Grupo Correr e Pular é só Começar apresentou o Baile à Fantasia: Carnaval de Inverno de Itapoá

O Bloco de Carnaval de Itapoá Correr e Pular é só Começar apresentou o Baile à Fantasia: Carnaval de Inverno de Itapoá, no Rancho Tia Cida. Com resgate dos bailes de carnaval de salão e seu glamour, com marchinhas, samba, samba-enredos enfim, os tradicionais hits carnavalescos! Na ocasião foi apresentado o estandarte oficial do Bloco Correr e Pular é só Começar! Teve premiação da fantasia mais criativa dos foliões, além de um glamouroso desfile de fantasias promovido pela Loja Figurino e Arte.  A animação ficou por conta da banda local Eckleticus.

Anúncios

Viajante a bordo: as dificuldades, lições e recompensas do trabalho em navio

“Sempre gostei de viajar, louco é quem não gosta”, diz Pedro Wielewicki, de 22 anos, morador de Itapoá-SC. Adepto à filosofia de que devemos fazer nossas vidas valer a pena, após se formar na faculdade, Pedro encontrou no trabalho em cruzeiro a resposta para todos os seus desejos: obter experiência profissional, ganhar dinheiro, aperfeiçoar o inglês e, principalmente, explorar novos lugares. Para ele, ingressar na vida a bordo mistura vivências, culturas, dificuldades e, claro, muitos aprendizados.

pedroporai6
Pedro Wielewick (à esquerda), de Itapoá, e seu amigo Jones Wolker (à direita) trabalhando na cozinha, a bordo do Costa Fascinosa.

Ana Beatriz Machado

Aos 12 anos Pedro já viajava sozinho para visitar seus tios, viajantes desse mundo afora, em Porto Alegre – RS. “Quando estava no Ensino Médio, costumava ouvir de meu pai que eu deveria dar uma chance para a vida a bordo, mas nunca parei para pensar seriamente no assunto”, recorda. Depois que se formou em Gastronomia, deixou Itapoá e foi buscar experiência em São Paulo, onde se concentram os melhores restaurantes do país e do mundo, e onde trabalhou, por quatro meses, em um restaurante japonês. Até que, certo dia, sua mãe compartilhou um link em uma de suas redes sociais dizendo que haviam sido disponibilizadas 500 vagas de emprego em navios, e escreveu a seguinte frase: “Se eu fosse você, arriscaria. Não custa tentar”. E assim ele o fez.

pedroporai1
Praça Plebiscito em Nápoles, na Itália.

Para ingressar no trabalho a bordo, Pedro narra o processo de etapas e gastos: “Primeiro, é preciso se cadastrar em uma ou mais agências responsáveis pelo recrutamento de tripulantes. Eu fiz todo o processo pela agência ISMBR, mas há outras agências muito boas, também. Fiz duas entrevistas em inglês por Skype e, em seguida, realizei um curso chamado STCW, que basicamente são os primeiros socorros para a vida no mar. Este curso dura cinco dias e custa entre R$900,00 e R$1300,00, dependendo do local. Há também os exames médicos que variam entre R$400,00 e R$600,00, mas a companhia de cruzeiro faz o reembolso desses exames. Fiz o novo passaporte brasileiro, com validade de dez anos, que custa cerca de R$250,00. Por fim, os custos com passagens aéreas e hotel que antecedem o embarque ficam por conta da companhia”.

pedroporai4
Marseille, na riviera francesa.

Três anos de curso em Gastronomia, um ano e meio de curso de inglês e alguns trabalhos na área era o que Pedro tinha quando fez o seu cadastro para trabalhar na cozinha de um navio. “Quando me selecionaram, fiquei bastante assustado. Eu nunca tinha estado sequer dentro de um navio e mal tinha experiência em cozinha. Não sabia o que esperar, se iria conseguir e se realmente valeria a pena” conta. No entanto, apesar de que saber inglês e ter experiência de trabalho contribui muito, Pedro afirma que não é o essencial. “Ter foco, objetividade, força física e mental é a chave para se trabalhar a bordo de navios de cruzeiro”, diz.

pedroporai9
Funchal, Ilha da Madeira, em Portugal.

De acordo com Pedro, variando de uma companhia para outra, os contratos para brasileiros em navios vão de seis a oito ou nove meses. Em seu primeiro contrato, ele trabalhou oito meses em três semanas como 3rd Cook (terceiro cozinheiro). Já os itinerários mudam de navio para navio, assim como os cruzeiros em si. Ele explica que no Brasil eles duram nove dias, mas há os que durem sete, onze ou até mesmo quase vinte dias, que são os cruzeiros de travessia (o cruzeiro que faz Buenos Aires, na Argentina, até Savona, na Itália, dura dezenove dias, por exemplo).

pedroporai2
Pedro e seus colegas de trabalho, na cozinha do navio.

Pedro considera as primeiras semanas como as mais difíceis, especialmente para quem nunca trabalhou a bordo. “Diferente do que muitos imaginam, trabalhar em cruzeiro não é glamoroso, começando pela língua. Você pode ser o maior expert em inglês que, mesmo assim, vai encontrar dificuldade ao embarcar. Viver em um local que mistura trinta nacionalidades diferentes significa muitos sotaques a bordo, uns deles mais difíceis de compreender, como o inglês falado pelos indianos e jamaicanos”, explica Pedro. A escala de trabalho é outro desafio, pois não há nenhum dia de folga. A bordo se trabalha todos os dias do contrato, no mínimo, de onze a doze horas por dia. Tudo isso, fora o fato do fuso horário. “Toda semana, trabalhando na temporada brasileira, tínhamos que nos adequar ao horário argentino”, recorda Pedro, “então, se você é do tipo que reclama muito do horário de verão, vai gostar muito menos de avançar e voltar uma hora toda semana, pior ainda na travessia do Brasil para a Europa, na qual avançamos cinco vezes o relógio, dia sim, dia não”.

pedroporai3
A bordo, na temporada brasileira, ele conheceu a
Praia de Búzios, no Rio de Janeiro.

Mas, apesar do tempo para se adaptar ao ambiente, à língua e à rotina exaustiva, o viajante ressalta que há muitas vantagens ao trabalhar a bordo. A primeira delas é ter o salário “limpo”. Brasileiros, em sua maioria, recebem em dólar. Não há gastos para acomodação, alimentação ou uniforme de trabalho (inclusive, a lavagem desses uniformes fica por conta da companhia de cruzeiro). Já nas horas de folga, é possível descer do navio e conhecer os lugares pelos quais ele (o navio) passa. “Foi a bordo que conheci lugares que jamais imaginei que conheceria tão cedo, desde Montevidéu, no Uruguai, até a Ilha da Madeira, em Portugal, e Ibiza, na Espanha. Isso, sem mencionar as várias festas que acontecem a bordo, com pessoas de diversos lugares do mundo, com costumes, hábitos e culturas diferentes”, conta. Entre todos os lugares visitados até o momento, os favoritos de Pedro foram Buenos Aires, na Argentina, e Barcelona, na Espanha, “não ter criado expectativas ajudou muito, pois me surpreendi”, diz. Já no Brasil, a Ilha Grande e Búzios, no Rio de Janeiro, fizeram sua alegria.

pedroporai5
Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, Espanha,
um dos lugares explorados por Pedro.

Para Pedro, a grande lição de trabalhar a bordo é a humildade. Ele conta que, com a experiência, aprendeu coisas novas, conheceu lugares e pessoas em diferentes circunstâncias, e aprendeu a dar ainda mais valor às pessoas que o cercavam em terra e, também, em mar. “Dentro do navio tudo fica mais intenso pelo fato de estarmos trabalhando sob pressão, longe de casa e das pessoas que amamos”, fala, “por isso, não espere viajar para fora do país para ver o quanto são maravilhosas as belezas que possuímos a nossa volta, sejam elas as belezas naturais ou das pessoas”. Hoje, ele enxerga que nada foi em vão e que todo seu esforço e dedicação aos estudos valeram a pena: “Sou grato a minha família e a todos os professores que me ensinaram grande parte do meu saber”.

pedroporai8
O navio Costa Fascinosa, onde Pedro trabalhou.

A história de Pedro é baseada em sua experiência de um contrato como cozinheiro na Costa Crociere. Ele ressalta que, muito provavelmente, tripulantes de outras agências, companhias e nacionalidades possuem outra visão da vida a bordo. Para aqueles que têm a pretensão de se aventurar no trabalho em navio, Pedro deseja coragem e força. Ele também recomenda um grupo no Facebook chamado Crew Life, que reúne tripulantes, ex-tripulantes e futuros tripulantes – um bom começo para fazer amizades e tirar dúvidas. E aconselha: “A vida não é nada fácil, mas não é tão difícil quanto parece. Vejo que muitas pessoas não possuem fé nelas mesmas e na própria capacidade, por isso, acredite em você”.
Seja trabalhando a bordo ou em sua cidade, sempre que possível, Pedro explora novos lugares. Para o futuro, ele revela que não tem a pretensão de “fazer carreira” a bordo, mas deseja continuar a trabalhar em navios. Seu próximo objetivo é migrar para o Canadá. Para acompanhar suas aventuras, basta segui-lo no Facebook (Pedro Wielewicki) e Instagram (@w_pedro_w). “Torço para encontrar mais tripulantes de Itapoá e região nesse mundão afora, para que também vivam essa experiência única e tenham suas vidas mudadas”, conclui Pedro, de Itapoá para o mundo.

 

Castelo dos Bugres: ideal para esportes de aventura

O Castelo dos Bugres é assim chamado devido às tribos indígenas que existiam na época da colonização de Joinville
pelos alemães, que chamam os índios de “bugres”. Com a construção da estrada Dona Francisca, os exploradores da época tinham que passar por esta região e muitas histórias relatam que existia uma tribo indígena que vivia lá, próximo deste aglomerado de pedras, conhecido hoje como Castelo dos Bugres.

castelo4
A trilha para o Castelo dos Bugres cruza várias vezes o rio e passa no seu leito em determinados trechos.

Ana Beatriz Machado

Para Alan Jacob da Rosa, diretor técnico e um dos fundadores do Grupo de Resgate em Montanha, de Joinville-SC, esta montanha atrai muitas pessoas por diversos motivos: “Por sua facilidade, boa sinalização, belas vistas e por atrair praticantes de vários esportes de aventura”.
Alan conta que escalou o Castelo dos Bugres pela primeira vez em 2001, logo que chegou para morar em Joinville. “Achei uma montanha fantástica e, de lá para cá, já perdi as contas de quantas vezes voltei a este lugar”, fala. Por se tratar de uma montanha relativamente fácil e muito bonita, foi lá que Alan e sua esposa Karin Galkoski da Rosa escolheram para iniciar sua filha Luna no montanhismo, quando ela tinha pouco mais de um aninho. “Ela nos acompanhou nesta montanha carregada em nossas costas, em uma mochila especial para carregar crianças. Adorou esta aventura e, em determinados pontos da trilha, quando parávamos para descansar e a retirávamos da mochila, ela queria ir caminhando na trilha”, recorda Alan.

castelo2
Por se tratar de uma montanha relativamente fácil e muito bonita, foi no Castelo dos Bugres que Alan Jacob da Rosa e sua esposa Karin Galkoski da Rosa escolheram
para iniciar sua filha Luna no
montanhismo, quando ela tinha pouco mais de um aninho.

De acordo com o montanhista, o Castelo dos Bugres é uma montanha relativamente fácil para quem já é montanhista ou para quem pratica atividade física regularmente, porém, pode ser considerada difícil para uma pessoa sedentária ou que não tenha a mínima noção do que é fazer uma trilha na mata, com subidas íngremes, barro, lama, atoleiros, etc. Ele também conta que uma das trilhas – conhecida como trilha do container, trilha nova ou trilha de cima – é considerada autoguiada, está bem aberta e sinalizada. “Nesta trilha, é praticamente impossível alguém se perder, até mesmo os mais leigos que estão indo pela primeira vez”, diz Alan.
Já a trilha de baixo, também conhecida como trilha velha, é mais complicada para os iniciantes, sendo mais fechada, com alguns pontos confusos e, por cruzar várias vezes o rio e passar no seu leito em determinados trechos, acaba fazendo com que os visitantes se percam.
Neste local, Alan conta que existem dois mirantes de rocha, que são dois aglomerados com grandes rochas sobrepostas, onde algumas pessoas que conseguem escalar estes obstáculos podem ter uma melhor visão da cidade de Joinville, do Morro Pelado e do Pico Jurapê. Em dias de céu limpo é possível até mesmo ver o mar, mas aqueles que não escalarem estes mirantes também podem ter uma visão parecida.

castelo1
O Castelo dos Bugres é uma montanha relativamente fácil para quem já é montanhista ou para quem pratica atividade física regularmente, porém, pode ser
considerada difícil para uma pessoa sedentária.

“Estes mirantes só devem ser escalados por pessoas com experiência e com uso de equipamentos de segurança, como cordas, cadeirinhas de escalada ou rapel e freios”, ressalta Alan. Além de montanhistas e escaladores, os aglomerados de rocha do Castelo dos Bugres também atraem os praticantes de rapel e highline (esporte derivado do slackline, que consiste em andar em uma vida sobre penhascos).
Mais que as riquezas naturais, existem algumas histórias e lendas acerca do Castelo dos Bugres. “Os mais antigos contam que a tribo que lá vivia era muito valente e que, por várias vezes, houve confrontos entre ‘bugres’ e ‘homens brancos’. Eles falam que um dos grandes guerreiros dessa tribo, montado em seu cavalo, adentrou as fendas deste Castelo e seu espírito está até hoje eternizado lá dentro”, conta Alan.

castelo3
A trilha para o Castelo dos Bugres cruza várias vezes o rio e passa no seu leito em determinados trechos.

Para aqueles que desejam conhecer este local, por mais que seja uma trilha considerada tranquila, o montanhista recomenda que tomem os cuidados como qualquer outra trilha ou montanha, pois os riscos são praticamente os mesmos. “É bom lembrar que mudanças climáticas repentinas podem trazer tempestades e, com isso, existe o risco de hipotermia ou até mesmo de as pessoas se machucarem na trilha e não conseguirem mais caminhar”, diz Alan. Ele também aconselha as pessoas a evitarem visitar o local com grupos muito numerosos, pois se trata de uma região com trilhas bastante sensíveis e a degradação por excesso de pessoas vem aumentando todos os anos. Para preservação ambiental do Castelo dos Bugres, as pessoas devem recolher seu lixo, não fazer fogueiras ou cortar árvores.

trianguloenergetico8

Mais informações sobre Castelo dos Bugres

Onde fica: Serra Dona Francisca, em Joinville – SC
Primeira ascensão: Não há registro (provavelmente os índios)
Altitude: 998 m
Desnível: 148 m
Comprimento da trilha: 4 km
Duração: De 45m a 2h30m

Temporada ideal: Entre maio e agosto, mas costuma receber visitação o ano todo.

Como chegar: O acesso pode ser feito através de duas trilhas: uma nova, bem aberta, e outra mais antiga (original).
A trilha nova se inicia entre os km 36 e 38 da SC-301, que passa em frente a um bar, onde existe uma borracharia e local para estacionamento dos carros. Já a trilha antiga tem seu início na SC-301, km 36, em frente ao traçado antigo da Estrada Dona Francisca, onde existe a borracharia, do outro lado do asfalto.

Otti MC: Entre métricas, melodias, flows e levadas

A expressão “RAP” provém da língua inglesa, com o sentido de Rhythm And Poetry – traduzindo, Ritmo e Poesia. Este estilo é assim denominado porque mescla um ritmo intenso com rimas poéticas, integrando o cenário cultural conhecido como hip hop. No Brasil, este gênero vem se difundindo cada vez mais e lançando novos MC’s (os chamados mestres de cerimônia, que versam e rimam). Em Itapoá-SC, o estudante Jadiel Miotti do Nascimento, de 21 anos, vem batalhando por amor à música, letra e poesia no rap e, hoje, se tornou o Otti MC.

otti3
De Itapoá-SC, Jadiel Miotti do Nascimento se tornou o Otti MC.

 

Ana Beatriz Machado

Seu primeiro contato musical começou em família, especialmente com sua mãe, que canta desde cedo na igreja e sempre lhe incentivou a cantar. Já o contato com o rap veio um pouco mais tarde, através de seus irmãos mais velhos, que escutavam músicas do gênero. Durante o ensino médio, Jadiel conta que descobriu seu talento com as palavras nas aulas de português, onde falavam sobre poesia. “Assim como aconteceu com muitos outros, a arte me surgiu como refúgio, alcova particular que me auxiliava a vivenciar meus próprios dilemas”, diz. Jadiel, que é aluno do curso de Direito, recorda que no início da faculdade conheceu Daniel, um amigo que compunha rap com muito talento e lhe incentivou a criar seus próprios versos.
A partir de então, ele passou a participar de batalhas de rimas na região, onde chegou a se consagrar campeão, e produziu e lançou duas músicas às mídias: “Chocolate e Avelã” e “Remanescente”. Com músicas de teor lírico e conteúdo poético, ele deseja levar amor e reflexão aos ouvintes. “Visualizou a minha evolução muito mais em meu trabalho e em mim, enquanto ser humano, do que propriamente com as conquistas obtidas por intermédio do rap, pois amadureci muito nos dois sentidos”, diz. Fã de rappers como Sabotage, Mano Brown, 2Pac e Eminem, Otti MC conta que, atualmente, músicas dos rappers Russ e Coruja BC1 não saem de sua playlist e estão lhe inspirando bastante.

otti2
Otti MC quando foi campeão da
8ª Edição da Central das Rimas – Joinville.

Conciliar os estudos com a música não tem sido fácil. De acordo com o estudante, isso se deve ao fato de que seu processo criativo nas composições está cada vez maior. “Isso me faz, em grande parte do tempo, deixar os estudos em segundo plano. Obviamente, minha mãe não gosta muito disso (risos)”, conta. Sobre o preconceito com o rap, Jadiel fala que já notou olhares ou comentários, mas, felizmente, nada mais que isso. “Por levantar bandeiras pouco questionadas, de uma minoria que sofre, o rap ainda carrega muito estigma por pessoas que não conhecem o ritmo e aplicam a ele um julgamento premeditado”, explica.
Porém, para Jadiel, a maior dificuldade do cenário do rap é a falta de apoio, seja ele financeiro, para promoção e divulgação dos trabalhos, ou na questão de oportunidades. Ele explica que, como o cenário do rap no Brasil vem crescendo de maneira estrondosa, a visibilidade de um MC no início da carreira é muito baixa, e em um cenário bastante concorrido. “Na questão financeira, sempre que possível, meu pai me ajuda, o que é de grande valia. Mas, na maioria das vezes, eu escrevo minhas letras, crio minhas melodias, e ainda pago meus beats (batidas), e as produções de áudio e visuais”, fala. Apesar das dificuldades, ele afirma que algumas portas já lhes foram abertas, e que continuará trabalhando para que portas ainda maiores se abram.

otti1
Otti MC quando foi campeão da
8ª Edição da Central das Rimas – Joinville.

Para aqueles que desejam entrar para o mundo do rap, Jadiel aconselha: “Não será um caminho fácil. Mas persista nos seus sonhos, afinal de contas, você é o único representante deles”. Estudar e praticar os elementos que compõe o rap, como métrica, levada, melodia e flow, também é uma dica para se tornar um rimador melhor. Mas, apesar do longo caminho, ele se diz satisfeito. “É muito bom ouvir elogios, críticas e sugestões de pessoas próximas ou, até mesmo, de outros estados. Através das rimas, pude ser gratificado com relatos de pessoas que disseram que minha música lhes motiva, lhes inspira ou embala seus relacionamentos amorosos”, conta.
Jadiel, que nunca pensou em viver da música, conta que, ultimamente, esta ideia vem sendo cogitada. Para esse ano de 2017, Otti MC possui cinco projetos musicais e videoclipes, e nos adianta que em março lançará uma nova música com a participação de seu amigo Patrick Hdk. Ele também pretende continuar participando de batalhas de MC’s para, quem sabe, garantir uma vaga para o Duelo Nacional de MC’s. Aos que acompanham o seu trabalho, Jadiel agradece e oferece a certeza de que sempre estará buscando evoluir em suas músicas. Para conhecer mais sobre seu trabalho, basta acessar a página Otti MC, no Facebook. “E se você não conhece muito o rap nacional, procure pesquisar”, fala o rimador, “pois existem várias vertentes dentro do rap e talvez alguma delas lhe agrade ou, melhor, mude a sua vida, assim como mudou a minha”.

 

Ozires Gava Neto: Jovem de Itapoá é revelação das artes marciais

Cada vez mais as pessoas estão descobrindo o prazer da vida saudável. O resultado desta tendência é o elevado índice de crescimento de praticantes de diversos esportes, entre eles, as artes marciais. No município de Itapoá-SC, as artes marciais vêm se popularizando e revelando grandes talentos, como o atleta Ozires Gava Neto. Com menos de um ano de carreira no jiu-jitsu, muay thai e nas Artes Marciais Mistas (MMA), Ozires já conquistou dezessete títulos em campeonatos. Hoje, é inspiração para aqueles que desejam iniciar nas artes marciais e carrega o nome de Itapoá Brasil afora.

atleta1
O atleta de artes marciais Ozires Gava Neto, de Itapoá-SC. Na foto, comemorando o título de campeão paranaense de jiu-jitsu, em 2016.

Ana Beatriz Machado

A paixão por esportes vem de berço. João Gava, pai de Ozires, já foi lutador de karatê, judô, boxe e campeão brasileiro de queda de braço. No entanto, seu filho seguiu um caminho diferente: jogador de futebol do Clube Atlético Paranaense (CAP), onde treinou na base do sub-17. Quando encerrou a carreira futebolística, Ozires mudou-se para Itapoá, onde, há aproximadamente um ano e meio, começou a fazer musculação para manter a saúde. “Vi que na academia onde eu treinava, a Pride Center Gym, também ofereciam aulas de jiu-jitsu e muay thai, e como já sabia dos benefícios, decidi fazer também”, conta. De imediato, se identificou com as artes marciais e, com apenas cinco meses de treinos, resolveu participar de um campeonato.

Foto-2
Algumas das principais medalhas
obtidas pelo atleta em 2016.

Logo em sua estreia, em uma etapa do campeonato paranaense de jiu-jitsu, Ozires ganhou a medalha de ouro. A partir de então, aprimorou suas técnicas, reforçou os treinos e obteve diversos títulos, dentre eles: campeão catarinense de muay thai tradicional, campeão brasileiro de muay thai tradicional, campeão paranaense de No Gi (treino sem quimono), campeão paranaense de jiu-jitsu, campeão da Copa Sul-Brasileira de Jiu-Jitsu, vencedor de todas as etapas em que participou do Campeonato Catarinense de Jiu-Jitsu, vencedor de todas as etapas paranaenses e catarinenses do Circuito Stance de Jiu-Jitsu, medalha de bronze na seletiva de jiu-jitsu dos Emirados Árabes, contando também com um cartel de três lutas de MMA – tudo isso, apenas em 2016.

Foto-3
Apesar de ter apenas 18 anos, ele já compete com lutadores de diversas faixas e categorias, e é conhecido como um grande finalizador.

Apesar dos bons resultados, o atleta deixou de participar de algumas etapas de campeonatos por carência de patrocínios. Ozires é treinado e recebe orientação dos seus treinadores Felipe Siqueira (muay thai) e Michael Souza (jiu-jitsu), que lhes acompanham nos campeonatos, no entanto, todos os gastos com inscrições, viagens, suplementos nutricionais e equipamentos são custeados por seus pais. Assim como João, a mãe de Ozires, Janaína Gava, o acompanha em todos os campeonatos e vibra com as conquistas do filho. “Como ele mora sozinho, nos falamos por telefone com frequência. Enquanto o seu pai faz o papel de empresário, ajudando financeiramente e correndo atrás de patrocínios, eu cobro muito a parte da alimentação”, conta Janaína.
Com 18 anos de idade, apenas doze meses de jiu-jitsu e dez meses de muay thai, Ozires já compete com lutadores de diversas faixas e categorias, e é conhecido como um grande finalizador. Por trás deste reconhecimento, há uma intensa rotina, com condutas, dietas e treinos diários. Para o atleta, sua disciplina e o bom psicológico são méritos de seus pais. “Sempre transmitimos confiança a ele, pois acreditamos que autoconfiança é tudo para um atleta. Hoje, nosso filho é um atleta focado e sabe o que quer”, falam João e Janaína. Foram, inclusive, a determinação de Ozires dentro dos tatames e sua frieza nos campeonatos que lhe renderam o apelido de “Ice Man” (homem de gelo).

Foto-5
Ozires e seus pais João e Janaína Gava,
em sua primeira luta de MMA, em 2017.

Ele, que é um dos atletas de Itapoá incentivadores à prática de campeonatos, hoje serve de inspiração para jovens itapoaenses que iniciam nas artes marciais. “Essas modalidades estão cada vez mais populares entre crianças, jovens e adultos, de ambos os sexos, em Itapoá. Eu acho isso muito bom, pois as artes marciais, além de proporcionar um bom condicionamento físico e noções de defesa pessoal, oferecem controle emocional, valores, paciência, equilíbrio, flexibilidade e agilidade”, diz.
Se nos tatames Ozires costuma finalizar o oponente em pouco tempo, na vida, ele fala que ainda há muitos movimentos a serem feitos até que a “luta” acabe. “Estamos em busca de patrocinadores e apoiadores locais que acreditem no seu potencial e no poder do esporte”, fala João, pai de Ozires. Para o futuro, o atleta conta que deseja fazer carreira no MMA e conquistar o tão sonhado título mundial. Ainda para este ano de 2017, ele planeja abrir um espaço junto à academia Pride Center Gym para dar aulas de artes marciais, formando novos lutadores no município de Itapoá. Para Ozires, tão importante quanto sonhar, é acreditar no sonho de alguém.

Foto-6

Para patrocinar ou apoiar o atleta Ozires, entre em contato através do número (WhatsApp): (47) 99199-7636.

Ghanem Laboratório: referência em saúde e empreendedorismo

Com ênfase em uma gestão empreendedora e democrática, com o conceito de ser uma “empresa-escola” e tendo como princípio a paixão pela saúde, surgiu o Ghanem Laboratório e Saúde, o maior laboratório de análises clínicas de Joinville-SC e o segundo maior de Santa Catarina. Para saber sobre a história, as ideias e os diferenciais do grupo Ghanem, referência em toda a região, conversamos com Omar Amin Ghanem Filho, um dos criadores da empresa.

Ana Beatriz Machado

 

Ghanem2
O Ghanem Laboratório e Saúde, em Joinville-SC,
é referência para toda a região.

A história do Ghanem possui em seu DNA o amor pelas análises clínicas. De origem familiar, o laboratório iniciou suas atividades há 44 anos, pelas mãos do bioquímico Omar Amin Ghanem, que fundou o KG Laboratório de Análises Clínicas. Ainda crianças, Monique Amin Ghanem e Omar Amin Ghanem Filho, filhos de Omar e Cleide Ghanem, no retorno da escola, encontravam os pais no laboratório. “Na maioria das vezes, nossos pais tinham que terminar seus afazeres, o que nos deixava livres para explorar a dinâmica do laboratório. Assim, surgiu nossa paixão pelo ‘universo’ laboratorial”, explica Omar Amin Ghanem Filho.
Através do exemplo dos pais, Omar se tornou bioquímico e administrador, especializado em Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva, e Mestre em Administração Estratégica das Organizações; já Monique, se tornou bioquímica, especializada em Gestão e Planejamento Ambiental, e Mestre em Saúde e Meio Ambiente. “Eu e minha irmã compartilhávamos do mesmo sonho: aproveitar a competência da família na realização das análises clínicas e criar um novo laboratório de excelência, que fosse inovador e atendesse a todos os planos de saúde, inclusive ao Sistema Único de Saúde (SUS), na região norte de Santa Catarina”, explica Omar. Foi assim que, juntos, os irmãos fundaram o Ghanem Laboratório e Saúde, ao final de 2005, em Joinville.

Ghanem1
O Ghanem Laboratório e Saúde, em Joinville-SC,
é referência para toda a região.

Desde o início, o foco do Ghanem foi o atendimento voltado para garantir maior acessibilidade à população, com a mesma qualidade e excelência dos serviços KG. De acordo com Omar, a qualificação profissional foi o maior desafio do laboratório, pois não existem cursos específicos para atendentes e coletadores nas análises clínicas no país. Por isso, os irmãos Omar e Monique, sócios no laboratório, criaram o conceito de o mesmo ser uma “empresa-escola”, que educa os profissionais para todas as esferas de atendimento, e criaram, há dois anos, a “Escola de Líderes e Sucessores Ghanem” – um curso interno de Especialização em Gestão para estes profissionais.
Conhecido por ser uma empresa de sucesso e o melhor laboratório da região, o Ghanem tem como diferencial o investimento no treinamento e capacitação de seus profissionais e a relação com seus clientes. “O envolvimento com nossos clientes é muito próximo. Nós atendemos cerca de 30 mil clientes por mês. Escutamos cada sugestão e entendemos quais são suas necessidades”, explica Omar. O laboratório também possui um grupo de analistas clínicos que realizam pesquisas e desenvolvem novos produtos, processos e serviços. Para implementar a inovação, Omar conta que algumas das práticas de gestão do Ghanem são: o Laboratório de Ideias, Planejamento Estratégico, Cultura Intraempreendedora, recebimento de visitas, cursos e participações em diversos eventos nacionais e internacionais, entre outros.

Ghanem4
O Grupo Ghanem acredita que a saúde é o
maior bem que você pode ter.

Para certificar a excelência dos serviços disponibilizados e conferir segurança aos pacientes e profissionais, o laboratório possui a qualidade de seus processos e análises laboratoriais acreditados pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial por intermédio do PALC (Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos). Além disso, foi certificado pela Norma ABNT NBr ISO 9001/2 até 2010, proferido pelo Bureau Veritas Quality International (BVQI), e participa de avaliações externas de qualidade: Programa Nacional de Controle de Qualidade da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (PNCQ), Controllab da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, e do Programa de Excelência em Microbiologia da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM).
Ademais, Omar também destaca que o diferencial se dá na excelência de atendimento ao paciente e na segmentação de serviços.

Ghanem5
Atualmente, o Ghanem possui, ao todo, 46 unidades de atendimento, em Joinville, São Francisco do Sul, Garuva e Itapoá.

“Diferente de nossos concorrentes diretos, temos implementado em nossa estratégia de expansão a disponibilização de serviços contemplando uma segmentação por clientes, visando melhorar o atendimento a necessidades específicas desses segmentos”, explica.
Entre estas ações está a disponibilização de um serviço exclusivo para o público infantil (o chamado Ghanemzinho), outro para o público não atendido pelo sistema privado de saúde (Laboratório Popular), outro exclusivo para mulheres e gestantes (Ghanem Mulher) e um dentro do principal shopping de Joinville (Ghanem Shopping Mueller).
Atualmente, o Ghanem Laboratório possui, ao todo, 46 unidades de atendimento. Além de Joinville, existem unidades nas cidades catarinenses de São Francisco do Sul, Garuva e Itapoá. Sobre Itapoá, especificamente, Omar conta: “A ideia de implementar uma unidade especial de atendimento em Itapoá aconteceu em 2014, quando vimos que recebíamos, em nossas unidades de Joinville e Garuva, ao menos cinco pacientes itapoaenses por dia”.

Ghanem3
Uma das ações criadas pelo grupo foi a criação de um
serviço exclusivo para o público infantil, o Ghanemzinho.

Nestes dezesseis anos de atuação do Ghanem Laboratório, muitas mudanças foram notadas na área da saúde. “A prevenção na saúde começou a fazer parte do cotidiano das pessoas, surgiram novas tecnologias de serviços e produtos e, como consequência do aumento da desigualdade social no Brasil, também houve o impacto no aumento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS)”, explica Omar. Ele ainda cita outras evoluções da área, como processos de certificação mais acurados, aumento das especializações profissionais, aumento no número de unidades de saúde e de centros de medicina diagnóstica, etc.

Ghanem6
O Ghanem Mulher, desenvolvido exclusivamente para mulheres e gestantes.

Sobre ser um empreendedor de sucesso, Omar destaca que o grande segredo é “amar o que realiza e realizar o que ama”. Gostar de pessoas, correr riscos – porém os calcular previamente, empreender, realizar benchmarking (ferramenta de gestão que avalia a empresa em relação à concorrência), networking (uma forma moderna de fazer negócios, criando sua própria rede de contatos profissionais e pessoais), estudar constantemente e trabalhar muito também são dicas para futuros empreendedores.
Apesar de a atuação do laboratório ser muito positiva, Omar revela que ainda há muito a ser feito. “Nosso time de líderes e nossos profissionais, juntamente do Conselho do Laboratório, estão anualmente caminhando com a implementação das ações estratégicas que o próprio grupo sugere e revisa”, explica. Entre os projetos futuros, ele destaca a reforma da Unidade Max Colin, além da instalação de uma filial na cidade de Itajaí-SC. Em poucas palavras, Omar define o Ghanem Laboratório e Saúde como uma organização apaixonada pela saúde de seus clientes. “Entendemos que a saúde é um dos maiores bens dos seres humanos”, diz. Ele e todo o grupo Ghanem estão disponíveis no que for preciso para a medicina laboratorial da região.

Ghanem7
Além de referência na área de análises laboratoriais, o Ghanem Laboratório e Saúde faz história como um negócio de família e empreendimento de sucesso.

O Arraiá de ofertas no De Paula Embalagens continua!

depaula1

O que já tava ”bão”, tá ficando ainda melhor!

Na De Paula você encontra diversos itens para você decorar sua festa Junina.
Venha conferir  as guloseimas, vestidos, acessórios, placas divertidas e muito mais.
Aqui tem:
– Quentão prontinho
– Bandeirinha
– Doce de amedoim
– Paçoca
– Maria Mole
– Doce de abóbora
– Pingo de leite
– Balões
– Plaquinhas
– Cachepôs
– Enfeites
– Copos de isopor
– Cartucho para pipoca e cachorro quente
– TNT decorado
– Pote de Pinhão

depaula12

E tudo o que você precisa pra deixar seu arraiá do bão!

Aproveite nossas ofertas e nos faça uma visita!

ATENDIMENTO: SEG A SEX DAS 8H ÀS 18H | SÁBADO DAS 8H ÀS 12H
Itapoá – SC: 47 3443.2546. Rua Gaivotas, 120.
Curitiba – PR: 41 3247.5706. Av. República Argentina, 3947

Itapoá Saneamento oferece vaga de emprego para o cargo de Agente Atendimento Externo

A Itapoá Saneamento abriu processo seletivo para contratação de profissional para atuar no Setor Comercial da concessionária, na função de Agente de Atendimento Externo – “Leiturista”.

Os candidatos deverão ter obrigatoriamente ensino médio completo, carteira de habilitação A, ter domínio em pacote Office.

O salário é compatível com o mercado e função, além dos benefícios de vale alimentação, cesta básica, vale transporte, plano de saúde e odontológico.

Interessados deverão encaminhar currículo com assunto “Agente de Atendimento Externo” para o e-mail: rh.itapoasaneamento@gmail.com Os currículos sem especificação da vaga no campo assunto, serão desconsiderados para a seleção. Os currículos deverão ser entregues até o dia 25/06.

 

Festa do Divino: os versos e pés que levam bênçãos aos lares guaratubanos

O toque simbólico do tambor e a cantoria anunciam: a dona de casa interrompe qualquer atividade para reunir a família e, em sua casa, recebe com emoção os foliões com as bandeiras do Divino e Espírito Santo, para agradecer às graças alcançadas. Esta é uma cena comum em Guaratuba durante os meses que antecedem a Festa do Divino. Mais que uma tradição católica, a romaria das bandeiras é tradição histórica e cultural da cidade. São cerca de dois meses e 20 quilômetros de caminhada percorridos pelos foliões por todo o município, representando as andanças de Jesus e seus apóstolos, e emocionando os fiéis, de casa em casa e de canto em canto.

divino4
O grupo de foliões, Elói da Silva, Edival Alves,
Jorge Tavares de Freitas, Abel Cordeiro em Cabaraquara.

Ana Beatriz Machado

Todo ano, próximo ao dia 3 de maio, dia de Santa Cruz, após receberem a bênção para a romaria, os foliões dão início à tradicional peregrinação, levando aos lares guaratubanos músicas e as bandeiras branca e vermelha – a primeira representando a Santíssima Trindade e a segunda, o Divino Espírito Santo. Partindo da igreja matriz, o primeiro ponto é a área rural, onde de barco e a pé os foliões visitam todos os sítios e povoados distantes, recebendo graças e pedidos; de lá, seguem para a Barra do Saí, sul da cidade, e percorrem toda a área urbana, antes que a festa inicie.
Grande número de fiéis faz procissão atrás das bandeiras, conduzindo velas acesas e entoando músicas em louvor ao Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade, como o casal Emílio Tavares de Freitas e Maria Leocádia da Silva. “Antigamente havia dois grupos de foliões e as bandeiras saíam separadas”, conta Emílio, “acontecia de os grupos com as bandeiras se encontrarem pela cidade, sem querer, e era uma cena emocionante”. Hoje em dia, pela dificuldade de encontrar pessoas que preservem a tradição, as bandeiras saem juntas, em um grupo de quatro foliões.

Para os fiéis, receber as bandeiras em suas casas é sinônimo de graça e devoção; enquanto para os foliões, esta missão significa fé e compromisso.

divino8
Família da dona Silvia Regina da Silva recebendo a bandeira do Divino na região de Cabaraquara.

O grupo de foliões é composto por quatro pessoas, cada qual na sua função: tambor, rabeca, viola e voz. O mais antigo na tradição é Elói da Silva, que completou em 2015, 45 anos de participação na romaria e é responsável por anunciar a aproximação das bandeiras através do toque simbólico de seu tambor. Assim como três dos quatro foliões, sua relação com a folia remonta à infância e às relações familiares. Folião desde os 19 anos de idade, Elói conhece as comunidades de Guaratuba como a “palma da mão” e ensinou os caminhos aos colegas.

divino7
A viola é tocada por Jorge Tavares de Freitas, conhecido por muitos como Jorginho. Aos 63 anos de idade, ele completa 16 anos de tradição na romaria. “E continuarei, até quando minhas pernas permitirem”, afirma.
O terceiro folião é Abel Cordeiro que, de seus 71 anos, 24 são de tradição na romaria. Apesar de ter experiência com outros instrumentos, sua paixão é a rabeca – instrumento musical com cordas, semelhante ao violino. Dentre os quatro foliões, Abel foi o único que não seguiu a tradição de família e sim, somente por vontade própria. “Esta tradição me encanta desde criança”, conta, “já estive no papel de fiel, recebendo a bandeira em casa, e sei o quanto é emocionante”.
Já a cantoria do grupo é puxada por Edival Alves, de 54 anos. O mais novo, tem três anos de experiência na romaria. “Vim de uma família muito tradicionalista, cujo costume e fé vêm sendo preservados há gerações”, conta.

divino3

Segundo Edival, os meses de caminhadas são cansativos, mas não devem parar. “É uma tradição muito bonita e que já faz parte de nossas vidas e lares e por isso, não deve acabar”, afirma.

Segundo os foliões, a saudade de casa e da família é grande, mas contam já estar acostumados. Em suas mochilas, algumas peças de roupas e seus aparelhos celulares, para a tentativa de encurtar a distância e matar a saudade durante a caminhada.
Mas toda a saudade e cansaço valem a pena a cada parada, os foliões já presenciaram muitas histórias de devoção. Cleusa Amorim Peres, por exemplo, carrega a fé no Divino Espírito Santo de várias gerações. “Receber a bandeira em minha casa é um momento de forte emoção, pois me lembro da minha mãe, que era muito devota e fazia promessas todos os anos”, conta.
A tradição de aguardar as bandeiras é praticada pela maioria dos fiéis, mas na área rural se intensifica. Para chegar à comunidade Salto Parati, por exemplo, os foliões vão de barco e depois caminham por aproximadamente um dia, para visitar apenas quatro casas. “Temos a responsabilidade com todos os fiéis, que esperam o ano todo por este momento”, afirma o folião Elói.

divino2

O grande momento
Entre muitos passos e outros, a chegada das bandeiras às casas dos fiéis é o momento de maior emoção para as famílias. Para a fiel Laura, sinônimo de paz, já para Cleusa, de lembrança. Cada família se sente tocada de acordo com sua fé e experiência de vida. A cantoria não cessa: também entra nas residências que acolhem as bandeiras de portas e coração abertos.
Na região de Cabaraquara, Silvia Regina da Silva e Celina Luiza da Costa Silva, mãe e filha, têm ex-foliões na família e sabem da dificuldade e cansaço da caminhada pela cidade. “Quando recebemos as bandeiras, oferecemos almoço e lugar para descanso”, conta Silvia, “e ainda é pouco, já que eles trazem graças ao nosso lar”. A cada parada, as bandeiras se enfeitam de fotografias, bilhetes e fitas dos fiéis, como forma de pedidos e promessas. Silvia e Celina costumam pedir por um mundo com menos violência. Outros pedidos são mais direcionados, como o de Laura de Freitas Torquatto, de 66 anos, que não podia ter filhos. Hoje, suas graças foram alcançadas, e como pagamento de promessa, ela percorre parte da caminhada junto aos foliões.
Após compartilharem graças e fé, os foliões passam para a casa vizinha cantando e tocando a mesma música, onde tudo se repete. Terminadas as visitas, depois de percorrer toda a cidade, eles se preparam para os dias da grandiosa Festa do Divino.

divino6

No primeiro dia da Festa, são eles que conduzem as bandeiras ao altar da igreja matriz, acompanhados pelo casal festeiro mor, e ali, no altar, deixam as bandeiras até o final da festa.

Feito isso, é hora de se preparar para o próximo ano, onde tudo se repete e a fé é intensificada. Mas quem disse que o trabalho acabou? Mesmo depois de tantos quilômetros percorridos a pé durante meses, o trabalho volta ao normal. “Assim que a festa acaba, é hora de ir para o mar, tarrafear”, conta Edival.
Assim, os quatro foliões são hoje, mais que exemplo de força e coragem, pelos milhares passos e todo o tempo distante de casa, mas também, de fé e persistência, por manterem acesa uma tradição histórica e cultural da cidade de Guaratuba, “até que suas pernas permitam”. Eles são famosos nos lares guaratubanos pelos seus passos de bênçãos e versos de fé, mas antes disso, a fé se encontra, especialmente, dentro de cada um deles.

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 30 – Julho/2015