GEES oportuniza Ensino Médio em Itapoá

Com o objetivo de fazer parte do processo de crescimento e transformação de uma nova geração, a Escola GEES chegou a Itapoá, em 2012, tornando-se uma escola modelo e agregando valores primordiais na consolidação do cidadão, como família, educação e princípios éticos. Todavia, o espaço que restringia-se às classes do maternal ao Ensino Fundamental, neste ano de 2018, passou a abranger o Ensino Médio, entre outras novidades, que dão novo rumo à história da educação no município.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

À frente da GEES está o casal de sócios Isabel Cristina Zarpelon Trevizan e Lucio Flavo Trevizan. Além dos gestores, equipe pedagógica, equipe administrativa, professores, equipe da cozinha, atendentes e estagiários integram o quadro de, aproximadamente, 40 funcionários. Todos, engajados em uma só missão: construir um futuro em excelência para crianças e adolescentes de Itapoá.
Tendo como principais diferenciais o funcionamento em período integral (das 7h20 às 18h) e a Colônia de Férias (que acontece semestralmente), a instituição conquistou boa parcela de famílias que dispõem de pouco tempo livre e confiam seus filhos a um ensino moderno, lúdico e responsável. Na dinâmica da GEES, outra característica é que, além das disciplinas obrigatórias na grade curricular de educação, estão aulas complementares, como música, informática, robótica e empreendedorismo. Já as atividades extracurriculares (não inclusas na mensalidade) contam com escolas de futebol e voleibol, aulas de natação (em convênio com a Fisiopilates), ballet, jazz e o programa bilíngue.
Unindo educação às novas demandas do mundo globalizado, a escola conta com o material do Sistema COC, que oferece aos alunos maior interatividade e aproveitamento do conteúdo. Lousa digital, jogos educativos, matérias online, agenda eletrônica e livro eletrônico são algumas das vantagens tecnológicas do COC Educação, cujo acesso também pode ser feito na residência dos alunos.
De 2012 para cá, a escola vem ampliando seu espaço físico. Hoje, dispõe de um ambiente amplo e confortável, com pátio, ginásio de esportes, horta, cancha de areia, parque, sala do bilíngue, biblioteca, cantina, refeitório, laboratório de informática e laboratório de Ciências, com equipamentos modernos e facilitadores do aprendizado. Ainda, a escola recebe visita mensal de uma nutricionista, que elabora o cardápio, fiscaliza a cozinha e realiza um balanceamento da saúde dos alunos.
A interação com os pais também faz toda a diferença. Conforme Suely de Pauli de Almeida, coordenadora pedagógica da GEES, há uma boa parceria com os familiares dos alunos, perceptível nos eventos presentes no calendário escolar, como o Piquenique de Dia das Mães, o Passeio Ciclístico do Dia dos Pais, a FECIARTE (Feira de Ciências, Arte e Tecnologia), entre outros projetos sociais e recreativos.
Com seriedade, comprometimento e métodos inovadores, a instituição apresenta bons índices de alfabetização e aprovação de seus alunos. Sempre pensando nas famílias, oferece pacotes diferenciados para irmãos e possui convênios com descontos especiais para funcionários do Porto Itapoá, APM Terminals, Centro Logístico Integrado Fastcargo (CLIF) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Novidades
Recentemente, a Escola GEES tornou-se licenciada do Sistema COC de Ensino. Com isso, aderiu ao Programa de Excelência (PEX), que objetiva um padrão de qualidade e realizará pesquisas de satisfação com funcionários, pais, alunos e empresas terceirizadas. Outra novidade é a Academia COC, que permite aos professores uma formação continuada online e consultorias presenciais, melhorando, assim, a qualidade de ensino.
No entanto, a principal conquista da escola foi a aprovação do Ensino Médio. Neste ano de 2018, será aberta uma turma de 1º ano do Ensino Médio, enquanto no ano que vem iniciará o 2º ano e, gradativamente, o 3º ano em 2020. Tatiane Canestraro, diretora pedagógica da GEES, explica a importância desta conquista: “Isso representa um marco na história da instituição e da educação no município. Agora, os jovens itapoaenses terão mais uma opção para concluir seus estudos rumo ao futuro”.
No Ensino Médio, a peculiaridade estará no material voltado aos vestibulares e no trabalho vocacional diferenciado, através de feiras de profissões e escolhas que façam dos alunos adultos mais conscientes e responsáveis. Vale frisar que o Ensino Médio terá carga horária diferenciada: durante cinco dias da semana as aulas acontecerão no período matutino, e durante um dia da semana as aulas serão também em período integral.
A cada ano, a Escola GEES evolui, forma cidadãos e ganha mais confiança e parceria dos pais e comunidade. Agora, atendendo do maternal ao Ensino Médio, abre ainda mais caminhos no município de Itapoá.

Matrículas abertas
Ainda há tempo de matricular seu filho na Escola GEES! As aulas do 1º ano do Ensino Médio iniciam no dia 19 de fevereiro, enquanto as demais turmas iniciaram no dia 7 de fevereiro.
A GEES está situada na Rua III, n. 102, no Loteamento Príncipe. Para maiores informações, ligue para 47 3443-2279 ou acesse a página “Escola Gees”, no Facebook.

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Câncer infantil: conscientizar-se é preciso

Para conscientizar sobre o câncer infantil e valorizar a luta destas fortes crianças, contamos a história da pequena Julia Beatriz Dresch Martins, de Curitiba (PR). Filha de Regina Aparecida Dresch e enteada de Paulo Sérgio Kowaleski, foi diagnosticada com um tumor ósseo bastante raro. Hoje, a família coleciona memórias, emoções e superações.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Família reunida: o casal Paulo e Regina, junto dos filhos Murilo, Isabela e Julia (ao fundo).

Há três anos, Regina e Paulo conheceram-se. Naquela mesma noite, contaram um ao outro que tinham filhos de outros casamentos: Regina era mãe de Julia (na época, com 7 anos) e Paulo era pai de Murilo Brime Kowaleski (na época, com 2 anos). Intensa foi a paixão que, em quatro meses, optaram por morar juntos, tornando-se, assim, uma família de quatro membros. Felizmente, as crianças aprovaram a decisão e ficaram, inclusive, grandes amigas.
Pouco tempo depois, o casal descobriu uma coincidência: “temos primos em comum e já estivemos nos mesmos lugares por diversas vezes”. Mas, acreditam que era para ser assim, tudo no seu tempo. Afinal de contas, três meses depois, constataram que seriam pais novamente. Dessa vez, de Isabela Dresch Kowaleski, que trouxe ainda mais alegria à família.

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A guerreira Julia, pronta para mais uma sessão de quimioterapia.

Dos sintomas ao diagnóstico
Aos 10 anos de idade, Julia, sempre mais alta do que as meninas da sua idade, passou a reclamar de dores, especialmente quando praticava exercícios físicos. Sua mãe, farmacêutica, detalha: “As dores eram passageiras, mas foram aumentando, até que levamos para o médico. Ele acreditava que era uma dor ocasionada pela dança, já que ela praticava Jazz. Então, retornou à rotina normal, até que sentiu dores ainda mais intensas, especialmente nas pernas”. Retornando ao médico, foi realizado um Raio-X que nada acusou. Com a possibilidade de ser Sinovite transitória, uma inflamação, iniciou um tratamento anti-inflamatório. Porém, já incapaz de fazer as atividades diárias, os sintomas persistiram.
No Hospital Pequeno Príncipe, a menina consultou-se com um pediatra, um ortopedista e um reumatologista, até que um exame de sangue apresentou alterações. Em junho de 2017, durante uma crise de dores, Julia foi levada ao hospital, onde ficou internada, tomando morfina – e por lá ficou. No dia seguinte, com o resultado de uma de suas ressonâncias, a hematologista do hospital olhou para Regina e disse: “é grave”. Em seguida, a profissional pediu uma punção da medula (para identificar qual o tipo do tumor) e a mãe, por conta da sua experiência na área da saúde, entendeu que tratava-se de câncer.

Sarcoma de Ewing
Com o resultado da punção da medula, o diagnóstico acusou Sarcoma de Ewing, um tumor ósseo bastante raro, que atinge principalmente crianças até os 10 anos. A notícia foi um baque para o casal: “Quando recebemos o diagnóstico, o mundo desabou. Sempre que pensamos em câncer, imaginamos o pior. Até porque o Paulo já havia perdido a primeira mulher para esta doença. Entre tantos pensamentos, nosso maior medo era perder a nossa Juju (como costumam chamá-la carinhosamente)”.
O próximo passo foi realizar uma série de exames para saber se havia metástase (quando o câncer se espalha para outras partes do corpo). Os diagnósticos indicaram que o tumor foi identificado, inicialmente, na pelve. Como as dores mais intensas estavam nas pernas, os médicos acreditavam que, provavelmente, o tumor já havia se espalhado para outra área. Assim, comprovaram a cintilografia e a ressonância: Julia estava com metástase na coluna, quase por todas as suas vértebras, no fêmur e em parte da calota craniana.
Segundo os profissionais, o Sarcoma de Ewing é facilmente confundido com osteomielite e, muitas vezes, descoberto em estágios avançados, quando o paciente já apresenta problemas respiratórios, por conta da metástase pulmonar. Felizmente, as médicas em questão já tinham experiência com casos parecidos e, por isso, o tumor foi rapidamente identificado.

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Voltando aos estudos em casa.

Tratamento
Desde as crises intensas de dores, passando pela bateria de exames, a descoberta do câncer e o início do tratamento, Julia e a família completaram 21 dias vivendo no hospital. Quando soube que o tratamento seria feito com quimioterapia, o casal conversou com a menina: “Utilizando termos mais lúdicos, nunca escondemos nada a ela. Contamos que seu cabelo iria cair, que teria de deixar a escola para estudar em casa, que teria de ficar isolada (por conta da baixa imunidade) e que este tratamento duraria, em média, de 9 meses a 1 ano”. A pequena Julia, já debilitada, perdeu 9 quilos e não podia andar sozinha, pois corria risco de fraturas, uma vez que seus ossos estavam muito frágeis.
Vale citar que, geralmente, o tratamento do Sarcoma de Ewing é realizado com quimioterapia, radioterapia e cirurgia, para amputação do membro. No entanto, como o tumor de Julia atingiu a pelve, a possibilidade de cirurgia foi descartada.
Para dar início ao tratamento e dedicar-se à filha no hospital, Regina teve de deixar o emprego: “Nesse período, recebi muito apoio emocional e até financeiro de toda a família”. A primeira etapa consistia em 14 sessões de quimioterapia, para que a doença não se espalhasse ainda mais. Já a segunda etapa do tratamento aconteceu no Oncoville, não mais internada, mas via ambulatório. Lá, receberam a feliz notícia de que o tumor havia diminuído consideravelmente.
A partir daí, o tratamento consistiu em quimioterapia (a cada 21 dias) associada à (25 sessões diárias) radioterapia. Apesar de ser do desconhecimento de muitos, a quimioterapia oferece restrições ao paciente, como, por exemplo, alimentares. “Seus alimentos devem estar frescos, cozidos, só podem ser abertos para consumo imediato e, em sua maioria, industrializados”, explica Regina. Como as veias de uma criança ainda são fracas, Julia também só pôde receber os medicamentos – por sinal, bastante tóxicos – via cateter.

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Em uma festinha organizada pelos amigos da escola.

Momentos marcantes
Além do estado debilitado e das crises de dor e choro, a queda de cabelo também marcou a jornada de mãe e filha: “Duas semanas depois que iniciamos o tratamento de quimioterapia, seu cabelo começou a cair. Ela chegou para mim e disse: ‘Olha, mãe, o meu cabelo está caindo! Você pode entrar no banho comigo para me ajudar a tirá-lo?’. Então, debaixo do chuveiro, eu passava a mão em seus cabelos e os fios caíam, um a um. Depois daquele banho, ela ficou praticamente careca. Aquele foi um momento que me marcou profundamente”.
A menina decidiu não usar peruca, apenas uma boina na cabeça. Depois que Paulo e Regina explicaram a Murilo o que estava acontecendo, sempre que alguma criança fizesse um comentário ofensivo a respeito de Julia, seu irmão tornava a defendê-la.
Com a alta do hospital, o tratamento continuou em casa. Para isso, Julia recebeu apoio de toda a equipe do colégio católico no qual estuda, que organizou um projeto, aprovado pela Secretaria de Educação de Curitiba, com o intuito de que a colega desse continuidade aos estudos dentro de casa. “Passei a ministrar os conteúdos para ela em casa, enquanto a professora sanavas suas dúvidas pela webcan. Seus colegas de classe também foram muito especiais, pois lhe enviaram cartinhas, fotografias e presentes”, recorda Regina.
As irmãs do colégio católico rezaram missas e fizeram correntes de oração. Também muito religiosa, a família de Julia fez novenas e orações – todos empenhados em uma só causa: vê-la feliz e saudável.

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Um dos momentos em família.

Bagagem
Durante a experiência, Paulo e Regina, que viveram este frenesi de emoções com três filhos crianças, conheceram outras famílias que passam por situações parecidas. “Vimos que não é, de fato, um caso isolado, e que o câncer infantil é mais comum do que imaginamos”, dizem, “a luta é incessante e cansativa, mas é preciso apegar-se ao pensamento de que tudo vai melhorar”.
Para Regina, o apoio de Paulo foi seu principal suporte: “Ele já passou por essa situação e me explicou como aconteceria. Também me disse que, um dia, tudo iria passar e eu conseguiria conversar sobre o assunto, como parte natural de nossa rotina. E foi exatamente o que aconteceu. Acredito que as coisas acontecem como devem acontecer e que as pessoas entram em nossas vidas por alguma razão que, mais tarde, passamos a entender”.
Enquanto mãe, Regina ela fala que chorou muitas vezes escondida, mas sempre manteve-se forte perto da pequena: “ela é a criança, e eu o seu porto seguro”. A história foi uma lição para todos os familiares que – bem como todos aqueles que convivem ou já conviveram com o câncer – passam a enxergar a vida com outros olhos.

Um dia de cada vez
Neste ano, Julia cursa o 5º ano do Ensino Fundamental, em Curitiba. Restam apenas três sessões de quimioterapia para encerrar o período mais intenso de tratamento. Se os exames apresentarem bons resultados, ela poderá, enfim, voltar a frequentar a escola, reencontrar os amigos e realizar a tão almejada viagem em família. Somente então, receberá a manutenção de uma quimioterapia menos agressiva durante um ano.
Aos 10 anos de idade, a menina está respondendo ao tratamento, disposta, alimentando-se bem e brincando. Além do mais, recebe carinhos e cuidados de todos os lados: dos professores e amigos da escola, dos tios, primos e avós, das amigas, das famílias das amigas, de conhecidos, de desconhecidos, dos pais e dos irmãos Murilo (hoje, com 5 anos) e Isabela (com 1 ano e 8 meses), que a amam muito.
Hoje, na família de Juju, muitas coisas mudaram. Palavras como “problema” e “tempo” receberam significados diferentes. Afinal de contas, o que vale mesmo é agradecer pela saúde do dia de hoje e aproveitar a vida junto daqueles que amamos.

Desafios e superações da jornada contra o câncer infantil

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), todos os anos cerca de 11 mil crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade são diagnosticados com câncer no Brasil. Entre eles, está a pequena Eloá da Luz Alves Fernandes (7), filha de Suellen Soares da Luz e de Jurandir Alves Fernandes. Moradora de Itapoá (SC), a família batalha há sete anos contra um tumor cerebral da menina.
Oportunizando o dia 15 de fevereiro, Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, contamos a história desta família, a fim de despertar a conscientização da população sobre o assunto e valorizar a luta de todas estas crianças que batalham para superar a doença.

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O casal Suellen e Jurandir e sua filha Eloá, de Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Após cinco anos de casados, Suellen e Jurandir seriam pais pela primeira vez. O ano era 2010 e, depois de uma gravidez tranquila, nasceu Eloá, forte e saudável. Quando completou 1 ano e 11 meses, começou a ter súbitos vômitos em jato. “Levei-a para a Unidade do Pronto Atendimento, onde ouvi que tratava-se de uma virose. Mais tarde, novos sintomas apareceram: as roupinhas não entravam mais em sua cabecinha (que aparentava maior que o normal) e ela estava perdendo a visão, tropeçando nos móveis. Mesmo retornando à unidade, o médico pediatra insistiu que era apenas uma virose”, recorda Suellen. Passaram-se três meses e o casal levou a filha para consultar-se em um posto de saúde de Rio Negrinho (SC). Lá, o pediatra mediu sua cabeça com uma fita métrica e, imediatamente, acionou uma ambulância para transferir Eloá para Joinville (SC).
A menina foi diagnosticada com ependimoma grau II, um tumor na base do cérebro, em uma área chamada de fossa posterior. Como uma forma de defesa do organismo, o tumor, que ocupava metade da área de seu cérebro, também desenvolveu hidrocefalia, o que resultou em uma cirurgia de emergência. Jurandir recorda: “Após o tratamento cirúrgico contra a hidrocefalia, ela ficou internada durante um mês, tomando soro, sem entender muito o que estava acontecendo. Como tratava-se de um tumor agressivo, a equipe médica recusou-se a realizar a cirurgia para retirada do tumor, pois acreditava que esta não teria sucesso”. Por isso, os pais venceram uma série de burocracias e transferiram a filha, já bastante debilitada, para o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR). Felizmente, Eloá caiu nas mãos do renomado Dr. Paulo Carboni Junior (hoje, já falecido), a quem os pais creditam muita gratidão pelo bom atendimento e trabalho.

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Tão pequena e, ao mesmo tempo, tão forte: Eloá na luta contra um tumor cerebral.

Dias de luta
Segundo Suellen e Jurandir, sua filha entrou no centro cirúrgico sorrindo e saiu de lá em coma, após a cirurgia de retirada de 70% do tumor – e assim permaneceu durante um longo mês. “Aquele foi um período muito delicado, pois revezávamos os turnos para cuidar dela, que já não respirava sem ajuda dos aparelhos. Também, descobrimos que seu tumor era maligno e não reagiria à quimioterapia. Mas, ainda assim, optamos por tentar”, fala o casal.
Durante um ano a família viveu em uma ala do hospital, compartilhada por 25 crianças. “Lá, descobrimos que o câncer infantil é muito diferente do que retratam em filmes ou novelas: as crianças estão perdendo seu cabelo, vomitando sem parar e até morrendo. Em um dia uma criança está na cama ao lado, no outro já não está mais. E, então, ouve-se o grito de dor da mãe que recebeu a temida notícia”, recorda Suellen, que chegou a perder 18 quilos neste período.
No hospital, Eloá utilizou uma cadeira de rodas para movimentar-se, perdeu seu cabelo e viveu à base de aparelhos, sondas e cateteres. Depois de submeter-se a uma cirurgia gástrica (pois afogava-se ao ingerir alimentos), passou a ingerir apenas leite. Sua mãe conta: “Esse, para mim, foi o momento mais difícil de todos. Minha filha comia bem e, de repente, não podia dar a ela água ou qualquer alimento. Aquilo me doía muito, pois ela via as outras crianças do quarto comerem e dizia ‘mamãe, estou com fome’. Então, eu molhava um algodão com água para passar em sua boquinha”.
Entre idas e vindas, a família ausentava-se cada vez mais de Itapoá para dedicar-se aos dias intensos no hospital. Moraram em Penha (SC) e algum tempo em Curitiba, na casa de familiares. Mas, por conta da baixa imunidade de Eloá, o ambiente no qual residiria tinha de estar devidamente higienizad.
Muito mais que higiene, foi na Instituição APACN (Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia) que encontraram amparo, amigos, resultados e um ambiente acolhedor.

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Dias intensos de intenso tratamento, mas
muito amor e união entre a família.

Instituição APACN
Sendo a primeira instituição a amparar crianças e adolescentes com câncer no Brasil, a APACN acolhe e ampara dignamente famílias carentes que chegam a Curitiba desprovidas de condições financeiras, moradia, hospedagem ou meio de locomoção, para tratar de suas crianças diagnosticadas com tumores, do início ao final do tratamento. “A APACN disponibiliza quartos compartilhados, alimentação, professores, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, van para levar e buscar ao hospital e todo o suporte necessário à criança e um adulto responsável por ela. Em troca, este responsável contribui com as tarefas domésticas”, explica Suellen, que viveu na instituição com a filha. Lá, fez amizades com funcionários, colaboradores, voluntários e mães de todo o Brasil. Ela complementa: “São pessoas solidárias, que me transmitiram muita força e levo para a vida toda”.

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Registros do casamento de Suellen e Jurandir na APACN,
na companhia de outras crianças da instituição.

Tamanho era o espírito coletivo da equipe da APACN que, lá, na capela da instituição, Suellen e Jurandir realizaram o sonho de casar no religioso. O casamento teve chá de panela surpresa, presentes, dia de noiva, madrinhas, vestido branco, padre, daminha e pajem, bolo, decoração, valsa e pétalas de rosas. Desde os adultos às crianças, já carequinhas, todo mundo contribuiu para proporcionar um dia memorável ao casal.
Durante os dois anos em que mãe e filha viveram na instituição, Eloá andou com a ajuda de um andador e sondas, realizou tratamento de quimioterapia e 31 sessões de radioterapia. Na época, Jurandir desdobrava-se entre o trabalho, em Itapoá, e os cuidados à filha, em Curitiba. Apesar de estar longe do município litorâneo, da casa e do marido, Suellen afirma que desapegar nunca foi um problema: “sempre coloquei minha filha em primeiro lugar e me mudaria para onde quer que fosse para vê-la bem”.

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A pequena Eloá concentrada em suas habilidades artísticas, durante a escola.

De volta à casa
Com 3 anos de idade, a menina retornou, definitivamente, a Itapoá, quando teve pequenos internamentos e duas paradas respiratórias – uma delas quase fatal. Recentemente, os exames acusaram uma hemorragia dentro de seu tumor que, se comprimir determinada região do crânio, pode interromper sua respiração a qualquer momento. “Os médicos disseram-nos que o corpo de nossa filha não suporta mais quimioterapias e radioterapias. Portanto, sugeriram-nos uma cirurgia para prolongar sua vida por mais alguns meses. Mas, como esta cirurgia não teria nem 1% de sucesso garantido e seria de alto risco, optamos por não fazê-la. Escolhemos dar a ela um caminho que julgamos melhor: sem internamentos, sem dores, sem mais cortes e junto da família”, falam os pais, que receberam uma carta de sobreaviso para casos emergenciais.
A criança, que já consultou-se com fonoaudiólogo, psicólogo e fisioterapeuta, hoje realiza ressonâncias a cada semestre, além de consultas trimestrais com neurologista, dentista (uma vez que a radioterapia prejudica a dentição), entre outros profissionais. Para proteger sua imunidade, em sua residência, tudo é higienizado com álcool. Sua mãe, inclusive, frequentou o psicólogo durante certo tempo por ter ficado com mania de limpeza. “Nunca tomei medicamentos controlados ou entrei em depressão, pois não tenho tempo para isso, preciso cuidar dela. Tenho motivos de sobra para estar forte, sorrindo e ao seu lado”, fala Suellen, que até hoje mantém amizade com as mães do hospital e da casa de apoio.
Hoje, Eloá está em tratamento paliativo, ou seja, que melhora a qualidade de vida e alivia o seu sofrimento, mas não é capaz de curar a enfermidade. Em busca de ajuda, o casal, que tem fé em Deus, recorreu a diferentes crenças e simpatias: “acreditamos em tudo aquilo que venha para o bem”. Ainda, agradecem aos familiares e colegas de trabalho, que já realizaram bingos e campanhas a fim de contribuir com o tratamento de Eloá, a toda a equipe da Instituição APACN e do Hospital Pequeno Príncipe, que foram muito profissionais e, ao mesmo tempo, humanos. Por último, mas não menos importante, Suellen e Jurandir agradecem um ao outro, pela força e parceria cada vez em que precisaram dormir dentro do carro, oferecer o ombro amigo ou secar as lágrimas um do outro.

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Os pais contam que Eloá é muito inteligente, carinhosa e vaidosa.

Os aprendizados
Não fosse o desequilíbrio de um lado do corpo, o retardo de crescimento, algumas cicatrizes e o inchaço do tumor que, volta e meia, provoca alterações de humor, Eloá não difere-se de uma criança saudável. Prestes a completar 8 anos de idade no dia 22 de fevereiro, neste ano de 2018 vai para o 3º ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Claiton Almir Hermes, onde recebe os cuidados de uma professora auxiliar. Também, é uma criança bem resolvida, muito inteligente, vaidosa e apaixonada pelos animais. Sobre o que mais gosta de fazer, Eloá responde: “ir à praia, comer feijão, brincar com minhas primas, brincar de massinha e de Barbie”.
Vale ressaltar que o câncer infantil é uma doença que tem grandes chances de cura quando diagnosticada precocemente. Conforme Dra. Mara Albonei Pianovski, cancerologista responsável pelo ambulatório da APACN: “quanto mais tempo perde-se para iniciar o tratamento, mais tempo o organismo é agredido pela doença. Porém, quando o diagnóstico é feito a tempo, mais de 70% das crianças são curadas”. Assim, Jurandir e Suellen, aconselham: “Com base em nossa experiência, esperamos que outras famílias não sejam vítimas de um erro médico. Portanto, não espere que seu filho apresente outros sintomas para, então, levá-lo a outro médico. Façam consultas em diferentes lugares e informem-se sobre a competência do profissional que está responsabilizando-se pela saúde de sua criança”.
Juntos há 12 anos, Suellen e Jurandir contam que a descoberta do câncer da filha uniu-os ainda mais enquanto casal e família. “Sempre que os médicos reencontram nossa filha, começam a chorar, pois acreditaram que ela não chegaria até aqui. Seu histórico hospitalar comprova que ela é um milagre”, dizem. Olhando a vida por novas perspectivas e vivendo um dia de cada vez, o casal conclui: “enquanto nossa Eloá estiver respirando, continuaremos lutando”.

Deseja saber mais sobre a Instituição APACN (Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia), de Curitiba? Acesse http://www.apacn.com.br ou ligue para 41 3024-7475.

Mestre Piazetta: entre caixas, pratos, surdos e bumbos

Se os instrumentos do título acima recebessem um nome, este seria Luiz Antonio Piazzetta ou, simplesmente, Piazzetta.
Conhecido no município de Itapoá (SC) por fundar e reger a Fanfarra Municipal, o Mestre detém um currículo extenso, que passa por escolas de samba, bandas, orquestra, artistas renomados, entre outros projetos, que fazem dele um verdadeiro amante da música.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Luiz Antonio Piazetta com sua esposa Mirlete Muller Piazzetta.

Nascido em 14 de novembro de 1938, na cidade de Curitiba (PR), Piazzetta não conheceu o avô, pianista, mas acredita que herdou dele o gosto por música. Sua carreira musical iniciou aos 9 anos, tocando caixa em escolas de samba de Curitiba. Ele recorda um episódio que marcou sua infância: “Meu tio, José Santiago de Oliveira, era diretor da Caprichosos de Pilares, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, fui ao Rio com meus pais e tive o prazer de tocar repinique no ensaio da escola de samba. Meu tio desejou que eu morasse por lá, para estudar música, mas eu era filho único, muito apegado à mãe, e não quis”. Com 14 anos de idade, o jovem Luiz Antonio começou a tocar bateria e, até mesmo, tocou em boates, acompanhando o cantor Miltinho, autor do sucesso “Palhaçada”, de 1961.
Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército. Em seguida, se casou com Mirlete Muller Piazzetta: “com uma mulher bonita como aquela, foi impossível não me apaixonar”. Logo, aos 21 anos de idade, entrou para a Polícia Militar do Paraná (PMPR) e, inevitavelmente, para a Banda de Música da PMPR, onde tocou tímpano, caixa clara e prato bongo, e dedicou boa parte de sua trajetória. Nesse período, estudou música na Academia de Belas Artes, para se formar como Cabo Músico.

O apaixonado por música destaca suas principais contribuições durante os 30 anos à frente da Banda de Música da PMPR: “participei da gravação de oito discos; vencemos o concurso nacional de bandas, em 1964; tocamos ao lado do rei Roberto Carlos, na época da Jovem Guarda e, por fim, atuei como Sargenteante da banda”. Concluindo uma trajetória de muitas histórias e melodias, aos 50 anos de idade, Piazzetta se aposentou como Sargento da Polícia Militar do Paraná. Segundo Mirtes: “ele (Piazzetta) sempre foi muito trabalhador e, mesmo depois de aposentado, continuou se envolvendo com projetos musicais”.

Ainda em Curitiba, iniciou mais de 50 fanfarras escolares e atuou como professor de percussão musical na Escolinha de Arte do Colégio Estadual do Paraná. Posteriormente, trabalhou como empresário musical nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, gerenciando o início da carreira de grandes nomes do cenário musical, como a dupla Gyan & Giovani, Martinho da Vila, Gretchen e o falecido Cauby Peixoto.
Contudo, acredita que seu maior legado à capital paranaense foi enquanto maestro e fundador de uma orquestra, a Status Band Musical Show: “Nós tocávamos em bailes, boates, eventos militares, festas particulares e nos clubes mais renomados do país. Para dimensionar a qualidade de meus músicos, gosto de citar Dironil (hoje, já falecido) que, mais tarde, se tornou saxofonista do rei Roberto. Infelizmente, os melhores integrantes vieram a falecer o projeto foi interrompido. Mas a orquestra sempre foi e sempre será, para mim, sinônimo de muito orgulho”.

Trajetória em Itapoá

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Centenas de alunos da rede municipal fizeram parte da história da
Fanfarra Municipal de Itapoá, sob regência do Mestre Piazzetta.

Por conta da Associação de Subtenentes e Sargentos da PMPR, localizada na região do Pontal, Piazzetta já frequentava as praias itapoaenses desde 1959. Mas foi em meados dos anos 2000 que encontrou a oportunidade ideal para residir no município litorâneo junto à família.
Em um primeiro momento, ministrou aulas de dança na Associação dos Idosos Maria Izabel. Já em 2001, foi convidado para criar a famosa Fanfarra Municipal de Itapoá. “Naquele tempo, Ervino Sperandio e Márcia Regina Eggert Soares (prefeito e secretária de educação da época), a quem agradeço até hoje, souberam que eu tocava em uma igreja e desejaram conhecer minha trajetória musical. No início da fanfarra, foram comprados alguns instrumentos musicais, outros foram doados de Curitiba”, recorda o Mestre.

 

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Alunos das Escolas João Monteiro Cabral e Alberto Speck juntamente com um grupo de alunos
participantes da Fanfara, prestaram homenagem em 2016 ao mestre, em sua residência.

Sob sua regência, a fanfarra fez a alegria de centenas de alunos da rede municipal, ensinando cerca de 40 instrumentos e trabalhando ritmos, como samba, olodum, timbalada e anos 60. Saudoso, lembra: “A Fanfarra Municipal de Itapoá foi muito aplaudida na cidade de Itapema (SC) e ficou entre as 33 melhores no V Festival Nacional de Verão de Bandas e Fanfarras”. Anos mais tarde, a banda passou a integrar uma das disciplinas do extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE). Ao todo, foram 15 anos de grandes feitos pela Fanfarra Municipal de Itapoá.
Também no município, Piazzetta organizou Carnavais de Rua, fundou o Bloco das Baianas (do Clube Céu Azul da Terceira Idade, do Pontal) e foi campeão como Mestre do Bloco do Brasão por dois anos consecutivos.

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Um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova
versão do Hino de Itapoá, com banda e coral.

Mas um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova versão do Hino de Itapoá, com banda e coral: “Foi um projeto trabalhoso, mas o resultado me rendeu muitas alegrias. Quando assisti à apresentação do hino, com a banda do 62º Batalhão de Infantaria do Exército, em Joinville (SC), não contive a emoção”. Segundo o Mestre, esse é um legado que pretende deixar para todos os seus familiares e munícipes. Porém, Piazzetta lamenta: “muitos lugares ainda não se atualizaram e apresentam a antiga versão do Hino de Itapoá como oficial”.

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Piazetta recebeu medalha de honra ao mérito pelos serviços prestados à comunidade no ano de 2015. (Foto arquivo)

O sonho continua
Há 61 anos casado com Mirlete, é pai de quatro filhos: Ogimar Natal Piazzetta, Margareth de Fátima Piazzetta Antunes, Sirlete do Rocio Piazzetta e Paulo Roberto Piazzetta – este último, segue seus passos, está estudando para cursar Música e se tornar Mestre. De geração em geração, os netos e bisnetos também têm afinidade com os ritmos e as notas musicais.
Recentemente, nas festividades de Natal de 2017, Piazzetta e o filho Paulo reviveram a Fanfarra Municipal de Itapoá por alguns meses, o que rendeu, inclusive, uma homenagem da banda do 62º Batalhão de Infantaria. “Foi uma alegria viver isso novamente. Desde que a fanfarra acabou, tive depressão e adoeci. Se Deus quiser, esse projeto voltará à ativa e terei a honra de retomá-lo, dessa vez, na companhia de meu filho Paulo”, fala. Além da fanfarra, Piazzetta também sonha em fundar uma Banda Marcial de Itapoá, apenas com metais.
Aos 79 anos de idade e dono de um extenso currículo no meio musical, depois de algum tempo de conversa, tentamos questionar Piazzetta sobre sua vida pessoal, algo que não fosse relacionado à música, mas não teve jeito. Como ele mesmo diz: “A música é minha verdadeira paixão. Eu vivo a percussão musical”.

Iniciativa voluntária oportuniza a prática do surfe para crianças do município

Mesmo com a extinção do projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE), o professor David Lass, ao lado de Washington Oliveira Santos e Rodrigo Fernandes, desejou fazer mais pelo esporte em Itapoá. Hoje, voluntariamente, o trio ministra aulas de surfe e, superando inúmeros obstáculos, dá continuidade e incentivo ao sonho de crianças e adolescentes do município.

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Professores, alunos e pais do projeto de surfe “Primeiras Ondas”,
uma iniciativa de David Lass, Washington Oliveira e Rodrigo Fernandes.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O ano era 2010 quando David iniciou a faculdade de Educação Física e começou a trabalhar na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para todas as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá, onde, durante cinco anos, ministrou aulas de surfe – esporte que domina desde os 13 anos de idade, por influência do irmão mais velho. Contudo, o mesmo foi encerrado ao final de 2015, para corte de gastos, fato que o levou à depressão.
Ele recorda: “Mais que um emprego, o projeto era a minha alegria. Através dele, muitos alunos descobriram o mar, superaram traumas, evoluíram suas técnicas e manobras e, até mesmo, se revelaram grandes talentos do surfe itapoaense, como aconteceu com os atletas Ryan Cordeiro, Hedieferson Junior e Julie Arissa. Quando isso acabou, fiquei profundamente triste, não somente por mim, mas pelos outros professores, que também amavam o que faziam, e pelas crianças e jovens, que estavam descobrindo outros caminhos dentro do esporte e tiveram seus sonhos interrompidos”.

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 Através deste esporte, muitas crianças de Itapoá se desenvolvem,
se superam e até mesmo se revelam grandes talentos.

Primeiras ondas
Após um longo período em depressão, David diz ter fortalecido sua fé e recebido apoio de sua família, que o inspirou a criar um projeto social para dar continuidade às aulas de surfe. Para isso, ele contou com as Secretarias de Esporte e Educação do município, que disponibilizaram o empréstimo de pranchas de surfe e lycras (camisetas utilizadas para o surfe) que eram usadas na AJE. Nesta iniciativa, o professor de Educação Física também firmou parceria com os amigos Rodrigo Fernandes e com Washington Oliveira, um de seus ex-alunos da Ampliação de Jornada Escolar que, hoje, participa de competições de bodyboard. “É uma honra ter sido aluno do David e, anos depois, trabalhar com ele neste projeto, contribuindo com minha experiência no surfe e noções de salvamento e segurança, que pude adquirir através do curso de guarda-vidas”, diz Washington.
Desde o mês de junho, eles iniciaram, voluntariamente, o projeto “Primeiras Ondas”, cujo objetivo é oportunizar a prática do surfe e promover um momento de lazer diferenciado aos praticantes desta modalidade. Assim sendo, foram disponibilizadas e preenchidas vinte vagas gratuitas para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade.
Mesmo sendo um trabalho voluntário, os professores se preocuparam em fazê-lo com muita seriedade, organização e responsabilidade, uma vez que, ao contrário do que acontecia no antigo projeto AJE, o projeto “Primeiras Ondas” conta com apenas três professores, acontece aos finais de semana, não possui sede própria para depósito dos materiais nem transporte público para deslocamento dos alunos. Por isso, David redigiu um projeto contendo objetivos, regras e requisitos, sendo um deles a obrigatoriedade da presença de um adulto responsável pelo aluno durante as aulas, para contribuir com sua segurança.

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Os pequenos surfistas
Dentre as vinte crianças, algumas estão começando no esporte graças à iniciativa de David, Washington e Rodrigo, enquanto outras já participavam das aulas de surfe na AJE, como é o caso da aluna Maria Julia Teixeira Vicentin, de 10 anos, que frequentava o extinto projeto e está bastante animada com a oportunidade de voltar às ondas. “Estou achando as aulas muito legais, porque brinco na água, adoro os professores e porque o surfe traz diversão para todo mundo”, conta Maria Julia.
Já o aluno Rafael Pedrozo Paz, de 11 anos, está tendo, agora, seu primeiro contato com o surfe. “Para mim, ele (o surfe) representa um sonho que estou realizando, pois, sem o projeto, não sei se conseguiria surfar”, comenta Rafael, que se diz mais disposto, feliz e confiante desde as primeiras ondas.
As irmãs Laura Francini Baldo Lopes, de 11 anos, e Paula Baldo Lopes, de 9 anos, também já faziam aulas de surfe na AJE e comentam como está sendo a experiência no projeto “Primeiras Ondas”: “Os professores são legais e nós gostamos muito das aulas. O surfe é uma atividade física que também serve de diversão e é muito legal porque passamos uma manhã diferente e estamos no mar, lugar que amamos”.
Além da alegria e entusiasmo das crianças, seus pais também reconhecem a importância da iniciativa, como Irene Pedrozo Paz, mãe de Rafael, que afirma que “os professores são muito profissionais, cuidadosos e compromissados com o trabalho”, e Claudia Solange Teixeira Vicentin, mãe de Maria Julia, que ressalta: “todas as crianças adoram as aulas e os professores do projeto, é uma pena que este tenha que ser voluntário”.
Carla Francini Baldo, mãe de Laura e Paula, acredita que as aulas de surfe permitam que as crianças saiam da zona de conforto e estejam preparadas para lidar com situações adversas. Ela também agradece aos professores e comenta: “Em um país onde quase nada se faz sem retorno financeiro, esta iniciativa é admirável e merece todo o respeito”.

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Na Terceira Pedra, as aulas são a alegria de muitas crianças nas manhãs de domingo.

Saiba como ajudar
Àqueles que desejam colaborar com o trabalho voluntário, são muitas as dificuldades: “Nosso apoio vem das Secretarias de Esporte e Educação que, vale frisar, colaboram apenas com o empréstimo de materiais. Como somos inteiramente responsáveis por eles (os materiais) e não temos onde guarda-los nem como transportá-los a pé até a praia, emprestamos apenas duas pranchas e poucas lycras e, por isso, algumas crianças ficaram isentas”. Desse modo, a ajuda pode ser feita através de caronas para o transporte do material ou das crianças, do apadrinhamento de um aluno que não tenha condições financeiras de adquirir uma lycra, de doação de frutas e alimentos para o momento de recreação ou, ainda, de prestígio e apoio à iniciativa.
Oportunizando a prática do surfe às crianças e adolescentes do município, evitando o sedentarismo e o contato com as drogas, e promovendo o trabalho em grupo, o projeto “Primeiras Ondas” vem sendo um sucesso e ressalta a importância de políticas públicas comprometidas com o esporte. Apesar dos obstáculos, David, Rodrigo e Washington afirmam que vale a pena abdicar o tempo livre para se dedicar ao ensinamento do esporte pelo qual se dizem apaixonados: “os abraços e sorrisos das crianças, depois de superarem o medo da água, ficarem em pé na prancha ou arriscarem uma manobra, é o que faz toda a diferença”.

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“Primeiras Ondas” As aulas acontecem aos domingos, das 8h30 às 10h (primeira turma) e das 10h às 11h30 (segunda turma), na região da Terceira Pedra, em Itapema do Norte.
Para inscrever seu filho na lista de espera basta comparecer à sede da Secretaria de Esportes ou, então, contribuir com o projeto, entre em contato com o professor David através do número (47) 9 9634-8533.

 

Málaga / Lucas Guimarães: uma nova proposta para o futebol municipal

Há muito que os campos de futebol são palco de brigas, intrigas e inimizades. Pensando nisso, o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães vem trabalhando em uma nova proposta: formar novos jogadores e resgatar a verdadeira essência do futebol em Itapoá. Em entrevista, os amigos Joarí Soares e Michel Nunes falam sobre os novos rumos do projeto e afirmam que, no esporte, o que vale é se divertir, formar caráter e cultivar amizades.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Meninos do time Málaga / Lucas Guimarães. Em pé: Haimon (técnico), Luiz, Jackson, Jean, Wilian, Pedro, Raul, Bruno, João Ernesto, Gabriel Augusto, Matheus e Fabrício. Agachados: Kaio, Emanoel, Veiga, Conrado, Mateus Nogarotto, Eduardo, Joarí (presidente) e Michel (atleta e vice-presidente)

Em Itapoá, Joarí treinava o Málaga Futebol Clube, um time de futsal de alto rendimento, que participava de competições regionais. Já Michel, idealizou o projeto social Lucas Guimarães (que recebeu este nome em homenagem ao seu falecido amigo, companheiro de time e ex-aluno), cujo objetivo era compartilhar os aprendizados de sua carreira futebolística com crianças carentes do município. Por amor ao esporte e ao voluntariado, a dupla uniu forças e integrou ambas as propostas. Assim sendo, o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães ganhou comissão técnica, composta por Haimon Henrique (técnico) e Jackson Batista (auxiliar técnico), e diretoria, composta por Joarí (presidente), Michel (vice-presidente) e Laís Bernardi (tesoureira).

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O patrocinador Jerry Luis Sperandio (Sperandio Imóveis e Arquitetura), Joarí Soares (presidente do time), Haimon Henrique (técnico), Michel Nunes (atleta e vice-presidente) e, por fim, o patrocinador Jean Pablo Correa Rosa (Jean Ril Veículos de Itapoá).

Democrática, a união dos dois projetos abrange um grupo de mais de trinta alunos, na faixa etária de 14 a 17 anos idade, de todas as classes sociais, moradores de diversas regiões de Itapoá e com diferentes níveis no futebol. Em comum, estes jovens dividem a paixão pelo esporte e a amizade, uma vez que muitos deles cresceram juntos.

Contudo, a convivência entre os alunos passou a se tornar um desafio para Joarí e Michel. “Infelizmente, eles começaram a adquirir um vício muito recorrente no futebol, desrespeitando uns aos outros dentro de campo. Sabemos que isto é cultural no esporte, mas estávamos ficando desmotivados com o projeto e, então, buscamos formas de melhorar isso”, contam.

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O casal José e Dirce, pais do falecido Lucas Guimarães, que tem seu rosto estampado na bandeira. O jovem era apaixonado por futebol e foi homenageado por Michel com a criação do projeto social.

 

“O sopro”

         Certo dia, despretensiosamente, Michel enviou uma mensagem para uma das redes sociais de Bruno Xavier, renomado atleta brasileiro de futebol de areia, cujos títulos mais recentes são: Campeão da Taça Europeia de Clubes de Futebol de Praia e Campeão do Mundialito de Futebol de Praia (2017). “Na mensagem, falei sobre o projeto, contei que estávamos desmotivados e pedi a ele que fizesse um vídeo incentivando os nossos alunos. Mas, por conta de seu sucesso, títulos, rotina de competições e viagens, imaginei que ele nem chegasse a ler”, recorda Michel.  Para sua surpresa, Bruno Xavier não somente visualizou, como enviou um vídeo transmitindo uma mensagem para os alunos do Málaga / Lucas Guimarães, deu uma ‘aula’ de motivação para Michel e tornou-se seu amigo.

         Para o fã, a humildade do ídolo foi o que mais lhe chamou a atenção. “Ele chegou onde muitos almejam e, ainda assim, é humilde, educado e temente a Deus. Passamos a conversar com frequência e, a cada conselho, foi como um sopro divino, pois pude me sentir mais motivado para dar continuidade ao projeto e aos sonhos dos meninos”, fala Michel.

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Michel Nunes com seus alunos do Projeto Lucas Guimarães.

 

Resultados positivos

         Em menos de um ano, toda a equipe mudou a maneira de conduzir o projeto e, consequentemente, os resultados foram positivos. “Nós, que já fomos professores e estudamos para isso, compreendemos que ser professor é muito mais que transmitir conteúdos, mas, também, servir de espelho para o aluno em todos os âmbitos”, fala Joarí. E foi servindo de espelho, que ele e Michel trouxeram uma nova proposta para o futebol de Itapoá.

         “Notamos que, muitas vezes, quem assistia a uma partida acabava observando mais discussões dentro de campo do que o próprio futebol, e desejamos mudar isso, educando os meninos para o esporte e para a vida”, conta Michel. Visto que os jovens ainda não têm o vício de ofender, criticar, discutir ou agir com maldade, os professores do Málaga / Lucas Guimarães ensinaram aos seus alunos que, independente de vitória ou derrota, o futebol deve ser algo sadio e divertido. Para eles, o que verdadeiramente importa são os valores e as amizades cultivadas a cada partida, pois, como costumam dizer “troféus e medalhas se empoeiram, mas o caráter não”.

         Desde então, as mudanças vêm impactando a vida de cada um dos alunos, como William Wallace Scott, de 16 anos, cujo pai também é grande incentivador do futebol no município. “Além dos valores que aprendi com meu pai e minha família, a experiência neste projeto também foi essencial para que eu me tornasse uma pessoa melhor e mais humildade”, fala William. Os treinos também trouxeram inúmeros benefícios físicos e mentais para Jackson Pedroso Sprycigo, de 15 anos, e ajudaram Raul Olímpio Martini, de 16 anos, a fazer novas amizades e aperfeiçoar suas técnicas.

         Com a equipe motivada e unida, o time do Málaga / Lucas Guimarães passou a participar de jogos amistosos no campeonato municipal e vem sendo convidado para jogar com diversos times. Em seis partidas, os meninos de apenas 14 a 17 anos mostraram a que vieram e colheram bons resultados diante de adultos que disputam os jogos há anos – outro fato que comprova que este é um projeto que deu certo.

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Na primeira foto, o time do Málaga no futsal. Ao lado, o time do Málaga junto com
o time do Lucas Guimarães em uma semifinal de um torneio de futsal em Itapoá.

O verdadeiro futebol

         Abdicando o tempo livre para, voluntariamente, apoiar o sonho destes jovens, Michel e Joarí afirmam que todo o trabalho vale a pena, visto os resultados dentro de campo e os relatos dos pais a respeito da conduta dos alunos em casa e na escola.  “Quando iniciei no futebol, gostaria de ter tido alguém para me instruir e me orientar para o caminho mais correto e, hoje, é o que procuro fazer com estes meninos”, diz Michel, que acredita no poder da educação, inclusive, dentro do esporte.

         Em nome de todo o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães, Michel e Joarí agradecem aos apoiadores Sperandio Imóveis & Arquitetura, Jean Ril Veículos, Farmácia Confiança, Conveniência Parati, Tuti Seguros, Tom Brasil e Pizzaria Estrela do Mar, e afirmam: “mesmo que estes jovens não sigam carreira no futebol, terão suas vidas impactadas para sempre”.

Mais que um time ou projeto, a comissão técnica, a diretoria e os alunos se descrevem como uma família e, seja dentro ou fora de campo, estão sempre juntos. Por fim, convidam toda a população itapoaense a apoiar, respeitar, abraçar a causa e conhecer a essência do verdadeiro futebol, pautado na ética, disciplina, organização e responsabilidade.

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O Projeto Lucas Guimarães/Málaga, no futebol de campo:
união, amizade e missão no esporte.

 

Arena Itapema surpreendeu na sua festa da noite de Halloween

Dia 29 de outubro aconteceu a primeira edição da festa em comemoração ao Halloween na Arena Itapema. Quem esteve presente se surpreendeu com a mega decoração do ambiente e com as ”criaturas sinistras e nebulosas” que circulavam pelo local.  O evento contou com boa música, premiação para melhor fantasia e tulipa de choop em dobro, com certeza diversão garantida pra toda galera.

Hoje, dia 30 de outubro, acontece a segunda edição, reúna os amigos e não perca essa festa! Afinal, você está pronto para encarar seus medos?