho que dá acesso à obra recebeu revestimento em pedras e bica corrida, o que possibilita o transito de qualquer veículo. Ao ver que tudo está dando certo e vem sendo construído por suas mãos, os irmãos Klodzinski se dizem orgulhos e satisfeitos. Para João Francisco, é importante ressaltar o cuidado empregado em toda a construção: “o material utilizado é vistoriado pela ADEA e o constante acompanhamento da equipe técnica contribuiu para que tudo ficasse assim, tão bonito”.

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No comando da construção, estão os irmãos construtores João Francisco Klodzinski e Luiz Antônio Klodzinski, e seus filhos Gabriel Alexandre Dias Klodzinski (filho de João Francisco) e Pedro Francisco da Veiga Klodzinski (filho de Luiz Antônio).

Programas de Educação Ambiental
O Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras tem como objetivo criar uma base para executar atividades relacionadas à educação ambiental no ensino formal e não formal. Um dos principais feitos com a chegada do Centro é a reativação do programa CEAL (Centro de Educação ao Ar Livre), executado pela ADEA em parceria com a instituição de psicopedagogia Síntese nos anos de 2006 a 2009, que atendeu mais de 1.300 crianças das escolas públicas de Itapoá. Em uma experiência de três dias e duas noites oferecida a alunos do ensino fundamental, nas instalações do Centro, os estudantes vivenciarão uma imersão na natureza, aprendendo sobre plantas e animais que habitam na área, entre outras descobertas.

Outro projeto que será implantado no espaço é o Viveiro Florestal Educador, uma estrutura que está sendo construída ao lado do Centro. Este programa, com o nome Itapoá Sempre Verde, visa o desenvolvimento de atividades de educação ambiental comunitária em Itapoá e representa uma das ações compensatórias da ampliação do Porto Itapoá. No viveiro, serão produzidas mudas florestais nativas para a recuperação da conservação ambiental e, em seguida, doadas para a comunidade. Neste projeto, o público-alvo serão alunos dos 7º e 8º anos da rede municipal de Itapoá e moradores das comunidades do Pontal, Figueira e Jaguaruna.

Já nas outras atividades,  o público-alvo destas e de outras atividades serão crianças e jovens – com prioridade para alunos de Itapoá e, também, dos municípios de entorno, como Garuva-SC, São Francisco do Sul-SC, Guaratuba-PR e Joinville-SC – que passarão a utilizar este espaço como apoio nas vivências de campo e trabalho pedagógico das escolas públicas e privadas. Segundo Werney Serafini, quanto ao público escolar de Itapoá, serão disponibilizados três eventos por ano (preferencialmente para alunos do sétimo ano) sem despesa com a utilização do Centro e a estimativa é de atendimento anual entre 700 a 800 pessoas. De acordo com Werney, “para oficializar esta contrapartida, o município de Itapoá deverá oferecer apoio em relação à alimentação, transporte e recursos para a remuneração da equipe”.

Já na área de pesquisa científica, o Centro servirá de base para pesquisadores e alunos de universidades, instituições públicas e organizações não governamentais da região. “A proposta é a de disseminar conhecimentos sobre o meio físico e biótico do local e oferecer cursos de capacitação em florestas costeiras”, explica Werney.

A importância do Centro


Para Werney Serafini, o Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras inaugura uma nova fase no município. Ele salienta: “Não é novidade que pesquisadores, estudantes, professores e observadores de aves do mundo todo vêm a Itapoá para explorar o potencial socioambiental do município. Amigos e visitantes afirmaram que um Centro com este conceito e este porte é muito raro no Brasil e na América Latina. Entendido isso, o município de Itapoá tende a ganhar muito”.

De acordo com o arquiteto Carlos Henrique Nóbrega, esta estrutura trará possibilidades infinitas: educação ambiental, turismo ecológico, acantonamentos, eventos, pesquisas, estudos, treinamentos, etc. – que movimentarão o ecoturismo de Itapoá durante o ano todo e beneficiarão toda a região.Segundo o empresário Lúcio Machado, que, junto de sua família, administra a Reserva Volta Velha, além dos inúmeros benefícios para a questão educacional, científica e ecoturismo, o espaço buscará reativar a tradição histórica de pesquisas na Reserva, estimulando convênios com universidades brasileiras e estrangeiras, intensificando a produção acadêmica sobre a fauna e flora da região, promovendo programas de educação ambiental, entre outros. “Desde sua criação, em 1992, a Reserva não é uma unidade de conservação isolada, mas integrada, recebendo grupos e estudiosos do mundo todo. Com a chegada do Centro, acredito que todas estas atividades ambientais, frutos de anos de trabalho, sejam ainda mais organizadas e intensificadas, já que os pesquisadores terão, agora, estruturas voltadas às suas necessidades”, explica. Sobre os programas voltados aos alunos da rede pública do município, Lúcio afirma: “Normalmente, o ensino da educação ambiental é feito de maneira superficial. Já usufruindo deste espaço, as crianças estarão imersas à natureza, aprendendo através de vivências e descobertas. Nosso objetivo é que todos os alunos do município passem pelos programas ambientais oferecidos no Centro, pois acreditamos que as crianças têm um poder gigantesco e que, através delas, serão impactadas as famílias e toda a comunidade”. Para o futuro, a equipe planeja desenvolver outros projetos no Centro, como, por exemplo, estabelecer um dia da semana para que as escolas do município utilizem a estrutura de forma livre e voluntária, seja para aulas, estudos, experiências, reuniões, conselhos, entre outros.

Para Yawaritsawa Trumai Waurá, um dos responsáveis pelo atendimento na Reserva Volta Velha e integrante da equipe técnica da ADEA encarregada pelo projeto, a expectativa é grande: “Espero poder contribuir com a experiência de vida que tive morando em meio à floresta, convivendo e dividindo a vida como ela é no seu ciclo natural. Conhecer do meio ambiente em que vivemos nos ajuda a entender e respeitar todos os seres vivos, cada qual com sua diferença”.

A equipe da ADEA e a instituição gestora da RPPN Fazenda Palmital preveem a conclusão das obras do Centro de Referência em Estudos de Florestas Costeiras para julho deste ano. Entendido a importância deste espaço para o município, os envolvidos convidam toda a população itapoaense para conhecer e se envolver no projeto. Pois, como finaliza Werney: “nós, seres humanos, preservamos e cuidamos daquilo que conhecemos e vivenciamos”.

Saiba mais sobre a ADEA

Fundada em 1974, na cidade de Curitiba-PR, por renomados ambientalistas, cientistas, pesquisadores e professores, a ADEA teve papel preponderante na articulação da sociedade civil e governamental para inúmeros projetos ambientais no estado do Paraná, e serviu de referencial para a constituição de diversas associações ambientalistas em todo o Brasil.
A partir da década de 90, a ADEA passou a coordenar os trabalhos de gerenciamento, fiscalização e organização de pesquisas sobre a Floresta Atlântica das Planícies Costeiras na Reserva Volta Velha, em Itapoá. Em 2005, foi eleita uma nova diretoria e definida uma base territorial para a sua atuação, priorizando a região do bioma da Mata Atlântica compreendida entre a Baía de Guaratuba-PR e a Baía da Babitonga, em Santa Catarina, e seus respectivos entornos.
Além da execução do projeto na RPPN Fazenda Palmital, a ADEA também marca presença em outros projetos ambientais da região, como o Babitonga Ativa, por exemplo, executado pela Universidade da Região de Joinville (Univille) e também contemplado pelo edital de indenização da empresa Norsul, que visa elaborar um plano de governabilidade ecossistêmico e colaborativo para a região da Baía da Babitonga.

Ana Beatriz Machado

Foto aérea: Rubens Vandresen
Imagens matéria: Edson Ferreira da Veiga, Zig Koch.
Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 53 – Junho/2017

 

Rio Saí Mirim: Conservar é preciso

Por sua expressiva biodiversidade e atrativos naturais de
beleza incomum, o Rio Saí Mirim encanta a todos.

Na época, presidente da ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental, o secretário executivo da associação, Werney Serafini, foi um dos idealizadores do projeto mostra fotográfica “Saí Mirim do começo ao fim”. Participou, também, da equipe que realizou o evento “Incursão ao Rio Saí Mirim”, que deu origem a um detalhado relatório sobre os impactos ambientais causados ao rio.
De acordo com esse relatório, os impactos constatados, sobretudo no perímetro urbano, foram: supressão das matas ciliares; fragmentação de habitats fluviais; extração clandestina de palmito Juçara; plantio de essências exóticas (como Eucaliptos e Pinus); lançamento de efluentes (esgotos domésticos in natura), resíduos do manejo de arrozeiras e, principalmente, desmatamento e ocupação ilegal das margens do rio. Constatou, inclusive, adiantado processo de assoreamento em trechos próximos a desembocadura no mar.
Numa comparação, Werney considera o Saí Mirim e sua bacia hidrográfica tão importante quanto são as praias para o município.

“Algumas pessoas não compreendem por que morando em um município litorâneo com tanta praia e mar como Itapoá, insisto sobre o cuidado com o rio e a mata. Costumo responder que Itapoá é especial, pois tem praia, tem rio e tem mata”, diz Werney, “mas, se não cuidarmos, em pouco tempo isso poderá acabar”.

Ele acredita que o Saí Mirim, manancial para o abastecimento d’água de Itapoá, está ficando gradativamente comprometido, notadamente na região de Itapema do Norte, onde existem ocupações irregulares nas margens do rio.
Enquanto morador do município, sua expectativa vai de encontro com uma das propostas da ADEA, em que, as margens do rio, por força de lei municipal são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP’s), em 100 metros, de cada lado, nas áreas não loteadas, e 50 metros nas urbanizadas, devem ser transformadas em Unidade de Conservação fazendo parte de um mosaico abrangendo 50% do território, composto por Áreas de Preservação Ambiental (APA’s), Parques Lineares, Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN’s) e outras modalidades, a começar pelas margens do Saí Mirim.
Para isso, são necessárias políticas ambientais voltadas à conservação e a preservação. “Nos últimos anos, em Itapoá, as políticas ambientais foram direcionadas às questões relativas a licenciamentos ambientais para supressão de vegetação. Os licenciamentos são importantes, mas acredito que devem ser submetidos a uma visão conservacionista e preservacionista”, diz Werney.
Em sua opinião, não basta que alguns moradores tenham consciência sobre a necessidade de proteger o meio ambiente e impedir todas as formas de poluição e agressão ao Rio Saí Mirim, mas que a população como um todo deveria ser sensibilizada. Por fim, Werney parafraseia o dizer do economista Moura Andrade, que considera adequado ao momento atual: “se cada pessoa, individualmente, destruir um infinitésimo (uma árvore, por exemplo), o efeito, aparentemente, parecerá mínimo, mas se coletivamente todos destruírem um infinitésimo, haverá certamente uma tragédia ambiental”.

Ética e educação
ambiental
Em nome da equipe da Assessoria e Planejamento Ambiental & Associados – Asplamb, Jéssica Holz, bióloga e responsável técnica, ressalta que, para preservar o Rio Saí Mirim, é preciso tratar o esgoto doméstico para que não seja lançado in natura no rio, evitar o desmatamento e construções em áreas não edificáveis, realizar o replantio de espécies nativas para evitar o assoreamento, além de prevenir, avaliar e monitorar a mata ciliar associada ao Rio Saí Mirim.
Ela explica que as áreas de matas ciliares e manguezais estão inseridos dentro do conceito de Áreas de Preservação Permanente (APP’s), ou seja, áreas protegidas, cobertas ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas, definidas no Novo Código Florestal (Lei Federal nº 12.651/2012). “Contudo, a lei tem o sentido, também, de proibir construções às margens do referido rio devido às enchentes que podem ocorrer, realizando danos às propriedades”, explica.
Para tal, a empresa Asplamb pode contribuir atuando junto das entidades ambientais municipais na elaboração de projetos de educação ambiental e de projetos técnicos, com o intuito de recuperar e monitorar as áreas de APP do rio.

Por sua expressiva biodiversidade e atrativos naturais de beleza incomum, o Rio Saí Mirim encanta a todos.

Secretaria de Meio Ambiente em ação
Além de ser o manancial que abastece água para a população itapoaense, irriga sua agricultura e apresenta a maior bacia hidrográfica da região, recebendo contribuições de diversas vertentes, Ricardo Haponiuk, secretário do Meio Ambiente de Itapoá, salienta outra notável característica do Rio Saí Mirim: “Ele atravessa longitudinalmente todo o território itapoaense, desde a zona rural até a divisa com o Paraná. Essa mistura de características o torna, por consequência, o curso d’água mais importante para Itapoá” – o que justifica a necessidade da sua preservação.
Entre as maneiras de se proteger os cursos d’água, ele destaca a preservação de seus mananciais, a manutenção das matas ciliares e o combate à poluição. “Legalmente, há uma série de dispositivos nas diversas esferas que protegem os recursos hídricos, boa parte deles focados, essencialmente, na conservação da qualidade d’água, que é crucial para todas as atividades humanas. O novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), por exemplo, instituiu como Áreas de Preservação Permanente (APP’s) espaços de caráter ambiental frágil ou vulnerável, como é o caso das nascentes e das margens dos rios. Nessas situações, a interferência antrópica é regulamentada a fim de preservar as condições naturais da área”, explica Ricardo, “dessa forma, construções e supressão de vegetação nessas regiões são, salvo algumas exceções, vedadas, assim como o lançamento de esgoto ou efluentes não tratados diretamente nos rios”.
Como já mencionado, a manutenção da vegetação que margeia o rio é fundamental para a conservação dos recursos hídricos. O secretário do Meio Ambiente explica que a mata ciliar, como é tecnicamente conhecida, apresenta um conjunto de funções ecológicas que influenciam a qualidade da água, além de desempenhar um papel importante no combate ao assoreamento dos cursos da água. “Vale ressaltar que a reposição dessa mata, quando degradada, deve ser feita com rigor técnico, principalmente no que diz respeito ao tipo de vegetação a ser replantada.
O simples fato de plantar qualquer tipo de árvore na beira dos rios, principalmente espécies exóticas, não garante o papel crucial que a mata ciliar desempenha”, diz.
Por fim, Ricardo, em nome da Secretaria de Meio Ambiente, explica que para colocar em prática qualquer iniciativa quanto ao Rio Saí Mirim, como ações e/ou projetos, é necessário, primeiramente, conhecer o curso d’água, a dinâmica da sua bacia de contribuição e dos seus afluentes.

“Para esse propósito, a Secretaria já está compilando informações e dados já existentes, assim como irá desenvolver estudos complementares para produzir um diagnóstico preliminar do Rio Saí Mirim”, diz o secretário de Meio Ambiente.

Ainda conforme o secretário, a partir dessa análise será possível ter um panorama da realidade do curso d’água: “somente então, vamos partir para a fase de elaboração de projetos tecnicamente mais fidedignos e coerentes com as reais demandas da comunidade itapoaense”.

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Por nos contemplarem com suas informações técnicas e opiniões acerca deste tema, agradecemos também a Antonio Carlos Pereira, extensionista técnico da Epagri, Elimar Althaus Monte Raso, operador da Itapoá Saneamento, Andressa Ritter Vaz, assessora de comunicação da Itapoá Saneamento, Werney Serafini, secretário executivo da Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA), Jéssica Holz,
bióloga e responsável técnica da Assessoria e Planejamento Ambiental & Associados (ASPLAMB), e Ricardo Haponiuk, Secretário do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Itapoá.

Ana Beatriz Machado
Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 51