Ondas, conquistas e sonhos do atleta itapoaense de surfe Ryan Cordeiro

Ele se apaixonou pelo esporte no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar, superou grandes nomes da nova geração do surfe catarinense e paranaense, liderou rankings e conquistou diversos títulos. Hoje, quando o assunto é surfe itapoaense, Ryan Cordeiro é destaque e serve de inspiração, especialmente para a nova geração de surfistas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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Ryan Cordeiro começou a surfar no Projeto Ampliação de Jornada Escolar e, hoje, lidera rankings de campeonatos da região.

Sua história com o surfe começou em 2011, aos 10 anos de idade, no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar (AJE), provando a importância de uma política pública municipal comprometida com o esporte. Desde suas primeiras aulas, Ryan chamou atenção dos professores e se destacou nas ondas. “Os professores do Projeto AJE foram essenciais para que eu criasse gosto pelo esporte. Eles me levaram para competir fora de Itapoá pela primeira vez, me incentivaram para que eu comprasse minha primeira prancha de surfe e me motivaram a evoluir cada vez mais no esporte”, diz.

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O atleta na fábrica da Pró-Ilha Surfboards, um dos seus patrocinadores.

Depois de obter o 3º lugar em uma edição da Copa Catarinense de Surfe Infantojuvenil (Copinha), realizada em Itapoá, Ryan criou gosto por competições e passou a ter o objetivo de participar de todos os campeonatos da região e conhecer diferentes picos e ondas – e, assim, aconteceu. Por ser menor de idade, o atleta recebeu apoio de muitos amigos que o levaram e ainda o levam para competir Itapoá afora: “sou eternamente grato aos meus amigos Ricardo Brauer e Ronaldo Camarão, que já me ofereceram muitas caronas e, especialmente, a Elaine Nemoto (mãe da atleta Julie Arissa Nemoto Tamura) e ao atleta Gabriel Castigliola, meu treinador, empresário e grande amigo, a quem devo muito por minha evolução”, ressalta Ryan.

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Em Itapoá, seu município, Ryan costuma surfar as ondas da Terceira Pedra e em frente à tradicional Barra do Açaí. Entre os sonhos do surfista, está representar o Brasil no WCT.

Para os atletas da nova geração do surfe itapoaense, Gabriel Castigliola é tido como um “pai”, uma vez que treina, gerencia e torce pela carreira de muitos deles. Sobre Ryan, Gabriel afirma: “Gosto muito de poder passar o melhor daquilo que aprendi nestes longos anos dentro do mundo do surfe aos mais novos e, com o Ryan, não é diferente. Ele é um garoto educado, talentoso e com um futuro muito promissor no esporte. Eu o tenho como ‘filho’, ‘irmão’ e melhor amigo, ao mesmo tempo”.
Entre os melhores títulos já conquistados pelo surfista Ryan Cordeiro estão: Campeão Catarinense de Surf da categoria Iniciantes, em 2015; Vice-campeão da categoria Iniciantes do Circuito Surfuturo, em 2015; Campeão da categoria Sub-16 do Circuito Storm Kids, em 2016, entre outros pódios colecionados pelo atleta nas disputas dos circuitos Catarinense de Surf Amador, Paranaense de Surf Amador e da Associação Itapoaense de Surf.

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Ao final de 2016, Ryan teve sua primeira surftrip para o exterior. Na foto, ele em Lobitos, no Peru.

Para manter o bom desempenho nas ondas, a rotina do atleta é intensa: além dos treinos de surfe, que acontecem de acordo com as condições do mar, Ryan estuda, faz Pilates, treinamento funcional e, durante as temporadas, costuma trabalhar com a venda de pranchas de surfe na loja Tribo do Sol. “Quando as condições do mar não estão muito boas, costumo ficar um pouco depressivo”, brinca Ryan, “mas, em casa, gosto de assistir gravações onde eu estou surfando para corrigir e melhorar meus movimentos, além de assistir ao surfe de outros atletas que me inspiram”, conclui o surfista, que tem como inspiração os atletas profissionais Mick Fanning, Gabriel Medina e o “pai” Gabriel Castigliola.
Para o atleta Ryan, especializado em manobras de linha, o surfe representa mais que um esporte: “É todo um estilo de vida, de contato e respeito à natureza, que permite aos seus praticantes conhecimentos sobre ventos, ondulações, marés, luas, entre outros. Por isso, as pessoas costumam brincar ao dizer que todo surfista é um pouco meteorologista. O surfe também representa um eterno desafio, pois existem dias de mar bom e dias de mar ruim, e você tem que saber lidar com todas essas adversidades do tempo”.
Em meio a tantos nomes que contribuem com sua carreira no esporte, o surfista destaca os amigos Ronaldo Camarão, Gabriel Castigliola e sua mãe, Maria Helena Cordeiro, além de seus patrocinadores e apoiadores Pró-Ilha Surfboards, Prefeitura Municipal de Itapoá, New Arts Comunicação Visual, Tribo do Sol, Excusa Mama Tatuaria, Krovel City Beach, Inspira Estúdio de Pilates, Barra do Açaí e Soul Fins. Ainda assim, para cobrir os inúmeros gastos exigidos pelo esporte, como inscrições, viagens, hospedagem, alimentação e equipamentos, o atleta está em busca de um patrocínio master, que proporcione ainda mais evolução em sua performance.
Hoje, aos 16 anos de idade, Ryan Cordeiro está se fortalecendo para competir o circuito paranaense e, em 2018, planeja participar do circuito de acesso à elite do surfe (WQS), na Argentina. Através do surfe, ele pôde realizar alguns de seus sonhos, como, por exemplo, conhecer o surfista profissional Gabriel Medina, se tornar campeão catarinense de surfe e surfar as ondas de Lobitos, no Peru – sua primeira surftrip para o exterior. Mas, para o jovem, o oceano é o limite: “ainda sonho em competir em alto nível, representar o meu país no WCT e viver do esporte”.

Deseja apoiar ou patrocinar o atleta itapoaense de surfe Ryan? Entre em contato
com ele através do número
(47) 99753-9445 ou do
perfil “Ryan Cordeiro”,
no Facebook.

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Conheça Zeca e Zia, os irmãos gêmeos mais populares de Itapoá

Quem mora em Itapoá-SC ou até mesmo frequenta suas praias durante as férias, já deve ter cruzado com estas duas figuras marcantes pelas ruas de Itapema do Norte: eles são Zeca e Zia, uns dos primeiros irmãos gêmeos nascidos no município. Muito populares e queridos entre os itapoaenses, além da própria aparência, os irmãos têm em comum a simpatia, o amor por Itapoá e, é claro, boas histórias para contar.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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À esquerda, José Bento Alves de Souza, o Zeca ou Zequinha,
já à direta, seu irmão gêmeo Josias Bento Alves de Souza, o Zia.

Essa história começa através dos falecidos Bento Alves de Souza, que veio da Bahia, e Ambrosina da Silva, que veio do Vale de Itapocu, em Santa Catarina. Juntos, eles tiveram onze filhos – quase todos batizados com nomes bíblicos –, entre eles, estão os gêmeos José Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zeca ou Zequinha, e Josias Bento Alves de Souza, mais conhecido como Zia, nascidos dentro de casa, com a ajuda de uma parteira, em Itapoá, no ano de 1966.

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Baseado nos relatos de sua mãe Ambrosina, Zeca e Zia contam que nasceram com míngua (uma doença que afeta o desenvolvimento do bebê) e que a parteira lhes segurava com uma mão, enquanto lhes dava banho com a outra mão. Para curar os filhos, seu pai Bento fez a seguinte simpatia: entrou no mar e buscou água de sete ondas de um navio para banhá-los. Quando bebês, os gêmeos foram batizados na igreja católica, mas, quando cresceram, foram batizados novamente na igreja adventista, no Rio Mendanha, em Itapoá. Criados no município litorâneo, Zequinha e Zia sempre moraram próximo à praia, no bairro Itapema do Norte e, antigamente, para se comunicarem um com o outro da Primeira à Terceira Pedra, eles criaram seu próprio assovio.
Desde seu nascimento, a ligação dos gêmeos vai muito além da aparência. Eles contam que, por diversas vezes, sentiram as dores e alegrias um do outro à distância, tiveram os mesmos pensamentos e sonhos e, até mesmo, adoeceram na mesma época. Eles também relatam que dona Ambrosina tinha o costume de vestir os gêmeos com roupas iguais: “não porque era moda, como é nos dias atuais, mas, sim, porque usávamos as roupas com o tecido que tinha”, conta Zequinha.

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Por conta da semelhança física, Zequinha e Zia já foram confundidos por amigos, professores e, inclusive, pelos próprios pais. “Quando eu aprontava e notava que meus pais estavam me procurando, para me safar, dizia a eles que eu era o Zeca e, então, era ele (o Zeca) quem acabava apanhando”, recorda Zia, que se intitula como o mais peralta dos gêmeos. Até hoje, quando é confundido com o irmão, Zia fala que não desmente no momento, e que os irmãos se divertem com a situação: “já peguei carona de Itapoá até outra cidade e, somente quando cheguei ao destino final, contei que sou, na verdade, o Zia, e não o Zeca”.
Desde os tempos da infância a maior diversão dos irmãos é a praia: “éramos uns dos primeiros a chegar à praia, pela manhã, e uns dos últimos a deixa-la, quando já era noite”. Nas areias, suas individualidades começaram a se destacar nos esportes: Zia criou gosto pelo futebol, enquanto Zequinha se apaixonou pelo vôlei. Eles contam que aprenderam a pescar com seu pai, mas que não criaram muito gosto pela atividade. Anos depois, a escolha pelas profissões e estilos de vida também diferenciou os dois irmãos.
Em Itapoá, Zia trabalhou com construção e, principalmente, como garçom dos principais restaurantes e hotéis do município. “Sempre gostei de viajar e conhecer novos lugares, o que me motivou a deixar o município para tentar a vida em Curitiba-PR e no Rio de Janeiro-RJ, por alguns anos”, conta. Ele também lembra que, ao longo de sua vida, chegou a ser internado por problemas relacionados ao alcoolismo: “mas, felizmente, encontrei fé e cura na religião umbandista”, fala Zia, que, hoje, trabalha como vendedor no tradicional Mercado do Peixe de Itapoá e é pai de um menino de nove anos de idade, também morador do município.
Já Zequinha, autor dos típicos cumprimentos “oi, querida” e “fala, garoto”, conta que morou apenas cinco meses de sua vida fora do município litorâneo, em Curitiba, mas não se adaptou ao frio da capital paranaense. Assim como seu irmão, ele também trabalhou como garçom em Itapoá, além de atuar durante anos como zelador da Escola Estadual Nereu Ramos, como professor de Educação Física em diversas escolas do município e no extinto Projeto Ampliação de Jornada Escolar, além de ter obtido o certificado técnico e básico de massoterapia e trabalhar como massoterapeuta.
No entanto, a fama de Zequinha se deve, principalmente, por, em 1991, começar a treinar seus colegas de classe no voleibol e, mais tarde, de 2002 a 2004, criar a primeira escolinha de treinamento de voleibol na rede escolar municipal e estadual de Itapoá, além de, gentilmente, montar suas próprias redes na praia para a diversão dos turistas – o que lhe rendeu o apelido de Zequinha do Vôlei. Para ele, o esporte é sinônimo de disciplina, responsabilidade, respeito e a melhor opção para a saúde e prevenção às drogas e, por isso, merece atenção: “existem grandes talentos no município, nas mais diversas modalidades; o que falta é incentivo”, diz Zequinha, que, em 2016 chegou a se candidatar a vereador nas eleições municipais, realizou o sonho de concluir a faculdade de educação física e que, recentemente, recebeu o diploma de massoterapeuta. “Por tudo aquilo que conquistei, agradeço imensamente ao ex-prefeito Ervino Sperandio, aos professores do curso de Educação Física da Univille, e aos meus amigos Rafaela, Sérgio Cavalo, Júlio César Abreu e Manassés Nogueira”, fala Zequinha.
Recentemente, no dia 15 de junho, os gêmeos completaram 51 anos de idade, mas, até hoje, são confundidos um com o outro. Atualmente, Zequinha e Zia residem juntos, em Itapema do Norte, mas têm rotinas e horários diferentes: enquanto o primeiro tem a massagem como fonte de renda e divide o tempo livre com o voleibol, o segundo trabalha durante o dia no Mercado do Peixe e passa as horas vagas curtindo seu filho e se dedicando à religião. Mesmo trabalhando em diferentes lugares, Zequinha e Zia garantem que conhecem quase todas as pessoas por onde andam, cada qual com sua fiel companheira, a bicicleta. E, assim, os gêmeos desejam continuar escrevendo a sua história, cercado de amigos, boas lembranças e no lugar que mais amam: Itapoá.

Transformando discos de vinil em relógios e quadros decorativos

Foi em um armário que Alessander Ramos, morador de Itapoá-SC, encontrou os primeiros discos de vinil abandonados. Com muita criatividade, ele passou a reutilizar e personalizar os objetos, transformando-os em belos relógios de parede e quadros decorativos.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

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De Itapoá, Alessander Ramos reutiliza os clássicos
discos de vinil para criar peças decorativas.

Desde pequeno, Alessander gosta de desenhar e, ao longo de sua vida, aprendeu a personalizar rodas de veículos, capacetes, capinhas de celular, entre outros objetos, com pintura hidrográfica. Sempre interessado por trabalhos manuais, certo dia, ele decidiu criar um relógio de parede utilizando um cano de PVC. “Com um soprador térmico, desentortei um cano de PVC de esgoto, deixando-o como uma folha de papel. Em seguida, cortei-o em formato redondo e fiz o meu primeiro relógio de parede. No entanto, eu procurava por outro material, que fosse mais flexível para o corte”, conta Alessander.
Foi aí que, há cerca de três meses, na festa de casamento de um primo, ele encontrou discos de vinil abandonados dentro de um armário, e resolveu dar cara nova aos objetos, criando relógios de parede decorativos e personalizados. A experiência deu certo, uma vez que o vinil é um tipo de plástico muito delicado e maleável, e o artista deu continuidade ao trabalho. “Particularmente, gosto muito dos discos de vinil (que eram a principal forma de se ouvir música no século XX), mas, infelizmente, a importância deste objeto vem sendo esquecida com o passar do tempo”, fala Alessander, “acredito que os relógios e quadros decorativos que crio, tendo como matéria-prima o vinil, sejam também uma forma de resgatar este objeto tão nostálgico para os mais velhos e tão novo para os mais jovens”.

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Em prol de suas criações, Alessander compra discos de vinil de sebos e de pessoas que não fazem mais uso dos mesmos. No momento de dar vida à peça, ele utiliza fita branca, para envelopar o disco e desenhar em cima, e micro retífica, para dar forma, através do corte e acabamento. O trabalho, que começou a ser valorizado pela família e amigos mais próximos de Alessander, hoje, é feito por encomendas para outras cidades e, até mesmo, estados do Brasil. As inspirações para suas criações vêm de bandas, filmes e séries, como Beatles, Batman e The Walking Dead.

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Para o artista, a atividade com os discos de vinil é como uma terapia. Além dos relógios e quadros decorativos feito com os discos de vinil, ele também cria quebra-cabeças em 3D e luminárias feitas com canos de PVC. Atualmente, ele trabalha em uma empresa de transporte e tem o artesanato como hobby e fonte de renda extra. “Eu amo fazer arte e, ao criar minhas peças, me sinto calmo e relaxado. Deposito todo o meu amor nelas”, diz Alessander, que ainda deseja aprender corte e costura, e aprimorar cada vez mais suas peças de vinil – sinônimo de estilo e história.

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Para o artista, a atividade com os discos de vinil é como uma terapia.

Deseja entrar em contato com o artista Alessander Ramos, que cria relógios e quadros decorativos feitos com disco de vinil? Envie uma mensagem para ele: (47) 99668-2099.

 

Relação entre pais e filhos também tem amizade e sintonia

Você já reparou como a relação entre pais e filhos tem mudado no decorrer dos anos? Antigamente, falar sobre determinados assuntos com os pais era um tabu que nenhum filho tinha coragem de quebrar, bem diferente do que contemplamos nos dias atuais.
Conhecemos três pais, de Itapoá-SC, que curtem baladas com os filhos, confidenciam segredos, praticam esportes, trocam experiências e, obviamente, tornam-se o melhor amigo um do outro. As histórias foram contadas pelos próprios filhos e provam que os pais podem ser bem mais que pais, mas, também, amigos e parceiros para todas as horas.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Dividindo o amor e as ondas

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O surfe é uma das paixões do pai Leonardo Lawson e sua filha Lisia Lawson.

A primeira história a ser contada é de Lisia Lawson, de 18 anos, e seu pai Leonardo Lawson, de 39 anos. Ela conta que aprendeu a surfar com seu pai, quando tinha apenas quatro anos.
“Nós costumávamos pegar ondas com a mesma prancha e, inclusive, ele comprou uma longboard (também conhecida como ‘pranchão’) só para podermos surfar juntos. Sem dúvidas, meu pai me apresentou o mar e fez com que essa paixão crescesse dentro de mim”, fala Lisia sobre Leonardo, que também é pai de Yasmim Lawson, de 11 anos.
Entre todas as ondas compartilhadas entre pai e filha, Lisia recorda uma história que lhe marcou:
“Todos os momentos que vivi no mar com meu pai foram marcantes, mas, uma vez, em uma praia do Uruguai, o mar estava grande e foi muito difícil varar a arrebentação. Vendo que eu tinha dificuldade, ele me acompanhou o tempo todo e fez com que eu superasse meus medos – lição que levo para a vida toda”.
Como Leonardo trabalha no Porto Itapoá, na escala de 4×4, o surfe em família costuma acontecer durante quatro dias sim, quatro dias não. Além das ondas, Lisia conta que tem o hábito de caminhar na praia com seu pai, sua mãe Miriam Ramos, sua irmã Yasmim e seus dois cachorros Love e Rex. “Sempre que possível, estamos na praia”, diz. Sobre a relação com seu pai, ela fala que é de muita parceria e confiança: “Poder surfar com meu pai é incrível, arrisco a dizer que o surfe sem ele não é o mesmo. Meu pai é, com certeza, meu melhor amigo, e acredito que a nossa convivência em todas as horas, inclusive no lazer, é o que nos torna tão amigos”.

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Da esquerda para a direita: Lisia, a irmã Yasmim e o pai Leonardo, segurando o Rex, cachorro da família

Seguindo seus passos

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O filho Mateus Alves da Silva Gomes e o pai Givanildo do Rosário Gomes (Giva) trabalham juntos, como guarda-vidas,  há quatro temporadas.

Givanildo do Rosário Gomes, mais conhecido como Giva, de 41 anos, é pai de Mateus Alves da Silva Gomes, de 22 anos, e de Matias Alves do Rosário, de 17 anos. Desde sempre, o futebol e a pesca são presentes nesta família, uma vez que Giva é pescador e dono de embarcação. No inverno, pai e filhos costumam pescar juntos, especialmente na safra da tainha.
Durante os verões itapoaenses, Mateus e Giva trabalham juntos como guarda-vidas.
“Trabalho com ele há quatro temporadas. É um grande orgulho cumprir essa nobre missão ao lado do meu ‘velho’ e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade em dobro, pois busco ser tão profissional quanto ele e fazemos muitos resgastes juntos.
Mas, o nosso verdadeiro lazer é o futebol”, diz Mateus, que joga o campeonato municipal de futebol em Itapoá desde os 14 anos, idade que, coincidentemente, seu pai Giva também iniciou no esporte.

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Giva é pescador e dono de embarcação. No inverno, pai e filhos costumam pescar juntos, especialmente na safra da tainha.

Desde então, Mateus procura sempre jogar pelo mesmo time que seu pai. Juntos, eles já defenderam o time do Marumbi, Acoin, Barra e Figueira. Foi, inclusive, em um jogo por este último time, que Mateus relembra um episódio marcante: “neste jogo, tive a honra de jogar ao lado do meu pai e do meu irmão e, como se não bastasse, meu avô foi o técnico”. Jogar ao lado do pai é, para Mateus, um grande privilégio e realização. “Atualmente, formamos a dupla de zaga do time da Barra do Saí. Ao mesmo tempo, que fico feliz por ter meu próprio pai como dupla, tenho receio de fazer alguma jogada errada e decepcioná-lo. Por isso, estou sempre muito focado e me dedicando ao máximo para fazer grandes jogos ao seu lado”, diz Mateus, que deseja transmitir todos os conhecimentos aprendidos com o pai acerca do futebol para Marianna Alves Kerscher, sua filha, de apenas um ano e oito meses.
Mateus também conta que, antes, ele e seu pai não tinham uma relação muito próxima, porém, sempre teve muita admiração e respeito pelo pai, que, segundo ele, é guerreiro, batalhador e profissional em tudo o que faz. “De uns tempos para cá, depois que ele e minha mãe se separaram, nossa amizade cresceu muito. Hoje, ele é mais que meu pai, mas também meu melhor amigo e grande ídolo. Ter a figura dele dentro e fora de campo é excepcional, pois corro com ele e por ele”, diz Mateus. Neste ano, Matias também pretende se formar como guarda-vidas e, no ano que vem, acompanhará o pai e o irmão nos salvamentos mar adentro. Cada dia mais próximos de Giva, Mateus e Matias sentem muito orgulho do pai que têm e buscam, sempre, seguir os seus passos.

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Na foto, os apaixonados por futebol Matias Alves do Rosário (à esquerda), o pai Giva (ao meio) e Mateus (à direita).

Ser presente é o maior presente

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Nei Eli Filla é pai, amigo e parceiro de Vitória  Marchetti Filla.
Eles compartilham diversos momentos e, inclusive, festam juntos.

 

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Diversão em família: Nei com os filhos Vitória e Lucas.

Outro “paizão” desta edição é Nei Eli Filla, de 49 anos, pai de Lucas Marchetti Filla, de 21 anos, e de Vitória Marchetti Filla, de 19 anos. Os filhos contam que têm uma relação muito boa com o pai, repleta de confiança, parceria e risadas, e que, juntos, costumam fazer inúmeras atividades, inclusive, ir a festas e shows. Com o filho, Nei costuma jogar bola toda semana, enquanto com a filha, joga diversos jogos de cartas, como, por exemplo, truco – onde formam uma bela dupla.
De acordo com Lucas e Vitória, sempre que pensam em fazer algo na companhia do pai é uma diversão.
“Quando eu era menor de idade e queria ir a festas e shows, ele sempre me acompanhava. De alguns shows ele não gostou, pois não gosta muito de sertanejo, mas, em outros, me agradeceu muito pela experiência. Desde então, sempre que pinta um show bacana, uma ‘aventura’ ou, ainda, algum esporte, ele topa em nos acompanhar, o que deixa tudo ainda melhor, pois ele nos acompanha para curtir conosco, e não para nos fiscalizar. A companhia dele nos deixa super à vontade e nos diverte muito”, conta Vitória.
Para ela, dividir os momentos de lazer, atividades e assuntos com o pai é saber que nunca faltará uma companhia para qualquer coisa que queira fazer.
Entre tantas histórias marcantes vividas com Nei, Vitória relembra uma delas: “Lembro que, quando eu tinha cerca de cinco anos, vivíamos uma época difícil, financeiramente falando. Havia chovido muito e a rua estava alagada e, naquela época, eu tinha medo disso, mas, nesse dia, meu pai fez barquinhos de papel comigo e com o meu irmão, para nos divertirmos na água. Pode parecer bobagem, mas, desde então, perdi o medo dos dias de chuva forte. Hoje, ao me lembrar disso, entendo que não preciso de muito para ser feliz e que, naquele dia, com apenas um pouco de água, algumas folhas de papel sulfite e minha família, eu me sentia completa. Isso não significa que não aprendemos a lutar pelos nossos sonhos, mas que nos foi ensinado que, no fim das contas, as melhores partes da vida são sempre as mais simples”. Este episódio vivido por Vitória e sua família também comprova que muito mais importante que dar um presente é estar presente.
Assim como Vitória, Lucas também diz receber de Nei bons conselhos, ensinamentos e apoio em todas as decisões tomadas ao longo da vida, e que ter um pai tão presente e amigo fortalece a relação. Por fim, Vitória conclui: “Sou muito grata por tudo o que ele fez e ainda faz por nós, buscando sempre o melhor para todos. Nós o amamos muito”.

Procedimentos estéticos contribuem para saúde, bem-estar e autoestima

Estar em dia com a aparência e se preocupar com a imagem pessoal também são sinônimos de saúde e bem-estar. E para isso a estética por criada: para fornecer tratamentos, levar qualidade de vida e ajudar na autoestima das pessoas.
Para esclarecer um pouco sobre a importância desta área, os procedimentos estéticos e suas novidades, conversamos com a dermaticista Luana Gnata Viana, de Itapoá-SC. Há onze anos, ela optou por esta área e, hoje, atua na Itapoá Clínicas Integradas (ICI). Para a doutora, poder agregar beleza à saúde dos pacientes é algo muito prazeroso.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

Giropop: Qual a importância de um dermaticista?
Dra. Luana: O dermaticista é o especialista em tratamentos de beleza e saúde, responsável por manter a integridade da pele, relacionar produtos e procedimentos que melhorem o seu aspecto, além de proporcionar carinho através do toque. Este profissional deve ter plena consciência da importância que tem para seus pacientes, já que, para muitos, a beleza é sinônimo de bem-estar consigo mesmo.

Giropop: Em sua opinião, quais os desafios desta profissão?
Dra. Luana: Acredito que o principal desafio é trabalhar as noções de “expectativa X realidade” dos pacientes. Diferente do que muitos imaginam, a estética não é milagrosa e não trabalha sozinha. Ela é preventiva, ou seja, retarda o envelhecimento e, quanto antes o paciente iniciar os procedimentos, mais benefícios ele terá. Por isso, costumo dizer que a sinceridade é essencial nessa profissão.

Giropop: A manutenção do procedimento estético em questão também contribui para o resultado?
Dra. Luana: Com certeza, a manutenção deve ser feita em qualquer procedimento estético. Por volta dos 25 anos de idade, nosso organismo inicia o processo de envelhecimento e se encontra em constante transformação. Portanto, devem ser realizadas todas as sessões e o paciente deve estar comprometido a obter resultados cada vez melhores.

Giropop: Quais tratamentos estéticos você oferece em seu consultório?
Dra. Luana: Procuro sempre trazer os melhores e mais novos tratamentos e equipamentos para que os itapoaenses tenham acesso aos procedimentos estéticos com tecnologia de ponta sem sair do município. Hoje, ofereço: limpeza de pele; rádio frequência facial – um tratamento para ptose cutânea e hidratação, que pode ser associado à limpeza de pele; peelings químicos; microagulhamento; estimulação muscular abdominal com corrente Aussie; tratamentos para gordura localizada e celulite – terapias combinadas com rádio frequência Spectra, ultrassom cavitacinal, corrente Aussie e plataforma vibratória; drenagem pré e pós-operatória; drenagem linfática para gestantes; depilação a laser; criolipólise; e a sensacional Power Shape 3ª Geração – a novidade do consultório.

Giropop: Há alguma contraindicação para tais tratamentos?
Dra. Luana: As contraindicações variam de tratamento para tratamento. Mas, sem dúvidas, grávidas não podem realizar estes procedimentos citados, exceto a drenagem e a limpeza de pele com produtos naturais.

Giropop: Quem, normalmente, opta por estes procedimentos estéticos? Há procura pelo público masculino, também?
Dra. Luana: A procura maior é por pacientes com mais de trinta anos de idade, que buscam minimizar os efeitos do tempo, de fatores genéticos ou externos, como o sol, o uso excessivo de álcool ou cigarro. Os procedimentos são direcionados para ambos os sexos, mas a maioria dos pacientes ainda pertence ao sexo feminino. Para todos os casos, se houver comprometimento e responsabilidade, os resultados são muito bons e contribuem diretamente para a autoestima dos pacientes.

Giropop: Quais são as principais tendências e novidades do momento?
Dra. Luana: A criolipólise, procedimento que congela e elimina as gorduras de vez, continua em alta e, quando associada ao Power Shape 3ª Geração, o paciente obtém resultados ainda melhores, trabalhando a gordura localizada, a flacidez cutânea e a celulite em períodos curtos. Já para o rosto, o microagulhamento, chamado de Drug Delivery, é a tendência da vez. Através das micro lesões, ocasionadas pelo sistema de rolamento com micro agulhas, ele oferece maior permeação dos ativos, sejam eles rejuvenescedores, redutores, entre outros.

Giropop: Existem tratamentos específicos para cada estação do ano?
Dra. Luana: Procedimentos invasivos e fototerapia devem ser feitos, preferencialmente, em estações frias, onde a incidência da radiação solar é menor. Já os demais procedimentos podem ser feitos em qualquer estação do ano. Lembrando que, se o paciente quiser obter uma pele mais saudável para o verão, o ideal é que ele inicie os tratamentos no inverno.

Giropop: Infelizmente, algumas pessoas ainda não reconhecem a importância dos procedimentos e cuidados com a pele. Com base no seu conhecimento profissional e nos relatos de seus pacientes, como você reforça a importância desses procedimentos?
Dra. Luana: Os cuidados com a pele são de extrema importância. Não podemos esquecer que ela se trata de um órgão e que, assim como os demais órgãos, também devemos mantê-la saudável. Costumo ouvir de muitos pacientes que os tratamentos estéticos resgataram sua autoestima e amor-próprio, o que é essencial para qualidade de vida, saúde física e mental.

Giropop: O que você diria às pessoas que têm o desejo de realizar algum procedimento estético, mas têm receios?
Dra. Luana: Em meu consultório, trato da beleza com responsabilidade e procuro discernir bem o que é da área dermatológica e o que é de minha alçada. Não há o que temer, pois tais procedimentos não são tão invasivos e podem ser feitos tranquilamente, desde que os pacientes entendam os efeitos de cada um deles e tenham todas as suas dúvidas sanadas.

Giropop: E para as pessoas que desejam ingressar nesta área?
Dra. Luana: É ideal para quem aprecia a estética e quer proporcionar tratamentos de qualidade e com responsabilidade. A faculdade envolve conhecimentos do corpo humano, cosmetologia, noções administrativas, além de muitas aulas práticas. Antes de qualquer coisa, é necessário que o estudante ou profissional tenha gosto pelo que faz.

Giropop: Qual a sua mensagem aos seus pacientes e futuros pacientes?
Dra. Luana: É bom lembrar que os procedimentos estéticos são apenas uma das contribuições para a estética. Além deles, outros fatores influenciam a imagem pessoal e a autoestima, como a prática de exercícios físicos e bons hábitos alimentares. Quando trabalhamos a parte externa, a parte interna melhora, também. Mas, antes de qualquer coisa, é muito importante ter consciência, se observar e se amar mais. Se você está insatisfeita com alguma parte do seu corpo, não precisa se modificar totalmente, mas, apenas melhorar, sem invadir ou agredir quem você realmente é. E lembrar que podemos melhorar sempre, mas que ninguém é perfeito – e é isso que nos torna tão especiais.

Deseja saber mais sobre a profissão de dermaticista ou se consultar com a doutora Luana? Seu consultório é anexo a Itapoá Clínicas Integradas (ICI), na rua Luiz Bosso, número 495. O contato também pode ser feito via WhatsApp (47) 99993-1525 ou telefone fixo 3443-0564.

 

Saiba mais sobre o curso de Nutrição e as futuras nutricionistas

Diferente do que muitos imaginam, o curso de Nutrição vai além dos estudos de ingestão, absorção e transporte de nutrientes, e envolve também a análise dos hábitos humanos e sua relação com os alimentos.
Para saber mais sobre este curso, que é do tipo bacharelado e tem duração média de quatro anos, conversamos com Crislaine da Rosa, de 22 anos, de Itapoá-SC. Ela cursa o quarto e último ano de Nutrição no Centro Universitário Católica de Santa Catarina, em Joinville-SC, e nos fala sobre a rotina de uma estudante de Nutrição, possibilidades do mercado de trabalho, perfil do estudante, principais disciplinas e áreas de atuação, entre outras curiosidades.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

São vários os motivos que levaram Crislaine a optar pelo curso de Nutrição: “Meus pais tiveram um restaurante durante vinte anos e, então, cresci observando meu pai administrar e minha mãe cozinhar com amor. Gostava muito de conviver naquele meio. Além disso, sempre fui muito agitada e ansiosa e, por diversas vezes, descontava este sentimento ingerindo alimentos calóricos, e desejava entender o porquê dessa atitude. Optei por esta área para melhorar não somente a minha vida, mas, também, a vida das pessoas, já que a nutrição tem esse poder”, conta.

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Crislaine da Rosa, estudante de Nutrição, fala sobre as possibilidades do mercado de trabalho,
principais disciplinas e áreas de atuação, entre outras curiosidades do curso.

De acordo com o Conselho Federal de Nutricionistas, o bacharel em Nutrição pode atuar nas seguintes áreas: Alimentação Coletiva (com gestão do processo produtivo de refeições em empresas fornecedoras de serviços de alimentação); Indústria de Alimentos (desenvolvendo produtos relacionados à alimentação e à nutrição); Nutrição em Esportes (com atividades relacionadas à alimentação e nutrição em academias e clubes esportivos); Marketing e Publicidade Científica (com atividades relacionadas à alimentação e nutrição, bem como assessoria e consultorias alimentar e nutricional); Docência (atividades de ensino, extensão, pesquisa e coordenação relacionada à alimentação e à nutrição); Saúde Coletiva (realizando atividades de alimentação e nutrição relacionadas com políticas e programas institucionais de atenção básica) e, por fim, Nutrição Clínica (com atividades de alimentação e nutrição realizada em clínicas e hospitais, instituições de longa permanência para idosos, ambulatórios, bancos de leite humano, lactários, centrais de terapia nutricional, SPAS e com atendimento domiciliar) – estas duas últimas, as favoritas de Crislaine. “Pretendo atuar na área de saúde coletiva ou nutrição clínica, pois tenho um enorme desejo de ajudar as pessoas a obter saúde e bem-estar”, diz a estudante.

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Durante uma palestra sobre alimentação saudável, em
uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em Joinville.

Segundo Crislaine, boa parte do curso é teórico e, normalmente, os alunos estudam os conteúdos para, depois, aplicarem os conhecimentos na prática. Entre as principais disciplinas do curso de Nutrição, ela destaca a Fisiopatologia e a Dietoterapia, ambas voltadas para a área de nutrição clínica. “Na primeira, estudamos a fisiopatologia das doenças, como, por exemplo, diabete, hipertensão, obesidade e câncer. Já na disciplina de Dietoterapia, aprendemos como aplicar os conhecimentos na prática, como, por exemplo, qual conduta seguir, quais alimentos permitidos e proibidos para cada doença, cálculos específicos para cada paciente, etc.”, explica Crislaine.
Estudo, dedicação e tempo são fundamentais na rotina do estudante de Nutrição. “Já deixei de viajar ou curtir o final de semana para me dedicar aos estudos, pois sempre levamos alguma tarefa para casa. O ideal não é estudar para, simplesmente, passar de ano, mas, sim, para ser um bom profissional, pois, futuramente, cuidaremos da saúde das pessoas e devemos estar preparados para desempenhar tal papel com muita responsabilidade”, diz Crislaine. Para ela, os estudantes de Nutrição devem ter alguns pré-requisitos, como: gostar de estudar; estar atento às novidades, uma vez que esta área está em constante evolução; gostar de trabalhar em equipe e respeitar as opiniões dos demais, pois isso é muito frequente no mercado de trabalho e, também, gostar de fazer contas, já que, diferente do que muitos pensam, o curso de Nutrição envolve muita matemática.
Em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Crislaine abordou a relação entre a alteração do sono e a obesidade. Até o presente momento, ela também concluiu o estágio de saúde coletiva em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Joinville, e, a partir deste segundo semestre, irá realizar o estágio de nutrição clínica em um hospital, bem como o estágio de nutrição em alimentação coletiva em uma cozinha. Segundo a aluna, os estágios proporcionam desenvolvimento pessoal, conhecimentos práticos, contato com o público e outros profissionais, e são essenciais para o estudante identificar qual área deseja seguir. Além disso, ela participa constantemente de eventos voltados ao curso, já que todos os dias surgem novas dúvidas e novos estudos acerca dos alimentos.

Aos futuros estudantes de Nutrição, a veterana conta que o curso custa um pouco caro, pois envolve disciplinas práticas e estágios, e que, ao longo do mesmo, o estudante deverá investir em um jaleco, livros e muitas impressões.

“Ademais, é um curso apaixonante, que superou minhas expectativas, pois engloba diversos conhecimentos, muita prática, responsabilidade e sensibilidade”, fala Crislaine, que teve seus hábitos mudados desde que iniciou o curso. “Na faculdade, aprendi a criar gosto pelos estudos e, hoje, sou menos ansiosa, tenho mais responsabilidades, sou consciente de que tudo está intimamente ligado aos nossos hábitos alimentares e, dentro de minha casa, a alimentação mudou muito. Agora, sempre optamos por uma alimentação mais natural”, conta.
A todas as pessoas, que se interessam ou não pela área, Crislaine alerta sobre os perigos das “dietas da moda”, disponibilizadas na internet e popularizadas por artistas, blogueiras e, até mesmo, por pessoas próximas: “É preciso ter bom senso e o entendimento de que cada ser é único. Muitas vezes o tipo de alimentação que deu certo para uma pessoa pode não dar certo para outra. Devemos, sim, buscar mais qualidade de vida, mas qualquer mudança alimentar deve ser acompanhada por um bom profissional. Só assim seremos mais felizes e saudáveis”, conclui a estudante, que em 2018 se tornará, enfim, uma nutricionista.

Futuras nutricionistas

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Gabriela Souza Speck

Em Itapoá, outras meninas pretendem seguir os passos de Crislaine e fazer a faculdade de Nutrição, como Gabriela Souza Speck, de 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Nereu Ramos. “Pesquisei muito a respeito do curso e da profissão de nutricionista, e foi aí que me identifiquei, especialmente, pela área de nutrição clínica”, conta Gabriela que, além de Nutrição, também cogita cursar Odontologia.

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Wesdra Cordeiro Gonçalves.

Já Wesdra Cordeiro Gonçalves, de 17 anos, também é estudante do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Nereu Ramos, e planeja cursar Nutrição, Biologia, Educação Física ou, então, Fotografia. “Sempre cuidei da minha saúde e alimentação, e este é um assunto que me interessa bastante. Caso eu siga pelo caminho da Nutrição, tenho a pretensão de atuar na área de nutrição esportiva”, conta Wesdra.

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Anahi Riego é formada em Educação Física e trabalha como personal trainer em academias. Para ampliar os seus serviços e aprimorar seus conhecimentos sobre a saúde, ela também deseja fazer o curso de Nutrição.

Para algumas pessoas, a Nutrição também pode servir como um curso complementar, como é o caso de Anahi Riego, de 23 anos, formada em licenciatura em Educação Física e aluna do último ano de bacharel em Educação Física. Ela, que trabalha como personal trainer, deseja cursar Nutrição para ampliar os seus serviços e aprimorar seus conhecimentos sobre a saúde.
“Nas academias onde trabalho, meus alunos costumam me pedir dicas de cardápios, dietas e alimentos saudáveis, no entanto, segundo a lei, apenas um profissional formado em Nutrição pode fazer esta avaliação e prescrição. Portanto, pretendo fazer este curso e continuar trabalhando com musculação, oferecendo, assim, um serviço mais completo”, fala a personal Anahi, que salienta que – seja por objetivos estéticos, competitivos ou para obter mais qualidade de vida – os resultados satisfatórios só aparecem quando o exercício físico for aliado a uma alimentação adequada.

Nutricionista: mercado de trabalho, desafios e tendências da profissão

Muitas pessoas costumam procurar um nutricionista somente para começar uma dieta e emagrecer, mas a função deste profissional vai muito além: ele ainda pode auxiliar no tratamento de doenças, melhorar a concentração e proporcionar mais qualidade de vida – tudo isso, com base no estudo de alimentos e do efeito que eles produzem em nosso organismo.
Há dez anos, Marcela Lautert Caron escolheu ser nutricionista, pois acreditava no poder da alimentação para prevenir e tratar doenças, além de melhorar a sensação de bem-estar das pessoas e, hoje, atua em Curitiba-PR e Itapoá-SC – na Itapoá Clínicas Integradas (ICI). Em entrevista à Revista Giropop, a doutora fala sobre a importância do nutricionista e da boa alimentação, os desafios desta profissão, e as constantes novidades e tendências desta área.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

De acordo com doutora Marcela, o nutricionista é um profissional da área da saúde, que estuda os alimentos e o efeito que eles produzem em nosso organismo. Este profissional pode atuar em diversas áreas, como em restaurantes – para o controle de qualidade e elaboração de cardápio, em hospitais, escolas, clínicas, academias e, até mesmo, no acompanhamento de atletas profissionais, passando por pesquisas, marketing nutricional, consultoria nutricional, entre outros. Para ela, a ideia de que o nutricionista está relacionado apenas a questões estéticas é uma questão cultural e imposta pela mídia, porém, existe uma relação direta entre a nutrição, a saúde e o bem-estar físico, pois uma boa alimentação tem papel fundamental na prevenção e tratamento de diversas doenças, como, por exemplo, depressão, ansiedade e déficit de atenção.
Muitos são os motivos que levam alguém a consultar um nutricionista. Para Marcela, o momento ideal para procurar este profissional é antes que a doença ou o sobrepeso se instale, pois, assim, os resultados são alcançados de forma mais rápida e costumam permanecer. “Já para emagrecer, a pessoa precisa descobrir um propósito, um motivo muito forte, que vá além da parte estética, para que ela se sinta motivada durante a mudança de hábitos alimentares e as dificuldades que encontrar no período de tratamento”, explica a doutora.
No mundo atual, onde as pessoas têm acesso à informação instantânea na internet, a profissional ressalta os perigos de dietas milagrosas e sem o acompanhamento profissional: “Dietas devem ser planejadas levando em consideração o peso, a altura, a idade, os hábitos de vida, se há ou não o uso de medicamentos, entre outras características do indivíduo. Qualquer cardápio que desconsidere estes aspectos pode trazer graves consequências à saúde. Sabe-se, por exemplo, que uma restrição de calorias muito baixa pode desregular hormônios da saciedade, ou seja, futuramente, tal pessoa poderá engordar ainda mais do que o peso que havia perdido”.
Outro problema presente na atualidade é a química adicionada aos alimentos e, por isso, a nutricionista aconselha que, quanto mais você cozinhar e ter tempo hábil para isso, mais chances terá de consumir alimentos mais frescos e saudáveis. “Se puder ter uma horta em casa, melhor ainda. Caso não tenha tempo, é sempre importante priorizar verduras, frutas e alimentos com o mínimo de processamento possível”, diz.
Sendo a nutrição uma área muito ampla, que oferece diversos tratamentos, especializações e segmentos, Marcela cita alguns de seus favoritos: a fitoterapia e a nutrição funcional. “A fitoterapia utiliza plantas para tratar as mais diversas doenças e é uma ótima opção para auxiliar no tratamento das mais diversas condições. Já a nutrição funcional é uma especialização da nutrição e, quando comparada à nutrição tradicional, tem uma abordagem um pouco diferente, pois trabalha com a individualidade bioquímica e os efeitos dos alimentos no organismo de cada um, sendo mais abrangente do que apenas estabelecer planejamentos alimentares baseados em contagem de calorias. Esta maneira de conduzir a nutrição tem demonstrado resultados ainda mais positivos na saúde, por produzir melhoras no organismo como um todo”, conta a profissional.
Em constante evolução, a nutrição segue diversas tendências e novidades, ditadas, principalmente, por artistas e blogueiras. Segundo Marcela, as tendências atuais são a dieta “Low Carb, High Fat”, que propõe reduzir o consumo de carboidratos e aumentar o consumo de gorduras, e o jejum intermitente, que visa intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação. Mas, vale frisar: antes de começar qualquer dieta, é preciso procurar orientação de um profissional.
De acordo com Marcela, a escolha pela profissão de nutricionista também implica em algumas dificuldades, como, por exemplo, salários não atrativos e a prescrição de cardápios por profissionais não habilitados, no entanto, ela acredita que este profissional vem sendo cada vez mais valorizado, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido: “A maior dificuldade é com relação ao trabalho em conjunto com outros profissionais. Por exemplo, se os médicos encaminhassem pacientes para ajustar a alimentação em conjunto com a medicação ou para prescrição de cardápio, ou, ainda, se outros profissionais entendessem a importância da nutrição na prevenção e tratamento de outras doenças, já seria um grande avanço”, diz.
Para o futuro, a nutricionista Marcela deseja que a profissão seja ainda mais valorizada e que as pessoas compreendam a importância da boa alimentação para a qualidade de vida. Aos futuros nutricionistas, ela diz que, apesar de todas as dificuldades, é maravilhoso poder proporcionar saúde e bem-estar às pessoas. E, por fim, conclui: “Se o nosso organismo está em desordem, se estamos com uma alimentação desbalanceada, se nosso corpo não está sendo nutrido da maneira correta, perdemos o bem-estar. Um organismo bem nutrido promove maior felicidade ao indivíduo, bem como torna as passagens da vida – infância, adolescência, vida adulta e terceira idade – mais saudáveis e produtivas”.