Seo Francisco: Memória e tradição que dão gosto de ouvir

Se falarmos das margens da Babitonga em Itapoá, mais precisamente do balneário Pontal, muitos são os personagens marcantes, a maioria pescadores. Nesta pauta o protagonista é Francisco Peres do Rosário, pessoa da terra, de família tradicional e memória espetacular.

Augusta Gern

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Francisco Neres do Rosário com seu filho Fabrício Neres do Rosário.

Aos 66 anos ele nasceu na região. Lembranças contam que sua família saiu do Paraná e chegou a Itapoá por volta de 1840, 1850. Pelo caminho alguns foram se instalando, alguns ficaram na Barra do Saí, outros no balneário Palmeiras, mas seus bisavós se instalaram no Pontal, próximo à Figueira.
“Na época existiam duas coisas: luz do sol e água da chuva”, brinca Francisco. Conforme ele, na época as casas eram de palha e pau a pique. Para as refeições havia apenas o que se plantava e pescava, e a única forma de conservação era o sal, daí então que surgiu a típica comida caiçara, o peixe cambira (defumado). Outra comida típica, servida como prato principal, era a moqueca de peixe enrolada na folha da bananeira.
Com o tempo as gerações foram surgindo, até que chegou a vez de Francisco e seus 11 irmãos. As comidas típicas continuaram e na casa, que era de madeira, existia um engenho de farinha, onde passou algumas horas da vida trabalhando para ajudar a mãe. Além disso, trabalhou por muitos anos com a pesca.
Para os estudos não existiam muitas opções. A boa memória recorda histórias da primeira escola da região, fundada em 1922, onde seus tios foram professores. Na época de Francisco todas as turmas estudavam em uma mesma sala de aula e assim cursou até a 4ª série. Desde os tempos de menino era muito bom para guardar datas e histórias, era o que o alegrava nas aulas. Quando se formou no primário, não existiam turmas adiantes, assim continuou indo para a escola, mesmo que escondido do inspetor de São Francisco do Sul que vinha para fiscalizar as salas. “Eu não tinha o que fazer e gostava de ir para a escola, aí quando o inspetor chegava eu saia correndo”, conta.
Passaram-se anos na pesca até que, quando surgiu o primeiro concurso da Prefeitura, fez e passou. Nessa mesma época Francisco recorda que existiu um movimento para inserir o supletivo no Pontal, e então se formou no ensino fundamental. Para cursar o ensino médio teve aulas no Continental, e aos 49 anos recebeu o diploma.
Em 2006 mais um salto em sua vida: iniciou o curso tecnólogo em desenvolvimento regional. O início foi um pouco difícil e até pensou em desistir, mas tornou-se ponto de referência. “Os colegas que pensavam em desistir falavam que não podiam, porque se eu com 50 anos e viajando todos os dias estava lá, eles também tinham que estar”, lembra. Mesmo assim, a turma que começou com 46 alunos, ao terceiro e último ano estava com apenas 28, e Francisco era um deles.
Além do esforço para terminar seus estudos, também sempre incentivou muito os seus quatro filhos. Francisco lembra que quando uma das filhas fazia faculdade em Joinville, o último ponto do ônibus universitário em Itapoá era o Cartório. Assim, às 22h saía de casa caminhando para chegar à meia noite no ponto de ônibus, depois, com a filha, voltava todo o percurso e dormia perto das 2 horas. “Foi uma luta minha, mas um querer deles”, afirma.
Para ele, os desafios estão sempre aí, mas é preciso seguir em frente. Assim, hoje se sente orgulhoso por toda a caminhada de sua vida: pescador, depois funcionário público e formado, além disso, quatro filhos formados e empregados.

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Francisco é professor de dança do Fandango e Chimarrita, aqui dançando com a dona Elisabeth

E fora a boa memória e exemplo de vida, Francisco também é muito ativo na comunidade: está sempre envolvido com as ações da ACOPOF – Associação Comunitária do Pontal e Figueira do Pontal, é o professor de dança do Fandango e Chimarrita, representa Itapoá nos Jogos da Terceira Idade e esbanja simpatia por onde passa. Não há quem não o conheça, não há quem não tenha escutado uma boa história de sua rica memória.

Quem é Francisco Peres do Rosário?
Para o seu filho Fabrício Neres do Rosário, “é uma pessoa folclórica e lendária da cidade. Um dos percursores de Itapoá e da Acopof, além de vir de uma família tradicional”.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 18 – Março/2014

 

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Babitonga dos sabores

Além do cenário exuberante para os olhos, a Babitonga de Itapoá também oferece delícias para os outros sentidos, como o olfato e paladar. Com a especialidade principalmente em frutos do mar, diferentes restaurantes oferecem bons serviços, e o melhor, pratos que dão água na boca só de olhar. Cada um com seu jeito, seu tempero e sua história, garantem o bom apetite na beira da Baía.

Augusta Gern

Recanto do Farol

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Proprietários do Restaurante Recanto do Farol
Romário Arthur Ferreira e Angela Piekarski.

Uma opção de boa gastronomia é o Recanto do Farol. Com muita sofisticação e atenção a todos os detalhes, o restaurante nasceu em novembro de 2012 e surpreende seus clientes com novidades a cada data comemorativa. Através dos faróis, apresenta uma sintonia entre a cultura local e diferentes pontos do mundo inteiro.
Apaixonados e inspirados pelo mar, o que era para ser uma pousada se transformou em restaurante, mas o objetivo não mudou: aliar a paixão pelos faróis em um só local. Além do nome, o espaço conta com uma decoração náutica exemplar: desde a entrada do restaurante até o piso superior, tudo remete às belezas do mar, e claro, dos faróis. Conforme os proprietários, Romário Ferreira e Angela Piekarski, ao iniciar o projeto buscaram entender melhor os faróis através da literatura e reuniram toda a cultura em um único espaço.
Toda esta sofisticação é levada a rigor, em todos os momentos. Para um atendimento de qualidade, em 2012 o restaurante ofereceu cursos gratuitos à comunidade local e, segundo os proprietários, a equipe continua participando de cursos e treinamentos para aperfeiçoamento e novidades na cozinha.
Ali, novidades são sempre garantidas. A cada data comemorativa o restaurante promove um evento diferenciado, com decoração e prato especial.

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Os principais pratos da casa Farol Ilha da Paz 
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e a Grelhata Recanto do Farol.

Para envolver todos os detalhes, até o nome dos pratos é temático, vinculado à data comemorativa, ideia que está criando moda na cidade.
Fora as comemorações, em geral os pratos são voltados a frutos do mar, como peixes, camarões e ostras. Porém, o cardápio também conta com opção de massa, carne vermelha e frango.
Conforme Angela e Romário, os principais pratos da casa são o Farol Ilha da Paz, com salmão ao molho de laranja e cubos de morango, acompanhado com batatas douradas e arroz cremoso; e a Grelhata Recanto do Farol, um mix de frutos do mar e legumes, também acompanhado de batatas e arroz. Com um gosto único, os pratos simbolizam todo o bom gosto, cuidado e sofisticação do local.

Casa Portuguesa

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Scheila, Victor, Mário e dona Neide
tocam o restaurante com muito amor e dedicação.

Outro restaurante, muito requisitado e exemplo de tradição familiar, é a Casa Portuguesa. Também localizado próximo à margem da Babitonga, o restaurante não poderia ser diferente, é típico português. Na decoração vermelha, verde e com enfeites típicos, o bacalhau é servido ao som do fado, não há local que evoque mais o espírito português.
Desde 2000 em Itapoá, este é um restaurante familiar e que traz a boa fama de Campo Mourão. No município paranaense foi onde surgiu: pela saudade que Nuno Cesar Q. de Moraes tinha de Portugal, sua terra. Com a experiência de cozinha que trouxe de quando era escoteiro, montou as receitas e criou o restaurante no Paraná. Como Campo Mourão era uma cidade de passagem e tinha um ótimo teatro, o restaurante tornou-se uma das referências e recebeu diferentes celebridades, entre Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Zezé de Camargo, entre outros.
Porém, a paixão por Itapoá e vontade de morar à beira mar o fez trocar um restaurante de muito movimento pela qualidade de vida. Em Itapoá, o primeiro restaurante foi no balneário Itapema do Norte, mas como Nuno gostava do Pontal, em 2005 mudou para a região que ainda não contava com a pretensão do porto. Porém, em menos de um mês depois da mudança, ele faleceu. Desde então, o restaurante é tocado pelo amor de Dona Neide Livoni, esposa de Nuno, e um de seus filhos, Victor Hugo de Moraes Neto, com o apoio de Mario Livoni, irmão de Neide, e até da namorada de Victor, Scheila Petry.
E é com amor mesmo que ele segue em frente: “Cada ingrediente tem o seu papel, mas o principal é o amor. Se não fizer com dedicação, nada da certo”, afirma Neide. Para ela, o maior segredo em uma receita é o sentimento. “Ele me ensinou que é preciso se doar para fazer a comida, como se fosse uma meditação, para que a pessoa que coma sinta a boa energia, sinta amor e Deus”.

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Bacalhau à Gomes de Sá e Bacalhau com nata, são os pratos
mais famosos entre os 13 tipos diferentes de bacalhau.

Hoje, Neide comanda a cozinha junto com Victor, mas tudo aprendeu com Nuno. Durante quatro anos ficou só mexendo com petiscos no restaurante, até que começou a fazer as receitas e ensinou para o filho. “Eu amo fazer isso. Aprendi com a minha mãe e quero passar para as futuras gerações”, afirma Victor. Para eles, o maior objetivo é continuar o desejo de Nuno, que é cultivar e divulgar a culinária portuguesa, pois tudo foi elaborado e planejado por ele. “Nós só estamos continuando a história”, afirmam.
Assim, cozinhando como se cozinha em Portugal, todas as delícias são preparadas na hora. O carro chefe do restaurante são os 13 tipos diferentes de bacalhau, dois famosos são: Bacalhau à Gomes de Sá e Bacalhau com natas. Além disso, para agradar todos os gostos, também contam com um prato de camarão, um de carne, um de frango e um de peixe.
Dessa forma, com tanta tradição e delícias, não há como não agradar todo o público. Conforme os proprietários, 90% dos clientes são de outra cidade, muitos deles visitam Itapoá só para deliciar a típica culinária portuguesa que, sem dúvida, leva o gostinho do amor à mesa.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 18 – Junho/2014

A Babitonga de Itapoá

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A maior baía navegável de Santa Catarina também beija as terras de Itapoá. Sim, muito conhecida por margear as cidades vizinhas de São Francisco do Sul e Joinville, a Baía da Babitonga também marca presença no município itapoaense. Em um contraste sintonizado entre o desenvolvimento e a calmaria, o início da Baía, localizada no balneário Pontal, é hoje uma adas paisagens mais cobiçadas pelas lentes fotográficas. Em um único local abriga o desenvolvimento portuário e a comunidade pesqueira, o ritmo acelerado de contêineres e a tranquilidade do mar, a inovação e a tradição.

Augusta Gern

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Junto a todo o desenvolvimento presente nas três cidades que fazem parte desse cenário, o local também tem grande importância ambiental: abriga um conjunto de 24 ilhas e é cercada de manguezais e grandes áreas de Mata Atlântica. A Baía também é um grande criador de aves aquáticas e espécies marinhas, além de abrigar animais em extinção.
Para unir as três cidades, o percurso pode ser feito por terra ou mar. De Itapoá podemos chegar a Joinville ou São Francisco através de balsas que atravessam a Baía.

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Além de impulsionar o turismo, este acesso também deve colaborar para o crescimento e desenvolvimento da região, já conhecida pela importante vocação portuária. O Porto Itapoá, por exemplo, tem-se mostrado como um grande impulsionador da economia da cidade, atraindo diferentes empresas do setor.
Junto com a geração de emprego e arrecadação de impostos para a cidade, o terminal também se transformou em um ponto turístico: até um píer de observação foi construído para a contemplação da movimentação de contêineres.

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E mais atrativos devem chegar por aí. Ainda não há nada confirmado, mas burburinhos percorrem toda a cidade: mais um porto pode se instalar na região. Alguns até arriscam em falar que a Baía Babitonga pode ficar conhecida internacionalmente como a “Baía dos Portos”.

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Pelo sim ou pelo não, atrativos não faltam na Baía, que tem o poder de encantar os olhos dos mais variados públicos: grandes empresários, ambientalistas e turistas.

Baía para todos os gostos
Para aproveitar a Babitonga de Itapoá o que não faltam são opções: em terra ou no mar, para os mais calmos aos que gostam de mais emoção, para homens, mulheres, crianças e idosos. Sim, na Baía itapoaense não há restrições para se divertir.
Em um breve passeio é possível visitar todos os pontos turísticos da região: o farol do Pontal, o píer de observação do Porto, o trapiche, e claro, o belo cenário do encontro entre a areia branca, o ritmo tranquilo do mar e os coloridos barcos de pesca.
As atividades mais praticadas na região são náuticas: moradores e turistas procuram o cenário para a pesca no trapiche, a pesca embarcada, andar de caiaque, stand up, jet-ski, entre outros.

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Areia branca, o ritmo tranquilo do mar
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Farol do Pontal
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Pescadores na Baía, ao fundo o Porto de São Francisco do Sul.

Nos decks de madeira

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Pier de observação do Porto Itapoá

Os espaços mais cobiçados sem dúvida são o píer de observação do porto e o trapiche. Ali, dezenas de pescadores se divertem e nem percebem o dia passar. Com sardinha durante o dia e peixe espada pela noite, os baldes saem cheios e a refeição é garantida.
O casal Alaor de Souza Lima e Roseli Binhara Lima, ambos com 66 anos, são assíduos: marcam presença pelo menos três vezes por semana para pescar. Há pouco mais de um ano na cidade, aproveitam a aposentadoria para fazer o que sempre curtiram: pescar juntos. “Aqui fizemos muitos amigos, tanto da cidade como de fora”, conta Alaor. Segundo eles, muitas pessoas de outras cidades escolhem o local apenas pela pescaria.
É o caso de Antônio Carlos da Silva. De Curitiba, sempre que visita a mãe em Itapoá reserva um dia para pescar no Pontal. “E aqui se pega bastante peixe, tem para todo mundo”, afirma.

 

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O casal Alaor de Souza Lima e Roseli Binhara Lima.

Da quantidade de peixe não se pode mesmo duvidar. Santina B. de Oliveira e o esposo Manuel de Oliveira pescam no local há alguns anos e já viram muito peixe sair dessa água: em um único dia Santina pescou 285 sardinhas. Moradores de Itapoá há 13 anos, afirmam que só a paisagem já vale a atividade que é realizada toda a semana: “Precisamos valorizar o que temos aqui”, fala Manuel.
E quase esta mesma paisagem é que motiva a pescaria de Albino Sangali, o que muda é o lado de onde observa o Porto. Pelo tamanho e cobertura, o aposentado prefere pescar no píer de observação, ao invés do trapiche: “trago a minha cadeirinha e fico vendo a movimentação dos contêineres”.

 

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Manuel de Oliveira.

Em alto mar
Além de pescar na praia, a Baía também é muito procurada por quem tem barcos. Grandes ou pequenos, novos ou antigos eles dividem o espaço com os grandes navios.  Rudipelt Maus, mais conhecido como Rudi, é um dos pescadores assíduos no mar. Às vezes na baía, outras vezes em alto mar, ele pesca há oito anos e já sabe “onde dá peixe”. O gosto pela pescaria vem de Mato Grosso, onde tinha nove tanques de peixe. Logo que chegou aqui já voltou a praticar, primeiro com a esposa, depois sozinho e hoje, com um companheiro de pesca. Aos 74 anos, ele acorda cedo, do balneário Itapema do Norte leva o barco à baía e, às 5h30, já o coloca no mar.Para ele, a Babitonga é um ótimo lugar para se pescar, alguns anos atrás já pegou um linguado de 8kgs e raias de até 12kgs, “mas dessas nunca mais, é difícil repetir”. O único problema do local é a movimentação gerada pelos portos: “às vezes precisamos correr dos navios”, brinca.

Esporte e lazer

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Corretor de Imóveis Alencar Ribas de Oliveira.

Outra atividade muito praticada no local é andar de caiaque. Com o mar lisinho e pouco vento, não há como Alencar Ribas de Oliveira resistir ao esporte. “Quando eu estou correndo vejo o mar, é como se ele me atraísse”, conta. Assim, pelo menos uma vez por semana, depois de fazer seu percurso diário de corrida, leva o caiaque para o mar e rema por cerca de duas horas.De forma tranquila, o caiaque proporciona um ótimo exercício com cenário exuberante: pode-se acompanhar a costa para ver a praia de outro ângulo, ou seguir pelo mar. “É uma ótima maneira de reunir a família e fazer exercício brincando”, afirma o corretor de imóveis.Conforme ele, para a prática primeiramente é preciso gostar do mar, depois ter um bom equipamento e claro, muita disposição. Além do caiaque, Alencar também já praticou stand-up na baía, a arte de surfar em pé com uma prancha e um remo.

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Este formato de surfe também é praticado por Everton Assis Sabadini. Depois que andou uma vez, foi como amor a primeira vista: comprou e há cinco meses visita diferentes lugares para praticá-lo. Na Babitonga teve apenas uma experiência, mas já notou os benefícios para o esporte: é extensa e tem um mar próprio, bem calmo. Segundo ele, diferente de outros lugares, na Baía é possível andar por muito tempo sem repetir a paisagem, além de poder acompanhar todo o movimento dos navios.

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Corretor de Imóveis Everton Sabadini e Alessandra Bellorini.

 

Com a turma reunida

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Além desses esportes, a Babitonga oferece outros tipos de lazer. Para os que preferem se divertir em grupo, uma boa opção é o passeio com a escuna Pérola Negra. Operando desde 2002, o passeio tornou-se tradição nos dias quentes de verão. De forma confortável e animada, é possível desfrutar das belezas da Baía e conhecer algumas de suas ilhas.

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Sofisticação
Mas as opções não acabam por aí. A Babitonga de Itapoá também conta com muito requinte. Todo esse cenário de belezas naturais e a diversidade de atividades podem ser apreciados com muito conforto no Itapoá Chá Hotel. Famoso em diferentes estados, o hotel destaca todo o charme de se estar à beira mar. Com 15 apartamentos e a estrutura completa: fitness, sauna, sala de reuniões e decks com vista para a baía, ali também não se fica parado. Anexo ao hotel, ainda há uma marina que não deixa a desejar no conforto. Além dessa, a região conta com outras marinas, que exercem diferentes atividades para atender todos os clientes que chegam pela Baía.

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Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 18 – Junho/2014

Entre o amor e o gol: Tradição que trouxe a união

Augusta Gern

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Altair Gonçalves do Nascimento e Maria Salete Ceccatto
se conheceram pelo amor ao futebol.

Foi o futebol que os uniu há nove anos e até hoje faz parte da rotina dos dois.  Desde criança Altair joga no time Marumbi, do balneário Pontal. O time, que é tradição de sua família – pai e tios sempre jogaram – é o mais antigo que ainda participa de campeonatos na cidade: foi fundado em 1964. “É um time de família, a tradição passa de pai para filho na comunidade”, conta Altair. Hoje o jogador atua como goleiro no Marumbi, além de ajudar a treinar a criançada.
De fora do campo, Maria Salete também é atuante no time. Há 12 anos em Itapoá, sempre esteve envolvida na comunidade, atividade que foi aliada ao gosto pelo futebol: há dois anos participa da diretoria do time e atualmente ocupa o cargo de presidente.
Assim, entre treinos e campeonatos o casal está sempre junto à frente da organização do Marumbi. Uniforme, chuteiras, transporte, documentação de jogadores e tantas outras necessidades de um time de futebol são providenciadas na própria casa. “Aqui futebol é assunto todos os dias”, conta Maria Salete.
Da mesma forma que está no papo, também é muito assistido. Apesar de torcerem por times diferentes na sala de televisão, ele para o Flamengo e ela para o Atlético Paranaense, o resto da casa tem um só coração: o Marumbi. Também, difícil se fosse diferente: o casal se conheceu em uma aula de dança, mas o primeiro encontro foi em uma quadra de futebol. “A primeira vez que ele me convidou para sair foi em um campeonato”, lembra Maria Salete. A torcida foi boa: naquele dia o time ganhou de 7 a 1.
O amor pelo Marumbi é visível nos olhos: brilham intensamente como um troféu. Por ser tradição não apenas na comunidade do Pontal, mas para todo o município, o casal mostra-se orgulhoso em fazer parte dessa história. Antes da emancipação da cidade, o Marumbi representava Itapoá nos campeonatos de Garuva, segundo Altair.
Hoje o time conta com um acervo de mais de 200 troféus e, dos 24 anos que disputou o campeonato municipal, 15 foi campeão. “É um time de família, as mulheres do Marumbi são torcedoras ativas”, afirma Maria Salete.

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Time do Marumbi,  grupo de 1976.

Mas a tradição não fica apenas em lembranças, também está no futuro: o time treina a criançada da comunidade e pega firme em princípios como educação, responsabilidade e disciplina. “Eu sou chata nos jogos, sempre pego no pé quando vejo alguma coisa errada, mas as coisas estão dando certo”, afirma Maria Salete.
Além do carinho, responsabilidade e tradição para crianças da comunidade, o amor por futebol cativou também o próprio filho de Maria Salete: com 21 anos, sempre que está em Itapoá o jovem busca participar dos jogos. Aí então aguenta coração: jogador, torcida e diretoria em uma única família.

Entre o amor e o gol: Do Brasil para Itapoá

Aquela discussão sobre os jogos de futebol no final de semana ou a briga pelo controle da televisão quando novela e futebol disputam o mesmo horário são comuns para muitos casais. Para muitos namorados isso pode ser um problema, mas para outros é uma dupla comemoração, afinal foi o futebol que os uniu.

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Amarildo e Marcia Partala trocaram olhares pela
primeira vez em um ginásio na cidade de Mafra (SC).

Amarildo Partala durante toda a carreira passou por dez times.

Ele é ex-jogador da seleção brasileira sub-20, ela é professora de língua portuguesa na rede municipal e estadual de ensino; são 31 anos de casado e tudo começou em 1978.
Foi em um ginásio na cidade de Mafra (SC) que Marcia (49) e Amarildo Partala (51) trocaram os primeiros olhares. Na época Amarildo jogava handebol, onde já participou da seleção catarinense da categoria e jogou no campeonato escolar brasileiro. Adolescentes, paqueraram até que Amarildo entrou para o mundo do futebol. “Fiz um teste e comecei a jogar no time Operário de Mafra”, lembra Amarildo. Mas logo depois já foi convidado a jogar profissionalmente na Sociedade Esportiva Matsubara, clube da cidade de Cambará (PR), onde ficou por alguns anos.
Foi em 1981, em um jogo do time paranaense na cidade de Mafra que o casal se reencontrou. “Começamos a namorar a distância, mas não havia celular ou telefone direito, aí trocávamos cartas”, conta Marcia. E entre cartas de amor, acompanhadas por vizinhos e o próprio carteiro, o namoro acompanhou a carreira de Amarildo no futebol.
Em 1981, quando disputava o campeonato paranaense, o jogador foi convocado para disputar o mundial na Austrália pela seleção de juniores, hoje sub-20, da seleção brasileira. Fotos com a camisa amarela ao lado de grandes nomes do futebol demonstram a emoção de representar o país. Alto, galego e com 19 anos, Amarildo fez parte da história do esporte brasileiro.
Para ele, futebol sempre foi um sonho de criança, “mas quando se chega lá é bem diferente”. Segundo ele, as coisas eram muito diferentes naqueles tempos: “Não existiam essas escolinhas preparatórias, empresários e tanta mídia, ou o jogador era bom e entrava ou não”, conta. Também, segundo ele, na época não se dava muito valor para as categorias de base. “Foi uma época muito boa, mas uma aventura. Era mais por amor à camisa mesmo”, conta a esposa Marcia.
Apesar de não ter conquistado o título na Austrália, foi uma emoção e tanto. Quando voltou continuou jogando para o time paranaense, mas durante toda a carreira passou por dez times, desde os estados catarinense e paranaense, até mais longe, como São Paulo e Goiás, na cidade de Goiânia.
E durante todos esses times o amor permaneceu. Em 1983 Amarildo e Marcia se casaram e ela, apaixonada por futebol, o acompanhou em diferentes cidades até que o filho chegou à idade escolar. “Combinamos que quando William tivesse idade para estudar não viajaria mais, e assim voltamos a morar em Mafra”, conta Marcia.
A carreira de Amarildo acabou aos 26 anos, quando teve que fazer uma cirurgia nos dois joelhos. “Foram seis meses de gesso, naquela época não havia as tecnologias de hoje”, lembra Amarildo.
Porém os joguinhos no final de semana e os encontros de ex-jogadores estão sempre garantidos: “Está no meu sangue e o futebol é a minha cachaça”. Além disso, naquela casa, o futebol é sempre bem-vindo. “Eu sempre gostei mais de futebol do que novela. Chorei muito quando o Brasil perdeu a Copa de 82 para a Itália”, lembra Marcia. Além disso, a discussão sobre futebol nunca aconteceu: os dois são fluminenses e torcem juntos.
Para a Copa os preparativos já começaram: “a nossa casa vira uma festa”, afirmam. Para o ex-jogador, por ser conhecido como o país do futebol e ser a sede, o Brasil é mais do que favorito, porém o futebol é imprevisível. E apesar das discussões políticas que estão envolvendo o futebol neste ano, Marcia afirma que a torcida é muito grande: “Se a Copa não fosse aqui o país continuaria com os mesmos problemas, os jogadores não são culpados”.
Assim, com muito gosto pelo futebol, ou melhor, por todos os esportes, o casal vive em total harmonia entre os gols e amor. Desde 1998 em Itapoá, apoiam e incentivam a prática de qualquer esporte: “não consigo ver nada de ruim nos esportes, só trazem coisas boas”, afirma Marcia.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 17 – Maio/2014

A história de um casal nada convencional

Ana Beatriz 

Neste mês dos namorados, contamos a história de Danieli Cristina Soares e Antonio Soares. Eles moram em Itapoá-SC, mas, antes de se estabilizarem no município, moraram em diferentes lugares, sempre recomeçando do zero e em busca de melhores condições de vida. Para instigar ainda mais esta história, depois das profissões pelas quais passaram, Danieli optou por ser policial e, Antonio, cabeleireiro –quebrando os tabus de gênero de ambas as profissões e fazendo deles um casal incomum, divertido e realizado.

A relação de Danieli e Antonio é de amizade, confiança e diversão.
Casados há quinze anos, eles têm muitas histórias para contar.

O começo de tudo
Essa história começa no município de Planalto-PR, onde Danieli e Antonio moravam e se viram pela primeira vez. Nos tempos de escola, Antonio desejava ficar com Danieli, mas ela tinha a pretensão de ser apenas sua amiga. “Ele era mais velho e levava um estilo de vida mais livre para a época, enquanto eu vinha de uma família tradicional”, ela conta. Certo dia aconteceu o primeiro beijo em frente a um pé de mamão. Tempos depois, eles começaram a namorar, até que, quando Danieli estava com 16 anos e Antonio com 19, ela engravidou.
“Foi um susto para todos nós, pois éramos muito jovens. Minha família quis que eu e Antonio nos casássemos, então, ele deixou a cidade para trabalhar e juntar dinheiro para, enfim, nos casarmos”, conta Danieli, que casou com Antonio no civil, quando ainda estava grávida. Para eles, os primeiros meses desde o nascimento do filho Fabiano Antonio Soares foram os mais difíceis, uma vez que Danieli amamentava o bebê durante o intervalo das aulas, no Ensino Médio.
Eles recordam que estavam jovens, com um filho pequeno, sem dinheiro e desempregados, em um município que oferecia poucas oportunidades. Com ajuda financeira, Danieli conseguiu se inscrever no vestibular para Educação Física e, para conseguir pagar a mensalidade da faculdade e concluir o curso, trabalhou em diversos lugares: dando aulas particulares, como estagiária em uma creche e na prefeitura de Planalto. “Eu me inscrevi para um curso de torneiro mecânico, mas a turma não abriu porque o número de vagas não foi preenchido. Conversando com um amigo, soube que sua esposa estava fazendo um curso de cabeleireiro, ele me indicou e decidi fazer, também”, conta Antonio, que realizou o curso e montou um salão de beleza para trabalhar durante o dia, enquanto trabalhava como frentista em um posto de combustível durante a noite, para contribuir com a renda da família. “Desde que nos casamos, a mãe de Antonio veio morar conosco e nos ajudou muito cuidando do Fabiano enquanto trabalhávamos”, conta Danieli.
Apesar de já estar formada e trabalhar na área de Educação Física, Danieli sonhava em ser policial e prestou o Concurso Público da Polícia Militar do Paraná, mas não obteve retorno. Em busca de melhores condições, ela deixou o município de Planalto para tentar a vida em Campo Novo do Parecis-MT, onde tinha alguns conhecidos. Em seguida, seu esposo, filho, sogra e até sua calopsita seguiram seus passos para tentar uma nova vida.

Novos ares
Quando chegou ao Mato Grosso, Danieli recebeu a notícia de que havia sido aprovada no Concurso Público da Polícia Militar do Paraná e perdeu o prazo para a apresentação. Felizmente, em sua nova cidade surgiram muitas oportunidades de emprego e ela trabalhou dando aulas de voleibol em um ginásio de esportes, dando aulas em uma fazenda para pessoas do Movimento Sem Terra (MST) e índios, e montou uma pequena academia na garagem de sua casa, que foi um sucesso. Já Antonio, trabalhou como responsável pelo setor de tintas em uma loja de materiais de construção e no salão de beleza mais conceituado da cidade, onde aperfeiçoou seus conhecimentos como cabeleireiro.
“Foram pouco mais de dois anos no Mato Grosso que serviram para o nosso amadurecimento, fortalecimento da relação e, principalmente, para aprendermos a nos desapegar e recomeçar do zero”, diz Antonio.
O novo lar foi Pontal do Paraná, em 2012, onde Danieli trabalhou ministrando cursos na área da educação por todo o núcleo de educação de Paranaguá e Antonio realizou um curso de vigilante e trabalhou na área. Em 2013, novamente desempregada, Danieli soube que precisavam de professores de Educação Física na rede municipal de Itapoá, foi até o município fazer uma entrevista e foi convidada a trabalhar no mesmo dia. “Itapoá não estava nos nossos planos, simplesmente aconteceu”, ela conta, “mas Deus sempre foi generoso conosco, colocando pessoas queridas que nos acolheram em cada lugar”.

Enfim, Itapoá
Enquanto moravam no município litorâneo do norte catarinense, Antonio permaneceu trabalhando como vigilante em Pontal do Paraná, e fazia viagens diárias a trabalho, até que conseguiu um emprego em uma empresa portuária de Itapoá. Já Danieli foi professora em duas escolas de Itapoá. “Adorava exercer esta profissão, mas não desisti do sonho de ser policial. Quando soube que havia sido aberto o edital de Concurso Público da Polícia Militar do Paraná e de Santa Catarina, decidi tentar novamente”, ela conta.
Aprovada, Danieli se mudou para Rio do Sul-SC para cumprir as etapas do curso de policial, no quartel, enquanto sua família permaneceu em Itapoá. “Foi um período difícil, pois estava sozinha, passando por testes de resistência e autocontrole, mas meu marido e meu filho sempre me deram forças”, diz Danieli. Em 2014, após o termino do curso de formação da PM, ela se mudou para Rio Negrinho-SC, onde teve sua primeira experiência de trabalho. Para acompanha-la, a família toda se mudou para lá, também. “Mas ainda queríamos voltar para Itapoá, pois gostamos muito do município e suas praias”, conta Danieli, que conseguiu, enfim, transferência para o município litorâneo.

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Antonio Soares é cabeleireiro, já Danieli Cristina Soares é policial. Nas fotos, Antonio em seu salão e Danieli com seus colegas de trabalho, Sargento Jair, Tenente Lima e Sub Tenente Hermínio no quartel.

Cravando raízes
De volta a Itapoá, Antonio montou um salão de beleza, que desde o primeiro mês superou as metas, enquanto Danieli se tornou, por alguns meses, a única mulher do quartel da Polícia Militar de Itapoá, trabalhando como P4 – profissional responsável pela logística e finanças, função que exerce até hoje. Quando ocorre algum problema desconhecido na mecânica da viatura, Danieli conta que recorre aos colegas de profissão ou telefona para Antonio: “ele vai me passando as instruções por telefone e, no fim das contas, dá tudo certo”. Mas, vez ou outra, ela trabalha nas ruas para substituir algum colega de profissão e conta: “uma das minhas maiores alegrias é ligar a sirene da viatura e ir para a operação”. Nas operações, a policial diz que se sente lisonjeada pela confiança que recebe dos colegas de profissão: “em uma operação no meio da mata, à procura de alguém que ofereça riscos, por exemplo, meus colegas não ficam com receio por eu ser mulher, muito pelo contrário, me tratam como os outros policiais. Já em outros casos, como ao abordar uma mulher, eles confiam em mim justamente pelo meu gênero, para que eu possa revistar a pessoa e tudo o mais. É uma parceria muito bacana”.
Já que Danieli fica responsável pela parte administrativa do quartel, dentro de sua casa, ela gosta de manter distância de assuntos mais burocráticos. “Então, eu fico responsável pelo controle de gastos, pagamentos, contas e afins. Até nas funções de casa nós nos completamos muito bem”, diz Antonio, que é o lado mais sereno do casal, enquanto Danieli é o lado mais agitado.
Nos churrascos entre os amigos policiais, ela conta que é uma situação divertida: “Sou a única mulher policial no grupo das esposas dos policiais, mas gostaria mesmo é de discutir assuntos relacionados ao trabalho como os homens estão fazendo, enquanto Antonio é o único esposo de uma policial no grupo dos policiais. É muito engraçado”.
Um casal onde a mulher é policial e o homem é cabeleireiro contraria todos os paradigmas impostos pela a sociedade. Apesar de cortar apenas o cabelo de homens, Antonio conta que nunca chegou a sofrer preconceito por ser cabeleireiro, com exceção de algumas brincadeiras dos amigos. Já a policial Danieli, já notou alguns olhares vindo de pessoas civis, mas, em contrapartida, também é admirada. “Algumas mulheres mais velhas já me pararam na rua para contar que sonhavam em ser policiais, mas que, em sua época, isso não era possível”, ela conta, “é muito legal ver que isso mudou e que, cada vez mais, as mulheres vêm ganhando espaço em uma instituição que é majoritariamente masculina”.
Para Danieli, as características de um bom policial são “amar o que se faz, pois, assim como na área da saúde, os policiais lidam com os problemas dos outros, e isso tem que ser feito por amor, e também se aperfeiçoar cada vez mais, pois isso leva a um comprometimento maior”. Já para as mulheres que sonham em ingressar na corporação, ela aconselha que sejam fortes e lutem por aquilo que desejam. “Como diversas profissões, o começo será difícil, ainda mais por ser mulher, mas a força de vontade deve ser maior que o medo. Se dedique, estude e tenha foco porque você é capaz”, fala. Nas palavras de Antonio, as características de um bom cabeleireiro são “tratar muito bem as pessoas, se especializar com cursos e afins, ser perfeccionista e profissional, praticar muito e, é claro, aprender a ser um pouco psicólogo, pois muitas vezes o que as pessoas precisam, além do corte de cabelo, é de alguém que as ouça”.
Desde que Danieli se tornou policial, toda a rotina da família mudou. “Hoje, temos o hábito de ficarmos atentos em ambientes públicos, prezamos pela segurança pessoal e selecionamos nossas amizades”, contam. Parte da compreensão do marido sobre a profissão da esposa eles creditam ao fato de Antonio já ter trabalhado como vigilante. “Além disso, nossa relação sempre foi de muita confiança, amizade e diálogo”, diz Antonio. O filho do casal também sempre foi compreensivo e se adaptou bem tanto às mudanças de cidades quanto à escolha de profissão dos pais.
Atualmente, Danieli, Antonio e Fabiano residem juntos. Nesta fase da vida, o casal se diz realizado no amor, na profissão e no lugar que escolheu para viver. Casados no civil há quinze anos, os dois ainda têm o sonho de fazer uma cerimônia de casamento na areia da praia de Itapoá, pois amam este lugar. Fora do salão de beleza e do quartel da polícia, Danieli e Antonio gostam de estar com o filho, os amigos, passear de moto ou ficar no sofá assistindo a televisão. Apesar de casar e ter um filho muito cedo, o casal afirma: “Nos divertimos juntos, somos grandes amigos e temos a sensação de que somos eternos namorados”.

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Animais também curam

Nesta edição, descobrimos com esta série que o amor por animais pode proporcionar mais do que alegria, amizade e boas histórias, também auxilia na cura e na vontade de seguir em frente.

Augusta Gern

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Beatriz Peres de Oliveira: os livros e os animais.

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Esta história não poderia começar de forma diferente, unindo as grandes engrenagens da vida de Beatriz Peres de Oliveira: os livros e os animais.
Com 11 anos de idade, a moradora de São Francisco do Sul mostra como não podemos desistir de nossos sonhos, nossos objetivos, em qualquer obstáculo, principalmente quando são movidos com tanto amor. Há cerca de dois anos recebeu a notícia que estava com um tumor no cerebelo, mas está dando a volta por cima.
A leitura é uma paixão que vem de berço e a motivou a começar a escrever. Com a paixão por animais, principalmente cachorros, tomou a iniciativa e escreveu o Tob, um livro infantil.
“Ela fez tudo sozinha, toda a história é fruto da imaginação dela. Me lembro dela sentada no sofá escrevendo com atenção e me perguntando: Se eu escrever um livro vocês publicam? E nós sempre dizendo que sim, que em breve o faríamos”, conta Fabiane Peres, mãe de Beatriz.
A única exigência dela é que o dinheiro arrecadado com o livro fosse revertido aos animais da rua, queria ajuda-los.
“Como sempre foi apaixonadas por animais, não gosta de vê-los sofrer. Antes de ser alfabetizada, e até hoje, pede para vendermos a nossa casa e comprar um terreno grande para poder cuidar dos animais”, conta a mãe. Desde pequena ela quer ser veterinária e bióloga, inclusive Fabiane conta que ela até já desenha a planta de seu futuro pet shop.
No aniversário de dez anos ela teve a grande surpresa: ganhou sua cachorrinha Minnie, mas nem conseguiu curti-la direito. Dez dias depois descobriram o tumor e, por passar muito tempo no hospital, deixou a companheira nos cuidados de sua avó.
“Ela não viu a Minnie crescer e isso mexeu muito com ela, a fez sofrer demais durante o tratamento”, lembra Fabiane.
Foram 15 meses de tratamento intensivo: dez cirurgias, quimioterapia, radioterapia, medicamentos para combater a doença, passagens pela UTI e constantes internações.
Durante todo esse período, mesmo longe, a mãe afirma que a cachorrinha Minnie deu muita força: “Ter um cachorro era um grande desejo de Bia e quando aconteceu de o destino as separarem, Bia sofreu muito”.
Fabiane lembra que quando Beatriz esperava para fazer a cirurgia, chorava muito pedindo para ver a Minnie. Depois da cirurgia ficou quase dois meses sem conseguir falar, e logo quando voltou pedia constantemente para o médico deixar Minnie visita-la.

“O reencontro das duas foi lindo, quase dois meses
depois a Minnie a reconheceu na hora”, lembra.
Porém, como o tratamento era Blumenau, a cachorrinha
precisou ficar mais um tempo com a avó.

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Durante este período no hospital, o sonho de publicar o livro saiu da gaveta e tornou-se realidade. Conforme Fabiane, a publicação foi feita com a ajuda de voluntários sonhadores de Blumenau.
No hospital onde Bia fez o tratamento tem pedagogia hospitalar e, na véspera de uma internação para quimioterapia, ela pediu que a mãe pegasse o livro, pois tentariam publicá-lo. Isso foi em novembro de 2013 e ali o assunto parecia ter acabado. “Bia continuou o tratamento e em abril de 2014 as coisas pioraram, fazendo com que ela entrasse em coma devido a uma infecção generalizada, permanecendo assim por cerca de 50 dias, 30 desses na UTI”, conta a mãe.
Dois meses depois, em junho, veio a notícia de que o Tob seria publicado com a ajuda dos voluntários e mais do que isso, também virou pelúcia.

O primeiro lançamento foi dia 25 de setembro, em Blumenau. “Chegando a São Francisco do Sul, nossa cidade, a Bia pediu que nós não deixássemos o seu sonho morrer, que ela precisava ajudar os animais de rua, e assim aqui, com a ajuda de mais sonhadores, conseguimos fazer um lançamento no dia 17 de novembro”, conta.
Com essa surpresa que a vida lhe deu e como precisa se reabilitar, a mãe conta que mudaram um pouco o destino da renda dos livros: parte vai para a reabilitação da Bia, parte para continuarem publicando o seu livro e parte para os animais de rua, seu principal sonho.
Os livros também não param: Bia já tem outros dois livros prontos, está trabalhando em mais um e já tem ideia para outro. “A continuação do Tob vem aí, além dele tem o Wendy na Selva e outro que ainda é segredo”, fala Fabiane.
Junto à produção de livros, hoje Bia está lutando para sua reabilitação motora voltar ao normal e fisioterapia e equoterapia fazem parte da sua rotina. “A equoterapia, inclusive, volta ao ponto da ligação da Bia com os animais, ela adora os cavalos”, afirma a mãe. A Minnie também a ajuda, sempre a faz companhia e sabe dos cuidados que Bia precisa: “ela sabe que a Bia está fraquinha e que não pode pular nela, é incrível a conexão”. Assim, junto com o sonho de ajudar os animais, seu grande desejo é melhorar e voltar a andar.

O livro Tob custa R$ 15, mais o valor do Correio, e pode ser adquirido pela página dela no facebook: /beatrizperesescritora. Para aquisição é só mandar uma mensagem e você pode acompanhar os relatos curtindo a página.