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No período de pandemia, família se adapta a novos hábitos em casa e no trabalho

Em tempos de isolamento, muitas famílias vêm se adaptando a novos costumes em seus lares. No município de Itapoá-SC, a pandemia do Covid-19 mudou por completo a rotina do casal Ana Paula Galvão Scatamburlo Machado, técnica em enfermagem, e Cláudio Luís Machado, colaborador do Porto Itapoá, e sua família.

Ana Beatriz Machado Pereira da Costa

paula

Esta poderia ser mais uma história de famílias que buscam alternativas, novos hábitos e procedimentos de higienização diante do coronavírus, não fosse pela profissão de Ana Paula e Cláudio. Ela, técnica em enfermagem, atua no Pronto Atendimento 24 Horas de Itapoá e, ainda, realiza plantões no Hospital Municipal de Guaratuba-PR. Já ele, também formado em técnico em enfermagem – mas não mais atuante, atua no setor de inspeção do Porto Itapoá.

Vale lembrar que médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e todos os demais envolvidos com a área da saúde estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus e são mais expostos à doença. “Em plena crise, o acesso da população ao SUS (Sistema Único de Saúde) é um instrumento de defesa para nós, brasileiros. Confesso que tenho, sim, receio diante dessa pandemia que vem assolando o mundo todo. Mas me sinto muito privilegiada em poder contribuir com meu trabalho, no sentido de prevenção e orientação”, fala Ana Paula, técnica em enfermagem há 25 anos.

Seguindo a recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) do isolamento social para combater o coronavírus, a maioria dos comércios locais (exceto serviços essenciais) fechou suas portas. O Porto Itapoá, o maior porto do estado de Santa Catarina e o terceiro maior do Brasil, segue suas atividades, empenhado em garantir o abastecimento da cidade e toda a região. “Muitos munícipes estão preocupados com a atual situação e isso é totalmente compreensível. Enquanto colaborador do Porto Itapoá, posso afirmar que a empresa vem fazendo seu papel, adotando protocolos rigorosos de higienização, cartilhas de prevenção, distribuindo materiais de prevenção e orientando todos os colaboradores a realizar assepsia”, comenta Cláudio. Neste momento, o Porto Itapoá, com o engajamento e a dedicação de todos os colaboradores, cria alternativas saudáveis e eficazes para realizar seu trabalho de maneira mais segura possível.

Família em casa
No conforto do lar, o casal Ana Paula e Cláudio adota as medidas de higienização e segurança para combater o novo coronavírus. De acordo com a necessidade, a família se adapta. “Notamos que não havia um lugar para lavarmos as mãos na entrada de nossa casa, assim que chegássemos do trabalho. Então, tratamos de improvisar uma pia com um cavalete ao pé da escada. Agora, para entrar em casa, a parada para lavar as mãos e passar álcool em gel é obrigatória”, menciona a técnica.

Seguindo o exemplo de seus pais, os filhos Guilherme e Gabriel Scatamburlo também adotam medidas de precaução neste momento tão delicado. Guilherme, o filho mais velho, trabalha no cartório de registros de imóveis de Itapoá e conta: “Com o isolamento, o cartório disponibilizou um número de telefone para atendimento via WhatsApp. Continuamos trabalhando presencialmente no escritório, mas os cuidados de higienização estão ainda mais intensos e passamos a atender pessoalmente apenas os serviços essenciais. É muito interessante observar como nós, profissionais e clientes, estamos descobrindo novos meios de nos relacionarmos”.

Formada em Direito, Priscila Pitz, esposa de Guilherme, vem usando o tempo hábil no período de quarentena para ‘devorar’ livros e dedicar-se aos estudos para a prova da OAB. “Por conta do coronavírus, a data da prova foi adiada. Então, encarei isso como uma oportunidade de me preparar ainda mais. Leio questões, assisto a vídeos-aulas e faço simulados. Inclusive, em um dos simulados, Guilherme fez a função do fiscal, contabilizando o tempo para que a prova se tornasse mais real”, conta. Para focar nos estudos dentro de casa, a dica de Priscila é que sejam estipulados horários para o estudo, afim de que se torne algo rotineiro e prazeroso.

Gabriel, o filho mais novo de Ana Paula e Cláudio, estuda Engenharia de Software no Centro Universitário Católica de Joinville e atua no setor de PPEI (Processos, Projetos, Estratégia e Inovação) do Porto Itapoá. “Considerando que o setor em que trabalho é avançado no sentido de tecnologia e interação, neste período, estou tendo o privilégio de dar sequência ao meu trabalho dentro de casa, oferecendo suporte e boas práticas de home office aos demais colaboradores”, conta. Conforme Gabriel, algumas dicas podem ser adotadas para tornar o home office mais produtivo, tais como: cumprir o horário de trabalho mesmo dentro de casa – inclusive o horário de intervalo; escolher um local silencioso para trabalhar, sempre que possível; trocar de roupa como se fosse, de fato, sair para trabalhar; evitar interferências, como televisão e redes sociais; e comunicar sua agenda de trabalho a seus familiares – no caso de quem não mora sozinho.

A namorada de Gabriel, Thayane Minervi, também trabalha no Porto Itapoá, como jovem aprendiz. Ela estuda Recursos Humanos na Faculdade Anhanguera e, assim como o namorado, está tendo aulas online através de vídeos-chamadas. “É uma alternativa que tem seu lado positivo, pois perdíamos cerca de 4h todos os dias indo e voltando de Joinville-SC e, agora, este tempo de deslocamento pode ser aproveitado de outras maneiras”, fala.

Quarentena não é férias

 “Saímos do comércio, mas o comércio não saiu de nós”, afirmam Ana Paula e Cláudio, que por muitos anos tocaram o restaurante Dona Elza, em Itapoá. Eles, que conhecem a fundo a realidade do comércio local, têm empatia com todos os trabalhadores do município. “Hoje, falamos sobre a atual situação de uma nova perspectiva, pois eu estou na saúde e o Cláudio no Porto. Mas se este cenário fosse há três anos, quando o restaurante estava de portas abertas e em sua melhor fase, teríamos outras preocupações. Nos solidarizamos com todos os empreendedores, autônomos e funcionários de Itapoá, e achamos de suma importância essa mobilização que vem acontecendo na cidade, unindo a população para ajudar o comércio local e as pessoas em maior vulnerabilidade”, diz Ana Paula.

Enquanto moradores, outra situação preocupa o casal: a quantidade de turistas que veio passar o período de isolamento no município litorâneo. “Por se tratar de uma cidade pequena, tranquila e mais isolada geograficamente, uma quantidade absurda de turistas e veranistas está deixando suas cidades para passar a quarentena em Itapoá, pensando que aqui a probabilidade de contágio é muito menor, mas a verdade é que é totalmente o contrário. Apesar do excelente trabalho dos nossos profissionais da saúde, é fato que o nosso município tem muito menos estrutura para tratar um paciente diagnosticado com Covid-19 que uma cidade grande, como Londrina-PR ou Curitiba-PR. Isso sem contar a quantidade de idosos – grupo de risco do coronavírus, que representa boa parte da população itapoaense”, explica Cláudio, que reforça a máxima que “quarentena não é férias”.

Sobre os meses seguintes, muitas dúvidas e incertezas, mas uma coisa Ana Paula e Cláudio tem certeza: seja nas relações com as pessoas, no espírito de coletividade, nos âmbitos profissionais… muita coisa vai se reestruturar após o coronavírus. Vivendo um dia de cada vez, a técnica de  enfermagem cumpre com orgulho a missão de zelar pelos demais. Já a Ana Paula, na vida pessoal, faz deste período uma reflexão: “tenho sentido saudade de coisas pequenas, que nunca imaginei que me fariam tanta falta, como ir tomar um café com meus amigos, poder abraçá-los e jogar conversa fora”.