Itapoá nas palavras da história

     Augusta Gern

          Vitorino Luiz Paese escreveu o maior registro histórico da cidade, o livro “Memórias históricas de Itapoá e Garuva”. Antes com uma memória gravada em pequenos relatos ou nas boas e interessantes conversas dos antigos moradores que aqui escolheram viver, o livro trouxe um documento de registros. Com uma história que começa junto aos índios carijós, a obra apresenta pontos que impulsionaram o crescimento e desenvolvimento da cidade.

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22042014-1957 - primeira placa de itapoá - ambrósio paese
1957 – Primeira placa de Itapoá.
Ambrósio Paese com um amigo.
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1958 – 1ª pedra – vila dos pescadores
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1958 – Dórico Paese em seu escritório em Joinville.

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Veículo suporte base para a construção da estrada.

22042014-acampamento suporte da estrada - 1957
1957 – Acampamento suporte da estrada.

 

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Refeição ao ar livre.
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Famoso táxi, Pontal – Itapoá.
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1958 – Pioneiros de Itapoá
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Primeira hospedaria de Itapoá.
22042014-1959 - planta do primeiro loteamento registrado de itapoa - planta b1 - baln itapoa
1959 – Planta do primeiro loteamento
registrado de Itapoá – planta b1 – Baln Itapoá.
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Inauguração da estrada Itapoá – Barra do Saí.
22042014-primeiro hotel de itapoa - proximidades do corpo de bombeiros
Primeiro Hotel de Itapoá,
próximo ao Corpo de Bombeiros.
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1963 – Arrastão em Itapoá.

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Imagens Vitorino Paese

           De forma cativante, através das páginas Vitorino conta a história dos municípios de Itapoá e Garuva, enfatizando principalmente “a primeira comunicação regular de Itapoá com o mundo”, a abertura da estrada Serrinha e toda a sua importância. A conclusão dessa primeira estrada também é apresentada por imagens em um documentário inédito em DVD, gravado em 1958.

            Para Vitorino, professor, economista e historiador, tudo começou com a sua proximidade com os acontecimentos. Seu irmão Dórico Paese fez parte da Sociedade Imobiliária Agrícola e Pastoril Ltda – S.I.A.P, conforme o livro a responsável pela abertura da estrada e o “despertar de Itapoá”. “Eles descobriram que Itapoá tinha todos os ingredientes para se tornar um grande balneário”, conta Vitorino.

            Sempre interessado nos fatos, o autor esteve na cidade pela primeira vez em 1955, aos oito anos de idade. Talvez por curiosidade de criança, aliada ao seu gosto pela história e pesquisa, começou a guardar e registrar todos os fatos, como panfletos e documentos. “Estava sempre atento com tudo que acontecia e admirava a coragem deles em abrir a estrada em uma cidade ainda carente de qualquer infraestrutura”, lembra.

            Segundo ele, este “gosto por loucura” para abrir a estrada só pode estar no sangue da família. Seu farol de bons exemplos, o Nôno Giácomo, também citado no livro, era detentor de conhecimentos sobre engenharia de estradas e foi chamado pelo governo gaúcho para opinar sobre a abertura de uma via. “Impressionado com a formação técnica, o mandatário aproveitou-o de imediato, incubindo-o da abertura de um dos trechos. Muito dinâmico e motivado pela distinção recebida, rapidamente arregimentou o pessoal e concluiu em tempo recorde a etapa a ele destinada”, cita na página 51 do livro. Conforme Vitorino, muitas foram as dificuldades enfrentadas pelo Nôno, mas que não desistiu.

            A mesma persistência ele conta que o irmão e seus sócios tiveram em Itapoá. Em 1957 houve o maior volume pluviométrico registrado, e as fortes chuvas atrasaram o cronograma das obras da estrada, causando problemas orçamentários e outros imprevistos. “Mas entre as duas opções que tinham, continuar e ver a estrada pronta ou parar e deixar todos os investimentos para trás, decidiram seguir em frente”, conta Vitorino.

            Conforme o historiador, momentos como esse lembram as pessoas que aqui moravam de forma heroicamente e que mostraram um desprendimento que emociona, ajudando efetivamente na abertura da estrada. Assim, o livro detalha o ano de 1958, quando Itapoá saiu do anonimato: “… Com grande alegria, os pescadores, agricultores e demais habitantes dessas localidades viam chegar à porta de suas casas o primeiro veículo e com ele a certeza de que estavam definitivamente interligados, regularmente, aos demais pontos do país. Houve muita festa, pois o grande sonho, de tanto acalentado e quase desacreditado, finalmente… graças a Deus, estava concretizado”, trecho da página 65.

            Assim, com muitos documentos em mãos e uma memória invejável, Vitorino seguiu por muitos anos colecionando tudo como algo precioso, mas não pensava em escrever um livro. O impurrão final foi quando o amigo Padre Tarcísio de Garuva o entregou um envelope com novos documentos. “Sempre o visitava e naquele dia ele estava com problemas de saúde. Me entregou um envelope e assim segui viagem, sem abri-lo. Até que me dei conta que aquilo era um presente e que deveria ver”, recorda. No envelope havia documentos sobre as duas experiências francesas na região, também citadas no livro.

            Com todos os momentos registrados, o professor se deu conta de que precisava partilhar esta história, que não era justo guardá-la apenas na memória e em documentos engavetados, e então resolveu escrevê-la. Para garantir a veracidade dos fatos, Vitorino foi até a Câmara de São Francisco do Sul, cidade mãe de Garuva e Itapoá, e buscou as atas de criação dos distritos e depois municípios. Também fez um “pente-fino” com as notícias publicadas na época e conversou com pessoas que aqui moravam. Depois de tudo comprovado, juntou o material com o inédito documentário de 1958, que guardou em rolo, transformou em fita e depois em DVD.

            Para ele, sua convivência com os fatos facilitou muito o trabalho. Uma lembrança interessante é ter conhecido pessoalmente Tereza Rosa do Nascimento, senhora que viveu a abolição da escravatura e o presentou com uma caneca gigante usada no café matinal dos escravos.

De todos os registros, a maior dificuldade foi conseguir o significado do nome Itapoá. Como os índios carijós foram os primeiros habitantes da região, além da pesquisa em livros e dicionários, foi através de reuniões com paraguaios que falam guarani que chegou ao significado: “a pedra que ressurge”. Conforme ele, os índios costumavam dar o nome do local fundamentados no acidente geográfico ou ponto notável que mais chamasse a sua atenção e não dissociavam o místico do real. Assim, impressionados com a pedra que desaparece com a preamar e reaparece com a baixa-mar, surgiu o nome Itapoá.

            E entre memória, pesquisa e dificuldades, nasceu um trabalho de 25 anos. “Nunca houve preocupação em terminá-lo na outra semana”, afirma Vitorino. Assim, em 2012 o livro foi lançado para autoridades dos dois municípios contemplados. De acordo com o autor, o momento de lançamento também foi muito propício, pois a obra não tem nenhum vínculo político (nenhum dos prefeitos da época concorreram à reeleição). Ele ressalta o agradecimento a todos que acreditaram no seu trabalho e o apoiaram no momento do lançamento.

            Hoje o livro está presente em muitas residências de Itapoá, Garuva e tantas outras cidades, pela distribuição gratuita. Também está em bibliotecas públicas e logo será lançada a segunda edição. Com o término desse trabalho, Vitorino incentiva a publicação de mais registros históricos, mas ressalta o cuidado com datas equivocadas.

            O livro “Memórias Históricas de Itapoá e Garuva” apresenta então uma das grandes paixões de Vitorino: o município que reserva grandes momentos históricos, belas paisagens naturais e um desenvolvimento promissor. Para ele, Itapoá tem muitas pessoas e energias boas: “A história conta que os carijós sempre foram muito carismáticos e um povo de palavra, devem ter deixado suas vibrações positivas por aqui”, arrisca Vitorino.

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Viagem de navio: Viagem dos Sonhos

Sônia Charlotte Heeren

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Quando se fala em viagens para o exterior logo pensamos em translados, hotéis, trens, aluguel de carro.
No entanto, existe uma forma de viajar,que nos apresenta beleza, shows, excelente cardápio e local para pernoitar durante nossos passeios em terra firme, que é viajar de navio e, o melhor de tudo…é acessível ao nosso bolso!! Saindo de navio, de Veneza, a caminho da Croácia e Ilhas Gregas pode-se afirmar, é algo inusitado, tanto pela paisagem como pelo lado histórico, em que contempla-se Veneza do navio dando-nos a impressão de que estamos vivendo há muitos séculos atrás e que a história e o romantismo de Veneza permanecem intactos!

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Os navios, geralmente, partem de Veneza à tarde ao som de músicas o que deixa os passageiros maravilhados e com a impressão de que estão vivenciando um sonho.
Realmente, um sonho de viagem! E a viagem continua por onze dias, sem preocupar-se onde tomar o café da manhã, onde almoçar, onde lanchar e onde jantar. Jantares saborosos e cardápio variado é o que curtimos nesse tipo de viagem.
Ainda em Veneza, avista-se os canais cortados por pontes em arco, gôndolas deslizando em silêncio pelas águas e palácios medievais formando um conjunto sem igual. A Piazza de San Marco, coração e alma de Veneza admiradas do navio é um momento tão emocionante que chega a arrepiar. Percebe-se do navio quão maravilhosa é a Campanile de San Marco,que aparece em destaque por ser a torre mais alta de Veneza e que foi construída para servir de orientação às embarcações que se aproximavam da cidade e é nesse momento, em particular, que parecemos vivenciar a Idade Média!!
Num determinado momento aprecia-se o Grande Canal que corresponde a uma avenida cheia de água,em que três pontes cruzam o canal: a Ponte Degli Scalzi, a Ponte di Rialto e a Ponte de l’Accademia. Às margens do Grande Canal avista-se uma infinidade de palacetes dos séculos 17 e 18, que contam com seus detalhes toda sua história de luxos e extravagância. Interessante também são as hastes que contornam Veneza, como que emoldurando o local. Hastes verticais que servem com atracadouros das gôndolas e outras embarcações, como o “Vaporetto” (ônibus de Veneza), únicos meios de transporte na cidade.

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Outro ponto turístico visto do navio é o Palácio dos Doges e a Ponte dos Suspiros, embora seu nome tenha conotação adocicada e romântica,não há nada de romântico, mas sim de tristeza, pois os prisioneiros que eram levados do Palácio a prisão passavam pela ponte, olhavam com tristeza dando o último suspiro.
Do navio vê-se Murano, onde existem muitas fábricas de cristais com artesãos na entrada das fabriquetas e a praia dos ricos,de Veneza,a praia de Lido! Portanto, Veneza é inesquecível e uma visita não é suficiente. Garanto, uma delas deveria ser de navio!

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Na próxima darei continuidade a essa esplêndida viagem de navio, tendo o Mar Adriático, que é uma parte do Mar Mediterrâneo, como pano de fundo!

Tia Cida e um rancho preenchido de alegria

Para os que gostam de dançar juntinho e arrastar o pé, como é popularmente conhecido o bailão, o Rancho da Tia Cida é um dos locais mais visitados. Com a brisa do mar refrescando a porta de entrada, todos os sábados à noite a música é garantida. O espaço aconchegante e familiar é um dos mais tradicionais da cidade: há mais de 20 anos promove muita dança e alegria em seus bailes.

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Maria Aparecida Alves Fernandes, a querida Tia Cida, como é muito mais conhecida

Augusta Gern

Mas a história vai muito além: Maria Aparecida Alves Fernandes, a querida Tia Cida, como é muito mais conhecida, chegou a Itapoá há 36 anos e o objetivo não era promover boas festas, mas sim muita comida boa. “Vim para Itapoá quando tive uns dias de férias, pois ainda não conhecia o mar. Chegando aqui vi como a cidade tinha futuro e resolvi arriscar. Queria mostrar para Itapoá como trabalho, queria ter a oportunidade de ficar por aqui”, conta.

Na época, Tia Cida lembra que parou em um terreno perto do mar, onde jovens jogavam futebol logo ao lado. Chegando em São Bento, sua cidade natal, falou sobre o município e do desejo de morar em Itapoá. Dias depois veio novamente com um conhecido que tinha terras por aqui e, ao chegar ao mesmo terreno, perto do mar e onde os mesmos jovens jogavam futebol, ganhou a oportunidade de começar uma nova vida. “Me arrepio só de lembrar. Este foi o local que conversei com Deus quando vim pela primeira vez para cá”, conta.

E assim, antes mesmo da emancipação de Itapoá, surgiu o local Tia Cida. No início era apenas um quiosque para lanches e porções perto da praia, depois se transformou em uma pizzaria e restaurante, e quando as jantas começaram a contar com música ao vivo, percebeu que o que os itapoaenses gostavam mesmo era de dançar. “Nunca pensei em ter um bailão, mas as pessoas acabaram transformando isso aqui e me ensinaram a trabalhar”, afirma.

Assim, com algumas ampliações e reformas, o local ainda transmite o seu objetivo: deixar a vida das pessoas mais feliz. E com toda a humildade que o criou e a história que o sustenta, hoje o Tia Cida recebe frequentadores de diferentes cidades da região e em todos os sábados está cheio de gente.

Além dos bailões, o local é utilizado para diferentes eventos: festas escolares, eventos beneficentes, jantares de associações, casamentos, aniversários, entre outros. Também, muitos eventos para a comunidade foram organizados e preparados pela própria Tia Cida. Ao revirarmos a caixa de fotos antigas descobrimos as grandes festas realizadas na época do Dia das Crianças: uma multidão de crianças e um bolo de até mais de 10 metros preenchiam a casa com ainda mais amor.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 9

Edson Ricardo Reis: Um navio de superações

Augusta Gern

Um acidente de trabalho e uma grave lesão na coluna mudaram a história de Edson Ricardo Reis em 2010. Fortes dores na coluna e a dependência para realizar as atividades rotineiras desencadearam uma depressão profunda, que abalou seus desejos e sonhos.

De São Bento do Sul, a família deixou o frio e optou pela cidade de férias para colaborar na recuperação das dores de Edson. Mas além do clima, outros fatores foram fundamentais para sua recuperação.“Antes tudo precisava de um incentivo, para se cuidar, para se arrumar”, conta a esposa Cristiane.

As coisas começaram a mudar com o trabalho escolar de seu filho Natanael (6). Edson o ajudou a construir três réplicas em material reciclado: um navio, um avião e o Farol do Pontal. “Ali comecei a ver que ele estava melhorando, estava começando a sorrir”, lembra Cristiane. Para comprovar a evolução, sua esposa fotografou todas as fases do trabalho, que provam a mudança ao longo do dia.

Ao final do trabalho, quando as obras foram entregues, foi como se a alegria também estivesse ido embora. Mas não foi por muito tempo: quando soube do projeto Recicloterapia, do Posto de Saúde do Balneário Pontal, Cristiane lembra que fez questão de conversar diretamente com a médica responsável e contar da experiência de seu marido. “Falei que acreditava e apoiava muito este trabalho”, afirma.

O projeto Recicloterapia surgiu a partir do 1º Concurso de Experiências Exitosas da cidade, que motivou as unidades de saúde a criarem novas formas de integração com os pacientes. Conforme a médica responsável, Talita Recheleto Strano, o objetivo foi integrar os pacientes depressivos com a unidade e a comunidade. Para isso, foram realizadas oficinas quinzenais de artesanato com materiais reciclados, um projeto idealizado e organizado por todos os profissionais da unidade.

Ao todo foram 20 pacientes que participaram dos seis meses de oficinas. Este projeto venceu o Concurso Municipal de Experiências Exitosas e ficou entre os 100 melhores projetos apresentados na IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica / Saúda da Família, em Brasília.

Porém, os principais resultados foram com os próprios pacientes. “Alguns nem conversavam no início, depois já estavam trocando até dicas de receitas”, conta Talita. Edson foi um dos pacientes que surpreendeu, tanto pela criatividade, como pelo modo que começou a levar a vida.

“Participei do projeto para me ajudar e ajudar o Posto de Saúde”, afirma Edson.

 Durante as oficinas, construiu um legítimo navio de papelão e outros materiais reciclados, de 1m de altura por 2,70m de comprimento, com todos os detalhes e acabamentos que se tem direito.

Conforme Cristiane, foram meses de trabalho muito positivos. Da mesma forma do trabalho de seu filho, fotografou todas as etapas e observou a melhora no quadro de seu marido. “Ele começou a rir novamente. Todos os pacientes que participaram melhoraram”, conta Cristiane.

A ideia de construir um navio surgiu pelo simples fato de sempre apreciá-los de longe. Morador do Pontal, todo o dia Edson observa os diferentes navios que passam no quintal da comunidade. O detalhe é que a admiração é feita de longe, Edson nunca chegou muito perto de um navio. Isso surpreendeu visitantes da cidade que trabalhavam embarcados: “perguntaram se ele era engenheiro ou trabalhava em navios, porque todos os detalhes eram legítimos, estavam iguais aos originais”, lembra Cristiane.

E assim, mais do que interação e gosto pela vida, o projeto instigou o talento de Edson. Ao tirar o navio de casa por alguns minutos, olhos curiosos e admirados já chegam perto para conhecer e elogiar o trabalho. Momentos de sorrisos para Edson e muito orgulho para sua família.

Em relação ao projeto, a equipe do posto de saúde afirma que é emocionante ver os resultados obtidos e, em breve, novos projetos devem surgir na comunidade. Sobre a premiação nacional, Talita afirma que é um reconhecimento de um trabalho realizado por toda a equipe. Agora, além do troféu, terão direito de conhecer um dos outros 99 projetos premiados, em um intercâmbio de muita cultura, criatividade e superação.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 15 – Março/2013

Bin Laden: A barba de Histórias

Augusta Gern

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Ao invés de bombas, papéis. Ao invés da cara amarrada, muita simpatia. É assim que a vida de Bin Laden segue em Itapoá, uma rotina tranquila e feliz aliada à publicidade de 15 empresas com a panfletagem. Desde que chegou ao município o apelido faz parte da vida de Ivo Ribeiro de Freitas, 61 anos. Não poderia ser diferente, em outras cidades também era conhecido como Raul Seixas e Enéias.

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O motivo de todos os apelidos é claro: há 38 anos Ivo preserva a barba no rosto. “Ela já foi um pouco mais curta, mas nunca o vi sem barba”, conta a esposa Maria Aparecida.
Naturais de Lages, o casal está em Itapoá há 11 anos. Antes daqui, a capital paranaense era o lar. “Estávamos com um pouco de dificuldade em Curitiba e minha irmã nos convidou para morar na praia”, lembra Maria Aparecida. Antes mesmo de terem certeza do que fazer, um dia o caminhão de mudança chegou em frente à casa e vieram para a praia, sem nem mesmo conhecer o caminho.

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O início não foi fácil. Em Lages e Curitiba Ivo trabalhava em grandes empresas como vendedor, aqui começou limpando lotes. Porém, não foi por muito tempo. Há 11 anos foi convidado para fazer panfletagem e, desde então, nunca parou. O convite se tornou profissão.
Hoje são 15 clientes fixos e uma coleção de camisetas promocionais que já ultrapassa 70. A rotina começa cedo quando carrega sua melhor amiga, a bicicleta, com diferentes panfletos. Durante o dia percorre desde a primeira rua do balneário Barra do Saí até Itapoá, nas proximidades do Laboratório de Análises Clínicas. “Entrego na maioria dos comércios e também nas casas”, afirma.
Em relação à bicicleta, já está na terceira nova, fora as usadas. As pernas então, nem se fala: disposição que esbanja saúde. “Não quero trocar por moto ou bicicletas motorizadas, assim é melhor de trabalhar”, fala. Ao final das entregas, o dia termina cedo: às 20h30 já está se organizando para dormir.
Quando chove, a entrega de panfleto é feita de mão em mão na galeria ao lado do shopping Brasão. “Mesmo que o dia é mais calmo, me organizo para que todas as pessoas recebam”, afirma. Já na temporada, o trabalho é dobrado. Além da panfletagem, Ivo também trabalha como vendedor ambulante na praia.
E então, neste período aproveita a fama e carinho de muitos turistas. Às vezes caracterizado de Bin Laden, o vendedor chama a atenção de todos. “Ele mais tira foto do que trabalha”, brinca a esposa. Na realidade, este carinho está presente quase que diariamente: “As pessoas sempre me param na rua para conversar, tirar fotos, me conhecer”, conta Ivo. “Não quero mais sair daqui, sou muito querido nesta cidade”.
Com todo esse carisma, já foi até convidado para ser candidato a vereador, mas optou não entrar na política. “Gosto muito de meu trabalho e sou muito feliz nesta cidade”, garante.
Assim, entre os passeios diários, cada quilômetro é uma amizade nova, novos olhares curiosos e até fotos. O objetivo de continuar as pedaladas até a hora em que o corpo aguentar são as mesmas para a barba: “Nunca pensei em cortar, quero ficar sempre assim”, afirma.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 15 – Março/2013

Viver bem, viver zen

Augusta Gern

Para se sentir bem não é preciso muita coisa. Alguns movimentos com as mãos e os dedos, terapia com agulhas, plantas medicinais e, principalmente, energia. Essas são práticas, chamadas de medicina alternativa ou terapias alternativas, cada vez mais procuradas para auxiliar na cura de doenças ou na prevenção delas.Para se sentir bem não é preciso muita coisa. Alguns movimentos com as mãos e os dedos, terapia com agulhas, plantas medicinais e, principalmente, energia. Essas são práticas, chamadas de medicina alternativa ou terapias alternativas, cada vez mais procuradas para auxiliar na cura de doenças ou na prevenção delas.De forma natural e em sintonia com o meio ambiente, é uma ótima forma de se conquistar bem-estar, relaxamento e saúde. A melhor notícia é que não é preciso ir longe, tudo está acessível em Itapoá com o terapeuta oriental Anderson B. Silva.

Há 14 anos trabalhando com isso, os atendimentos em Itapoá iniciaram em 2006, mas há poucos meses está novamente fixo na cidade, com o espaço Viver Zen. O gosto pelo cuidado com a saúde de forma holística, trabalhando o ser humano de forma completa, iniciou através da busca da própria satisfação, tranquilidade e bem-estar.Antes publicitário Anderson trabalhava com design gráfico e escrevia para rádio e televisão. Na época, ainda morador da capital paranaense, se viu cansado do universo publicitário e da busca constante de ideias para agradar os clientes e fechar campanhas. Aquilo tudo começou a estressá-lo e para distrair um dia passou em uma livraria na hora do almoço. “A primeira coisa que me chamou a atenção foi um mural que informava sobre um curso de reiki”, lembra. Fez o primeiro curso, gostou, fez o segundo e o terceiro.

Reiki é um tratamento que utiliza uma técnica de imposição das mãos e trabalha com problemas como a ansiedade, stress, depressão, insônia, entre outros. É uma técnica preventiva, que busca harmonizar o ser humano e suas dificuldades.Assim, depois dos cursos de reiki, foi indicado para Léo, um grande terapeuta que o ensinou muita coisa. Em uma boa clínica, Anderson trabalhou com Léo por um bom tempo. Depois, buscou se aprofundar mais no trabalho e cursou medicina tradicional chinesa.“Me encontrei”, afirma em relação às terapias. Conforme Anderson, quando alguma coisa satura, você precisa encontrar outras coisas. As terapias hoje são mais que profissão, mas um estilo de ver e viver a vida.Conforme o terapeuta, aqui essas terapias são chamadas de alternativas, mas no oriente são as principais. Na realidade, historicamente elas são as principais em todos os lugares, afinal a medicina oriental tem mais de 6 mil anos, enquanto a ocidental, 600.

Anderson explica que a maior diferença entre as duas medicinas é a fragmentação ocidental. “A especialização na área de saúde é importante para muitos casos, mas é preciso ver o ser humano como um todo”, afirma. Na medicina oriental há esta visão holística.Assim, analisando e cuidando do corpo como um todo, Anderson trabalha com diferentes terapias: reiki, shiatsu, quiropraxia, acupuntura, stiper, entre outras.

A shiatsu é uma das técnicas de massagem que utiliza a pressão com os dedos. O objetivo é tratar ou prevenir doenças pela estimulação dos meridianos ou canais de energia. Pode ser aplicado em pessoas de qualquer idade, fortalecendo o sistema imunológico e aliviando o stress.A quiropraxia também é uma técnica de massagem, utilizada principalmente para ajustamentos musculares, geralmente na coluna, como desvios e hérnias de disco. O objetivo, além de reduzir a dor e tensão, é proporcionar um equilíbrio da postura através das intervenções manuais.

A acupuntura é a terapia com agulhas, que visa estimular determinados pontos do corpo para obter recuperação da saúde, alívio de dores e problemas emocionais. Conforme Anderson, só nas orelhas temos 200 pontos e, no corpo inteiro, são mais de mil. As combinações de pontos são realizadas de acordo com a necessidade de cada paciente. Gabriela Paulo, por exemplo, buscou a técnica para tratar a ansiedade. Há dois meses começou a fazer acupuntura uma vez por semana e, segundo ela, a melhora foi de 100%. “É maravilhoso, não vivo mais sem. Se depender de mim vou fazer para sempre”, afirma a paciente. Além da ansiedade, na última semana o terapeuta adicionou mais um ponto para a memória, para auxiliar na produção do trabalho de conclusão de curso.Para as pessoas que tem medo de agulha, uma boa terapia é a stiper, que substitui as tradicionais agulhas de acupuntura com pastilhas de silício.

Além disso, para casos específicos, como de inflamação, Anderson também trabalha com mochaterapia, uma erva inflamatória com as mesmas características do infravermelho, só que mais eficiente. Ventosaterapia (com o uso de ventosas) e fitoterapia (com plantas medicinais) são outras terapias também trabalhadas. Assim, com esta boa diversidade, opções não faltam para cuidar de problemas específicos ou simplesmente relaxar o corpo e a alma. A partir de uma visão holística, Anderson alerta que a energia do corpo influencia muito no bem-estar e combate às doenças, é preciso estar bem consigo mesmo para poder viver bem.

Anderson atende no Viver Zen – Espaço Terapêutico e Estético
Localizado na Rua da Graça, 638 – Balneário Itapema do Norte.
As consultas podem ser agendadas através dos telefones: (47) 3443-1248 / 9740-3214 / 9740-3213.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 15 – Março/2013

Uma biblioteca de raridades

Augusta Gern

Entre livros atuais e raridades, Werney Serafini preenche a casa e a mente com muitas histórias e conhecimento. São cerca de três mil títulos diferentes que retratam uma paixão que vem de família: a leitura.
Werney começou a frequentar Itapoá desde pequeno e, aos 58 anos, quando se aposentou, escolheu a cidade como lar. “Não gosto muito do clima de Curitiba e sempre adorei o mar, então resolvi vir para este paraíso perdido”, brinca. Em Itapoá, o aposentado sempre esteve ligado a questões ambientais e foi presidente da ADEA – Associação de Defesa e Educação Ambiental por 10 anos.
Filho de grande leitor, Werney recorda as primeiras leituras antes mesmo dos oito anos. “Quando se aposentou meu pai lia o dia inteiro, era de manhã, à tarde e à noite”, conta. No escritório da casa, a maior lembrança é seu pai concentrado em uma boa história na poltrona, com grandes prateleiras de livros no pano de fundo. Ali, o admirava e imitava seu gosto.
Além do bom exemplo, seu pai lia todos os dias para Werney e seus irmãos pelo menos um capítulo das histórias de Monteiro Lobato antes de dormir. Quando seu pai não estava, a mãe assumia o posto e a rotina se tornou diária. “Monteiro Lobato universalizava o mundo em histórias e isso me encantava”, lembra.
Assim, aliada ao incentivo, a genética não poderia ser diferente: os livros se tornaram uma grande paixão para Werney. Hoje em todos os cômodos da sua casa há livros. Além dos que comprou e ganhou, herdou uma coleção de seu pai, com raridades que invejam. Alguns livros e enciclopédias foram doados para bibliotecas, mas a maioria está sendo restaurado e continuará na história da família.
Entre as raridades, estão clássicos que datam a década de 30, 40 e 50. Mas o destaque é para a bíblia sagrada editada em 1881. Em dois volumes, o peso e as páginas amareladas mostram os anos passados.
Com tantos livros, neste ano Werney começou a catalogá-los. Em um arquivo digital, as principais informações das obras são registradas, enquanto fisicamente exibem conhecimento nas prateleiras. Até o momento o número de livros catalogados já passou de 900, mas o leitor estima ter cerca de 3 mil.
O estilo de livro preferido depende muito da fase em que se encontra. Conforme ele, quando começou a militar ambientalmente devorou livros sobre o meio ambiente, mas gosta muito de história interpretativa, sociologia poética, economia, biografias e, atualmente, está muito voltado à filosofia. José Ortega y Gasset, filósofo espanhol, é uma de suas grandes referências. Werney conta que já leu uma de suas obras mais de três vezes e o entendimento às colocações crescem com a vida.
Mas não são todos os livros que o agradam, seu sistema de leitura vai até a quadragésima página: se até lá ele não se encantar, devolve para a prateleira; caso contrário devora com entusiasmo. Em média Werney lê cinco livros por mês.
Outro sistema de leitura que o acompanha desde os exemplos de seu pai é grifar as frases que mais o chamam a atenção. Pequenas anotações e riscos de lápis são marcas registradas em boa parte de suas obras. E assim, entre rabiscos, raridades e muita novidade, sua biblioteca encanta os olhos de todos os leitores com uma diversidade para todos os gostos.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 15 – Março/2013