Barato que sai caro: a importância de comprar somente óculos originais e certificados

Hoje em dia, é possível encontrar óculos esteticamente perfeitos e que tenham preços justos em diversos comércios populares. Mas, apesar de muitas pessoas escolherem os óculos tendo em mente as tendências de moda e os modelos que combinam com seu estilo, o principal fator que deve ser observado é a qualidade das lentes que cada modelo oferece. Quem fala sobre a importância de óculos originais e certificados é Isamara Coan, proprietária da Coan Ótica e Joalheria, de Itapoá-SC.

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Na Coan Ótica e Joalheria, você encontra o melhor em óculos que são modernos e o mais importante: de qualidade.

Óculos com armação fina e óculos espelhado são tendências.

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Óculos em tons em tons de nude e no estilo vintage
são algumas das tendências para este ano.

Ela explica que isso é importante porque a radiação ultravioleta (UV), que vem do sol e preserva o calor e a vida na terra, pode causar danos no tecido do olho, desde a superfície até a parte mais interna, formada pela retina. “Doenças de córnea e superfície ocular, formação mais precoce de catarata e alguns tipos de degeneração de retina estão associadas a maior exposição a esse tipo de radiação, por exemplo”, pontua Isamara.
Apesar de os olhos terem mecanismos próprios de proteção contra os raios UV, eles podem não ser suficientes por conta da intensidade e do tempo de exposição a que a pessoa está submetida. “Os óculos solares têm como principal objetivo a proteção contra a radiação ultravioleta e contra outros comprimentos de onda de luz nocivos. Além disso, eles também bloqueiam parte da luminosidade e garantem menor agressão aos olhos, o que previne doenças e proporciona mais conforto e nitidez”, explica Isamara.
Na compra de óculos, é preciso se certificar se ele é mesmo de qualidade. “Precisa ter certificação da Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (Abióptica) e as lentes precisam ser regulares, ou seja, toda a superfície deve ter a mesma espessura”, orienta Isamara. E a dica vale tanto para óculos de sol quanto de grau, uma vez que muitas pessoas adquirem armações falsificadas para óculos de grau, que acabam não sustentando o peso das lentes originais.
Assim, é essencial verificar a procedência quando for comprar um óculos, especialmente para as crianças, pois um modelo falso pode trazer graves consequências. Utilize somente armações e lentes certificadas e com garantia, e procure uma ótica de confiança. Vale ressaltar que na Coan Ótica e Joalheria os profissionais têm curso de técnico em ótica e todos os óculos são originais e certificados, pensando na estética, mas também na saúde e bem-estar de seus clientes.
Tendências de óculos
em 2017
Sempre participando de feiras, eventos e estudos para conhecer as tendências do mercado, a equipe da Coan Ótica e Joalheria separou algumas tendências de óculos que estão com tudo neste ano de 2017.
O primeiro modelo são os óculos espelhados com armação fina. Optar por óculos estilo oversized (modelos grandes), estilo anos 70, é uma boa opção de destaque. “Apesar da ousadia, este tipo de óculos combina com qualquer ocasião e estilo”, diz Isamara. A armação no estilo tartaruga, considerada um modelo clássico, também segue fazendo sucesso em 2017, em versões mais modernas.
No quesito “cores”, a equipe da Coan destaca o rosê gold (rosa com dourado ou metalizado) para qualquer tipo de modelo, os óculos azuis e com armações estampadas, e óculos com cores em degradê, no sentido vertical, em lentes com transparência. Outra tendência forte são as armações mais claras, como brancas ou transparentes. No entanto, os “queridinhos” do ano são os tons metálicos e tons de nude.
Por fim, os óculos total vintage, fazendo referência às décadas de 60 e 70, dão o dom da graça em 2017. Além dos tons de nude já mencionados, tons de sépia ou âmbar também estão em alta. Misturar estilos em uma única peça, como, por exemplo, o clássico aviador com uma armação maior e vazada, também caiu no gosto dos apaixonados por acessórios.
Desejando ou não seguir as tendências de moda, estes e muitos outros modelos de óculos você encontra na Coan Ótica e Joalheria, a sua melhor opção neste segmento em Itapoá.

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Itapoá segundo os Manoéis

No “Quem É?” conhecemos a história de duas personalidades marcantes e antigas do município: Manoel Caldeira, também conhecido por Seu Maneco, e Manoel Perez da Silva, também conhecido por Manoel Quati. Amigos de longa data, o primeiro foi criado na região da Barra do Saí, enquanto o segundo foi criado próximo ao morro da comunidade do Saí Mirim. Além do primeiro nome, os Manoéis desta pauta têm em comum o amor por Itapoá e suas histórias de vida, que se confundem com a história do município.

O primeiro Manoel, o Caldeira

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‘‘Nós amanhecemos no rio e anoitecemos no rio’’, fala seu Maneco.

Também conhecido por Seu Maneco ou Seu Caldeira, Manoel Caldeira, natural de Itapoá, mora na Barra do Saí, tem 84 anos e uma porção de histórias. Ele não sabe ao certo se a origem de sua família é portuguesa ou espanhola, mas conta que seus avós chegaram ao Brasil de navio. Seu pai, Aristides Caldeira, nasceu e cresceu em Guaratuba e, aos 25 anos, passou a residir em Itapoá, onde conheceu sua mãe, Maria Clara, na comunidade do Saí Guaçu, do outro lado do rio. Eles se apaixonaram e, então, Aristides trouxe Maria para morar na comunidade do Saí Mirim, em Itapoá. Juntos, tiveram quatro filhos: duas mulheres e dois homens; Manoel foi um deles.
Ele é do tempo em que não havia quase nada em Itapoá. “O rio era a estrada. Para irmos às cidades vizinhas, só de canoa”, recorda. Grande conhecedor do município, Seu Maneco diz que já ouviu muitas pessoas afirmando que sabem tudo sobre Itapoá e, quando isso acontece, ele lhes desafia: “Você sabe onde fica a Volta da Figueirinha ou do Bananá, no Rio Saí Mirim? Se não sabe, não conhece tudo”.
De acordo com Seu Maneco, antigamente, cada volta do Rio Saí Mirim possuía um nome específico, batizado por moradores locais. Para nos explicar melhor, desenhou as curvas do rio no chão de sua casa. Partindo da sua foz, na Barra do Saí, recordou cada nome, são eles: Ostra, Tetequera, Ostrinha, Poço Novo, Marca, Poço de Baixo do 2000 (que leva esse nome porque, no local, foram pescadas 2000 tainhas), Poço de Cima do 2000, Volta do Jaruvá, Volta Comprida do Bugio, Poço do Bugio, Piçarrão, Volta Comprida do Piçarrão, Volta do Quati, Poço da Figueirinha de Baixo, Poço da Figueirinha de Cima, Volta Comprida da Figueirinha, Poço Redondo, Volta do Poço da Coroa, Volta da Pistola, Poço do Crispim, Volta da Goiaba, Poço do Piri, Volta do Arrancado de Baixo, Volta do Arrancado de Cima, Volta da Timbuva, Volta do Piçarrão (localizada na ponte de cimento da estrada Cornelsen), Volta do Bananá, Volta Comprida do Bananá e Passa-macaco. A partir desse ponto, Seu Maneco não se recorda dos nomes das voltas do rio e diz que quem o sabe é seu amigo, o Manoel Perez.
Assim como cada volta do Rio Saí Mirim, ele diz que, a cada 1000 metros, as praias de Itapoá têm nomes específicos, não encontrados. Começando na Barra do Saí, são eles: Abreu, Crispim, Arrancado, Roxo, Camboão, Mendanha, Ilha do Meio, Ariel, Lagoinha, Lorato, Itapoá, Morretes, Barra do Rio, Ana Rosa, Ponta do Pontal, Pontal, Piçarras e Figueira.
Sua infância foi difícil. Com apenas 8 anos de idade, Manoel levava cinco crianças menores para estudar na Barra do Saí de Guaratuba, todos os dias, de canoa. “As outras crianças aprenderam uma coisinha ou outra, mas eu não aprendi nada, pois tinha que conduzir a canoa e ainda cuidar delas”, diz. Já aos 11 anos, seu pai, que era pescador e navegador, veio a falecer, e Manoel passou a ajudar no sustento da família, trabalhando na roça e na pesca. Ele conta que, antigamente, era no rio que os pequenos aprendiam as coisas da vida, como a se defender do perigo.
Certo dia, observou o cunhado construir uma canoa, e fez uma, também. “Batizamos minha primeira canoa de ‘só ela’, pois brincávamos que ela era ‘feia, que só ela’”, conta Seu Maneco, que, mais tarde, se tornou construtor de barcos, canoas e remos para pesca. Ele diz que já perdeu a conta de quantas canoas, barcos e remos construiu, e que tem trabalhos espalhados nos rios e mares de todo Brasil.
Conforme relato, a construção dessas embarcações era feita à mão e durava aproximadamente um mês, passando por várias etapas. As madeiras utilizadas eram guapuruvu, pela leveza e facilidade de entalhe, madeira guarataia, como, também, as madeiras guaruva, cauvi, imbiriçu, canela, que, segundo Manoel são madeiras da localidade. “A canoa e o barco de madeira já fizeram sua história, mas hoje em dia tudo é feito de fibra ou materiais muito mais resistentes”, diz.
Aos 84 anos, Seu Maneco é pai, avô, bisavô e tataravô. Ao longo de vida, casou-se três vezes e teve doze filhos, três deles já falecidos. Junto de sua atual esposa, Dulce Soares de Souza, reside na Barra do Saí, à beira do Rio Saí Mirim, ao lado de uma rampa de descida para o rio. Junto, o casal divide a rotina de pescar no rio. Diariamente, deixam mais de quarenta caixinhas de pesca pela água do rio e recolhem-nas para, depois, vender os peixes e camarões que foram fisgados. “Nós amanhecemos no rio e anoitecemos no rio”, fala Seu Maneco. De acordo com ele, ainda existem muitas espécies de peixes no Rio Saí Mirim, como tainha, escrivão, bagre, jundiá, traíra e robalo, no entanto, em menores proporções, já que, muito antigamente, ele costumava pescar cerca de cem tainhas todo dia.
Nas palavras de Manoel, sua atividade favorita atualmente é descansar, mas Dulce o desmente: “Ele, mesmo aos 84 anos, não para um minuto sequer. Está sempre pescando, tarrafeando, vendendo ou construindo uma coisa ou outra”. Sobre a lenda de uma grande cobra que vive no Rio Saí Mirim, a esposa de Manoel reza para que o marido nunca a encontre, pois é “corajoso feito um índio velho”, diz. Já Seu Maneco, afirma: “nunca tive medo dos bichos, só dos homens”.
Católico, ele também costuma assistir às missas na televisão e fazer promessas a seus santos. “Aqui em casa, até os passarinhos assistem à missa”, fala. Além do Rio Saí Mirim, a sua base de sustento, e da fé, o seu alicerce, o pescador gosta de criar pequenos versos. Para ele, nascer, crescer, fazer parte da história de Itapoá e viver à beira do Rio Saí Mirim é ter, todos os dias, inspiração.

 

O segundo Manoel, o Perez

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‘‘Ainda estou acostumado a me localizar pelos nomes antigos”, Manoel Perez.

Natural de Biguaçu-SC, quando moço, Pedro Perez da Silva passou a morar em Itapoá. No município, conheceu a itapoaense Maria Ana de Jesus. Juntos, tiveram quatro filhos: três mulheres e um homem – este último, Manoel Perez da Silva, também conhecido como Manoel Quati, protagonista deste texto.
Nascido no Saí Mirim, foi nesta comunidade que Manoel e seus irmãos cresceram. Seu pai era deficiente físico e fabricava redes, balaios e cestos para vender. Para ajudar a família, aos 10 anos de idade Manoel teve de começar a trabalhar na roça. “Tive uma vida muito difícil. Já passei fome e já trabalhei muito”, fala. Com exceção da irmã mais nova, os filhos de Pedro e Maria Ana, mesmo morando em frente a uma escola, não chegaram a estudar. “Eles nos mandavam trabalhar na roça, pois diziam que a escola não nos daria comida, mas o trabalho sim”, diz. De vida simples, Manoel recorda que era impossível saber a cor do tecido de suas roupas, pois quase sempre eram remendadas.
Quando criança, ganhou o apelido de Manoel Quati, pois costumava aprontar bastante e subir nas árvores para não apanhar da mãe. Ainda pequeno, ele andava pela mata do Saí Mirim cortando cipó branco para fabricar vassouras e vende-las. Para ajudar a família, também plantava aipim e arroz, roçava grama, fazia balaios e cortava palmito – atividades que aprendeu com o pai. Com uma canoa de madeira e um ônibus lata-velha, chegava até o centro de Itapoá, em Itapema do Norte, para vender os produtos em um armazém.
Entre suas lembranças mais marcantes sobre a antiga Itapoá estão a Primeira e Segunda Guerra Mundial. Na Primeira Guerra Mundial, Manoel era muito pequeno, mas recorda que seu avô foi morar no meio da mata do Saí Mirim para proteger os filhos até que a guerra terminasse. Já na Segunda Guerra, ele era moço e, quando deixava a comunidade do Saí Mirim para ir ao centro fazer compras, observava, no antigo Areião (região onde se encontra a Primeira Pedra), o acampamento de batalha de soldados que ficavam à espreita, vigiando os navios no mar. “Os soldados também se prontificaram para ensinar a ler e escrever àqueles que tivessem tempo e interesse”, conta, “muitos rapazes, na época, aprenderam com eles”.
Já na vida adulta, ele começou a pescar em alto-mar para vender em São Francisco do Sul. Para chegar a qualquer uma das cidades vizinhas, seja para vender produtos ou comprar remédios, Manoel narra que era preciso navegar durante um dia inteiro, com início na madrugada. Entre as idas e vindas pelo Rio Saí Mirim, Manoel Perez e Manoel Caldeira se conheceram e se tornaram amigos. Em seguida, casaram-se e perderam contato.
Pai de treze filhos, dois deles já falecidos, ele começou a cria-los no Saí Mirim, junto de sua primeira esposa. Mais tarde, Manoel trabalhou durante cinco anos na construção da estrada Cornelsen, abrindo a picada, e, quando o serviço foi concluído, passou a morar na região do Samambaial, onde vive na companhia de Reni Maria Faria, sua segunda esposa.
Assim como Manoel Caldeira, Manoel Perez também conhece cada volta do Rio Saí Mirim. Partindo da Volta do Passa-macaco (de onde Manoel Caldeira parou), ele segue listando os antigos nomes de cada região do rio: Volta do Poço do Cambiju, Volta do Quilombo de Baixo, Volta do Quilombo de Cima, Guarajuva, Volta do Piri, Reta da Boca do Braço do Norte, Volta do Ribeirão da Pedra, Canta Galo, Volta do Seu Fábio, Volta dos André, Volta dos Gonçalo, Volta do Gavina, Volta do Marcelo, Volta do Porto, até que se chega à ponte do Rio Saí Mirim.
Aos 81 anos de idade, Manoel afirma que desconhece a Itapoá dos dias atuais. “Dias atrás fui para o centro e quase me perdi, pois as localidades passaram a receber outros nomes e ainda estou acostumado a me localizar pelos nomes antigos”, fala. Apesar de tantas mudanças, Manoel diz que não sente saudade do passado. “A vida era, sim, mais tranquila, no entanto, era também mais sofrida”, conta. Ele, que sempre teve muita força de vontade para trabalhar, também gosta de ir a bailes, mas hoje, só deseja descansar.
Amigos de longa data, o tempo e a Itapoá atual afastaram os Manoéis desta história. Mas, o destino quis que a filha de Manoel Perez se casasse com o filho de Manoel Caldeira. E, neste mês de abril de 2017, a Revista Giropop promoveu este reencontro: de muitas histórias, lembranças e emoções, vividas por dois filhos desta terra tão querida chamada Itapoá.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 51 – Abril/2017

 

Paulo Henrique Gonçalves: de Itapoá para o mundo

Conheça a história do atleta paraolímpico de
tênis de mesa que trouxe ouro para o Brasil

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O atleta Paulo Henrique Gonçalves Fonseca, o PH, na companhia de sua mãe (à esquerda) Daniela Gonçalves, e seu amigo e treinador (à direita) Alan Rezende da Silva.

Diferente do que muitos imaginam, o tênis de mesa é um esporte bastante complexo e benéfico a seus praticantes. Porém, para as pessoas com deficiência, ele simboliza muito mais que saúde, mas também superação. De Itapoá-SC, o atleta paraolímpico de tênis de mesa Paulo Henrique Gonçalves Fonseca, mais conhecido como PH, comprova a grandiosidade e representatividade deste esporte: com apenas 16 anos, já possui bons resultados a nível nacional, sendo, inclusive, convidado para integrar a Seleção Brasileira de Tênis de Mesa em uma grande disputa, em março deste ano, onde obteve medalha de ouro para o Brasil, tornando-se grande motivo de orgulho para o município de Itapoá.

Em março deste ano, PH foi convocado pela Seleção Brasileira de Tênis de Mesa Paraolímpica para defender o Brasil nos Jogos-Parapan Americanos de Jovens.

Momentos marcantes de Paulo Henrique ao longo de sua carreira no tênis de mesa.

Natural de Londrina-PR, a história do nascimento de Paulo Henrique envolve um milagre. Sua mãe, Daniela Gonçalves, conta que, até o oitavo mês de gestação, o filho não apresentava os dois braços através do ultrassom. Depois de Daniela fazer uma promessa para Nossa Senhora Aparecida, quinze dias antes do nascimento de Paulo Henrique, sem qualquer explicação, ele apresentou desenvolvimento na formação nos braços. Ele nasceu, então, com mão torta ulnar, uma má formação dos cotovelos para baixo, mas com os dois braços – contrariando até mesmo a medicina.
Desde pequeno, PH, como é carinhosamente chamado, realiza consultas em fisioterapeuta, médicos e recebe, também, acompanhamento ortopédico. Durante sua infância, por conta de sua deficiência física, foi vítima de preconceito algumas vezes. Filho de professora, felizmente, Paulo sempre recebeu instrução e educação da família para lidar com as críticas e sentir-se bem-resolvido. No ano de 2006, passou a residir no município litorâneo do norte catarinense, onde, assim como tantas outras grandes revelações do esporte itapoaense, Paulo Henrique desenvolveu sua paixão por esportes através do Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE) – um projeto gratuito para as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá, que foi encerrado em novembro de 2015, para corte de gastos – onde fazia aulas regulares de surfe.
Já aos 11 anos de idade, Paulo Henrique, mesmo com a má formação de seus braços, realizava diversas atividades que exigiam esforço dos mesmos: surfava, tocava guitarra e violão. Mas, sua verdadeira paixão era o tênis de mesa, esporte que praticava em cada minuto livre na escola. Em 2013, impressionado com o desempenho do aluno no tênis de mesa, seu atual professor de Educação Física, Alan Rezende da Silva, passou a ajuda-lo a participar de competições locais, já sonhando em, um dia, criar uma associação para revelar e treinar talentos locais. “Minha intenção, na época, era mostrar a ele o mundo mágico do paradesporto e todas as modalidades que ele poderia praticar”, conta Alan, que, tempos depois, fundou a Associação Esportiva e Paradesportiva de Itapoá (ASEPI).
Com apenas três meses de treinamento na ASEPI, Paulo Henrique participou de sua primeira disputa, os Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina (PARAJESC), onde participou de competições no atletismo e tênis de mesa, obtendo, logo de início, medalhas de prata para o município de Itapoá. “Quando isso ocorreu, alguns de meus amigos vislumbraram atuar como técnicos do Paulo”, recorda Alan, “chegamos a ser muito assediados para que ele fosse parar no atletismo, mas, devido às possibilidades e afinidade com o esporte, sua palavra final foi seguir carreira do tênis de mesa”. Desde então, o menino vem incansavelmente participando de competições regionais, estaduais e nacionais, representando clubes como a ASEPI e a Seleção Catarinense de Tênis de Mesa, na categoria individual, por dupla e por equipes.
Além do professor Alan, responsável por revelar o talento do jovem, outra pessoa crucial para a carreira de PH é Daniela, sua mãe. Nas horas vagas, além do portão da escola, a professora exerce outras funções: “sou um pouco de tudo: empresária, divulgadora, psicóloga, motorista, assessora de imprensa e, principalmente, fã dele”. Durante dois anos, Daniela encarou a rotina semanal de levar o filho para treinar tênis de mesa em Joinville. Junto de toda a família, ela também já organizou eventos e rifas para ajudar o filho a realizar seu sonho. “As competições, que acontecem, no mínimo, uma vez ao mês, envolvem gastos com transporte, hospedagem, alimentação, materiais importados (pois estes influenciam na agilidade e movimento das jogadas) e afins”, explica a mãe. Para tentar reverter parte desta situação, PH concorre anualmente ao Bolsa Atleta – um programa que patrocina atletas e para-atletas que mantêm o alto rendimento nas competições de sua modalidade.
Para manter o bom desempenho, Paulo Henrique é treinado e recebe patrocínio do Estúdio Inspira de Pilates e Treinamento Funcional, da academia Pride Center Gym e do Espaço Zen, onde realiza acupuntura e massoterapia. Além das atividades físicas e do calendário de competições, ele possui uma rotina de treinos e vai à escola regularmente. Sendo o mais jovem atleta paraolímpico de tênis de mesa do campeonato brasileiro, Paulo Henrique, que tem como inspiração o mesa-tenista paraolímpico Hugo Calderano, do Brasil, e o mesa-tenista olímpico Dimitrj Ovtcharov, da Alemanha, descreve a sensação: “viver isso tudo com apenas 16 anos é assustador e, ao mesmo tempo, empolgante”. Por todo este frenesi de emoções, o jovem também recebe apoio de um psicólogo, que estimula sua confiança e concentração para conciliar todas as tarefas e alcançar o pódio.
Alan, que hoje é treinador de Paulo Henrique, fala que o menino possui perfil de um verdadeiro atleta. “O Paulo não sabe e não consegue se doar aos treinos pela metade, ele se entrega verdadeiramente em todos os momentos. Age sempre com respeito e atenção a todas as instruções de seus técnicos, sempre disposto a executar e repetir os exercícios quantas vezes for necessário, para chegar o mais próximo da perfeição”, diz Alan, “se existe outro atleta tão disciplinado em qualquer outra modalidade dentro de nosso município, eu não conheço”.
O apoio da família, dos parceiros, profissionais e amigos, somados à dedicação e disciplina de PH têm resultado em grandes e significativas conquistas. Entre as principais estão: 1º lugar na categoria individual no PARAJESC de 2014; 3º lugar em duplas no 47º Campeonato Brasileiro de 2014; 3º lugar nas seleções no 47º Campeonato Brasileiro de 2014; 1º lugar no PARAJESC de 2015; 1º lugar na categoria individual, 1º lugar na categoria por duplas e 1º lugar na categoria por equipes nas Paralimpíadas Escolares de 2015; 3º lugar na categoria individual do Circuito Catarinense de Tênis de Mesa, no Open Paralímpico, em 2016; 3º lugar em duplas no 49º Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa de 2016; 1º lugar na categoria individual no PARAJESC de 2016; 1º lugar por equipes no 50º Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa de 2016; 2º lugar na categoria individual, 3º lugar por duplas e 1º lugar por equipes nas Paralimpíadas Escolares de 2016.
Mas, até o presente momento, o marco histórico da carreira de PH foi a convocação para integrar a Seleção Brasileira de Tênis de Mesa Paraolímpica, para defender o Brasil nos Jogos-Parapan Americanos de Jovens – evento que envolveu 800 atletas de 19 países, entre os dias 15 e 26 de março, em São Paulo-SP. No seu primeiro campeonato a nível internacional, Paulo Henrique ficou em 5º lugar na categoria individual e, na categoria por equipes, foi decisivo para trazer a medalha de ouro para o Brasil. “Quando vi que o resultado estava em minhas mãos, fiquei muito ansioso, pois não estava acostumado com isso. Mas, felizmente, consegui me concentrar e colocar todos os pensamentos a meu favor”, conta o atleta, “no momento em que fechei o último ponto, foi uma sensação de alívio e alegria. Dei o meu melhor e tive a sensação de que fiz história, não por ser o primeiro atleta a ser convocado, mas por ter sido o principal responsável pelo resultado do jogo, que acabou com o Brasil em 1º lugar”. Após a competição, de volta à Itapoá, o atleta foi ovacionado por uma carreata de amigos e familiares, todo com o semblante de orgulho e felicidade.
Com apenas 16 anos e tantos pódios alcançados, a história de PH influencia jovens a batalharem pelos seus sonhos e é sinônimo de orgulho para todo o município. E ele tem planos de alcançar voos ainda mais altos: se tornar um atleta efetivo da Seleção Brasileira de Tênis de Mesa Paraolímpica e participar dos Jogos Paraolímpicos – quem sabe, em Tóquio, em 2020. Considerado um atleta bastante autocrítico, persistente, disciplinado, sonhador e cheio de fé, Paulo Henrique tem uma frase favorita que gosta de compartilhar com aqueles que torcem por ele ou inspiram-se nele: “Treine, esforce-se ao máximo, lute, dê sempre o seu melhor e jamais desista daquilo que te faz feliz. O resto é apenas consequência”.

Deseja apoiar ou patrocinar o atleta
paraolímpico de tênis de mesa
Paulo Henrique? Entre em contato
com sua mãe, Daniela, através do e-mail:
dcmgoncalves@hotmail.com
whats app 47 9 9668-5630

Ana Beatria Machado

Matéria publicada na Revista Gi

Hidroginástica, uma atividade completa, satisfatória e relaxante

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A hidroginástica nada mais é do que a ginástica praticada na água, e pode trazer incontáveis benefícios à saúde de seus praticantes, especialmente na capacidade cardiorrespiratória. No município de Itapoá-SC, aulas de hidroginástica são oferecidas pela Fisiopilates, através do time de profissionais Custódio Soares, Thayna Martins e Flavia Gregorini, que explicam um pouco mais sobre esta atividade tão completa, satisfatória e relaxante.

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Juntos, Dona Lourdes e Seu Abel encontraram na hidroginástica
qualidade de vida e melhora na saúde.

Engana-se quem pensa que fazer hidroginástica é só para a terceira idade. De acordo com Thayna, a atividade pode ser uma ótima alternativa para queimar calorias, recuperação de lesões e pós-cirurgias, além de ser um exercício divertido. “Ela geralmente é praticada em grupo, com música agitada e um professor lidera a aula para não deixar ninguém parado e corrigir os exercícios”, conta.
A professora de hidroginástica Flavia explica que, por ser um exercício mais seguro em comparações às modalidades de alto impacto, já que a água atenua o impacto das reações, a hidro (como também é chamada) é muito praticada por pessoas com desvios posturais e dores articulares e na coluna. Ainda de acordo com a professora, a atividade também pode ser feita por adolescentes, adultos e idosos, pessoas com obesidade, indivíduos que possuem alguma patologia e também por grávidas, mas ela ressalta: “sempre sob orientação médica”. Mesmo não sabendo nadar é possível realizar uma boa atividade e obter resultados com os exercícios.
Mas, por que a atividade faz sucesso, sobretudo, entre o público da terceira idade? O professor de hidroginástica Custódio explica: “A hidroginástica na terceira idade é uma ótima opção, pois o corpo passa por inúmeras transformações, como declínio de massa muscular, óssea e queda na capacidade aeróbica. Ela é, sem dúvida, uma boa maneira de ficar longe do sedentarismo, garantir mais disposição, prevenir e retardar o processo de envelhecimento, além de proporcionar bem-estar, diversão e uma vida social mais ativa”.
Na Fisiopilates, grande parte do público da hidroginástica é da terceira idade – cada um com seu histórico de superação. Entre eles, está o casal Maria Proença Pereira, mais conhecida como Dona Lourdes, de 67 anos, e Abel Mendes Pereira, mais conhecido como Seu Abel, de 77 anos, que pratica hidroginástica juntos. Ela iniciou na atividade por indicação médica, já que tinha problemas na coluna e fortes dores no braço, já ele, foi inspirado conforme observava os avanços da esposa, desejando também cessar suas dores no corpo. “Para nós, a hidroginástica foi uma bênção, pois não conseguíamos dormir direto, de tanta dor, hoje, nos sentimos revigorados depois de cada aula”, contam. Outra aluna da hidro na Fisiopilates é Francisca Amorim, mais conhecida como Dona Chica, de 74 anos, que iniciou a atividade há pouco mais de um ano, também por conta de um problema na coluna. Hoje, ela afirma que apresenta melhores resultados em seus exames e sente-se mais disposta.
De acordo com a professora Flavia, normalmente, as aulas de hidroginástica começam com um aquecimento articular e alongamento. Em seguida, vem a parte aeróbica com exercícios de resistência. Já ao final da aula, os alunos retornam a um ritmo mais calmo, realizando exercícios de alongamento e relaxamento.
Além dos demais benefícios citados acima, o professor Custódio ressalta outros bons motivos para se praticar hidroginástica: “além de melhorar a capacidade cardiorrespiratória, ela ativa a circulação, melhora a flexibilidade e amplitude dos movimentos, ajuda na coordenação motora e na resistência muscular”. Mas, fique atento, pois, apesar de benefícios tão claros e animadores, pacientes com osteoporose, miocardite, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial grave, diabéticos não controlados e aneurisma precisam de liberação médica para, então, praticarem a atividade.

Aos interessados, a sede de natação e hidroginásticada Fisiopilates
fica localizada na Rua Ana M. Rodrigues de Freitas
(Avenida 790, rua dos Correios), 238, em Itapema do Norte.
Maiores informações:
47 3443.6797 | 47 99940.0614

Doação de cabelo para pacientes com câncer

Os cabelos são a parte do corpo que muitas pessoas mais se dedicam, sempre buscando os melhores produtos, os cortes mais adequados e os tratamentos mais modernos. Toda essa vaidade existe porque os cabelos ajudam a desenhar o formato do rosto e, dependendo do tipo, podem deixar com uma aparência mais leve, mais jovem ou até mais magra. Por todas essas razões, perder os cabelos por causa de doenças autoimunes, de efeitos colaterais no tratamento contra o câncer ou mesmo por acidentes, mexe muito com a autoestima das pessoas.

Além da própria luta contra a doença, que é um processo muito difícil, a perda dos fios afeta o lado psicológico, que também é muito importante e faz a diferença no processo de cura. Por isso, muitas vezes o uso de uma peruca pode fazer a diferença, fazendo com que esses pacientes se sintam mais bonitos e confiantes e, assim, enfrentem melhor o tratamento.

Atitudes pequenas, porém grandes

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Augusta Fehrmann Gern e seu cabelo nos
inspiraram a abordar este tema.

Quem nos inspirou a abordar este tema foi Augusta Fehrmann Gern, de 25 anos. Ela sempre achou bonito o gesto de doar o cabelo para pacientes com câncer, mas aguardou o momento certo para fazer isso. “Eu já estava com vontade de mudar o visual, pois acredito que mudanças são sempre positivas. Mas, assim que me lembrei dessa atitude, pesquisei a respeito e descobri que, para doar, o cabelo deveria ter, no mínimo, 15 centímetros de comprimento”, recorda. Então, ela determinou que deixaria o cabelo crescer e só o cortaria após o dia do seu casamento.
Em abril deste ano, uma semana depois do grande dia, Augusta mediu os fios e viu que estavam no tamanho ideal e, então, foi ao cabeleireiro cortá-los. A atitude é importante, mas ela ressalta que o doador deve sentir-se bem com a escolha: “Eu acho que o cabelo um pouco mais curto é prático e combina com o inverno que está por vir”. Além disso, lembra que cabelo sempre cresce – para alguns mais rápido, para outros mais devagar.
Fios cortados, Augusta levou-os para casa, pois ainda não tinha um local para doar em mente. Através de uma amiga, soube da ONG Cabelaço (www.facebook.com/cabelacors), de Porto Alegre-RS. “Ela me passou a página da ONG e gostei muito do trabalho deles, especialmente por fazerem perucas para pacientes com câncer que são, em sua maioria, crianças”, conta Augusta. Com as informações obtidas na página da Cabelaço, ela enviou suas madeixas de Itapoá para Porto Alegre, pelo correio.
Para ela, é incrível como uma atitude tão simples pode mudar a vida de outra pessoa, já que o cabelo é responsável pela autoestima de muitos, especialmente meninas e mulheres. “E, no fim das contas, cortar os fios não faz tanta diferença, pois daqui a uns meses o cabelo pode estar igual ou até maior e mais forte que antes”, ressalta Augusta. Nas palavras de nossa inspiradora desta matéria, “é importante ter empatia e perceber que pequenas atitudes para nós podem ser grandes para outros”.

 

Gesto que inspira

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Seguindo seu exemplo, Chirley Ribas inspirou outras pessoas a doarem, também.

Há um ano, Chirley Ribas, de 31 anos, também doou seus fios de cabelo. Ela fala que sempre desejou ajudar o próximo, mas que nos últimos anos isso se intensificou, talvez por influência da maternidade. Pela rede social de uma conhecida, Chirley soube da entidade Casa do Adalto (www.facebook.com/casa.adalto), em Joinville-SC, que aceitava doação de cabelo e fabricava perucas para pacientes com câncer. “Achei muito interessante, mas foi vendo as fotos dos semblantes do ‘antes e depois’ de os pacientes ganharem as perucas que tive a certeza de que parte do meu cabelo faria muito mais diferença na cabeça de outra pessoa”, fala.
Ela, que estava há tempos mantendo o cabelo comprido, aliou a vontade de mudar radicalmente à vontade de ajudar. Após o corte, Chirley foi até a entidade entregar a doação em mãos: “Fui muito bem recebida na Casa do Adalto. Saí de lá com uma sensação muito boa”.
Depois disso, Chirley chegou a influenciar outras pessoas a doarem, como, por exemplo, uma amiga que incluiu o “corte para doação” em uma gincana na empresa em que trabalha, juntando e doando mais de quinze mechas para a mesma entidade que Chirley.

 

Mudar faz bem

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Evandro Chagas Ribeiro da Rosa cortou seu cabelo e está à procura de um local para doá-lo.

Homns com cabelos compridos também podem abraçar essa ideia. Evandro Chagas Ribeiro da Rosa, de 19 anos, sempre teve a intenção de doar o cabelo quando o cortasse: “não queria jogá-lo fora sabendo que poderia fazer a diferença para alguém”. O corte foi realizado em abril desse ano, em Itapoá, mas, na semana seguinte iniciou sua semana de provas na universidade e, por isso, Evandro ainda não dedicou tempo para procurar algum hospital, ONG ou entidade para doar a mecha cortada.
Até o presente momento, ele está com o pedaço de seu cabelo guardado, à procura de algum lugar para doar, de preferência em Florianópolis-SC, onde estuda. Para aqueles que desejam fazer o mesmo, ele encoraja: “Doar o cabelo é importante para quem recebe, mas também pode ser legal para quem doa, pois, além de se sentir satisfeito em ajudar o próximo, um novo visual pode simbolizar coisas boas e refrescar a personalidade”.

 

Crianças também doam

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O pequeno João Gabriel Borges da
Costa Ramos está esperando seu cabelo atingir o comprimento mínimo para, então, doá-lo.

Se doar o cabelo para pessoas com câncer já é uma atitude bonita, quando a ideia parte de uma criança é ainda mais especial. O pequeno João Gabriel Borges da Costa Ramos, de apenas 8 anos, teve a ideia quando estava assistindo a um programa de televisão. “O programa contava sobre meninas que tinham câncer e sonhavam com uma festa de 15 anos. O hospital organizou uma festa para elas, que eram fãs do cantor Luan Santana, que é meu ídolo também. Então, o Luan Santana fez uma surpresa e dançou valsa com as meninas que tinham câncer”, conta João, que, a partir daí, se sensibilizou com a causa e tomou a decisão de deixar o cabelo crescer para doar.
A família de João ficou muito orgulhosa com isso, também alertou a ele que o cabelo poderia demorar a crescer, que no verão seria difícil por conta do calor e que alguns amigos poderiam fazer bullying, mas ele se manteve firme. Alguns amigos da escola apoiaram a atitude de João, mas outros chegaram a fazer piadas de mau gosto sobre seu cabelo comprido. “Eu pensei em desistir, mas conversei com minha família e todo mundo me lembrou da importância desse ato”, diz. Até agora, João está esperando os fios chegarem ao comprimento mínimo para, depois, pesquisar um lugar para doar. Em suas palavras, ele conta o que está lhe motivando a ajudar pessoas com câncer: “eu me imagino no lugar delas”.
A pequena Khiara Luna Teixeira Bauer, de 9 anos, também teve essa ideia. Ela conta que a empregada de sua casa tinha uma filha que morreu de câncer e, por isso, se inspirou. Khiara, que tinha o cabelo longo, cortou e doou para o Instituto Atitude na Cabeça (www.facebook.com/atitudenacabecacuritiba), de Curitiba-PR. A pequena aprovou seu novo visual e fala sobre a experiência: “Doar meu cabelo para pessoas com câncer foi bom e legal, e fez bem para o coração e para a alma”.

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O processo de corte dos fios da pequena
Khiara Luna Teixeira Bauer, que também abraçou essa causa.

 

Se pode ajudar, ajude

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As madeixas de Júlia de Freitas e ela conferindo o novo visual.

Júlia de Freitas, de 18 anos, sempre desejou cortar seu cabelo, no entanto, adiava esse dia por falta de coragem; até que caiu a ficha de que o cabelo não faria falta para ela e que alguém faria bom uso dele. O corte aconteceu em abril desse ano, mas Júlia guardou os fios para pesquisar um local de confiança para qual possa doar.
Ela, que também é doadora de sangue, acredita que é desnecessário acumular coisas das quais não precisamos ou não nos farão falta, especialmente quando alguém pode se beneficiar com isso – ou seja, se tem a oportunidade de ajudar o próximo, ajude. E fala: “o cabelo cresce e a sensação de estar fazendo a coisa certa, também”.

 

Vontade de doar de novo

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Naiara Pinheiro doou seu cabelo uma vez e, hoje, depois de ter crescido, pretende fazê-lo de novo.

Outra história inspiradora de doação de cabelo para pessoas com câncer aconteceu há alguns anos e vem de Naiara Pinheiro, de 22 anos. Ela conta que sempre manteve o visual com o cabelo longo, mas cogitava a ideia de cortá-lo. Até que se apaixonou por um perfil no Instagram chamado Cabelegria (@cabelegria), voltado a doações de cabelo, de São Paulo-SP. “Fotos das crianças felizes com as perucas me sensibilizaram e foram decisivas para que eu entrasse nessa, também”, diz.
Naturalmente, Naiara foi ao salão de beleza, em Itapoá, e cortou suas madeixas. Porém, realizou a doação para um local um pouco mais próximo: o Projeto Cabelo Amigo (www.facebook.com/cabeloamigocuritiba), de Curitiba-PR. “Infelizmente, não pude ir até o local para acompanhar o processo de confecção da peruca, mas conversei com a responsável pelo projeto e fiquei satisfeita em ajudar uma causa séria e tão importante”, fala.
Atualmente, Naiara deixou Itapoá e mora na Espanha. Seu cabelo voltou a ficar comprido e ela já está à procura de uma instituição por lá para doar seus fios de cabelo novamente, desta vez, para alguma paciente com câncer espanhola. Para quem admira esta atitude, mas ainda não tomou coragem, ela recomenda que procurem por fotos de crianças e adultos antes e depois do recebimento das perucas. E finaliza: “Não venda o seu cabelo e muito menos o jogue fora, mas faça alguém se sentir verdadeiramente especial com a doação dele”.

Bons motivos

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Visual pós-tesoura de Rhaiza Carvalho Capaverde

Por fim, encerramos nossa série com o depoimento de Rhaiza Carvalho Capaverde, de 25 anos, que cortou seu cabelo com a intenção de doar em novembro do ano passado. “Fiquei apreensiva no momento de cortar, pois meu cabelo nunca esteve tão grande como naquela época, mas criei coragem e, no fim das costas, adorei meu novo visual”, conta.
Rhaiza cortou com seu cunhado, que é cabeleireiro e realizou o corte de maneira com que as mechas fossem aproveitadas, o que resultou em 30 centímetros de fios de cabelo cortados. Até o presente momento, seus fios estão guardados, pois ela deseja realizar a doação pessoalmente e ainda não reservou tempo para isso.
Assim como a pequena Khiara citada anteriormente, Rhaiza pretende doar suas mechas para o Instituto Atitude na Cabeça (www.facebook.com/atitudenacabecacuritiba), de Curitiba-PR.
“Ajudar uma pessoa a recuperar sua autoestima e, assim, obter forças para continuar o tratamento e combater o câncer é um gesto muito bonito”, fala Rhaiza.
Ainda assim, se isso não comover você, ela lhe oferece bons motivos para também se livrar do cabelão: “sentimento de gratidão, liberdade pelo ato de solidariedade, sensação de missão cumprida e, além disso, um novo visual”.

Ana Beatriz Machado

 

Grupo de Resgate em Montanha: Conheça o trabalho voluntário de pessoas que se dedicam para salvar vidas

Seja para o prazer da atividade física, para a realização de estudos acadêmicos ou para a simples contemplação da natureza, nos últimos anos, aumentou consideravelmente no Brasil o número de pessoas que se dedicam aos chamados esportes de aventura, ou seja, aqueles que são praticados em ambientes naturais. Entre as atividades, se destacam o ecoturismo, a escalada, o montanhismo, a caminhada (ou trekking), o parapente, entre outros.
Por consequência, aumentou também o número de incidentes envolvendo pessoas perdidas ou em situação de risco de vida nas matas e montanhas. Diante deste cenário, surgem grupos voluntários de pessoas especializadas e capacitadas para a realização de resgates nestas áreas de difícil acesso.
Em nossa região, a cidade de Joinville-SC se destaca por sua forte cultura de montanhismo e demais esportes praticados em ambientes naturais. Foi lá que nasceu o Grupo de Resgate em Montanha (GRM), composto por voluntários de diferentes áreas, mas que têm uma missão em comum: executar a árdua tarefa de prevenção de incidentes e apoio a ações de busca e salvamento em atividades de turismo e aventura.

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Busca do Sr. Joel, realizada na região da Serra Dona Francisca em Joinville (Castelo dos Bugres e Morro Pelado), em 2012. Essa busca durou quase 5 dias e a vítima foi localizada pelo GRM e integrantes da AJM.
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Acidente com ônibus na Serra Dona Francisca em Joinville, em 2015. O GRM auxiliou a retirada da mata dos 51 corpos vitimados pelo acidente.

 

A necessidade de um grupo de resgate em montanha nos remonta a um episódio ocorrido em 2010, quando dois senhores se perderam dentro da mata, na região de Joinville. Na época, montanhistas da Associação Joinvilense de Montanhismo (AJM) ofereceram ajuda aos órgãos de resposta, no entanto, esta foi aceita somente no último dia de busca. A ajuda dos montanhistas foi imprescindível para o resgate, com isso, os mesmos sentiram a necessidade de criar um Grupo Voluntário de Busca e Salvamento (GVBS) para ganhar confiança e atuar junto de tais órgãos. Mas esta ideia não foi levada adiante em 2010 por falta de apoio dos órgãos públicos e da própria comunidade de montanha.
Somente em 2012 um grupo de montanhistas locais, alguns pertencentes à AJM juntamente com integrantes da Defesa Civil criaram oficialmente o GRM, com o intuito de atuar em operações de resgate em montanhas e áreas remotas na região de Joinville.
O Grupo de Resgate em Montanha é um Núcleo Comunitário da Defesa Civil (NUDEC), está vinculado à Secretaria de Proteção Civil e Segurança Pública de Joinville, e faz parte do Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil de Joinville e do Grupo de Resposta e Ações Coordenadas (GRAC). Partindo da necessidade de treinamentos especializados para busca e resgate nas montanhas, o GRM oferece apoio aos órgãos públicos de resposta, são eles: Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e Força Aérea Brasileira.
O coordenador do GRM, Renato Martin Gruhl, conta que, atualmente, são 48 membros efetivos, entre eles montanhistas, escaladores, profissionais de resgate e trabalho vertical, áreas da saúde (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e socorristas), policiais militares, bombeiros militares e voluntários, radioamadores, entre outros, de Joinville e região.

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Acidente com ônibus na Serra Dona Francisca em Joinville, em 2015. O GRM auxiliou a retirada da mata dos 51 corpos vitimados pelo acidente.

Para oferecer um serviço mais completo e aproveitar todos os conhecimentos e habilidades de seus membros, foram criadas sete equipes especializadas dentro do GRM: Trilhas e Montanhas, Resgate Vertical (por membros praticantes de escalada), Primeiros Socorros, Comunicação (em sua maioria, radioamadores), Rastreamento Humano, Coelho (também conhecidos como corredores de montanhas) e Administrativo.
Para participar do Grupo de Resgate em Montanha, Ademir Camillo Junior, diretor de treinamento do grupo, explica que é preciso fazer inscrição, ter a ficha de inscrição aprovada pela comissão, ser entrevistado por uma banca formada por membros do GRM e fazer o Curso de Formação Básico de Busca e Salvamento Terrestre. “O curso, ministrado pelo GRM, tem duração de um ano e é dividido entre o período básico e o período de especialização. No curso, os alunos treinam, estudam e vivenciam todas as sete áreas de atuação (habilidades), para escolherem qual delas melhor se encaixam”, explica Ademir. Hoje, o grupo possui 17 candidatos em formação. Aqueles que forem aprovados no curso se tornarão membros efetivos do GRM.
Mas, para se tornar um membro, o caminho é longo e exige determinação, compromisso, responsabilidade, seriedade e, principalmente, amor ao que faz. “Muitos pensam que se trata de um grupo que pratica montanhismo por lazer, porém, para esta finalidade já existem outros grupos e associações, como a AJM. No GRM, o membro deve estar disposto para resgatar pessoas e colocar sua vida em risco”, explica Alan Jacob da Rosa, diretor técnico e um dos fundadores do grupo. A rotina de treinos é intensa e acontecem quase todos os finais de semana. Para cobrir gastos com materiais, transporte e afins, o grupo se mantém através de uma taxa simbólica cobrada dos membros e cada um deles possui seus próprios equipamentos.

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Resgate na Pedra da Tartaruga em Garuva, em 2016. O GRM, em apoio aos Bombeiros Militares de Guaratuba, auxiliou na localização e resgate de três jovens que estavam perdidos e com problemas na região da Serra do Quiriri, entre PR e SC.
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Resgate na Pedra da Tartaruga em Garuva, em 2016. O GRM, em apoio aos Bombeiros Militares de Guaratuba, auxiliou na localização e resgate de três jovens que estavam perdidos e com problemas na região da Serra do Quiriri, entre PR e SC.

De acordo com seu diretor técnico, o GRM pode ser acionado nas seguintes situações: “quando a ocorrência exige uma equipe maior e especializada em buscas na mata, montanha ou área remota; quando os órgãos públicos não dispõem de equipamentos ou pessoal suficiente para uma operação de busca; em situações de desastres naturais de grandes proporções, em apoio ao Batalhão de Ajuda Humanitária da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC); quando algum órgão público de resposta precisa de guias para áreas de difícil acesso, ou em acidente aéreo em áreas remotas, em apoio a Força Aérea Brasileira (FAB)”.
O acionamento do resgate pode ser feito através de órgãos públicos ou de pessoas comuns, como vítimas e seus familiares ou pessoas que ficam sabendo da ocorrência e informam algum membro do grupo. O coordenador explica o procedimento de resgate: “Quando acionados, levantamos o máximo de informações possíveis para entrarmos em contato com os membros do GRM. As informações iniciais são fornecidas em um grupo de WhatsApp, enquanto o detalhamento (qual o tipo de missão, quantidade de pessoas, se há feridos, etc.) é enviado por e-mail a todos os membros”. Ainda segundo o coordenador, a escolha dos voluntários se dá por disponibilidade de horário e, a cada ocorrência, cerca de dez membros do GRM se prontificam e partem para a operação.
Tendo como área de atuação prioritária a região nordeste do estado de Santa Catarina, os serviços do grupo abrangem preponderantemente a Serra do Piraí e a Serra do Quiriri, nas quais estão localizadas, dentre outros, o Pico Jurapê, Castelo dos Bugres, Morro Pelado, Morro da Tromba e Monte Crista. De acordo com os voluntários, o Monte Crista é a região onde ocorrem problemas e acidentes com maior frequência, já o Morro Pelado é a região onde pessoas se perdem com maior frequência. Os meses de alta temporada de montanha são no inverno, porém, o maior número de ocorrências são no verão, especialmente novembro, dezembro e janeiro, costumam apresentar maior índice de incidentes em trilhas, matas e montanhas.

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GRM na missão de guiar a Polícia Civil de SC em uma missão
de investigação em um local de difícil acesso.

Eles, que já atuaram em casos de enchentes, tornados e outras fatalidades em cidades próximas como Pomerode, Guaramirim e Xanxerê, recordam os episódios mais marcantes: “A primeira atuação do grupo, em 2012, de um homem que ficou cinco dias perdido na mata, envolvendo cerca de duzentos bombeiros do estado, a Força Tarefa, etc. Neste episódio, pudemos sentir a aflição da pessoa que se perde e busca ajuda.
E, em 2015, o acidente de ônibus no trecho da Serra Dona Francisca, que resultou na morte de 51 pessoas, nos chocou muito, pois, até então, nunca tínhamos realizado trabalho com óbitos”, recorda Alan. Desde sua criação, o GRM foi acionado 44 vezes, participou de 24 ocorrências e salvou ou contribuiu para que fossem salvas 24 pessoas. Somente neste ano de 2016, até o mês de novembro, o grupo já foi acionado 10 vezes, participou de 7 ocorrências e já resgatou 15 pessoas.
De um lado, voluntários que desejam atuar na busca e resgate com sucesso, de outro, aventureiros que sofrem incidentes ou estão perdidos e buscam ajuda. Cintia Mendes é uma das 14 mulheres que fazem parte do GRM, e fala sobre as dificuldades passadas pelos resgatados: “Com base em nossas experiências, notamos que é uma situação de extremo desespero e estresse. O aventureiro não nos conhece, não sabe de nosso trabalho, da nossa habilidade de busca, portanto, é muito difícil para ele seguir as orientações e confiar no grupo de resgate”. Mas, apesar dos problemas psicológicos diante desse contexto, os membros ressaltam que as orientações devem ser seguidas, caso contrário, podem surgir problemas ainda maiores.

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Equipe de Rastreamento
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Equipe de comunicação
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Equipe Vertical
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Equipe de Primeiros Socorros em treinamento
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Equipe Coelho fazendo treinamento de deslocamento rápido na trilha do Morro Pelado, em Joinville.
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Equipe de Trilhas fazendo a travessia de 54km em menos de 24h, do Morro Araçatuba (PR) ao Monte Crista (SC).

Além do amor, seriedade e compromisso dos voluntários, o segredo da eficiência do GRM também se dá no desenvolvimento de novas tecnologias, algumas delas, não utilizadas por outras equipes de busca, nem mesmo policiais e bombeiros. “Temos uma equipe de comunicação bastante engajada no radioamadorismo e que passou a buscar recursos que facilitassem a comunicação dentro da mata, sem energia elétrica, sem internet ou sinais de rádio”, conta Alan. Bons exemplos dessas novas tecnologias são as repetidoras móveis, utilizados para estabelecer comunicação em locais de difícil acesso, e o sistema APRS de rastreamento via rádio e satélite, que permite ao Comando visualizar onde a equipe de busca está localizada na mata em tempo real. Segundo os radioamadores, estes recursos se limitam a alguns grupos devido às suas complexidades de montagem e uso. “Exige muito estudo e dedicação. É preciso alguém que entenda muito de rádio”, fala Renato.
Para evitar novas ocorrências na mata, o grupo executa atividades de prevenção, como o mapeamento das trilhas, a fim de verificar pontos perigosos e realizar a manutenção dos mesmos. No Monte Crista, em Garuva-SC, no feriado da Páscoa – época de maior fluxo de pessoas no local, o GRM realiza plantões em equipes na base, no cume e nas trilhas da montanha, para orientar e auxiliar os visitantes. Ainda focando em dicas de segurança, eles também oferecem palestras para grupos de escoteiros, desbravadores, montanhistas e empresas, com o título “Prevenir é melhor que resgatar”.
Com aproximadamente cinco anos de atuação, o grupo de resgate vem se especializando e se adaptando às necessidades das operações realizadas na região. Seus planos futuros incluem criar um site onde os aventureiros realizem um cadastro para as atividades que irão fazer (qual a montanha, data e horário de ida e de volta, quantas pessoas, etc.). O intuito desse sistema online será armazenar dados para saber o perfil das pessoas, essas informações auxiliarão nas ocorrências.
Até o momento, o grupo deseja qualificar ainda mais as equipes já existentes. “Nosso objetivo é o de se especializar apenas em áreas onde há uma deficiência no Estado”, explica Alan.
Em Joinville e região, a cultura de esportes de aventuras está cada vez mais em evidência, consequentemente, surgem alguns problemas. Em contrapartida, o Grupo de Resgate em Montanha busca reverter este quadro, atuando no trabalho de busca, resgate, treinamento e prevenção. Hoje, o GRM de Joinville é o grupo de busca mais ativo do Brasil. Para todos estes voluntários, o segredo do bom trabalho se dá em cada membro atuar na área de sua preferência.
Eles acreditam que o montanhismo, assim como os demais esportes de aventura, é uma forma de se sentirem vivos. E apenas se sentindo vivo e tendo amor pela própria vida, para querer o bem e desejar que outras pessoas vivam muito, também.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 48 – Janeiro/2017

 

 

 

Gatos portadores de doenças raras ganham cuidados especiais

Em comemoração ao mês dos namorados, contamos a história de Helena Steinhaus e seu marido Rauel Moraes Silva Neto, de Itapoá-SC, que vivem com seus dois felinos Zeppelin e Ted, ambos portadores da FeLV, o vírus da leucemia felina, e não medem esforços e carinhos aos gatos. Para a dona, oferecer um bom tratamento e dedicar parte de seu tempo aos gatos é um meio de retribuir todo o bem que eles lhe fazem.

A paixão pelos bichanos sempre esteve junto de Helena, que chegou a ter mais de dez gatos ao longo da vida. “Gosto muito de cães, mas sempre preferi ter gatos. São animais mais independentes, limpos e organizados”, diz. No ano de 2011, depois de passar um bom tempo sem ter bichos de estimação, ela ganhou um gatinho com apenas quarenta dias de vida – doação de uma amiga. Seu nome, Zeppelin, foi escolhido em homenagem à banda Led Zeppelin, a favorita de Helena. No ano seguinte, ela pegou Ted de uma cria, quando o felino tinha cinquenta dias de vida.
Em comum, os dois gatos de Helena e Rauel não têm raça definida, são castrados e amigos, mas as diferenças entre eles também são muitas. Quando se trata de aparência, Zeppelin é claro, de pelos amarelos, já Ted tem pelos pretos. Na parte comportamental, o primeiro adora estar na companhia de pessoas e crianças, já o segundo, prefere se isolar na presença de algum estranho. Zeppelin também costuma dar mais trabalho do que Ted. Segundo Helena, ele passou por diversas complicações de saúde – umas mais graves, outras menos graves – e hoje é considerado um gato sobrevivente.
Tudo começou em 2013, quando Zeppelin ficou ictérico, ou seja, sua pele ficou amarelada, devido a uma lipidose hepática que, posteriormente, foi curada. Somado a isso, a dona notou que o gato não se alimentava há dois dias. “Levei-o para minha veterinária de confiança em Itapoá, que fez o que pôde, até que me orientou a leva-lo a uma clínica veterinária de Joinville. Lá, descobrimos que ele estava com anemia profunda, uma doença transmitida pela pulga infectada e a FeLV, uma doença crônica”, recorda Helena. O gato ficou internado na clínica durante dois dias e, a partir daí, o casal de donos passou a tratar as doenças em casa.
A FeLV, por se tratar de um vírus que ataca e enfraquece o sistema imunológico dos bichanos que, sem proteção, acabam infectados por outros diversos problemas que podem leva-los à morte, merece atenção. Vale ressaltar que a FeLV ainda não tem cura e o que se pode fazer nos casos de gatos acometidos pela doença é simplesmente tratar os sintomas e as principais complicações decorrentes da doença, visando amenizar o sofrimento do gato e prolongar sua vida com a maior qualidade possível.
Uma vez que a doença é viral, além do gato Zeppelin, Ted também foi infectado. Para evitar que se espalhe, seguindo orientações, Helena medica os felinos, lhes oferece ração de boa qualidade e com controle de calorias, e evita que eles fiquem estressados. “De acordo com os veterinários, quando apresenta manifestação da FeLV o gato tem, em média, mais três anos de vida, mas Zeppelin já está entrando no quarto ano de vida após a infecção”, conta a dona. Tudo isso, é claro, graças aos cuidados de Helena, Rauel e dos médicos veterinários.
Tempos depois, em setembro de 2016, Zeppelin também desenvolveu outra doença rara chamada colangite, que se trata de uma infecção nas vias biliares. “Ele começou a vomitar e emagrecer muito e também por indicação da veterinária que me ajuda em Itapoá, levei-o para fazer uma cirurgia em Joinville, na tentativa de desobstruir suas vias biliares. Chegando lá, o veterinário realizou um tratamento de sucesso, fazendo com que a cirurgia não fosse necessária”, explica Helena. Além da FeLV e da colangite, o gato Zeppelin também já passou por outras doenças e infecções – essas, um pouco menos graves.
Mesmo com todo o amor e carinho que tem pelos seus pets, Helena afirma que, depois de Zeppelin e Ted, não deseja ter outro bicho de estimação. “É muito triste se apegar a eles e vê-los sofrendo ou perde-los por conta de alguma doença, especialmente quando temos consciência de que não podemos fazer mais nada, pois ela (a doença) é crônica”, diz. Atualmente, Helena e Rauel vivem com seus dois gatos, Zeppelin, que tem hoje seis anos e cinco meses, e Ted, que está com quatro anos e seis meses. De oito em oito meses, o casal realiza hemogramas para checar a saúde dos bichanos. Além de todas essas vivências, a internet também é uma boa aliada de Helena, que se tornou uma grande conhecedora da saúde de gatos.
Com base nas experiências adquiridas, eles finalizam: “Ter gatos portadores de doenças raras e crônicas é viver dias complicados e imprevisíveis. Mas eles são nossos companheiros, como uma terapia para nós. Portanto, todos os cuidados especiais são uma forma de agradecimento ao bem que eles nos fazem”.