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Realizar sonhos, estar com quem se ama, ter um lar

Algumas decisões movimentam a nossa vida em ritmos desconhecidos. Por isso, um bom planejamento, independente de como é realizado, garante boas ideias e resultados.

1O casal Luana Gnata Viana e Raphael Mira foram os destaques da
primeira capa no formato novo da Revista Giropop.

Juntar as escovas de dente, alinhar os travesseiros, dividir a mesa das refeições, o sofá, o cobertor e a televisão no final de semana. Dividir sorrisos, carinho, despesas e um teto. Mais do que a festa ou a lua de mel, o planejamento de um casamento começa muito antes, com a procura ou a construção de um lar. Casa ou apartamento, rústico ou moderno, não importa: todo o casal sonha com um cantinho que possam chamar de “nosso lar”.

Às vezes esse sonho inicia junto com o pedido de casamento, outras vezes, logo nos primeiros meses de namoro, com rabiscos de plantas, de móveis e até localização. Mas ter um imóvel próprio logo depois do casamento nem sempre é fácil e requer muito planejamento. A opção, na maioria das vezes, é alugar um imóvel até surgir as primeiras oportunidades.

Este foi o caso de Raphael Mira (32) e Luana Gnata Viana (31). Juntos há nove anos, e casados há cinco, eles começaram a vida a dois em um imóvel alugado, mas hoje buscam construir o próprio cantinho aqui em Itapoá, com os gostos e preferências de cada um. Mais do que falta de recursos, para o casal a opção do aluguel também ocorreu pela incerteza de permanecerem em Itapoá.

Quando se conheceram, através de de amigos, Raphael estudava em Itajaí e Luana em Curitiba. Ao terminar o curso de medicina, o clínico geral acabou vindo trabalhar em Itapoá e o relacionamento era à distância, entre a Serra que separa o litoral catarinense e a grande metrópole curitibana. Com o tempo passando e a saudade aumentando, o casal oficializou o compromisso na formatura de Luana, com a presença de toda a família.

“Na época não conhecia muito Itapoá e morava de aluguel na casa de meu tio, na Barra do Saí. Então, quando resolvemos nos casar, procuramos uma outra casa, também para aluguel”, conta o médico. “Não tínhamos dinheiro para comprar ou construir uma casa, e também não tínhamos certeza de quanto tempo iríamos ficar por aqui”. Mesmo assim, o casamento já foi realizado planejando o futuro: não fizeram festa, optaram por investir o dinheiro em uma futura construção e uma viagem. “Abrimos mão de algumas coisas para ter outras, mas aproveitamos bastante”, afirma Luana. A história do casamento é curiosa e até faz parte de um dos grandes eventos climáticos de Itapoá: “O nosso casamento foi bem um daqueles dias de enchente, há cinco anos atrás. No dia, a família ficou presa do lado de fora da cidade e nós aqui dentro… Não conseguimos nem sair para jantar”, lembram.

E junto com o objetivo de um dia construir uma casa, o planejamento foi intensificado pelo mar de ideias. “Acho que mesmo quando ainda não se tem condições de executar, todo o casal fica sonhando e pensando em como será a sua casa. A Luana, como tem mais experiência com esse assunto (fez design de interiores), sempre acabava dando ótimos palpites. Também, sempre que víamos alguma coisa legal acabávamos anotando”, conta Raphael. Além disso, conforme eles, sempre tiveram muitas revistas sobre móvies, construção e decoração, e dali surgiam várias ideias.

Assim, quando perceberam que as coisas em Itapoá estavam dando certo e que já estavam envolvidos em muitas coisas, ele trabalhando como médico clínico geral e Luana como esteticista, resolveram dar forma ao sonho. Além dos planos e ideias já construídos nos rabiscos e pensamentos, o primeiro passo foi a compra de um terreno. Ao invés de comprar uma casa pronta, optaram pela construção. “Se comprássemos uma casa pronta, iríamos acabar fazendo reformas e não valeria a pena”, explica Luana.

Com o terreno, ideias e planos em mãos, deram o segundo passo: “como não conseguíamos colocar no papel tudo que queríamos de uma forma possível, procuramos um arquiteto para nos ajudar”. O projeto levou cerca de um ano e, quando finalmente aquele tão sonhado lar estava todo planejado no papel, pensaram em como executar.

“Como não temos recursos para construir uma casa à vista, optamos pelo financiamento. Apesar de ter prestações todos os meses, foi a forma mais viável de termos o nosso canto: vamos continuar pagando parcelas, mas ao final a casa será nossa”, fala Raphael. Hoje, o financiamento pela Caixa Econômica, conhecido como “Minha casa, minha vida”, apesar da burocracia, é a forma mais procurada para a realização do sonho de casa própria.

Luana e Raphael deram entrada com o projeto na Caixa Econômica há três meses e o engenheiro do banco já realizou a primeira vistoria do terreno. Agora, aguardam a aprovação dos documentos para começar a construção da casa.

Augusta Gern

Matéria publicada na Revista Giropop – Ed 8 Julho

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Lições de amor, respeito e convívio ensinadas pela natureza

Pedaladas, trilhas e cicloviagens são algumas das atividades favoritas do casal Meriele Abreu da Rocha e Bruno Comelatto Frizzarin.

Se relacionar consigo, com os outros e com o planeta de forma mais harmônica e saudável – este é o estilo de vida adotado por Meriele Abreu da Rocha e Bruno Comelatto Frizzarin, um casal apaixonado pela natureza. Juntos há mais de dez anos, eles compartilham muito mais do que amor, mas também viagens, aventuras e hábitos mais conscientes. Para eles, a natureza é mestra e, se escutada e respeitada, ensina suas lições em cada detalhe.

Ela nasceu na pequena cidade de Canta Galo – PR, mas passou a infância e maior parte da adolescência em Itapoá; enquanto ele nasceu e cresceu em Americana – SP, onde o casal reside atualmente. Meriele e Bruno se conheceram durante o período da faculdade, na cidade de Irati – PR. Ela estava cursando Psicologia, ele Engenharia Florestal. O casal recorda que o primeiro beijo aconteceu em uma festa da faculdade. Na semana seguinte, eles já estavam namorando e fazendo as coisas juntos. “O encanto veio com o tempo. Começamos a conviver muito rapidamente e ficamos amigos e namorados ao mesmo tempo”, conta Bruno.
Mas, antes mesmo de se apaixonarem um pelo outro, Meriele e Bruno já eram apaixonados pela natureza. “Cresci aprendendo a respeitar a praia e o mar, e usufruindo dele de forma consciente”, afirma Meriele. Para ela, perceber cada detalhe de um passarinho ou o formato de uma concha da praia é como se o mundo parasse para tal contemplação.
Bruno também sempre gostou de estar na natureza. “Durante minha infância, meus pais compraram uma chácara na zona rural e isso mudou minha vida. Tive diversas oportunidades de nadar em riozinhos limpos, ver o sol se pôr e a lua nascer”, recorda.
Para eles, encontrar um parceiro que também goste de se aventurar é sinônimo de realizações e aprendizados a dois. Quando vão para uma
empreitada na natureza, planejam cada detalhe: O que vão comer, beber, os equipamentos, o roteiro e até mesmo as coisas que podem dar errado. “Fazer este planejamento e executá-lo juntos também é um exercício de convivência. Nem sempre as coisas saem do modo que planejamos e nem por isso dá errado ou é impossível consertar”, afirmam.
Juntos, Meriele e Bruno pedalam, fazem cicloviagens, trilhas, visitam cavernas, sobem montanhas (trekking), velejam no mar e procuram viver a vida da forma mais simples possível. Nos lugares que visitam, levam o mínimo de lixo e o recolhem, respeitam as demarcações das trilhas, não fazem fogueiras, não usam produtos químicos nos rios, entre outros, de modo a causar o menor impacto possível na natureza.
Dentro de casa, o casal procura economizar o máximo de energia e água possível, reutiliza a água da lavagem de roupa para lavar a casa, separa e destina o lixo reciclável corretamente. Meriele e Bruno também têm uma pequena horta, onde produzem algumas verduras e legumes. “Sempre que podemos, também fazemos uma horta no quintal dos parentes e deixamos para eles cuidarem”, contam.
Mesmo adotando um estilo de vida com menos consumismo, menos determinismos culturais e tentando se desvencilhar dos padrões impostos pela sociedade, o casal acredita que está longe de ter uma vida sustentável. “Geramos bastante lixo, comemos carne e adoramos tomar uma cervejinha. Ainda assim, buscamos desenhar uma transição onde possamos viabilizar uma vida mais harmoniosa conosco e com o planeta”, falam.
Encontrar um parceiro que goste das mesmas aventuras faz toda a diferença e, para eles, traz magia e energia para o relacionamento. “Todo e qualquer plano que temos, seja de pequeno, médio ou longo prazo, sempre o outro está incluído”, diz Meriele.
Devido às cobranças que fazem pelo planeta, os dois contam que, muitas vezes, são vistos pelos outros como um casal chato. “Precisamos da natureza para viver. Como as pessoas pensam em ter filhos, se não conseguem se relacionar com seu próprio lixo? Qual futuro elas desejam ao seu filho?”, questionam. Meriele e Bruno acreditam que, infelizmente, o mundo está tomado pelo “ter”, dando menos importância ao “ser”, que cada um precisa fazer a sua parte e a parte do outro também.
Cada dificuldade que passam nas aventuras em uma montanha, por exemplo, são lições de amor, respeito e convívio ensinadas pela natureza e carregadas para a vida a dois. O momento no final do dia de trilha, quando a água está acabando e eles não veem a hora de chegar ao local de acampamento – se é que ele existe – lhes ensina muito. Dessa forma, Meriele e Bruno mudam alguns hábitos diários e, consequentemente, compartilham dos mesmos valores com a pessoa amada. Não por acaso, eles gostam muito de uma frase de Raul Seixas que diz: “Sonho que se sonha junto é realidade”.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop Ed 41 | Junho

Casal de surfistas divide o amor e as ondas

Além do Dia dos Namorados, no mês de junho também é comemorado o Dia Internacional do Surf, no dia 20. Por isso, para celebrar essas datas especiais, entrevistamos o casal de surfistas Elis Murara e Victor Pawlak Junior, de Guaratuba. Juntos há 16 anos, eles dividem suas vidas e as ondas do mar. Para os surfistas, não há nada melhor do que fazer uma coisa que você ama com a pessoa que você ama.

O casal Elis Murara e Victor Pawlak Junior, e a filha Analyce Murara Pawlak, de Guaratuba. Ao lado Elis e Victor deslizando sobre as ondas.

Tudo começou em Curitiba-PR, onde Elis e Victor nasceram. Lá, se conheceram através de um casal de amigos, mas, diferente dos contos de fadas, a história não foi de amor à primeira vista. “Assim que fomos apresentados, não me interessei muito. Saímos várias vezes com um casal de amigos, mas nunca acontecia nada”, recorda Elis. Até que em certo dia, eles foram atravessar a rua e Victor segurou em sua mão para evitar que ela fosse atropelada. Daí em diante, não soltou mais.
O casal, que sempre admirou o surfe, iniciou no esporte por volta de 12 anos atrás, depois que passou a residir na cidade litorânea de Guaratuba. Eles contam que já surfaram com pranchinhas e já praticaram Stand Up Paddle, mas que o longboard – modalidade praticada com pranchões, permitindo um surfe mais clássico – foi “amor à primeira queda”.
Em sua vivência no esporte, Elis chegou a participar de diversos campeonatos de surfe, no entanto, ela recorda que as competições lhe deixavam tensa e nervosa, fazendo com que não se soltasse. Hoje, ela e o marido são adeptos ao “free surf”, uma vertente do esporte onde o praticante surfa única e exclusivamente para se divertir, sem se preocupar com a performance.
Para eles, quando você gosta de surfar e tem alguém que gosta tanto quanto você, é um sonho se tornando realidade. “Nós imediatamente nos ligamos através das ondas, viagens, eventos, pranchas e nossos profissionais favoritos”, contam. Além dos assuntos em comum, surfar em casal significa dar dicas e conselhos para o parceiro, melhorando seu desempenho na água. Segundo Victor, isso também gera compreensão, uma vez que esta companhia compreende sua ligação com o esporte e vai desejar que você surfe mais, pois sabe que isso lhe deixa feliz.
Elis e Victor são mais do que um casal de surfistas. Junto com a filha Analyce Murara Pawlak, de 14 anos, formam uma família apaixonada pelo esporte. Por influência dos pais, Analyce foi estimulada na prancha de surfe desde os três anos, participando de diversos campeonatos desde os sete, competindo com mulheres mais velhas e até mesmo com homens. “Nós já caímos juntas na mesma bateria em alguns campeonatos”, conta Elis.
A pequena Analyce também já foi vice-campeã paranaense de longboard na categoria “estreantes”. Os pais explicam que esta categoria dificilmente é incluída nos campeonatos e que, quando acontece, é inclusa como categoria aberta, onde homens e mulheres disputam a mesma bateria. Isso levou Analyce a pausar os treinos e se dedicar ao free surf, acompanhando seus pais nas ondas de Guaratuba.
Victor é caminhoneiro e sua profissão exige uma rotina de viagens, fazendo com ele passe alguns dias longe da família. “Então, quando estamos juntos, curtimos nossa família ao máximo, com guloseimas, filmes, conversas e, é claro, muito surfe”, diz Elis. Baseados na experiência positiva, eles aconselham que os casais aprendam a surfar juntos, que os namorados ensinem suas namoradas a surfar e vice-versa. “Acreditamos que o casal que se diverte unido, permanece unido”, afirma Elis. Mas isso não se limita ao surfe, já que os apaixonados podem se divertir em qualquer outra atividade comum, seja ela esportiva, artística, entre outras. “O surfe é um esporte completo, que trabalha a força, a resistência e aumenta a capacidade de movimentação do corpo, além de estar ao alcance de todos, pois a natureza é gratuita”, ressaltam Elis e Victor. Deslizar sobre as ondas com o grande amor de sua vida significa, para eles, adotar um estilo de vida muito mais saudável e aventureiro. Longe da água salgada, um novo universo se abre, envolvendo outros hábitos como alimentação, espiritualidade, cultura e exercícios.
De acordo com o casal, em um relacionamento é preciso ter mais que amor, mas também paciência, tolerância, cumplicidade, amizade, liberdade e respeito. No entanto, Victor e Elis acreditam que não há uma única receita a ser seguida, pois todos os casais têm suas particularidades. Para comemorar o Dia dos Namorados, por exemplo, uns preferem jantares românticos em restaurantes, enquanto outros esperam por um dia de praia com boas ondas surfadas junto com a pessoa amada.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop Ed 41 Junho

O amor está online: Uma história que começou na internet

 

a1Há 14 anos os perfis do casal Oneide Urso e Douglas Antônio Urso, de Itapoá,
se cruzaram no site ParPerfeito.

Todo casal carrega a história de como se conheceu. E, cada vez mais, essas histórias incluem uma menção de sites ou aplicativos de relacionamento. Além do contato com novas pessoas, a internet, se utilizada com segurança, pode facilitar até mesmo o desenvolvimento de romances. Em comemoração ao Dia dos Namorados, contamos a história de Oneide Urso e Douglas Antônio Urso, de Itapoá – um casal que se aproximou por meio da internet. Há 14 anos, seus perfis e suas vidas se cruzaram em um site de relacionamento. Hoje, eles se assumem eternos apaixonados, são casados, constituem família e, com sua história, inspiram aqueles que tiveram desencontros ao longo da vida, mas esperam uma ajudinha do meio virtual.

Tudo começou no município de Atibaia, interior de São Paulo, quando Oneide havia recém-chegado dos Estados Unidos da América, com seus dois filhos. A 50 km dali, na capital de São Paulo, estava Douglas, médico recém-formado que morava sozinho. Apesar das diferenças e da distância, eles tinham um sonho em comum: Encontrar alguém especial.
O ano era 2002, época em que poucas pessoas tinham acesso à internet. A conexão ainda era de linha discada, o que exigia um ritual preparatório e muita paciência, pois a conexão costumava cair e os sites a travar. Há cerca de um ano, Oneide havia criado uma conta no site de relacionamento ParPerfeito, o maior portal neste segmento do Brasil. Ela chegou a conhecer algumas pessoas do mundo virtual: “Felizmente, conheci pessoas boas na internet. Alguns, inclusive, ficaram apenas na amizade”. Mas, até então, nenhum perfil havia balançado seu coração, como desejava.
No mesmo ano, Douglas comprou o seu primeiro computador e, no mês de fevereiro, criou uma conta no mesmo site de relacionamento. “Sempre fui muito caseiro e passava boa parte do tempo trabalhando ou em
casa, sozinho. Pensei que o site seria uma boa ferramenta para me distrair e, se levasse sorte, encontrar uma parceira”, diz. E assim aconteceu.
Não demorou para que os perfis de Douglas e Oneide se cruzassem pelo site, com poucas fotos e uma pesquisa detalhada sobre a vida pessoal, contendo idade, o que mais gostava de fazer, tipo físico, interesses, entre outros. Oneide recorda que a primeira impressão sobre Douglas, quando visualizou a sua foto no perfil, não foi das melhores: “Ele me pareceu uma pessoa muito certinha”.
Mas, a oportunidade para se conhecerem melhor surgiu dia 4 de abril de 2002, uma sexta-feira. Em uma sala de bate-papo do site, os dois estavam online e resolveram conversar. Eles lembram que falaram muito pouco no chat, pois trocaram os números de telefone logo em seguida. Quando completou meia-noite, na madrugada de sexta para sábado, os dois já estavam envolvidos em diversos assuntos pelo telefone.
Para eles, quando você acaba de conhecer alguém em um site de namoro, é muito importante ter cautela nas coisas que são ditas, não dar informações pessoais que possam comprometer a sua segurança, como endereço, por exemplo. Porém, ao mesmo tempo, é necessário fornecer informações honestas sobre a sua pessoa, como gostos, objetivos e interesses.
“Desde a primeira conversa, tivemos muito entrosamento e empatia. Conversamos sobre diversos assuntos, rimos e nos sentimos à vontade. Não foi à toa que ficamos até às cinco horas da madrugada no telefone, mesmo tendo que acordar cedo na manhã seguinte”, recorda Douglas.
O casal diz que não teve um namoro virtual, mas sim um encontro virtual. Depois que conversaram pela primeira vez, combinaram que Douglas viajaria para a cidade de Oneide para se conhecerem pessoalmente. Mas, antes do encontro, eles tomaram algumas medidas de segurança. Sendo a primeira vez que Douglas conheceria alguém da internet, ele avisou a sua família. Oneide, que deixou seus filhos com uma amiga de confiança, também lhe deixou avisada sobre o que estava acontecendo, com quem e aonde iria. Outro cuidado muito importante foi a escolha do lugar. A melhor opção é sempre um lugar público, iluminado, movimentado e, de preferência, onde você conheça algumas pessoas que estarão lá. No caso de Oneide e Douglas, eles marcaram de se encontrar no estacionamento de um mercado da cidade.
Chegado o grande momento, uma cena marcou a memória de Oneide: “Ele chegando ao estacionamento com um sorriso estampado no rosto”. O primeiro encontro foi, como o nome já diz, apenas o primeiro de muitos. Se na internet bastaram apenas algumas horas para os dois se conhecerem, pessoalmente, tudo também fluiu de maneira rápida e intensa. Depois do primeiro encontro, os perfis no site foram excluídos, o sentimento foi tomando conta e Douglas passou a realizar viagens diárias de São Paulo até Atibaia, a fim de ver a amada.

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a2Boas lembranças: Na primeira foto, a família Urso reunida.
Abaixo, o casal se divertindo na dança gaúcha.

Eles passaram um ano se relacionando à distância, até que Oneide foi com os dois filhos para a capital, morar com Douglas. “Em Atibaia, éramos nós três (ela e os dois filhos), sozinhos. Quando fomos para São Paulo, Douglas e sua família nos acolheram e passaram a ser a nossa família também”, conta Oneide. Na vida a dois, o casal somou positivamente e um completou o espaço vazio na vida do outro, trazendo segurança, estabilidade, força, amor e, é claro, uma família.
Desde o primeiro contato com Felipe Bolzan Rabelo e Bibiana Bolzan Rabelo, filhos de Oneide, o padrasto Douglas lhes tratou e criou como se fossem seus filhos. Aliás, eles contam que, nesta família, a palavra “padrasto” nunca existiu, Bibiana e Felipe são realmente seus filhos, e Douglas o pai deles. “Costumo dizer que, em 2002, comprei um computador, mas ele era premiado, pois acabei ganhando uma esposa e dois filhos maravilhosos”, diz o médico. Inclusive, no ano passado, eles recorreram à justiça e foi aceito o acréscimo do sobrenome Urso no nome dos dois irmãos.
Atualmente, Douglas e Oneide residem em Itapoá, ele atuando como médico, e ela como jurista. Já os filhos, residem e estudam em uma cidade próxima. Para o casal, sinceridade e diálogo foram essenciais para que esta relação desse certo. “Gostamos muitos de conversar, debater, ensinar, aprender, expor nossas opiniões sobre diversos assuntos e, mesmo que sejam contrárias, ouvimos e nos respeitamos”, falam.
Parceiros na vida, eles gostam de praticar dança gaúcha e dividir outras paixões: Por influência do marido, Oneide já participou de encontros de carros antigos e, por influência da esposa, Douglas começou a praticar corridas e até participou de um circuito recentemente. “Sempre tivemos muita fé em Deus e nossa história não poderia ser guiada de forma diferente”, dizem. Hoje, eles utilizam a internet para manter contato com os filhos, pesquisar e se entreter. Mesmo anos após a conta criada no site, Oneide e Douglas continuam formando um par perfeito e o melhor de tudo: O amor está em todos os ambientes, pessoalmente e online.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Junho – Ed 41

Amor de infância: casados e cheios de histórias

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Casal  Thiago Correa e Dhionne Aparecida de Paula Correa.

Seja em uma festa, um evento, uma viagem ou por intermédio de amigos: são muitas as formas, os locais e as situações em que os adultos podem conhecer o grande amor de suas vidas. Raras são as vezes em que o destino foge dessa normalidade e prepara algo ainda mais especial. Pode parecer brincadeira de criança, e já foi, mas o casal Dhionne Aparecida de Paula Correa e Thiago Correa são personagens de uma linda e diferente história de amor. Moradores de Itapoá, o casal já caminhou muito para chegar aqui, sua história apresenta capítulos de todas as etapas da vida: infância, adolescência e agora, a vida adulta.
Sertaneja é uma cidade situada ao norte do Paraná, com cerca de 5 mil habitantes, e foi lá o palco do início desse grande amor. Dhionne, aos cinco anos de idade, e Thiago, aos quatro, eram vizinhos em uma fazenda. Seus pais trabalhavam juntos, suas mães eram amigas e como conspiravam os bons ventos, os dois pequenos viraram amigos, também. “Costumávamos brincar juntos, um na casa do outro”, conta Dhionne. A lembrança das aventuras das crianças espoletas está marcada na própria pele dela: uma cicatriz feita em um dia de brincadeiras na casa do vizinho Thiago. Um ursinho de pelúcia marrom, guardado cuidadosamente até hoje, também carrega boas recordações, foi presente de Thiago para Dhionne em seu aniversário de cinco anos. “Ela era muito tímida e costumava se esconder quando eu a visitava”, ele recorda, com carinho.
Em meio às brincadeiras de criança, a inocência e a pureza dos dois contagiavam o ar da fazenda. Contudo, a vida é feita de escolhas e, uma delas, levou o pequeno Thiago à cidade. “Passamos alguns anos sem ter contato, mas nos reencontramos na escola”, conta ele. E, como colegas de classe, os dois também foram muito unidos, especialmente na hora das provas. “Ele era bom em contas e eu, em dissertativas, nos ajudávamos bastante”, relembra Dhionne.
Com o tempo, junto com a adolescência, os interesses foram mudando, sem que percebessem. E foi em um passeio que a relação tomou um novo rumo e sentimento. “Saímos como simples amigos, para acompanhar outros dois colegas que estavam de namorico”, relembra Dhionne. Foi tão especial que as recordações são gravadas em mínimos detalhes: era época de festa da cidade, ela sentada na calçada e ele chegando, de bicicleta. O passeio, que seria apenas uma parceria entre os amigos, resultou no primeiro beijo (de muitos) entre Dhionne e Thiago.
Os beijos trocados na adolescência faziam o coração bater mais rápido, mas o casal, até então de amigos, ainda não visualizava namoro sério, tampouco casamento. “Na escola todos sabiam do nosso romance e nos acobertavam”, conta Thiago, que costumava surpreender Dhionne com buquê de rosas e outros presentes.

Os pais apostavam no namoro entre o irmão de Thiago com a irmã de Dhionne, e por pouco, acertaram. “Forçamos a amizade para namorar”, brinca Thiago.
Foi em fevereiro de 1998 que passaram de amigos a namorados, fortalecendo ainda mais essa união. Estudaram praticamente todo o ensino fundamental e médio juntos. Os registros fotográficos comprovam e relembram os grandes momentos: eles brincando juntos na fazenda, ela presente no aniversário de quatro anos dele e os dois na formatura da 8ª série.
Essa história se torna ainda mais especial por ter como cenário, além dos estados do Paraná e Santa Catarina, uma parte em Goiás e São Paulo. Dhionne e Thiago são desses casais desprendidos e que se adaptam sem problema algum ao lugar e às pessoas. “Por conta do meu crescimento profissional, não posso me apegar à cidade”, explica Thiago. E Dhionne, não rodeia nem pensa duas vezes, é parceira e também não se importa com as mudanças.
Quando completou dezoito anos, ela foi morar em Goiás por intermédio de seu pai, e Thiago a seguiu tempos depois. O casal ficou por lá entre os anos de 2001 a 2005, quando realizaram o casamento civil. “Casamos para podermos vir embora”, conta ele. Com apenas algumas roupas carregadas na moto, voltaram para Sertaneja e, em seguida, viveram alguns meses em Jaguariúna – SP. Depois voltaram para o Paraná, período em que se estabilizaram, cursaram faculdade e receberam a melhor surpresa de suas vidas, um filho.
Mas, além das páginas felizes da história que mais parece romance de novela, o casal também teve capítulos difíceis. A gravidez de Dhionne foi complicada, principalmente na hora do parto. “Nosso filho, o Thiaguinho, é um milagre”, conta ela, agradecida. Foi depois que ele nasceu e por conta do novo emprego de Thiago, que Itapoá se tornou a nova residência. “As dificuldades que passamos nos deixaram ainda mais unidos”, afirma Thiago, marido, companheiro e amigo de infância de Dhionne.
O capítulo que segue, desde 2013, agora é na cidade itapoaense, mas novos cenários e emoções aguardam o casal. O que está por vir ninguém sabe, mas a amizade com certeza já está registrada no destino. Afinal, foi a partir dela que o destino brincou com eles, no bom sentido, desde a infância, desenhando esta história de amor. Acompanhar o parceiro desde as brincadeiras de criança é usar com frequência a palavra “juntos”. Primeira casa juntos, primeiro carro juntos, primeira moto juntos, faculdade juntos… A vida lhes presenteou, pois aqui estão Dhionne e Thiago hoje: juntos, escrevendo, a cada dia, novas páginas de uma história de amor.

Ana Beatriz Machado

Matéria publicada na Revista Giropop – Edição 29