Casal de “Harleyros” compartilha experiências na vida e na estrada

O Dia Nacional do Motociclista é comemorado em 27 de julho. A data celebra todos os que, seja profissionalmente ou por hobbie, pilotam motocicletas. Para comemorar, conhecemos a história do casal Mayara Marturelli e Osvaldo Carneiro Junior, de Itapoá. Eles são apaixonados por motocicletas, especialmente os modelos da marca Harley-Davidson, e nos falam que os motociclistas não apenas pilotam motos, mas também vivenciam o que é conhecido como “cultura da motocicleta”.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Casal Osvaldo Carneiro Junior e Mayara Marturelli, de Itapoá.

Naturais de Curitiba-PR, Mayara e Osvaldo sempre gostaram de motocicletas. Ela recorda que fazia trilhas com sua motocicleta do modelo XTZ 125, na época da adolescência, enquanto ele conta que tinha uma motocicleta esportiva do modelo Bandit 1200, mas que teve por pouco tempo, pois não era bem o seu estilo. Mayara e Osvaldo se conheceram em Itapoá, em 2006. Ele relembra: “Morávamos bem próximo um do outro, então, eu sempre a via andando de moto e achava muito bacana, especialmente por ser mulher”. Quando começaram a namorar, em 2009, os dois haviam vendido suas motocicletas e ficaram um bom tempo sem elas. Segundo Osvaldo, este foi um período difícil, pois ele sentia muita falta de pilotar.
Em 2013, já casados, eles foram a uma loja da Harley-Davidson e, por incentivo de Mayara, Osvaldo comprou uma motocicleta Harley-Davidson do modelo Fat Boy. “Sempre sonhei em ter uma moto da linha da Harley-Davidson, pois esta marca centenária se transformou em uma lenda do motociclismo e sinônimo de estilo de vida, personalidade, conforto e experiência”, conta Osvaldo. Porém, Mayara não o acompanhava nos passeios e viagens de motocicleta, pois tinha insegurança de andar na garupa, uma vez que sempre pilotou a sua própria motocicleta. “Quando viajávamos para participar de eventos, eu ia de motocicleta e, ela, de avião. Era um pouco chato, pois desejava ter minha parceira ao lado, na estrada, e, além disso, ela também sentia falta de pilotar. Então, dentro de um ano e meio, me senti na obrigação de presenteá-la com uma motocicleta”, fala Osvaldo.

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Foi em São Paulo, em um evento da Harley-Davidson, que Mayara se apaixonou por um modelo que estava sendo lançado no evento, a Harley-Davidson Breakout Softail. “Gosto muito deste modelo, pois foi a minha primeira motocicleta de porte grande, é muito confortável e esbanja estilo”, diz Mayara. Recentemente, há cerca de um ano, devido às frequentes viagens a trabalho, Osvaldo trocou sua Fat Boy por um modelo mais confortável, uma Street Glide, também da marca Harley-Davidson.
Mayara e Osvaldo são bons exemplos de “Harlystas” ou “Harleyros” – como são chamados os motociclistas apaixonados por modelos da marca Harley-Davidson. Eles colecionam diversos objetos da marca, vão a eventos específicos da marca e, sempre que viajam a outros estados ou países, as lojas da Harley-Davidson são sinônimos de parada obrigatória. “Diferente do que muitos pensam, estes são ambientes tranquilos e frequentados por muitas famílias e pessoas de todas as idades. Nos eventos da Harley, há sempre bandas de rock, lojas, barbearias, concursos de Pinups, lançamentos de novos modelos de motocicletas, exposição de carros e motocicletas antigas, opções para personalizar a motocicleta, além de ações beneficentes, como a campanha do Outubro Rosa, para ajudar mulheres com câncer de mama, por exemplo”, conta Mayara.
No entanto, o foco do casal não são os eventos de motociclismo, mas as viagens realizadas, cada qual com sua Harley. “Na estrada, ficamos impressionados com o respeito que alguns caminhoneiros têm pelos motociclistas”, ressalta Mayara, que trabalha aos fins de semana, mas acompanha o amado nos passeios, sempre que possível. Para Osvaldo, ter uma mulher que goste tanto do universo do motociclismo quanto ele é sinônimo de realização: “depois que cada um passou a ter a sua própria motocicleta e realizar os passeios juntos, nossa relação se fortaleceu ainda mais”.

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Para aqueles que desejam adquirir uma motocicleta da marca Harley-Davidson, Mayara e Osvaldo garantem que o investimento vale a pena, mas opinam: “a motocicleta tem de ser funcional, não adianta ter uma e não usá-la”. Ela se diz se diz satisfeita com a sua Breakout Softail, já ele, fala que não se vê pilotando outra motocicleta que não seja Harley Davidson.
Segundo o casal – que tem amigos motociclistas espalhados por Itapoá, Curitiba e por todo o mundo, o presente que este estilo de vida proporciona são as experiências e os amigos. “Hoje, além de andar de moto e gostar de Harley, encontramos outras afinidades que nos completam, como o gosto por viagens e o crescimento profissional”, conta o casal, que ainda planeja cruzar a famosa Rota 66, nos Estados Unidos da América – símbolo e sonho de motociclistas do mundo todo. Mas, o que existe por trás de todo esse amor pelo veículo automotor de duas rodas? Os “Harleyros” Mayara e Osvaldo explicam em poucas palavras: “pilotando uma motocicleta, o foco nunca é chegar ao destino, mas apreciar a jornada”.

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Ballet ou jazz, dançar faz bem para todas as idades

Dando continuidade à nossa série de pautas sobre diferentes atividades físicas, em parceria com a Fisiopilates, de Itapoá-SC, nesta edição, contamos um pouco sobre o Ballet Clássico, o Ballet Baby Class e o Jazz Dance. Quem nos explica melhor sobre a versatilidade e os benefícios da dança, em suas diversas modalidades, são os professores e bailarinos profissionais Luiz Carlos dos Santos e Gabriela Buiarski Antunes da Luz – que fazem parte do time de profissionais da Fisiopilates.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Ballet Clássico

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Os professores e bailarinos Luiz Carlos dos Santos e
Gabriela Buiarski Antunes da Luz, com seus alunos, e a Thayna
Martins do estúdio da Fisiopilates.

“Uma arte com beleza, leveza e liberdade para mover o corpo e ativar a saúde física” – com estas palavras o professor Luiz define o Ballet Clássico, atividade que leciona para crianças, jovens e adultos, na Fisiopilates. Seus benefícios são: agilidade, postura, expressão facial e corporal, coordenação motora, noção de espaço, ritmo, equilíbrio, flexibilidade, resistência muscular e respiratória, autoestima, memorização e sociabilidade. Além disso, o professor destaca que o Ballet pode auxiliar seus praticantes no estudo escolar e relacionamentos, criando laços saudáveis e verdadeiros, e ativando a imaginação com a emoção musical.
Normalmente, as aulas de Ballet Clássico com o professor Luiz se iniciam com aquecimentos e alongamentos para fortalecer os músculos, obter flexibilidade e abertura, em seguida, preparando o corpo para a execução dos exercícios, que se iniciam na barra e são transferidos para o centro, onde são executados com força, beleza, técnica e leveza. Após o conhecimento dos mesmos, é elaborada uma junção dos passos e movimentos dentro de um ritmo musical – ali, diz o professor, “nasce uma coreografia, a transformação e a realização dos sonhos”.
Segundo Luiz, o Ballet Clássico consiste em um aprendizado lento e calmo, onde cada novo movimento depende do outro já aprendido. Desse modo, a evolução é gradativa, sendo respeitada e incentivada conforme as habilidades de cada aluno. Por fim, o professor conclui: “aguardamos sua presença para, juntos, dividirmos o conhecimento, o palco, a emoção e o aplauso”.

Ballet Baby Class

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O Ballet Baby Class é direcionado às crianças de quatro a seis anos de idade, e ministrado pela professora Gabriela.

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Essa atividade leva este nome, pois é direcionada às crianças de quatro a seis anos de idade. Na Fisiopilates, as aulas de Ballet Baby Class são ministradas pela professora Gabriela. Ela nos conta que o Ballet Baby Class trabalha exercícios com base na ludicidade e nas músicas infantis, ou seja, dentro do universo infantil. No entanto, a professora ressalta: “apesar da ludicidade e das brincadeiras, todos os trabalhos são muito bem planejados, para não fugir da técnica clássica, como, por exemplo, ‘pé de palhaço, pé de bailarina e pé de pinguim’, que são exercícios lúdicos para a criança se divertir e fixar os movimentos em sua memória”.
Segundo Gabriela, o prazer de todo bailarino é poder demonstrar todo seu desenvolvimento e talento em cima de um palco e, no Ballet Baby Class, não poderia ser diferente: “normalmente, trabalhamos com coreografias elaboradas com músicas e personagens infantis, expressando a história através dos movimentos e dos figurinos”.
Os benefícios do Ballet para crianças de quatro a seis anos de idade são inúmeros, mas muitas aderem à atividade em busca de agilidade, tranquilidade, coordenação motora, resistência muscular e respiratória, autoestima, noção de espaço, memorização e sociabilidade. “Para alcançar tudo isso, bastam apenas duas coisas: paciência e muito amor por aquilo que se faz”, diz Gabriela que, assim como a família de suas alunas, sente muito orgulho da evolução e desenvolvimento de cada uma delas.

Jazz Dance

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“O ritmo que move, encanta, fascina e inspira” – afirma a professora Gabriela sobre o Jazz Dance, ritmo que tem sua origem há muitos anos, com os negros escravizados nas grandes navegações, que, trancafiados durante as festas, observavam os brancos dançarem quadrilhas e valsas e, então, os ridicularizavam, imitando seus movimentos e passos, como deboche, enquanto estavam sozinhos e presos. Hoje, o ritmo se expandiu pelo mundo todo e se divide em diferentes estilos, mas nunca fugindo às técnicas de origem: o Ballet Clássico.

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De acordo com a professora, por mais leve e suave que o jazz pareça, ele exige muita técnica para que se conquiste cada movimento. “O nosso jazz tem oferece aula muito completa, dividida em aquecimentos (como saltos, giros, piruetas e rolamentos), alongamentos (de todos os tipos, para o corpo conquistar a flexibilidade exigida na dança), exercícios técnicos (alguns deles com origem no Ballet Clássico, como Tendu, Grand Battement, entre outros), exercícios em laterais e em diagonais e, por fim, sequências coreográficas, fazendo uma junção dos passos e movimentos já aprendidos.
Na Fisiopilates, as aulas de Jazz Dance são ministradas para iniciantes a partir do dez anos de idade, mas é possível encontrar atividades dançantes para todas as idades. Afinal de contas, a dança é para todos. Segundo a professora e bailarina Gabriela, conquistar as técnicas e a tão exigida flexibilidade para dançar requer amor e paciência. Mas, ao final de tudo, o talento e o crescimento do aluno na dança valem toda a dedicação.

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Fique por dentro dos dias e horários das aulas de dança na Fisiopilates:
Ballet Clássico: toda segunda e quarta-feira, com turmas das 9h às 10h e das 15h às 16h.
Ballet Baby Class: toda terça e quinta-feira, das 10h15 às 11h15.
Jazz Dance: toda terça e quinta-feira, das 9h às 10h.
Maiores informações:
47 3443.6797 | 99940.0614
Avenida Brasil, 3622,
Princesa do Mar,
Itapoá – SC

Síndrome de Cornélia de Lange: com apenas um ano de vida, Alice, portadora de síndrome rara, luta pela vida

Antes mesmo de nascer, Maria Alice Soares já vencia desafios e lutava por sua vida, dia após dia. Ela nasceu prematura e foi diagnosticada com Cornélia de Lange, uma síndrome muito rara.
Desde então, a pequena e seus pais Morielli Beira e João Claudio Soares, moradores de Itapoá-SC, adentraram o universo de doenças raras e crianças especiais, passando por dificuldades, como a busca pelo diagnóstico, o difícil acesso à informação, e tratamentos escassos e de alto custo – o que comprova que, em plena era da informação, tecnologia e inclusão, as doenças raras ainda representam inúmeros desafios para a saúde pública.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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A pequena Maria Alice, com muitos fios e sondas, no colo da mamãe Morielli.
Quando a menina atingiu o peso estimado e vestiu sua primeira roupinha.

Da gestação ao nascimentoDa gestação ao nascimentoTudo começou em 2015, quando Morielli e João Cláudio – que já eram pais de Maria Helena Soares, na época, com dois anos de idade –, descobriram que seriam pais de outra menina, a Maria Alice. Mas, a tranquilidade da gestação acabou quando realizaram o ultrassom morfológico, que examina minuciosamente o desenvolvimento do corpo e dos órgãos do bebê, e o médico lhes disse que ele apresentava má formação em um dos braços, tinha apenas três dedos na outra mão e era muito pequeno, o que provavelmente acarretaria em uma gestação de risco.

Em consulta com um segundo profissional, souberam que o bebê teria de nascer prematuro, pois estava muito abaixo do peso. Com 34 semanas de gestação, Morielli se consultou novamente para verificar o desenvolvimento do bebê e acabou sendo internada. Logo no dia seguinte, nasceu Maria Alice, prematura, com apenas 1 quilo e 315 gramas, má formação nos braços e muitos pelos, respirando e cheia de vontade de viver.

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Primeiro encontro das irmãs Maria Helena e Maria Alice: momento que marcou a vida dos papais Morielli e João Claudio.

Primeiras dificuldades

Assim que nasceu, Maria Alice foi levada à UTI Neonatal do hospital, pois precisava ganhar peso antes de receber alta. Devido à quantidade de sondas e aparelhagens que a recém-nascida utilizava, seu organismo recusou o leite materno. Ela passou a receber nutrição enteral, pelas veias, mas, ainda assim, estava desnutrida, pois aquela alimentação não substituía o leite materno.

O problema se alastrou por dias e, através de exames e ultrassons, os médicos constataram que a menina tinha um problema no coração, que seus órgãos estavam mal posicionados e que o canal por onde descia o leite materno estava fechado e deveria ser aberto, o que resultou em uma cirurgia de urgência, no 13º dia de vida de Maria Alice. “Não sabíamos se ela sobreviveria, mas oramos muito e nos mantivemos unidos, dando força um para o outro”, recorda o casal.

Após a cirurgia, ela estava irreconhecível, devido ao inchaço e à dopagem dos remédios. Dentro de dois dias, sua estrutura interna se abriu e começaram a vazar fezes dentro dela, o que foi solucionado com uma segunda cirurgia. Mas, por conta do vazamento de fezes, Maria Alice pegou infecção hospitalar e já não respirava mais sozinha – apenas com sondas –, e tomava diversos medicamentos e antibióticos.Sobre este período, Morielli recorda: “se ouvíssemos dos médicos que ela estava estável, tínhamos ganhado o dia”.

O cuidado tipo “canguru” (quando o recém-nascido é colocado no colo do pai, para promover o vínculo entre ambos) foi feito por João Claudio com muito cuidado, por conta da má formação dos bracinhos e das aparelhagens no bebê.Quando a recém-nascida completou dois meses, João Claudio estava de volta a Itapoá, para trabalhar, com a filha mais velha Maria Helena, enquanto Morielli teve de ficar com Maria Alice no alojamento de mães do hospital, em Joinville. “Uma médica, especializada em genética, disse que suspeitava que Maria Alice fosse portadora de Cornélia de Lange, uma síndrome muito rara”, lembra a mãe, “receber essa notícia foi desesperador, especialmente porque, naquele momento, estava sozinha”.

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Quando João Claudio retornou a Joinville, o casal recebeu a confirmação da síndrome da filha e, aí, adentrou um novo mundo: de síndromes raras e crianças especiais. Cornélia de LangeDe imediato, Morielli e João Claudio perceberam que pouco se sabe sobre a Síndrome Cornélia de Lange (CDLS). De acordo com pesquisas e alguns profissionais, se trata de uma doença muito rara de origem genética, cujas características físicas e mentais mais comuns são: baixo peso e baixa estatura ao nascer, sobrancelhas espessas e unidas no centro, má formações nos pés e nas mãos, refluxo gastroesofágico, má formações cardiológicas, déficit global do desenvolvimento físico, motor e intelectual, e 90% dos portadores não adquirem a linguagem verbal.Atualmente, são registrados apenas 354 casos de Cornélia de Lange em todo o Brasil.

Por se tratar de uma síndrome rara, Morielli e João Claudio contam que os médicos conhecem muito pouco a respeito – alguns nunca tinham ouvido falar até conhecer o caso de Maria Alice. “Geralmente, quando chegamos ao pronto atendimento, os médicos não sabem o que dizer. Às vezes, saímos com mais dúvidas ainda”, diz o casal. Para facilitar o atendimento nas consultas com diferentes médicos, eles carregam uma pasta, contendo o histórico de exames, consultas, cirurgias e afins da filha.Luta para deixar o hospitalDe acordo com os médicos, se Maria Alice atingisse 1 quilo e 800 gramas, poderia vestir sua primeira roupinha e, se atingisse 2 quilos, receberia alta do hospital. Eles a liberaram para ficar com Morielli, em um quarto, especialmente para fortalecer o vincule entre a mãe e o bebê. Mesmo fazendo o uso de sondas, a menina passou a mamar no seio de sua mãe, mas, ainda assim, não ganhava peso.Com crise de pânico e ansiedade por conta da rotina no hospital, Morielli acabou adoecendo, passou por uma cirurgia e ficou dez dias internada.

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Primeiro encontro das irmãs Maria Helena e Maria Alice: momento que marcou a vida dos papais Morielli e João Claudio.

Enquanto isso, Maria Alice pegou outra infecção hospitalar, voltou a ter problemas respiratórios e foi encaminhada novamente à UTI Neonatal. Quando Morielli se recuperou, seu leite havia secado e, mesmo com relactação e simpatias, não voltava. “Eu estava com meu psicológico muito abalado, pois passava dias me revezando entre Itapoá, com Maria Helena, e Joinville, com Maria Alice. O apoio do meu marido, da minha mãe e da minha sogra foi essencial neste momento”, lembra.Nas inúmeras tentativas para nutrir Maria Alice, Morielli e João Claudio tentaram a mamadeira, mas ela não se adaptou. As enfermeiras lhes deram, então, um mamatute – um copinho com uma sonda, que faz com que o bebê estimule o seio e seja bem alimentado. “Se ela sentisse que aquilo era uma sonda, largava na hora, mas, aos poucos, fui adquirindo habilidade e pude amamenta-la tranquilamente”, conta Morielli. E, foi assim, com o mamatute, que Maria Alice atingiu o peso médio e recebeu alta. Depois de quatro longos meses no hospital, ela pôde, enfim, ir para sua casa, em Itapoá, com sua família.
Nova faseDepois de nascer prematura, passar por cirurgias e infecções, e ser diagnosticada com Cornélia de Lange, Maria Alice deixou o hospital com refluxo severo, estrabismo, secreção nas narinas, broncodisplasia pulmonar, atresia de coana, dificuldades na alimentação, má formação dos membros e crises de choro, uma vez que a Cornélia de Lange afeta também o sistema nervoso. Seu desenvolvimento para ganhar peso é lento e, por ter a imunidade baixa, quase sempre está doente.

Hoje, com um ano e três meses, a pequena Maria Alice vive o auge de sua alimentação e está se desenvolvendo dentro do seu tempo.

Maria Alice já realizou fisioterapia e recebe acompanhamento de fonoaudiólogo, pediatra, neurologista, oftalmologista, otorrinolaringologista, pneumologista, cardiologista, gastroenterologista, endocrinologista, nutricionista, cirurgião e ortopedista, além de tomar diversos medicamentos, vitaminas e antibióticos de alto custo. Para contribuir com todas essas despesas, Morielli, João Claudio e toda a família organizam ações, vaquinhas e rifas em prol do tratamento da pequena Maria Alice.Há aproximadamente dois meses, sua saúde está em estado estável, sem crises ou outras complicações. No entanto, isso só vem sendo possível graças à dedicação dos profissionais e da família. “Deus e todas as pessoas colocadas em nossas vidas foram muito bondosas, especialmente Maria Helena (hoje, com três anos de idade), que se adaptou facilmente a todas estas situações e sempre tratou a irmãzinha com muito amor”, diz Morielli, que, durante o período em que esteve no hospital, conheceu enfermeiras e gestantes que se tornaram suas amigas para a vida toda.

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Hoje, a família formada por Morielli e João Claudio se diz muito mais forte, mais unida e com mais fé.

Hoje, com um ano e três meses, a pequena Maria Alice vive o auge de sua alimentação, tomando 120 ml de leite materno na mamadeira. Gosta de músicas, bagunças, brincadeiras e está se desenvolvendo dentro do seu tempo. Desde que adentrou o mundo de crianças especiais, João Claudio afirma: “nossa família está muito mais unida e fortalecida, e damos muito mais valor à vida”. Ele e Morielli contam que a fé e o amor são o que os mantêm fortes, dia após dia. Sobre o futuro de Maria Alice, eles dizem: “não queremos que as pessoas sintam pena dela, mas que tenham respeito, e que, antes de tudo, ela seja feliz e saiba o quanto é forte, guerreira e amada por todos nós”.
Deseja saber mais sobre a síndrome Cornélia de Lange?De 15 a 18 de agosto será realizado o 9º Congresso da CDLS WORLD, em Minas Gerais, onde serão realizadas palestras, reuniões e consultas com especialistas em Cornélia de Lange do mundo todo. Ou ainda acesse o site da Associação Brasileira Síndrome Cornélia de Lange: http://www.cdlsbrasil.org.

Férias escolares de julho: Dos papéis às dobraduras

Concluindo a nossa série de entrevistas com a criançada, está Jhoe Cubas Pereira, de oito anos de idade, estudante do 2º ano D da Escola Municipal Ayrton Senna. Desde criança, ele tem sua criatividade estimulada dentro de casa, por seus pais Simone Cristine Cubas e André Luiz Pereira, e, hoje, é apaixonado por esportes e atividades manuais.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Uma das principais diversões de Jhoe Cubas Pereira é criar diversos origamis (dobraduras de papel).

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Jhoe gosta de desenhar, utilizando diferentes tipos de canetas, tintas e molduras, e criar esculturas com argila. Mais que fazer manobras de skate – esporte que aprendeu a dominar apenas observando os mais velhos, ele gosta de montar seu próprio skate, assim como o fez com a pipa e com o hand spinner (peça que, quando impulsionada, começa a girar constantemente na ponta dos dedos), brinquedos que Jhoe aprendeu a fazer para, depois, é claro, brincar. Ele conta que as suas ideias e inspirações vêm do ato de observar seus pais trabalhando ou sua irmã mais nova brincando, de assistir aos programas de televisão e acessar aos sites voltados ao “faça você mesmo”.
Recentemente, a mais nova paixão de Jhoe tem sido os origamis – a arte de dobraduras de papel, uma técnica japonesa que existe há mais de um século. “Eu estava assistindo ao filme ‘Kubo e as Cordas Mágicas’ e o personagem principal criava origamis que ganham vida a partir das fábulas que inventa. Gostei muito dos origamis do filme e, com a ajuda da minha família, pesquisei na internet como eles eram feitos e, assim, consegui criar meus próprios origamis”, conta Jhoe. Vale destacar que a técnica de origami contribui para o aumento da capacidade da concentração, desenvolvimento da coordenação motora, paciência, memória e imaginação das crianças que o praticam.

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Além dos origamis, Jhoe também adora pintar.
Na foto, uma das telas para a decoração do
Carnaval de Itapoá de 2017, pintada por ele.

“Criar um brinquedo com as próprias mãos é muito mais legal do que comprar um brinquedo já pronto, pois, assim, a criança pode se divertir enquanto cria”, fala o pequeno Jhoe, que nos conta que, quando for maior, deseja continuar andando de skate, desenhando, sendo bom em fazer origamis e em soltar pipa.

Férias escolares de julho: Inventando moda

Olhar de estilista é assim: onde você vê um pedaço de pano, ela enxerga uma saia ou um vestido. Foi desse jeito que Serena Cubas Pereira, de sete anos de idade, começou a inventar roupinhas para suas bonecas. “Normalmente, elas vêm com apenas uma roupa, e eu queria ter outros modelos, cores e estampas como opções”, conta. Foi de um pequeno pedaço de tecido que ela criou o primeiro vestido para sua boneca. Olhar de estilista é assim: onde você vê um pedaço de pano, ela enxerga uma saia ou um vestido.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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A pequena Serena Cubas Pereira utiliza tecidos e outros materiais para criar modelitos para as suas bonecas.

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Foi desse jeito que Serena Cubas Pereira, de sete anos de idade, começou a inventar roupinhas para suas bonecas. “Normalmente, elas vêm com apenas uma roupa, e eu queria ter outros modelos, cores e estampas como opções”, conta. Foi de um pequeno pedaço de tecido que ela criou o primeiro vestido para sua boneca. Desde então, os pais de Serena, Simone Cristine Cubas e André Luiz Pereira, incentivaram-na nas criações. “Como o André é tatuador e gosta de desenhar e pintar, minha mãe faz tricô e crochê, e eu gosto muito de trabalhos manuais, ela cresceu sendo estimulada e tendo liberdade para criar e fazer novos experimentos”, conta Simone que, recentemente, costurou à mão uma roupa da personagem Lady Bug para Serena fazer uma apresentação para toda a família.

Abraçando a ideia da filha, Simone comprou uma caixa de tecidos para que ela experimentasse, testasse e criasse novos modelos – quem escolheu os tecidos foi, é claro, a pequena estilista. “Meus tecidos preferidos são os estampados de cores claras”, diz Serena, que estuda no 1º ano C da Escola Municipal Ayrton Senna. Sem fazer uso de agulha ou máquina de costura, ela utiliza apenas pedaços de tecidos e uma tesoura e, assim, trabalha com amarrações, laços, elásticos ou fitas adesivas para fixar a roupa na boneca.

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 Serena e sua mãe, Simone Cristine Cubas, dando vida à criação.

Além dos tecidos, a pequena também já criou roupas para suas bonecas recortando bexigas, modelando massinhas, utilizando lenços umedecidos e reaproveitando suas próprias roupas: “recortei as mangas de uma blusa que não servia mais em mim e usei o tecido para fazer vestidos e saias para as bonecas”. Já os detalhes são feitos com tinta, esmalte, pedrinhas, prendedores de cabelo, entre outros materiais.

As inspirações para os modelos das bonecas de Serena vêm de sua cabeça, da internet, de programas de televisão, do guarda-roupa e da loja de sua mãe. E suas peças são variadas e modernas: ela faz vestidos, saias, capas, bolsas, lenços e, até mesmo, tops no estilo cropped para o estilo de suas modelos de brinquedo. “O mais legal é que comprar o tecido não é tão caro quanto comprar uma roupinha já pronta, e que as peças não enjoam nunca, porque uma saia pode virar um vestido, se você quiser”, explica Serena, que também ensinou suas amigas a fazerem o mesmo.

Além das peças de moda, a pequena nos conta que também gosta de fazer outras coisas, como: “desenhar, fazer Yoga, assistir desenhos e brincar com meu irmão, que me ensina muitas coisas legais”. Como mérito de suas criações para as bonecas, Serena ganhará de seus pais, em breve, a sua primeira máquina de costura. “Acho que vou gostar, porque não consigo fazer calças para as bonecas só amarrando os tecidos e, com a máquina, vou conseguir”, diz Serena, que está cogitando a ideia de se tornar uma estilista quando crescer: “mas não tenho certeza, porque ainda vou demorar para crescer”.

Férias escolares de julho: Toda criança tem uma história especial

Uma boa sugestão para inspirar a criançada nas férias escolares é criar uma história e (por que não?) escrever um livro – como fez Pedro Lucas Melin Dunzer, de dez anos de idade.

Ele conta que adora ler, criar histórias de aventuras, acampar na praia, pescar, participar do Coral Sementes do Amanhã, fazer
piqueniques, experiências científicas e observar com o microscópio as micropartículas e misturas que ele mesmo faz, mas, o que mais gosta são os animais, como cães, peixes, moluscos do mar, pássaros, coelhos, insetos que adora observar e os seus preferidos: os gatos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Pedro Lucas Melin Dunzer e a capa do livro
“O Gato Astronauta”,
de Pedro e Mari.

A mãe de Pedro, Maria Inês Vargem Yalçinkaya, mais conhecida como Mari, conta que, de todos os bichinhos de estimação que o filho já teve, um deles lhe chamou atenção: “Certo dia, um gato foi abandonado dentro do nosso quintal e decidimos ficar com ele. Pedro deu a ele o nome de ‘Kuçuçuko’ e os dois se tornaram inseparáveis. Onde Pedro estava, o gato estava, também”. Mas, infelizmente, chegou o dia em que Kuçuçuko desapareceu e, mais tarde, foi encontrado morto. Mari recorda que Pedro sofreu por muito tempo com a ausência do bichano. “Eu gostava muito dele e tinha projetos de viajarmos eu, minha mãe e ele para a Lua em um foguete imaginário e, lá, fazermos um piquenique”, conta Pedro, que estuda no 5º ano da Escola Municipal Ayrton Senna.
A história criada pelo menino, de fazer um piquenique na Lua com o gato Kuçuçuko, foi criada quando Pedro tinha oito anos de idade, e despertou o interesse de sua mãe, que sempre desejou escrever um livro infantil. “Sugeri a ele que transformássemos aquela aventura em um livro e ele adorou a ideia e, então, começamos a escrever e desenhar juntos”, fala Mari.
Assim, nasceu o livro o “O Gato Astronauta”, dedicado às crianças (e adultos, também) que perderam seus bichos de estimação e desejam superar essa dor, com textos e ilustrações de Pedro e Mari.

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O menino e o gato Kuçuçuko, amizade que deu origem ao livro.

Para materializar essa história, a mãe de Pedro imprimiu cem exemplares do livro, para vender aos familiares e amigos mais próximos. De acordo com Mari, as impressões não são muito baratas e o processo de registro na biblioteca nacional leva tempo, mas vale a pena. A história de Pedro foi lida, inclusive, nas salas de aula da sua escola, inspirando e mostrando a todos os seus colegas que é possível transformar um episódio triste em uma leitura prazerosa, e que escrever um livro não é algo tão distante como parece. Outro fato que também deixou mãe e filho muito felizes é que o livro já foi encomendado, inclusive, por pessoas que moram fora do Brasil, como Suíça, Portugal, Holanda e Turquia.

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Além de criar histórias, Pedro também gosta muito de pescar.

Além de “O Gato Astronauta”, Pedro e Mari também criaram outras histórias de aventura que virarão livros: “Não Era uma Vez”, que conta a história de um menino e seu peixe de estimação, e “O Coelho Mágico”, que fala sobre um coelho mágico e a família que o amou – sempre trazendo mensagens de amor, amizade, respeito aos animais e perseverança. “Gosto muito de curtir o Pedro e ouvir suas ideias, histórias, teorias e sonhos. E, se pararmos para escutar, toda criança já criou, pelo menos, uma história especial para contar. O que falta é nós, adultos, darmos atenção e valor a isso”, fala Mari.
Entre tantas coisas que Pedro pensa em ser quando crescer, uma delas é cientista químico ou “cientista de misturas”, como ele mesmo diz. Hoje, o menino compreende melhor a ausência de seu companheiro, o gato Kuçuçuko, pois, como está escrito na nota dos autores de “O Gato Astronauta”: “a vida nos traz e nos leva o que é preciso aprender e, mesmo na dor, devemos ser gratos pelos momentos de grande valor que passamos juntos”.

Férias escolares de julho: É praticando que se aprende

Para que sejam proveitosas, as férias escolares de julho da criançada não precisam envolver, necessariamente, uma grande viagem, uma extensa programação e muitos gastos. Pelo contrário: é nas atividades simples que pode estar o maior barato. Afinal de contas, tempo de férias é tempo de criar, produzir, inventar, explorar, imaginar e, é claro, brincar muito.
E, para convidar outras crianças a deixarem sua imaginação fluir, conversamos com quatro especialistas no assunto: as próprias crianças! Com muita criatividade e força de vontade, nosso time de pequenos de Itapoá-SC prova que toda criança tem algum talento e que boas ideias merecem ser compartilhadas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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De Itapoá, Allef Vinicius de Melo pinta belas paisagens em lajotas.

Filho de Elaine de Mello e Marcos de Mello, Allef Vinicius de MeLlo, de 14 anos de idade, é um menino com capacidade autodidata e multitarefas. “Todas as coisas que ele deseja aprender, ele para, observa e aprende”, conta sua mãe, “acredito que ele tenha um dom para isso, mas muito vai da sua força de vontade, pois ele tenta inúmeras vezes até conseguir”. Foi observando e praticando que Allef aprendeu a surfar, andar de skate, de slackline, cantar, jogar futebol, tocar violão e guitarra, fazer malabarismos e realizar belíssimas pinturas em lajotas – e é sobre esta última atividade, em especial, que iremos falar.
Sempre interessado em trabalhos manuais, há três anos, Allef teve a ideia de começar a realizar pinturas com tinta guache em lajotas. Ele conta que pintava mais por diversão, sem técnica alguma. Até que, no último verão de 2016/17, conheceu um artista que ficava pelas ruas de Itapoá realizando pinturas e lajotas e as vendendo para moradores e turistas. Como Allef ajuda muito sua família – especialmente no Trenzinho da Alegria de seus pais, onde o menino se fantasia de Pato Donald –, pediu aos pais que pagassem um pequeno curso para o artista, para que este lhe ensinasse algumas técnicas de pintura em lajotas. E, assim, o artista ensinou ao menino qual o tipo de lajota e o tipo de tinta que devem ser utilizadas, como ele poderia realizar os acabamentos, entre outras técnicas.
Desde então, Allef vem pesquisando outras dicas na internet e realizando belíssimas pinturas de paisagens em lajotas, que levam apenas de dois a cinco minutinhos para ficarem prontas. “Os materiais utilizados são: uma lajota lisa, tinta a óleo, querosene, solvente, um pano, um pouco de água e palitinhos. O desenho é feito na lajota utilizando a mão e os dedos, já os acabamentos podem ser feitos com as unhas, o pano e os palitos. São materiais que custam pouco, mas, quando tenho apenas uma lajota, eu pinto, apago tudo e pinto novamente na mesma lajota, para treinar”, explica Allef, que estuda no 9º ano da Escola Municipal Monteiro Lobato. Mais que tranquilidade e coordenação motora, esta atividade artística também permite ao praticante as noções de tons de cores, luz e sombra, perspectiva e reflexo.

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De Itapoá, Allef Vinicius de Melo pinta belas paisagens em lajotas.
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Entre outros esportes que pratica, o jovem se destaca no slackline, tendo ganhado dois campeonatos no esporte.

Hoje, Allef coleciona algumas medalhas do Festival da Canção de Itapoá e de campeonatos de slackline e de skate, canta e toca guitarra na CEU (Comunidade Evangélica Unida), estuda e ainda arruma tempo para praticar suas pinturas, que já serviram de presente para toda a família. Acompanhando o ritmo de Allef está seu irmão mais novo, Allex Vinicius de Mello, de seis anos de idade. Mas exige muita força de vontade: “Gosto de estar sempre pesquisando e observando as pessoas para aprender novas coisas.
No começo, pode parecer difícil, mas se você tentar outras vezes, vai conseguir e vai fazer cada vez melhor”, diz Allef, que gosta muito da frase bíblica “tudo posso naquele que me fortalece” e que, entre tantas realizações e aprendizados, sonha em, um dia, ser professor de Educação Física ou policial.