Entre acordes e batucadas

Para um menino de apenas 12 anos de idade, Francisco Machado Pereira Costa Oliveira, de Itapoá (SC), detém um expressivo currículo musical.
Ele, que cresceu em meio aos instrumentos percussivos de seu pai, realiza aulas de violão na Escola de Música Tocando em Frente, participa da Orquestra Sua Majestade o Violão, é integrante da banda Djong’s Roots, foi um dos selecionados para estudar no Coree Music Institute e, recentemente, conquistou uma vaga na orquestra infanto-juvenil do Instituto.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Francisco Machado Pereira Costa Oliveira tem apenas 12 anos e já é sucesso na música em Itapoá.

Francisco é filho de Patrícia Machado Pereira, pedagoga e psicopedagoga, e Francisco Eduardo Costa Oliveira, mais conhecido como Baiano, portuário e músico. Por influência de Patrícia, cresceu ao som de grandes artistas da Música Popular Brasileira, já de Baiano, ‘herdou’ o apreço pelo gênero musical reggae.
Desde muito cedo Francisco teve contato com instrumentos de seu pai, que é percussionista. Diferente da maioria das crianças, em muitos dos registros fotográficos de sua primeira infância, ao invés de estar cercado de brinquedos, está cercado de instrumentos percussivos, como bongô, atabaque e pandeiro. Seus pais ainda contam que, quando tinha cerca de 4 anos de idade, Francisco pegava um violão de brinquedo, tocava e cantava dizendo ser o “Mómemali” (Bob Marley).

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Desde pequeno, teve contato com instrumentos percussivos por influência de seu pai, que é percussionista.

Observando o interesse e a facilidade do pequeno Francisco com os instrumentos, Patrícia e Baiano fizeram o combinado de que ele começaria a fazer aulas de música quando estivesse alfabetizado, para que pudesse ler as notas musicais das partituras.
O primeiro instrumento a ser dominado por ele foi o bongô, que aprendeu de maneira autodidata, apenas observando seu pai durante as apresentações pelas noites itapoaenses. Aos 7 anos de idade, Francisco ganhou seu primeiro violão e apaixonou-se pelo instrumento. Aprendeu as primeiras dedilhadas sozinho, até que aos 9 anos ingressou no coral Sementes do Amanhã e nas aulas particulares de violão da Escola de Música Tocando em Frente, com o professor Helmuth Kirinus.

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Mais tarde, ingressou na Orquestra Sua Majestade o Violão,
idealizada pela Escola de Música Tocando em Frente.

O tempo passou e Francisco deu continuidade nas aulas particulares de violão, tendo conquistado uma vaga no teste seletivo da Orquestra Sua Majestade o Violão, uma orquestra de violonistas de Itapoá idealizada pela Escola de Música Tocando em Frente, que tem por objetivo a formação musical continuada e democratização de acesso à cultura. Com a Orquestra Sua Majestade o Violão, Francisco apresentou-se em eventos do município de Itapoá e outras cidades, como Joinville (SC) e Curitiba (PR).
A experiência de quatro anos como capoeirista na Associação de Capoeira Lenço de Seda, com o professor Primo Angola, também contribuiu para sua formação musical, uma vez que na capoeira aprendeu a dominar certos instrumentos, como atabaque, pandeiro e berimbau. Ainda, Francisco passou a fazer participações especiais nas apresentações da Djong’s Roots, banda de reggae, MPB, hip hop e samba rock, composta pelos músicos Diogo Silva, Baiano Roots (seu pai), Daniel Melo, Dérico Berté e Rodrigo. “Adoro tocar em público, como nas apresentações da orquestra ou com a Djong’s Roots, e gosto de assistir a outros músicos tocando, também”, diz Francisco.

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Com o primo João Alexandre, seu parceiro musical. À esquerda, Francisco e João na primeira apresentação da Saint Groove, e à direita, durante uma apresentação da orquestra de violões.

No início de 2019, foi um dos oito itapoaenses aprovados para integrar o Coree Music Institute (Instituto Core de Música), de Joinville (SC), que atua na formação de jovens talentos para o desenvolvimento de orquestras de excelência. No Instituto, Francisco é bolsista e estuda percussão erudita, tendo acesso a diferentes instrumentos, como tímpano, bumbo, xilofone, vibrafone, marimba, prato, entre outros.
Conforme Helmuth Kirinus, professor de violão na Escola de Música Tocando em Frente, o jovem vem aprimorando cada vez mais suas habilidades na música. Em suas palavras: “O Francisco, além de uma musicalidade que desenvolveu na base familiar, tem uma história com os outros fundamentos da música, como a leitura rítmica e melódica que teve início no coral Sementes do Amanhã, e deu continuidade nas aulas particulares de violão. Acredito que esse conjunto fez com que ele conquistasse uma vaga no teste seletivo da Orquestra Sua Majestade o Violão e no Instituto Core, onde segue desenvolvendo seu aprimoramento. Ele também é muito criativo e assimila facilmente as sugestões técnicas do instrumento, no caso do violão”.

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O papel da família
Além das aulas de violão e de percussão, na vida pessoal, Francisco adora tocar música ao lado de seus primos, que também seguem no caminho da música. “Meu primo Ícaro toca violão e é compositor, meu primo Thomas compõe versos e tem um grupo de rap, e meu primo João Alexandre toca violão e participa também da Orquestra Sua Majestade o Violão. Por isso, os encontros em família são sempre divertidos e musicais”, conta Francisco. Junto do primo João Alexandre, com quem compartilha afinidades musicais, criou o projeto instrumental “Saint Groove” – em que os dois primos tocam no violão músicas de reggae, MPB, rock, blues e samba. “A Saint Groove começou com uma brincadeira entre primos, nos encontros em família. Mas realizamos nossa primeira apresentação e as pessoas gostaram bastante”, diz.
Para um garoto de apenas 12 anos de idade, em fase de descobertas, transições e formação de caráter, é normal que Francisco seja eclético e tenha lá suas fases. Ele, que já gostou muito ora de reggae, ora de MPB, ora de rock, ora de funk, ora de samba, gosta também de música eletrônica e sonha em, um dia, poder manusear um toca-discos e um mixer como um DJ. Mas afirma: “Gosto de todo tipo de música. Vou do samba de Benito di Paula à música eletrônica de Alok em um minuto”.

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Em 2019, Francisco foi um dos selecionados para participar do Coree Music Institute, onde faz aulas de percussão erudita. Na imagem ao meio, Francisco ao lado do professor Bruno.

Em qualquer projeto na infância e adolescência, o apoio da família é fundamental. Conforme sua mãe, Patrícia, que é também educadora: “O papel dos familiares neste processo é ficar atento às habilidades e aptidões de cada criança. Algumas têm habilidades para os esportes, outras para as artes, outras para a escrita, outras para as exatas, outras para a música, e por aí vai. Quando observamos que o que Francisco gosta e sabe fazer é música, nós o apoiamos, o estimulamos e o incentivamos o máximo possível para este caminho. É normal que nessa idade os jovens não tenham o comprometimento, a maturidade e o interesse que almejamos o tempo todo, por isso o estímulo da família é tão importante”.

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Francisco também realiza participações ‘pra lá’ de especiais nas apresentações da banda Djong’s Roots, que tem como um dos músicos seu pai, Baiano Roots.

Já para o pai, Baiano, ver o filho seguindo seus passos na música é sinônimo de orgulho e emoção: “Muitos pais têm esse desejo de que os filhos se pareçam com eles, sigam seus passos na profissão, nas atividades ou na vida, mas com o Francisco foi algo natural. Acredito mesmo que ele, assim como eu, tem o dom da música, com ouvido apurado, facilidade em manusear os instrumentos e principalmente amor pela música. Mas sempre ensinamos a ele, que a vocação é importante, mas o estudo, também. Somente assim ele será um músico de sucesso, como seus ídolos”, comenta.
Dentro de casa, Francisco – que hoje toca violão, atabaque, pandeiro, cobel, meia-lua, bongô, cajón, ukulelê, entre outros tantos instrumentos – já tem seu primeiro fã-clube: seu pai Baiano, sua mãe Patrícia e sua irmã Ana Beatriz (quem vos escreve). Nas palavras do menino de 12 anos, “sou apaixonado pela música e gostaria de deixar um agradecimento aos meus professores, Mutti, da Orquestra Sua Majestade o Violão, e Bruno, do Coree Music Institute, por me ensinarem e fazerem parte da minha formação enquanto músico”.
Recentemente, ao final de 2019, o jovem participou de um processo seletivo para ingressar na orquestra infanto-juvenil do Coree Music Institute, sendo aprovado como o mais novo integrante da orquestra do grupo de percussão erudita. Se Francisco seguir por estes acordes e estas batucadas, ainda ouviremos muito o seu nome nos palcos da vida. Mas ainda que siga outra profissão, a música já cumpre seu papel, como formadora de cidadão, de caráter, personalidade e de valores.

Sorria com amor, você está em Salvador

 

Professora de Itapoá (SC), Patrícia Machado Pereira cresceu escutando ídolos baianos, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Dorival Caymmi e Maria Bethânia. Todas aquelas canções falavam sobre as cores, os amores e os sabores da Bahia.
Recém-aposentada, Patrícia ganhou de sua filha Ana Beatriz (quem vos escreve) um presente inusitado no Dia das Mães: uma viagem a Salvador, capital da Bahia. Juntas, mãe e filha descobriram “o que é que a Bahia tem”.

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Ana Beatriz e Patrícia, mãe e filha curtindo o presente de Dia das Mães, juntas, em Salvador.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O ano de 2019 era perfeito para a viagem acontecer, já que Patrícia completou 50 anos de idade, estava aposentada, depois de 28 anos de trabalho frente à educação de Itapoá. A escolha do presente foi clara, já que Patrícia tinha o gingado, o colorido e a alegria da Bahia – só faltava ir para lá.
Contando com a atual Brasília, o Brasil já teve três capitais, e a primeira delas foi Salvador – a capital brasileira por 214 anos, entre 1549 e 1763. Sua escolha foi determinada pela posição estratégica que a Baía de Todos os Santos representava para os navegadores portugueses, já que por ali escoava a maior parte do pau-brasil extraído.
Fundada, inicialmente, como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, a cidade fica situada ao Nordeste do Brasil e é notável em todo o mundo pela sua gastronomia, música e arquitetura. A influência africana em muitos aspectos culturais da cidade a torna o centro da cultura afro-brasileira.
A viagem, que foi comprada em maio, aconteceu no mês de outubro. Patrícia recorda a primeira impressão que teve da cidade soteropolitana: “Salvador, como qualquer capital, é muito grande, com mais de 2,8 milhões de habitantes. A diferença é que lá, em cada canto que se vê, parece verão e Carnaval o ano todo. A cidade é totalmente musical!”.

Praia da Barra: agito, música e águas cristalinas

Dias de Barra
Inicialmente, ficamos hospedadas na região da Barra, um bairro ao Sul de Salvador, que possui uma localização geográfica única no mundo, onde é possível ver tanto o nascer quanto o pôr do sol no mar – já que ocupa o vértice da península em que está a cidade.
“A Barra foi nosso quintal por quatro dias. Dobrando uma esquina, estávamos no barzinho que ganhou o nosso coração, o La Bouche. Dobrando outra esquina, já estávamos no Farol da Barra, um dos principais cartões-postais de Salvador. Tudo isso, à beira da Praia da Barra, bastante agitada, ensolarada e cheia de vida”, comenta Patrícia. Na região, conhecemos o Farol da Barra, o Museu Náutico da Bahia (que fica dentro do Farol) e o Cristo da Barra – e, claro, ‘batemos cartão’ todos os dias no La Bouche, ao som de muito axé, samba e MPB.
Ao pegarmos o mapa de Salvador, notamos que as outras atrações turísticas que gostaríamos de visitar ficavam mais descentralizadas. Portanto, mudamos os ares e nos hospedamos no coração do famoso Pelourinho, carinhosamente chamado de Pelô.

As cores, as ladeiras e os encantos do Pelourinho, o famoso Pelô.

As cores do Pelô
Nas palavras de minha mãe, Patrícia: “O Pelourinho fica no Centro Histórico de Salvador, com ruas estreitas, enladeiradas e com calçamento em paralelepípedos. É como se fosse um grande shopping ao ar livre, pois oferece inúmeras atrações turísticas e musicais. Há uma concentração de bares, restaurantes, lojas, museus, teatros, terreiros, associações, igrejas e outros monumentos de grande valor histórico”. Com um conjunto arquitetônico colonial barroco brasileiro preservado e integrante do Patrimônio Histórico da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Educação, a Ciência e a Cultura, o Pelourinho é repleto de cores, ritmos e ‘transpira’ arte, cultura e história.
Salvador é dividida entre a Cidade Baixa e a Cidade Alta. A primeira, é a área litorânea (banhada pela Baía de Todos os Santos), uma planície relativamente estreita, cujas principais atividades econômicas da região são a portuária e a comercial. Já a Cidade Alta, trata-se da parte maior e mais moderna da cidade de Salvador. Do Pelô, pegamos o tradicional Elevador Lacerda, para descer da Cidade Alta à Cidade Baixa. O Elevador Lacerda é o primeiro elevador urbano do mundo, inaugurado em 1873. Do alto de suas torres, a vista é linda para a Baía de Todos os Santos. Também é possível descer para a Cidade Baixa com o Plano Inclinado, uma espécie de bondinho que custa apenas 15 centavos. Pegando o Elevador Lacerda para a Cidade Baixa, conhecemos o famoso Mercado Modelo – um pavilhão com mais de 200 lojas que oferecem a maior variedade em souvenires da Bahia, e passeamos pelo Forte de São Marcelo e Porto de Salvador.
Ficaria difícil listar todas as atrações que nós, mãe e filha, visitamos e nos apaixonamos no Pelô. Algumas delas foram: a Casa de Jorge Amado com o café Zélia Gattai, a varanda de Michael Jackson (onde ele gravou o videoclipe de They Don’t Care About Us, em 1996) e a ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola). Mas duas atrações no Pelourinho merecem destaque especial: a Terça da Bênção, na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, uma missa católica, ritmada com atabaques como nos terreiros de candomblé; e a Casa do Carnaval da Bahia, um museu moderno e interativo, com ambientes, figurinos, instrumentos musicais, guias e salas que contam a história do Carnaval, dos trios elétricos, das cantoras e dos cantores de Carnaval, do samba e do nosso povo.
Para visitar essas atrações, Patrícia dá as dicas: “A missa da Igreja dos Pretos acontece às terças-feiras. É gratuita, mas é abarrotada de fiéis e turistas, por isso, é bom chegar cedo. Vale muito a pena, pois é uma missa linda, onde o catolicismo anda de mãos dadas com as religiões de matriz africana. A fé e a emoção dos baianos nessa missa é de arrepiar! Já para a conhecer a Casa do Carnaval da Bahia é preciso pagar o ingresso no valor de R$ 30. O local é repleto de figurinos e instrumentos originais que marcaram a carreira de grandes artistas, como Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Timbalada e É o Tchan. Com um dispositivo e um fone de ouvido, podemos ouvir narrações e assistir a vídeos que contam, em temas, a história do Carnaval, do samba e da Bahia. O museu tem uma trilha sonora deliciosa, com clássicos do axé, e também nos leva a uma sala interativa, onde nos fantasiamos com adereços e aprendemos coreografias de músicas. Ao final, somos levados a um terraço colorido com uma vista linda para assistir ao pôr do Sol na Baía de Todos os Santos. Para quem vai ao Pelô, a ida à Casa do Carnaval da Bahia é imperdível”.

Um de nossos lugares favoritos em todo o Pelourinho: a Casa do Carnaval da Bahia.

Bonfim, Itapuã e Casa de Iemanjá
Depois de conhecer com calma cada cantinho da Praia da Barra, do Pelourinho e seus arredores, conhecemos a tradicional Igreja Senhor do Bonfim (padroeiro dos baianos), onde são distribuídas e amarradas em pedido as famosas fitinhas do Bonfim – um souvenir e amuleto típico de Salvador, e a famosa Sorveteria da Ribeira, que já faz parte do roteiro turístico de Salvador, uma vez que é point de celebridades como Ivete Sangalo, Gilberto Gil e Lázaro Ramos, e vende sorvetes com sabores de frutas típicas, como biribiri, cajá, mangaba, graviola e sapoti.
Mas, como boas filhas de Itapoá, aguardávamos ansiosas pela ida à Praia de Itapuã. Por lá, conhecemos a casa onde viveu o poeta Vinicius de Moraes, a Praça Vinicius de Moraes, a Praça Dorival Caymmi, o Farol de Itapuã e a praia vizinha, Stella Maris, que ganhou nossos corações com suas pedras que formam piscinas naturais, seus coqueiros e cactos que compõem cenários paradisíacos.
Ainda, desbravamos as belezas e o charme do Rio Vermelho, o bairro mais visitado de Salvador. “O Rio Vermelho é encantador tanto durante o dia, com sua vila de pescadores, paredes cheias de arte e estátuas de sereias por todo o canto, quanto durante a noite, a escolha certa para curtir a boemia baiana, com muito agito na Vila Caramuru, um conglomerado de restaurantes e bares com música ao vivo”, recorda Patrícia. No Rio Vermelho, está situada a Casa de Yemanjá, um espaço aberto para visitação com velas, estátuas de Iemanjá e rosas, onde pescadores, soteropolitanos e turistas agradecem e pedem bênçãos à Rainha do Mar.
Encantadas por cada canto do Rio Vermelho, em nosso último dia de viagem, fomos caminhando e curtindo cada praça, cenário e paisagem ao pôr do sol. A pé, passamos pela Praia da Paciência, por Ondina, até que, quando nos demos conta, havíamos caminhado mais de dez quilômetros e chego à Praia da Barra. E assim nossa viagem se encerrou: prestigiando a música baiana no La Bouche e brindando com acarajé no gramado do Farol da Barra – exatamente no mesmo lugar onde tudo começou.

Outros pontos turísticos apaixonates no Pelô: a Fundação Casa de Jorge Amado, a sacada onde Michael Jackson gravou seu videoclipe e a ABCA (Associação Brasileira de Capoeira Angola) — representada pelo Mestre Pelé da Bomba.

O que é que a Bahia tem
Essa foi nossa primeira viagem “mãe e filha” e adoramos a experiência. Nos tornamos mais amigas, mais parceiras, colecionamos memórias e bons momentos. Nas palavras de minha mãe, Patrícia: “Antes mesmo de embarcar, já sabíamos que iríamos nos apaixonar por Salvador, pois tudo lá é a nossa cara, desde as músicas até o clima ensolarado. Mas viver essa experiência com uma pessoa com quem temos um vínculo afetivo tão forte foi ainda mais especial”.
É certo que, em Salvador, nem tudo são flores: o assédio de vendedores e pedintes incomoda um pouco, especialmente no Pelourinho. Mas, diferente do que muitos aqui no Sul acreditam, o povo baiano é muito criativo, disposto e trabalhador. Antes mesmo que nós, turistas, pensemos em acordar, eles já estão na areia das praias com suas estruturas e barraquinhas montadas, oferecendo tudo o que você possa imaginar debaixo do Sol a pino. É incrível o esforço que fazem para tirar seu ganha-pão e ver, nós, os turistas, felizes. Nós frisamos que tão importante quanto visitar Salvador é conhecer sua história, a história do nosso povo. O Pelourinho, por exemplo, apesar de tantas cores, festividades e grupos musicais, nasceu como espaço de castigo dos escravos. O próprio nome ‘Pelourinho’ é originado da coluna de cantaria (pedra) com argolas de bronze (que estão presentes nas calçadas do Pelô até hoje), na qual escravos eram amarrados e torturados. Também há quem conte que, antigamente, escravos eram comercializados no subsolo do que é hoje o Mercado Modelo onde muitos morreram afogados. Já a famosa Ladeira da Preguiça leva esse nome porque era lá que mercadorias eram transportadas do porto para a cidade, nas costas de escravos ou em carretas abarrotadas empurradas por eles, enquanto a elite da época se divertia com gritos de “sobe, preguiça!”, ao presenciar os escravos subindo penosamente a ladeira.

Vista do Elevador Lacerda, em frente à tradicional Igreja Nosso Senhor do Bomfim,
e a Praia da Barra com vista para o Forte da Barra.

Entendida a história por trás de cada ponto turístico, Salvador se torna um local ambíguo: de energia forte, boa e ao mesmo tempo ruim, um lugar alegre e ao mesmo tempo triste, com um povo alegre, feliz, devoto e festeiro, mas que já sofreu (e ainda sofre) pela cor de sua pele.
Na cidade onde em cada canto há um gênero musical tocando (axé, forró, reggae, samba, MPB, diversos grupos percussivos, funk, entre outros), Patrícia lembrou muito da família: “A todo tempo, lembrava-me de meu filho Francisco, de 12 anos, músico e estudioso de violão e percussão erudita, e de meu esposo Baiano, músico percussionista na banda Djong’s Roots, filho de baianos do interior da Bahia. Nosso plano é voltar a Salvador – dessa vez, acompanhada deles, que são músicos maravilhosos e vão amar o lugar”.
Para Patrícia, todos deviam conhecer a capital baiana, rica em tradição, cultura, história e belezas naturais. “Ir a Salvador é aprender sobre a história do Brasil, a história do nosso povo”, diz. E a viagem mãe e filha deu tão certo que, em breve, iremos repetir a dose, com destino a Amazônia. Em nome de mainha e dessa filha que vos escreve, fica a sugestão: que todos os filhos façam ao menos uma viagem com suas mães, fortaleçam seu vínculo afetivo, aprendam, errem, acertem, passem perrengues e vivam experiências incríveis – tudo isso, de preferência, na capital baiana, que é mágica e contagiante.

Passando a tarde em Itapuã; saboreando o acarajé da Sônia;
agradecendo à Rainha do Mar na Casa de Yemanjá, situada no Rio Vermelho.

Ciranda de Gaia – uma jornada de cura para mulheres

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“Nós, mulheres, guardamos marcas emocionais profundas por ficarmos expostas a diferentes tipos de violência e torturas psicológicas por conta do sistema patriarcal que favorece o imperativo masculino. Quando uma mulher recupera seu Sagrado Feminino, recupera sua potência e está pronta para dar voz ao sentido real de sua vida.”
Assim propõe a Ciranda de Gaia – uma jornada de empoderamento feminino, um processo de psicoterapia de grupo criado e conduzido há sete anos por Andréa Sumé e Janete Aurea Duprat.
Para saber mais sobre esta jornada de autoconhecimento e cura, conversamos com Andréa Sumé, psicóloga sistêmica, atuante há 22 anos na prática clínica com casais, famílias, psicoterapia individual e Constelação Familiar, psicoterapeuta de grupo com foco em Ritos Xamânicos e Sagrado Feminino, escritora, compositora e tamboreira.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Revista Giropop: A Ciranda de Gaia foi idealizada por você e Janete Aurea Duprat. Quando e por que surgiu este trabalho?
Andréa Sumé: A Ciranda de Gaia surgiu para que as mulheres expandam as visões sobre si mesmas, ressignifiquem sua história e resgatem o Selvagem e o Sagrado que ancestralmente habita em nós. A Ciranda nasceu em 2012. São sete anos tecendo esse elo sagrado em imersões transformadoras para as metamorfoses urgentes do feminino.

Revista Giropop: Por que a vivência leva este nome?
Andréa Sumé: Existe um movimento mundial que foi crescendo ao longo dos anos para o estudo dos saberes femininos, que são os Círculos de Mulheres. Na década de 80, os círculos se espalharam por todo o Brasil.
A partir de uma profunda amizade vivenciada nos processos de autoconhecimento, eu e Janete Áurea Duprat decidimos, juntas, organizar nosso círculo que leva o nome Ciranda de Gaia. Esse nome traz a lembrança ancestral da dança cíclica da vida onde todos nós fazemos parte.

Revista Giropop: Podemos afirmar que a Ciranda é um caminho de autoconhecimento feminino?
Andréa Sumé: Não somente de autoconhecimento, mas, também, de reconhecimento. Nos reconhecermos como mulheres e sabermos do que se trata a condição feminina: subjetiva, intuitiva , emotiva, afetiva e protetiva – são algumas de nossas características.

Revista Giropop: Para quem a Ciranda é feita?
Andréa Sumé: Para todas as mulheres que sentem a necessidade de se despir das máscaras, sair dos afogamentos emocionais típicos do feminino ferido e encontrar sua autenticidade. A idade mínima sugerida é 16 anos.

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Revista Giropop: Por que é tão essencial a mulher se reconectar com sua autenticidade e ancestralidade?
Andréa Sumé: A essência do movimento Sagrado Feminino se trata em resgatar o arquétipo da Mulher Selvagem: é a mulher que não foi domesticada e que não se tornou submissa aos padrões socioculturais vigentes. Que não se esqueceu de sua natureza cíclica e dos saberes passados de geração para geração. Essa Mulher Selvagem conhece seu desejo, sua sexualidade e seus direitos. Está livre da culpa e busca formas de ser ela mesma enfrentando seus medos. Hoje, as opressões históricas que guardam a trajetória do feminino na nossa sociedade é um tema de pauta para o mundo moderno. As mulheres estão se despedindo do vitimismo e assumindo o protagonismo.

Revista Giropop: Movimentos sociais e políticos, como o feminismo, por exemplo, ajudam ou atrapalham nesse processo de cura?
Andréa Sumé: O feminismo é essencial para a construção de um feminino saudável. Estamos rompendo com padrões opressores, sejam religiosos, morais, sexuais, políticos ou sociais. O lugar da mulher na sociedade passa por esse despertar. Houve um esquecimento da condição real do feminino por conta do sistema patriarcal que impera nos tempos que vivemos, onde o homem tem a autoridade sobre a mulher. Não se trata de acusar os homens pela imposição dessa cultura, até porque os homens também sofrem com isso. Os homens precisam se curar tanto quanto as mulheres e refazer seu código moral e ético, numa sociedade que o privilegiou por tanto tempo. A mulher ficou submetida às duras amarras desse sistema impositivo e castrador, onde sua natureza original foi praticamente domesticada. Esse distanciamento da nossa real natureza vem nos causando consequências gravíssimas.

Revista Giropop: Que magia há intrínseca no útero, no coração e no corpo de uma mulher?
Andréa Sumé: Existe uma cicatriz muito antiga que está guardada no útero de todas nós. Essa cicatriz é como uma memória transgeracional que nos conta as dores e alegrias, lutas e glórias das mulheres de nossa família. Nossa mãe, avó, bisavó, tataravó, as mais antigas mulheres de nossa linguagem transferem histórias e dramas no que se refere ao tema do feminino. As mulheres guardam marcas emocionais profundas por ficarem expostas a diferentes tipos de violência e torturas psicológicas por conta do sistema patriarcal que favorece o imperativo masculino. E quando as mulheres recuperam seu Sagrado Feminino, recuperam sua potência. Resgatam seus saberes e estão prontas para se posicionar e dar voz ao sentido real de suas vidas. É aqui que elas se tornam autoras de sua própria história.

Revista Giropop: Você acredita que todas as mulheres guardam dentro de si esses saberes, basta despertá-los?
Andréa Sumé: Sim. O convite é despertar desse esquecimento regido por um sistema de crenças opressor. Integrar todas as faces do feminino em nós é a própria experiência do Sagrado. Não é místico, nem fantasioso. É real, autêntico e natural. É o convite que faço a todas as mulheres que desejam crescer em consciência. Aqui, aprendemos o que não nos foi ensinado.

Revista Giropop: A Ciranda de Gaia é uma jornada de quantos ciclos?
Andréa Sumé: É uma jornada de Três Ciclos, três encontros anuais que seguem uma ordem afetiva e emocional: o nascimento, a infância, a cura da criança interior, a adolescência, a maturidade, e todos os ritos femininos esquecidos com a chegada da menstruação e sexualidade. Todos os Ciclos incluem Ritos de Passagem, que são vivências fortes, desenvolvidas para consolidar mudanças através da mente, corpo e coração. Essas vivências são cuidadosamente estudadas e aplicadas, gerando a oportunidade de transformação real que acontece de dentro para fora.

Revista Giropop: Às mulheres que desejam viver esta imersão de autoconhecimento e reconhecimento, quais as próximas datas?
Andréa Sumé: O Primeiro Ciclo da Ciranda de Gaia acontecerá do dia 30 de abril ao dia 03 de maio, o Segundo Ciclo entre os dias 24 e 27 de setembro e, por fim, o Terceiro Ciclo acontecerá de 27 a 29 de novembro. Todos os Ciclos acontecerão no Espaço de Vivência Pousada Monte Crista, em Garuva (SC). Para maiores informações, é só acessar o site http://www.cirandadegaia.com.br. Este é um chamado para a cura, onde mulheres estão convidadas a expandir a visão sobre si mesma, compreender melhor sua própria história e viver de forma mais integrada e harmoniosa os seus relacionamentos.

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Fotografia como ferramenta de cura

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“Uma fotografia mais visceral que cerebral, intuitiva, menos racional e de alma feminina” – assim a fotógrafa e instrutora de Yoga Claudia Baartsch Stephan (39), mais conhecida por Dashmesh Kaur (nome espiritual que recebeu no Yoga), define seu trabalho. Para ela, a fotografia, assim como o Yoga e a meditação, é uma ferramenta de cura, amor-próprio e empoderamento.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Nascida e criada em Joinville (SC), Dashmesh viveu em Curitiba (PR), onde cursou Biologia e, em 2003, viveu um intercâmbio na Inglaterra, a fim de estudar inglês. Ela lembra que sempre foi apaixonada pela fotografia como hobby, e encontrou nesta arte a sua forma de expressar-se no mundo.
Logo aos 13 anos de idade interessou-se pela máquina Olimpus 35, de seu pai, e participou de um concurso fotográfico em Joinville, no qual foi ganhadora. Depois disso, seu pai lhe presenteou com uma câmera Canon analógica com lentes intercambiáveis. “Comecei a pedir filmes fotográficos de presente e depois a revelação, pois na época era caro. Eu fotografava e anotava cada foto, a abertura, a velocidade, asa, e depois comparava nas imagens, vendo o que tinha feito”, lembra. Em 2007, cursou Fotografia no Centro Europeu de Curitiba, onde teve contato com todas as áreas de fotografia e profissionais renomados.
No ano de 2005, em sua primeira formação em Kundalini Yoga, Claudia recebeu o nome Dashmesh Kaur, cujo significado é “princesa que vive com os valores e as virtudes de um guerreiro”. Ela conta: “Me identifiquei muito com este nome e o uso desde então”.
O tornar-se fotógrafa profissional (aquele que vive disso) aconteceu de maneira inesperada. “Trabalhava como bióloga e instrutora de Kundalini Yoga até então e, em 2010, de volta a Joinville e sem emprego, me indicaram uma vaga de um mês no jornal Notícias do Dia, para cobrir as férias de um fotógrafo – já que viram minhas fotos no Flickr e gostaram delas. Consegui e aceitei a vaga, uma vez que um de meus grandes sonhos na adolescência era ser fotojornalista. Ao final da experiência, tive duas propostas de emprego e passei a trabalhar como fotojornalista no Jornal A Notícia. Foi minha grande escola. Era uma correria, mas amava o que fazia”, recorda.
Três anos depois, grata por todo o conhecimento adquirido, decidiu seguir por outros caminhos, dedicando-se aos trabalhos autorais, ensaios e às aulas de Yoga.
Ares itapoaenses
Dashmesh frequenta as praias itapoaenses desde que nasceu, já que seu avô tinha casa na Barra do Saí. “Itapoá sempre foi minha segunda casa. Vínhamos para cá durante as férias escolares e aos finais de semana. Tempos depois, meus pais construíram uma casa, também na Barra, onde residem até hoje”, fala.
Em novembro de 2015, seu esposo, Luiz Henrique Stephan Filho, foi aprovado no concurso público para ministrar aulas de inglês no município – a oportunidade perfeita para que o casal se mudasse para o litoral em janeiro de 2016.
“Morar na praia, perto de meus pais e ainda em um lugar tão íntimo para mim, foi a realização de um sonho. Aqui em Itapoá, eu e meu esposo nos tornamos pais e vivemos a rotina que sempre planejamos para criar uma criança: com ar puro, tranquilidade e mais tempo para estar com a família”, fala Dashmesh, “sentimos que fomos acolhidos com muito amor na cidade e, hoje, temos orgulho ao falar que temos uma filha itapoaense”.

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Fotografia como cura
“Um exercício de presença, paciência, amor e conexão. É a maneira que uso para me expressar no mundo, servir, enxergar e encarar a vida” – é assim que Dashmesh define a fotografia.
Para a profissional, mais importante que a estética – onde a sociedade impõe os padrões de beleza –, é capturar a luz interior das pessoas. “Sou muito grata a essa profissão, essa medicina da Luz, que me permite contar histórias sobre o tempo que passa tão depressa e, se usada de maneira terapêutica, alcança resultados lindos na vida de uma pessoa”, diz.
Dashmesh acredita fortemente no poder da fotografia como uma ferramenta de cura, onde a mulher se observa linda, plena e imperfeitamente perfeita, como realmente é.
A fotografia é composta de fases: sempre que o artista evolui, estuda, muda e se expressa de forma diferente, em consequência, novas possibilidades surgem e sua obra também muda. Hoje, Dashmesh leva a fotografia junto de seu percurso de autoconhecimento – “ela é uma parte de mim”, diz. Ainda que em constante mudança, a fotógrafa vem se identificando muito com ensaios do Sagrado Feminino e fotografia artística.

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Alma feminina
Sua missão é capturar a luz interior da mulher, registrá-la livre, sem preconceitos e vergonha, e mostrar toda a sua força. Ela explica que isso envolve a mulher em suas inúmeras fases: a menina, a mulher gestando, a mulher mãe recém-nascida com seu filho, a mulher madura e a anciã. Para tanto, estar em sintonia com a fotografada é fundamental, bem como sua entrega e confiança na profissional.
“Através do olhar de outra mulher, a fotografada pode enxergar o que ela muitas vezes esconde ou a própria sociedade pede para que esconda. Minha missão é que ela se permita ser, tenha a coragem de ser ela mesma, tenha esse encontro com a alma, com seu eu, com seu poder nato”, diz. Nas palavras de Dashmesh, “toda mulher tem a potencialidade de ser plena, consciente, intuitiva, forte, segura, corajosa e tranquila – só que muitas vezes todas essas qualidades acabam sendo ofuscadas”. Para ela, a fotografia, assim como o Yoga e a meditação, é uma ferramenta de cura, amor-próprio e empoderamento, que ajuda para o alcance dessas qualidades.
Fotografar mulheres é, para ela, uma grande responsabilidade, já que não acessa apenas a imagem da mulher, mas, também, toda a sua história, o momento em que vive, com muita entrega e confiança.
Além de ensaios de alma feminina, Dashmesh Kaur também fotografa famílias, eventos e vivências, produz imagem com câmeras analógicas e oferece impressões em Fine Art – processo de impressão dentro dos critérios que garantem preservação, fidelidade e permanência da imagem.
Na prática, a profissional procura sempre respeitar a experiência de cada pessoa, e pede licença antes de iniciar um trabalho, principalmente em vivências, pois de alguma maneira está vivenciando as emoções de cada pessoa e sendo confiada a realizar este trabalho. “Seja em vivências, famílias ou mulheres, sempre aprendo muito com quem fotografo. Sou uma eterna aprendiz, aberta a novos conhecimentos e experiências”, conclui.

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Maternidade
Para ampliar seu repertório visual, gosta de viajar, ler, estudar e fazer cursos. Sua principal fonte de inspiração é a biodiversidade, as florestas e as águas do mar, que acalmam, centram e inspiram. “Meditação e Yoga também são grandes aliados, pois quando estamos calmos e relaxados, nossa mente é naturalmente mais criativa”, comenta.
Contudo, a experiência mais transformadora de sua vida foi a maternidade. Há dois anos e meio Dashmesh tornou-se mãe da pequena Flora, a maternidade mudou completamente sua vida e, consequentemente, seu olhar para o mundo e sua forma de trabalhar. Ela conta: “Hoje, sou mãe full time e não tenho mais tanto tempo livre para produzir. E está tudo bem, pois foi nossa escolha e sou grata a essa oportunidade. Flora é minha maior inspiração, minha pequena-grande mestra, para ser sempre alguém melhor”.
Quando se tornou mãe, passou a olhar com mais carinho e atenção para as mulheres – especialmente às mães e futuras mamães. “Ser mãe é muito desafiador e ter uma rede de apoio, amigas próximas e um tempo para si é muito importante. Dou muito valor a um trabalho realizado por uma mulher mãe, pois sei o quanto ela se desdobra para conseguir organizar a sua agenda infindável de tarefas para realizar seu trabalho”, diz Dashmesh.

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Missão
Aos poucos, conforme Flora cresce e ganha independência, a Dashmesh fotógrafa, instrutora de Yoga, bióloga e estudante de Pedagogia (sua segunda graduação) volta a atuar. “Amo o que faço. Realizando meu trabalho como fotógrafa e no caminho do Yoga, sinto estar cumprindo meu papel, minha missão. É como um chamado de dentro, da alma. Neste processo, tenho conhecido pessoas lindas e feito muitas amizades, e isso é muito gratificante. Humildemente, agradeço toda a confiança em meu trabalho e minha pessoa”, fala.
Não é à toa que o trabalho de Dashmesh Kaur tem como uma de suas principais características a sobreposição de imagens: ela acredita que todos os seres estão interligados, e que todas as mulheres são várias em suas várias fases em uma – e a sobreposição traz essa sensação, da vastidão de seres e elementos que somos todos.
Com gratidão e coração aberto, a fotógrafa contribui para o desenvolvimento do município de Itapoá, o qual considera de energia potente, rico em preservação e biodiversidade. Através da fotografia, Dashmesh Kaur, a Claudia, mãe da Flora, aflora, cura e inspira.

Rede Feminina de Combate ao Câncer chega a Itapoá

Presente em 63 municípios do estado de Santa Catarina, a Rede Feminina de Combate ao Câncer tem como intuito proteger a mulher, prevenir o câncer de colo de útero e de mama. Recentemente, a Rede chegou ao município de Itapoá (SC), e promete realizar ações, encontros e palestras de conscientização para grupos de mulheres e para toda a população itapoaense.

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

A Rede Feminina de Combate ao Câncer chegou ao município de Itapoá por intermédio de Solismar Antônio Potulski, proprietário da loja Manu Beauty, de Itapoá. Certa vez, em sua loja, Solismar recebeu a visita de uma cliente diagnosticada com câncer de mama que, em conversa, comentou das dificuldades e da falta de apoio para o tratamento no município. “Como eu havia morado em Joinville (SC) e São Francisco do Sul (SC), já conhecia o trabalho da Rede Feminina de Combate ao Câncer, que atuava nestas cidades. Sempre tive carinho e respeito pelo trabalho que a Rede realiza, pois vai além da orientação das doenças, incentiva os exames preventivos e orienta toda a comunidade”, conta Solismar, que pensou consigo: ‘por que não fundar uma Rede Feminina em Itapoá?’.
Em contato com a presidente do estado de Santa Catarina, Sônia Rieg Fischer, Solismar, junto de um grupo de mulheres que vivem em Itapoá, buscou informação, orientação e apoio para fundar a Rede na cidade. Sendo assim, em agosto de 2019, a diretoria foi apresentada aos munícipes e a Rede Feminina de Combate ao Câncer foi, finalmente, implantada em Itapoá.

 

A Rede
A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Santa Catarina, foi criada em 6 de maio de 1961, na capital catarinense, Florianópolis (SC). Inicialmente, as voluntárias atendiam as mulheres acometidas de câncer nos hospitais. Após 12 anos de existência na capital, foi criada a primeira Rede no interior do estado, na cidade de Blumenau (SC).
Com a demanda apresentada, outras Redes foram sendo criadas, sempre fiéis ao propósito de proteger a mulher, orientando-a no sentido de prevenir o câncer. O alerta à prevenção do câncer de colo de útero e de mama é feito através de palestras, ações, projetos e eventos de conscientização para grupos de mulheres e população em geral.
No estado de Santa Catarina, atualmente, 63 municípios contam com as Redes Femininas. As mulheres são atendidas por voluntárias, atuando principalmente na prevenção do câncer de mama, com encaminhamento para mamografia e colo uterino com coleta do exame preventivo (Papanicolau). Proporcionam às usuárias terapias complementares ao tratamento e qualidade de vida, principalmente às mulheres mastectomizadas, e realizam palestras e ações educativas de conscientização, quanto à importância da prevenção e o diagnóstico precoce do câncer.

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A missão
Natural de Tramandaí (RS), Ameris Hablich é cabeleireira aposentada e mudou-se para Itapoá em 2017, por influência de sua irmã, que tem casa no município há vinte anos. “Quando conheci Itapoá, me apaixonei e mentalizei ‘um dia ainda vou morar aqui’, e anos depois isso aconteceu”, conta.
Ainda no Rio Grande de Sul, ficou viúva, entrou em depressão e acabou conhecendo a pintura. “Comecei a pintar aos 50 anos de idade, para preencher o vazio, e descobri um grande talento e uma grande paixão”, fala. Tempos depois, entrou para o Clube de Mães, onde atuava como voluntariada, ministrando aulas de pintura e ajudando outras mulheres a encontrar na arte a cura para atravessar momentos difíceis.
Em Itapoá, Ameris fez amizade com Solismar e foi convidada a compor a diretoria da Rede Feminina. “Já que me encontrava aposentada, tinha tempo hábil e gostava de voluntariado, Solismar sugeriu que eu fosse presidente da Rede de Itapoá. Agradeci o convite, mas acabei o recusando, pois não queria ter uma responsabilidade àquela altura”, recorda.
Certa vez, Ameris teve de acompanhar Solismar em uma convenção da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Florianópolis. O evento, que reuniu cerca de 300 mulheres de todo o estado, contou com palestrantes estudiosas da área e relatos inspiradores. Ameris lembra: “Me senti tocada neste evento. Lembro-me que voltei para casa maravilhada com o trabalho da Rede e a importância de cada uma daquelas voluntárias na vida das mulheres diagnosticadas com câncer”.
Pensando na possibilidade de ajudar e mudar a vida de pessoas, Ameris aceitou, então, o convite e, através de votação, foi eleita presidente da Rede Feminina de Itapoá, assumindo a função em fevereiro de 2020.
“Quando cheguei a Itapoá, já aposentada, pensei que fosse sossegar e desapegar de qualquer trabalho remunerado ou voluntário. Hoje, vejo que os caminhos não me trouxeram aqui por acaso. Assumo a Rede Feminina de Combate ao Câncer como uma missão e um propósito que tenho com o município”, afirma a voluntária, que planeja promover o tema pela cidade organizando encontros, palestras, atendimentos e atuando em parceria com As Amorosas de Itapoá – grupo de voluntárias que confecciona almofadas em formato de coração, que ajudam a minimizar as dores e oferecem apoio no tratamento contra o câncer.

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Homens também podem abraçar a causa
Nas palavras de Solismar, “você não precisa ter câncer de mama ou no colo do útero ou ter algum diagnosticado na família para lutar por esta causa, pois quando amamos verdadeiramente o próximo devemos estar sempre à disposição para fazer o bem”.
Segundo Ameris, por ser homem e idealizador da Rede em Itapoá, Solismar é muito respeitado pela diretoria do estado de Santa Catarina. Graças ao seu ativismo e sua iniciativa, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Itapoá tornou-se a primeira do estado a ter homens no conselho fiscal e voluntariado.
“Acredito ser muito importante a presença de homens neste projeto. Primeiro, porque o câncer não é exclusividade da mulher e, segundo, porque é imprescindível que, nós, homens, possamos esclarecer nossas dúvidas, para servirmos de apoio em nossos lares, nossas famílias ou até mesmo na comunidade”, explica Solismar.

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Faça parte
Ao público itapoaense, Ameris explica que a Rede de Itapoá é como todas as outras já espalhadas pelo estado: uma instituição regulamentada sem fins lucrativos, que atua com credibilidade, transparência e como uma rede de apoio a mulheres, onde sintam-se amadas, acolhidas, informadas, tratadas e protegidas. Para um atendimento de qualidade, a Rede de Itapoá está em busca de uma sede própria – assim como tem a grande maioria das Redes do estado – para contar com o atendimento de enfermeiras, médicos, terapeutas, palestrantes, etc.
Atualmente, a Rede conta com dez pessoas voluntárias, que vêm estruturando os projetos e as atividades desempenhadas no decorrer do ano. “Procuramos pessoas que queiram apoiar a causa do câncer de mama e no útero, seja através de: divulgação; doações de perucas, próteses ou turbantes; da participação de bazares e brechós que serão realizados para arrecadar fundos; de profissionais artesãos que queiram ministrar aulas voluntárias de pintura, crochê e outras artes, como geração de renda para pacientes diagnosticadas; além de profissionais como ginecologista, psicóloga, enfermeira, advogada, nutricionista e fisioterapeuta, que possam prestar atendimento ou palestras educativas e informativas”, explica a presidente.
Para tornar-se voluntário (a) na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Itapoá, basta entrar em contato com Ameris através do número (51) 99942-0735 e, posteriormente, preencher uma ficha de cadastro. Mas vale ressaltar: a pessoa voluntária terá de passar por um tempo de experiência e assumir algumas responsabilidades com a Rede.
Segundo Ameris Hablich, é gratificante poder fazer algo pela cidade, pelos pacientes e suas respectivas famílias, “porque muitas vezes as famílias sofrem tanto quanto ou até mais que a própria diagnosticada”, lembra. Agora, com a chegada da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Itapoá, muitas mulheres serão acolhidas, abraçadas e confortadas, e muitas histórias serão ouvidas, contadas e servirão de inspiração.

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Está nas mãos, nas telas e nos celulares. Revista mensal, com conteúdo próprio e distribuição gratuita