Sustentável, arquitetura em container gera economia e versatilidade

 A estrutura metálica dos containers tem ganhado cada vez mais espaço e sai dos portos para as ruas. No município de Itapoá, a alternativa chama a atenção de empreendedores, que investem em uma estrutura flexível, sustentável e com visual de impacto.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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A arquiteta Denise Zanelato construiu sua casa e seu escritório tendo como matéria-prima o container.

É o caso da arquiteta Denise Zanelato, que teve sua visão da arquitetura aprimorada constantemente através da sua paixão por pesquisas e cursos, e da observação em suas viagens pelo mundo. Ao projetar seu escritório e sua casa, localizados no mesmo terreno, ela priorizou praticidade, versatilidade, originalidade e, principalmente, economia. “Pensei em construir uma estrutura de container intercalando com outros materiais e, quanto mais pesquisava referências, mais me empolgava”, conta.

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Em seu projeto, ela pintou os containers e intercalou vidro, madeira e paisagismo.

Em Itapoá, ela comprou um container cru de 12,20 m X 2,44 m X 2,89 de altura e, a partir daí, começou a “brincar” com seus formatos e outros materiais. O container foi recortado em duas partes: 4,20 metros foram destinados ao escritório de Denise, e 8 metros para a sua casa. Realiza a fundação, foram utilizadas brocas de 40 X 40. A arquiteta escolheu os pisos e, em seguida, foi colocada uma barra metálica para instalar os vidros das portas e janelas, e madeira para o deck e ampliação de uma área de lazer, coberta com telha Onduline. Por fim, a rede elétrica foi instalada pelo lado externo do container. A caixa da água foi colocada no ponto mais alto da cobertura e recebeu o forro de madeira para fechamento. No interior de seu escritório, ela optou por uma divisória de gesso acartonado revestida com tecido para o lavabo. Os containers também foram pintados (dentro e fora) por Denise com as cores branca e bordô.

Hoje, ela se diz satisfeita por ter projetado sua casa dentro de um container, uma vez que mora sozinha. “Também gosto da funcionalidade e do deslocamento em meu escritório, mas, se pudesse mudar alguma coisa, construiria o banheiro do lado de fora. Revestir todo o banheiro, e não parte dele, também é uma boa opção. A questão de encanamento também deve ser muito planejada, pois não é todo lugar que é possível cortar o container (nos cantos, por exemplo, não dá). A ideia, em alguns casos, é deixar a cuba para fora, diminuindo o tamanho do banheiro e, consequentemente o revestimento”, fala.

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Maquete e planta de uma residência com container, desenvolvido por Denise.

Com base em sua experiência de construção, Denise afirma que o container é, sim, uma opção mais rápida, prática, sustentável e econômica, mas ressalta: “Ele será uma opção barata se for comprado e utilizado cru ou, então, se a pessoa investir em um modelo reefer (container térmico), que já contém o isolamento térmico em seu interior e é todo feito de aço inox ou alumínio, pois, neste caso, fica mais fácil de aplicar um acabamento”.

A arquitetura em container e o design diferenciado fazem com que o escritório e a casa de Denise atraiam a curiosidade de muitas pessoas. Recentemente, a arquiteta também vem elaborando diversos projetos tendo o container como matéria-prima. Para a profissional, o material é versátil, mas o sucesso da obra depende do planejamento. Procedência e um bom estudo de ambiente também são imprescindíveis para garantir a sustentabilidade e flexibilidade da construção.

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Algumas maquetes de projetos realizados pela arquiteta para pessoas e empreendedores.

Inúmeras vantagens e utilidades

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Em Itapoá, Samuel Peixe trabalha com venda, aluguel e reparo de containers. Junto de sua esposa Luciane Motta, ele abriu uma galeria de lojas feitas em containers no centro do município.

Em Itapoá, a empresa Reparsul presta serviços para terminais portuários, como reparos e manutenções de containers, além de vender, alugar e consertar containers para pessoas físicas. Samuel Peixe, proprietário da empresa, afirma que, cada vez mais, os itapoaenses estão em busca deste material para construir, especialmente para fins comerciais.

De acordo com o profissional, as principais vantagens de utilizar um container são: ter uma obra mais limpa, com redução de entulho e outros materiais; rapidez na execução; economia de recursos naturais, como areia, água, etc.; reutilização do material; imóvel com apelo moderno, graças à aparência e às possibilidades que o material oferece; flexibilidade, pois a construção pode ser desmontada e montada em outro terreno; baixo custo, uma vez que, se bem administrada, a construção com container pode ser até 35% mais barata do que a convencional; durabilidade, pois o material é projetado para resistir às diversas intempéries e suportar grandes cargas, entre outras.

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Ele explica sobre os tipos mais comuns de containers utilizados na construção: “o container marítimo ‘Dry’, feito de aço corten, muito resistente à corrosão, porém, sem isolamento; e o container reefer, utilizado para transportar carga congelada e resfriada, sendo mais visado para a construção de casas e projetos habitáveis, graças ao seu forte isolamento”. Versátil, este material pode se transformar em casa, escritório, estúdio, garagem, depósito, salas de aula de uma escola, abrigos de emergência, etc.

Na avenida André Rodrigues de Freitas, em Itapema do Norte, junto de sua esposa Luciane Motta, Samuel criou uma galeria de containers, todos coloridos, e cada um deles para um fim específico: loja de roupa infantil (que tem Luciane como proprietária), loja de acessórios, cafeteria, etc. Na galeria, os banheiros foram construídos no interior do container.

Vale ressaltar que construir uma residência ou um comércio com este material exige praticamente os mesmos padrões da construção civil, como projeto, entrada na prefeitura, alvará e afins. Outra dica de Samuel é: “procurar profissionais especializados para fazer o acabamento do seu container, pois muitos costumam fazer por conta própria e encontram problemas, já que os produtos utilizados devem ser específicos, como produtos de linhas marítimas e industriais”.

Muito comum na Europa, este tipo de moradia ou estabelecimento vem se popularizando no Brasil e chamando a atenção dos melhores arquitetos e dos clientes mais ousados. Durante a rotina de trabalho na loja da galeria, Luciane afirma que as pessoas demonstram bastante curiosidade pelo material: “é algo diferente, moderno e versátil, acredito que este material deixa qualquer proposta mais interessante”. Pode parecer loucura à primeira vista, mas aqueles imensos caixotes de aço utilizados para transportar e armazenar mercadorias podem ser a opção ideal para a sua moradia ou o seu negócio – a arquiteta Denise e o casal Luciane e Samuel que o digam.

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Conheça o Riviera Santa Maria: um novo destino para Itapoá

Atualmente, Itapoá vive uma fase de constante desenvolvimento, e o progresso não para por aí: em poucos anos, o Riviera Santa Maria irá gerar uma nova identidade para o município. Proporcionando a integração entre moradia, praia, esporte, natureza, cultura e qualidade urbana, este empreendimento moderno e sustentável marcará a Itapoá do futuro.
Para saber mais sobre o assunto, conversamos com o empresário Raul Ivan Delavy – morador de Itapoá há trinta anos e um dos idealizadores do Riviera Santa Maria. Em entrevista à revista Giropop, Raul esclarece as dúvidas sobre a origem, o objetivo e o andamento deste projeto, que deverá ser implantado em breve e terá um grande impacto no município.

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Em entrevista, o empresário e um dos idealizadores do Riviera Santa Maria, Raul Ivan Delavy, esclarece questões acerca do empreendimento

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Giropop: Quais são as empresas responsáveis pelo Riviera Santa Maria?
Raul Ivan Delavy: O projeto está sendo desenvolvido pelo Grupo Y, que compõe as empresas PHD, Clipper, A2V e Atlântico Sul, especializadas nas áreas financeira, imobiliária, jurídica, de arquitetura e desenvolvimento de projetos; além da IGG, empresa proprietária da área, pertencente à família Gunther, que é representa por Rubens Geraldo Gunther.

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Equipe multidisciplinar do Riviera Santa Maria na casa e escritório do renomado urbanista
Jaime Lerner.

 Giropop: Como surgiu este projeto?
Raul Ivan Delavy: No fim da década de 60, o fundador da IGG, Geraldo Mariano Gunther, iniciou os estudos para a implantação do Loteamento Santa Maria, mas as dificuldades encontradas foram postergando o início da comercialização. Em 1992, já em uma nova realidade, a família Gunther iniciou a implantação de alguns condomínios na área e, em 1999, com a retificação e unificação da área, foi possível iniciar estudos de maior envergadura. Por orientação do fundador da IGG, a ocupação da área deveria atender os critérios urbanísticos modernos e ser ambientalmente responsável e sustentável. Em 2011, o Grupo Y apresentou uma proposta que atendeu tais critérios e, em 2012, a proposta foi analisada e aprovada pelos sócios da IGG. Já em 2013, aconteceu na antiga casa de shows Maresia Música Bar a apresentação para a comunidade do estudo conceitual do Riviera, pelo renomado urbanista Jaime Lerner, contratado para criar o masterplan (ferramenta que soluciona problemas e define o planejamento urbano de uma cidade ou, neste caso, de um loteamento) do projeto. Em 2014, aconteceu a Audiência Pública como parte do processo iniciado meses antes com o protoclo do EIA (Estudo de Impacto Ambiental) junto à FATMA, órgão ambiental estadual. Enfim, em outubro de 2016, foi concedida a LAP (Licença Ambiental Prévia) ao empreendimento.

Giropop: Desde sua origem, qual a prioridade estabelecida pela família Gunther?
Raul Ivan Delavy: A prioridade foi buscar um projeto transformador, que beneficiasse o município. Na elaboração do plano, foram contemplados diversos conceitos urbanísticos modernos, objetivando atender a demanda tanto de moradores quanto de veranistas.

Giropop: Muitas das ideias para o projeto Riviera Santa Maria surgiram de viagens realizadas mundo afora. Quais as principais inspirações para o plano do empreendimento?
Raul Ivan Delavy: Muito do que está no masterplan é resultado da experiência obtida pelos integrantes do projeto em viagens no Brasil e exterior. Recentemente, o grupo esteve no Chile, visitando algumas implantações da Crystal Lagoons (www.crystal-lagoons.com) – uma tecnologia que permite construir e manter lagoas cristalinas, tanto para banho quanto para prática de esportes aquáticos, a custos razoáveis. Seria mais um ponto de atração, com operação o ano todo, dentro do Riviera. É uma ideia que está sendo estudada. Estivemos também em Cartagena e na Ilha de San Andrés, na Colômbia, aonde observamos detalhes na implementação de espaços de lazer públicos, ruas e calçadas que poderão ser aplicados no Riviera. Na costa caribenha da Colômbia, em um raio de 200 km, há tres cidades litorâneas, todas com a mesma simbiose que a nova Itapoá: turismo de praia, pescadores artesanais e portos de gande porte. Visitamos Cartagena, Barranquila e Santa Marta, para entender a convivência entre elas e, também, conhecer as ferramentas utilizadas para macro e micro drenagem. É um processo constante de conhecer e adaptar boas práticas implementadas em outras cidades.

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As lagoas artificiais também servem de inspiração para o projeto do Riviera. Da esquerda para a direita: lagoa artificial San Alfonso del Mar e lagoa artificial Las Brisas de Santo Domingo, ambas no Chile.

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 Giropop: Como você enxerga a atual Itapoá e quais as inovações que o empreendimento pretende trazer ao município?
Raul Ivan Delavy: Itapoá passa por um momento de grande demanda por habitações, tanto em função da ampliação das operações do Porto quanto do aumento do número de veranistas. E a dimensão e localização da área do Riviera Santa Maria são fatores estratégicos, que o tornam um marco urbanístico importante para o município. As inovações são muitas, como os grandes espaços públicos para gastronomia, compras e lazer, as áreas verdes, lagoas, ciclovias e ruas apenas para pedestres. O destaque, porém, é para o conceito de vida em vizinhança, resultado da experiência de Jaime Lerner na administração de Curitiba e no planejamento de inúmeras cidades.

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Muito do que está no plano do Riviera é resultado da experiência obtida pelos integrantes do projeto em viagens no Brasil e exterior, como o calçadão da Rambla à beira-mar, em Santa Marta, na Colômbia.

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Rambla localizada em Barranquilla, na Colômbina.

Giropop: Fale um pouco mais sobre este conceito de vida em vizinhança.
Raul Ivan Delavy: A ideia é que se possa trabalhar e morar na mesma área. E que também o comércio, saúde, educação, lazer e serviços públicos fiquem o mais próximo possível, permitindo deslocamentos a pé ou de bicicleta e, consequentemente, diminuindo o tráfego de veículos. Acreditamos que, para uma vida pacífica em comunidade, é preciso aceitar e estimular a diversidade, absorvendo a mistura de atividades e rendas.

 Giropop: Quais são as principais atrações previstas para o Riviera Santa Maria?
Raul Ivan Delavy: Haverá uma Rambla, uma avenida para convivência, turismo, gastronomia e entretenimento, inspirada na que existe em Barcelona, na Espanha. O popular Caminho da Onça, outra avenida, deverá abrigar os estabelecimentos comerciais e de serviços de maior porte. Estão previstos, por exemplo, espaços para creches, postos de saúde, escolas e dois lagos, com muita área verde, para entremear as moradias, sejam casas ou apartamentos. Além disso, um dos pontos altos do plano do Riveira é a alocação da área de frente para o mar, o que Jaime Lerner chamou de Praia de Bambu.

 Giropop: O que será, exatamente, a Praia de Bambu?
Raul Ivan Delavy: Neste espaço, de uso público, ficarão lojas, restaurantes e áreas de descanso e lazer. Uma alameda para pedestres fará a conexão entre os estabelecimentos. As construções e o passeio terão cobertura de bambu, em formatos diversos, criando, assim, uma identidade própria.

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 Giropop: Muitas pessoas e empresas estão envolvidas nessa etapa de planejamento?
Raul Ivan Delavy: Sim, são cerca de vinte pessoas envolvidas nessa etapa, algumas de Curitiba, outras de Camboriú, Joinville e Itapoá. Tem o pessoal da Jaime Lerner Arquitetos Associados, que continua ajustando o masterplan para atender as demandas legais e as novas ideias que vão surgindo; tem a equipe da Acquaplan, que ainda trabalha no processo de licenciamento; os componentes da Vector, que estão cuidando do levantamento topográfico e dos projetos básicos da infraestrutura; e, ainda, os integrantes da IGG e do Grupo Y, que se reúnem regularmente para discutir novas ideias e encontrar soluções.

 Giropop: Atualmente, o Riviera Santa Maria se encontra em qual etapa?
Raul Ivan Delavy: Atualmente, estamos trabalhando nos projetos da infraestrutura – um dos requisitos para a obtenção da LAI (Licença Ambiental de Implantação). Somente após a concessão desta última licença é que poderemos, enfim, iniciar as obras.

Giropop: Durante a execução do projeto serão contratadas mais empresas e profissionais de Itapoá?
Raul Ivan Delavy: Sim. Quando iniciadas as obras será dada preferência para empresas e prestadores de serviço de Itapoá, sempre que atenderem as pré-qualificações técnicas e os altos padrões de qualidade que o projeto exige.

 Giropop: Há ano previsto para lançamento do empreendimento?
Raul Ivan Delavy: O processo de licenciamento para um empreendimento deste porte é muito burocrático e demorado. Para se ter uma ideia, a partir da Audiência Pública, o prazo legal para a FATMA conceder (ou negar) a LAP é de um ano. No nosso caso, foram dois anos e meio. Estamos fazendo o possível para obter a última licença ainda este ano. Acreditamos que no ano que vem já possamos iniciar as obras de infraestrutura e formalizar a apresentação da primeira fase do empreendimento. Ao todo, o projeto compreende seis fases e sua implantação completa deve levar quinze anos.

 Giropop: Em nome de todos os envolvidos no projeto, o que você diria aos munícipes que estão ansiosos para a chegada do Riviera Santa Maria?
Raul Ivan Delavy: Queremos assegurar aos moradores de Itapoá que estamos fazendo o possível para entregar um empreendimento do qual todos poderão se orgulhar. Estão sendo tomadas todas as medidas legais, ambientais e de concepção de projeto para que o Riviera se torne um marco urbanístico e traga mais desenvolvimento ao município. É um projeto inclusivo, com um novo conceito em desenvolvimento urbano, que vem para benefício de todos. Será um novo destino. Estamos quase lá! Basta um pouco mais de paciência.

No site oficial do empreendimento (www.rivierasantamaria.com.br) é possível ter acesso a diversas informações, inclusive, à apresentação do Estudo Conceitual na íntegra. O site também permite que o visitante cadastre o seu e-mail para receber o boletim eletrônico com notícias do andamento do projeto.

Já no Facebook, a página Riviera Santa Maria (www.facebook.com/rivierasantamaria) também alimenta os interessados com conteúdos acerca do projeto.

Queimadas em quintais e terrenos baldios afetam o meio ambiente e são tipificadas como crime ambiental

O mês de agosto é considerado o auge da seca do inverno no Brasil. Falta de chuva, baixa umidade e fumaça no ar, por conta do aumento das queimadas, são problemas comuns em muitas regiões do país, inclusive, no município de Itapoá. Para alertar sobre este problema ambiental, entramos em contato com o Corpo de Bombeiros Militar de Itapoá, além de empresas do município que realizam a destinação correta de materiais e resíduos e, ainda, conhecemos as leis ambientais.
É bom lembrar: a prática da queimada prejudica o meio ambiente, causa transtornos aos moradores, é considerada crime ambiental e deve ser  fiscalizada e denunciada por todos os munícipes.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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As queimadas, tão maléficas ao meio ambiente e à população, são ainda mais comuns nos meses de estiagem.

Se sobrevoarmos os bairros de nosso município, especialmente no final da tarde, veremos algumas nuvens de fumaça e focos de incêndio, provenientes da queima de lixo, de folhas e galhos de árvores, de restos de móveis, entre outros materiais. Não é novidade que, há gerações, a prática da queimada é tradicional em Itapoá, mas os tempos mudaram: a população cresceu e, consequentemente, o lixo e os problemas ambientais, também.
As queimadas no perímetro urbano são bastante prejudiciais à biodiversidade local, pois poluem o ar e acabam matando pequenos animais e plantas, além de comprometer a fertilidade dos solos. O fogo no quintal ou terreno baldio também acaba levando para dentro das residências cobras, aranhas, ratos, entre outras espécies que, fora do seu habitat natural, buscam lugares seguros e podem causar acidentes aos seres humanos.
Além disso, as queimadas afetam também a saúde da população. De acordo com os médicos, a fumaça e a fuligem diminuem a qualidade do ar e provocam doenças respiratórias, como asma, bronquite e rinite alérgica, atingindo, principalmente, crianças e idosos.
Também é importante salientar a diferença entre incêndios e queimadas: os primeiros (os incêndios) se tratam de proporções perigosas, onde não haja alguém controlando o fogo, podendo ser provocado de forma natural ou antropológica; enquanto as queimadas se tratam de incêndios intencionais em menores proporções, realizados em quintais ou lotes baldios para a queimada de materiais ou resíduos. Mas, vale lembrar que, assim como nos é transmitido através de noticiários, muitos incêndios se iniciam com uma simples queimada em um terreno baldio ou no quintal de casa.
O Corpo de Bombeiros Militar de Itapoá vem constantemente orientando as pessoas sobre os perigos e transtornos que as queimadas provocam e orienta os moradores a evitarem esta prática. De acordo com Sub Tenente Luz, “a incidência de queimadas, geralmente, é maior ao final do mês de agosto e pode persistir até o final de outubro, se a estiagem for prolongada em nossa região”. Ele também informa que, somente no ano de 2016, foram contabilizados 20 incêndios relacionados à limpeza ou materiais para descarte.
E não para por aí: a prática de botar fogo em materiais domiciliares é tipificada como crime ambiental e o responsável pode ser punido.

O que diz a Lei
Segundo a Lei n. 9.605/98, Art. 41, provocar incêndio em mata ou floresta é crime ambiental, sob pena de dois a quatro anos de reclusão e multa, se houver flagrante. Também na Lei n. 12.305/2010, Art. 47, é proibido destinar resíduos sólidos ou rejeitos para a queima a céu aberto ou em recipientes, instalações e equipamentos não licenciados para essa finalidade. Já a Lei Complementar Municipal n. 050/2016, que institui o Código de Obras e Posturas do Município de Itapoá, Art. 183, proíbe a queima de resíduos sólidos ou líquidos a céu aberto, bem como sua deposição em cursos d’água. Por fim, vale ressaltar, também, que segundo a Lei 4.657/1942, Art. 3, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”.

Destinando seu lixo
Entendido que, de acordo com a Lei, a prática da queimada é terminantemente proibida, é bom lembrar que existem outros meios de destinação para o lixo, materiais ou resíduos – meios estes, legais, apropriados, recicláveis e que podem ajudar muitas pessoas.
Em Itapoá, a Surbi é a empresa responsável pela coleta de lixo domiciliar, que passa, de segunda-feira a sábado, em todas as localidades do município, e destina o material para a Associação de Catadores e Carroceiros de Itapoá. Segundo Maria Aparecida Maçaneiro, coordenadora geral da associação, lá, todo o lixo é separado e categorizado de acordo com o tipo de material (garrafa pet, vidro, plástico, papelão, isopor, ferro e afins) e vendido para empresas de reciclagem. “Também recebemos aparelhos eletrônicos e móveis em bom estado ou que possam ser restaurados, para doar às famílias de baixa renda”, conta.
Há também o Aterro de Resíduos da Construção Civil e Inertes que, através da empresa Disk Entulhos, pode providenciar a recolha dos materiais em questão, onde o proprietário (gerador) paga uma taxa conforme o volume e as características do resíduo. Em um pátio devidamente legalizado, a empresa recebe os resíduos da construção civil (entulhos), tais como alvenaria, demolição, concreto, tijolos, telhas, pisos, solos, madeira de caixaria, cepos, raizeiros e podas de árvores – muitos deles destinados à geração de energia, sendo picados e utilizados em caldeiras, na produção de carvão, ou como material de enriquecimento de solo agrícola.
Com os resíduos úmidos – restos de cozinha e jardins, especialmente folhas de árvores, que são os principais motivos das queimadas –, Maria sugestiona que sejam utilizados como adubo orgânico para uma horta. “Se você não tem condições ou, então, não deseja ter uma horta em casa, algum vizinho ou, até mesmo, alguma escola pode querer. Também penso que seria legal se fosse criado um projeto para transformar terrenos baldios em hortas comunitárias”, fala Maria.
Para entrar em contato com a empresa Disk Entulhos Itapema, basta ligar para (47) 99901-9555 (Alceu) ou (47) 99686-0322 (Dyoni). Já para saber mais sobre o trabalho da Associação de Catadores e Carroceiros de Itapoá, basta falar com Maria, através do número (47) 99920-5592. Além desses meios de destinação dos resíduos, vale lembrar que dezenas de carroceiros garantem o prato de comida junto à limpeza do município, recolhendo recicláveis das ruas, das lixeiras e até da praia.

Saiba como denunciar
Nas situações de incêndios criminosos, em proporções perigosas, onde não haja alguém controlando o fogo, a comunidade deve acionar o Corpo de Bombeiros Militar de Itapoá, através do número 193. Neste caso, é fundamental que sejam passadas todas as informações como, por exemplo, localização, posição do incêndio e gravidade da situação.
Entretanto, incêndios intencionais em quintais ou terrenos baldios para a queimada de materiais e resíduos, em menores proporções, devem ser denunciados para a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Itapoá, através do telefone 3443-0244. No caso de propriedades particulares, além da localização, o denunciante deve informar, se possível, a identidade do proprietário, que será punido quando pego em flagrante. Vale ressaltar que a identidade do denunciante será mantida sob sigilo.
E, agora que o assunto já foi esclarecido, basta cada munícipe fazer a sua parte: não praticar esse crime, passar as informações para amigos e familiares, e, se possível, denunciar, pois o tempo seco somado às pequenas queimadas pode resultar em misturas explosivas e danosas ao nosso corpo e ao nosso planeta.

 

Casal alimenta, castra e resgata cachorros de rua em Itapoá

Apaixonado por cães “desde que se conhece por gente”, o casal Simone Abud e Paulo Sergio Fcachenco já alimentou, castrou e resgatou inúmeros cachorros
de rua na Argentina, nos Estados Unidos da América e no Brasil, mais
precisamente no município de Itapoá-SC – tudo isso, voluntariamente, pelo simples fato de amar os animais.
Em entrevista à Revista Giropop, eles
falam sobre a necessidade de uma política pública voltada ao cuidado dos animais, a importância da adoção em relação à compra dos mesmos, e o papel de cada munícipe na causa contra o abandono dos bichinhos – um problema cada vez mais recorrente em Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Casal Paulo Sergio Fcachenco e Simone Abud

Em entrevista à Revista Giropop, eles falam sobre a necessidade de uma política pública voltada ao cuidado dos animais, a importância da adoção em relação à compra dos mesmos, e o papel de cada munícipe na causa contra o abandono dos bichinhos – um problema cada vez mais recorrente em Itapoá.
Durante muitos anos, Paulo e Simone moraram na Argentina, onde afirmam que a situação dos cachorros de rua é ainda mais crítica. “Vivíamos em um haras de cavalos de polo, com mais de quarenta acres. Resgatamos dezenas de cachorros que viveram lá, até que saímos, definitivamente, da Argentina. Então, conseguimos adoção e transportamos vários deles para os EUA, enquanto alguns foram adotados no Brasil por amigos e o restante deles veio para Itapoá”, conta Paulo, que divide seu tempo entre o município litorâneo do norte catarinense, onde trabalha e se envolve em causas voluntárias em prol dos animais, e Miami, nos EUA – onde Simone se estabeleceu há mais de vinte anos e, com o esposo, já resgatou centenas de cães e gatos.

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Tanto em Miami quanto em Itapoá, Simone e Paulo têm muitos cachorros de estimação, todos adotados. São eles: Gracie, Amélia, Jake, Maggie, Lylah, Skye, Storm, Helena, George, Alex, Lola, James, Eros, Abu, Sin, Boba, Chica, Morocha, Ratito, Georgia, Picky, Leo, Bianca, Charlie e Ty. Sobre a compra de cães e gatos de raça, o casal se posiciona absolutamente contra. “Com a quantidade de animais dóceis nas ruas, que só querem amar, ser amados e ter um lugar quentinho para dormir, deixá-los sofrendo e morrendo nas ruas e comprar um, só porque é dessa ou daquela raça, é inadmissível. Acreditamos que animais não são bolsas ou sapatos de marca, para serem comprados, exibidos, usados e jogados fora. São seres com sentimentos, dores, medos e amor, como todos nós”, afirmam.
Todo o seu envolvimento com a adoção e a castração começou, simplesmente, por amor aos animais. “No Brasil, consideramos a questão de abandono e maus-tratos aos animais um absoluto desrespeito à vida, pois o poder público nada faz por eles e as pessoas parecem não se importar e, em Itapoá não é diferente: a maioria da população parece não enxergar estes animais indefesos e, os que enxergam, acreditam não ser problema deles”, fala Paulo, “felizmente, em Itapoá, tivemos o prazer de conhecer algumas poucas pessoas que compartilham do mesmo amor e respeito que temos por eles”.
Juntos, Simone e Paulo castram, alimentam diariamente e buscam lares onde os cachorros de rua sejam amados e cuidados, além disso, cuidam dos cães que estão doentes ou machucados. Para isso, contam com a ajuda de alguns poucos comércios de Itapoá, como a Panificadora e Confeitaria Maykon e o petshop Animal House, que contribuem com ração e castração, além de outros comerciantes que ajudam com o simples ato de colocar um pote com água e ração na porta de seus estabelecimentos, como os comerciantes do Maldaner Vidros e Alumínio, da A4 Papelaria, entre outros. Para eles, esta pequena atitude deveria se tornar comum no município, como encontraram em várias outras cidades tanto no Brasil como nos EUA.
Somente em Itapoá, o casal alimenta diversos cachorros que necessitam de ajuda diariamente: são, em média, trinta quilos de ração por semana. Além disso, eles também fornecem ração para algumas pessoas que adotaram os cãezinhos, mas não têm condições financeiras de alimentá-los. Atualmente, Simone e Paulo castram ou colaboram com a castração de oito a dez animais por mês, em parceria com a Dra. Angela Gomes, da Veterinária Itapoá.
Além das parcerias com os comerciantes e profissionais já mencionados, Paulo e Simone solucionam boa parte deste problema com recursos próprios. “Apesar das parcerias já estabelecidas, gostaríamos que todo comércio em Itapoá doasse, no mínimo, uma castração por mês. E, acima de tudo, que a prefeitura não somente apoiasse, mas também participasse ativamente para solucionar este problema, que é de interesse público”, dizem.
Para combater este problema no município de Itapoá, eles acreditam que é necessário educar a população sobre a importância da castração e vacinação, através de campanhas “que podem ser parcialmente financiadas com a criação de um imposto de 1% cobrado somente na alta temporada”, sugerem. Na opinião dos apaixonados por animais Paulo e Simone, o primeiro passo para solucionar o problema de abandono e maus-tratos a essas criaturas inocentes e sem voz é levar conhecimento e informação à população itapoaense, especialmente às pessoas de baixa renda.
Para os itapoaenses que desejam adotar um cãozinho de rua, basta entrar em contato com o casal através do WhatsApp +1 305 970 6514, do e-mail paulo.fcachenco@gmail.com, ou de seus perfis “Paulo Sérgio Fcachenco” e “Simone Abud” no Facebook.
Vale frisar que, em breve, Paulo e Simone também lançarão a campanha “SOS Castração”, oferecendo castrações para cães e gatos por apenas R$ 150,00.

 

Ondas, conquistas e sonhos do atleta itapoaense de surfe Ryan Cordeiro

Ele se apaixonou pelo esporte no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar, superou grandes nomes da nova geração do surfe catarinense e paranaense, liderou rankings e conquistou diversos títulos. Hoje, quando o assunto é surfe itapoaense, Ryan Cordeiro é destaque e serve de inspiração, especialmente para a nova geração de surfistas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Ryan Cordeiro começou a surfar no Projeto Ampliação de Jornada Escolar e, hoje, lidera rankings de campeonatos da região.

Sua história com o surfe começou em 2011, aos 10 anos de idade, no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE), provando a importância de uma política pública municipal comprometida com o esporte. Desde suas primeiras aulas, Ryan chamou atenção dos professores e se destacou nas ondas. “Os professores do Projeto AJE foram essenciais para que eu criasse gosto pelo esporte. Eles me levaram para competir fora de Itapoá pela primeira vez, me incentivaram para que eu comprasse minha primeira prancha de surfe e me motivaram a evoluir cada vez mais no esporte”, diz.

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O atleta na fábrica da Pró-Ilha Surfboards, um dos seus patrocinadores.

Depois de obter o 3º lugar em uma edição da Copa Catarinense de Surfe Infantojuvenil (Copinha), realizada em Itapoá, Ryan criou gosto por competições e passou a ter o objetivo de participar de todos os campeonatos da região e conhecer diferentes picos e ondas – e, assim, aconteceu. Por ser menor de idade, o atleta recebeu apoio de muitos amigos que o levaram e ainda o levam para competir Itapoá afora: “sou eternamente grato aos meus amigos Ricardo Brauer e Ronaldo Camarão, que já me ofereceram muitas caronas e, especialmente, a Elaine Nemoto (mãe da atleta Julie Arissa Nemoto Tamura) e ao atleta Gabriel Castigliola, meu treinador, empresário e grande amigo, a quem devo muito por minha evolução”, ressalta Ryan.

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Em Itapoá, seu município, Ryan costuma surfar as ondas da Terceira Pedra e em frente à tradicional Barra do Açaí. Entre os sonhos do surfista, está representar o Brasil no WCT.

Para os atletas da nova geração do surfe itapoaense, Gabriel Castigliola é tido como um “pai”, uma vez que treina, gerencia e torce pela carreira de muitos deles. Sobre Ryan, Gabriel afirma: “Gosto muito de poder passar o melhor daquilo que aprendi nestes longos anos dentro do mundo do surfe aos mais novos e, com o Ryan, não é diferente. Ele é um garoto educado, talentoso e com um futuro muito promissor no esporte. Eu o tenho como ‘filho’, ‘irmão’ e melhor amigo, ao mesmo tempo”.
Entre os melhores títulos já conquistados pelo surfista Ryan Cordeiro estão: Campeão Catarinense de Surf da categoria Iniciantes, em 2015; Vice-campeão da categoria Iniciantes do Circuito Surfuturo, em 2015; Campeão da categoria Sub-16 do Circuito Storm Kids, em 2016, entre outros pódios colecionados pelo atleta nas disputas dos circuitos Catarinense de Surf Amador, Paranaense de Surf Amador e da Associação Itapoaense de Surf.

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Ao final de 2016, Ryan teve sua primeira surftrip para o exterior. Na foto, ele em Lobitos, no Peru.

Para manter o bom desempenho nas ondas, a rotina do atleta é intensa: além dos treinos de surfe, que acontecem de acordo com as condições do mar, Ryan estuda, faz Pilates, treinamento funcional e, durante as temporadas, costuma trabalhar com a venda de pranchas de surfe na loja Tribo do Sol. “Quando as condições do mar não estão muito boas, costumo ficar um pouco depressivo”, brinca Ryan, “mas, em casa, gosto de assistir gravações onde eu estou surfando para corrigir e melhorar meus movimentos, além de assistir ao surfe de outros atletas que me inspiram”, conclui o surfista, que tem como inspiração os atletas profissionais Mick Fanning, Gabriel Medina e o “pai” Gabriel Castigliola.
Para o atleta Ryan, especializado em manobras de linha, o surfe representa mais que um esporte: “É todo um estilo de vida, de contato e respeito à natureza, que permite aos seus praticantes conhecimentos sobre ventos, ondulações, marés, luas, entre outros. Por isso, as pessoas costumam brincar ao dizer que todo surfista é um pouco meteorologista. O surfe também representa um eterno desafio, pois existem dias de mar bom e dias de mar ruim, e você tem que saber lidar com todas essas adversidades do tempo”.
Em meio a tantos nomes que contribuem com sua carreira no esporte, o surfista destaca os amigos Ronaldo Camarão, Gabriel Castigliola e sua mãe, Maria Helena Cordeiro, além de seus patrocinadores e apoiadores Pró-Ilha Surfboards, Prefeitura Municipal de Itapoá, New Arts Comunicação Visual, Tribo do Sol, Excusa Mama Tatuaria, Krovel City Beach, Inspira Estúdio de Pilates, Barra do Açaí e Soul Fins. Ainda assim, para cobrir os inúmeros gastos exigidos pelo esporte, como inscrições, viagens, hospedagem, alimentação e equipamentos, o atleta está em busca de um patrocínio master, que proporcione ainda mais evolução em sua performance.
Hoje, aos 16 anos de idade, Ryan Cordeiro está se fortalecendo para competir o circuito paranaense e, em 2018, planeja participar do circuito de acesso à elite do surfe (WQS), na Argentina. Através do surfe, ele pôde realizar alguns de seus sonhos, como, por exemplo, conhecer o surfista profissional Gabriel Medina, se tornar campeão catarinense de surfe e surfar as ondas de Lobitos, no Peru – sua primeira surftrip para o exterior. Mas, para o jovem, o oceano é o limite: “ainda sonho em competir em alto nível, representar o meu país no WCT e viver do esporte”.

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Conheça Zeca e Zia, os irmãos gêmeos mais populares de Itapoá

Quem mora em Itapoá-SC ou até mesmo frequenta suas praias durante as férias, já deve ter cruzado com estas duas figuras marcantes pelas ruas de Itapema do Norte: eles são Zeca e Zia, uns dos primeiros irmãos gêmeos nascidos no município. Muito populares e queridos entre os itapoaenses, além da própria aparência, os irmãos têm em comum a simpatia, o amor por Itapoá e, é claro, boas histórias para contar.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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À esquerda, José Bento Alves de Souza, o Zeca ou Zequinha,
já à direta, seu irmão gêmeo Josias Bento Alves de Souza, o Zia.

Essa história começa através dos falecidos Bento Alves de Souza, que veio da Bahia, e Ambrosina da Silva, que veio do Vale de Itapocu, em Santa Catarina. Juntos, eles tiveram onze filhos – quase todos batizados com nomes bíblicos –, entre eles, estão os gêmeos José Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zeca ou Zequinha, e Josias Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zia, nascidos dentro de casa, com a ajuda de uma parteira, em Itapoá, no ano de 1966.

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Baseado nos relatos de sua mãe Ambrosina, Zeca e Zia contam que nasceram com míngua (uma doença que afeta o desenvolvimento do bebê) e que a parteira lhes segurava com uma mão, enquanto lhes dava banho com a outra mão. Para curar os filhos, seu pai Bento fez a seguinte simpatia: entrou no mar e buscou água de sete ondas de um navio para banhá-los. Quando bebês, os gêmeos foram batizados na igreja católica, mas, quando cresceram, foram batizados novamente na igreja adventista, no Rio Mendanha, em Itapoá. Criados no município litorâneo, Zequinha e Zia sempre moraram próximo à praia, no bairro Itapema do Norte e, antigamente, para se comunicarem um com o outro da Primeira à Terceira Pedra, eles criaram seu próprio assovio.
Desde seu nascimento, a ligação dos gêmeos vai muito além da aparência. Eles contam que, por diversas vezes, sentiram as dores e alegrias um do outro à distância, tiveram os mesmos pensamentos e sonhos e, até mesmo, adoeceram na mesma época. Eles também relatam que dona Ambrosina tinha o costume de vestir os gêmeos com roupas iguais: “não porque era moda, como é nos dias atuais, mas, sim, porque usávamos as roupas com o tecido que tinha”, conta Zequinha.

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Por conta da semelhança física, Zequinha e Zia já foram confundidos por amigos, professores e, inclusive, pelos próprios pais. “Quando eu aprontava e notava que meus pais estavam me procurando, para me safar, dizia a eles que eu era o Zeca e, então, era ele (o Zeca) quem acabava apanhando”, recorda Zia, que se intitula como o mais peralta dos gêmeos. Até hoje, quando é confundido com o irmão, Zia fala que não desmente no momento, e que os irmãos se divertem com a situação: “já peguei carona de Itapoá até outra cidade e, somente quando cheguei ao destino final, contei que sou, na verdade, o Zia, e não o Zeca”.
Desde os tempos da infância a maior diversão dos irmãos é a praia: “éramos uns dos primeiros a chegar à praia, pela manhã, e uns dos últimos a deixa-la, quando já era noite”. Nas areias, suas individualidades começaram a se destacar nos esportes: Zia criou gosto pelo futebol, enquanto Zequinha se apaixonou pelo vôlei. Eles contam que aprenderam a pescar com seu pai, mas que não criaram muito gosto pela atividade. Anos depois, a escolha pelas profissões e estilos de vida também diferenciou os dois irmãos.
Em Itapoá, Zia trabalhou com construção e, principalmente, como garçom dos principais restaurantes e hotéis do município. “Sempre gostei de viajar e conhecer novos lugares, o que me motivou a deixar o município para tentar a vida em Curitiba-PR e no Rio de Janeiro-RJ, por alguns anos”, conta. Ele também lembra que, ao longo de sua vida, chegou a ser internado por problemas relacionados ao alcoolismo: “mas, felizmente, encontrei fé e cura na religião umbandista”, fala Zia, que, hoje, trabalha como vendedor no tradicional Mercado do Peixe de Itapoá e é pai de um menino de nove anos de idade, também morador do município.
Já Zequinha, autor dos típicos cumprimentos “oi, querida” e “fala, garoto”, conta que morou apenas cinco meses de sua vida fora do município litorâneo, em Curitiba, mas não se adaptou ao frio da capital paranaense. Assim como seu irmão, ele também trabalhou como garçom em Itapoá, além de atuar durante anos como zelador da Escola Estadual Nereu Ramos, como professor de Educação Física em diversas escolas do município e no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar, além de ter obtido o certificado técnico e básico de massoterapia e trabalhar como massoterapeuta.
No entanto, a fama de Zequinha se deve, principalmente, por, em 1991, começar a treinar seus colegas de classe no voleibol e, mais tarde, de 2002 a 2004, criar a primeira escolinha de treinamento de voleibol na rede escolar municipal e estadual de Itapoá, além de, gentilmente, montar suas próprias redes na praia para a diversão dos turistas – o que lhe rendeu o apelido de Zequinha do Vôlei. Para ele, o esporte é sinônimo de disciplina, responsabilidade, respeito e a melhor opção para a saúde e prevenção às drogas e, por isso, merece atenção: “existem grandes talentos no município, nas mais diversas modalidades; o que falta é incentivo”, diz Zequinha, que, em 2016 chegou a se candidatar a vereador nas eleições municipais, realizou o sonho de concluir a faculdade de educação física e que, recentemente, recebeu o diploma de massoterapeuta. “Por tudo aquilo que conquistei, agradeço imensamente ao ex-prefeito Ervino Sperandio, aos professores do curso de Educação Física da Univille, e aos meus amigos Rafaela, Sérgio Cavalo, Júlio César Abreu e Manassés Nogueira”, fala Zequinha.
Recentemente, no dia 15 de junho, os gêmeos completaram 51 anos de idade, mas, até hoje, são confundidos um com o outro. Atualmente, Zequinha e Zia residem juntos, em Itapema do Norte, mas têm rotinas e horários diferentes: enquanto o primeiro tem a massagem como fonte de renda e divide o tempo livre com o voleibol, o segundo trabalha durante o dia no Mercado do Peixe e passa as horas vagas curtindo seu filho e se dedicando à religião. Mesmo trabalhando em diferentes lugares, Zequinha e Zia garantem que conhecem quase todas as pessoas por onde andam, cada qual com sua fiel companheira, a bicicleta. E, assim, os gêmeos desejam continuar escrevendo a sua história, cercado de amigos, boas lembranças e no lugar que mais amam: Itapoá.

Transformando discos de vinil em relógios e quadros decorativos

Foi em um armário que Alessander Ramos, morador de Itapoá-SC, encontrou os primeiros discos de vinil abandonados. Com muita criatividade, ele passou a reutilizar e personalizar os objetos, transformando-os em belos relógios de parede e quadros decorativos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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De Itapoá, Alessander Ramos reutiliza os clássicos
discos de vinil para criar peças decorativas.

Desde pequeno, Alessander gosta de desenhar e, ao longo de sua vida, aprendeu a personalizar rodas de veículos, capacetes, capinhas de celular, entre outros objetos, com pintura hidrográfica. Sempre interessado por trabalhos manuais, certo dia, ele decidiu criar um relógio de parede utilizando um cano de PVC. “Com um soprador térmico, desentortei um cano de PVC de esgoto, deixando-o como uma folha de papel. Em seguida, cortei-o em formato redondo e fiz o meu primeiro relógio de parede. No entanto, eu procurava por outro material, que fosse mais flexível para o corte”, conta Alessander.
Foi aí que, há cerca de três meses, na festa de casamento de um primo, ele encontrou discos de vinil abandonados dentro de um armário, e resolveu dar cara nova aos objetos, criando relógios de parede decorativos e personalizados. A experiência deu certo, uma vez que o vinil é um tipo de plástico muito delicado e maleável, e o artista deu continuidade ao trabalho. “Particularmente, gosto muito dos discos de vinil (que eram a principal forma de se ouvir música no século XX), mas, infelizmente, a importância deste objeto vem sendo esquecida com o passar do tempo”, fala Alessander, “acredito que os relógios e quadros decorativos que crio, tendo como matéria-prima o vinil, sejam também uma forma de resgatar este objeto tão nostálgico para os mais velhos e tão novo para os mais jovens”.

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Em prol de suas criações, Alessander compra discos de vinil de sebos e de pessoas que não fazem mais uso dos mesmos. No momento de dar vida à peça, ele utiliza fita branca, para envelopar o disco e desenhar em cima, e micro retífica, para dar forma, através do corte e acabamento. O trabalho, que começou a ser valorizado pela família e amigos mais próximos de Alessander, hoje, é feito por encomendas para outras cidades e, até mesmo, estados do Brasil. As inspirações para suas criações vêm de bandas, filmes e séries, como Beatles, Batman e The Walking Dead.

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Para o artista, a atividade com os discos de vinil é como uma terapia. Além dos relógios e quadros decorativos feito com os discos de vinil, ele também cria quebra-cabeças em 3D e luminárias feitas com canos de PVC. Atualmente, ele trabalha em uma empresa de transporte e tem o artesanato como hobby e fonte de renda extra. “Eu amo fazer arte e, ao criar minhas peças, me sinto calmo e relaxado. Deposito todo o meu amor nelas”, diz Alessander, que ainda deseja aprender corte e costura, e aprimorar cada vez mais suas peças de vinil – sinônimo de estilo e história.

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Para o artista, a atividade com os discos de vinil é como uma terapia.

Deseja entrar em contato com o artista Alessander Ramos, que cria relógios e quadros decorativos feitos com disco de vinil? Envie uma mensagem para ele: (47) 99668-2099.