Superação no combate ao câncer de mama de mãe para filha

Joana Soares da Silva, artesã, e Cintia Juliana da Silva Colotoni, enfermeira, são mãe e filha, amigas, confidentes e parceiras para momentos bons e ruins. Em períodos diferentes, ambas conheceram, viveram e venceram a dolorosa batalha contra o câncer de mama. Seja no campo da arte ou da saúde, a experiência de vida fez com que Joana e Cintia se reconhecessem e conhecessem, também, o propósito de suas vidas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Joana (mãe) e Cintia (filha): amor e cumplicidade para os
momentos felizes e turbulentos, como o câncer de mama.

 

     Joana sempre fora saudável, ativa e feliz com a vida que levava na cidade de Maringá-PR. Ela enquadrava-se em um grupo de risco, uma vez que seu pai havia tido câncer no estômago e sua irmã, na mama. Em consultas anuais, Joana já havia descoberto e tratado alguns nódulos benignos em seu seio. Certa vez, no ano de 2005, quando tinha 51 anos de idade, em um dos exames de rotina recebeu o diagnóstico positivo de câncer em sua mama esquerda. Felizmente, graças ao hábito de consultar-se, o tumor foi descoberto logo cedo e pôde dar início ao tratamento.

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         Mãe de seis filhos e esposa de Anísio Salvatini da Silva, Joana estava com câncer do tipo carcinoma inflamatório, um dos mais agressivos, característico por deixar a mama com aparência de casca de laranja. Ela recorda a sensação: “A descoberta foi um período difícil, mas nos meses seguintes continuei fazendo meu artesanato, me dedicando ao meu jardim, à minha família e procurando viver minha vida. Sempre fui muito agitada e muito apegada com Deus. Nunca gostei de deixar meus familiares preocupados e, mesmo que tivesse meus momentos de tristeza, sempre procurei tranquilizá-los. Porque se minha família estivesse bem, eu estaria bem”.

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Durante o tratamento, depois de passar por trinta e oito sessões de radioterapia, Joana ainda sentia sensação de ardência e estranheza na mama. “Sentia que tinha outro tumor na mesma mama (esquerda) e, quando voltei ao médico, descobri que estava certa! Imediatamente, ele marcou uma cirurgia de mastectomia radical, ou seja, para retirada de todo o seio”, recorda. Apesar do desejo de retirar o seio e reconstruir a mama logo em seguida, Joana teve de aguardar o momento oportuno. Em 2007, três anos depois do diagnóstico, ela pôde fazer a cirurgia de enxerto de pele, que consiste em um pedaço de pele retirado de uma área e transferida a outra (no caso, a mama).

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Joana e o amado, Anísio Salvatini da Silva, seu ponto de apoio, força e otimismo.

Bordando e curando

Desde sua juventude, Joana é aficionada pelas artes, como dança, fotografia e poema, e por trabalhos manuais, como costura, pintura, escultura, crochê, bijuterias, decoração, bonecas em tecido, entre outras técnicas. Além do esposo, Anísio, que deu-lhe muito apoio, força e otimismo na batalha contra o câncer de mama, Joana contou com outra grande ajuda: do artesanato.

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Para ocupar o tempo livre e esvaziar a mente de pensamentos negativos, costumava decorar as paredes de sua casa e, para obter renda extra, confeccionou bonecas com gravetos, tecidos e aviamentos. Mas foi no bordado que encontrou a terapia perfeita para os dias de dor.

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Trazendo alegria, os bordados de Joana formam elementos da natureza coloridos e vibrantes.

Autodidata, desde 2005, quando descobriu a doença, Joana passou a fazer belíssimos bordados em tecidos, com a finalidade de transformá-los em quadros. Seus temas são variados, como flores, paisagens, animais, temas da praia e passagens bíblicas. “Todos os dias, eu abria a Bíblia em uma página aleatória, lia uma passagem bíblica e meditava sobre ela. Essas passagens me inspiravam a criar um bordado e um poema”, lembra Joana que, em muitos momentos, trocou os medicamentos pela terapia do bordado e da palavra de Deus.

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Para um de seus dos bordados, que retrata uma mulher em lágrimas, Joana escreveu: ‘corpo sem perna, corpo sem braço, lágrimas de pérola’. Conforme a artesã, o poema fala sobre depressão, já que o depressivo tem o corpo, mas sente como se não o tivesse e, então, chora.

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“Por diversas vezes, estivemos preocupados com Joana, mas ela nos surpreendia, sempre cantando, dançando e bordando”, comenta Anísio. Seja nos melhores ou piores momentos de sua vida, Joana, a artesã que pinta e borda, teve seus sentimentos extravasados no artesanato. Repetindo o mantra ‘Deus seja louvado em cada ponto desse bordado’, criou peças exclusivas, de cores vibrantes, cheias de identidade, histórias, mensagens e significados.

Batalha após batalha

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Defendo e levanto a bandeira das ações de campanhas
preventivas. Salvam vidas… Salvou a minha”, diz a enfermeira
Cintia, que posa ao lado das camisetas de inúmeras campanhas.

         Diferente da mãe, Joana, que seguiu para as artes, e do pai, Anísio, que é aficionado por letras e autor de cinco livros, Cintia encontrou-se na área de enfermagem. Tinha 38 anos e residia em Ortigueira-PR, quando ajudou a promover uma campanha do Outubro Rosa que mudou sua vida. Ela recorda: “Para incentivar mulheres a realizarem o autocuidado e a mamografia, eu mesma fui fazer o exame. Nunca imaginei que pudesse acontecer comigo. Acabei por me tornar exemplo de quão importantes são essas ações preventivas, que possibilitam mudar o destino das pessoas. Por isso, defendo e levanto a bandeira das ações de campanhas preventivas. Salvam vidas… Salvou a minha.”. Era ano de 2014, oito anos após o câncer de mama de sua mãe, e Cintia recebeu o diagnóstico positivo de câncer na mama esquerda, do tipo triplo negativo.

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         Naquela época, Cintia, que é mãe de cinco filhos, estava amamentando o caçula. “Eu atribuía o crescimento da mama à produção de leite, mas, ao final das contas, tratava-se de uma massa tumoral. Com 75% da mama comprometida, tive interromper a amamentação para realizar a mastectomia”, explica a enfermeira. Ela recorda este período como um turbilhão de emoções, pois residia em Ortigueira e fazia as sessões de quimioterapia em Curitiba-PR, uma viagem que durava, em média, quatro horas.

         Visto que Joana e Anísio já tinham uma casa no município de Itapoá desde 1994, Cintia veio ao município litorâneo do norte catarinense junto do esposo e dos cinco filhos, com o objetivo de estar mais próxima do tratamento, em Curitiba. Mesmo depois de realizar a mastectomia, Cintia não estava tranquila: “Eu queria retirar as duas mamas, pois sentia que havia algo de estranho na mama direita, também, mas o médico insistia que não. Desconfiada e seguindo minha intuição, decidi ir ao oncologista da família, que já havia tratado o câncer de mama de minha mãe e estava tratando o câncer de mama de minha irmã, paralelo ao meu, para pegar uma segunda opinião”. Em consulta e após de alguns exames complementares, descobriu que na mama direita também constavam células cancerígenas, e realizou, novamente, a mastectomia – dessa vez, para retirada do seio direito e esvaziamento total das axilas.

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Com base em sua experiência, Joana pôde ajudar e fortalecer as duas filhas que, na época, lutavam contra o câncer de mama. “Minha mãe foi como um anjo. Cuidou de mim, me trouxe a palavra de Deus quando mais precisei e dizia que eu estava linda com a cabeça raspada e utilizando turbantes. Ela também compartilhou comigo seu amor pelo artesanato e, para amenizar a situação, passei a bordar com ela”, recorda Cintia.

De acordo com os médicos, a enfermeira estaria apta para reconstruir ambos os seios três anos após o câncer de mama. Contudo, em 2017, já trabalhando, Cintia fora surpreendida durante os exames de rotina. “Através de um nódulo no ovário, descobri que estava com tumor pélvico. Senti todas aquelas emoções novamente, de medo, angústia e cansaço. Mas venci todas elas novamente, também”, conta Cintia que, após vencer o câncer de mama, venceu o câncer na região pélvica.

Por conta do tumor pélvico, a cirurgia de prótese nos seios teve de ser adiada para daqui a três anos, mas a enfermeira garante: “Quero, sim, colocar prótese, mas, hoje, a estética não é prioridade em minha vida. Sou feliz e grata por estar viva. Graças a Deus, pude aproveitar muito bem os meus seios, fornecendo alimento e nutrientes aos meus cinco filhos, que são meus tesouros”.

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Neste mês, Cintia veste a camisa da Campanha Mundial Outubro Rosa.

Lições que ficam

         Mesmo que diagnosticadas com câncer de mama em períodos diferentes, mãe e filha estiveram lado a lado, enfrentando e vencendo batalhas. Hoje, compartilham de uma nova vida e das lições que ficam. Aos 64 anos de idade, Joana, junto do esposo Anísio, instalou-se, de vez, em Itapoá. Para o casal, a vida é um sopro e deve ser aproveitada todos os dias. Por isso, dedicam-se aos ofícios e aos filhos que tanto amam, e até mesmo compraram um motorhome para viajarem.

         Na companhia do marido e dos cinco filhos, Cintia também reconstruiu sua vida no município litorâneo, onde trabalha como enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica e professora de enfermagem da escola técnica de enfermagem de Itapoá. Assim como a experiência do câncer guiou Joana até suas agulhas e pontos bordados, guiou Cintia para seu propósito na profissão. Hoje, aos 43 anos de idade, a enfermeira veste a camisa, ergue a bandeira e luta por campanhas de prevenção e combate ao câncer de mama.

         Depois que venceram uma grave enfermidade, mãe e filha pararam de fazer planos, de preocupar-se com pequenas coisas, e passaram a dar ainda mais valor à família e ao amor de Deus. “Hoje, sou uma pessoa diferente, não só porque sou uma sobrevivente do câncer de mama ou porque passei pelos momentos mais dolorosos de minha vida, mas porque vivo do jeito que sempre quis viver”, conta Joana. Não à toa, em uma de suas telas, bordou, para lembrar-se para sempre: ”O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmos 30:5).

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Don Rodolpho: Pães, confeitos e receitas de família

Por trás das delícias encontradas na Panificadora Don Rodolpho, em Itapoá-SC,
estão as receitas e o amor pelo ofício que o proprietário Edson Luís Tavares herdou de seu pai. Com quase 30 anos de história no município, a panificadora lança, agora,
sua linha de produtos: os biscoitos Don Rodolpho.

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Da esquerda para a direita: Kristian (masseiro da Don Rodolpho), João Saidel (gerente da fábrica de biscoitos), Anderson (gerente do Sicredi e parceiro no projeto da fábrica), Mário (também parceiro no projeto), e o casal Edson e Márcia (proprietários da Panificadora Don Rodolpho).

Na cidade de Curitiba-PR, Rodolpho, pai de Edson, era proprietário de uma panificadora. “Meu pai amava colocar a mão na massa, literalmente. Ele tinha receitas próprias e ensinou todas elas para mim e meus irmãos”, recorda Edson, que aos 15 anos de idade já ensinava as demais pessoas a fazerem pães.
Os anos se passaram e Edson decidiu seguir os passos do pai, abrir sua panificadora e manter a tradição do sabor em família. No ano de 1990, passou a residir no município de Itapoá junto da esposa, Márcia Maria de França Tavares, e dos três filhos, Patrícia, Rodolpho e Raphael. Ainda nos anos 90, o casal abriu as portas da Panificadora Don Rodolpho para a freguesia itapoaense. A empresa, que carrega o nome do falecido pai de Edson, é uma homenagem àquele que lhe ensinou a arte de pães e confeitos.
As receitas de pai para filho caíram na boca – ou melhor, no paladar – do povo, e os pães, doces, bolos, salgados, lanches e demais produtos da Panificadora Don Rodolpho ficaram conhecidos por moradores da Barra do Saí ao Pontal. Conforme Edson, muitos turistas também já criaram o hábito de visitar o município litorâneo e passar em sua panificadora para comprar as delícias artesanais e fresquinhas. Além de produtos de qualidade, o grande diferencial da Don Rodolpho está no atendimento oferecido à clientela fidedigna.
“Nossa missão é que o cliente sinta-se em casa. Acreditamos que o cliente não é apenas mais um que vem parar comprar conosco, mas, sim, parte de nossa história”, comenta Edson.
Com 29 anos de atuação, a Panificadora Don Rodolpho cresceu junto do município de Itapoá. O sonho da panificadora que começou à dois, com Márcia e Edson administrando poucos produtos e funcionários, hoje conta com uma equipe de dez funcionários que trabalham há anos na panificadora e fazem parte da ‘família’ Don Rodolpho. O espaço também cresceu e, para melhor atender às necessidades da população, desde 2013, a panificadora está situada na Rua 860, número 893, em Itapema do Norte.
Recentemente, Edson pôde realizar um desejo antigo: montar uma fábrica de biscoitos em Itapoá e lançar uma linha de produtos da Panificadora Don Rodolpho.
Biscoitos Don Rodolpho
Na cozinha da panificadora, Edson habitualmente assava biscoitos de polvilho e oferecia aos clientes e funcionários – que, por sua vez, adoravam o produto. “As pessoas davam um feedback muito positivo sobre os biscoitos, diziam que eles eram deliciosos, crocantes e fresquinhos. Então, no ano passado, buscamos maquinários para modernizar a fabricação e registrar este produto”, explica.
No mês de setembro de 2018 o projeto da fábrica foi concluído com sucesso. Agora, a panificadora oferece doze produtos da marca registrada Panificadora Don Rodolpho, entre eles: joelhinhos, biscoitos amanteigados, palitos salgados, biscoitos de polvilho em bolinhas e biscoitos de polvilho em rosquinhas (com adicionais de queijo ou orégano). Vale ressaltar que as delícias da marca Don Rodolpho também são vendidas em bancas, conveniências e mercados de toda a Itapoá, e possuem representantes nas cidades de Guaratuba-PR, Joinville-SC e Araquari-SC.

Maior realização
Para o futuro da empresa, Edson tem a pretensão de manter o padrão de qualidade e continuar satisfazendo as necessidades da população itapoaense. Em nome de toda a equipe, o proprietário agradece aos clientes, funcionários e parceiros que deixaram sua contribuição nestes quase 30 anos de Panificadora Don Rodolpho.
Seja no atendimento ou na cozinha, batendo os pães, Edson sente-se realizado: “A nossa maior satisfação é, sem dúvida, deixar nossos clientes satisfeitos. Isso aqui é a minha vida, eu me realizo fazendo pães”.

Aos 16 anos, jovem de Itapoá irá formar-se bailarina profissional

O balé clássico fascina o imaginário de muitas meninas. Mas, para Mariana Oss, de Itapoá-SC, a dança foi muito mais que uma fase.
Aos 16 anos de idade, Mariana conta com quatorze anos de experiência no balé e, em outubro de 2018, irá realizar seu grande sonho: formar-se no nível técnico, obter o registro profissional e, enfim, tornar-se uma professora de balé.

 

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Mariana ainda estava na pré-escola, em Chapecó-SC, quando saía da sala de aula para observar as meninas mais velhas dançando balé. Certa vez, sua mãe conversou com a professora e a menina pôde, então, iniciar as aulas de balé na pré-escola – e nunca mais parou.
Ainda em Chapecó, Mariana estudou balé no SESC e na Ballare Escola de Dança (atual Vanessa Batistello Escola de Dança). “Quando iniciei no balé, achava tudo muito lindo, mas, antes mesmo de sonhar em tornar-me uma bailarina, sonhava em ser professora de balé clássico”, conta. Já residindo no município de Itapoá, fez aulas de balé no Laboratório Studio de Dança e, há aproximadamente três anos, treina no Coan Studio de Dança e Pilates.

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Ela conta que sempre teve como inspiração uma bailarina mais velha de sua antiga escola e sua ex-professora, Vanessa Batistello, que, mesmo à distância, lhe dá muito apoio: “Assim como Vanessa, cada um dos professores que fizeram e ainda fazem parte de minha formação são pessoas que me inspiram muito”, comenta. A experiência mais recente, no Coan Studio de Dança e Pilates, deixou Mariana a poucos passos de seu sonho.
O professor de balé do Coan Studio, Luiz Carlos dos Santos, discorre sobre a aluna: “Mariana já veio com cinco anos de trabalho pela escola cubana de sua cidade. Ela apresenta evoluções rápidas, muita agilidade, expressividade, grande evolução técnica dos movimentos do balé clássico e experiência na dança”.

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Recentemente, os alunos do Coan Studio de Dança e Pilates estiveram participando do XXIV Festival de Dança do MERCOSUL, na Argentina, onde Mariana conquistou três premiações:
duas em grupo e uma no DUO.

Ainda, Luiz explica que, para a aluna formar-se no nível técnico e obter o DRT (registro profissional tirado na Delegacia Regional do Trabalho, que significa que a bailarina estará apta a dar aulas), ela deverá ter em mãos seu currículo de bailaria (contendo TCC, anos de formação, apresentações e festivais dos quais participou) e ter dez anos de aulas de balé comprovados. Vale lembrar que a contagem dos anos de formação inicia-se a partir dos seis anos de idade, quando a bailarina aprende a estudar as técnicas.
Depois de estudar, ensaiar e subir ao palco muitas vezes, neste ano de 2018 Mariana irá realizar seu grande sonho de ser professora de balé. “Sou muito grata aos profissionais do Coan Studio, pois estes estão sempre dispostos a transmitir seus conhecimentos com muito amor, carinho e paciência. Estão, também, sempre se atualizando, pois o mundo da dança traz constantes novidades”, fala a jovem, “o DRT é, para mim, a representação de um sonho, de estar indo cada vez mais longe com meu conhecimento e minha dedicação”.

Nunca desistir
Conforme professor Luiz, uma bailarina precisa de muita dedicação para aprender os movimentos e seus respectivos nomes. “A teoria é aplicada durante o ensino de cada movimento, como executar de maneira correta e quais seus objetivos. Cada movimento tem uma intenção para o trabalho corporal, técnico e coreográfico”, explica.
O professor também frisa que o cuidado com a alimentação é necessário para a saúde corporal, e que a disciplina também é um fator importante, pois uma bailarina dedicada apresenta postura comportamental que compõe seu dia a dia em todas as atividades, na família, na escola e na sociedade.
Recentemente, os alunos do Coan Studio de Dança e Pilates estiveram participando do XXIV Festival de Dança do MERCOSUL, na Argentina, onde Mariana conquistou três premiações: duas em grupo e uma no DUO. Nas palavras de Luciana Coan, proprietária do Coan Studio: “Com ajuda da família, da equipe de profissionais e por conta de sua persistência e dedicação, Mariana vem a cada ano melhorando sua técnica no balé clássico. Hoje, é estagiária em nosso Studio e atua juntamente dos professores Thais Espindola (nas turmas de Baby Class) e Luiz Carlos dos Santos (nas turmas de Balé Iniciante). Além do balé, ela ainda pratica aulas de Jazz e aulas de pontas, sendo muito aplicada nos estudos e tendo todos os quesitos para ser uma bailarina de sucesso”.

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Aos 16 anos de idade e prestes a formar-se professora de balé, Mariana sonha em continuar participando de festivais, pois ama a sensação de subir ao palco. “Como o município de Itapoá é carente de um teatro, com estrutura adequada para apresentações, qualquer oportunidade de subir ao palco é rara e muito importante para mim”, fala. Sabendo da inspiração que tem para meninas mais novas, que também sonham em fazer carreira no balé, Mariana diz a elas que nunca desistam: “Como em qualquer atividade que você queira se dedicar, o caminho no balé não é fácil. É preciso ter paciência, determinação, procurar por fontes confiáveis e profissionais habilitados e, principalmente, sentir paixão pela dança”.

A bailarina Mariana Oss, do Coan Studio de Dança e Pilates, irá formar-se no dia 9 de novembro de 2018. A formatura acontecerá no Shopping Itapemar, em Itapoá-SC, durante o espetáculo de balé La Fille Mal Gardée, às 20h.
Para adquirir o convite do evento, basta entrar em contato com a equipe do Coan Studio (47 99902-5763 – Luciana Coan).
Para patrocinar ou apoiar a bailarina Mariana, contate sua mãe, Elenice, através do número: 47 98495-4806.

Projeto social promove conhecimento e cultura através da leitura

Em um momento de dor e angústia, a professora Mariza Aparecida de Souza Schiochet, de Joinville (SC), buscou forças para levar esperança onde não há. Assim, nasceu o projeto social “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”, que espalha caixas de leitura em instituições sociais, comunidades carentes e hospitais de Joinville e região.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Mariza conta que seus pais sempre foram envolvidos com atividades religiosas e, também, que os livros sempre fizeram parte de sua vida. Foi, inclusive, o amor aos livros e às crianças que levou Mariza a formar-se em Letras e fazer pós-graduação em “Gestão Escolar” e “Inclusão e Teoria em Libras”. “Sempre acreditei que as crianças são bons motivos para exercitarmos o convívio humano, uma vez que elas não têm preconceito. E, caso tenham, temos o dever de direcioná-las ao caminho para o bom convívio em sociedade”, comenta a professora.
Certas vez, enquanto Mariza levava sua mãe, diagnosticada com câncer, para o tratamento de quimioterapia, no Hospital Municipal São José, observou a ociosidade de pacientes e acompanhantes nos momentos de espera das consultas. Ela, então, encontrou a solução ideal em uma de suas paixões: os livros. No setor de Oncologia do hospital, disponibizou algumas obras literárias, a fim de entreter e enriquecer os pacientes e acompanhantes. Também, seus alunos levaram muita esperança e carinho aos pacientes do hospital escrevendo a eles cartinhas amorosas. A iniciativa deu tão certo que a apaixonada por leitura resolveu espalhar mais caixas em outros lugares. E foi assim que, há aproximadamente sete anos, nasceu o projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”, da professora Mariza.

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As crianças do Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz vestiram a camisa (literalmente).

Ler é Viajar Sem Sair do Lugar
Com o objetivo de promover conhecimento e cultura através da leitura, o projeto (sem fins lucrativos) recebe as chamadas “Caixas de Leitura” do Movimento de Pessoas Melhores (www.pessoasmelhores.com) e tem apoio do Tio Cid, pub de um ex-aluno de Mariza, que sempre que possível realiza a compra do material solicitado.
“Tenho muitos anjos que, direta ou indiretamente, contribuem com o projeto. Sou muito grata a eles”, diz a professora. As Caixas de Leitura são especialmente decoradas por Mariza, com a ajuda de alunos e de seu marido. Então, as mesmas são abastecidas com livros doados por amigos, escritores, livrarias e simpatizantes do projeto. Entre os exemplares, estão romances, contos, gibis e histórias prazerosas que possam ser lidas em curto tempo. Em seguida, as caixas são espalhadas em instituições sociais, comunidades carentes e hospitais de Joinville e região.
De acordo com Mariza, a ideia é distribuir livros onde não há, especialmente nos bairros mais carentes, criar ambientes convidativos para despertar o interesse de crianças e, ainda, realizar contação de histórias. “Buscamos envolver cada vez mais leitores no universo prazeroso e lúdico da leitura e, assim, construir uma sociedade mais justa e humana, além de contribuir na formação de valores e cidadania”, acrescenta a idealizadora do projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”.

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O IGP – Instituto Geral de Perícia também ganhou cantinho especial dedicado à leitura.

Depoimentos
Conforme Giane Costa, recepcionista do CENEF – Centro de Estudos e Orientação da Família, o projeto permite que aqueles que estão na sala de espera desfrutem de uma boa leitura. Ela ainda conta que aqueles mais absortos na leitura levam o exemplar para casa, a fim de ‘devorar’ o livro. Para Maria Eduarda, recepcionista do LABCenter – Laboratório de Análises Clínicas, o projeto é um bom incentivo para que as pessoas substituam os celulares por livros. “Muitos de nossos pacientes, que ficam em curva de lactose por duas horas a fio, aproveitam este tempo para ler”, fala Maria Eduarda.
Já no IGP (Instituto Geral de Perícia), uma pessoa pôde conhecer o projeto enquanto seu filho brincava no cantinho organizado com brinquedos e livros: “Atitudes como essa nos dão esperança de que o mundo pode ser melhor. Em uma Era Digital, onde muitos princípios estão se perdendo, é através do nosso exemplo que podemos ensinar nossas crianças que a leitura é, sim, muito importante”.

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Registro do Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz.

Poder transformador
O projeto, que nasceu da vontade de compartilhar com outras pessoas o poder transformador da leitura, acabou transformando a vida da própria idealizadora. Dentre tantas pessoas e histórias que lhe marcaram, Mariza fala sobre o “Espaço da Leitura”: “Certo dia, a convite de uma amiga, fui fazer uma contação de histórias em uma comunidade carente. Após a contação, veio o convite de colocar uma Caixa de Leitura ali. Relutei, pois o local era muito distante, não tínhamos apoio e gastaríamos com gasolina. Mas o apelo das crianças falou mais alto. A proprietária da casa, Miriam Padilha, conhece a realidade de cada uma daquelas crianças, que começaram a ler, emprestar e interessar-se por livros. Então, em sua garagem, iniciaram-se encontros semanais, com atividades lúdicas e de leitura. Sempre entusiasmada, Miriam foi recebendo cada vez mais crianças. Contudo, no inverno, o frio e a chuva atrapalhavam esses encontros. Portanto, eu e meu marido resolvemos unir nossas finanças para fechar uma parte da garagem. E o resultado foi uma alegria! O Espaço ficou muito aconchegante e uma vez ao mês levamos um escritor, um artista ou quem quer que possa contribuir com uma palavra de esperança, amor e cultura para as crianças da comunidade”.

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Pintura do artista plástico Luiz Arão, livros e uma brinquedoteca na delegacia que pode, também, ser um espaço cultural àqueles que estão na sala de espera.

Além das páginas e da sala de aula, Mariza adora caminhar e pedalar na boa companhia de seu marido, seus filhos e de Debby, sua cachorrinha – daí a logomarca do projeto, criada pelo artista plástico Humberto Soares.
O projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar” nasceu de um momento de sofrimento, mas a mãe de Mariza, felizmente, foi curada e, hoje, aos 90 anos de idade, ajuda a filha a carimbar os livros que serão dispostos nas Caixas de Leitura.
Por sua vez, professora Mariza, transformadora e transformada, conclui: “Costumo falar que passei do cálvario até a ressureição, pois aprendi a colocar-me na dor do outro. Cada dia naquele setor de Oncologia com minha mãe foi sinônimo de aprendizagem e enriquecimento. Ali, aprendi a aceitar, conviver e buscar sempre motivos para levar um pouco de esperança ao próximo, seja através de uma cartinha (que seus alunos escrevem até hoje para os pacientes diagnosticados com câncer), uma leitura ou um sorriso”.

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Além da leitura, Mariza, a idealizadora do projeto, adora caminhar e pedalar na boa companhia de seu marido, seus filhos e de Debby, sua cachorrinha.

Fique atento aos pontos de distribuição de livros do projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”:
• Joinville (SC): Setor de Oncologia do Hospital Municipal São José; HEMOSC – Hemocentro de Santa Catarina; Casa Padre Pio; Hospital Regional Hans Dieter Schmidt; CENEF – Centro de Estudos e Orientação da Família; Mercado Municipal – voluntária Stella Maris de Carvalho; Maternidade Darcy Vargas; LABCenter – Laboratório de Análises Clínicas; Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso; IGP – Instituto Geral de Perícia; Casa de Acolhimento São Lázaro; Igreja Católica, no bairro Itinga – voluntária Cláudia Cidral; CIRETRAN Joinville; Espaço Criativo e Literário Júlio Emílio Braz.
• São Francisco do Sul (SC): Posto de Saúde, na Praia da Enseada – voluntária Cláudia Cidral.
• Piçarras (SC): RECREA – Atividades de Lazer e Esportivas.

Amigos, parceiros e amantes da leitura, entrem em contato com Mariza através do e-mail izaschiochet@gmail.com ou telefone (47) 99651-7701. Com a compra de uma camiseta do projeto “Ler é Viajar Sem Sair do Lugar”, no valor de R$ 30,00, você apoia essa iniciativa. Saiba mais em facebook.com/livroparatodos

 

Campanha alerta munícipes sobre o descarte adequado de pilhas e baterias

As pilhas e baterias de uso doméstico apresentam um grande perigo à saúde humana quando descartadas incorretamente, ou seja, no lixo comum. Nesse sentido, a ASPLAMB, com apoio da Revista Giropop e de outras empresas, apresenta o projeto “Descarte Adequado de Pilhas e Baterias”. A campanha de educação ambiental visa sensibilizar a comunidade de Itapoá (SC) sobre a necessidade de dar destinação correta às pilhas e baterias usadas, reduzindo a quantidade de artefatos lançados no meio ambiente.

 

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O município de Itapoá atrai cada vez mais moradores e turistas. Consequentemente, aumenta também a preocupação com relação aos resíduos perigosos, uma vez que muitos desconhecem os riscos oferecidos pelo descarte inadequado das pilhas e baterias ou, ainda, não sabem onde e como descartar tal material. No município, embora existam alguns pontos de coleta, nota-se que o descarte destes artefatos é muito inferior quando comparado àquilo que é consumido. Diante disso, a equipe da ASPLAMB preocupou-se em realizar uma campanha ambiental.

Riscos à saúde
Conforme Jéssica Holz, bióloga e responsável técnica pela ASPLAMB, “na composição desses artefatos são encontrados metais pesados, como, por exemplo, chumbo, mercúrio, cobre níquel e zinco, substâncias extremamente perigosas à saúde humana”. Dentre os males provocados pela contaminação com metais pesados está o câncer e mutações genéticas.
A título de esclarecimento, a bióloga ressalta que as pilhas e baterias novas ou usadas e em funcionamento não oferecem riscos, uma vez que o perigo está contido em seu interior. “O problema é quando elas são descartadas no lixo comum e as cápsulas que as envolvem passam por deformações, amassando, estourando e deixando vazar o líquido tóxico de seu interior. Esse líquido representa o lixo não biodegradável, ou seja, não é degradado com o passar dos anos e se acumula na natureza”, explica Jéssica. Tal lixo contamina o solo e o lençol freático e, consequentemente, os córregos, rios, lagunas e o mar, prejudicando a agricultura e a hidrografia.
E é justamente por serem biocumulativos, ou seja, acumularem-se no meio ambiente poluindo-o, que não devemos descartar esses materiais no lixo comum.

Sobre a campanha
A campanha, destinada a todos os munícipes de Itapoá, é um projeto piloto elaborado pela iniciativa privada, executada através da ASPLAMB em parceria com outras empresas – entre elas, a Revista Giropop, que será responsável por todo o material visual.
Com lançamento previsto para o dia 10 de julho, o projeto “Descarte Adequado de Pilhas e Baterias” terá duração de 30 dias, encerrando-se no dia 10 de agosto. Durante esse período, serão deixados pontos de coleta identificados em locais estratégicos do município, onde as pessoas poderão levar o material gratuitamente nos devidos horários de atendimento.
Em paralelo, serão realizadas palestras nas escolas e distribuídos folhetos informativos. Ao final da campanha, todo o material será levado para a ASPLAMB, onde será recolhido por empresa autorizada para o transporte de resíduos perigosos e, então, depositado em empresa autorizada para o tratamento e destinação adequada dos mesmos.
Com essa iniciativa, a ASPLAMB, Revista Giropop, Imobiliária Besen, Fabianno Lima Arquitetura, Horizon Topografia, LMC Terraplenagem e Transportes Ltda, South Beach Loteamentos Ecológicos, JR Pavan Administradora de Bens Próprios, objetivam sensibilizar a comunidade local sobre a necessidade de dar destinação correta às pilhas e baterias usadas; promover cidadania e bem-estar social; destinar adequadamente pilhas e baterias e, posteriormente, apresentar relatório posterior à campanha com a quantidade recolhida e seu destino. Esse feedback você poderá conferir na próxima edição da Revista Giropop.

Expectativas
A ASPLAMB sabe que todos têm direito ao ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida (Art. 225 da CF). Pensando nisso, preocupa-se em manter um meio adequado para o povo itapoaense. Jéssica ainda salienta que todos os colaboradores da ASPLAMB residem no município, além disso, buscam parceiros que atuam principalmente dentro de Itapoá. Garantindo, assim, qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.
Para a bióloga, pequenas ações mudam o mundo. Ela conclui: “Esperamos envolver um grande número de pessoas e temos certeza de que a campanha será muito positiva. Temos convicção de que esse material é jogado por muitas pessoas no lixo comum, então, se souberem que isso é inadequado e não o fizerem mais, já será um bom avanço”.

Seja um parceiro
Além dos munícipes, a campanha trará benefícios, também, aos seus colaboradores, que terão visibilidade e oportunidade de mostrar à comunidade que preocupam-se com o meio ambiente e com as questões socioambientais. Portanto, se você possui interesse em ajudar a realizar essa campanha, basta entrar em contato com a ASPLAMB e tornar-se um parceiro.

Para maiores esclarecimentos, a ASPLAMB está situada na rua Caracaxá, número 194, no Jardim Pérola do Atlântico. Você também pode entrar em contato através do e-mail contato@asplambambiental.com.br ou telefone
47 3443-2905.

Empreendimento Riviera Santa Maria marcará a Itapoá do futuro

Influente na história de Itapoá, a família Gunther sempre acreditou no futuro promissor do município. Além das contribuições passadas, os Gunther buscam, também, marcar a Itapoá do futuro. Estamos falando do empreendimento Riviera Santa Maria, um projeto da família, junto de outras empresas e empreendedores.
Em entrevista à revista Giropop, os irmãos Pedro Silvano Gunther e Rubens Geraldo Gunther falam sobre a história de sua família, suas contribuições e, é claro, sobre este projeto inovador, moderno e sustentável, que promete grande impacto no município.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Irmãos Gunther em recente encontro familiar.

Qual a relação da família Gunther com a história de Itapoá?
Nosso patriarca, Geraldo Mariano Gunther, foi um homem à frente do seu tempo. Advogado militante, político atuante (vereador, prefeito, deputado estadual), jornalista, proprietário do jornal “O Democrata”, de Concórdia (SC), e empresário visionário, sempre acreditou no futuro promissor do município. Costumava dizer que essa era a praia mais bonita do “sul do mundo”. Em 1956, sugeriu a Dórico Paese que investisse em Joinville (SC). Dórico liderava os empreendimentos da família Paese na criação de loteamentos urbanos e vinha de uma bem sucedida experiência em Concórdia. Acreditando no potencial de Joinville, juntaram-se a outros empreendedores e fundaram, em janeiro de 1957, a SIAP – Sociedade Imobiliária Agrícola e Pastoril Ltda. Logo em seguida, Adalcino Rosa comentou com Dórico sobre a existência da praia de Itapoá, a qual só era acessada por barcos, a partir de São Francisco do Sul (SC).
A “descoberta” de Itapoá animou o grupo a focar esforços nesse projeto e, como primeira tarefa, abriram os 8 km de estrada que faltavam para ligar a colônia Saí Mirim à praia. Os detalhes desse início de colonização de Itapoá estão muito bem descritos no livro “Memórias Históricas de Itapoá e Garuva”, de Vitorino Luiz Paese.

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Ida Ormeneza Gunther e Geraldo Mariano Gunther,  os fundadores da IGG.

Há quanto tempo frequentam o município?
A partir de 1964 passamos a veranear todos os anos em Itapoá. O mês de janeiro era, exclusivamente, dedicado à praia. Morávamos em Concórdia e a viagem levava o dia inteiro, saindo de madrugada, em estradas precárias e, em certas épocas do ano, intransitáveis. A luz era a do sol e a água a da chuva. Somente anos depois vieram os fornecimentos de energia elétrica, água, telefone, asfalto, etc.

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Família Gunther em 1957, ano em que Geraldo e demais sócios da SIAP iniciaram o desenvolvimento de Itapoá.

Vocês participaram ativamente da transformação política, social e econômica de Itapoá?
Pedro Silvano e Rubens Gunther: Em 1964, nossa família apoiou a transferência do município de São Francisco do Sul para Garuva, em 1989, acompanhou a criação do município de Itapoá e, em 2003, a instalação da Comarca. Também, cedeu áreas para a construção dos Condomínios Solar do Atlântico, Vivenda das Palmeiras, Portal dos Mares e Cancun. Construiu espaços de lazer e convívio, como o Camping D’Itapoá (hoje, administrado pela Associação dos Funcionários da Prefeitura Municipal de Itapoá) e a casa de espetáculos Maresia (hoje, Italama). Doou uma quadra para a Fundação Hermon, colaborou na viabilização do CTG Fronteira do Litoral e do Campo de Futebol. Apoiou o desenvolvimento urbano, cedendo área para a primeira estação de captação e tratamento de água e doando 60.000 m² para a instalação da nova Estação de Tratamento de Águas (ETA) e da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Em 2000, pagamos o asfaltamento da Avenida Brasil, no trecho compreendido entre o Tikay e o Condomínio Vivendas das Palmeiras. Já em 2011, assumimos o asfaltamento do Caminho da Onça, no trecho que corta a área, enquanto o Porto arcou com o custo do asfalto no resto da cidade.

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Veraneio da família em Itapoá, em 1964.

E quanto ao projeto do empreendimento Riviera Santa Maria? Quando começou? Quais as dificuldades iniciais?
Em 1959, a família adquiriu duas glebas para desenvolver empreendimentos imobiliários. Dez anos depois, foi registrado o Loteamento Santa Maria e entregue sua abertura para a empresa Moreira Bastos, de Lages (SC), que não conseguiu completar o serviço. Pelas incertezas e dificuldades da época, o empreendimento não prosperou. As dificuldades associadas às demarcações e sobreposições de áreas inviabilizaram o loteamento e foi necessário um processo judicial de retificação e ratificação de divisas, que só foi concluído em 1999. Já entre 1995 e 2005, antevendo uma forma de urbanização mais própria para residências de veraneio, a família promoveu a implantação dos Condomínios Vivenda das Palmeiras, Solar do Atlântico, Portal dos Mares e Cancun, em regime de permuta por área construída. Contudo, apesar dos cuidados tomados para que as construções atendessem a todos os critérios técnicos e legais, a partir de 2003, o MPF (Ministério Público Federal) ingressou com Ações Civis Públicas (ACP) contra os Condomínios, contra a FATMA (Fundamentação do Meio Ambiente) e contra a Prefeitura de Itapoá, pedindo a anulação das licenças concedidas, com a argumentação, que até hoje não está superada, de que as construções se encontravam em Terras de Marinha e em Áreas de Proteção Permanente (APP), coberta de vegetação de restinga.

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Primeira tentativa de lançar o loteamento Santa Maria, em 1969.

Como se encontra a situação dessas Ações Civis Públicas?
Estamos contestando judicialmente a demarcação da linha de preamar média de 1831 (LPM1831) por entender que ela foi realizada de forma ilegal, e contestando a classificação de proteção de vegetação de restinga por entendermos que a lei protege a vegetação associada ao acidente geográfico restinga e não genericamente a vegetação de restinga. Das quatro ACP’s, duas foram solucionadas através de acordo e outras duas continuam sem decisão até o momento.

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Pedro Silvano Gunther, Vice-Presidente da IGG e Rubens Geraldo Gunther, Presidente.

Desde a iniciativa de implantar o loteamento, nos anos 70, ao imbróglio jurídico ambiental originado na construção dos condomínios, o que vem sendo estudado?
Fomos estudando alternativas e avaliando riscos. A família desenhou muitos projetos para a área, que sempre esbarraram na insegurança jurídica que entendíamos que só seria superada por um projeto transformador e que atendesse a todas as exigências legais, ambientais e fosse economicamente viável. Tivemos a felicidade de encontrar um grupo empreendedor e visionário, composto por engenheiros, administradores e advogados que se dispuseram a assumir o risco, em conjunto com a família, de implantar em Itapoá um projeto inovador, ambientalmente e socialmente responsável e economicamente viável, evitando “fazer mais do mesmo”. O grupo de desenvolvedores – formado por executivos que implantaram o Porto Itapoá, um conceituado empreendedor imobiliário de Curitiba, um arquiteto e um escritório de advocacia – assinou em 2011, com a IGG, empresa da família, um “Protocolo de Intenções” para o desenvolvimento e implantação do projeto Riviera Santa Maria, baseado no “Estudo Conceitual da Gleba”, elaborado pelo escritório de arquitetura do urbanista Jaime Lerner.

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60.000 m² doados pela família para a construção da
Estação de Tratamento de Água de Itapoá.

Desde então, o trabalho tem sido desenvolvido junto dos empreendedores?
Estamos em intenso trabalho, contratando empresas de elevada capacidade técnica, como a AQUAPLAN, para elaborar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), a VECTOR, para os projetos de infraestrutura, a IOCH, para o projeto elétrico, além do indispensável e qualificado suporte jurídico do escritório BRÜMMER ADVOCACIA.
Todo o esforço está sedo feito para que quando obtivermos a Licença Ambiental de Instalação (LAI) não haja interrupção no desenvolvimento do projeto, que só se transformará em realidade quando tivermos a segurança jurídica necessária.

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Ilustração da concepção da Praia de Bambu.

Há bastante informação no site rivierasantamaria.com.br a respeito do empreendimento. Mas gostaríamos que vocês falassem sobre os conceitos do mesmo.
O projeto do Riviera é algo que só poderia sair da cabeça de um urbanista experiente como Jaime Lerner, com uma vida dedicada à administração de Curitiba (PR), além de trabalhos no planejamento de outras cidades. O que ele nos ensina é que devemos priorizar o deslocamento a pé ou de bicicleta e, consequentemente, diminuir o tráfego de veículos. Desenhou, então, um bairro, onde as pessoas possam morar, trabalhar, fazer compras, divertirem-se, sem grandes deslocamentos. O projeto abriga os conceitos de diversidade de usos e de renda, que servirá tanto para moradores quanto veranistas. E a Praia de Bambu – espaço de uso público onde ficarão lojas, restaurantes, uma alameda para pedestres e áreas de descanso e lazer – deve prover lazer e gastronomia para os moradores de outros bairros da cidade. As construções e o passeio terão cobertura de bambu, criando, assim, uma identidade própria, que servirá de ponto turístico para Itapoá.

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Área sobre a qual foi projetado o Riviera Santa Maria.
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Masterplan que está sendo objeto  de licenciamento ambiental.

Além da Praia de Bambu, quais as outras inovações do projeto?
Haverá um eixo comercial e de serviços públicos no Caminho da Onça para servir toda a cidade. Serão criadas duas pistas largas, com bastante área de estacionamento e ali se dará o trânsito entre os bairros vizinhos. Ligando o Caminho da Onça à Avenida Brasil, no centro do empreendimento, haverá uma rambla, que é uma avenida bem larga, com lojas, restaurantes e bares. Serão 12 km de ciclovias e muitas ruas exclusivas para pedestres. Os prédios residenciais serão menores na frente, para a Avenida Brasil, e maiores à medida que se distanciam do mar. Estão previstos apartamentos de 70 m² a 350 m², para acomodar a necessidade de diversos interesses e rendas. Há também um espaço previsto para lagoas cristalinas, cuja ideia é usar uma tecnologia chilena de tratamento de água, o que geraria um outro ponto de atração, com operação o ano todo, dentro do Riviera.

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Pedro e Rubens visitam Crystal Lagoon no Chile.

Muito do que está no planejamento do empreendimento é resultado da experiência obtida pelos integrantes do projeto em viagens. Quais foram as suas principais inspirações?
Em viagem ao Chile, conhecemos a já mencionada tecnologia de tratamento de água. São lagos que parecem verdadeiras piscinas, ideais tanto para banho quanto para prática de esportes aquáticos, a custo razoáveis. Em Cartagena de Índias, na Colômbia, pudemos ver formas eficazes de combate à erosão marinha. Estivemos também em Portugal, França e Mônaco, onde pudemos conhecer, além dos trabalhos de proteção da orla, a forma de ocupação das cidades. Já em Abu Dabhi, conhecemos a cidade sustentável de Masdar, com muitos conceitos interessantes de uso de energia e coexistência de moradias e escritórios. Por Cingapura, vimos o resultado do esforço de uma linha de governo que transformou um porto sujo em uma cidade de primeiro mundo. Os integrantes do grupo desenvolvedor, por seu turno, também conhecem diversos países e, a cada viagem, trazem importantes subsídios para o aperfeiçoamento do projeto do Riviera.

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Rubens visita ponte de bambu em Bogotá, Colômbia.

Há muitas empresas e profissionais envolvidos no projeto?
É um projeto complexo, que exige alta especialização e envolve alto risco. Atualmente, entre as empresas contratadas, os empreendedores e a família, temos cerca de 20 profissionais trabalhando no projeto. Na implantação, será dada preferência para empresas e profissionais de Itapoá, desde que atendam as pré-qualificações técnicas e os altos padrões de qualidade que o projeto exige. Além disso, estamos prevendo apoio na formação e qualificação de mão-de-obra para as necessidades futuras.

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Pedro visita Jardim Botânico no Havaí.

E o empreendimento tem ano previsto para lançamento?
Todas as nossas previsões foram adiadas, pois não contávamos com a extrema burocracia envolvida no processo. Além das licenças municipais e estaduais, temos o acompanhamento do Ministério Público Federal que, apesar de não ser órgão licenciador, tem a prerrogativa de solicitar o embargo judicial de qualquer obra que supostamente agrida o meio ambiente. Então, estamos dando todos os passos necessários para prosseguir com segurança. De qualquer forma, nossa expectativa é que obtenhamos as licenças que faltam e o “sinal verde” do Ministério Público Federal ainda este ano.

Vocês estão trabalhando para proporcionar um novo destino para o município. Em comemoração aos 29 anos de Itapoá, qual a mensagem final a todos os munícipes?
Participamos da história de Itapoá há seis décadas. Somos testemunhas do progresso deste pedaço do paraíso e não temos dúvida que o município crescerá de forma ainda mais acelerada. A nossa maior realização, que vem somar com o trabalho de tantas outras famílias pioneiras, será a viabilização do Riviera Santa Maria, que vai contribuir para a grandeza de Itapoá. Estamos otimistas e acreditamos que a população vai orgulhar-se deste empreendimento.

 

História: Memórias de uma antiga Itapoá

No mês das mulheres, contamos a história de três mulheres fortes e vividas: as irmãs Elisa dos Santos Silva (83 anos), Pureza dos Santos Silva (75 anos) e Maria Porfírio da Costa (68 anos), mais conhecida como dona Lica.
Nascidas e criadas no município de Itapoá (SC), mais precisamente na Barra do Saí, sua família foi uma das pioneiras da região – o que, é claro, nos rendeu boas histórias e muitas memórias.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Da esquerda para a direita, as irmãs Maria Porfírio da Costa (a dona Lica), Elisa dos Santos Silva
e Pureza dos Santos Silva. No colo, o retrato de seus pais Justina e Alexandre.

Tudo começou pelos falecidos Justina Alexandrina da Conceição e Alexandre Porfírio dos Santos, nascidos e criados em uma casa à beira da mata, na colônia do Saí-Guaçu, em Itapoá – o que indica que sua família ajudou a povoar o local. Não se sabe ao certo o ano em que isso aconteceu, pois, naquele tempo, as datas dos registros não tinham precisão.
Na comunidade, Justina e Alexandre tiveram seus seis primeiros filhos: Emanuel (que faleceu logo em seu nascimento), Inácio (falecido há três anos), as gêmeas Ana e Maria (falecidas com sete meses de vida), Luzia (que vive em Guaratuba, aos 85 anos de idade) e Elisa (uma de nossas entrevistadas). Certo dia, em busca de novos ares, a família deixou a colônia e, em uma canoa, desceu o rio Saí-Guaçu abaixo, para viver na Barra do Saí.

Do lado de cá
Chegando ao destino final, precisavam de um lugar para viver. Dona Elisa explica como acontecia antigamente: “Para morar em um lugar já habitado, era preciso pedir permissão à pessoa mais velha que ali vivia. Na época, o mais antigo era Pedro Franco. Ele, então, permitiu que nosso pai demarcasse um terreno e construísse uma casinha para nossa família”.
Já na Barra do Saí, Justina e Alexandre tiveram mais quatro filhos: Antônia (que faleceu com um ano de vida), Luiza (falecida há 21 anos), Pureza e Maria (as duas últimas, também entrevistadas).
Naquele tempo, da Barra do Saí até a Figueira do Pontal, a maioria das famílias vivia de duas atividades: a roça e a pesca. As crianças, por sua vez, pouco desfrutavam da infância, pois ajudavam seus pais desde muito cedo, seja socando o arroz no pilão, cozinhando para a família, cuidando dos irmãos mais novos ou plantando e colhendo alimentos na roça.
Estudo também era sinônimo de luxo. Dona Elisa, a mais velha, estudou durante três meses em uma escola de Coroados, em Guaratuba (PR) – o acesso era feito a pé, pela praia, e de canoa, pelo rio. Já as irmãs Pureza e Lica receberam estudo de professoras que chegavam a Itapoá e lecionavam nas casas das famílias.

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Dona Elisa foi a primeira costureira da Barra do Saí e até hoje orgulha-se ao mostrar uma de suas máquinas de costura.

Costumes
Dentre as lembranças das brincadeiras de criança, as irmãs gostavam de pular corda, aparar peteca e brincar de roda. “Também brincávamos de esconder bolo. A brincadeira era assim: segurando uma varinha, uma criança pedia aos colegas que procurassem ingredientes na natureza, como folhas de laranja ou de mamona, para fazer um bolo de brincadeira. A criança que chegasse atrasada ganhava uma varada. Depois, escondíamos o bolo debaixo da terra e todos tinham que procurar”.
Católica, a família rezava na rua, em um campal, onde havia uma cruz, e os filhos tinham o costume de pedir bênção aos mais velhos. “Quando uma criança aprontava, apanhava com vara de cipó. Mas, comigo, isso aconteceu uma só vez, pois amava e respeitava muito o papai e a mamãe (modo carinhoso que as irmãs referem-se até hoje aos seus pais)”, conta dona Lica. As benzedeiras também eram parte da crença popular. “Cobreiro, quebrante, vermes ou dor de barriga, não havia nada que uma benzedeira, um chá de erva ou um homeopata não curassem”, complementa dona Lica.
As irmãs mais novas aprenderam a confeccionar cestos e balaios de cipó. Também, pescavam no rio e pegavam caranguejo e marisco no manguezal. “Antigamente, os peixes existiam em abundância em nossos rios”, contam. Diferente das irmãs, o passatempo favorito de Elisa era costurar e fazer crochê, atividades que aprendeu apenas observando suas vizinhas. “Aprendi a fazer crochê aos cinco anos e, aos dez, costurei meu primeiro vestido”, conta Elisa, que fazia roupa para as irmãs e as vizinhas, com anarruga, faile, itamina e fustão – tecidos populares da época.
Em um tempo onde não existia massa de pão, a comida tradicional da família dos Santos Silva era arroz, toucinho de porco, gengibre e carne de passarinho. “Felizmente, nossas mesas eram fartas de comida, principalmente antes de ir para a roça”, lembra dona Pureza. Desde a juventude, os pratos favoritos das três irmãs são mocotó com rabada, caldo de peixe e feijoada com carne cozida.

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A simpática dona Pureza cuidando
de suas plantas, na Barra do Saí.

Histórias
Na boca do povo estavam lendas como O Homem da Mão Peluda, que se escondia na mata e pegava as crianças que andassem sozinhas à noite, e o Boitatá, uma grande cobra que lançava fogo. Certa noite, Elisa, que se considera a mais “marvada” (como costumam dizer) entre as irmãs, estava caminhando pela praia e, com um facho que soltava faíscas, assustou o povoado: “Eu dava voltas e voltas no escuro, com o facho faiscando. Todo mundo saiu correndo, achando que era o Boitatá. No dia seguinte, só se falava disso, e eu fingi que não sabia de nada. Hoje, só conto essa história porque aquela gente já se foi”.
Ela também recorda uma noite em que seguiu sua mãe pela beira da praia, para ver um barco que havia encalhado: “Pelo caminho, desviei de pontos vermelhos muito brilhantes, que acreditava serem brasas do cachimbo da mamãe. Mais tarde, conversando com ela, descobri que seu cachimbo não estava aceso e desconfiamos de que eram diamantes”. Naquela época, muito se falava sobre pratas, ouros e pedras preciosas que existiam próximas aos sambaquis – mas nunca alguém, de fato, as achou.
Assim como cada volta do Rio Saí Mirim, as donas Pureza, Lica e Elisa contam que, a cada 1000 metros, as praias de Itapoá recebiam nomes específicos, que foram agrupados com o tempo. Começando pela Barra do Saí, eram eles: Abreu, Crispim, Arrancado, Roxo, Camboão, Mendanha, Ilha do Meio, Ariel, Lagoinha, Lorato, Itapoá, Morretes, Barra do Rio, Ana Rosa, Ponta do Pontal, Pontal, Piçarras e Figueira. Diferente do que muitos imaginam, a praia da antiga Itapoá era quase inacessível. “Antigamente, a praia era cercada por mata fechada. Era a coisa mais linda, mas também era muito perigoso. Hoje, morando no mesmo lugar em que cresci, percebo que a praia parecia muito mais distante, graças às árvores e plantas que existiam para chegar até lá”, lembra dona Lica.
Tradicionais eram as festas e fogueiras para Santo Antônio, São Pedro e São João. Dona Elisa lembra os bailes caipiras, de Carnaval e de Páscoa: “eram muito mais divertidos, pois hoje em dia não é dança, é pulo”. Segundo as irmãs, ao bater todo o arroz (procedimento para retirar o grão do cacho), o alimento era sacado e o salão ficava livre para o baile, que acontecia até o amanhecer. Assim como sua mãe, dona Pureza adorava dançar. Fandango, Tonta, Chamarrita, Passeado, Xote, Vaneira, Manzuca e Meia Arcanja eram as modas musicais da época. “Quando chegava a Tonta, as moças sabiam que a Chamarrita vinha logo em seguida. Por isso, havia um versinho que dizia: ‘quando chega a Tonta, Chamarrita na ponta’”, recorda dona Lica, que tem memória boa para os versos de antigamente.

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A mais nova das irmãs, Maria Porfírio da Costa, conhecida como dona Lica, em frente ao terreno onde cresceu e mora atualmente.

De geração em geração
Naquele tempo, um aperto de mão era sinônimo do início de um namoro. Como a maioria dos antigos, Elisa, Pureza e Lica também se casaram com o primeiro namorado e conheceram seus esposos (hoje, já falecidos) nos tradicionais bailinhos. Já o parto dos bebês era feito com as famosas parteiras. Dona Pureza recorda: “Quando a bolsa da gestante estourava, o marido ia de bicicleta buscar a parteira, que vinha na garupa. Somente no nascimento do bebê que descobríamos o seu sexo”. Para entender a árvore genealógica dessa grande família, é preciso citar um a um (quem sabe, nossos leitores não identifiquem alguns conhecidos?).
Elisa se casou quando tinha 15 anos de idade com Álvaro Emídio da Silva. Seu sogro, Euclides Emídio da Silva, foi um imigrante que chegou a Itapoá em 1922, sendo um dos primeiros homens a habitar a região da Barra do Saí – daí o nome da conhecida Escola Municipal Euclides Emídio da Silva. Juntos, Elisa e Álvaro tiveram seis filhos: Ezequiel Domingos da Silva, Eurides José da Silva (já falecido), Rosi Elisa da Silva (já falecida), Álvaro Luiz da Silva (também já falecido), Alexandre dos Santos Silva e Euclides Emídio da Silva Neto.
Já Pureza, se casou aos 16 anos com João Pedro da Silva. Tiveram oito filhos: Madalena da Silva, João Alexandre da Silva, José Afonso da Silva, Antonio Santos da Silva, Fernando da Silva, Rosa da Silva, Maria da Silva e Pedro Paulo da Silva (os três últimos já falecidos).
Por fim, Maria, a dona Lica, também se casou aos 16 anos de idade. Seu parceiro foi Alirie Félix da Costa, com quem teve seis filhos: os gêmeos Dulcenéia da Costa e Dirceu da Costa, Davi Porfírio da Costa, Doval da Costa, Dorival da Costa e Daniel da Costa.
Vale lembrar que as três irmãs se casaram na igrejinha da comunidade Saí-Guaçu e todos os vestidos de noiva foram confeccionados pela primeira costureira da Barra do Saí: dona Elisa.

Vida moderna
Além do pioneirismo na costura, dona Elisa também foi a primeira merendeira da antiga Escolinha da Barra e a primeira funcionária do Posto de Saúde da Barra, quando o município ainda pertencia a Garuva (SC). Pureza, por sua vez, trabalhou durante trinta anos como confeiteira, suprindo toda a comunidade com seus pães, doces e bolos. Já Maria, a Lica, trabalhou no antigo restaurante Cabana da Barra, em uma banca de camarão e como zeladora das casas de turistas – atividade que mantém até os dias atuais.
Se dedicássemos um dia inteiro para conhecer as histórias destas simpáticas senhoras, ainda assim, seria pouco. Mas, em uma tarde, tivemos o prazer de ouvir alguns de seus causos, saber mais sobre sua família e sobre a Itapoá de tempos remotos. É bom ressaltar que Pureza e Elisa são tias-avós e dona Lica é avó de quem vos escreve – o que deixou esta tarde de descobertas ainda mais especial.
Nos dias atuais, tudo mudou: dona Lica e dona Pureza têm aparelhos celulares, e dona Elisa liga a sua televisão para assistir à novela. Mas, mesmo com o avanço tecnológico, sentem saudade do passado: “As pessoas viviam com muito pouco e se sentiam muito mais completas e felizes. Tinham empatia umas pelas outras e os vizinhos eram como irmãos. Hoje, com tanta maldade, percebemos que o amor esfriou da face da terra, mas ainda é preciso ter fé, para que ele viva dentro de nós”.