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Ufologia e a vida fora da Terra

Há vida fora da Terra? Essa é uma das perguntas mais difíceis do mundo e, a cada dia, a ciência encontra novas respostas para tal.
Motivados por essa pergunta, conhecemos a história e os estudos de Luiz Prestes Junior, morador do município de Itapoá (SC), ufólogo e presidente do GPUSC (Grupo de Pesquisa Ufológica de Santa Catarina).

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Luiz nasceu em Curitiba (PR) e morou parte de sua infância na cidade de Morretes, no litoral do Paraná. Quando criança descobriu a paixão pelo universo e sonhava em ser astronauta.
Ainda na infância, seus pais lhe presentearam com um pequeno binóculo. Então, Luiz ficava por horas a olhar o céu através do binóculo. Até que, certa vez, aos 12 anos de idade, avistou um objeto no céu do litoral paranaense: “Era um objeto circular que se assemelhava a um disco voador. Lembro-me que fiquei extasiado com aquilo. Corri contar para meus pais, que não acreditaram muito em mim, mas não mediram esforços para que me aprofundasse cada vez mais no assunto”. A partir daquele dia, a vida de Luiz mudou por completo.

Complexo ALMA - Deserto do Atacama - Chile
O ufólogo Luiz explorando o Complexo ALMA, no Chile.

Primeiras experiências
Com o passar dos dias, Luiz pesquisava mais e mais sobre OVNIs (Objetos Voadores Não-Identificados). Logo aos 13 anos de idade, leu diversos livros científicos, e conheceu uma palavrinha que mudaria a sua vida: ufologia, o estudo de todas as hipóteses, evidências ou registros visuais dos UFOs (sigla de Unknown Flying Objects, que significa Objetos Voadores Desconhecidos).
Ele recorda que ‘devorava’ livros e revistas de ufologia, que seus pais compravam pelos Correios ou na banca de jornal. Mas uma das atividades favoritas do jovem Luiz era trocar correspondências a fim de debater o assunto com escritores e pesquisadores do fenômeno UFO.
Aos 17 anos de idade, enviou uma carta para a NASA, contando sua história, suas dúvidas e teorias acerca da vida fora da Terra. Para sua surpresa e alegria, a organização americana retornou a correspondência, e Luiz recebeu de presente um material da NASA destinado à exploração espacial. Todo o material era escrito em inglês e, especialmente para traduzir o conteúdo, Luiz realizou um cursinho para aprender a língua.
No ano seguinte, já residindo na capital paranaense, passou a participar assiduamente de um grupo de estudos de ufologia por cerca de três anos. Em 1997, época em que os computadores ainda eram pouco acessíveis, Luiz escolheu um computador em vez de um carro – tamanho era seu amor pelas pesquisas no ramo da ufologia. Com anos de expertise, sua paixão pela vida fora da Terra o levou a muitos lugares e fez com que conhecesse muitas pessoas na área. Quando o assunto é OVNIs e seres extraterrestres, Luiz Prestes Junior é a pessoa ideal para passar horas a fio buscando informações, conhecendo dados e pesquisas, e escutando relatos – com os olhos brilhando e muito embasamento e entusiasmo.

Pesquisa de Campo - Itapoá
Luiz durante uma pesquisa de campo no município onde mora, Itapoá (SC).

Currículo
De lá para cá, Luiz presenciou outros avistamentos, dedicou-se incansavelmente à ufologia e criou um portal online para divulgar relatos de avistamentos, contatos e casos de abdução. Até hoje já foram mais de 500 congressos, palestras e cursos na área. Dentre eles, ele comenta a experiência que mais lhe marcou: uma palestra onde teve a oportunidade de trocar conhecimentos com cosmonautas russos.
No ano de 2008, mudou-se para o município de Itapoá, onde ajudou a criar o GPCUI (Grupo de Pesquisa Científica e Ufológica de Itapoá). Depois de investir em equipamentos de astronomia, como telescópio profissional e câmera digital destinada à astrofotografia, viajou para o Deserto do Atacama, no Chile, especialmente por este ser um dos melhores locais do planeta para observar o céu. Ainda, realizou um curso de redação para aprimorar seu trabalho de divulgação de relatos na internet, e especializou-se em pesquisas ufológicas de campo.

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Caderno de Registro de Observações, utilizado
por Luiz em suas primeiras observações do céu.

Em 2012, foi convidado a gerenciar o GPUSC (Grupo de Pesquisa Ufológica de Santa Catarina), um dos grupos mais atuantes em Santa Catarina, com um banco de dados de mais de 800 relatos de avistamentos e casos de abdução a serem estudados. Ele ainda presta consultoria para mídias como Massa News, RICTV e Diário Catarinense.
O grupo de pesquisa local, GPUSC, surgiu há nove anos, estuda todos os fenômenos da região e se reúne uma vez por mês. São pesquisadores de diferentes cidades, cada um com uma função específica. Sendo o atual presidente, Luiz conta que as informações e relatos sobre os fenômenos ocorrem de duas formas: recebem ligações e e-mails e vão atrás de moradores ou frequentadores das regiões citadas.

Pesquisa de Campo - Bom Jardim da Serra
Luiz é ufólogo e especializado em pesquisa de campo. Na imagem, durante uma pesquisa no município de Bom Jardim da Serra (SC).

Mais sobre a ufologia
Não existe universidade alguma que dê diploma válido de pesquisador do fenômeno UFO e ninguém se gradua em Ufologia. Mas Luiz conta que alguém que dedica sua vida à ufologia fará algo mais do que ler livros ou devorar vídeos sobre fenômenos. “O pesquisador do fenômeno UFO encara de maneira autodidata tarefas de investigação, compilação ou estudos relacionados ao assunto sem se importar com o método ou enfoque particular. É aquele que se comunica com outros denominados ufólogos, de forma que passa a integrar uma comunidade que discute temas afins”, explica o ufólogo, também apaixonado por trekking e montanhismo.
Conforme Luiz, a ufologia se divide em dois grupos: ufologia científica e ufologia mística/esotérica. A sua favorita é a ufologia científica, aquela que através da racionalidade e análise física e objetiva de evidências (como fotos, relatos pessoais, filmes e marcas de naves no solo) desenvolve pesquisas com base em metodologias aceitas na área acadêmica. Já a ufologia mística tem como base a espiritualidade e a filosofia para explicar as manifestações dos UFOs, ou seja, essa linha de pesquisa apoia-se na telepatia, psicografia, instituições sensitivas, viagens astrais, etc.

Marcas de suposto local de pouso de um ovni - Garuva
Marcas de um local onde supostamente posou um OVNI (Objeto Voador Não Identificado), em Garuva (SC).

O ufólogo ainda explica a diferença entre avistamentos e abduções. Os casos mais comuns são os avistamentos, quando os relatores observam fenômenos no céu, podendo ser naves circulares, triangulares ou de outros formatos. Já no caso da abdução o indivíduo é raptado de forma ofensiva, levado para dentro da nave contra a sua vontade e muitas vezes realizado diversos tipos de experiências. Apesar de haver dezenas de registros de contatos não traumáticos para com o abduzido, a maioria só pode ter suas histórias contadas com uso de hipnose regressiva, técnica médica que resgata informações no inconsciente das pessoas.
Com base em todos os seus anos de estudos e pesquisas, o ufólogo conta que a discussão sobre a Terra ser o único local com vida conhecida no universo ficou em segundo plano. “Hoje, a principal questão é quando os seres extraterrestres farão o primeiro contato oficial com a humanidade”, conta Luiz, um apaixonado pela vida além da Terra.

Entrevista para History Channel
Em Itapoá, Luiz concedendo entrevista para a série De Carona com os OVNIs, do History Chanel.

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Mais registros de avistamentos enviados por testemunhas. À esquerda, em Joinville (SC),
e à direita, em Itapoá (SC). (Créditos: Arquivo GPUSC)

Confira o site do Grupo de Pesquisa Ufológica de Santa Catarina: http://www.gpusc.com ou escreva para contato@gpusc.com

Laurita da Silva, uma empreendedora de sucesso

Como sugere o significado de seu nome (“loureiro símbolo de honra e vitória”), a trajetória de Laurita da Silva (63) também é marcada por vitória.
Depois de passar por dificuldades, deu a volta por cima e abriu seu próprio negócio. Hoje, a Laurita Center Mega Store possui nove unidades pelos
estados do Paraná e Santa Catarina e, acompanhada dos filhos, Laurita tornou-se
referência enquanto mulher empreendedora.

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Laurita da Silva é criadora da rede de lojas Laurita Center Mega Store, espalhadas pelos estados do Paraná e parte de Santa Catarina.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Nascida em Campo Mourão (PR), passou a residir na capital paranaense em 1983, já casada e mãe de quatro meninos. Nos fundos de seu quintal mantinha uma pequena empresa de confecção de roupas para academias e lojas de shopping. No ano de 1990, ela divorciou-se – um ato de coragem para a época. “Quando isso aconteceu, fiquei com os quatro filhos e uma maquininha de costura que não tinha sequer motor. Depois de quitar um consórcio, optei por comprar uma máquina de costura overloque ao invés de uma motocicleta, para poder continuar trabalhando”, recorda. Já em 1991, seu filho mais velho foi diagnosticado com leucemia e, depois de contrair meningite, veio a falecer no ano seguinte.
“Foi uma fase sofrida, pois em um curto período de tempo me divorciei, perdi um filho e, com a chegada do plano real, a demanda na confecção diminuiu consideravelmente”, conta. Em busca de novas oportunidades, mudou-se com os três filhos para Matinhos (PR), onde moravam alguns familiares, com a pretensão de praticar o que aprendeu em um curso de confeitaria.

Novos ares
Chegando ao litoral, junto do filho mais novo, iniciou uma pequena fábrica de gesso, que não deu certo. Ainda assim, não desistiu: “Desejava abrir uma loja de ‘tudo um pouco’, pois a cidade necessitava de produtos variados, mas não tinha capital inicial para tal.
Então, um de meus filhos contou desse meu sonho para um distribuidor. Felizmente, ele fez uma proposta muito boa: forneceu a mercadoria para eu quitá-la conforme as vendas”, recorda.
Assim, em 1998, com uma pequena quantidade de mercadoria consignada, nasceu a primeira loja Laurita Center Mega Store – um ponto comercial de 30 m², que vendia artigos de 1,99 e peças de gesso

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A primeira loja inaugurada por Laurita,
em Matinhos, no ano de 1998.

Família
De lá para cá, Laurita realizou o sonho da casa própria e o negócio cresceu com a ajuda dos filhos – Gabriel Fernando, Alexandre Cristiano e Paulo Henrique – que, nas palavras da mãe, “tomaram gosto pela coisa”.
Com o casamento dos rapazes, cada um deles passou a ser dono de uma filial em determinada região.
Além dos filhos, a matriarca da família também vem expandindo as lojas que estão sob sua responsabilidade. Atualmente, são nove unidades da Laurita Center Mega Store espalhadas pela região do litoral paranaense, como Matinhos, Guaratuba, Pontal do Paraná e Paranaguá, além de duas lojas no município litorâneo de Itapoá, norte de Santa Catarina.
Muito bem abastecidas com “um pouco de tudo”, o conceito da rede de lojas é que o cliente possa sair delas com tudo o que precisa, desde itens infantis até artigos para cama, mesa e banho.
Para ampliar o mix de produtos e buscar o que há de novidade no mercado, a família da Silva visita feiras e realiza diversos cursos no Sebrae.
Contudo, creditam boa parte do sucesso da rede de lojas aos mais de 300 fornecedores, cerca de 160 funcionários – muitos deles, presentes desde o início dessa trajetória – e inúmeros clientes.

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Hoje, a família aumentou e também faz parte dos negócios.
Laurita e seus netos e ao lado de um casal de amigos e seus filhos e noras.

Triunfo
As conquistas não param por aí: depois de ganhar elevador de acesso para pessoas da terceira idade, uma das lojas Laurita Center Mega Store de Itapoá será ampliada em breve.
Hoje, Laurita se declara satisfeita com os frutos de seu trabalho e apaixonada pelo que faz: “Adoro escolher as mercadorias, fazer as compras, expor os produtos, decorar as lojas, atender os clientes e gerenciar a equipe. Acredito que o visual e até mesmo o cheiro da loja são essenciais para que os clientes sintam-se bem dentro dela”.
Além de trabalhar, a empresária gosta de curtir os filhos e netos, praticar exercícios físicos e viajar – inclusive, nos roteiros dentro e fora do Brasil encontra inspiração, como, por exemplo, para as vitrinas ou iluminação das lojas.
Em setembro deste ano, a Laurita Center Mega Store completa 20 anos de muito suor e trabalho. “Creio intensamente no poder de Deus e, antes de qualquer passo, oro e peço a Ele. Sempre fui uma mulher de palavra e de honrar meus compromissos”, conta Laurita, uma referência enquanto empreendedora, mãe e mulher.

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Laurita e o gerente da loja na Avenida Celso Ramos em Itapoá, Ronaldo Camargo.

Mestre Piazetta: entre caixas, pratos, surdos e bumbos

Se os instrumentos do título acima recebessem um nome, este seria Luiz Antonio Piazzetta ou, simplesmente, Piazzetta.
Conhecido no município de Itapoá (SC) por fundar e reger a Fanfarra Municipal, o Mestre detém um currículo extenso, que passa por escolas de samba, bandas, orquestra, artistas renomados, entre outros projetos, que fazem dele um verdadeiro amante da música.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Luiz Antonio Piazetta com sua esposa Mirlete Muller Piazzetta.

Nascido em 14 de novembro de 1938, na cidade de Curitiba (PR), Piazzetta não conheceu o avô, pianista, mas acredita que herdou dele o gosto por música. Sua carreira musical iniciou aos 9 anos, tocando caixa em escolas de samba de Curitiba. Ele recorda um episódio que marcou sua infância: “Meu tio, José Santiago de Oliveira, era diretor da Caprichosos de Pilares, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, fui ao Rio com meus pais e tive o prazer de tocar repinique no ensaio da escola de samba. Meu tio desejou que eu morasse por lá, para estudar música, mas eu era filho único, muito apegado à mãe, e não quis”. Com 14 anos de idade, o jovem Luiz Antonio começou a tocar bateria e, até mesmo, tocou em boates, acompanhando o cantor Miltinho, autor do sucesso “Palhaçada”, de 1961.
Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército. Em seguida, se casou com Mirlete Muller Piazzetta: “com uma mulher bonita como aquela, foi impossível não me apaixonar”. Logo, aos 21 anos de idade, entrou para a Polícia Militar do Paraná (PMPR) e, inevitavelmente, para a Banda de Música da PMPR, onde tocou tímpano, caixa clara e prato bongo, e dedicou boa parte de sua trajetória. Nesse período, estudou música na Academia de Belas Artes, para se formar como Cabo Músico.

O apaixonado por música destaca suas principais contribuições durante os 30 anos à frente da Banda de Música da PMPR: “participei da gravação de oito discos; vencemos o concurso nacional de bandas, em 1964; tocamos ao lado do rei Roberto Carlos, na época da Jovem Guarda e, por fim, atuei como Sargenteante da banda”. Concluindo uma trajetória de muitas histórias e melodias, aos 50 anos de idade, Piazzetta se aposentou como Sargento da Polícia Militar do Paraná. Segundo Mirtes: “ele (Piazzetta) sempre foi muito trabalhador e, mesmo depois de aposentado, continuou se envolvendo com projetos musicais”.

Ainda em Curitiba, iniciou mais de 50 fanfarras escolares e atuou como professor de percussão musical na Escolinha de Arte do Colégio Estadual do Paraná. Posteriormente, trabalhou como empresário musical nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, gerenciando o início da carreira de grandes nomes do cenário musical, como a dupla Gyan & Giovani, Martinho da Vila, Gretchen e o falecido Cauby Peixoto.
Contudo, acredita que seu maior legado à capital paranaense foi enquanto maestro e fundador de uma orquestra, a Status Band Musical Show: “Nós tocávamos em bailes, boates, eventos militares, festas particulares e nos clubes mais renomados do país. Para dimensionar a qualidade de meus músicos, gosto de citar Dironil (hoje, já falecido) que, mais tarde, se tornou saxofonista do rei Roberto. Infelizmente, os melhores integrantes vieram a falecer o projeto foi interrompido. Mas a orquestra sempre foi e sempre será, para mim, sinônimo de muito orgulho”.

Trajetória em Itapoá

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Centenas de alunos da rede municipal fizeram parte da história da
Fanfarra Municipal de Itapoá, sob regência do Mestre Piazzetta.

Por conta da Associação de Subtenentes e Sargentos da PMPR, localizada na região do Pontal, Piazzetta já frequentava as praias itapoaenses desde 1959. Mas foi em meados dos anos 2000 que encontrou a oportunidade ideal para residir no município litorâneo junto à família.
Em um primeiro momento, ministrou aulas de dança na Associação dos Idosos Maria Izabel. Já em 2001, foi convidado para criar a famosa Fanfarra Municipal de Itapoá. “Naquele tempo, Ervino Sperandio e Márcia Regina Eggert Soares (prefeito e secretária de educação da época), a quem agradeço até hoje, souberam que eu tocava em uma igreja e desejaram conhecer minha trajetória musical. No início da fanfarra, foram comprados alguns instrumentos musicais, outros foram doados de Curitiba”, recorda o Mestre.

 

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Alunos das Escolas João Monteiro Cabral e Alberto Speck juntamente com um grupo de alunos
participantes da Fanfara, prestaram homenagem em 2016 ao mestre, em sua residência.

Sob sua regência, a fanfarra fez a alegria de centenas de alunos da rede municipal, ensinando cerca de 40 instrumentos e trabalhando ritmos, como samba, olodum, timbalada e anos 60. Saudoso, lembra: “A Fanfarra Municipal de Itapoá foi muito aplaudida na cidade de Itapema (SC) e ficou entre as 33 melhores no V Festival Nacional de Verão de Bandas e Fanfarras”. Anos mais tarde, a banda passou a integrar uma das disciplinas do extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE). Ao todo, foram 15 anos de grandes feitos pela Fanfarra Municipal de Itapoá.
Também no município, Piazzetta organizou Carnavais de Rua, fundou o Bloco das Baianas (do Clube Céu Azul da Terceira Idade, do Pontal) e foi campeão como Mestre do Bloco do Brasão por dois anos consecutivos.

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Um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova
versão do Hino de Itapoá, com banda e coral.

Mas um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova versão do Hino de Itapoá, com banda e coral: “Foi um projeto trabalhoso, mas o resultado me rendeu muitas alegrias. Quando assisti à apresentação do hino, com a banda do 62º Batalhão de Infantaria do Exército, em Joinville (SC), não contive a emoção”. Segundo o Mestre, esse é um legado que pretende deixar para todos os seus familiares e munícipes. Porém, Piazzetta lamenta: “muitos lugares ainda não se atualizaram e apresentam a antiga versão do Hino de Itapoá como oficial”.

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Piazetta recebeu medalha de honra ao mérito pelos serviços prestados à comunidade no ano de 2015. (Foto arquivo)

O sonho continua
Há 61 anos casado com Mirlete, é pai de quatro filhos: Ogimar Natal Piazzetta, Margareth de Fátima Piazzetta Antunes, Sirlete do Rocio Piazzetta e Paulo Roberto Piazzetta – este último, segue seus passos, está estudando para cursar Música e se tornar Mestre. De geração em geração, os netos e bisnetos também têm afinidade com os ritmos e as notas musicais.
Recentemente, nas festividades de Natal de 2017, Piazzetta e o filho Paulo reviveram a Fanfarra Municipal de Itapoá por alguns meses, o que rendeu, inclusive, uma homenagem da banda do 62º Batalhão de Infantaria. “Foi uma alegria viver isso novamente. Desde que a fanfarra acabou, tive depressão e adoeci. Se Deus quiser, esse projeto voltará à ativa e terei a honra de retomá-lo, dessa vez, na companhia de meu filho Paulo”, fala. Além da fanfarra, Piazzetta também sonha em fundar uma Banda Marcial de Itapoá, apenas com metais.
Aos 79 anos de idade e dono de um extenso currículo no meio musical, depois de algum tempo de conversa, tentamos questionar Piazzetta sobre sua vida pessoal, algo que não fosse relacionado à música, mas não teve jeito. Como ele mesmo diz: “A música é minha verdadeira paixão. Eu vivo a percussão musical”.

Laci Joana de Mendonça: das dificuldades ao empreendedorismo de sucesso

No “Quem É?” desta edição, contamos a história de uma mulher que, há anos, decidiu tentar a vida em Itapoá e, hoje, é proprietária de uma das empresas de materiais de construção que mais cresce no município. Estamos falando de Laci Joana de Mendonça, proprietária do Mendonça Materiais de Construção, e do seu amor por empreender em família.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Com esforço, Laci Joana de Mendonça enfrentou as dificuldades e hoje é proprietária de uma das lojas de materiais de construção que mais cresce no município.

Natural do interior de Barra Velha-SC, Laci veio de uma família grande e simples. “Nós éramos quatorze irmãos e nossos pais eram pessoas humildes e batalhadoras”, fala. Tempos depois, em 1979, formou-se em Pedagogia e casou-se com Osmar de Mendonça. O casal residiu durante um tempo em Joinville-SC, onde trabalhava no setor administrativo de uma grande empresa, que estava com sérios problemas financeiros. Demitidos por corte de custos e preocupados com o futuro, pois Laci estava grávida de seu segundo filho, resolveram morar em Guaratuba-PR, onde abriram a empresa Mendonça Artefatos de Cimento Ltda.

Sem o mínimo de conhecimento na área, sem funcionários especializados para auxiliar na produção, com dois filhos pequenos e muitas dificuldades financeiras, tiveram que batalhar por dez anos para aprender e conquistar o mercado. Além disso, fizeram muitos amigos e, em 1988, nasceu o terceiro filho do casal.

Em 1993, com o intuito de realizar o sonho antigo de construir uma empresa no ramo de materiais de construção e criar os três filhos em um município menor e mais tranquilo, o casal optou por investir e morar na recém-emancipada Itapoá – município que já frequentavam desde 1984.

“Quando chegamos a Itapoá, abrimos uma pequena loja de artigos de praia, na Barra do Saí. Mas, as pessoas iam à nossa loja procurar por materiais de construção e, por isso, fomos direcionando nosso negócio para este segmento”, recorda Laci. Aos poucos, depois de muito trabalho em família, a pequena loja de artigos de praia tornou-se a primeira loja do Mendonça Materiais de Construção. Caminhando de acordo com a demanda do município dentro de um mercado próspero, a família abriu uma filial na Avenida André Rodrigues de Freitas, no bairro Itapema do Norte, depois, outra filial na Avenida Brasil, no bairro Itapoá e, por fim, uma quarta filial também na Avenida Brasil, próxima ao balneário Bamerindus. Em 2013, o Grupo Mendonça também criou uma usina de concreto, localizada na estrada José Alves, no bairro Itapoá.

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Laci com os filhos André, Thiago e Osmar Júnior e o esposo Osmar de Mendonça.

Formada em Pedagogia, Laci realizou alguns cursos e, recentemente, formou-se em Gestão de Varejo. Seus filhos também fizeram carreira na área de administração e, hoje, seguem os passos dos pais nos negócios da família, cada qual com sua função. “É um trabalho árduo e cansativo, mas amo o que faço”, fala Laci, que tem a pretensão de, um dia, se desligar das empresas e deixa-las para os filhos.

Além do trabalho, ela também é apaixonada por viagens. “Adoro conhecer outros lugares e culturas. Mas, apesar de já ter viajado para diversos países e vivenciado culturas tão opostas à nossa, acredito que morar em Itapoá foi a melhor decisão de minha vida”, fala. Porém, mais que trabalho, viagens ou Itapoá, sua verdadeira paixão é a família: “seja no trabalho ou em um almoço de domingo, adoro estar na companhia do meu marido, filhos, noras e netos”.

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Família reunida, uma das principais alegrias de Laci.

Em outubro deste ano, Laci completará 63 anos e afirma não ter problema algum com a idade. Ela também se diz satisfeita com tudo que construiu e conquistou. Para ela, o sucesso do Mendonça Materiais de Construção se deve à honestidade, à cumplicidade e à vontade de batalhar junto de toda a família e de seus funcionários. Em seus planos futuros, estão alguns sonhos, como conhecer a Grécia e viver por muitos anos para acompanhar o crescimento dos netos. Por fim, Laci conclui: “já batalhei e passei por muitas dificuldades nessa vida e, hoje, vejo que tudo valeu a pena, pois sou uma pessoa feliz e realizada com a profissão que escolhi, com a família que tenho, com as pessoas que me cercam e com o lugar onde moro”.

Conheça Zeca e Zia, os irmãos gêmeos mais populares de Itapoá

Quem mora em Itapoá-SC ou até mesmo frequenta suas praias durante as férias, já deve ter cruzado com estas duas figuras marcantes pelas ruas de Itapema do Norte: eles são Zeca e Zia, uns dos primeiros irmãos gêmeos nascidos no município. Muito populares e queridos entre os itapoaenses, além da própria aparência, os irmãos têm em comum a simpatia, o amor por Itapoá e, é claro, boas histórias para contar.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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À esquerda, José Bento Alves de Souza, o Zeca ou Zequinha,
já à direta, seu irmão gêmeo Josias Bento Alves de Souza, o Zia.

Essa história começa através dos falecidos Bento Alves de Souza, que veio da Bahia, e Ambrosina da Silva, que veio do Vale de Itapocu, em Santa Catarina. Juntos, eles tiveram onze filhos – quase todos batizados com nomes bíblicos –, entre eles, estão os gêmeos José Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zeca ou Zequinha, e Josias Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zia, nascidos dentro de casa, com a ajuda de uma parteira, em Itapoá, no ano de 1966.

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Baseado nos relatos de sua mãe Ambrosina, Zeca e Zia contam que nasceram com míngua (uma doença que afeta o desenvolvimento do bebê) e que a parteira lhes segurava com uma mão, enquanto lhes dava banho com a outra mão. Para curar os filhos, seu pai Bento fez a seguinte simpatia: entrou no mar e buscou água de sete ondas de um navio para banhá-los. Quando bebês, os gêmeos foram batizados na igreja católica, mas, quando cresceram, foram batizados novamente na igreja adventista, no Rio Mendanha, em Itapoá. Criados no município litorâneo, Zequinha e Zia sempre moraram próximo à praia, no bairro Itapema do Norte e, antigamente, para se comunicarem um com o outro da Primeira à Terceira Pedra, eles criaram seu próprio assovio.
Desde seu nascimento, a ligação dos gêmeos vai muito além da aparência. Eles contam que, por diversas vezes, sentiram as dores e alegrias um do outro à distância, tiveram os mesmos pensamentos e sonhos e, até mesmo, adoeceram na mesma época. Eles também relatam que dona Ambrosina tinha o costume de vestir os gêmeos com roupas iguais: “não porque era moda, como é nos dias atuais, mas, sim, porque usávamos as roupas com o tecido que tinha”, conta Zequinha.

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Por conta da semelhança física, Zequinha e Zia já foram confundidos por amigos, professores e, inclusive, pelos próprios pais. “Quando eu aprontava e notava que meus pais estavam me procurando, para me safar, dizia a eles que eu era o Zeca e, então, era ele (o Zeca) quem acabava apanhando”, recorda Zia, que se intitula como o mais peralta dos gêmeos. Até hoje, quando é confundido com o irmão, Zia fala que não desmente no momento, e que os irmãos se divertem com a situação: “já peguei carona de Itapoá até outra cidade e, somente quando cheguei ao destino final, contei que sou, na verdade, o Zia, e não o Zeca”.
Desde os tempos da infância a maior diversão dos irmãos é a praia: “éramos uns dos primeiros a chegar à praia, pela manhã, e uns dos últimos a deixa-la, quando já era noite”. Nas areias, suas individualidades começaram a se destacar nos esportes: Zia criou gosto pelo futebol, enquanto Zequinha se apaixonou pelo vôlei. Eles contam que aprenderam a pescar com seu pai, mas que não criaram muito gosto pela atividade. Anos depois, a escolha pelas profissões e estilos de vida também diferenciou os dois irmãos.
Em Itapoá, Zia trabalhou com construção e, principalmente, como garçom dos principais restaurantes e hotéis do município. “Sempre gostei de viajar e conhecer novos lugares, o que me motivou a deixar o município para tentar a vida em Curitiba-PR e no Rio de Janeiro-RJ, por alguns anos”, conta. Ele também lembra que, ao longo de sua vida, chegou a ser internado por problemas relacionados ao alcoolismo: “mas, felizmente, encontrei fé e cura na religião umbandista”, fala Zia, que, hoje, trabalha como vendedor no tradicional Mercado do Peixe de Itapoá e é pai de um menino de nove anos de idade, também morador do município.
Já Zequinha, autor dos típicos cumprimentos “oi, querida” e “fala, garoto”, conta que morou apenas cinco meses de sua vida fora do município litorâneo, em Curitiba, mas não se adaptou ao frio da capital paranaense. Assim como seu irmão, ele também trabalhou como garçom em Itapoá, além de atuar durante anos como zelador da Escola Estadual Nereu Ramos, como professor de Educação Física em diversas escolas do município e no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar, além de ter obtido o certificado técnico e básico de massoterapia e trabalhar como massoterapeuta.
No entanto, a fama de Zequinha se deve, principalmente, por, em 1991, começar a treinar seus colegas de classe no voleibol e, mais tarde, de 2002 a 2004, criar a primeira escolinha de treinamento de voleibol na rede escolar municipal e estadual de Itapoá, além de, gentilmente, montar suas próprias redes na praia para a diversão dos turistas – o que lhe rendeu o apelido de Zequinha do Vôlei. Para ele, o esporte é sinônimo de disciplina, responsabilidade, respeito e a melhor opção para a saúde e prevenção às drogas e, por isso, merece atenção: “existem grandes talentos no município, nas mais diversas modalidades; o que falta é incentivo”, diz Zequinha, que, em 2016 chegou a se candidatar a vereador nas eleições municipais, realizou o sonho de concluir a faculdade de educação física e que, recentemente, recebeu o diploma de massoterapeuta. “Por tudo aquilo que conquistei, agradeço imensamente ao ex-prefeito Ervino Sperandio, aos professores do curso de Educação Física da Univille, e aos meus amigos Rafaela, Sérgio Cavalo, Júlio César Abreu e Manassés Nogueira”, fala Zequinha.
Recentemente, no dia 15 de junho, os gêmeos completaram 51 anos de idade, mas, até hoje, são confundidos um com o outro. Atualmente, Zequinha e Zia residem juntos, em Itapema do Norte, mas têm rotinas e horários diferentes: enquanto o primeiro tem a massagem como fonte de renda e divide o tempo livre com o voleibol, o segundo trabalha durante o dia no Mercado do Peixe e passa as horas vagas curtindo seu filho e se dedicando à religião. Mesmo trabalhando em diferentes lugares, Zequinha e Zia garantem que conhecem quase todas as pessoas por onde andam, cada qual com sua fiel companheira, a bicicleta. E, assim, os gêmeos desejam continuar escrevendo a sua história, cercado de amigos, boas lembranças e no lugar que mais amam: Itapoá.