Projeto empodera e incentiva mulheres a empreenderem

Cansada dos machismos diários e lembrando seu esforço para conquistar espaço na profissão, a designer de moda e empreendedora Mara Novaes Lanave, de Itapoá (SC), criou o projeto “Dela pra Elas” – que tem como propósito criar logotipos para ajudar mulheres a serem mais independentes em seus negócios.

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Mara Novaes Lanave é designer de moda, empreendedora e feminista. Na imagem, uma de suas estampas para pano de prato.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Ao longo de sua vida, Mara ouviu por diversas vezes que não conseguiria ser uma mulher bem-sucedida. “Ouvia absurdos que eram proferidos, inclusive, por outras mulheres. Coisas do tipo ‘você não é capaz nem de comprar um pão com seu próprio dinheiro’ me deixavam tristes e faziam com que me sentisse burra”, recorda. Mas o tempo passou e ela formou-se em Design de Moda, tornou-se estilista e ilustradora de estampas, trabalhou para grandes marcas, como Zara, Renner, C&A, Levi’s e Brooksfield, criou a marca Pássaro Digital (com ilustrações digitais, artes para estampas, identidade visual e papelaria personalizada), o Studio Personaliza (com foco em produtos personalizados para festas) e, há pouco tempo, tornou-se empresária, com a Lanave Embalagens.
Ainda assim, sofria certos machismos diários. “Uma mulher empreendedora enfrenta situações que um homem empreendedor desconhece. Muitas vezes chegam à loja e me perguntam ‘onde está o dono?’, descartando a possibilidade de que eu também seja a dona”, fala. Empática com outras do mesmo gênero, tem apenas funcionárias mulheres. “Exceto na força, a capacidade intelectual e a dedicação de uma mulher em seu trabalho são iguais ou até melhores que de um homem”, diz. Contudo, Mara desejou fazer ainda mais pelas mulheres.

Dela pra elas

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Lembrando seu esforço para conquistar espaço e obter sucesso na profissão, a designer desejava criar um projeto onde pudesse ajudar, de alguma maneira, outras mulheres a serem mais independentes em seus negócios. Mas as questões eram muitas: como poderia ajudar, incentivar, dar ânimo, algo que faça essa mulher sonhar, empreender e realizar? “Então, notei que muitas de minhas clientes eram artesãs, confeiteiras e outras tantas profissionais excelentes, mas seus trabalhos não apresentavam identidade visual”, lembra Mara, que encontrou a solução: desenhar os logotipos que usariam em seus negócios. Em outras palavras, transformar o que estava em seus pensamentos em algo real, mais concreto e afetivo.
Assim, nasceu há cerca de um ano o projeto voluntário “Dela pra Elas”, com o intuito de empoderar mulheres empreendedoras, garantindo a decisão sobre seus negócios e suas vidas. Após a criação dos primeiros logotipos, a iniciativa fez sucesso entre as empreendedoras do município de Itapoá. A criadora explica: “Parece um simples desenho, mas gera motivação para que a mulher continue a batalhar pelo seu espaço. Além disso, o projeto tem um pilar afetivo, pois desejo, de todo o coração, que essas mulheres apresentem um trabalho mais bonito e se deem bem”.

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Resultados positivos
Entre as inúmeras profissionais de Itapoá beneficiadas com o projeto, ou seja, que ganharam logotipos para seus negócios, estão Julyana Satie da Silva, da “Julyana Satie Brigadeiros”, Jamille Franco, das “Delícias da Jama Diet”, e Wal Garcia, do “Wal Garcia Atelier”.
Julyana conta que sempre teve receio de tentar algo, por medo de falhar. “Dede que comecei a fazer doces com o dom que Deus me deu, a Mara sempre acreditou em mim e nunca me deixou desistir. O que deixou minha logo ainda mais especial foram o carinho e o amor que ela depositou em sua criação”, fala. Para Julyana, Mara é exemplo de força e determinação, e realiza um trabalho muito importante ao encorajar mulheres de Itapoá.
Já Wal, conta que o momento em que o projeto “Dela pra Elas” apareceu foi bastante oportuno, pois se encontrava desanimada com suas vendas no município. “Quando ela disse que faria minha logo, foi como tomar um ‘chá de ânimo’. Desde que ganhei uma arte para meu negócio, fiquei com um sentimento bom e, consequentemente, transferi isso para meu trabalho”, conta. Pelo simples fato de ganhar uma “cara nova” em sua página, Wal aumentou sua rede de clientes e contatos.
Não diferente das outras profissionais, Jamille também se diz incentivada por Mara, desde quando cogitou a montar um negócio até a criação de sua logo e seu cardápio. E complementa: “Mais do que uma designer, ela é o incentivo em pessoa. É um ser humano ‘mara’, como o próprio nome já diz”.

Vínculo
Por realizar esse trabalho de forma gratuita, Mara confessa que já ouviu críticas de profissionais que têm como ganha-pão a criação de logotipos e artes em geral. “Àqueles que se chateiam com as criações, tento explicar que essa ação acontece como a ponta de um sonho que se inicia. Mesmo que eu me dedique para cada logotipo, tenho qualidades e intenções diferentes daqueles que vivem desta atividade”, explica.
Mais do que conhecer seu trabalho, saber dos seus sonhos e gostos e desenvolver um desenho, Mara criou vínculo com todas as mulheres do projeto “Dela pra Elas”. Assim como a doceira Julyana, muitas procuram a designer até hoje para pedir opinião ou dar um conselho a respeito do trabalho. Para Mara, fortalecer estes laços é multo importante: “As mulheres precisam ser mais unidas, solidárias e empáticas umas com as outras. É essa a mensagem que pretendo passar com o projeto. Uma mensagem ‘dela pra elas’”.

É mulher, tem o sonho de empreender e precisa de um logotipo para seu negócio? Entre em contato com Mara através do perfil “Mara Novaes Lanave”, no Facebook.

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Laurita da Silva, uma empreendedora de sucesso

Como sugere o significado de seu nome (“loureiro símbolo de honra e vitória”), a trajetória de Laurita da Silva (63) também é marcada por vitória.
Depois de passar por dificuldades, deu a volta por cima e abriu seu próprio negócio. Hoje, a Laurita Center Mega Store possui nove unidades pelos
estados do Paraná e Santa Catarina e, acompanhada dos filhos, Laurita tornou-se
referência enquanto mulher empreendedora.

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Laurita da Silva é criadora da rede de lojas Laurita Center Mega Store, espalhadas pelos estados do Paraná e parte de Santa Catarina.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Nascida em Campo Mourão (PR), passou a residir na capital paranaense em 1983, já casada e mãe de quatro meninos. Nos fundos de seu quintal mantinha uma pequena empresa de confecção de roupas para academias e lojas de shopping. No ano de 1990, ela divorciou-se – um ato de coragem para a época. “Quando isso aconteceu, fiquei com os quatro filhos e uma maquininha de costura que não tinha sequer motor. Depois de quitar um consórcio, optei por comprar uma máquina de costura overloque ao invés de uma motocicleta, para poder continuar trabalhando”, recorda. Já em 1991, seu filho mais velho foi diagnosticado com leucemia e, depois de contrair meningite, veio a falecer no ano seguinte.
“Foi uma fase sofrida, pois em um curto período de tempo me divorciei, perdi um filho e, com a chegada do plano real, a demanda na confecção diminuiu consideravelmente”, conta. Em busca de novas oportunidades, mudou-se com os três filhos para Matinhos (PR), onde moravam alguns familiares, com a pretensão de praticar o que aprendeu em um curso de confeitaria.

Novos ares
Chegando ao litoral, junto do filho mais novo, iniciou uma pequena fábrica de gesso, que não deu certo. Ainda assim, não desistiu: “Desejava abrir uma loja de ‘tudo um pouco’, pois a cidade necessitava de produtos variados, mas não tinha capital inicial para tal.
Então, um de meus filhos contou desse meu sonho para um distribuidor. Felizmente, ele fez uma proposta muito boa: forneceu a mercadoria para eu quitá-la conforme as vendas”, recorda.
Assim, em 1998, com uma pequena quantidade de mercadoria consignada, nasceu a primeira loja Laurita Center Mega Store – um ponto comercial de 30 m², que vendia artigos de 1,99 e peças de gesso

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A primeira loja inaugurada por Laurita,
em Matinhos, no ano de 1998.

Família
De lá para cá, Laurita realizou o sonho da casa própria e o negócio cresceu com a ajuda dos filhos – Gabriel Fernando, Alexandre Cristiano e Paulo Henrique – que, nas palavras da mãe, “tomaram gosto pela coisa”.
Com o casamento dos rapazes, cada um deles passou a ser dono de uma filial em determinada região.
Além dos filhos, a matriarca da família também vem expandindo as lojas que estão sob sua responsabilidade. Atualmente, são nove unidades da Laurita Center Mega Store espalhadas pela região do litoral paranaense, como Matinhos, Guaratuba, Pontal do Paraná e Paranaguá, além de duas lojas no município litorâneo de Itapoá, norte de Santa Catarina.
Muito bem abastecidas com “um pouco de tudo”, o conceito da rede de lojas é que o cliente possa sair delas com tudo o que precisa, desde itens infantis até artigos para cama, mesa e banho.
Para ampliar o mix de produtos e buscar o que há de novidade no mercado, a família da Silva visita feiras e realiza diversos cursos no Sebrae.
Contudo, creditam boa parte do sucesso da rede de lojas aos mais de 300 fornecedores, cerca de 160 funcionários – muitos deles, presentes desde o início dessa trajetória – e inúmeros clientes.

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Hoje, a família aumentou e também faz parte dos negócios.
Laurita e seus netos e ao lado de um casal de amigos e seus filhos e noras.

Triunfo
As conquistas não param por aí: depois de ganhar elevador de acesso para pessoas da terceira idade, uma das lojas Laurita Center Mega Store de Itapoá será ampliada em breve.
Hoje, Laurita se declara satisfeita com os frutos de seu trabalho e apaixonada pelo que faz: “Adoro escolher as mercadorias, fazer as compras, expor os produtos, decorar as lojas, atender os clientes e gerenciar a equipe. Acredito que o visual e até mesmo o cheiro da loja são essenciais para que os clientes sintam-se bem dentro dela”.
Além de trabalhar, a empresária gosta de curtir os filhos e netos, praticar exercícios físicos e viajar – inclusive, nos roteiros dentro e fora do Brasil encontra inspiração, como, por exemplo, para as vitrinas ou iluminação das lojas.
Em setembro deste ano, a Laurita Center Mega Store completa 20 anos de muito suor e trabalho. “Creio intensamente no poder de Deus e, antes de qualquer passo, oro e peço a Ele. Sempre fui uma mulher de palavra e de honrar meus compromissos”, conta Laurita, uma referência enquanto empreendedora, mãe e mulher.

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Laurita e o gerente da loja na Avenida Celso Ramos em Itapoá, Ronaldo Camargo.

Voluntárias doam corações e ajudam mulheres com câncer de mama

Lidar com a perda do seio para o câncer de mama é algo extremamente difícil para muitas mulheres que, após a mastectomia, sentem dor física e psicológica. Mas, simples almofadas em formato de coração foram desenvolvidas exclusivamente para ajudá-las a ter mais conforto e a se sentirem mais acolhidas nessa fase delicada.
Pensando nelas, um grupo de voluntárias do município de Itapoá (SC), se uniu para doar amor e lindos corações de tecido às mulheres que lutam contra o câncer de mama. Alvina Vieira, Marli Colin, Sueli Carijo, Suely Magalhães e Maria Batista, mais conhecida como Ica, são parte do grupo “As Amorosas de Itapoá”.

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Da esquerda para a direita, Marli Colin, Sueli Carvalho,
Maria Batista Dias (a Ica), Alvina Vieira e Suely Magalhãs –
parte do grupo As Amorosas de Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

No ano de 2009, dona Alvina foi diagnosticada com câncer de mama. Após a mastectomia (cirurgia de retirada da mama), um detalhe, em especial, chamou-lhe a atenção: “Na cidade de Joinville (SC), onde realizei o tratamento, ganhei uma almofada em formato de coração, que me ajudou a apoiar o braço, aliviar as dores e a dormência do pós-cirúrgico, reduzir o inchaço linfático provocado pela cirurgia, diminuir a tensão nos ombros e, quando usada debaixo do cinto de segurança do carro, proteger de eventuais golpes”. Os anos passaram-se, dona Alvina foi curada e pôde devolver sua almofada para que outras pacientes fizessem uso da mesma, mas aquele simples gesto a marcou para sempre.
Já participando das aulas de yoga do programa SCFC (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo), ofertado pelo CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) de Itapoá, dona Alvina fez amizade com Marli, Suely, Ica, Sueli e outras tantas. “Ela contou-nos sua luta contra o câncer de mama e sugeriu que nós participássemos desse projeto, que acontece em todo o Brasil, e ajudássemos mulheres diagnosticadas com câncer de mama em nosso município. Imediatamente, abraçamos a ideia e passamos a estudar sobre o tema”, recorda Ica.

Dona Alvina, que já venceu a batalha contra o câncer de mama,
posa com a Almofada do Coração.

Folheto explicativo sobre o uso da almofada.

Almofada de amor
Em contato com voluntários de Joinville, Alvina teve acesso ao projeto das almofadas, que são confeccionadas com cuidado. “Para ser ergonômica, a almofada tem medidas certas e a quantidade de enchimento certo – por isso, é pesada em uma balança de precisão. A costura deve ser específica porque senão fica desconfortável”, explica. O tecido também deve ser 100% algodão e o enchimento deve ser com fibra antialérgica.
O trabalho voluntário iniciou em maio de 2017 e contou com a ajuda de cerca de 20 mulheres, em sua maioria aposentadas e com aptidão para artesanato. Valores simbólicos, tecidos, fibras e outros materiais foram doados por empresas e comerciantes de Itapoá. O ponto de encontro para guardar o material arrecadado e confeccionar as almofadas tornou-se a residência de Suely Magalhães. “Descobrimos qual era o forte de cada uma do grupo e definimos as funções: algumas cortam o tecido, outras preenchem a almofada, umas costuram e por aí vai”, explica a anfitriã.
Tudo é pensado nos mínimos detalhes: as voluntárias também criaram embalagens e folhetos explicativos sobre o uso da almofada, que foi batizada de “Almofada de Amor”. Marli, uma das voluntárias, explica a origem do nome: “É muito mais que algo material. Ela proporciona apoio físico e psicológico, já que traz à paciente lago para abraçar como um símbolo de solidariedade”.

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Semanalmente, as voluntárias reúnem-se para confeccionar almofadas que ajudam no tratamento contra o câncer de mama.

Doações
Em apenas seis meses, o grupo confeccionou 103 almofadas. Para realizar a doação das mesmas, escolheu o mês de outubro, que lembra o câncer de mama com a campanha Outubro Rosa. Para isso, as voluntárias atuaram em parceria com a Secretaria de Saúde de Itapoá, que realizou o levantamento de mulheres diagnosticadas com câncer de mama no município. Os dados surpreenderam: em outubro de 2017, havia 32 pacientes em Itapoá. “Mas queríamos mais que simplesmente fazer a doação das almofadas. Queríamos conhecer essas mulheres, ouvir suas histórias e oferecer carinho a elas”, fala Sueli Carijo.
E assim aconteceu: por intermédio da Secretaria de Saúde, as amigas organizaram, em cada unidade do PSF (Posto de Saúde da Família) de Itapoá, rodas de conversa com as pacientes. Suely Magalhães recorda: “Em cada bairro, vivemos diferentes emoções. Choramos, sorrimos, nos entristecemos e comemoramos. Mas estávamos todas lá, sempre juntas. Simbolizando apoio e fortalecimento àquelas mulheres”.
Através de amigas que intermediaram doações, as Almofadas do Coração também chegaram a pacientes de outros lugares, como Joinville (SC), Guaratuba (PR), Florianópolis (SC), Blumenau (SC) e Rolândia (PR). Suely Magalhães, que já tinha conhecimento de uma ONG em Londrina (PR), fez sua entrega pessoalmente, onde o grupo de voluntárias recebeu uma música em sua homenagem; bem como a colega Sueli Carijo, que visitou a Santa Casa de Ponta Grossa (PR), onde doou almofadas e emocionou-se com a história dessas guerreiras.

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Para realizar as doações das 103 almofadas confeccionadas, As Amorosas realizaram rodas de conversa.

Projetos futuros
Após muito trabalho e fortes emoções, o grupo de amigas intitulou-se “As Amorosas de Itapoá”, uma vez que a palavra é dividida por “amor” e “rosa” – cor que simboliza a luta contra o câncer de mama. As Amorosas receberam doações de camisetas que, em breve, serão estampadas com o logotipo do projeto.
O grupo, que participou de um passeio ciclístico promovido pelo PSF de Itapoá, tem em vista outros projetos. “Vamos organizar pontos de coleta de lenços, gorros, chapéus e bonés – acessórios que fazem a diferença na vida de pacientes com câncer. Também buscamos o apoio de uma advogada que possa levar informação às pacientes, pois, apesar do crescimento do número das acometidas pela doença, a falta de informação faz com que não tenham conhecimento dos direitos especiais citados na legislação”, conta dona Alvina, que já esteve desse mesmo lado.
Além das cinco entrevistadas, as voluntárias Adelina, Angélica, Elizabete, Eliete, Eusa, Marisa, Odete, Oliria, Marlene e Eliana, e as apoiadoras Silvia, Janaína, Licélia e Flávia também formam o grupo As Amorosas. Chá beneficente, Dia da Beleza, Desfile de Moda e palestras de prevenção são outras ações que planejam para o decorrer do ano. “Acreditamos que o câncer de mama merece visibilidade o ano todo, não somente durante o mês de outubro, pois dados comprovam que, se detectado na fase inicial, as chances de cura podem chegar até a 100% dos casos (Fonte: Instituto Brasileiro de Controle do Câncer)”, explica a amorosa Ica.

Trabalho voluntário
Nas reuniões semanais na casa de Suely Magalhães, As Amorosas trabalham, tomam café e divertem-se com as amigas. Exercer essa atividade tem, para elas, bons significados tanto para quem recebe quanto para quem doa. A amorosa Marli acredita que a ação beneficente é uma forma de crescimento pessoal e espiritual, enquanto a amorosa Sueli Carijo afirma que ajudar o próximo é gratificante e gera motivação, e complementa: “enquanto ajudamos o outro, ajudamos a nós mesmos”.
A luta contra o câncer não é fácil, portanto, as Almofadas do Coração representam autoestima, força e amor – intenções que As Amorosas sempre mentalizam em cada doação. Por fim, a amorosa dona Alvina conclui: “Queremos que as mulheres que recebam nossos corações sejam felizes e tenham fé. Isso foi a melhor coisa para mim”.

Deseja tornar-se uma voluntária ou contribuir com doações de lenços, chapéus, tecidos ou outros materiais? Entre em contato com a amorosa Marli através do WhatsApp
47 99930-0837 ou da amorosa Suely Magalhães através do WhatsApp 43 98406-8035.

GEES oportuniza Ensino Médio em Itapoá

Com o objetivo de fazer parte do processo de crescimento e transformação de uma nova geração, a Escola GEES chegou a Itapoá, em 2012, tornando-se uma escola modelo e agregando valores primordiais na consolidação do cidadão, como família, educação e princípios éticos. Todavia, o espaço que restringia-se às classes do maternal ao Ensino Fundamental, neste ano de 2018, passou a abranger o Ensino Médio, entre outras novidades, que dão novo rumo à história da educação no município.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

À frente da GEES está o casal de sócios Isabel Cristina Zarpelon Trevizan e Lucio Flavo Trevizan. Além dos gestores, equipe pedagógica, equipe administrativa, professores, equipe da cozinha, atendentes e estagiários integram o quadro de, aproximadamente, 40 funcionários. Todos, engajados em uma só missão: construir um futuro em excelência para crianças e adolescentes de Itapoá.
Tendo como principais diferenciais o funcionamento em período integral (das 7h20 às 18h) e a Colônia de Férias (que acontece semestralmente), a instituição conquistou boa parcela de famílias que dispõem de pouco tempo livre e confiam seus filhos a um ensino moderno, lúdico e responsável. Na dinâmica da GEES, outra característica é que, além das disciplinas obrigatórias na grade curricular de educação, estão aulas complementares, como música, informática, robótica e empreendedorismo. Já as atividades extracurriculares (não inclusas na mensalidade) contam com escolas de futebol e voleibol, aulas de natação (em convênio com a Fisiopilates), ballet, jazz e o programa bilíngue.
Unindo educação às novas demandas do mundo globalizado, a escola conta com o material do Sistema COC, que oferece aos alunos maior interatividade e aproveitamento do conteúdo. Lousa digital, jogos educativos, matérias online, agenda eletrônica e livro eletrônico são algumas das vantagens tecnológicas do COC Educação, cujo acesso também pode ser feito na residência dos alunos.
De 2012 para cá, a escola vem ampliando seu espaço físico. Hoje, dispõe de um ambiente amplo e confortável, com pátio, ginásio de esportes, horta, cancha de areia, parque, sala do bilíngue, biblioteca, cantina, refeitório, laboratório de informática e laboratório de Ciências, com equipamentos modernos e facilitadores do aprendizado. Ainda, a escola recebe visita mensal de uma nutricionista, que elabora o cardápio, fiscaliza a cozinha e realiza um balanceamento da saúde dos alunos.
A interação com os pais também faz toda a diferença. Conforme Suely de Pauli de Almeida, coordenadora pedagógica da GEES, há uma boa parceria com os familiares dos alunos, perceptível nos eventos presentes no calendário escolar, como o Piquenique de Dia das Mães, o Passeio Ciclístico do Dia dos Pais, a FECIARTE (Feira de Ciências, Arte e Tecnologia), entre outros projetos sociais e recreativos.
Com seriedade, comprometimento e métodos inovadores, a instituição apresenta bons índices de alfabetização e aprovação de seus alunos. Sempre pensando nas famílias, oferece pacotes diferenciados para irmãos e possui convênios com descontos especiais para funcionários do Porto Itapoá, APM Terminals, Centro Logístico Integrado Fastcargo (CLIF) e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Novidades
Recentemente, a Escola GEES tornou-se licenciada do Sistema COC de Ensino. Com isso, aderiu ao Programa de Excelência (PEX), que objetiva um padrão de qualidade e realizará pesquisas de satisfação com funcionários, pais, alunos e empresas terceirizadas. Outra novidade é a Academia COC, que permite aos professores uma formação continuada online e consultorias presenciais, melhorando, assim, a qualidade de ensino.
No entanto, a principal conquista da escola foi a aprovação do Ensino Médio. Neste ano de 2018, será aberta uma turma de 1º ano do Ensino Médio, enquanto no ano que vem iniciará o 2º ano e, gradativamente, o 3º ano em 2020. Tatiane Canestraro, diretora pedagógica da GEES, explica a importância desta conquista: “Isso representa um marco na história da instituição e da educação no município. Agora, os jovens itapoaenses terão mais uma opção para concluir seus estudos rumo ao futuro”.
No Ensino Médio, a peculiaridade estará no material voltado aos vestibulares e no trabalho vocacional diferenciado, através de feiras de profissões e escolhas que façam dos alunos adultos mais conscientes e responsáveis. Vale frisar que o Ensino Médio terá carga horária diferenciada: durante cinco dias da semana as aulas acontecerão no período matutino, e durante um dia da semana as aulas serão também em período integral.
A cada ano, a Escola GEES evolui, forma cidadãos e ganha mais confiança e parceria dos pais e comunidade. Agora, atendendo do maternal ao Ensino Médio, abre ainda mais caminhos no município de Itapoá.

Matrículas abertas
Ainda há tempo de matricular seu filho na Escola GEES! As aulas do 1º ano do Ensino Médio iniciam no dia 19 de fevereiro, enquanto as demais turmas iniciaram no dia 7 de fevereiro.
A GEES está situada na Rua III, n. 102, no Loteamento Príncipe. Para maiores informações, ligue para 47 3443-2279 ou acesse a página “Escola Gees”, no Facebook.

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Câncer infantil: conscientizar-se é preciso

Para conscientizar sobre o câncer infantil e valorizar a luta destas fortes crianças, contamos a história da pequena Julia Beatriz Dresch Martins, de Curitiba (PR). Filha de Regina Aparecida Dresch e enteada de Paulo Sérgio Kowaleski, foi diagnosticada com um tumor ósseo bastante raro. Hoje, a família coleciona memórias, emoções e superações.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Família reunida: o casal Paulo e Regina, junto dos filhos Murilo, Isabela e Julia (ao fundo).

Há três anos, Regina e Paulo conheceram-se. Naquela mesma noite, contaram um ao outro que tinham filhos de outros casamentos: Regina era mãe de Julia (na época, com 7 anos) e Paulo era pai de Murilo Brime Kowaleski (na época, com 2 anos). Intensa foi a paixão que, em quatro meses, optaram por morar juntos, tornando-se, assim, uma família de quatro membros. Felizmente, as crianças aprovaram a decisão e ficaram, inclusive, grandes amigas.
Pouco tempo depois, o casal descobriu uma coincidência: “temos primos em comum e já estivemos nos mesmos lugares por diversas vezes”. Mas, acreditam que era para ser assim, tudo no seu tempo. Afinal de contas, três meses depois, constataram que seriam pais novamente. Dessa vez, de Isabela Dresch Kowaleski, que trouxe ainda mais alegria à família.

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A guerreira Julia, pronta para mais uma sessão de quimioterapia.

Dos sintomas ao diagnóstico
Aos 10 anos de idade, Julia, sempre mais alta do que as meninas da sua idade, passou a reclamar de dores, especialmente quando praticava exercícios físicos. Sua mãe, farmacêutica, detalha: “As dores eram passageiras, mas foram aumentando, até que levamos para o médico. Ele acreditava que era uma dor ocasionada pela dança, já que ela praticava Jazz. Então, retornou à rotina normal, até que sentiu dores ainda mais intensas, especialmente nas pernas”. Retornando ao médico, foi realizado um Raio-X que nada acusou. Com a possibilidade de ser Sinovite transitória, uma inflamação, iniciou um tratamento anti-inflamatório. Porém, já incapaz de fazer as atividades diárias, os sintomas persistiram.
No Hospital Pequeno Príncipe, a menina consultou-se com um pediatra, um ortopedista e um reumatologista, até que um exame de sangue apresentou alterações. Em junho de 2017, durante uma crise de dores, Julia foi levada ao hospital, onde ficou internada, tomando morfina – e por lá ficou. No dia seguinte, com o resultado de uma de suas ressonâncias, a hematologista do hospital olhou para Regina e disse: “é grave”. Em seguida, a profissional pediu uma punção da medula (para identificar qual o tipo do tumor) e a mãe, por conta da sua experiência na área da saúde, entendeu que tratava-se de câncer.

Sarcoma de Ewing
Com o resultado da punção da medula, o diagnóstico acusou Sarcoma de Ewing, um tumor ósseo bastante raro, que atinge principalmente crianças até os 10 anos. A notícia foi um baque para o casal: “Quando recebemos o diagnóstico, o mundo desabou. Sempre que pensamos em câncer, imaginamos o pior. Até porque o Paulo já havia perdido a primeira mulher para esta doença. Entre tantos pensamentos, nosso maior medo era perder a nossa Juju (como costumam chamá-la carinhosamente)”.
O próximo passo foi realizar uma série de exames para saber se havia metástase (quando o câncer se espalha para outras partes do corpo). Os diagnósticos indicaram que o tumor foi identificado, inicialmente, na pelve. Como as dores mais intensas estavam nas pernas, os médicos acreditavam que, provavelmente, o tumor já havia se espalhado para outra área. Assim, comprovaram a cintilografia e a ressonância: Julia estava com metástase na coluna, quase por todas as suas vértebras, no fêmur e em parte da calota craniana.
Segundo os profissionais, o Sarcoma de Ewing é facilmente confundido com osteomielite e, muitas vezes, descoberto em estágios avançados, quando o paciente já apresenta problemas respiratórios, por conta da metástase pulmonar. Felizmente, as médicas em questão já tinham experiência com casos parecidos e, por isso, o tumor foi rapidamente identificado.

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Voltando aos estudos em casa.

Tratamento
Desde as crises intensas de dores, passando pela bateria de exames, a descoberta do câncer e o início do tratamento, Julia e a família completaram 21 dias vivendo no hospital. Quando soube que o tratamento seria feito com quimioterapia, o casal conversou com a menina: “Utilizando termos mais lúdicos, nunca escondemos nada a ela. Contamos que seu cabelo iria cair, que teria de deixar a escola para estudar em casa, que teria de ficar isolada (por conta da baixa imunidade) e que este tratamento duraria, em média, de 9 meses a 1 ano”. A pequena Julia, já debilitada, perdeu 9 quilos e não podia andar sozinha, pois corria risco de fraturas, uma vez que seus ossos estavam muito frágeis.
Vale citar que, geralmente, o tratamento do Sarcoma de Ewing é realizado com quimioterapia, radioterapia e cirurgia, para amputação do membro. No entanto, como o tumor de Julia atingiu a pelve, a possibilidade de cirurgia foi descartada.
Para dar início ao tratamento e dedicar-se à filha no hospital, Regina teve de deixar o emprego: “Nesse período, recebi muito apoio emocional e até financeiro de toda a família”. A primeira etapa consistia em 14 sessões de quimioterapia, para que a doença não se espalhasse ainda mais. Já a segunda etapa do tratamento aconteceu no Oncoville, não mais internada, mas via ambulatório. Lá, receberam a feliz notícia de que o tumor havia diminuído consideravelmente.
A partir daí, o tratamento consistiu em quimioterapia (a cada 21 dias) associada à (25 sessões diárias) radioterapia. Apesar de ser do desconhecimento de muitos, a quimioterapia oferece restrições ao paciente, como, por exemplo, alimentares. “Seus alimentos devem estar frescos, cozidos, só podem ser abertos para consumo imediato e, em sua maioria, industrializados”, explica Regina. Como as veias de uma criança ainda são fracas, Julia também só pôde receber os medicamentos – por sinal, bastante tóxicos – via cateter.

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Em uma festinha organizada pelos amigos da escola.

Momentos marcantes
Além do estado debilitado e das crises de dor e choro, a queda de cabelo também marcou a jornada de mãe e filha: “Duas semanas depois que iniciamos o tratamento de quimioterapia, seu cabelo começou a cair. Ela chegou para mim e disse: ‘Olha, mãe, o meu cabelo está caindo! Você pode entrar no banho comigo para me ajudar a tirá-lo?’. Então, debaixo do chuveiro, eu passava a mão em seus cabelos e os fios caíam, um a um. Depois daquele banho, ela ficou praticamente careca. Aquele foi um momento que me marcou profundamente”.
A menina decidiu não usar peruca, apenas uma boina na cabeça. Depois que Paulo e Regina explicaram a Murilo o que estava acontecendo, sempre que alguma criança fizesse um comentário ofensivo a respeito de Julia, seu irmão tornava a defendê-la.
Com a alta do hospital, o tratamento continuou em casa. Para isso, Julia recebeu apoio de toda a equipe do colégio católico no qual estuda, que organizou um projeto, aprovado pela Secretaria de Educação de Curitiba, com o intuito de que a colega desse continuidade aos estudos dentro de casa. “Passei a ministrar os conteúdos para ela em casa, enquanto a professora sanavas suas dúvidas pela webcan. Seus colegas de classe também foram muito especiais, pois lhe enviaram cartinhas, fotografias e presentes”, recorda Regina.
As irmãs do colégio católico rezaram missas e fizeram correntes de oração. Também muito religiosa, a família de Julia fez novenas e orações – todos empenhados em uma só causa: vê-la feliz e saudável.

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Um dos momentos em família.

Bagagem
Durante a experiência, Paulo e Regina, que viveram este frenesi de emoções com três filhos crianças, conheceram outras famílias que passam por situações parecidas. “Vimos que não é, de fato, um caso isolado, e que o câncer infantil é mais comum do que imaginamos”, dizem, “a luta é incessante e cansativa, mas é preciso apegar-se ao pensamento de que tudo vai melhorar”.
Para Regina, o apoio de Paulo foi seu principal suporte: “Ele já passou por essa situação e me explicou como aconteceria. Também me disse que, um dia, tudo iria passar e eu conseguiria conversar sobre o assunto, como parte natural de nossa rotina. E foi exatamente o que aconteceu. Acredito que as coisas acontecem como devem acontecer e que as pessoas entram em nossas vidas por alguma razão que, mais tarde, passamos a entender”.
Enquanto mãe, Regina ela fala que chorou muitas vezes escondida, mas sempre manteve-se forte perto da pequena: “ela é a criança, e eu o seu porto seguro”. A história foi uma lição para todos os familiares que – bem como todos aqueles que convivem ou já conviveram com o câncer – passam a enxergar a vida com outros olhos.

Um dia de cada vez
Neste ano, Julia cursa o 5º ano do Ensino Fundamental, em Curitiba. Restam apenas três sessões de quimioterapia para encerrar o período mais intenso de tratamento. Se os exames apresentarem bons resultados, ela poderá, enfim, voltar a frequentar a escola, reencontrar os amigos e realizar a tão almejada viagem em família. Somente então, receberá a manutenção de uma quimioterapia menos agressiva durante um ano.
Aos 10 anos de idade, a menina está respondendo ao tratamento, disposta, alimentando-se bem e brincando. Além do mais, recebe carinhos e cuidados de todos os lados: dos professores e amigos da escola, dos tios, primos e avós, das amigas, das famílias das amigas, de conhecidos, de desconhecidos, dos pais e dos irmãos Murilo (hoje, com 5 anos) e Isabela (com 1 ano e 8 meses), que a amam muito.
Hoje, na família de Juju, muitas coisas mudaram. Palavras como “problema” e “tempo” receberam significados diferentes. Afinal de contas, o que vale mesmo é agradecer pela saúde do dia de hoje e aproveitar a vida junto daqueles que amamos.

Desafios e superações da jornada contra o câncer infantil

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), todos os anos cerca de 11 mil crianças e adolescentes de 1 a 19 anos de idade são diagnosticados com câncer no Brasil. Entre eles, está a pequena Eloá da Luz Alves Fernandes (7), filha de Suellen Soares da Luz e de Jurandir Alves Fernandes. Moradora de Itapoá (SC), a família batalha há sete anos contra um tumor cerebral da menina.
Oportunizando o dia 15 de fevereiro, Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, contamos a história desta família, a fim de despertar a conscientização da população sobre o assunto e valorizar a luta de todas estas crianças que batalham para superar a doença.

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O casal Suellen e Jurandir e sua filha Eloá, de Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Após cinco anos de casados, Suellen e Jurandir seriam pais pela primeira vez. O ano era 2010 e, depois de uma gravidez tranquila, nasceu Eloá, forte e saudável. Quando completou 1 ano e 11 meses, começou a ter súbitos vômitos em jato. “Levei-a para a Unidade do Pronto Atendimento, onde ouvi que tratava-se de uma virose. Mais tarde, novos sintomas apareceram: as roupinhas não entravam mais em sua cabecinha (que aparentava maior que o normal) e ela estava perdendo a visão, tropeçando nos móveis. Mesmo retornando à unidade, o médico pediatra insistiu que era apenas uma virose”, recorda Suellen. Passaram-se três meses e o casal levou a filha para consultar-se em um posto de saúde de Rio Negrinho (SC). Lá, o pediatra mediu sua cabeça com uma fita métrica e, imediatamente, acionou uma ambulância para transferir Eloá para Joinville (SC).
A menina foi diagnosticada com ependimoma grau II, um tumor na base do cérebro, em uma área chamada de fossa posterior. Como uma forma de defesa do organismo, o tumor, que ocupava metade da área de seu cérebro, também desenvolveu hidrocefalia, o que resultou em uma cirurgia de emergência. Jurandir recorda: “Após o tratamento cirúrgico contra a hidrocefalia, ela ficou internada durante um mês, tomando soro, sem entender muito o que estava acontecendo. Como tratava-se de um tumor agressivo, a equipe médica recusou-se a realizar a cirurgia para retirada do tumor, pois acreditava que esta não teria sucesso”. Por isso, os pais venceram uma série de burocracias e transferiram a filha, já bastante debilitada, para o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR). Felizmente, Eloá caiu nas mãos do renomado Dr. Paulo Carboni Junior (hoje, já falecido), a quem os pais creditam muita gratidão pelo bom atendimento e trabalho.

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Tão pequena e, ao mesmo tempo, tão forte: Eloá na luta contra um tumor cerebral.

Dias de luta
Segundo Suellen e Jurandir, sua filha entrou no centro cirúrgico sorrindo e saiu de lá em coma, após a cirurgia de retirada de 70% do tumor – e assim permaneceu durante um longo mês. “Aquele foi um período muito delicado, pois revezávamos os turnos para cuidar dela, que já não respirava sem ajuda dos aparelhos. Também, descobrimos que seu tumor era maligno e não reagiria à quimioterapia. Mas, ainda assim, optamos por tentar”, fala o casal.
Durante um ano a família viveu em uma ala do hospital, compartilhada por 25 crianças. “Lá, descobrimos que o câncer infantil é muito diferente do que retratam em filmes ou novelas: as crianças estão perdendo seu cabelo, vomitando sem parar e até morrendo. Em um dia uma criança está na cama ao lado, no outro já não está mais. E, então, ouve-se o grito de dor da mãe que recebeu a temida notícia”, recorda Suellen, que chegou a perder 18 quilos neste período.
No hospital, Eloá utilizou uma cadeira de rodas para movimentar-se, perdeu seu cabelo e viveu à base de aparelhos, sondas e cateteres. Depois de submeter-se a uma cirurgia gástrica (pois afogava-se ao ingerir alimentos), passou a ingerir apenas leite. Sua mãe conta: “Esse, para mim, foi o momento mais difícil de todos. Minha filha comia bem e, de repente, não podia dar a ela água ou qualquer alimento. Aquilo me doía muito, pois ela via as outras crianças do quarto comerem e dizia ‘mamãe, estou com fome’. Então, eu molhava um algodão com água para passar em sua boquinha”.
Entre idas e vindas, a família ausentava-se cada vez mais de Itapoá para dedicar-se aos dias intensos no hospital. Moraram em Penha (SC) e algum tempo em Curitiba, na casa de familiares. Mas, por conta da baixa imunidade de Eloá, o ambiente no qual residiria tinha de estar devidamente higienizad.
Muito mais que higiene, foi na Instituição APACN (Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia) que encontraram amparo, amigos, resultados e um ambiente acolhedor.

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Dias intensos de intenso tratamento, mas
muito amor e união entre a família.

Instituição APACN
Sendo a primeira instituição a amparar crianças e adolescentes com câncer no Brasil, a APACN acolhe e ampara dignamente famílias carentes que chegam a Curitiba desprovidas de condições financeiras, moradia, hospedagem ou meio de locomoção, para tratar de suas crianças diagnosticadas com tumores, do início ao final do tratamento. “A APACN disponibiliza quartos compartilhados, alimentação, professores, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, van para levar e buscar ao hospital e todo o suporte necessário à criança e um adulto responsável por ela. Em troca, este responsável contribui com as tarefas domésticas”, explica Suellen, que viveu na instituição com a filha. Lá, fez amizades com funcionários, colaboradores, voluntários e mães de todo o Brasil. Ela complementa: “São pessoas solidárias, que me transmitiram muita força e levo para a vida toda”.

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Registros do casamento de Suellen e Jurandir na APACN,
na companhia de outras crianças da instituição.

Tamanho era o espírito coletivo da equipe da APACN que, lá, na capela da instituição, Suellen e Jurandir realizaram o sonho de casar no religioso. O casamento teve chá de panela surpresa, presentes, dia de noiva, madrinhas, vestido branco, padre, daminha e pajem, bolo, decoração, valsa e pétalas de rosas. Desde os adultos às crianças, já carequinhas, todo mundo contribuiu para proporcionar um dia memorável ao casal.
Durante os dois anos em que mãe e filha viveram na instituição, Eloá andou com a ajuda de um andador e sondas, realizou tratamento de quimioterapia e 31 sessões de radioterapia. Na época, Jurandir desdobrava-se entre o trabalho, em Itapoá, e os cuidados à filha, em Curitiba. Apesar de estar longe do município litorâneo, da casa e do marido, Suellen afirma que desapegar nunca foi um problema: “sempre coloquei minha filha em primeiro lugar e me mudaria para onde quer que fosse para vê-la bem”.

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A pequena Eloá concentrada em suas habilidades artísticas, durante a escola.

De volta à casa
Com 3 anos de idade, a menina retornou, definitivamente, a Itapoá, quando teve pequenos internamentos e duas paradas respiratórias – uma delas quase fatal. Recentemente, os exames acusaram uma hemorragia dentro de seu tumor que, se comprimir determinada região do crânio, pode interromper sua respiração a qualquer momento. “Os médicos disseram-nos que o corpo de nossa filha não suporta mais quimioterapias e radioterapias. Portanto, sugeriram-nos uma cirurgia para prolongar sua vida por mais alguns meses. Mas, como esta cirurgia não teria nem 1% de sucesso garantido e seria de alto risco, optamos por não fazê-la. Escolhemos dar a ela um caminho que julgamos melhor: sem internamentos, sem dores, sem mais cortes e junto da família”, falam os pais, que receberam uma carta de sobreaviso para casos emergenciais.
A criança, que já consultou-se com fonoaudiólogo, psicólogo e fisioterapeuta, hoje realiza ressonâncias a cada semestre, além de consultas trimestrais com neurologista, dentista (uma vez que a radioterapia prejudica a dentição), entre outros profissionais. Para proteger sua imunidade, em sua residência, tudo é higienizado com álcool. Sua mãe, inclusive, frequentou o psicólogo durante certo tempo por ter ficado com mania de limpeza. “Nunca tomei medicamentos controlados ou entrei em depressão, pois não tenho tempo para isso, preciso cuidar dela. Tenho motivos de sobra para estar forte, sorrindo e ao seu lado”, fala Suellen, que até hoje mantém amizade com as mães do hospital e da casa de apoio.
Hoje, Eloá está em tratamento paliativo, ou seja, que melhora a qualidade de vida e alivia o seu sofrimento, mas não é capaz de curar a enfermidade. Em busca de ajuda, o casal, que tem fé em Deus, recorreu a diferentes crenças e simpatias: “acreditamos em tudo aquilo que venha para o bem”. Ainda, agradecem aos familiares e colegas de trabalho, que já realizaram bingos e campanhas a fim de contribuir com o tratamento de Eloá, a toda a equipe da Instituição APACN e do Hospital Pequeno Príncipe, que foram muito profissionais e, ao mesmo tempo, humanos. Por último, mas não menos importante, Suellen e Jurandir agradecem um ao outro, pela força e parceria cada vez em que precisaram dormir dentro do carro, oferecer o ombro amigo ou secar as lágrimas um do outro.

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Os pais contam que Eloá é muito inteligente, carinhosa e vaidosa.

Os aprendizados
Não fosse o desequilíbrio de um lado do corpo, o retardo de crescimento, algumas cicatrizes e o inchaço do tumor que, volta e meia, provoca alterações de humor, Eloá não difere-se de uma criança saudável. Prestes a completar 8 anos de idade no dia 22 de fevereiro, neste ano de 2018 vai para o 3º ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Claiton Almir Hermes, onde recebe os cuidados de uma professora auxiliar. Também, é uma criança bem resolvida, muito inteligente, vaidosa e apaixonada pelos animais. Sobre o que mais gosta de fazer, Eloá responde: “ir à praia, comer feijão, brincar com minhas primas, brincar de massinha e de Barbie”.
Vale ressaltar que o câncer infantil é uma doença que tem grandes chances de cura quando diagnosticada precocemente. Conforme Dra. Mara Albonei Pianovski, cancerologista responsável pelo ambulatório da APACN: “quanto mais tempo perde-se para iniciar o tratamento, mais tempo o organismo é agredido pela doença. Porém, quando o diagnóstico é feito a tempo, mais de 70% das crianças são curadas”. Assim, Jurandir e Suellen, aconselham: “Com base em nossa experiência, esperamos que outras famílias não sejam vítimas de um erro médico. Portanto, não espere que seu filho apresente outros sintomas para, então, levá-lo a outro médico. Façam consultas em diferentes lugares e informem-se sobre a competência do profissional que está responsabilizando-se pela saúde de sua criança”.
Juntos há 12 anos, Suellen e Jurandir contam que a descoberta do câncer da filha uniu-os ainda mais enquanto casal e família. “Sempre que os médicos reencontram nossa filha, começam a chorar, pois acreditaram que ela não chegaria até aqui. Seu histórico hospitalar comprova que ela é um milagre”, dizem. Olhando a vida por novas perspectivas e vivendo um dia de cada vez, o casal conclui: “enquanto nossa Eloá estiver respirando, continuaremos lutando”.

Deseja saber mais sobre a Instituição APACN (Associação Paranaense de Apoio à Criança com Neoplasia), de Curitiba? Acesse http://www.apacn.com.br ou ligue para 41 3024-7475.

Mestre Piazetta: entre caixas, pratos, surdos e bumbos

Se os instrumentos do título acima recebessem um nome, este seria Luiz Antonio Piazzetta ou, simplesmente, Piazzetta.
Conhecido no município de Itapoá (SC) por fundar e reger a Fanfarra Municipal, o Mestre detém um currículo extenso, que passa por escolas de samba, bandas, orquestra, artistas renomados, entre outros projetos, que fazem dele um verdadeiro amante da música.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Luiz Antonio Piazetta com sua esposa Mirlete Muller Piazzetta.

Nascido em 14 de novembro de 1938, na cidade de Curitiba (PR), Piazzetta não conheceu o avô, pianista, mas acredita que herdou dele o gosto por música. Sua carreira musical iniciou aos 9 anos, tocando caixa em escolas de samba de Curitiba. Ele recorda um episódio que marcou sua infância: “Meu tio, José Santiago de Oliveira, era diretor da Caprichosos de Pilares, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, fui ao Rio com meus pais e tive o prazer de tocar repinique no ensaio da escola de samba. Meu tio desejou que eu morasse por lá, para estudar música, mas eu era filho único, muito apegado à mãe, e não quis”. Com 14 anos de idade, o jovem Luiz Antonio começou a tocar bateria e, até mesmo, tocou em boates, acompanhando o cantor Miltinho, autor do sucesso “Palhaçada”, de 1961.
Aos 18 anos, foi convocado para servir ao Exército. Em seguida, se casou com Mirlete Muller Piazzetta: “com uma mulher bonita como aquela, foi impossível não me apaixonar”. Logo, aos 21 anos de idade, entrou para a Polícia Militar do Paraná (PMPR) e, inevitavelmente, para a Banda de Música da PMPR, onde tocou tímpano, caixa clara e prato bongo, e dedicou boa parte de sua trajetória. Nesse período, estudou música na Academia de Belas Artes, para se formar como Cabo Músico.

O apaixonado por música destaca suas principais contribuições durante os 30 anos à frente da Banda de Música da PMPR: “participei da gravação de oito discos; vencemos o concurso nacional de bandas, em 1964; tocamos ao lado do rei Roberto Carlos, na época da Jovem Guarda e, por fim, atuei como Sargenteante da banda”. Concluindo uma trajetória de muitas histórias e melodias, aos 50 anos de idade, Piazzetta se aposentou como Sargento da Polícia Militar do Paraná. Segundo Mirtes: “ele (Piazzetta) sempre foi muito trabalhador e, mesmo depois de aposentado, continuou se envolvendo com projetos musicais”.

Ainda em Curitiba, iniciou mais de 50 fanfarras escolares e atuou como professor de percussão musical na Escolinha de Arte do Colégio Estadual do Paraná. Posteriormente, trabalhou como empresário musical nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, gerenciando o início da carreira de grandes nomes do cenário musical, como a dupla Gyan & Giovani, Martinho da Vila, Gretchen e o falecido Cauby Peixoto.
Contudo, acredita que seu maior legado à capital paranaense foi enquanto maestro e fundador de uma orquestra, a Status Band Musical Show: “Nós tocávamos em bailes, boates, eventos militares, festas particulares e nos clubes mais renomados do país. Para dimensionar a qualidade de meus músicos, gosto de citar Dironil (hoje, já falecido) que, mais tarde, se tornou saxofonista do rei Roberto. Infelizmente, os melhores integrantes vieram a falecer o projeto foi interrompido. Mas a orquestra sempre foi e sempre será, para mim, sinônimo de muito orgulho”.

Trajetória em Itapoá

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Centenas de alunos da rede municipal fizeram parte da história da
Fanfarra Municipal de Itapoá, sob regência do Mestre Piazzetta.

Por conta da Associação de Subtenentes e Sargentos da PMPR, localizada na região do Pontal, Piazzetta já frequentava as praias itapoaenses desde 1959. Mas foi em meados dos anos 2000 que encontrou a oportunidade ideal para residir no município litorâneo junto à família.
Em um primeiro momento, ministrou aulas de dança na Associação dos Idosos Maria Izabel. Já em 2001, foi convidado para criar a famosa Fanfarra Municipal de Itapoá. “Naquele tempo, Ervino Sperandio e Márcia Regina Eggert Soares (prefeito e secretária de educação da época), a quem agradeço até hoje, souberam que eu tocava em uma igreja e desejaram conhecer minha trajetória musical. No início da fanfarra, foram comprados alguns instrumentos musicais, outros foram doados de Curitiba”, recorda o Mestre.

 

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Alunos das Escolas João Monteiro Cabral e Alberto Speck juntamente com um grupo de alunos
participantes da Fanfara, prestaram homenagem em 2016 ao mestre, em sua residência.

Sob sua regência, a fanfarra fez a alegria de centenas de alunos da rede municipal, ensinando cerca de 40 instrumentos e trabalhando ritmos, como samba, olodum, timbalada e anos 60. Saudoso, lembra: “A Fanfarra Municipal de Itapoá foi muito aplaudida na cidade de Itapema (SC) e ficou entre as 33 melhores no V Festival Nacional de Verão de Bandas e Fanfarras”. Anos mais tarde, a banda passou a integrar uma das disciplinas do extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE). Ao todo, foram 15 anos de grandes feitos pela Fanfarra Municipal de Itapoá.
Também no município, Piazzetta organizou Carnavais de Rua, fundou o Bloco das Baianas (do Clube Céu Azul da Terceira Idade, do Pontal) e foi campeão como Mestre do Bloco do Brasão por dois anos consecutivos.

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Um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova
versão do Hino de Itapoá, com banda e coral.

Mas um de seus maiores orgulhos foi ter participado, há 3 anos, da harmonização da nova versão do Hino de Itapoá, com banda e coral: “Foi um projeto trabalhoso, mas o resultado me rendeu muitas alegrias. Quando assisti à apresentação do hino, com a banda do 62º Batalhão de Infantaria do Exército, em Joinville (SC), não contive a emoção”. Segundo o Mestre, esse é um legado que pretende deixar para todos os seus familiares e munícipes. Porém, Piazzetta lamenta: “muitos lugares ainda não se atualizaram e apresentam a antiga versão do Hino de Itapoá como oficial”.

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Piazetta recebeu medalha de honra ao mérito pelos serviços prestados à comunidade no ano de 2015. (Foto arquivo)

O sonho continua
Há 61 anos casado com Mirlete, é pai de quatro filhos: Ogimar Natal Piazzetta, Margareth de Fátima Piazzetta Antunes, Sirlete do Rocio Piazzetta e Paulo Roberto Piazzetta – este último, segue seus passos, está estudando para cursar Música e se tornar Mestre. De geração em geração, os netos e bisnetos também têm afinidade com os ritmos e as notas musicais.
Recentemente, nas festividades de Natal de 2017, Piazzetta e o filho Paulo reviveram a Fanfarra Municipal de Itapoá por alguns meses, o que rendeu, inclusive, uma homenagem da banda do 62º Batalhão de Infantaria. “Foi uma alegria viver isso novamente. Desde que a fanfarra acabou, tive depressão e adoeci. Se Deus quiser, esse projeto voltará à ativa e terei a honra de retomá-lo, dessa vez, na companhia de meu filho Paulo”, fala. Além da fanfarra, Piazzetta também sonha em fundar uma Banda Marcial de Itapoá, apenas com metais.
Aos 79 anos de idade e dono de um extenso currículo no meio musical, depois de algum tempo de conversa, tentamos questionar Piazzetta sobre sua vida pessoal, algo que não fosse relacionado à música, mas não teve jeito. Como ele mesmo diz: “A música é minha verdadeira paixão. Eu vivo a percussão musical”.