De rolê por Londres, Paris e Roma

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Viajar sempre foi um dos verbos favoritos de Paula Eduarda Flores Bucci e Marcos Vinícius Bucci, de Itapoá (SC). Recentemente, o casal realizou o sonho da sua primeira viagem internacional: 24 dias de viagem, passando por três destinos cobiçados da Europa.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Juntos há cinco anos, Paula e Marcos Vinícius sempre gostaram de ‘colocar o pé na estrada’. Eles contam que adoram visitar as praias do estado de Santa Catarina, como Guarda do Embaú, Florianópolis e Bombinhas, e explorar destinos paradisíacos do território nacional, como Jericoacoara e Fortaleza, no Ceará, e Natal, no Rio Grande do Norte.

Realizar uma viagem internacional era um antigo desejo do casal, que fora encorajado por familiares de Marcos Vinícius, que vivem em Londres, capital da Inglaterra e do Reino Unido. “Há cerca de dois anos estes familiares vieram ao Brasil e nos incentivaram muito. Tiramos algumas dúvidas, nos empolgamos e, então, foi plantada a sementinha”, recorda Paula.
Além de Londres, eles também sonhavam em conhecer Roma, na Itália, e Paris, na França. Então, uma prima de Marcos Vinícius que conhecia cada um destes destinos, auxiliou o casal no roteiro.
Foram quatro meses de ansiedade, pesquisas e planejamento para o que seria a primeira viagem internacional de Paula e Marcos Vinícius: 24 dias passando por três países da Europa.
Os destinos
O casal embarcou em setembro de 2019, deixando o Brasil com destino a Londres, na Inglaterra, onde passaram duas semanas hospedados na casa de uma familiar. Em seguida, partiram para Roma, onde conheceram as maravilhas da Itália em três dias. Retornaram a Londres, e depois passaram dois dias em Paris, na França. Por fim, Paula e Marcos Vinícius voltaram a Londres, onde permaneceram até o fim da viagem, em outubro de 2019.


Com 2,8 milhões de habitantes, Roma é a capital da Itália e também a maior cidade italiana. Com uma das melhores “marcas” da Europa, tanto em reputação quanto em patrimônio, o seu centro histórico é classificado pela UNESCO como Patrimônio Mundial. Lá, Paula e Marcos Vinícius conheceram lugares inesquecíveis, como: o Vaticano – atual sede mundial da Igreja Católica, onde reside o Papa e a Santa Sé; o Coliseu – maior e mais famoso símbolo do Império Romano, construído em 72 d.C., quando atuava como um enorme anfiteatro reservado para combates entre gladiadores; e a Fonte de Trevi, a maior e mais ambiciosa construção de fontes barrocas da Itália. “O legal de Roma é que a cidade tem monumentos, museus e fontes por todo o canto, em algumas fontes as pessoas até podem pegar água para beber. Além de lindo, é um lugar muito rico em história, foi uma super experiência”, contam.


Já em Paris, conheceram a famosa Torre Eiffel, uma torre treliça de ferro do século XIX localizada no Champ de Mars, a qual se tornou um ícone mundial da França e o monumento pago mais visitado do mundo. “A torre é incrível. É possível subir ao seu topo e ver Paris inteira lá de cima”, conta Paula. Ainda em viagem pela capital da França, visitaram o Museu do Louvre – maior museu de arte do mundo, o Arco do Triunfo e outras paradas obrigatórias na cidade de Paris. “Assim como Roma, Paris é muito preparada para a quantidade de turistas que recebe diariamente. Só é preciso ficar atento porque lá acontecem muitos roubos de ‘bater carteira’. Como em todo o lugar do mundo, ter cuidado é sempre bom”, recomendam.


Contudo, a grande paixão de Paula e Marcos Vinícius foi Londres, capital da Inglaterra e uma importante cidade global, sendo um dos maiores, mais importantes e influentes centros financeiros do mundo. Lá, visitaram pontos turísticos que atraem milhares de pessoas diariamente, como: o Big Ben – o relógio mais famoso e símbolo de Londres; a London Eye – uma roda-gigante de observação e um dos pontos turísticos mais disputados da cidade; a Tower Bridge, uma ponte-báscula conhecida como uma das pontes mais famosas do mundo, que é de grande importância para o tráfego londrino; e o Palácio de Buckingham, a residência oficial da Família Real Britânica em Londres.
“A Inglaterra é surreal. É um país antigo, mas ao mesmo tempo moderno. Tudo funciona. A educação das pessoas é impecável. Sempre que chegávamos a algum lugar, dizíamos que não falávamos inglês muito bem, então os atendentes eram muito pacientes e nos ajudavam. Lá, os preços são justos e todos podem ter a mesma coisa, não existe desigualdade. Você não sabe quem é rico ou pobre, pois todos podem ter uma roupa boa ou se alimentar bem. Com certeza, nos apaixonados por Londres e temos a pretensão de, um dia, voltarmos para lá”, contam.

 

A experiência
Mário Quintana escreveu que “viajar é tirar a roupa da alma”. E, depois de 24 dias longe de casa, em diferentes países, conhecendo diferentes culturas, saboreando coisas diferentes e conhecendo pessoas diferentes, Paula e Marcos Vinícius já não são mais os mesmos. Por fim, declaram: “No começo, estávamos apreensivos, mas depois nos ‘jogamos de cabeça’ e foi uma experiência muito incrível. A viagem nos fez sair da nossa zona de conforto e refletir sobre coisas que nem sabíamos que existiam. Ver uma vida diferente da nossa, conhecer novas culturas, passar por situações que fogem ao nosso controle, descobrir, explorar e aprender a respeitar o novo nos uniu ainda mais enquanto casal e nos enriqueceu como seres humanos”.

A paisagem em arte fotográfica

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Para Alfabile Richardson Santana (33), fotógrafo especializado em fotografia artística de paisagens, a fotografia é uma boa terapia e poderosa ferramenta social.
O fotógrafo, que aprendeu a dominar as técnicas de forma autodidata, já teve seu trabalho publico em alguns dos maiores veículos de comunicação da área, como National Geographic e Landscape Photography.
Turista de Itapoá e apaixonado pelo local, Alfabile coleciona e eterniza belíssimos momentos deste município litorâneo.

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Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Alfabile nasceu em Balneário Camboriú (SC), mas vive no município de Itajaí (SC). Através de um amigo de infância, descobriu que desde criança já demonstrava interesse por paisagens em fotografia. Ele recorda: “Comecei a fazer fotos com meu primeiro celular com câmera fotográfica, e era algo que me fazia muito bem, além de prender totalmente minha atenção e curiosidade. Com o tempo, as pessoas começaram a perceber um olhar diferenciado em minhas fotografias e foram me incentivando a me aperfeiçoar e me dedicar”. E assim ele o fez.
De forma autodidata, através de vídeos na internet, aprendeu mais sobre regras e técnicas, e foi evoluindo seu olhar fotográfico. Certa vez, trocou seu celular por uma câmera profissional e duas lentes. Alfabile que, naquele tempo, trabalhava na área de logística em uma multinacional, se dedicou intensamente, treinou e aprendeu a operar o equipamento fotográfico. Assim, nasceu sua identidade visual e foi se percebendo fotógrafo.

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Desde sempre, soube que amava fotografar paisagens e que este seria seu nicho. “Minha fotografia é autoral, onde tenho total liberdade em pós-processar a imagem até eu acreditar que esteja agradável ao meu olhar e, posteriormente, aos olhares das demais pessoas”, comenta Alfabile, que tem como maior inspiração na fotografia de paisagens o fotógrafo australiano Peter Lik.
Sempre em busca de novos estilos, técnicas e formas de transformar seu trabalho, o profissional também é apaixonado por viagens. Em suas andanças pelos territórios nacionais ou internacionais, amplia seu portfólio de imagens, sua cultura e enriquece suas fotografias. Nas palavras de Alfabile: “Minhas fotografias sempre ajudam a atrair turistas e curiosos para os lugares que eu fotografo. Muitas pessoas se utilizam dessas fotos para escolher seus destinos turísticos. Por isso, sinto a responsabilidade de mostrar o melhor de cada local, aquilo que muitas pessoas muitas vezes nem dão mais importância”.

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Em terras itapoaenses
Há oito anos, o fotógrafo visita Itapoá durante as férias de verão. “Conheci o município porque minha cunhada tem casa em Itapoá há muitos anos. A casa fica próxima à Terceira Pedra e, coincidentemente ou não, essa é a região que mais gosto de fotografar. Acho essa pedra muito linda e cheia de possibilidades”, diz.
Alfabile também trabalha com decoração de ambientes, criando quadros Fine Art. As imagens produzidas por ele de Itapoá fazem parte de seu portfólio, podendo ser comercializadas para projetos gráficos ou no formato de quadros.
Ao eternizar a natureza exuberante da cidade através das lentes, o profissional sente-se parte do local. “Itapoá tem uma beleza praiana muito única e me enche de inspiração por toda sua formação de praia, céu e mar”, fala o fotógrafo.

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De Itajaí para o mundo
Atualmente, Albabile tem uma coluna de fotografia diária no Jornal Diarinho, um dos jornais mais populares do litoral centro-norte de Santa Catarina, e no Jornal dos Bairros, de Itajaí. Suas obras decoram e dão vida a inúmeros estabelecimentos, como Hilton Garden Inn, na Praia Brava de Itajaí, Hotel Mercure, em Itajaí e Navegantes, entre outros.
Seus clicks também ultrapassaram as fronteiras do Brasil e conquistaram os maiores veículos de comunicação da área. As revistas National Geographic, Landscape Photography e Fotografe Melhor foram alguns dos veículos que já publicaram trabalhos do fotógrafo.

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“Fotografia é vida. Quando estou fotografando, me sinto vivo, energizado, realizado e completo. Fotografia é uma boa terapia e poderosa ferramenta social – tanto para o fotógrafo quanto para o espectador. Durante todos estes anos de experiência, recebi feedbacks incríveis de pessoas que estavam passando por momentos de depressão ou tristeza e, ao olhar alguma fotografia minha, foram comunicadas por algo que as tirou momentaneamente dessa estado de tristeza. Esse é o poder da fotografia”, conta.
Aos aspirantes a futuros colegas de profissão, Alfabile aconselha: “É muito importante filtrar o que ouvi, pois muitas pessoas, especialmente no início da carreira, tentam nos desmotivar por diversos motivos. É preciso acreditar, de verdade, no amor pela fotografia e lutar para conseguir seu espaço ao Sol. Nada na vida é fácil, mas quando fazemos algo que amamos nossa vida se torna incrível”.
Por fim, o fotógrafo Alfabile expressa sua gratidão à cidade de Itapoá, que lhe oferta com belezas mil: “Agradeço também a seus moradores, que sempre foram simpáticos comigo e meu trabalho. Gratidão a toda a equipe da revista Giropop pela oportunidade de falar e apresentar ainda mais meu amor pela fotografia”.

O paraíso visto de cima

 

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Cleberson de Almeida Frigo, mais conhecido por Cleber Frigo (35), não é nascido tampouco criado em Itapoá. Mais que frequentar e desfrutar das belezas naturais do litoral, este turista perpetua e eterniza tais belezas.
Fotógrafo e cinegrafista na empresa DroneLook, a condição de cadeirante não impede Cleber Frigo de trabalhar duro e produzir belíssimas imagens aéreas da praia de Itapoá – cidade que tanto ama. “Produzir essas imagens é uma forma de agradecer e deixar um legado. É como se me tornasse parte da história deste lugar tão belo”, diz.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Natural de Arapongas, norte do Paraná, atualmente Cleber vive em Coronel Vivida, sudoeste do estado. Recordando o início da sua carreira, conta que sempre fora aficionado por paisagens e pores do Sol: “Ambos são únicos, estão em constante mudança em frações de segundos”. Fascinado pela natureza, passou a registrar paisagens com fotografias e vídeos, usando um drone simples, de brinquedo. “Comecei por hobby, não aspirava por destaque ou me colocar no mercado de fotografia e imagens aéreas. De forma natural, surgiram trabalhos em diversas áreas, desde eventos esportivos até marketing e propaganda, cobertura de desfiles e eventos militares em parceria com o Exército Brasileiro, o qual sempre me deu oportunidades incríveis de acompanhar e registrar belas imagens”, comenta.
Depois de um acidente dentro do meio militar, o qual sempre teve e tem paixão, Cleber sofreu uma lesão medular na coluna e ficou paraplégico. “Pude encontrar na fotografia e nos drones uma forma de sair e ultrapassar limites. É claro que desde então foi uma adaptação, mas hoje em dia com os drones podemos ir onde queremos e isso nos dá uma nova percepção de ver um lugar ou cenário”, diz. Em 2015, cursou Fotografia no SENAC e, de lá para cá, aperfeiçoou e profissionalizou seu trabalho.

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Registrando Itapoá
Ao final de 2001, Cleber conheceu o município de Itapoá e se apaixonou pelo local. “Naquele tempo, não tinha a noção de que a cidade se desenvolveria tão rápido, mas as belezas naturais sempre estiveram aqui e ainda são preservadas”, conta.
Uma vez que já trabalha com imagens aéreas no interior do Paraná, na sua empresa, a DroneLook, Cleber pôde ver, registrar e mostrar ainda mais a beleza de Itapoá. Ele recorda: “Pensei que seria legal ter imagens diferentes, com areia e mar, por outros ângulos. Passeando por toda a praia, a região das Três Pedras foi o que mais me chamou a atenção. No horizonte, seja em direção ao mar ou a terra, sempre há algo peculiar, como o verde das algas ou da mata, a areia ou o sol refletivo, e o azul do mar ou do céu”.
A princípio, as imagens de Itapoá eram produzidas para portfólio e por prazer, mas à medida que foram divulgadas na internet, ganharam visualizações e elogios dos espectadores. “Itapoá, por si só, já é linda, mas vista de outro ângulo é ainda mais. Tive vários acessos de moradores, empresários e turistas que gostaram tanto da cidade quanto das imagens que fiz”, conta Cleber, que chegou a produzir imagens aéreas específicas para empresas locais.

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Com base em sua experiência de vida e bagagem profissional, ele tem, por natureza, a curiosidade em tentar ver tudo de um novo ângulo, ou seja, apresentar um olhar diferente às pessoas. Para ele, apresentar esse olhar ao público itapoaense é uma honra: “Gosto muito de Itapoá e venho para cá quase todo verão ou sempre que surge uma oportunidade de trabalho. Enquanto cadeirante, vejo muitos aspectos positivos na cidade, como a acessibilidade das praias e das ruas principais, além da receptividade dos moradores, o bom atendimento nos comércios, a limpeza das praias e das ruas, a balneabilidade do mar, entre outros. Produzindo essas imagens, sinto como se estivesse contribuindo para o lugar. É como se eu me tornasse parte da história de Itapoá”.

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Perpetuando memórias
Como a tecnologia dos drones é ainda recente, Cleber aprende diariamente, seja praticando, na internet, com o trabalho de colegas de outros países da Europa e América do Norte, ou através das comunidades de operadores de drones. Para ele, registrar uma imagem aérea é perpetuar um lugar ou eternizar uma memória. “Representa um legado, uma história a ser contada para as próximas gerações. A produção de imagens segue aquele velho ditado que diz que ‘uma imagem vale mais do que mil palavras’, e pode alcançar a todos, seja no campo online ou off-line”, acrescenta.
Atualmente, Cleber Frigo, da DroneLook, produz imagens empresariais voltadas a propagandas online e institucionais – mas sempre sobra aquele tempinho para uma foto mais artística de alguma paisagem.
Para ele, tudo na vida é questão de adaptação e prática. “As pessoas costumam se surpreender por eu ser cadeirante e ativo, e ainda mais por trabalhar na produção de fotos e vídeos. A mensagem que quero deixar é que não é porque estou na condição de cadeirante que devo desistir, muito pelo contrário. Todos nós temos coragem e força de vontade, é só buscarmos dentro de nós”, diz Cleber, uma inspiração para a fotografia e para a vida.
Apesar de não nascer ou morar em Itapoá, é exemplo positivo de um turista que frequenta as praias itapoaenses com respeito e admiração, eternizando suas belezas naturais e contemplando os apaixonados por Itapoá com imagens de tirar o fôlego.
Nas palavras do profissional: “Agradeço à equipe da Revista Giropop por acompanhar meu trabalho e abrir este espaço. Fico lisonjeado e imensamente feliz em poder fazer parte deste trabalho, que é um legado para Itapoá. É uma satisfação poder registrar e compartilhar com vocês as belezas deste município, vistas por outro ângulo. Vocês, itapoaenses, com toda a certeza, vivem em um pedacinho do paraíso. Às vezes só precisamos parar e observar”.

Porto Itapoá de portas abertas para a comunidade

Se você tem curiosidade de conhecer o Porto Itapoá de pertinho, esta é uma ótima notícia: foi lançada a programação do Porto da Gente 2020. Neste ano, serão seis edições do Programa, cada uma com 60 vagas abertas para moradores de Itapoá.

O Porto da Gente é o programa onde o Terminal abre as portas para a comunidade conhecer um pouco mais sobre a sua história, projetos desenvolvidos, conhecer a estrutura e fazer um passeio no pátio e píer. Assim, durante toda uma tarde de sábado você pode ficar mais informado e tirar suas dúvidas quanto à operação. O Programa iniciou em 2017 e até o momento mais de 200 pessoas já participaram da visita. Só neste ano serão 360 vagas, divididas em seis edições.

post_portodagente_mar2020A primeira delas já está confirmada: será no dia 7 de março (sábado), às 14 horas. As inscrições estão abertas e devem ser feitas através de ligações para a Ouvidoria Social: 0800 674 558. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição. Podem se inscrever moradores de Itapoá com mais de 18 anos de idade, em função dos procedimentos de segurança. Caso você não possa participar em março, as próximas visitas estão programadas para os meses de maio e julho.

Itapoá em arte e pelas lentes de uma itapoaense

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Um surfista a caminho do mar, o nascer do Sol, o vai-e-vem das ondas e a dança das nuvens no céu itapoaense são cenas que enchem os olhos (e o cartão de memória) de Chaiana Monique Müller (25).
Fotógrafa, surfista e caiçara de Itapoá (SC), Chaiana produz fotografias Fine Art, um trabalho autoral pautado nas suas experiências pessoais e inquietações. Seu desejo é provocar diferentes sensações aos espectadores e enaltecer a beleza de Itapoá.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Chaiana nasceu em Canoinhas (SC), mas mudou-se para Itapoá com a família quando tinha apenas dois anos de idade. Foi no município litorâneo ao Nordeste de Santa Catarina que cresceu, viveu bons momentos e, aos 15 anos, descobriu uma de suas grandes paixões: o surf.
“Na época, era uma menina bagunceira, e o surf me ajudou a ser mais atenta e consciente, a me alimentar melhor, dormir melhor e dar valor às pequenas coisas da vida”, conta. Foi na Terceira Pedra, em Itapoá, que aprendeu a surfar – e é lá que continua sendo seu pico favorito.
Em 2011, aos 17 anos, Chaiana, ao invés de cursar uma faculdade, optou por fazer um intercâmbio e, aos 18, embarcou para Austrália – uma das experiências mais transformadoras de sua vida. “Fui sozinha, na cara e na coragem. Vivi um intercâmbio de sete meses na Austrália, onde pude aprender uma nova cultura”, conta. De volta ao Brasil, morou em Curitiba (PR), onde realizou um curso técnico e formou-se em Turismo no ano de 2013. Com saudade da vida simples e da brisa do mar, retornou a Itapoá e chegou a morar durante certo tempo na Ilha do Mel (PR).
Já em 2017, sentiu que precisava aprender algo novo. “Costumo dizer que não escolhi a fotografia, a fotografia me escolheu. Acredito que todos nós temos um dom, uma missão. Quando encontrei a fotografia, encontrei minha essência”, conta. Era uma quarta-feira de cinzas quando Chaiana juntou suas economias e partiu para Florianópolis (SC) com o objetivo de cursar Fotografia. “Foi tudo muito rápido e intenso. Aluguei um quarto em Floripa e na segunda-feira já estava em sala de aula estudando”, recorda.

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O curso
Quando se matriculou em Fotografia, Chaiana imaginou que seria um curso relativamente fácil, mas surpreendeu-se: “a fotografia é desafiadora, cheia de aprendizados, erros e acertos, e ao mesmo tempo apaixonante”.
No curso, estudou fotografia de moda, publicidade, fotojornalismo, entre outros. Realizou um estágio na Prefeitura Municipal de Florianópolis, na área de fotojornalismo, o que oportunizou a ela grandes aprendizados e conhecer profissionais renomados do ramo. “Dentre as pessoas especiais que conheci, está Cristiano Andujar, fotógrafo, formado em Jornalismo e um excelente profissional. Aprendi muito com ele e tive muita sorte em tê-lo como mentor”, acrescenta Chaiana, que durante os estudos também trabalhou ao lado de lendas do surf, como Jacqueline Silva e Teco Padaratz.
Enfim, em 2019 formou-se em Fotografia pela UNIVALI de Florianópolis. “Para mim, a fotografia é uma forma de emprestar meu olhar a outras pessoas, com o propósito de entregar aquilo que nem elas sabiam que existia. Acho que os artistas fazem isso, encontram respostas para perguntas que nem sabíamos que existia”, comenta.

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De volta às raízes
Com facilidade para adaptar-se de uma cena para outra, Chaiana já fotografou casamentos, trabalhou com fotografia social, fotografia publicitária e fotojornalismo. “Estou sempre me adaptando ao ambiente em que estou, aos equipamentos que tenho em mãos e procuro sempre captar o melhor daquilo que sinto”, diz.
De volta a Itapoá, ela diz: “Itapoá sempre foi meu quintal de casa! Sou caiçara, adoro andar com os pés descalços até a praia, reencontrar amigos de infância, acordar cedinho para ver as ondas ou como está o tempo. Itapoá nos proporciona simplicidade e isso é muito bonito”.
Inspirada pela cidade onde cresceu, Chaiana passou a fotografar as belezas de Itapoá e o lifestyle de surfistas da cidade. “Meu desejo é compartilhar mais que fotografias turísticas, mas, também, provocar diferentes sensações no espectador. Tem tanta gente que ama Itapoá, então por que não devolver esse amor à altura?”, fala a fotógrafa, que gosta de capturar o balanço do mar e as paisagens ao redor.
Para ela, fotografar em Itapoá tem lá suas peculiaridades: a calmaria, simplicidade, quietude, as tonalidades, a beleza das ondas em um dia flat ou de swell, itapoaenses sorrindo, andando de bike cedinho pela praia – todas as pequenas coisas se tornam cenas. “Espero que as pessoas se sintam tocadas por este lugar e que, ao verem uma de minhas fotografias, sintam-se mais próximas da praia. Ou, ainda, desejo despertar o olhar de quem não conhece este pedacinho de paraíso”, diz.
A fotógrafa que é caiçara de Itapoá confessa que se entristece quando pessoas desvalorizam o potencial da cidade. “Itapoá é uma cidade nova, está engatinhando e deve ser olhada com mais carinho pelos políticos, turistas, veranistas e também moradores. São poucas as cidades do Brasil onde as belezas naturais ainda são preservadas e as crianças podem brincar na rua sem medo. É preciso dar valor a isso”, afirma.

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A arte de fotografar
Nas palavras de Chaiana, “fotografia é técnica, mas também é repertório visual”. Viajar, surfar, ficar por dentro do mundo da moda e lifestyle, ouvir músicas, assistir vídeos e acompanhar o trabalho de outros fotógrafos são meios que a fotógrafa utiliza para ampliar seu repertório.
Na fotografia, ela tem como referências os fotógrafos Annie Leibovitz (foi fotógrafa da revista Rolling Stone e depois migrou para a fotografia de moda), Cristiano Andujar (fotógrafo esportivo), Ana Catarina (fotógrafa de surf), Roberta Borges (fotógrafa, primeira campeã brasileira de surf e uma das pioneiras do esporte no país) e Diórgenes Pandini (fotojornalista e amigo).
O trabalho de Chaiana Müller é resultado de vivências, referências, atenção e uma eterna busca. “O feedback que tenho dos espectadores é que meus registros trazem paz, e isso é muito legal, porque em Itapoá vivo uma rotina de paz”, comenta.

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Fine art
Depois de muitos estudos e clicks, a artista adotou a fotografia Fine Art – uma prática da fotografia mais pautada nas experiências pessoais do autor, refletindo seus desejos, experiências e inquietações em um tom fantasioso e criativo.
Em busca de um trabalho mais autoral, Chaiana vem experimentando este universo da fotografia como fina arte e imprimindo suas fotografias na impressão Fine Art – um processo de impressão extremamente especializado dentro dos critérios que garantem preservação, fidelidade e permanência exigidos por museus, galerias e colecionadores.
O material utilizado nas impressões é o mesmo que artistas usam em pinturas. São papéis com texturas, que podem ser algodão ou alfa celulose, e as tintas são feitas de pigmentos naturais, o que permite um aspecto de pintura para a foto.
“Produzir a arte física, os quadros, tem sido apaixonante. Escolhi a dedo os papéis para impressão e as molduras das fotos, sempre mantendo a qualidade que a Fine Arte entrega. Optei por um papel específico não somente pelo efeito de pintura que dá à foto, mas também pela durabilidade, já que alguns deles chegam a durar até 200 anos, uma vez que não desbotam. E este é o interessante da fotografia Fine Art: ela entrega as melhores cores, as melhores luzes e os melhores contrastes – uma qualidade que seria impossível com impressoras simples e papel fotográfico comum”, explica a artista.
Recentemente, Chaiana Müller lançou a série “Nuvens Dançando no Céu de Itapoá” – três fotografias emolduradas que captam a beleza do céu de dezembro em Itapoá. “Escolhi este nome porque enquanto o mar estava mexido para os surfistas, o céu estava enfeitado de nuvens, e me chamou a atenção a quantidade de pássaros voando em bandos. É como se o tempo parasse quando finda a tarde só para vê-los passando…”, conta.
Os quadros em Fine Art da fotógrafa são feitos por encomenda e a moldura é a gosto do espectador. O trabalho de Chaiana Müller é para todos aqueles que amam Itapoá, desde o jovem surfista até a senhorinha que deseja ter um registro do mar na parede da sua sala de estar.

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Faça o coração vibrar
Dia após dia, Chaiana acorda cedo para ver o mar, e fica em dúvida se leva a prancha de surf ou a câmera fotográfica: “acabo levando a câmera, já que a luz da manhã é minha favorita, e o surf tem ficado para mais tarde”.
A profissional também produz outros tipos de trabalho, como fotografia de produto, fotografia empresarial, ensaios individuais e de casais, aniversários, entre outros, mas está mergulhando e se apaixonando cada vez pelo universo da fotografia Fine Art. “Tenho a pretensão de entregar à cidade de Itapoá muito mais que quadros, mas uma experiência em cores e sensações, que sensibilize todos os apaixonados pela cidade”, fala.
Às pessoas que estão iniciando na fotografia e se inspiram em seu trabalho, Chaiana diz: “Pratique, pratique e pratique! Parafraseando o fotógrafo Sebastião Salgado, ‘você não fotografa com sua máquina; você fotografa com toda sua cultura’”. Por fim, a fotógrafa e artista conclui: “Desejo que todos encontrem aquilo que faz seu coração vibrar, assim como a fotografia é para mim. Que possamos fazer de Itapoá um lugar cada vez mais colorido, criativo, cercado de boas ideias e mais encontros como esse”.

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Está nas mãos, nas telas e nos celulares. Revista mensal, com conteúdo próprio e distribuição gratuita