Iniciativa voluntária oportuniza a prática do surfe para crianças do município

Mesmo com a extinção do projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE), o professor David Lass, ao lado de Washington Oliveira Santos e Rodrigo Fernandes, desejou fazer mais pelo esporte em Itapoá. Hoje, voluntariamente, o trio ministra aulas de surfe e, superando inúmeros obstáculos, dá continuidade e incentivo ao sonho de crianças e adolescentes do município.

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Professores, alunos e pais do projeto de surfe “Primeiras Ondas”,
uma iniciativa de David Lass, Washington Oliveira e Rodrigo Fernandes.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

O ano era 2010 quando David iniciou a faculdade de Educação Física e começou a trabalhar na Ampliação de Jornada Escolar (AJE), um projeto gratuito para todas as crianças da rede municipal, mantido pela Prefeitura Municipal de Itapoá, onde, durante cinco anos, ministrou aulas de surfe – esporte que domina desde os 13 anos de idade, por influência do irmão mais velho. Contudo, o mesmo foi encerrado ao final de 2015, para corte de gastos, fato que o levou à depressão.
Ele recorda: “Mais que um emprego, o projeto era a minha alegria. Através dele, muitos alunos descobriram o mar, superaram traumas, evoluíram suas técnicas e manobras e, até mesmo, se revelaram grandes talentos do surfe itapoaense, como aconteceu com os atletas Ryan Cordeiro, Hedieferson Junior e Julie Arissa. Quando isso acabou, fiquei profundamente triste, não somente por mim, mas pelos outros professores, que também amavam o que faziam, e pelas crianças e jovens, que estavam descobrindo outros caminhos dentro do esporte e tiveram seus sonhos interrompidos”.

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 Através deste esporte, muitas crianças de Itapoá se desenvolvem,
se superam e até mesmo se revelam grandes talentos.

Primeiras ondas
Após um longo período em depressão, David diz ter fortalecido sua fé e recebido apoio de sua família, que o inspirou a criar um projeto social para dar continuidade às aulas de surfe. Para isso, ele contou com as Secretarias de Esporte e Educação do município, que disponibilizaram o empréstimo de pranchas de surfe e lycras (camisetas utilizadas para o surfe) que eram usadas na AJE. Nesta iniciativa, o professor de Educação Física também firmou parceria com os amigos Rodrigo Fernandes e com Washington Oliveira, um de seus ex-alunos da Ampliação de Jornada Escolar que, hoje, participa de competições de bodyboard. “É uma honra ter sido aluno do David e, anos depois, trabalhar com ele neste projeto, contribuindo com minha experiência no surfe e noções de salvamento e segurança, que pude adquirir através do curso de guarda-vidas”, diz Washington.
Desde o mês de junho, eles iniciaram, voluntariamente, o projeto “Primeiras Ondas”, cujo objetivo é oportunizar a prática do surfe e promover um momento de lazer diferenciado aos praticantes desta modalidade. Assim sendo, foram disponibilizadas e preenchidas vinte vagas gratuitas para crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade.
Mesmo sendo um trabalho voluntário, os professores se preocuparam em fazê-lo com muita seriedade, organização e responsabilidade, uma vez que, ao contrário do que acontecia no antigo projeto AJE, o projeto “Primeiras Ondas” conta com apenas três professores, acontece aos finais de semana, não possui sede própria para depósito dos materiais nem transporte público para deslocamento dos alunos. Por isso, David redigiu um projeto contendo objetivos, regras e requisitos, sendo um deles a obrigatoriedade da presença de um adulto responsável pelo aluno durante as aulas, para contribuir com sua segurança.

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Os pequenos surfistas
Dentre as vinte crianças, algumas estão começando no esporte graças à iniciativa de David, Washington e Rodrigo, enquanto outras já participavam das aulas de surfe na AJE, como é o caso da aluna Maria Julia Teixeira Vicentin, de 10 anos, que frequentava o extinto projeto e está bastante animada com a oportunidade de voltar às ondas. “Estou achando as aulas muito legais, porque brinco na água, adoro os professores e porque o surfe traz diversão para todo mundo”, conta Maria Julia.
Já o aluno Rafael Pedrozo Paz, de 11 anos, está tendo, agora, seu primeiro contato com o surfe. “Para mim, ele (o surfe) representa um sonho que estou realizando, pois, sem o projeto, não sei se conseguiria surfar”, comenta Rafael, que se diz mais disposto, feliz e confiante desde as primeiras ondas.
As irmãs Laura Francini Baldo Lopes, de 11 anos, e Paula Baldo Lopes, de 9 anos, também já faziam aulas de surfe na AJE e comentam como está sendo a experiência no projeto “Primeiras Ondas”: “Os professores são legais e nós gostamos muito das aulas. O surfe é uma atividade física que também serve de diversão e é muito legal porque passamos uma manhã diferente e estamos no mar, lugar que amamos”.
Além da alegria e entusiasmo das crianças, seus pais também reconhecem a importância da iniciativa, como Irene Pedrozo Paz, mãe de Rafael, que afirma que “os professores são muito profissionais, cuidadosos e compromissados com o trabalho”, e Claudia Solange Teixeira Vicentin, mãe de Maria Julia, que ressalta: “todas as crianças adoram as aulas e os professores do projeto, é uma pena que este tenha que ser voluntário”.
Carla Francini Baldo, mãe de Laura e Paula, acredita que as aulas de surfe permitam que as crianças saiam da zona de conforto e estejam preparadas para lidar com situações adversas. Ela também agradece aos professores e comenta: “Em um país onde quase nada se faz sem retorno financeiro, esta iniciativa é admirável e merece todo o respeito”.

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Na Terceira Pedra, as aulas são a alegria de muitas crianças nas manhãs de domingo.

Saiba como ajudar
Àqueles que desejam colaborar com o trabalho voluntário, são muitas as dificuldades: “Nosso apoio vem das Secretarias de Esporte e Educação que, vale frisar, colaboram apenas com o empréstimo de materiais. Como somos inteiramente responsáveis por eles (os materiais) e não temos onde guarda-los nem como transportá-los a pé até a praia, emprestamos apenas duas pranchas e poucas lycras e, por isso, algumas crianças ficaram isentas”. Desse modo, a ajuda pode ser feita através de caronas para o transporte do material ou das crianças, do apadrinhamento de um aluno que não tenha condições financeiras de adquirir uma lycra, de doação de frutas e alimentos para o momento de recreação ou, ainda, de prestígio e apoio à iniciativa.
Oportunizando a prática do surfe às crianças e adolescentes do município, evitando o sedentarismo e o contato com as drogas, e promovendo o trabalho em grupo, o projeto “Primeiras Ondas” vem sendo um sucesso e ressalta a importância de políticas públicas comprometidas com o esporte. Apesar dos obstáculos, David, Rodrigo e Washington afirmam que vale a pena abdicar o tempo livre para se dedicar ao ensinamento do esporte pelo qual se dizem apaixonados: “os abraços e sorrisos das crianças, depois de superarem o medo da água, ficarem em pé na prancha ou arriscarem uma manobra, é o que faz toda a diferença”.

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“Primeiras Ondas” As aulas acontecem aos domingos, das 8h30 às 10h (primeira turma) e das 10h às 11h30 (segunda turma), na região da Terceira Pedra, em Itapema do Norte.
Para inscrever seu filho na lista de espera basta comparecer à sede da Secretaria de Esportes ou, então, contribuir com o projeto, entre em contato com o professor David através do número (47) 9 9634-8533.

 

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Málaga / Lucas Guimarães: uma nova proposta para o futebol municipal

Há muito que os campos de futebol são palco de brigas, intrigas e inimizades. Pensando nisso, o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães vem trabalhando em uma nova proposta: formar novos jogadores e resgatar a verdadeira essência do futebol em Itapoá. Em entrevista, os amigos Joarí Soares e Michel Nunes falam sobre os novos rumos do projeto e afirmam que, no esporte, o que vale é se divertir, formar caráter e cultivar amizades.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Meninos do time Málaga / Lucas Guimarães. Em pé: Haimon (técnico), Luiz, Jackson, Jean, Wilian, Pedro, Raul, Bruno, João Ernesto, Gabriel Augusto, Matheus e Fabrício. Agachados: Kaio, Emanoel, Veiga, Conrado, Mateus Nogarotto, Eduardo, Joarí (presidente) e Michel (atleta e vice-presidente)

Em Itapoá, Joarí treinava o Málaga Futebol Clube, um time de futsal de alto rendimento, que participava de competições regionais. Já Michel, idealizou o projeto social Lucas Guimarães (que recebeu este nome em homenagem ao seu falecido amigo, companheiro de time e ex-aluno), cujo objetivo era compartilhar os aprendizados de sua carreira futebolística com crianças carentes do município. Por amor ao esporte e ao voluntariado, a dupla uniu forças e integrou ambas as propostas. Assim sendo, o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães ganhou comissão técnica, composta por Haimon Henrique (técnico) e Jackson Batista (auxiliar técnico), e diretoria, composta por Joarí (presidente), Michel (vice-presidente) e Laís Bernardi (tesoureira).

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O patrocinador Jerry Luis Sperandio (Sperandio Imóveis e Arquitetura), Joarí Soares (presidente do time), Haimon Henrique (técnico), Michel Nunes (atleta e vice-presidente) e, por fim, o patrocinador Jean Pablo Correa Rosa (Jean Ril Veículos de Itapoá).

Democrática, a união dos dois projetos abrange um grupo de mais de trinta alunos, na faixa etária de 14 a 17 anos idade, de todas as classes sociais, moradores de diversas regiões de Itapoá e com diferentes níveis no futebol. Em comum, estes jovens dividem a paixão pelo esporte e a amizade, uma vez que muitos deles cresceram juntos.

Contudo, a convivência entre os alunos passou a se tornar um desafio para Joarí e Michel. “Infelizmente, eles começaram a adquirir um vício muito recorrente no futebol, desrespeitando uns aos outros dentro de campo. Sabemos que isto é cultural no esporte, mas estávamos ficando desmotivados com o projeto e, então, buscamos formas de melhorar isso”, contam.

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O casal José e Dirce, pais do falecido Lucas Guimarães, que tem seu rosto estampado na bandeira. O jovem era apaixonado por futebol e foi homenageado por Michel com a criação do projeto social.

 

“O sopro”

         Certo dia, despretensiosamente, Michel enviou uma mensagem para uma das redes sociais de Bruno Xavier, renomado atleta brasileiro de futebol de areia, cujos títulos mais recentes são: Campeão da Taça Europeia de Clubes de Futebol de Praia e Campeão do Mundialito de Futebol de Praia (2017). “Na mensagem, falei sobre o projeto, contei que estávamos desmotivados e pedi a ele que fizesse um vídeo incentivando os nossos alunos. Mas, por conta de seu sucesso, títulos, rotina de competições e viagens, imaginei que ele nem chegasse a ler”, recorda Michel.  Para sua surpresa, Bruno Xavier não somente visualizou, como enviou um vídeo transmitindo uma mensagem para os alunos do Málaga / Lucas Guimarães, deu uma ‘aula’ de motivação para Michel e tornou-se seu amigo.

         Para o fã, a humildade do ídolo foi o que mais lhe chamou a atenção. “Ele chegou onde muitos almejam e, ainda assim, é humilde, educado e temente a Deus. Passamos a conversar com frequência e, a cada conselho, foi como um sopro divino, pois pude me sentir mais motivado para dar continuidade ao projeto e aos sonhos dos meninos”, fala Michel.

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Michel Nunes com seus alunos do Projeto Lucas Guimarães.

 

Resultados positivos

         Em menos de um ano, toda a equipe mudou a maneira de conduzir o projeto e, consequentemente, os resultados foram positivos. “Nós, que já fomos professores e estudamos para isso, compreendemos que ser professor é muito mais que transmitir conteúdos, mas, também, servir de espelho para o aluno em todos os âmbitos”, fala Joarí. E foi servindo de espelho, que ele e Michel trouxeram uma nova proposta para o futebol de Itapoá.

         “Notamos que, muitas vezes, quem assistia a uma partida acabava observando mais discussões dentro de campo do que o próprio futebol, e desejamos mudar isso, educando os meninos para o esporte e para a vida”, conta Michel. Visto que os jovens ainda não têm o vício de ofender, criticar, discutir ou agir com maldade, os professores do Málaga / Lucas Guimarães ensinaram aos seus alunos que, independente de vitória ou derrota, o futebol deve ser algo sadio e divertido. Para eles, o que verdadeiramente importa são os valores e as amizades cultivadas a cada partida, pois, como costumam dizer “troféus e medalhas se empoeiram, mas o caráter não”.

         Desde então, as mudanças vêm impactando a vida de cada um dos alunos, como William Wallace Scott, de 16 anos, cujo pai também é grande incentivador do futebol no município. “Além dos valores que aprendi com meu pai e minha família, a experiência neste projeto também foi essencial para que eu me tornasse uma pessoa melhor e mais humildade”, fala William. Os treinos também trouxeram inúmeros benefícios físicos e mentais para Jackson Pedroso Sprycigo, de 15 anos, e ajudaram Raul Olímpio Martini, de 16 anos, a fazer novas amizades e aperfeiçoar suas técnicas.

         Com a equipe motivada e unida, o time do Málaga / Lucas Guimarães passou a participar de jogos amistosos no campeonato municipal e vem sendo convidado para jogar com diversos times. Em seis partidas, os meninos de apenas 14 a 17 anos mostraram a que vieram e colheram bons resultados diante de adultos que disputam os jogos há anos – outro fato que comprova que este é um projeto que deu certo.

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Na primeira foto, o time do Málaga no futsal. Ao lado, o time do Málaga junto com
o time do Lucas Guimarães em uma semifinal de um torneio de futsal em Itapoá.

O verdadeiro futebol

         Abdicando o tempo livre para, voluntariamente, apoiar o sonho destes jovens, Michel e Joarí afirmam que todo o trabalho vale a pena, visto os resultados dentro de campo e os relatos dos pais a respeito da conduta dos alunos em casa e na escola.  “Quando iniciei no futebol, gostaria de ter tido alguém para me instruir e me orientar para o caminho mais correto e, hoje, é o que procuro fazer com estes meninos”, diz Michel, que acredita no poder da educação, inclusive, dentro do esporte.

         Em nome de todo o Málaga Futebol Clube / Projeto Lucas Guimarães, Michel e Joarí agradecem aos apoiadores Sperandio Imóveis & Arquitetura, Jean Ril Veículos, Farmácia Confiança, Conveniência Parati, Tuti Seguros, Tom Brasil e Pizzaria Estrela do Mar, e afirmam: “mesmo que estes jovens não sigam carreira no futebol, terão suas vidas impactadas para sempre”.

Mais que um time ou projeto, a comissão técnica, a diretoria e os alunos se descrevem como uma família e, seja dentro ou fora de campo, estão sempre juntos. Por fim, convidam toda a população itapoaense a apoiar, respeitar, abraçar a causa e conhecer a essência do verdadeiro futebol, pautado na ética, disciplina, organização e responsabilidade.

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O Projeto Lucas Guimarães/Málaga, no futebol de campo:
união, amizade e missão no esporte.

 

Arena Itapema surpreendeu na sua festa da noite de Halloween

Dia 29 de outubro aconteceu a primeira edição da festa em comemoração ao Halloween na Arena Itapema. Quem esteve presente se surpreendeu com a mega decoração do ambiente e com as ”criaturas sinistras e nebulosas” que circulavam pelo local.  O evento contou com boa música, premiação para melhor fantasia e tulipa de choop em dobro, com certeza diversão garantida pra toda galera.

Hoje, dia 30 de outubro, acontece a segunda edição, reúna os amigos e não perca essa festa! Afinal, você está pronto para encarar seus medos?

Escola Gees apresentou mais uma edição da Feciarte

Com os temas “De onde vem? e Como se faz?”, a Escola Gees apresentou no sábado (21) uma diversidade de exposições. Mais uma vez, a Feira de Ciências, Artes e Tecnologia foi um grande sucesso, marcada, principalmente, por muita criatividade e conhecimento. A feira envolveu toda a escola e todas as turmas abrilhantaram o dia com suas apresentações.
As turmas da educação infantil fizeram uma exposição de todos os trabalhos realizados durante o ano e, cada turma do ensino fundamental, apresentou um tema diferente, o qual foi tema de muita pesquisa e debate de forma interdisciplinar.

“A casa do morro”: modernidade e estilo em meio à natureza

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Em Itapoá-SC, o casal Marco Melo e Ivo Salvador mora em uma casa situada em cima do morro, o que atrai a curiosidade de muitos itapoaenses.

Todo mundo deseja ter a “casa dos sonhos”. E, ainda que este conceito varie de pessoa para pessoa, uma coisa é certa: toda casa diz muito sobre as pessoas que nela residem, seus gostos e estilos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Na residência, todo amanhecer e entardecer são espetáculos à parte.

Tudo começou em Londrina-PR, nos tempos da faculdade, quando Marco, que cursava Marketing e Propaganda, e Ivo, que cursava Farmácia, se conheceram através de amigos em comum. Quando começaram a namorar, alugaram uma pequena casa de madeira. “Apesar de ser relativamente simples, adorávamos decorá-la e deixa-la aconchegante para receber nossos amigos”, recordam. Durante anos, o casal também gerenciou um bar, em São Simão-SP, cujo slogan era “o bar feito à mão”, uma vez que também gostavam de decorar, pintar e criar objetos para o ambiente. Já com planos de se mudar para uma cidade litorânea, decidiram passar as férias na casa de veraneio da família de Marco, em Itapoá – lugar que frequentavam há anos.

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Piscina infinita: uma grande inovação para o projeto feito nos anos 2000.

A casa, em questão, foi construída em 2002 pelo pai de Marco (hoje, já falecido), em um terreno de 37 alqueires, sob um morro, em Itapoá, com o objetivo de que toda a família pudesse usufruir do espaço durante as férias. Para o projeto, ele contratou o renomado arquiteto londrinense Álvaro Côrtes, cujos trabalhos são caracterizados pelo conforto estético, que traduzem contemporaneidade (para conhecer melhor, visite o Instagram do arquiteto: @cortes.arquitetura). Na elaboração do projeto da casa, Marco pediu poucas paredes e contribuiu para a escolha dos móveis.

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Para o projeto, ele contratou o renomado arquiteto londrinense Álvaro Côrtes
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Na companhia dos seus cães Baco, Alecrim, Jobim e Toruk

Aliado aos desejos de Marco, seus pais e irmãos, Álvaro Côrtes projetou um sobrado com pé-direito alto, onde os quartos dos familiares ficassem no piso superior, e os quartos dos visitantes no piso inferior, entre outras especificações, como sauna, sala de jogos, mirante, piscina infinita, lareira, fogão à lenha, churrasqueira integrada à cozinha, piso de cimento que imita pedra (uma das inovações da época), entre outros – um projeto bastante moderno, especialmente porque foi elaborado por volta dos anos 2000 e executado em 2002.

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No entanto, quando Marco e Ivo decidiram passar as férias na casa, em 2010, a mesma estava abandonada e o mato havia tomado conta de boa parte do terreno. “A situação era crítica e, então, começamos a cortar a grama, fazer um jardim, limpar e lavar a casa”, lembram. Eles ainda não sabiam, mas estavam começando a dar vida ao lugar que, mais tarde, chamariam de lar.

Transformando a casa em lar

         Desde sempre, o pai de Marco desejou que aquela propriedade fosse otimizada para gerar renda. Já familiarizados com o município de Itapoá, Marco e Ivo decidiram ali morar. Como se tratava de uma casa de veraneio, anteriormente, a família não costumava sentir as reais necessidades reais de um morador. “Aos poucos, fomos percebendo pequenas coisas e alterando tecidos, móveis e até salas de lugar. Também, a casa foi ficando mais limpa e bonita, pois estávamos nela dia após dia, cuidando como se fosse nossa”, diz Ivo. A organização e decoração também recebeu influência de conceitos energéticos, como o Feng Shui.        

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Adepto à prática do “faça você mesmo”, cada cantinho passou a ter o toque do casal: a área verde ficou ainda mais preservada e ganhou jardim, horta, gazebo para as plantas, orquidário e pomares. No quintal, Marco e Ivo plantaram carambolas, pêssegos, jabuticabas, acerolas, kiwis, lichias, abacaxis, ameixas, diversos tipos de limão e de laranja, entre outras frutas. Já para as plantas, deram preferência às de corte ornamental, para colher e decorar a residência. Toda a água utilizada na casa é reaproveitada de um poço, que fica localizado dentro do terreno. Simpatizantes do conceito de autossuficiência, o casal também passou a cultivar abelhas e colher seu próprio mel.

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Marco, que é designer de joias possui um ateliê em casa, onde encontra a própria inspiração.

Contudo, apesar do espaço amplo, arquitetura e decoração moderna, e jardim exuberante, o que mais cativa o casal e, também, os visitantes da casa, é o fato de estar localizada em cima de um morro, em um terreno rico em área verde. “Aproveitamos a energia revigorante do lugar para criar um oratório de meditação e oração”, conta Marco, que é designer de joias e possui um ateliê em casa, onde encontra a própria inspiração. Do mirante, tem-se uma vista privilegiada do município de Itapoá, praias e montanhas. Segundo os dois, cada amanhecer e entardecer na casa são espetáculos à parte – tudo, ao som dos pássaros e das árvores.

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Cozinhar: uma das atividades favoritas do casal. 

     Além de meditar, contemplar a paisagem, cultivar plantas e o mel das abelhas, na residência, Marco e Ivo gostam de cozinhar, curtir seus cães Toruk, Jobim, Baco e Alecrim, fazer festas e jantas para receber os amigos, e aprender coisas novas, seja uma nova meditação, um novo método para cultivar as plantas ou uma nova receita de cozinha.

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Vale ressaltar que o casal de caseiros Flávio e Ana também é fundamental para a organização e limpeza da casa. “Eles são nosso braço direito e nós os consideramos como membros da família, prezando muito por sua qualidade de vida”, contam Marco e Ivo, que também já realizaram benfeitorias na casa dos caseiros. Eles acreditam que a gratidão e o amor são capazes de transformar tudo, e foi assim que transformam a casa em lar.

A verdadeira “casa dos sonhos”

         Apesar de residir em uma casa que é o sonho de muitas pessoas, o casal ainda planeja construir a sua própria casa, dentro do mesmo terreno. “Somos muito felizes em morar aqui, mas entendemos que essa é a casa de toda a família, que costuma vir para cá toda temporada. Não que isso seja ruim, mas tudo que aqui está foi sonhado por meu pai, e desejamos ter uma casa onde os nossos sonhos estejam projetados em cada detalhe”, explica Marco.

         Eles pretendem construir uma casa parecida com a residência onde moram, só que um pouco menor, também com o arquiteto Álvaro Côrtes. Detalham: “Sonhamos com um loft e um pé-direito alto; muitas plantas no interior da casa e uma área externa com muito jardim; alguns chalés na área externa, para que as visitas fiquem hospedadas com privacidade; uma cozinha que comece dentro da casa e termine na área externa, próxima à piscina, para que as visitas também possam compartilhar dela; um espaço semelhante a um pet shop, para que possamos higienizar os cães; também queremos que a casa seja autossuficiente em termos de energia e água, ente outros. Mas, nosso principal desejo é que seja um lugar acolhedor, onde possamos receber nossos amigos com frequência e todos se sintam bem. Porém, este é um projeto para ser executado ao longo prazo”.

         Enquanto ele não se concretiza, Marco e Ivo, casados há mais de dez anos, discutem ideias, executam outros planos, como, por exemplo, cultivar cogumelos comestíveis – algo que vêm buscando viabilizar –, e vivem bons momentos na popular “casa do morro”, que desperta a curiosidade de tantos itapoaenses, sempre aprendendo e desfrutando de bons momentos na companhia dos amigos, dos cães e da natureza.

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Natureza, rusticidade, família e memórias

Falar da casa de Ilva Poitevin de Aguiar é falar de sonhos e memórias. O lugar, chamado “Rancho Crioulo”, conta a história de Ilva e José Luiz Vizcaychipi de Aguiar, o Zeca, seu falecido esposo, que adorava dar vida a peças de engenho, tudo “à base da machadada”.
Hoje, com o crescimento do município de Itapoá, o terreno está cercado de empresas portuárias, containers e caminhões, mas, ainda assim, a localização é privilegiada pela imensidão verde da natureza e o canto dos pássaros – o que faz da casa de Ilva uma verdadeira “casa dos sonhos”.

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Em cada detalhe, as peças de engenho compõe a rusticidade do ambiente. Ilva e presa de farinha de mandioca, outra peça que carrega memórias.

Ilva, de Curitiba-PR, e José, de Itaqui-RS, se conheceram quando ela tinha 13 anos de idade e, ele, 16. Quatro anos depois, noivaram e, passados dois anos, se casaram. Já vivendo no município litorâneo do norte catarinense, moravam em uma casa próximo à praia, na região do Continental. “Mas o Zeca não gostava muito do mar. Como um bom gaúcho, ele adorava cavalos e seu desejo era morar num lugar onde pudesse estar junto dos animais”, recorda Ilva. Certo dia, ela o flagrou fazendo o desenho de uma casa, o que seriam os primeiros esboços do chamado Rancho Crioulo, projetado e tão sonhado por José.

Há cerca de quarenta anos, o casal comprou um terreno amplo, localizado na região da Jaca, em Itapoá e, lá, construiu o rancho. Apenas uma pequena parte da área verde foi desmatada, para que José criasse seus cavalos. No início de tudo, Ilva lembra que a casa era pequena e que chegaram a manter até oitenta cavalos. “Como era uma época tranquila, não precisávamos de portão, alarmes ou caseiros. Tínhamos apenas cercas, por causa dos animais”, diz.

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Acima, quando a casa ficou coberta pelas plantas e, abaixo, os cavalos no rancho de antigamente.

Mas as peculiaridades do rancho vão muito além da área externa, passando pela decoração da casa. Segundo Ilva, é possível contar nos dedos de uma mão quantos móveis foram comprados, pois a maioria deles era criada por José “à base da machadada”. Ela recorda que, em suas andanças, ele costumava visitar engenhos de farinha e garimpar peças de madeira. Em seguida, projetava as ideias e, com a ajuda dos peões, executava bancos, janelas, mesas e afins. Em uma tela, Ilva, que é artista plástica, pintou um antigo engenho, localizado no Saí Mirim, e explica a história por trás da pintura: “Este engenho estava desativado e o Zeca comprou a maioria de suas peças. Ele e os peões tiveram de passar por um rio de pedras, enquanto os bois traziam as peças e, depois, as colocaram em um caminhão para, enfim, trazê-las para casa”.

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Ilva Poitevin de Aguiar e uma de suas pinturas que conta a história de sua casa, o “Rancho Crioulo”.

Por todo o lugar, há criações de José: de uma árvore foi feito o sofá, de outra foram criados os bancos, de um tronco nasceu a mesa, e o mesmo aconteceu com a prensa de farinha de mandioca, a cabeceira da cama, a moldura do espelho do banheiro, o lustre, as fechaduras das portas e janelas, entre outros – tudo, criado manualmente com madeira de peças de engenho, de cerca de quarenta anos há atrás e que, hoje, permanece intacta. A casa também conta com algumas antiguidades, como o relógio da avó de Ilva e a radiola da mãe de José que, depois de cem anos, ainda funciona.

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A casa do rancho foi criada, projetada e sonhada pelo falecido José Luiz Vizcaychipi de Aguiar.

Com o crescimento do município, parte do terreno da família foi vendida para o Porto Itapoá e a APM Terminals. Mas Ilva garante que, mesmo com avanços, como as ruas pavimentadas, o rancho ainda preserva suas principais características: a paz e o contato com a natureza. Hoje, no terreno, está a casa de Ilva, seu ateliê, garagem, área de lazer, a casa de um de seus filhos e, também, a casa do caseiro.

O lugar também serve de lar para onze cavalos, cachorros, gralhas, garças e pássaros, como tiê-sangue e sabiá. Ela também conta que, todo verão, as andorinhas migram para a lareira de sua casa, onde criam seus filhotes. “Neste inverno, que não fez tanto frio, elas ainda não foram embora. Todo final de tarde, fazem uma revoada e se revezam para fazer os ninhos. É muito bonito de se ver”, diz Ilva, que abdicou gentilmente de sua lareira para as andorinhas.

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Todo verão, as andorinhas migram para
a lareira da casa, onde criam seus filhotes.

Juntos, ela e José tiveram três filhos e quatro netos que, hoje, dão continuidade aos bons momentos vividos no Rancho Crioulo. “Procuramos manter a tradição dos almoços em família. Meus netos amam os animais e acho importante que eles valorizem o contato com a natureza e preservem isso em sua essência”, fala Ilva. Com 76 anos de idade e muitas histórias para contar, ela está escrevendo dois livros: o primeiro, sobre sua trajetória artística, que será lançado em breve e, o segundo, sobre sua história com José e a construção da família, para servir de legado às futuras gerações. Para ela, o conceito de “casa dos sonhos” está ligado à rusticidade, ao cheiro do verde da natureza, às raízes e, é claro, à família.

À beira-mar, casa reúne cultura, decoração e amor

A casa da Grazzi (Grazziella Debbané) e do Álvaro (José Álvaro de Aguiar), na Figueira do Pontal, é o sonho de qualquer um apaixonado por mar. Nela, o quintal é a praia.Transformando um sobrado simples em um recanto adorável, cercado de amor e objetos trazidos de suas viagens, a casa ajardinada marrom, debruçada na praia, mistura com graça sotaques de muitos lugares.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Ainda morava em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quando conheceu Álvaro, no iate clube de Vitória-ES, há 16 anos. “Foi amor à primeira vista e, desde então, nunca mais nos separamos”. O ano era 2001 e, por conta do trabalho de Álvaro, o casal veio residir no sul do Brasil. “Chegamos a pensar em morar em Curitiba, onde o pai de Álvaro (hoje, falecido) tinha uma grande casa”. Mas, após conhecer essa pequena casinha plantada na areia da praia, na frente de uma enorme figueira (que deu nome ao bairro) centenária, também da família, Grazzi não pensou duas vezes: “A localização é fantástica, cheia de verde, barcos, pescadores e pássaros. Com um pouco de trabalho e carinho, posso transformar esse lugar num palácio!”, lembra.

Em cada canto, há uma composição que surpreende e objetos trazidos de diferentes lugares do mundo, como Indonésia, África China e Egito. Tapeçaria, velas, telas e almofadas são algumas das paixões de Grazzi.

Construída há quarenta anos para ser alugada durante as temporadas, a pequena casa, aos poucos, foi ganhando vida nova, com varandas envidraçadas generosas abertas para decks de madeira espalhados, simpáticas cerquinhas de eucalipto autoclavado e jardins que misturam bromélias, pitas, orquídeas a aroeiras, abacateiros, limoeiros, pitangueiras e bananeiras.

Desbravadores natos, Álvaro e Grazziella são viciados em viagem e não se cansam de descobrir encantos espalhados mundo afora. Arquitetura, culinária, artesanato: tudo é motivo para novos roteiros, o que acabou virando trabalho, já que Grazzi se especializou em trazer objetos de decoração expostos e vendidos em bazares anuais em diversas cidades. “Guardei para mim um pouquinho de cada lugar e simplesmente uso tudo sem medo, tecidos da Indonésia, máscaras e cestas da África, tapetes do Oriente Médio, laca da China, toalhas do Egito (…) tudo junto e misturado na hora de enfeitar a casa!”, confessa.

         O sobrado, que possui 70 m² de área, é bastante compacto e o andar de cima, onde ficam a suíte e o quarto do casal, possui uma vista incrível para o mar. Porém, o canto favorito do casal é a cozinha, americana, aberta para a pequena sala e varanda, onde testam receitas trazidas do mundo todo. Além das viagens e receitas culinárias, também adoram receber os amigos em casa. “Em poucos minutos, acendo velas, espalho almofadas e tapetes pelo deck, e o lugar se transforma, vira palco, festa”, conta ela.

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O cantinho preferido de Grazzi e Álvaro é a cozinha, onde testam receitas culinárias do mundo todo e preparam almoços e jantares para os amigos.

Na área externa, Grazzi também tem uma horta. Devido às ressacas, seu jardim pede manutenção constante, pois, volta e meia, o mar sobe e destrói tudo: “vou lá e refaço de novo e de novo, com amor e prazer”. Na parte de trás, onde fica um quintal enorme, cheio de fruteiras, a grande figueira, e até um galinheiro, está a casinha também marrom de hóspedes que, apesar de estar separada da casa da frente por uma rua, mantém o mesmo clima e é devorada com os mesmos objetos trazidos de viagens.

         Para Álvaro, a esposa tem o dom de transformar os espaços. “Nossa casa é um lugar incrível, de onde observamos o nascer e o pôr do sol, o reflexo da lua no mar, as garças e o ‘entra e sai’ dos barcos. Mas ela consegue deixar tudo melhor, com sua sensibilidade e talento”, fala. Gastando quase nada, a simples “casa à beira-mar” se tornou uma “casa à beira-mar, com plantas, cores, animais, cômodos práticos e compactos, e decoração calcada em cultura”.

         Hoje, quando está em terra firme, o casal vive na companhia dos seus cães Pretinho Aguiar e Meg Ryan Debbané, suas dez galinhas e afirma: “mesmo sendo uma casa relativamente pequena, não a trocamos por nenhuma outra no mundo”. De acordo com eles, o único lugar que se compara e divide seus corações é o seu “Caracol”, onde costumam passar meses e meses velejando. Mas, obviamente, sendo seu, reflete também sua paixão por decoração: compram objetos em todos os cantos por onde passam. “Nosso barco não é um barco comum e é decorado exatamente como nossa casa”, terminam.